Não, eu não possuo Naruto, mas possuo todo o resto do universo!
Fic Yaoi, para quem ainda não notou! Lemon SasuNaru, KakaIru, NejiGaa e mais um casal novo em folha.
Memórias da Retina
Tsunade olhou os três representantes de Oto (Som) que haviam passado naquele Chunnin Shiken e piscou confusa, aqueles eram cobaias de Orochimaru e Kabuto, eram antigos membros da Hebi, haviam se unido por um curto espaço de tempo a Akatsuki e sobre sua responsabilidade caia a morte do jinchuuriki no Hachibi. Sabia que Oto estava restaurada e novamente nos negócios shinobi, o clã Fuuma aproveitara a morte de Orochimaru para ocupar seus esconderijos, libertar a maior parte de seus prisioneiros e salvar o que podia das mutações e testes que Kabuto e Orochimaru haviam feito ao brincar com o DNA humano. Eram ainda uma vila pequena, poucos clãs, nenhuma Kekei Genkai, mas cheia de energia e fé, dispostos a voltarem a brilhar, e serem reconhecidos, e realizarem as promessas que Orochimaru havia feito para atrair os clãs e tomar seus jutsus.
Claro que não esperava que aqueles três estivessem em Oto, mas era até normal, analisando agora. Para onde se ia quando não se tinha mais nada? Orochimaru e suas sinistras brincadeiras eram o único mundo que conheciam, um lugar para voltar, um lugar onde poderiam ser úteis, e por isso a proposta do menor entre eles a chocava.
- Espere – Tsunade falou erguendo a mão ao sentir o chakra de Naruto se aproximando – quero discutir isso com o meu sucessor.
Karin piscou quando Sasuke entrou, mas não conseguiu se mover, não podia. O Uchiha vinha com um sorriso no rosto, um brilho nos olhos, parecia cheio de luz e entendeu a fonte dessa luz quando o loiro bonito entrou sorrindo enquanto um segundo moreno, quase um sósia de Sasuke os seguia. Os três pareciam cientes de sua presença, mas somente o loiro os olhou, os dois morenos tinham os olhos fixos sobre o loiro, como que fascinados. Nos olhos negros de Sasuke havia nítido amor e possessividade, no do outro havia carinho e fraternidade e Karin soube que estava diante de Uzumaki Naruto, Ninja das Distrações de Konohagakure, amigo e aliado do clã Fuuma, irmão e herói de Oto.
- Missão realizada com sucesso, Hokage-sama – Naruto falou reverenciando com a cabeça, porem seu sorriso não vacilou um segundo – pelos seus olhos, penso que deseja minha presença.
- Hai – Tsunade sorriu, adorava quando Naruto mostrava aquela serenidade animada, aquele respeito despojado – acabamos de receber uma proposta de Oto.
- Aliança – Naruto falou – dessa vez sem as dissimulações de Orochimaru.
- Isso – Tsunade sorriu, haveria em Konoha alguém mais informado do que Naruto? E ela que pensara que o menino não tinha nenhum talento para a espionagem – em troca dos tratados de paz com Konoha, eles nos entregarão um dos chunnins.
Sai olhou então os três, já sentira o chakra deles antes e sabia que eles sentiram o dele, mas seus olhos pararam sobre o menino loiro, quase deslocado entre eles. Os cabelos eram quase do tom do de Naruto, os olhos baixos eram vermelhos como sangue e ele parecia pequeno, terno e doce. Olhou rapidamente para Naruto, seu coração se enchia de amor fraternal, orgulho e alegria por estar ao lado de alguém tão poderoso, e que tivesse um coração tão afetuoso, mesmo depois de todos os percalços da vida. Olhou então o menino novamente e a fisgada que sentiu em sua virilha lhe mostrou que ali não estava um irmão, mas um objeto de desejo, coisa que Naruto nunca seria, não para ele. Naruto era seu para amar e cuidar, seu irmãozinho querido, uma dádiva da vida, que lhe ensinara a sentir e a amar, que quebrara a casca de insensibilidade que o cercava e lhe ensinara a sonhar. E talvez por isso pudesse olhar o pequeno e desejar saber como ele ficaria sem roupas.
- Estranho – Naruto falou depois de pensar um pouco – não foi oferecido nenhum ninja a Suna, que foi a mais devastada pelos planos de Orochimaru há quatro anos.
- Não, não foi – Tsunade sorriu, estivera nas negociações de Gaara com os membros de Oto e sabia os pormenores do acordo deles, insistência de Gaara – o que acha?
- Não é simplesmente uma entrega – Naruto falou – pelas nossas leis não poderíamos aceitar algo assim, seria como aceitar um escravo ou servo e em Fogo todos somos livres.
Tsunade sorriu, adorava quando Naruto apontava quase poeticamente as qualidades de seu país e vila, enchia-se de orgulho por ser parte daquilo, por fazer parte daquilo que Naruto obviamente amava e protegia a custo de seu sofrimento pessoal. Amava Naruto, amava o modo como ele via Konoha, como acreditava que um podia fazer diferença, e esse um era qualquer pessoa.
- Nós...
- O que me leva a concluir que isso seria o melhor para esse ninja – Naruto interrompeu Karin, Juugo estava tímido demais para falar, temeroso de sua condição e as conseqüências disso, Suigetsu tinha perdido a língua a habilidade de falar quando viu o loiro bonito que destruirá o Mizukage e a Akatsuki – não há melhor medicina do que a nossa, isso é fato, nossa Hokage é a Sannin da Cura, Tsunade hime. Alguém com problemas especiais recorreria a Konoha e nada mais eficiente do que se colocar em nossas fileiras. Fora o laço de proteção e lealdade que se forma quando se está do outro lado das grades.
- Estamos em um filme de prisioneiros novamente? – Sai provocou, fazendo Naruto sorrir para ele.
- Não – Naruto riu balançando a cabeça, os cabelos dourados, soltos já que o hitaiate estava preso no pescoço de Naruto, balançaram, fazendo Suigetsu pensar que via um ser de outro mundo, e Juugo associar o homem poderoso e sereno a um anjo. Karin apenas olhou com respeito, vendo que aquele loiro tinha o coração de Uchiha Sasuke nas mãos – mas não é segredo para ninguém o tipo de tratamento que Orochimaru dava a seus "escolhidos". A iryou ruiva, Karin, ela tem um selo iryou kinjutsu nos braços, uma mordida ali representa quase uma cura completa. O ninja procedente de Nevoa, Suigetsu, ele possui uma das raras Kekei Genkai daquele país, pode mudar sua forma e se liquefazer. Nenhum dos dois é o oferecido a Konoha.
Tsunade sorriu ainda mais, adorava seu sucessor, via o espanto nos olhos dos três de Oto, assim como o orgulho sereno que ela compartilhava com os dois Uchiha ali. Uzumaki Naruto era de Konoha, suas raízes estavam fincadas profundamente naquele solo e nenhum deles realmente merecia isso, mas tinham-no.
