Casais: KaixTyson, ReixMax

Classificação: Yaoi, Lemon, Aventura, Darkfic


Torneio Milenar - Capítulo dois

Nova Délhi, Índia

Kai observava de canto de olho seus companheiros de time, que conversavam muito animados entre si, enquanto iam de carro até o hotel onde se hospedariam no país. Ele suspirou pesaroso, repassando em sua mente as palavras proferidas por Perséfone naquela fita da câmera de segurança. Desde aquele dia, pesadelos povoavam seu sono quase todas as noites. Por ele, os Bladebreakers estariam no Japão naquele momento, treinando para o próximo campeonato.

- Kai, você está me ouvindo?

O russo piscou, voltando seu olhar para Tyson.

- O que?

- Já vi que você não me ouviu. – retorquiu o jovem, cruzando os braços, fazendo bico – Eu perguntei se nós iremos do hotel para a arena do torneio.

- Ah, sobre isso. – quem respondeu foi Chief, digitando no seu laptop – Devido a diferença de fuso-horário e tudo mais, teremos que apenas deixar as malas no hotel e ir para a arena, ou senão perderemos a cerimônia de abertura.

- Pronto, aí está sua resposta. – disse Kai, voltando a olhar pela janela.

Tyson franziu o cenho, observando o seu capitão com olhos preocupados. Max tocou no seu ombro e sorriu para o amigo.

- Não se preocupe...vai dar tudo certo. – e sorriu conhecedor.

Tyson sorriu de volta, apreciando o gesto do loirinho. Ele era o único que sabia dos sentimentos que nutria pelo mais velho. Logo eles sentiram o tranco do carro freando e seus olhos voltaram-se para o imponente hotel. Agora não tinha mais volta.

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- Sejam bem-vindos ao torneio milenar!

Os cinco jovens encararam o menino de quinze anos a sua frente, curiosos. O jovem, de pele bronzeados e cabelos curtos e negros, sorriu largamente.

- Meu nome é Jihad e eu serei o guia do seu time no torneio milenar! Queiram me acompanhar, os campeões do torneio mundial terão o camarote de honra!

- Puxa, que legal! – exclamou Max e Tyson, acompanhando o jovem e perguntando mil coisas ao mesmo tempo.

Kai andava meio atrás de todos, observando o longo corredor, iluminado apenas por lâmpadas fluorescentes, imerso em seus pensamentos. Logo ele sentiu uma presença ao seu lado.

- Ainda preocupado com aquela ameaça?

O russo encarou o caminho a frente, ainda andando calmamente.

- Só não quero...coloca-los em risco. Isso é tudo.

- Sabe que não me surpreende você se preocupar conosco? Os outros sim, mas você nunca me enganou Kai. – comentou Rei, colocando as mãos no bolso – Mas sendo o nosso capitão, você sabe muito bem que nós podemos nos cuidar, não é?

- Assim como sendo seu capitão, eu tenho um pressentimento de que esse torneio não vai ser nada comum.

O chinês colocou uma mão no ombro do outro e apertou levemente, num gesto de apoio.

- Melhor resolvermos isso quando chegarmos a isso, certo? Não fique se torturando em antecipação Kai.

O russo suspirou e apressou o passo, logo alcançando os outros integrantes do time. Assim que eles entraram no camarote, se corpo paralisou. Ali, sentada em uma das várias cadeiras, estava Perséfone. Rei parou ao seu lado quando viu a mulher, assim como os outros jovens. Jihad sorriu largamente e foi até a morena, abraçando-a.

- Madrinha, esses são os Bladebreakers de quem eu tanto lhe falei!

Ela ergueu os olhos azuis para encara-los. Suas íris demoraram-se em Kai por segundos a mais, antes de cumprimenta-los com a cabeça, dizendo:

- Sejam bem-vindos. – ela voltou-se para o moreninho – agora se me dá licença Jihad, eu vou descer na arena.

- Tá bom! Arrasa com eles! – exclamou, vendo-a sair do camarote.

Assim que ela saiu, Chief foi até o jovem indiano, sutilmente perguntando:

- Madrinha?

- Ah, é sim. Ela é como minha segunda mãe, principalmente depois que meus pais morreram. – ele franziu o cenho por alguns segundos e então sorriu novamente – Ela e mamãe eram companheiras de time no último torneio milenar que teve.

- Verdade? E ela é boa? – comentou o jovem gênio, ajeitando os óculos.

- A melhor. – disse sem modéstia. Jihad sentou-se em uma das poltronas – Mas vocês a verão em ação. Como é tradição no torneio, os campeões do torneio passado abrem com a primeira disputa.

- Interessante. – o jovem já digitava algo em seu laptop.

Max sentou-se na poltrona, seguido por Rei, Tyson e Kai. O capitão dos Bladebreakers cruzou os braços e encarou a arena a sua frente, tendo uma visão ampla do camarote. Logo o alto-falante funcionou, deixando a voz imponente do narrador correr por todo o estádio.

