Casais: KaixTyson, ReixMax

Classificação: Yaoi, Lemon, Aventura, Darkfic


Torneio Milenar - Capítulo quatro

Max foi correndo, pedindo desculpas para as pessoas que esbarrava no meio daquela multidão, mas não parando de olhar para os lados, procurando qualquer sinal de Rei. Como o chinês conseguira sumir tão rapidamente?

- Droga, Rei. - murmurou o loirinho, ainda correndo, apertando a beyblade em suas mãos.

Ele foi se afastando do estádio, indo em direção aos templos hindus que pareciam preencher a paisagem da cidade. Logo ele avistou longos cabelos negros voando ao vento e foi parando de correr, só caminhando. Rei estava encostado contra uma das árvores, o rosto enterrado entre os joelhos. O coração de Max falhou uma batida.

- Rei...

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Kai subiu na arena, ouvindo os gritos e aplausos de todos, encarando o oponente a sua frente. Ele sequer ergueu os olhos para o camarote, não querendo observar a preocupação o rosto de Tyson ou Chief. Não agora.

Depois da surpresa da luta de Rei, ele não permitiria que o mais jovem entrasse na arena. Não, ele acabaria com aquilo agora e seguiriam em frente, prontos para o próximo desafio. Prontos para enfrentar Perséfone.

- Os próximos lutadores são Dekar e Kai Hiwatari, o capitão dos bladebreakers!

O russo endireitou os ombros, posicionando sua beyblade. Dekar apenas sorriu cruelmente, posicionando também.

- Hey, Hiwatari! Você vai pagar pelo que seu amiguinho fez a Muhad.

Kai apenas sorriu frio, como sempre.

- Primeiro me derrote, idiota.

Ambos puxaram a correia do lançador quando ouviram o grito sinalizando, o impacto das beyblades ecoando com estrondo pelo estádio.

- Dranzer!

Kai não perdeu tempo, logo invocando sua fera-bit, querendo acabar logo com aquilo. Dekar apenas riu, invocando sua fera-bit também, um poderoso jaguar. A fera lançou-se contra a fênix de Kai com ferocidade, e ele apenas fez com que Dranzer desviasse do ataque, o vento balançando seus cabelos furiosamente. O africano sorriu cruelmente.

- Você é bom. Vamos aumentar o nível?

O russo arqueou a sobrancelha e Dekar o encarou, os olhos negros subitamente brilhando vermelhos, como sangue.

- Anahmu, arranque as penas dessa avezinha!

O jaguar rosnou, parando, se posicionando e a beyblade fez o mesmo, girando, como que preparando a próxima investida. Kai franziu o cenho.

- Dranzer, ataque.

A fênix exclamou e logo avançou contra o adversário, garras em punho. Dekar riu, maldoso.

- Te peguei.

O jaguar rosnou antes de saltar, agarrando Dranzer pela perna, trazendo-a ao chão, logo a atacando, mordendo-a no pescoço.

- Dranzer! – gritou o russo.

Foi quando ele sentiu: ele ajoelhou-se, sentindo seu corpo levar alfinetadas de dor. Ele levou a mão ao pescoço e sentiu o liquido rubro manchar o cachecol que sempre usava. Kai entrou em pânico, sentindo o sangue se esvair em abundância enquanto ele e sua fera-bit eram destroçados pelo furioso jaguar.

- Kai! – gritou Tyson, tendo que ser seguro por Chief para não pular do camarote direto na arena.

Dekar riu, seus olhos brilhando ainda mais.

- Este é outro jogo, nem se compara com aquele campeonatozinho mundial, moleque.

Kai gemeu de dor, levando a outra mão ao pescoço, tentando parar o sangramento. Sua visão começava a escurecer nas bordas, perto do desmaio. O russo rosnou, tentando se levantar. Ele não ia permitir que acabasse assim, não mesmo.

Só vai acabar assim se você deixar.

Kai ergueu os olhos ao ouvir aquela voz ecoar dentro da sua cabeça. Ele respirou fundo e Dranzer exclamou, arranhando a perna de Anahmu. Dekar parou de sorrir, seus olhos ainda brilhando, inumanos.

Me deixe te ajudar. Podemos nos tornar um...como antes.

O russo ergueu o rosto para os céus, sentindo um fogo negro e poderoso percorrer seu corpo, misturando-se as chamas alaranjadas. Seus ferimentos paravam de sangrar.

Eu aceito. Pensou Kai, abrindo os olhos. A multidão exclamou, surpresa.

- Não acredito... – murmurou Tyson e Chief, juntos.

O fogo da Black Dranzer envolveu a fera-bit de Kai e logo Dranzer exclamou ainda mais alto, o som ecoando por toda a arena. Kai voltou seu olhar ao adversário e Dekar ofegou quando viu aquelas íris douradas lhe encarem, ao invés dos olhos vermelhos de antes.

- Impossível...

- Agora você vai aprender a não se meter comigo... – o russo sorriu e Dranzer abriu as asas - ...escória.

A fênix exclamou novamente, batendo as asas, suas garras machucando a perna do jaguar, fazendo-o soltá-la. Ela alçou vôo, o ar em volta deles parecendo esquentar mais e mais.

- Observe e aprenda. – sorriu Kai, seus olhos dourados brilhando mais fortemente – Dranzer, tempestade de fogo!!

A fênix exclamou, antes de abrir mais o bico, soltando uma rajada de fogo. Suas asas batendo pareciam alimentar ainda mais as chamas e logo a pista onde as beyblades ficavam. Anahmu gritou de dor, tentando escapar do incêndio, mas sem chance. Dekar gritou igualmente, sentindo sua pele queimar, pegar fogo. Kai sorriu.

