Casais: KaixTyson, ReixMax
Classificação: Yaoi, Lemon, Aventura, Darkfic
Torneio milenar – capítulo três
- Posso me juntar a você?
Rei ergueu os olhos dourados, sorrindo quando fitou a face de Max, que estava parado contra a porta de vidro da varanda do quarto que dividiam.
- Sabe que pode.
O loirinho sorriu e sentou-se na cadeira ao lado dele, fitando o cenário a sua frente. Depois da chocante luta que abrira o Torneio, eles haviam voltado para o hotel. Max ficou preocupado quando Kai se trancou no quarto, dizendo que precisava de um tempo sozinho e como isso magoara Tyson. Ele trouxe as pernas junto ao seu corpo, abraçando-as.
- Está com frio?
O jovem fitou o moreno ao seu lado, balançando a cabeça numa negativa. Então voltou a encarar a cidade abaixo deles, um leve rubor cobrindo seu rosto branquinho. Mas ele já devia estar acostumado, era sempre assim na presença de Rei. Pelo menos nos últimos dias. Desde a final do campeonato. Quando Rei saíra carregado da arena, seu coração falhou por segundos e foi então que ele percebeu...os seus sentimentos.
- Max?
O loiro abraçou mais as pernas, suspirando.
- Estou preocupado com o Tyson. E com o Kai.
Rei suspirou, recostando-se na cadeira. Ele também estava preocupado, mas lhe cortava o coração ver o loirinho tão cabisbaixo. Gostava demais de Max para ve-lo triste.
- Vamos sair dessa e ninguém de nós vai morrer.
- Promete?
O chinês voltou seus olhos para o outro e seu coração parou por segundos, antes de bater acelerado. As luzes da cidade iluminava parcialmente o rosto de Max, dando um brilho quase surreal as íris azuis, que estavam cheia de lágrimas não derramadas. Seu corpo agiu por vontade própria quando ele ergueu-se e ajoelhou-se em frente o loiro, tocando suas pernas com as mãos, delicadamente.
- Prometo.
Max deixou suas pernas tocarem o chão e sorriu levemente. Aquilo só fez o coração de Rei bater mais rápido.
Sua mente se perguntava como ele nunca tinha percebido antes.
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O local a volta dele era escuro e deserto. Tyson olhava para todos os lados, mas não conseguia enxergar nada além de si mesmo.
- Hey, pessoal? Max? Kai?
O campão mundial começou a correr, não sabendo para onde ia, tudo que queria era sair daquele local, onde quer que ele fosse.
Logo ele avistou uma silhueta e sorriu largamente, correndo até ela, feliz por ter encontrado alguém. Mas seu corpo paralisou quando a cena a sua frente foi desvendada: Kai estava de joelhos no chão. A sua frente, Perséfone encarava o capitão dos Bladebreakers com ódio...uma chama assassina em seus olhos azuis. O russo estava todo machucado, seu sangue formando uma poça escarlate em volta do seu corpo.
- É o fim...Hiwatari.
Tyson arregalou os olhos quando ela ergueu sua beyblade prateada, o brilho da lâmina quase cegando seus olhos. Kai ergueu o olhar para Tyson e murmurou.
- Me ajuda...
Tyson acordou, sentando-se na cama, sua respiração falha. Ele sentia os cabelos compridos grudarem-se as suas costas devido ao suor frio que agora envolvia seu corpo. O jovem levantou-se da cama lentamente, olhando para a direita, observando a forma imóvel de Kai na outra cama. Lentamente, o mais silenciosamente possível, Tyson se aproximou da outra cama e deu a volta, conseguindo encarar o russo.
O japonês soltou a respiração que tinha prendido inconscientemente quando viu que Kai dormia normalmente, sem nenhuma marca ou machucado em seu rosto.
Tyson mordeu o lábio inferior, seus dedos se aproximando do lençol branco inconscientemente. Ele precisava ter certeza. Só esperava que Kai não acordasse e o matasse de porrada.
O jovem ergueu o lençol e suspirou aliviado quando tudo que encontrou foi a pele jovem e clara de Kai, sem nenhum machucado. Então seus olhos arregalaram e ele deixou o lençol cair dos seus dedos, se afastando, até suas costas baterem contra a parede do lado da porta que levava ao balcão.
