Usagi entrou no seu carro e conduziu rapidamente para o templo. Tentou comunicar com Rei, mas lembrou-se que os intercomunicadores não funcionavam. Quando chegou ao templo, passada outra hora, subiu rapidamente as escadas. Reparou na pequena multidão que começava a aglomerar-se à entrada, há medida que avançava as cordas que barravam o acesso. Viu que algumas pessoas já estavam nos seus stands, a prepará-los para a abertura. Abanou a cabeça e abstraiu-se, existiam coisas mais importantes em que pensar. Não podia ser, o Mamoru desaparecido novamente. O que lhe teria acontecido?

- Usagi chegaste! – exclamou Mamoru do outro lado do pático, com os braços abertos.

- G-Mamoru?! – gritou Usagi chocada e confusa, mas sentindo o seu coração mais aliviado.

Correu a chorar para os braços do amado, que estava a falar com a Rei e Makoto.

- Mamoru onde estiveste? Como, quando…? Estás aqui, mas não...

- Tem calma, eu explico! – riu-se, perante o embaraço da namorada. Estava vestido com uma camisa azul e calças pretas, dando-lhe um ar importante mas ao mesmo tempo humilde. - Vim no voo que chegava mais cedo e apanhei um táxi, mas o trânsito estava horrível. Cheguei aqui passado pouco tempo de teres partido.

- Porque não me ligaste a avisar?! – ralhou-lhe, enquanto assoava o nariz.

- Estava desligado, como sempre. Sem bateria outra vez não é querida Usagi? Se nos tivesses avisado que ele vinha isto não acontecia. – observou Rei cruzando os braços.

- Mas eu tentei ligar-lhe de uma cabine telefónica quando cheguei ao aeroporto e também estava desligado! – contrapôs, tentando ganhar a discussão.

- Não activei o roaming. – desculpou-se Mamoru, mostrando o seu telemóvel sem sinal. - Mal cheguei ao espaço aéreo do Japão o meu telemóvel não conseguiu encontrar rede.

- Mas afinal porque decidiste vir mais cedo? – perguntou, já mais recomposta.

- É complicado… - disse, assumindo um tom mais sério. - Ontem, quando vinha da universidade, recebi uma visita inesperada.

- Inesperada? Quem? – perguntou curiosa, sentido o caração a palpitar.

- Hélios. – pronunciou Mamoru, referindo-se ao sacerdote que guardava a cidade dos sonhos, Elysion, e que há alguns anos atrás tinha assumido a forma de pégasus.

- O Hélios foi ver-te?! – exclamou admirada, pois nunca mais tinha ouvido notícias dele.

- Sim, e receio que não tenha vindo trazer boas notícias.

- Como assim?

- Ele disse algo sobre Elysion estar a ficar enfraquecida e o Cristal de Ouro está a perder o poder. – explicou, visivelmente preocupado. - E acabei de saber pela Rei e pela Makoto que o Ginzuishou também já não funcionsa.

- Bem, não sei se perdeu totalmente o poder mas… já não nos conseguimos transformar. – disse-lhe triste, enquanto olhava para o chão.

- Bem, mas o Hélios disse que a situação era demasiado grave e que havia chegado a altura de entregar o Cristal de Ouro ao seu outro utilizador. – continuou, coçando a cabeça em sinal de dúvida.

- Outro utilizador? Mas Cristal de Ouro é o cristal protector da Terra e a tua semente de estrela…! – exclamou Usagi indignada.

- Foi o que eu pensei, mas ele desapareceu sem me dar mais explicações, por isso decidi apanhar o primeiro avião para aq..

- Já entendi, cala-te um bocadinho. – interrompeu Usagi, abraçando-o e dando-lhe um beijo demorado.

- Ora, já não há respeito… – suspirou Rei revirando os olhos.

- Deixa lá, são as saudades! – disse Makoto derretida ao vislimbrar a cena romântica.

- Mamoru!! Estás aqui? Olá olá!!- berrou Minako enquanto corria para eles, interrompendo o beijo.

- Minako, tudo bem? – perguntou embaraçado, saudando a amiga.

- Muito obrigado por nos teres deixado sozinhas a arrumar tudo. – ironizou Rei de braços cruzados, lançando-lhe um olhar furioso.

- Vejo que… hã…te foste produzir. – disse Makoto espantada, vendo o traje que a amiga envergava.

- Tchan tchan! Que acham? – perguntou, pondo o braço na anca.

Envergava um vestido de gala cor de vinho, cheio de lantejoulas, com um enorme decote e racha na saia exageradamente comprida. O seu cabelo encontrava-se completamente encaracolado, com madeixas castanhas e laranjas, óbvio resultado de uma ida rápida ao cabeleireiro. A sua maquilhagem estava fortíssima, com os lábios pintados de vermelho vivo berrante, os olhos com uma sombra roxa semelhantes a um hematoma, e as bochechas cheias de base. Usava uns brincos de imitação de diamante, com um colar a condizer. Quando a luz lhes incidia, brilhavam em várias cores. Parecia uma bola de discoteca multi-colorida.