- O ninja oferecido é o próprio selo da praga – Naruto falou olhando Juugo, que se encolheu – pensar sobre isso me faz se lembrar de Gaara quando o conheci.
- Psicótico – Sai apontou, não gostando de pensar assim do belo loiro que parecia sofrer pelas palavras de Naruto, mas conhecia Naruto, ele era incapaz de maltratar ou ferir alguém – homicida, louco, máquina de matar?
- Confuso, sozinho e perturbado – Naruto falou depois de negar com a cabeça – o selo que parece natural nele deve ser estudado, não pela força e tortura como Orochimaru e Kabuto devem ter feito, mas pelas mãos carinhosas e compreensivas das nossas belas kunoichis da cura.
Juugo ergueu os olhos, encontrando os azuis fixos nele, não em escárnio ou aversão, não julgando e desprezando, mas em compreensão e, podia jurar, carinho. Se sentia aceito por aqueles olhos, se sentia especial, raro e único. Era como se aqueles olhos pudessem enxergar tudo que era e seria, como se pudessem ver seu passado e o aliviar da carga de dor e medo que o cercava. Seus olhos se nublaram e ele sentiu pela primeira vez em muitos anos, em anos infindáveis, que lágrimas lhe vinham. Era somente uma pessoa, era somente um ninja, mas Juugo compreendeu que ele usava a compreensão como arma. Aquele era Uzumaki Naruto, jinchuuriki no Kyuubi, ninja de Konohagakure, herói de incontáveis povos, e a primeira pessoa a o fazer se sentir sereno, controlado, normal, a primeira pessoa a o fazer se sentir humano e necessário.
- É isso que você pensa? – Tsunade perguntou vendo a comunicação silenciosa entre Juugo e Naruto – é isso que deseja para Konoha?
- Lealdade – Naruto falou analisando Juugo – uma necessidade muito grande de ser aceito, de ter um lar. Eu me reconheço nele, perdido, odiado, temido e desprezado, eu posso ver isso nele, como se olhasse um espelho. É como se ele fosse um jinchuuriki natural, e eu quero saber o porquê disso. Muitos jinchuurikis morreram sem jamais controlar suas bijuus, cresceram oprimidos pelo medo e pelo ódio, assim como eu, assim como Gaara, como Sora. Eu sempre me perguntei: ter algo dentro de si, algo que pode ser daninho e nefasto, nos faz mais ou menos humanos? Ter uma Kekei Genkai nos torna mais fortes?
- Isso é idiotice – Suigetsu murmurou – todos sabem que Kekei Genkai nos torna mais fortes.
- Não penso assim – Naruto falou pensativo – acho que isso debilita o ninja, que pode começar a depender demais de suas habilidades genéticas. Você, por exemplo, treina seu corpo natural para que ele seja mais forte, ou se apóia no fato que pode o deixar maior e mais forte usando sua Kekei Genkai?
Suigetsu piscou confuso, os olhos azuis lhe desnudavam a alma.
- Se seu corpo natural é o mais forte possível, seu corpo modificado por sua Kekei Genkai é conseqüentemente mais forte também, não? – Naruto apontou vendo o ninja olhar confuso antes de concordar, como se acabasse de ter apontado a origem da vida e desvendado os segredos do universo, a kunoichi ruiva apenas arfou em desagrado, dizia aquilo há anos para o preguiçoso, com outras palavras é claro – Karin, que não possui Kekei Genkai, treina seu corpo, refina seus sentidos, e absorve tudo que pode sobre jutsu iryou, ela não depende do que colocaram nela, ela se recicla e apura, se desvenda e se força a prosseguir. Sai não usa seu Sharingan em batalha a menos que seja realmente necessário, muitos desconhecem o fato dele possuir um Sharingan.
- Mas os Uchiha...
- Isso era o que queriam que se pensasse – Naruto cortou Karin sorrindo – mas para um clã extinto, sempre houve integrantes demais.
Sasuke sorriu empurrando de leve a cintura de Naruto.
- Está divagando – Sasuke repreendeu quase suave.
Naruto sorriu para ele e Sasuke adorava quando Naruto sorria assim, como se só ele existisse no mundo.
- Sim, teme, estou – Naruto falou e então olhou Tsunade – acredito que devemos aceitar os tratados e fazer os acordos. Juugo precisa de nós, e Oto é uma boa aliada agora. Juugo tem o que precisa para ser um ninja fiel a Konoha e um membro importante da nossa família.
- Família? – a palavra rolou desejosa e desesperada pela boca de Juugo.
- Em Konoha há a Vontade de Fogo – Sasuke falou baixo, olhando Naruto – esse é o espírito de Konoha.
- Nossa Vontade de Fogo nos une como uma única família – Sai falou – dizem que onde há Konoha, há fogo, e esse fogo brilha para proteger nossa vila. Somos todos folhas da mesma árvore, essa árvore é Konoha, seu tronco é o Conselho, cada galho é uma família e clã, shinobi ou não, mas somos todos da mesma árvore, somos todos iguais e quando isso é ameaçado, nos unimos como irmão e protegemos o que nos é importante.
- O Hokage – Karin apontou.
- Não, o Hokage é apenas a Sombra do Fogo – Tsunade sorriu – ele aposta sua vida pela vila, assim como os ninjas apostam suas vidas.
- O que se protege, o que jamais poderá ser tocado ou danado é o futuro – Naruto sorriu, eram irmãos naquela vila, ele realmente sentia isso, e por isso podia perdoar e amar Konoha – Konoha não são prédios e shinobis, não é comércio, riqueza e aldeões. Konoha é o futuro. Konoha jamais caíra, jamais será destruída, por que nós, shinobis de Konohagakure, protegemos nossas crianças e elas levam nossos costumes e futuro. Enquanto houver uma criança de Konoha, Konoha existirá. Prédios podem ser reconstruídos, ninjas treinados, já passamos por muitas reconstruções, ficamos mais fortes depois disso. Já passamos por muitas perdas, mas ficamos mais ferozes e sábios por isso. Konoha é algo vivo, algo que todo o Hokage protege e se kami for generoso, morre por. Não enterramos nossos mortos e há poucas lapides em Konoha, por que não precisamos delas, temos nossa Pedra do Herói onde o nome dos valentes que deram sua vida pela vila são gravados e lembrados para todo o sempre. Isso é Konoha, isso nos faz forte, isso desperta a verdadeira força shinobi. É por isso que dizem que Konoha não caí e o Hokage não se curva.
- E eu...
- Será parte do nosso Espírito e Vontade – Naruto sorriu, os olhos azuis em chamas, provando que acreditava realmente naquilo, os olhos dos dois Uchiha mostravam aquilo, os olhos ambarinos da Hokage mostravam aquilo, estava na postura arrogante e orgulhosa como suas cabeças se mantinham regias, na forma como os peitos se estufavam – será parte da nossa vila e vida. Companheiro, irmão, amante, o que desejar ser.