Seu corpo escorreu pela parede e seus olhos ainda estavam arregalados. Tudo que percorria sua mente era aquele corpo...perfeito. As curvas, o abdome definido, uma pequena cicatriz perto do peito...tudo. Tyson repetia aquela imagem na sua cabeça e seu coração batia mais e mais rápido.
De repente Kai remexeu-se em seu sono, franzindo o cenho. Um pequeno murmúrio escapou dos seus lábios ele virou-se, o lençol escorrendo, expondo sua pele para os olhos azuis de Tyson.
O campeão mundial ergueu-se do chão abruptamente, abrindo a porta de vidro que levava ao balcão e saindo do lado de fora, recebendo o vento morno de Nova Délhi. Ele enterrou os dedos em seus cabelos e respirou fundo, tentando acalmar seu coração descompassado.
Primeiro ele tinha que achar uma maneira de salvar Kai. De impedir que seus pesadelos se tornassem realidade. E só conseguiria isso se enterrasse seus sentimentos o mais fundo possível dentro de si.
- Por ele. – murmurou para si.
Era hora de crescer, parar de agir feito criança e cuidar daqueles que lhe eram caros.
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- Eu vou primeiro.
- Mas..!
- Ele vai primeiro Max. É minha palavra final.
O loiro cruzou os braços, encarando seu capitão com ressentimento no olhar.
- Porque Rei tem que iniciar a primeira luta? Isso não é justo! E nem sabemos contra quem ou que lutaremos!
Chief se aproximou do grupo, ajeitando os óculos.
- O grupo que vocês enfrentarão é o campeão das eliminatórias da África oriental. Eles tem feras-bit singulares, mas não sei ainda quais são suas capacidades ou potências. – o jovem gênio deu de ombros – Desculpa Rei.
O chinês sorriu, afagando-lhe os cabelos.
- Não se preocupe Chief. Isso é suficiente. Eu e Driger daremos conta.
O moreno jogou o rabo de cavalo para trás dos ombros e andou em direção a entrada da arena. Max franziu o cenho, ainda preocupado. Não queria estar agindo daquele jeito, mas depois de ontem não podia evitar.
- Bem-vindo ao Torneio Milenar. Hoje teremos mais uma luta impressionante para vocês, fiéis espectadores. A minha direita, o primeiro representante da equipe Bladebreakers, campeões mundiais, Rei! E a minha esquerda, os vencedores da eliminatória da África oriental, Muhad!
A platéia aplaudiu ferozmente enquanto o moreno encarava o jovem a sua frente, do outro lado da arena. Ele tinha a pele morena, os olhos negros e amendoados. Uma beyblade da cor vermelha estava entre seus dedos.
- Os lutadores estão prontos?
Rei ergueu sua beyblade, seus dedos apertando o lançador.
"É agora Driger...vamos acabar logo com isso."
- Três, dois, um...lançar!
O barulho das duas beyblades se chocando contra a arena foi alto e reverberou por todo o estádio. Rei tinha os olhos grudados na sua bebylade, que logo se pôs a caçar a beyblade adversária. Foi quando ouviu um riso. Ele ergueu os olhos.
- Aquele campeonato mundial não é nada de mais. – Muhad sorriu cruelmente – Eu vou te mostrar o que é uma luta de verdade. Iero!
A fera-bit surgiu da beyblade vermelha, tomando a forma de um leão, forte e intimidador. Num rugido alto e poderoso ele avançou contra a beyblade de Rei e, como se tivesse dado uma patada, jogou o pobre objeto longe. No momento que isso aconteceu, o corpo de Rei foi arremessado para trás, sendo jogado contra a parede.
- Rei! – gritou Max, apoiando-se no beiral do muro que os separava da arena. Tyson, Kai e Chief o seguiu no gesto.
O chinês ergueu-se com dificuldade, tossindo pela falta de ar momentânea. Seu rosto estava encoberto, mas sua voz saiu clara.
- Driger!
O tigre branco apareceu, rugindo, compartilhando dos sentimentos do seu dono. O jovem africano riu.