- Bem-vindos ao 17º Torneio Milenar! Competidores de todo o mundo, convidados, moradores de Nova Délhi, preparem-se para a disputa de suas vidas! Como é de tradição do Torneio, os campeões da disputa passada, o time Hurricane irá abrir o Torneio. Seu primeiro desafio será o time do Monastério do Tibet!

Os Bladebreakers viram quando Perséfone, sozinha, subiu em um dos lados da arena que serviria de campo de batalha. Do outro lado, um grupo composto por cinco homens, todos por volta dos quarenta anos, sem cabelo e vestidos com túnicas vermelhas, tinham suas beyblades em mãos.

- Porque ela está sozinha? Achei que fosse uma disputa de times. – perguntou Max para Rei.

- O time original morreu. – quem respondeu foi Jihad – E ela se recusou e escolher outras pessoas para lutarem junto a ela. – ele deu de ombros.

Tyson absorveu a informação e sem poder evitar olhou de relance para o russo. A mulher tinha um passado tão misterioso quanto Kai e aquela afirmação dada em Moscou o fizera ficar ainda mais preocupado. Seus sonhos não haviam parado; na verdade haviam piorado e toda noite o campeão mundial acordava com a vívida imagem do russo morrendo em seus braços.

- A batalha vai começar.

A constatação de Max despertou Tyson de seus pensamentos. Ele voltou seu olhar para a arena e franziu o cenho.

- O lançador dela é estranho.

- É um modelo antigo, antes da inovação das beyblades. – respondeu Chief, ajeitando os óculos – É uma espécia de anel preso ao dedo, que possui uma liga metálica acoplada a base superior da beyblade. Seria preciso muita força física para que um lançamento assim alcançasse a velocidade das beyblades atuais.

- Então esperem e vejam. – comentou Jihad, sorrindo.

O time do Tibet ergueram suas beyblades e Perséfone fez o mesmo, erguendo seu braço. Logo o sinal foi dado e ela lançou a bebylade.

O impossível aconteceu. A beyblade da indiana, ao atingir a cúpula, fez um enorme barulho com seu impacto, arrancando uma lasca de concreto tamanha sua força e seguiu atrás das beyblades do outro time, sendo vista como um risco prateado no ar.

- Isso é fisicamente impossível. – exclamou o pequeno gênio – Essa beyblade está numa velocidade incomum para o seu lançamento rústico!

- Na verdade a beyblade da minha madrinha consegue atingir duzentos e dez quilômetros de rotação por minuto.

Os Bladebreakers ofegaram ao ouvirem aquilo e seus olhos se arregalaram ainda mais. Que tipo de jogadora era aquela?

- Impressionante como sempre, a jogadora Perséfone leva a platéia ao delírio com seu lançamento rasante, capaz de abalar a confiança de muitos jogadores. O time do Tibet, no entanto, consegue manter a posição e já invoca sua fera bit, as raposas do além!

O monge mais velho, aparentemente o capitão, deu um passo a frente.

- Formação de colisão!

As cinco raposas invocadas se uniram em uma só, transformando-se em uma raposa gigante. Perséfone riu e seus olhos brilharam.

- Vamos parar de brincar então. Suzaku, erga-se!

Kai levantou-se da poltrona num rompante, arregalando os olhos. Uma enorme fênix branca e prateada surgiu da beyblade da mulher, muitíssimo parecida com a Dranzer. Seu coração se apertou e ele sentia o mundo começar a rodar a sua volta. A indiana virou seu rosto para o camarote, seus olhos azuis perfurando o vidro e encarando Kai. Ela então moveu os lábios. 'Observe', leu o russo.

- Suzaku, tempestade de gelo! – ela ergueu o braço, invocando a fera bit.

A fênix emitiu um som alto e potente e o mundo a sua volta pareceu congelar. Um vento frio envolveu a cúpula e num milésimo de segundo um furacão de gelo atravessou a arena, jogando as raposas por todos os lados, quebrando a formação. Perséfone abaixou as mãos e virou seu dedão para o lado de baixo, murmurando:

- Acabe com eles. Use o estilhaço da alma.

Pequenas placas de gelo e vidro surgiram no ar e foram em direção as raposas feridas como projéteis, sem piedade. Uma a uma elas tiveram a garganta atravessadas, caindo no chão, mortas. Seus corpos se dissolveram no ar.

- Oh. – ofegou Rei, paralisado no seu assento.

A multidão foi a loucura e o barulho de cinco corpo caindo ao chão pode ser ouvido. Os monges tinham os olhos brancos e sem vida.

- Uma impressionante vitória do time Hurricane, que como sempre, esmagou seus oponentes até a alma!

A beyblade prateada zuniu e lançou-se a mão da indiana, que pegou-a no ar. Suzaku despareceu como fumaça. Os Bladebreakers estavam paralisados no camarote, um arrepio descendo em suas espinhas. Que tipo de torneio era aquele?

Antes de sair da arena, Perséfone olhou novamente para Kai e deixou que ele lesse seus lábios mais uma vez. 'Todo aquele que ousa me enfrentar...morre'.

CONTINUA.