- Onde eu assino? – Suigetsu perguntou e Karin lhe bateu na nuca – out.
- Não podemos ficar aqui – Karin disse, mas admirava a forma como Konoha agia e lembraria daquilo para as reformas de Oto, precisavam de algo assim, algo deles, uma identidade coletiva que os fizesse temerários quando necessário – mas reconheço que antes invejava Juugo por estar no pólo da Cura, e agora o odeio por ser o escolhido a ficar aqui. Mas eu levarei isso a Oto e lá desenvolveremos algo nosso, algo único para nos ligar.
- Isso é o que esperamos de nossos aliados e amigos – Tsunade falou carimbando o pergaminho aberto sobre sua mesa – assim como é isso que se espera do meu sucessor no posto de Hokage. Esse é Uzumaki Naruto, aquele que irá mudar o mundo shinobi, sua influência está em quase toda a parte, e ainda não acabou.
- Mal começamos – Naruto falou – será que os Onze vão virar Treze?
- Bom número – Sai falou sorrindo para Juugo.
- Pare pervertido – Naruto falou baixo – ele pode aparentar ter doze anos, mas é mais velho que você, e bem maior.
- Quanto? – Sai perguntou excitado.
- Um metro e oitenta e sete – Naruto falou – noventa e quatro quilos, vinte anos, aproximadamente. Em alguns meses voltara ao seu tamanho e idade naturais.
- Como sabe disso? – Karin perguntou vendo que Sasuke estava surpreso também.
- Passei por ele uma vez – Naruto falou – naquela missão em que encontramos Nagato pela primeira vez. Bom truque usar as roupas do teme para espalhar o cheiro, realmente nos confundiu, por algum tempo.
- Como nos encontraram? – Suigetsu perguntou curioso.
- Kage bunshin – Sasuke explicou, naquela missão Naruto e Itachi haviam dado adeus, enquanto se preparava para encontrar o irmão, Naruto chorava sozinho, ferido e magoado – Naruto é mil, ou mais.
- Konoha parece ter muitas habilidades – Karin comentou olhando Juugo corado pelo comentário do moreno parecido com Sasuke, Uchiha Sai – Oto ficará melhor sendo aliada e amiga de tal nação.
- Konoha também é conhecida por jamais negar ajuda aqueles que têm laços de amizade e aliança – Tsunade falou macio – se precisarem de nós, se nos chamarem, nós iremos e ajudaremos, esse é nosso modo de viver.
- É nosso modo shinobi – Naruto sorriu enrolando o pergaminho e entregando a Karin – agora eu levarei Juugo para nosso hospital, onde as belas Shizune e Ino farão os primeiros testes.
- Eu...
- Pode segui-los – Tsunade falou – não é segredo nenhum as nossas técnicas, fora que eu copiei algumas coisas de Kabuto há alguns anos e será bom saber algo sobre o histórico pregresso de Juugo. Doenças, drogas ministradas, tudo pode ajudar.
- Hai – Karin sorriu seguindo os três ninjas de Konoha, Sasuke não era mais aquele que conhecera, estava completamente feliz agora e ela era uma mosca se isso não se dava ao fato do loiro existir.
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Sasuke acabara de deixar os antigos companheiros de Hebi nas portas da vila, Karin e Suigetsu partiam finalmente e Sasuke estava feliz por isso. Com os tratados de aliança e cooperação, não poderia matar Suigetsu por ficar olhando e tentando flertar com o seu dobe. Estava voltando para casa quando foi abordado por Haruno Sakura, mostrando que as pessoas não tinham mais amor a vida ou que aquele era o dia de provocar Uchiha Sasuke.
- Preciso falar com você, Sasuke-kun – Sakura implorou quase o arrastando para um beco próximo – por favor.
- Fale – Sasuke foi frio e seco.
- Eu queria – Sakura começou, já havia lágrimas em seus olhos – eu preciso saber Sasuke, o que ele tem que eu não tenho? O que ele pode te dar que eu não possa? Eu posso te dar filhos, muitos. Eu...
- Cale-se e ouça, inútil e irritante – Sasuke falou pressionando a kunoichi de encontro a parede do prédio, segurando-a pelo pescoço e lutando contra o impulso de ergue-la enquanto apertava aquele pescoço e acabava com aquele incomodo – você quer saber o que ele tem? Ele tem tudo, ele é corajoso, é forte, inteligente, amável, generoso. Ele é tudo isso e muito mais, e você não chega nem mesmo aos pés dele, jamais chegará.
- Sasuke-kun – Sakura chorava segurando o braço de Sasuke, incapaz de se proteger do irado Uchiha – eu te amo...
- O que ele pode me dar? – Sasuke sorriu cruel – ele pode me dar tudo que eu preciso. Ele pode me dar companhia e atenção, pode me dar amor e amizade. Ele pode me compreender por completo e não me pedir mais do que eu posso dar. Você jamais poderá me dar o que ele me dá, ninguém poderia. Há apenas uma pessoa para mim e essa pessoa é Uzumaki Naruto.
- Teme – Naruto falou do alto do prédio – o que está fazendo ai?
Sasuke sorriu soltando Sakura enquanto Naruto pulava.
- E sabe algo que ele pode me dar e você jamais poderá? – Sasuke perguntou cruel enquanto a garota caia no chão ofegante – Naruto.
Naruto se aproximou o olhando com cautela e Sasuke o puxou, colando as bocas com desespero. Naruto respondeu no mesmo momento, abraçando Sasuke, dando o que ele implorava silenciosamente para receber e tomando o que lhe era ofertado.
- Aqui – Sasuke pediu com a mão sobre a barriga de Naruto – me ame aqui.
Naruto parou, puxando Sasuke pela nuca e o fazendo se curvar um pouco para trás enquanto o olhava.
- Jamais – Naruto falou – nunca vou expor o que eu e você temos, somos mais do que isso, teme.
Sasuke suspirou quando Naruto o soltou e andou até o fim do beco, quase voltando para o fluxo suave de pessoas. Sasuke tocou seus lábios, pensando com medo que poderia ter perdido Naruto por sua idiotice, não podia perder Naruto, não Naruto.
- Venha teme – Naruto chamou – vamos para casa, você precisa ser punido.
Sasuke arregalou os olhos ao ouvir aquilo e então sorriu, andando até o loiro, Sakura estava completamente esquecida.
- Punido? – Sasuke perguntou tentando fingir desagrado.
- Exato – Naruto sorriu de lado – vai ver quando chegarmos em casa.
Sasuke sorriu quando Naruto entrou no fluxo de pessoas e rápido o seguiu, estava indo ser punido por seu dobe e não era estúpido de fazê-lo esperar.
Sakura chorou ao ver Sasuke seguindo Naruto como um cachorrinho. Pudera perceber nos olhos dele o desejo e alegria que apareceram no momento em que Naruto se mostrara, um brilho que jamais vira nos olhos de Sasuke, um brilho que ela deveria causar.