- Kai, pare! – exclamou Tyson – Kai, você vai matá-lo!

O russo apenas ergueu o olhar para Tyson por breves segundos, antes de voltar sua concentração na luta, erguendo a mão.

- Dranzer, ataque!

A fênix deu um vôo rasante, erguendo o jaguar no ar, antes de jogá-lo contra o chão da arena. Dekar voou, batendo as costas contra parede, antes de cair no chão, desacordado. Aos poucos o fogo foi sumindo, e a beyblade do africano voou pra fora se arena, se espatifando no chão. Kai apenas pegou sua beyblade de volta, uma pequena fumaça saindo dela.

A multidão foi à loucura.

- Numa virada espetacular, o capitão dos bladebreakers literalmente incinera a competição de Dekar. O jogador deixa o estádio de maca. E com isso, os bladebreakers passam automaticamente para a segunda rodada!

Kai virou-se, deixando a arena. Tyson sentou-se na poltrona, respirando fundo, sentindo seu coração palpitar de medo e raiva. O que acontecera com seu capitão?

Perséfone observou os operadores do estádio mudarem a arena para a próxima competição. Ela sorriu, seus dedos longos rodeando a beyblade em suas mãos.

- Parece que Kai finalmente atingiu o último estágio da sua força Suzaku. Mas isso não será suficiente para impedir que eu o destroce. Pedacinho por pedacinho.

Ela ergueu-se, logo abandonando o estádio. Tinha um treino para comparecer.

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- Rei!

O chinês ouviu a voz do loirinho, como que longe de si, mas não se deu ao trabalho de responder. Ele afundou ainda mais o rosto entre as pernas, os cabelos soltos escorrendo como uma cortina por seu corpo.

Max foi parando de andar, logo se agachando em frente ao moreno, tocando o seu joelho timidamente. Rei se afastou como se o toque queimasse.

- Fique longe Maxie.

O loiro queria chorar pelo medo implícito naquelas palavras, mas engoliu as lágrimas.

- Você quase me matou de preocupação.

- Por quê? Não deveria ter vindo atrás de mim.

- Do que está falando? Você saiu correndo daquele jeito do estádio e eu vim atrás de você. Principalmente depois do que aconteceu e...

- Exatamente por isso Max! – exclamou o chinês, encarando furiosamente o jovem – Você não percebe? Eu não consegui me controlar lá! É como seu eu tivesse esse...poder, essa fera adormecida em mim e ela estivesse sedenta por sangue. Eu forcei Driger a agir daquele jeito, eu matei alguém!

O loiro mordeu os lábios, aproximando-se novamente, pousando a mão no joelho de Rei novamente, estendendo a outra mão, mostrando a beyblade que segurava.

- O que quer que tenha acontecido, não foi sua culpa. – Max sorriu – Você parou quando eu gritei.

Rei finalmente encarou-o, os olhos dourados reluzindo com lágrimas não derramadas.

- E se eu não tivesse parado? Pior, e se ninguém pudesse me controlar e eu tivesse machucado vocês? Tivesse machucado você, Maxie?

O loiro se aproximou mais, suspirando.

- Mas você não me machucou.

O chinês o encarou, seus olhos decorando aquele sorriso pequeno e tímido que vira tão poucas vezes no loirinho. Sem pensar muito ele inclinou-se, encostando sua testa na testa de Max.

- O que seria de mim sem você? – disse, tentando por um pouco de humor na voz. Tentando disfarçar como seu coração palpitava com aquela proximidade.

- Também me pergunto isso.

Ao ouvir a voz aveludada de Max replicando baixinho, Rei fechou os olhos. Para abri-los em seguida quando sentiu os lábios rosados encostarem-se aos seus, num tímido beijo. Rei ergueu o rosto, apenas para observar as bochechas coradas de Max.

- Não me odeie por isso Rei.

O chinês lambeu a boca, ainda o encarando, seu coração parecendo querer sair pela boca. Antes que pudesse pensar em seus atos, ele se aproximou, segurando o loirinho pela nuca, seus dedos brincando com os fios dourados.

- Eu não te odeio por isso. – sussurrou Rei antes de beijá-lo.

Mas seu ato estava longe de ser casto e tímido como o de Max fora. A fera dentro de si, recém-nascida, rugia em satisfação, rosnando, querendo tomar o loiro para si, marcá-lo como seu.

O chinês apenas ouviu o jovem ofegar antes de sentir aquelas mãos pequenas em seu joelho. Logo Max ergueu-se com o apoio que usava, devolvendo o beijo em igual intensidade. Rei caiu pra trás, suas costas batendo contra a árvore, sentindo o corpo de Max colar-se ao seu. Sua outra mão enlaçou-o pela cintura, sua língua enroscando-se na do loirinho, as respirações aceleradas sendo engolidas um pelo outro, aumentando aquela fome, alimentando aquele desejo.

Após longos minutos, eles se separaram, mas apenas o suficiente para respirar, suas testas ainda coladas uma na outra. Rei deslizava os dedos preguiçosamente pelas costas de Max, sentindo os arrepios que arrancava do mais jovem, sorrindo com isso.

- Não quero que fuja daquele jeito de novo, tá bom? – sussurrou Max, seus dedos agora emaranhados nos longos fios negros, fazendo uma massagem, um quase cafuné.

- Uhn...não vou. – ronronou Rei, fechando os olhos, mas agora em satisfação.

O loirinho sorriu largamente e logo o beijou de novo, entusiasmado. Era quase extasiante saber que agora poderia beijar aquela boca sempre que quisesse. Tanto tempo desejara...e finalmente tinha.

Para Rei...longe dele reclamar. Sentir Max em seus braços o fazia se sentir mais vivo do que nunca. Era uma sensação viciante.

CONTINUA.