- Acha que invocando seu tigrinho vai poder me derrotar? Vai precisar mais que isso.
Outro impacto e Rei foi arremessado para trás novamente, sua beyblade quase caindo da arena.
- Parece que o dono da Driger está sofrendo impacto atrás de impacto! Muhad, conhecido por sua força e crueldade, não está se refreando em nada!
O loiro apertou o concreto contra seus dedos. Precisava descer lá e ajudar Rei! Mas sabia que só atrapalharia mais, e essa sensação de impotência o deixava nervoso.
- Não se preocupe mestre da água.
A voz de Perséfone quase deu um ataque cardíaco em Max. Ele voltou seu olhar para a mulher, vendo que ela fitava a arena de batalha com um sorriso nos lábios.
- O que quer dizer com isso? – perguntou um curioso Max.
- Rei não tem qualquer fera-bit. – disse.
Os outros bladebreakers a fitaram, menos Kai, que continuava a observar a batalha, de propósito.
- Como sabe da fera-bit de Rei? – perguntou Chief, sem rodeios.
- Digamos...que eu conheço a Driger de outros tempos. – ela concluiu misteriosa. Então voltou-se para sair do camarote.
- Espera, não vai querer saber quem vai ganhar? – exclamou Max.
Perséfone voltou seu olhar azul para o loirinho e sorriu quase feralmente.
- Eu sei quem vai ganhar. Só não sei se Rei está preparado para aceitar as consequências.
O americano arregalou os olhos e viu quando ela sumiu corredor adentro.
- Meu deus.
Max voltou seu olhar para a luta diante da frase de Tyson. Seu coração falhou uma batida.
Rei estava caído e sua beyblade estava empurrada mais e mais contra a borda da arena. Pequenos rasgos adornavam a roupa chinesa e o cabelo, solto, escorria pelos braços feridos. Parecia o campeonato mundial e Max não queria passar por aquilo novamente.
- Já desistiu campeão? Parece que não é tão forte quanto parece, hein? – gritou Muhad, rindo.
Foi quando a respiração de todos ficou suspensa. Um brilho prateado envolveu o corpo do chinês. Ele se ergueu aos poucos, o ar em volta dele soltando faíscas de eletrecidade estática. Rei ergueu o rosto e Max ofegou. Os olhos dourados estava agora brilhando, quase brancos, com um ar selvagem. Os cabelos longos e negros voavam em volta dele.
- Driger.
A voz incomum de Rei soou como uma sentença na arena. O tigre branco rugiu e o som fez as estruturas tremerem. Muhad deu um passo para trás. O chinês rosnou e a fera-bit atacou o leão, jogando-o contra o chão. Muhad foi imobilizado contra a parede, gemendo pelo impacto em suas costas.
- Rei... – Max sentiu um frio correr sua espinha.
O chinês inclinou o rosto para o lado.
- Driger.
O tigre rugiu e mordeu a jugular do leão, arrancando um pedaço, sentindo o sangue banhar sua boca.
- Rei! – gritou Max, inclinando-se no balcão do camarote, tentando faze-lo acordar. Porque aquele não era Rei, não poderia ser.
O grito pareceu fazer efeito. O chinês piscou, seus olhos voltando ao normal, as íris douradas confusas. Ele ajoelhou-se, os ferimentos o deixando fraco.
- E numa vitória esmagadora, Rei dá uma reviravolta na luta e literalmente estraçalha com o oponente. O corpo de Muhad é carregado para a fora e com isso a primeira luta vai para os Bladebreakers!
O chinês ergueu os olhos e logo sentiu sua respiração falhar. Muhad tinha o pescoço arrebentado, suas veste manchadas com seu próprio sangue. Ele ergueu-se, trêmulo. Ele tinha feito aquilo?
Max desceu as escadarias que levavam a arena.
- Rei, espera! – gritou Tyson.
Quando o loiro chegou no local, Rei não estava mais lá. Ele pegou a beyblade caída no chão, acariciando o símbolo de Driger.
- Rei...
Sem pensar duas vezes, ele deu meia volta e saiu correndo. Ia acha-lo, de qualquer maneira.
CONTINUA.