- Vou falar apenas uma vez – Sai falou parando enfrente a Sakura e puxando-a pelos cabelos rosa e a forçando a encarar sua face – apenas uma vez e esse seu cérebro limitado vai gravar isso, entendeu?
- Eu...
- Bom – Sai sorriu sadicamente, estava ali por seu irmão e seus interesses, ninguém feria sua família e ficava impune e por kami-sama,os outros podiam ser ninjas, ele era oi-nin, matar era sua natureza – se você se aproximar de Uchiha Sasuke, eu te mato, entendeu?
Sakura chorava agora, estava completamente aterrorizada e desesperada, mas aquele Sharingan a mantinha paralisada.
- Jamais chegue perto de Uzumaki Naruto – Sai falou e quando a kunoichi abriu a boca para balbuciar algo, usou a mão livre para esbofeteá-la com força, rompendo o lábio inferior e a fazendo gritar, ninguém parou para ver o que acontecia - entendeu?
Sakura concordou chorando ainda mais.
- Jamais se aproxime do que Uzumaki Naruto ama ou deseja – Sai falou e a kunoichi fechou os olhos, isso lhe rendeu mais dois tapas - entendeu?
- Hai – Sakura gemeu.
- Ótimo – Sai falou sorrindo e soltando a garota, mas então lembrou da forma como ela o tratara e a Naruto antes da máscara do irmão ser retirada e a chutou, pisando em sua cabeça e forçando o rosto já machucado no chão nu – e isso, vadia, é porque eu não gosto de você.
Sai saiu andando calmamente depois disso, tinha assuntos a tratar em certo hospital.
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Juugo não esperava que realmente não o machucassem, mas fora exatamente o que acontecera. As duas iryou que haviam feito os exames preliminares e exploratórios haviam sido delicadas ao tocar nele, ao conversar com ele. Naruto os deixara, arrastando o moreno Sai quando Shizune lhe pedira para tirar as roupas e colocar a camisola aberta na frente do hospital. O loiro saíra resmungando algo sobre ninjas pervertidos que o cercavam e pela forma como Sasuke colocara a mão sobre a bunda de Naruto, Juugo soube que o moreno hostil era mais um dos referidos e que o loiro não se importava nem um pouco com isso. Estava a uma semana em Konoha, internado no hospital, mas todos os dias Naruto vinha visitá-lo com os dois morenos. Vinha sempre com algo para ele comer, com roupas, pequenos presentes, agrados. Vinha com sorrisos e risadas, falava sobre a vila, sobre os amigos e sobre antigas missões. Perecia realmente se importar com ele e desejar que ele estivesse bem, que não se sentisse sozinho. Dominava sua aversão a hospitais e vinha, para que Juugo se acostumasse a ter amigos por perto, para que começasse a notar o quanto sua vida se modificara depois de jurar fidelidade e Konoha e Hokage. Os exames estavam terminando, logo lhe dariam alta e então teria que procurar um lugar para morar.
- Naruto já o adotou – Ino falou sorrindo – logo verá que a aceitação de Naruto é uma garantia de boas vindas.
- Ele parece poder ver, compreender – Juugo falou balançando as pernas na maca alta, parecendo ainda mais com um menino novo e pequeno – é como se depois de olhar nos olhos dele, o melhor de nós fosse despertado.
- É isso mesmo – Ino sorriu aplicando seu chakra e analisando Juugo, comparando os dados dele aos de Naruto na prancheta – Naruto é a luz de Konoha, ninguém permanece o mesmo depois de conhecê-lo, ninguém consegue resistir a ele. Esse dom estranho faz Naruto único e Konoha mais forte.
- Sasuke está mudado – Juugo falou baixo – quase não o reconheço.
- Ele tem estado assim desde que voltou – Ino sorriu acariciando os cabelos loiros, ele podia ser mais velho que ela, mas agora parecia um menininho inocente e seu coração era terno – mas melhorou consideravelmente depois que ele e Naruto se uniram. Agora ele sorri mais e parece mais relaxado, quase amigável. Mas pelo que sei, ele briga com Sai sempre que se encontram.
- Uchiha Sai – Juugo pronunciou.
- Hai – Ino sorriu – ele se considera o irmão mais velho de Naruto, e não abre mão do lugar que assumiu por que Sasuke foi embora. Sasuke é possessivo com Naruto e suas coisas, Sai é um debochado e adora provocar Sasuke, ainda mais usando Naruto. É uma guerra de vontades, embora nenhum deles esteja com seu lugar ameaçado ou posto em prova. Sai é irmão, Sasuke é namorado, simples assim.
- Ele...
- Que eu saiba é solteiríssimo – Ino falou sorrindo – e parece estar interessado em você.
Juugo corou negando com a cabeça.
- Naruto deve ter...
- Naruto jamais se confunde e nunca brinca com algo assim – Ino informou terminando o exame e começando a anotar o que descobrira.
- Não – Sai falou da porta, vendo Ino piscar para ele ao sair da sala de exames – Naruto jamais brinca e jamais se engana. Eu o desejo.
- Não me conhece – Juugo apontou temeroso quando o moreno se aproximou – eu sou...
- Um homem – Sai falou colocando as mãos sobre as pernas nuas do menino – assim como eu. É errado ou repulsivo para você pensar que eu quero estar dentro de você, beijar você, amar você?
Juugo sentia o cheiro daquele ninja enchendo seus pulmões e turvando sua mente. Tinta, grama e mistério, essa era a definição do cheiro do moreno. Corou ainda mais ao notar que sua camisola estava aberta e que as mãos pálidas estavam subindo por sua cintura, apertando de leve com aqueles dedos finos e longos, dedos de artista.
- Não pode cogitar me dar uma chance de me aproximar de você, de permitir que eu beije sua boca e corpo, que conheça sua alma enquanto você conhece a minha? – Sai perguntou respirando na garganta avermelhada do loiro, seu corpo ardia por ele, e Naruto lhe dissera para ser ele mesmo e oferecer o que desejava. Paixão fulminante, fora esse o diagnostico de Naruto para seu caso e Sai estava mais do que feliz em não procurar segunda opinião – não pode pensar em me tocar?
Juugo se inclinou para trás, e o moreno puxou suas pernas, roçando uma parte realmente acordado de sua anatomia na dele, realmente despertada pela aparência jovem de seu corpo. Meninos de doze anos podiam realmente sentir prazer? E seu corpo tão pequeno poderia suportar aquilo que se roçava nele agora?