- Estás…. Interessante! – comentou Usagi esforçando ao máximo para não se rir.

- Ao menos tiraste o laço, já é uma melhoria…! – disse Rei tentando manter-se séria.

Makoto não resistiu e correu para atrás de uma árvore onde se desmanchou a rir.

- Hã… Obrigada acho eu… - disse Minako olhando desconfiada para os olhares forçados das amigas. - Rei, a fila lá fora está enorme.

- Ah, sim sim! Vou abrir, até porque já está quase na hora! – exclamou entusiesmada, caminhando em direcção ao portão. - Makoto por favor vai ao templo e liga a iluminação, sim?

Makoto acendeu o interruptor e todo o recinto, incluindo o extenso parque, ficou iluminado. Os grilos cantavam ao sabor da brisa, todo o parque estava arranjado e aparado e o pátio estava decorado com lâmpadas típicas japonesas.

Rei abriu a bilheteira e uma enchente de pessoas inundou o recinto. Em menos de 20 minutos a lotação estava esgotada. As pessoas espalhavam-se pelos stands existentes. Um deles pertencia a Makoto, o stand das plantas exóticas.

- Na compra de duas plantas carnívoras recebem um vale-refeição no Makoto's Flavour Shrine! – exclamava Makoto, mostrando uma plana castanha com estranhas bolsas. – Promoção apenas válida para os aperitivos!

Rei tinha o stand dos amuletos da sorte do templo.

- Estes amuletos dão sorte no amor! Compra e verás a tua vida mudar! Não aceitamos devoluções.

Usagi e Minako ficaram com o stand de jogos. Usagi fazia de conta que era cliente para atrair mais pessoas.

- Disco…. Acção!! – gritou, lançando um disco em direcção ao alvo.

- Vem jogar o lançamento do disco! Se acertares no alvo recebes um peluche das Sailors! – gritava Minako segurando uma Sailor V de pelúcia.

- Pff, das Sailors? Já ninguém se lembra disso! Ah ah! – comentou um rapaz adolescente com o seu grupo, passando em frente ao stand. – AII!

- Ohh acertei-te? Peço imeeeensa desculpa! – exclamou Minako, após atirar um disco à cabeça do rapaz

A meio da noite Rei enfraqueceu as luzes do recinto. Foi a deixa para todos se juntarem à volta do palco.

Com uma explosão de fogo, que levou a muitos gritos de espando, apareceu Rei vestida com um quimono e equipada com um microfone.

- Boa noite a toda a gente e bem-vindos ao templo Hikawa! – a sua voz ressoou por todo o recinto. - O meu nome é Rei Hino, mas podem tratar-me por Rei! Vamos dar início ao espectáculo de talentos! – apresentou, enquanto a multidão aplaudia. - O primeiro concorrente chama-se Jimmy Guria, que vai recitar um poema de amor dedicado à sua namorada Sara!

Um rapaz desajeitado e nervoso subiu ao palco, e começou a recitar um poema feito por ele de uma forma tão desajeitada que Rei ficou surpreendida por a multidão não começar a atirar tomates.

- Sara minha querida, quando não estou contigo a vida é feia e nem calço meia, és tão bonita e bela que podias ser a Cinderela. O nosso amor é belo como um caramelo amarelo…

Rei subiu ao palco rapidamente puxando Jimmy pela gola.

- Bravo, bravo, palmas para o Jimmy! – pediu, sendo que um silêncio constrangedor se abatera. – Hã pois … o próximo talento é…. Oh que surpresa! Rei Hino, ou seja eu! – soltou uma gargalhada falsa. - Vou tocar e cantar um tema original composto por mim, um tema que cantei há 6 anos na minha escola preparatória!

Rei sentou-se no piano e começou a tocar delicadamente.

Meu amor,

Sonho contigo,

Noite e dia,

Sem abrigo!

Os teus lábios são

Doces recordações

Do carinho…

A multidão aplaudiu imenso e o júri, constituído por Usagi, Mamoru, Makoto e o avô de Rei, atribuíram nota nove de um a dez, de uma maneira completamente imparcial.

- Muito obrigada! De seguida apresentamos a única e fantástica Minako Lima, uma conhecida figurante da série juvenil Pêssegos com Sal!

Minako irrompeu pelo palco acima, tropeçando em Rei e roubando-lhe o microfone da mão, ao que esta lhe lançou um olhar ameaçador.

- Iuhu!! Olá Tóquio! – saudou, fazendo uma pose que realçava os seus atributos físicos. - Vou cantar uma música chamada Lenda da Lua, espero que gostem!

Peço desculpa por não ser sincera
Mas nos meus sonhos digo a verdade
O meu pensamento está a dar choqueeeee!!!!