Sai rosnou tomando os lábios de Juugo e o dominando. Gemeu quando os lábios sobre os dele se abriram, recebendo sua língua e respondendo timidamente. Abriu então a camisola e a tirou do corpo de Juugo antes de quebrar o beijo que os deixara ofegantes e ainda mais excitados e desceu sua boca pela garganta e continuou a exploração com sua boca, chegando em um dos mamilos rosados e o sugando como sugara o lábio inferior de Juugo quando finalizara o beijo. O loiro gemeu ofegante, um som baixo, como um animalzinho ferido. Um som que deliciou Sai e por isso deixou sua presa e foi para o outro mamilo, já ereto pelo estímulo de sua mão. A mão desceu, acariciando costas e barriga e a boca logo seguiu o caminho desvendado por seus dedos. Penetrou com a língua o umbigo pequeno antes de sorrir e abocanhar o pênis pequeno e ereto de menino ainda em formação.
Juugo ofegou abrindo as pernas e deitando sobre a maca, completamente entregue aquele moreno. Haveria dor, ele sabia, embora seu corpo estivesse diminuto, fora usado assim antes, Orochimaru, Kabuto e Kimimaro o usavam assim, sabia que poderia haver certo prazer no ato, mas a dor era maior, e seu corpo pequeno como estava, seria ainda mais doloroso. Porem o moreno estava lhe dando um prazer novo e estava começando a desejar o outro dentro dele.
Sai sorriu usando a mão para bombear o membro pequeno que umedecera ao colocar completamente em sua boca. O loiro gemia baixinho, realmente baixinho e aquilo era excitante e delicioso, como o gosto do loiro. Sua boca então acariciou os testículos pequenos antes de usar a outra mão para erguer a bunda do loiro e penetrar com a língua no ânus pequeno e rosado, vendo Juugo agarrar as cegas o fino lençol sobre a maca. Sua língua entrava com força, empurrando, contornando, testando. Sua mão comprimia com cuidado o pênis do menor e quando ele gozou, deixou seu posto e lambeu o sêmen do loiro, que gemeu ainda mais diante da visão.
- Eu...
Sai sorriu, usando o sêmen de Juugo e penetrando o ânus apertado com um dos dedos, procurando a próstata e vendo o corpo pequeno e cheio de hormônios despertar mais uma vez. Abrigou então o pênis de Juugo em sua boca e continuou com sua exploração, alargando com dois dedos o loiro e o fazendo gemer baixinho até que gozasse uma segunda vez. Só então se afastou e abriu a calça, mostrando seu pênis ereto e doloroso. Viu receio e desejo nos olhos vermelhos e começou a se masturbar diante dos olhos confusos. Aproximou-se com cuidado e encostou na bunda do loiro, vendo ele fechar os olhos e abrir as pernas, mas não era aquilo que desejava, não ainda, por isso o puxou para perto, fazendo Juugo o envolver com braços e pernas e usou as nádegas do loiro para estimular seu pênis, gozando logo depois de encontro a bunda de Juugo.
- Por quê? – Juugo perguntou ofegante, esfregar-se em Sai havia feito seu corpo despertar mais uma vez e gozar novamente, marcando o baixo ventre branco e plano de Sai.
- Não hoje – Sai sussurrou na orelha do loiro, beijando a pele sensível abaixo – não agora. No futuro, quando você realmente quiser, quando não puder mais segurar a vontade de ser meu e então eu entrarei e lhe darei mais prazer do que imagina ser possível. Até lá, eu o atormentarei e me atormentarei, despertarei cada pedaço desse seu corpo pequeno, vendo as mudanças que Naruto disse que virão enquanto você se recupera. E então quando eu o tomar, desejoso e louco de tesão, você será meu e ninguém mais poderá tocar em você. E quando você for grande e forte novamente, com seu tamanho normal, eu o deixarei me tomar e gozar dentro de mim depois de investir com fúria e força, quase me rasgando.
Juugo gemeu baixinho, sentindo seu corpo despertando mais uma vez, drenando suas forças. Meninos de doze anos eram tão hormonais assim? Parecia um animal no cio e sabia que jamais fora assim, não até agora pelo menos.
- Venha – Sai falou lambendo os lábios inchados de Juugo, avermelhados por seus beijos e se afastando, pegando as roupas que Naruto trouxera para Juugo – você ficará na minha casa, onde eu o atormentarei sempre que possível. Vamos, meu doce Juugo, Naruto nos espera para o jantar e seus exames de hoje acabaram. Deixe que eu o leve para o lugar onde você pertence.
Juugo piscou ao ser vestido com carinho, nunca fora acariciado depois do sexo, jamais fora o centro das atenções no prazer. O usavam para satisfação pessoal e era sua própria iniciativa procurar seu prazer. Com Sai fora diferente, foi especial e ele se sentiu especial. Único, querido, amado. O moreno não os limpara, apenas escondera as evidencias de seus gozos com as roupas.
- Quero que você sinta meu sêmen em você – Sai falou beijando os lábios com pequenos e breves selinhos – quero se sinta o meu desejo por você. Em breve quero que ele esteja saindo de você, uma prova da minha posse.
- Mas...
- O seu é um prêmio por minhas atenções – Sai sorriu mordendo de leve o lábio inferior do loiro – uma lembrança de que seu corpo não é indiferente a mim e uma promessa de que você será meu.
Juugo se lamentou mais uma vez, pulando da maca e terminando de fechar suas calças. Aquele moreno estava o enlouquecendo e jamais se sentira tão satisfeito em ter vindo para Konoha. Uma casa, um lar, amigos, família, aquilo se abria para ele, assim como a possibilidade de ser amado e necessário. De pertencer a alguém que o via como pessoa, como homem e como shinobi. Já pensava que Konoha era a terra das maravilhas, agora tinha certeza de que era. Seu lugar, seu lar, seu para proteger e amar. Um lugar onde poderia ser ele mesmo, onde era aceito e necessário, onde podia se curar e descansar, onde sempre haveria um sorriso e um ombro se precisasse. Não era mais Juugo, só Juugo, era Juugo de Konoha, chunnin, e logo teria um apelido ou codinome. Logo seria um dos integrantes extras dos Onze de Konoha.
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- Você está me irritando Hyuuga – Gaara resmungou sentindo o amante o espreitar – tenho que trabalhar.
- Não me lembro de ter o impedido – Neji falou as costas do Kazekage, vendo Kankuro sair da sala com um sorriso discreto – nem em atos, nem em palavras.
- Não seja estúpido – Gaara rosnou sem se voltar para o amante, não podia, tinha que trabalhar – você não cansa de me observar?
- Não – Neji falou macio, não cansava mesmo de observar Gaara. Adorava o olhar, ainda mais quando o amava, vendo os olhos verde-água turvados pelo prazer, a boca pálida aberta pelo desejo, o corpo pálido e sensível respondendo a cada pequena carícia sua – sabe que não.
Viera com Gaara a Suna, estava no posto de embaixador de Konoha e ajudando na criação de novas medidas de segurança e evacuação. Algo que a Hokage oferecera a ele depois que Naruto recusara aquele posto. Tinha em sua mala litros e mais litros da mistura lubrificante que Naruto fazia e que mantinham Gaara andando e Neji contente. Nota mental de beijar Naruto quando retornasse a Konoha, de preferência na frente do Uchiha, dupla satisfação. Graças a Naruto tinha dois meses para amar Gaara enquanto era útil a aliança. Graças a Naruto e seus toques sutis ou não, estava na cama de Gaara agora, como seu amante e namorado.
- Neji – o tom de Gaara era exigente agora e um sorriso arrogante se formou nos lábios bem desenhados do Hyuuga enquanto ele se aproximava e encostava um joelho no chão, em fingida pose de submissão.
- Posso fazer algo por você, Kazekage-sama? – Neji perguntou arrogante.
Gaara rosnou abrindo as calças e mostrando o que Neji fizera com ele apenas o observando.
- Isso é culpa sua – acusou irritado.
- Então terei que ser responsável e reverter isso – Neji sorriu ao puxar a cadeira de Gaara e se encaixar entre as pernas abertas, deixando seu hálito arreliar o membro sensível de Gaara – é meu jeito ninja.
Gaara rosnou agarrando os cabelos longos e macios enquanto forçava aquela boca molhada e quente a envolver sua ereção latejante. Gemeu em conseqüência disso, o eco das palavras de Naruto que Neji usara tomaram sua mente antes dela nublar, maldito Hyuuga, somente ele para transformá-lo em um monstro sexual. Maldito Naruto e suas invenções e opiniões.
- Seja responsável – Gaara falou movendo os quadris e ajudando Neji a tirar suas calças – venha meu guerreiro Hyuuga.
Neji gemeu pelo tom macio e desejoso, Gaara era tão carente, tão quente, tão deliciosamente responsivo. Chegava a ser ironia pensar que muitos pensavam em Gaara como um assexuado, àquele ruivo era quente como a cor de seus cabelos. Estava completamente viciado e domado por aquele ruivo. Por isso tirou a bisnaga de lubrificante e envolveu seu pênis antes de se ajoelhar no chão e puxar Gaara, já pronto pelos longos "treinos" matinais que tinham tido mais cedo aquele dia, ainda úmido por seu sêmen, e o penetrou com fúria.
- Hai, Kazekage-sama – Neji gemeu antes de beijar Gaara – vivo para servi-lo.
Gaara sorriu no beijo, sabia que aquilo era verdade. Tinha provado a si mesmo que era igual à Naruto. Gloriosa e jubilosamente igual à Naruto! Kami-sama era generoso ao ter colocado aquele loiro pervertido em seu caminho, realmente agradecia por ter invadido e amedrontado Konoha e se unido a ela em laços e aliança.
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Shizune bateu na porta de Naruto, depois de ter controlado suas reações. Não era todo o dia que chegava na porta de uma pessoa e ouvia suas intimidades. Respirou fundo quando pensou que os dois haviam se acalmado e bateu, corando furiosamente quando Uchiha Sasuke, vestindo somente suas calças abriu a porta e a olhou longamente. Kami-sama, poderia morrer de constrangimento? Se era possível, estava as beiras da morte, pois logo atrás de Sasuke estava Naruto, fechando sua calça enquanto pulava de sobre a mesa da cozinha com um sorriso enorme do rosto.
- Nee-chan – Naruto saudou – entre, estava terminando o café-da-manhã.
Como eram dez horas, Shizune pensou que era um café-da-manhã tardio graças aos atos praticados sobre a mesa limpa – quer comer conosco?
- Não – Shizune respondeu quando viu o Uchiha contrair os olhos possessivamente para a comida que Naruto colocava sobre a mesa – só café, ou chá, se tiver.
- Claro – Naruto sorriu e Sasuke deu passagem para a kunoichi antes de fechar a porta – aconteceu alguma coisa?
- Eu...
Como ela diria que Sakura estava arrependida se não podia falar o nome da garota. Como conseguiria fazer Naruto a ajudar se não podia dar notas de que Sakura existia. Como conseguiria sair viva daquela casa agora que o Uchiha havia entendido suas intenções e olhava hostil para ela? Tsunade a mataria se sobrevivesse, a Hokage deixara bem claro que não aceitaria mais suas intervenções nesse assunto e que não permitia que ninguém fosse incomodar Naruto sobre isso. Fora bem clara e violenta depois que os Haruno haviam passado quase o dia na porta de Naruto, prostrados em pedido de perdão por sua filha, que não existia para Naruto. Mais uma vez maldisse seus atos desesperados e ter se metido naquilo. Quantas vezes não repreendera Sakura por sua obsessão camuflada de amor? Quantas vezes não pensara que aquilo era somente uma fase que passaria? Não podia ver, mesmo agora, que a garota ainda não desistira completamente do Uchiha, mas que sabia que se aproximar dele era pedir para sofrer e se aproximar de Naruto era pedir para morrer. E lá estava ela, se metendo mais uma vez e arriscando seu pescoço por alguém que obviamente não merecia perdão.
- Sabe – Naruto falou sereno – eu estava pensando. Um Anbu não existe, não é?
- Como? – Shizune balbuciou confusa, vendo Naruto empurrar a maior parte da comida para Sasuke, que a devorava avidamente – o que disse?
- Anbu – Naruto falou bebendo um gole de seu café e vendo Shizune fazer o mesmo – a pessoa sobre a máscara, ela não importa, não é? Quando se aceita a máscara, se abre mão de seu nome e rosto, se ganha um codinome e enquanto vestir a máscara, essa é sua identidade e existência.
Shizune abriu a boca perplexa, a resposta que viera buscar estava ali, oferecida com cuidado e sabedoria por Naruto, que bebia seu café como se estivesse realmente pensando somente na vida de um dos segmentos da sociedade shinobi.
- Sei que alguns têm família e vidas normais quando não estão de serviço – Naruto falou – Anbu é realmente interessante, não é? Claro que somente jounins e melhores em suas áreas podem concorrer a uma vaga, o trabalho é árduo, mas deve ser recompensador, não?
- Dobe – Sasuke falou depois de engolir o que sobrou do onigiri que Naruto fizera para eles – já falou demais. Não precisa, não merece.
Naruto sorriu de lado, um sorriso sincero e o Uchiha rosnou de leve antes de um pequeno sorriso se formar nos lábios rosados. Aquele era Uzumaki Naruto, incapaz de não ajudar, mesmo a um inimigo ou traidor e Sasuke sabia, assim como sabia que Naruto não se arrependia de ter banido Sakura.
- Não entendo, teme – Naruto falou – estava apenas divagando sobre Anbu.
Sim, como se alguém fosse tolo o suficiente para cair naquela? Já sabia que sempre que os olhos azuis se mostravam inocentes era porque Naruto armava alguma coisa, um de seus planos infalíveis e surpreendentes. Haruno Sakura não merecia a ajuda de Naruto, mas ele também não merecera. Mas tivera, conseguira o perdão e absolvição de Naruto, conseguira um lugar na vida do loiro, um lugar ao lado dele e estava agora naquela casa, naquela cama, naquele corpo. Não merecia Naruto, mas estava fazendo o possível e o impossível para crescer e amadurecer e se tornar o homem que o merecia. Podia sentir isso, podia ver isso, sempre que aqueles olhos azuis se fixavam nos dele, sempre que Naruto falava com ele, podia ver o homem que Naruto via, o homem que ele podia ser e honrava a confiança de Naruto se tornando esse homem, esse Uchiha Sasuke, esse digno do amor de Naruto.
- Eu tenho que ir – Shizune falou quando terminou o café.
- Não disse por que veio – Naruto apontou.
Shizune tragou ar e então sorriu cúmplice, fingindo inocência.
- Passei somente por que estava com saudades e queria ver se estavam bem – disse calçando suas sandálias e abrindo a porta – agora que vi que estão bem, tenho que trabalhar. Obrigado pelo café, e pela conversa.
- Só eu falei – Naruto apontou, mas sorriu compreensivo e quando a porta bateu macio, olhou Sasuke – já está satisfeito?
Sasuke rosnou empurrando os pratos para longe enquanto Naruto voltava a tirar as calças e caminhar até ele, que rapidamente abaixou as suas também enquanto Naruto contornava a mesa e sentava em seu colo. Barriga cheia, na sua cadeira maravilhosa e com Naruto nu em seu colo. Aquela era mais uma das fantasias de Sasuke, tópico em que estavam trabalhando há dois dias.
- Ótimo – Naruto falou usando as mãos para afastar ainda mais a calça do Uchiha e masturbando-o de leve – agora podemos voltar a falar sobre suas perversões.
- Você parece bem excitado com elas – Sasuke apontou apertando a ereção do loiro.
- Não estou reclamando, neko – Naruto ronronou na orelha sensível – nunca reclamando, meu neko tarado.
- Kitsune pervertido – Sasuke rosnou sorrindo ao puxar Naruto e o encaixar em sua ereção, penetrando-o mais uma vez – gema para mim.
Naruto gemeu rindo, começando mais uma vez a doce dança que era a prova física dos seus sentimentos por Sasuke e do moreno para ele.
- Goze em mim – Naruto replicou malicioso – mais uma vez, meu neko.
Dane-se a cadeira, pensou Sasuke ao se erguer com Naruto e o colocar sobre o chão, onde teria mais apoio para provar sua posse naquele corpo delicioso que era só dele.
Nenhum dos dois poderia durar muito, estiveram em longos afagos e quentes encontros momentos antes e estavam mais do que satisfeitos, apenas não saciados um do outro. Jamais saciados um do outro.
- Suke...
Naruto se agarrou ao moreno, segurando os cabelos negros e arranhando mais uma vez as costas pálidas. Ainda havia marcas ali do dia em que punira Sasuke, marcas que logo sairiam, mas as lembranças da forma como o atormentara e tomara seriam eternas, assim como o desejo e amor que sentia pelo seu lindo neko negro.
- Ah, Naru – Sasuke gritou gozando quando o sêmen de Naruto molhava os corpos dos dois – eu te amo.
Naruto sentiu o moreno desabando sobre si e o afagou com carinho. Quando o ofegante Sasuke se ergueu sobre os cotovelos e o olhou, meio envergonhado.
- Diga de novo – Naruto pediu – mais uma vez, se...
- Eu te amo – Sasuke pronunciou baixo, temeroso, entregando seu coração.
Naruto sorriu, acariciando o rosto de Sasuke.
- Eu te amo também – Naruto falou – se não te amasse, não estaria aqui.
- Aqui? – Sasuke perguntou sorrindo.
- No chão, com você ainda dentro de mim – Naruto sorriu mais uma vez, junto com Sasuke e então o beijou.
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Cinco anos depois, Konoha
A noite se findava, logo o sol nasceria no leste, quente e luminoso, como o loiro que era Rokudaime Hokage e que tinha a face sendo esculpida na pedra do Monumento Hokage, quase uma réplica do rosto do Yondaime. Mais um rosto destinado a proteger Konoha para a eternidade, mais um rosto para ser lembrado e ensinado as crianças que viriam de suas crianças, num eterno ciclo de reinício e determinação. O Hokage mais forte, mais amado, mais sábio. O Hokage mais humano, mais generoso e mais temerário. O belo loiro que vencera inimigos poderosos e a apatia daqueles que o viam como um erro, arma ou monstro. Uzumaki Naruto, Rokudaime Hokage de Konohagakure, Ninjas das Distrações e líder amoroso da vila e das mudanças.
Amigo, aliado, irmão, amante, companheiro, líder. Muitas eram as denominações dadas ao loiro, e a muito que as palavras monstro, anormal, demônio e vil não eram aplicadas a ele e replicadas com agressões físicas ou psicológicas se algum dos orgulhosos conhecidos do loiro ouvisse alguém ter a coragem de pronunciá-las, ou pensar nelas.
O dia seria perfeito para a última fase de mais um Chunnin Shiken onde novos nomes seriam lançados no mundo shinobi, novos guerreiros, espiões e protetores que desejavam ser tão reconhecidos e amados quanto o belo Hokage que presidiria as lutas. Não havia estudante, genin, chunnin e jounin nas vilas shinobis da grande Aliança que não se espelhasse nos feitos do jovem Hokage, não havia garota, e até mesmo alguns garotos, que não suspirasse ao imaginar os Onze de Konoha, que já não eram somente onze a muito, em algum delírio romântico. Claro que todos sabiam ser quase impossível ter a atenção do loiro, Uzumaki Naruto era amável e compreensivo com todos, sabendo ser duro e ameaçador quando precisasse, perigoso em sua ira, amável em seus sorrisos. Mas havia somente uma pessoa que conseguia realmente as atenções românticas do belo e luminoso Hokage, e essa pessoa era o lindo e misterioso Uchiha Sasuke, que sempre mantinha seus exóticos olhos negros sobre o loiro e que parecia hostil a qualquer um que se aproximasse demais do seu amado.
E então havia Uchiha Sai, com seu amante loiro e grande, Juugo. Letais e perigosos, igualmente leais ao Hokage, assim como qualquer um dos Onze e amigos do loiro. A verdade é que qualquer um dos belos que seguiam Naruto estava casado ou comprometido. Até mesmo Hyuuga Neji, o gênio Hyuuga estava há anos com o Kazekage de Suna e ninguém erguera sua voz para repreendê-los, ao contrário, esse conhecimento era visto com alegria em Suna, já que seu Kazekage amado e sábio estava feliz com seu jounin estrangeiro.
Naquela manhã que se iniciava em Konoha, a preguiça era quase pecado, mas o pecado era muito bem vindo.
Na casa de Kakashi e Iruka, os dois se encontravam acordados, ainda languidos pelo sono e completamente apaixonados, começando os primeiros toques de uma lenta e longa demonstração de seus desejos e amor. Gemidos baixos e sonolentos, mão carinhosas testando contornos conhecidos e amados. Bocas se união em satisfação enquanto os corpos se colavam mais um ao outro, como que testando a lei que dizia que dois corpos não podiam ocupar o mesmo lugar no espaço.
Na casa de Uchiha Sai, os dois ocupantes daquele lar estavam na banheira, limpando seus corpos do sangue da última missão oi-nin, trabalho a que se dedicavam e que adoravam. Estavam limpando do mundo o lixo venenoso daqueles que sordidamente pensavam em atacar o que amavam. Estavam eliminando aqueles que ousavam ameaçar seu futuro e modo de vida. Claro que nenhum renegado ou ninja estrangeiro poderia realmente com o Hokage, mas era seu dever e direito eliminar qualquer ameaça que invadisse as defesas e terras de Konoha. Juugo podia mostrar uma fúria tremenda e selvagem quando Naruto era ameaçado ou desdenhado, defendia com unhas, dentes e chakra o loiro que considerava seu amigo e irmão, o loiro que o aceitara em Konoha, que lhe dera um lar, um objetivo e uma família. Faria qualquer coisa pelo generoso Hokage que dividira o irmão com ele, aceitando-o na pequena e doce família sem laços de sangue que formavam. Tinha Sai, tinha Konoha, tinha amigos e isso era tudo por causa de Naruto, e Juugo era leal, encontrara seu lugar no mundo, seu repouso e era útil e necessário, reconhecido e amado. Por isso ninguém jamais ameaçaria Naruto, ninguém jamais feriria uma das promessas de continuidade daquela terra dos sonhos e maravilhas que era a Vila Oculta de Folha, ninguém sobreviveria depois de insultar Uzumaki Naruto, não enquanto Juugo de Konoha estivesse vivo!
E era por isso que Sai estava agora de costas para o loiro, montando-o enquanto via o prazer declarado no rosto do seu amante pela parede espelhada que rodeava a banheira. O chão se enchia pela água derramada, o banheiro se inundava pelos gemidos baixos de Juugo e pelos ronronados de Sai enquanto o moreno continuava a se mover com deleite. Eles não trocavam palavras, não precisavam, seus olhos e almas estavam conectados, como seus corpos. Eles se entendiam, se amavam, se aceitavam e eram doces ao mostrar isso um ao outro, em total entrega.
Na casa tradicional onde Hyuuga Neji vivia, o mesmo também se encontrava acordado, suado e ofegante enquanto um ruivo temperamental o agarrava e mordia com fúria. Gaara jamais era lento no ato de amor. Era pura luxúria e fúria, transformando a mais doces intenções de Neji em uma guerra pela dominação. Recebia o Hyuuga em seu corpo como se aquilo fosse uma luta, uma guerra, uma que desejava mais do que tudo e tomava o outro completamente, sempre exigindo mais e mostrando o que queria.
Neji jamais reclamava, não era louco, seu ruivo era exatamente tudo aquilo que desejara e muito mais, e quando o tomava, quando era o ativo, era doce ao amá-lo, carinhoso ao tocá-lo e cuidadoso em saciá-lo. Em cinco anos de relacionamento, vivia mais em Suna do que em Konoha e adorava isso, assim como adorava seu amado ruivo Kazekage, que o domava e dominava. Para Hyuuga Neji, o gênio dos Hyuuga, o destino era realmente muito bom.
Muitas casas louvavam a manhã que se iniciava, algumas afagando um bebê, outras afagando os filhos, alguns ninjas chegavam sonolentos de suas missões, felizes por estarem em casa finalmente, outros acordavam para ir cumprir as rondas e aqueles que passaram a noite protegendo e trabalhando.
Mas na casa que o Hokage dividia com seu amante Uchiha, nenhum som era ouvido alem das suaves respirações de seus ocupantes. E se alguém tivesse a ousadia, ou coragem de entrar naquela casa sem convite, veria os dois corpos nus e abraçados, deitados de lado na cama enquanto o Uchiha mantinha as costas de Naruto firmemente de encontro a seu peito, o braço possessivo estava contornando a cintura do loiro e seu rosto descansava milímetros de distância da nuca dourada.
Era uma cena linda de se ver, os corpos em repouso, a cor branca da pele lisa do Uchiha de encontro à dourada e luminosa do Hokage. A forma como as cabeças se alinhavam juntas e uma insinuação de sorriso estava em ambas as bocas, o contraste entre os cabelos negro-azulados de Sasuke misturados sobre o travesseiro com os loiro-dourados de Naruto. A cumplicidade que aquele abraço adormecido mostrava. Um observador minucioso veria os resquícios que indicavam que ambos haviam adormecido aninhados depois de se amarem durante a noite escura e sem luar, mas nenhum dos dois estava acordado para ver o nascer do sol.
Naruto perdera aquele hábito há muitos anos, não precisava mais esperar pela sua parte perdida, ela estava ali, mantendo-o aquecido e amado em seus braços. Uzumaki Naruto, Rokudaime Hokage de Konohagakure estava completo. Percebera isso na primeira manhã em que acordara com o sol já alto no céu e nos braços de Uchiha Sasuke, ele era aquela parte sua que faltava e colocar isso em palavras lhe rendera a entrega total de seu amante.
Sim, Naruto sabia muito bem o que lhe faltava e somente quando Sasuke estava longe da vila em missão é que sentia necessidade de acordar e esperar o nascer do sol, esperando seu amado voltar para poder amá-lo.
Mesmo em seus sonos, ambos sorriram levemente, se esfregando um ao outro, as memórias da retina que Uchiha Itachi havia colocado em seu irmãozinho idiota ainda ocorriam às vezes, mas nada que os ferisse ou magoasse. Ambos podiam lembrar o mais velho dos Uchiha com carinho, agradecendo pela ajuda que lhes dera e desculpando-o por ser um maldito manipulador. Ambos sentiam uma saudade controlada e um carinho fraternal por Uchiha Itachi e sua memória já não pairava sobre eles, já não perturbava Sasuke.
Agora, somente Uzumaki Naruto perturbava Uchiha Sasuke.
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Nota da Li:
Pois é, acabou-se o que era doce. Memórias da Retina se finda aqui, e foi um prazer e tortura a escrever. Às vezes as fics rolam em minha mente, mas estagnam em um ponto e outras elas quase jorram enquanto meus dedos deslizam pelo teclado. Às vezes eu tenho que corrigir, modificar ou alterar completamente algumas partes ou capítulos, outras me surpreendo ao ter escrito algumas partes. Mas é sempre um prazer escrever, mesmo quando bloqueios acontecem.
Agradeço mais uma vez pelo apoio, muito importante durante o ato criativo. Obrigado a todos, realmente obrigado e espero que tenham aproveitado Memórias da Retina como eu e estejam tão satisfeitos como eu com sua conclusão, ou que pelos menos tenham gostado da forma como eu concluí.
Espero encontrá-los logo, em mais uma fic minha, ou de vocês.
Beijos da Li.