Minako desafinava a cada nota que dava, e o público começava a vaiar. Minako parecia cada vez mais atrapalhada e desorientada.

-Oh não! A Minako vai estragar-me o festival! - pensou Rei batendo com a mão na testa. Sentiu um arrepio quando subitamente uma brisa lhe envolveu o corpo.

- Desculpe, será que posso subir ao palco para dar-lhe uma ajudinha? – ouviu uma voz doce, vinda de trás de si.

Rei voltou-se e olhou para a rapariga. Estava coberta por um vestido e véu brancos de seda, apenas conseguia vislumbrar os seus lábios carnudos de um rosa claro.

- Claro… - aceitou apanhada de surpresa. - Qualquer coisa que salve esta desgraça… - disse, dando outro microfone à estranha. - Deve ser mesmo feiinha para se tapar assim tanto…- pensou divertida.

A rapariga pegou num microfone e subiu para o palco. Minako olhou para ela e atrapalhou-se ainda mais, começando a tossir. A rapariga sorriu e colocou-se ao seu lado.

Este luar faz-me chorar
O meu coração chama sem parar
Mas que posso eu fazer?
Caleidoscópio é o meu coração

Aquela voz doce, estranhamente identificável, parecia hipnotizar e deliciar toda a multidão, uma vez que já ninguém prestava atenção a Minako, que decidiu sair sorrateiramente

- Bem, acho que me vou limitar apenas a ser actriz. - pensou aliviada, descendo as escadas.

Lentamente, uma nuvem em forma de turbilhão começou a formar-se por cima do palco, mas estavam todos demasiado atentos à rapariga dos véus para repararem.

Guiada pela luz deste luar eu vou,

Nada nos fará parar

Terei de novo o mesmo carinho,

Será que um dia ele voltará?

A nuvem deu forma ao corpo definidio de uma mulher sensual.

- VOLTA SIM! AHAHAHAHAAHAHAH! PODER NEGRO!!!

Das mãos da mulher, centenas de raios saíram e atingiram o palco onde a rapariga estava a cantar. Com um estrondo e barulho ensurdecedor, este desabou e incendiou-se.

A confusão instalara-se, toda a gente estava a fugir do templo. Uma mulher esbelta de longos cabelos verdes claros e de vestido extravagante pairava no ar.

- Esmeralda! – gritaram todas, ao aperceber-se de quem se tratava.

- Encontramo-nos novamente. Mas desta vez não me vão conseguir parar! – exclamou Esmeralda com um sorriso estranho. - PODER NEG…

Uma rosa vermelha surgida do nada passou pelas mãos de Esmeralda, cortanto o ataque.

- Tuxedo Mask! – exclamou Usagi vendo o seu amado em cima de uma árvore.

- TUXEDO LA SMOKING BOMBER! – gritou, tirando da sua capa uma granada de fumo que arremessou a Esmeralda.

- PODER NEGRO!

Os dois ataques encontraram-se no ar e explodindo, toldando o ar ainda mais.

- Fujam rápido! – gritou o Tuxedo Mask aproveitando que Esmeralda estava desorientada.

- Não te vou deixar a lutar sozinho! – replicou Usagi começando a chorar.

- FUJAM! – berrou o Tuxedo Mask, enquanto se recompunha Esmeralda se preparava para um novo ataque.

Rei agarrou no braço de Usagi e forçou-a a entrar no parque juntamente com as restates.

- LARGA-ME RITA! – gritou aflita tentando largar-se, enquanto corria e tropeçava nos trilhos do parque. - Não o podemos deixar ali sozinho!

- Ele sabe o que fazer! – respondeu ofegante enquanto corriam. – Não nos conseguimos transformar e estamos indefesas, temos de nos esconder.

Correram para o fundo do parque e subiram para uma árvore escondida. Makoto subiu para a copa e tentou ver o que se passava no pátio do templo.

- Aquela não pode ser a Esmeralda. Ela morreu! E ainda por cima em Cristal Tóquio do século XXX. – disse Rei atabalhoadamente sentada num ramo, relembrando-se de quando haviam derrotado Esmeralda quando viajaram para o futuro. – Ainda por cima ela tem um símbolo de uma lua invertida com uma estrela preta na cabeça, não é o símbolo normal da Lua Negra!

- Aquela É claramente a Esmeralda! E ainda por cima estragou o meu vestido alugado…! – exclamou Minako irritada, mostrando rasgos na sua roupa de lantejoulas.

- Minako!! – exclamou Rei furiosa, quase caindo do ramo. - Achas que é o momento de falar em vestid…

- FUJAM! – interrompeu Makoto descendo da copa da árvore a uma velocidade incrível. - Ela vem aí!

- Usagi, rápido! – gritou Rei virando-se para o lado, mas deparando-se com um espaço vazio. - Hã? Usagi? Onde está ela?!

- Deve ter fugido! Foi ajudar o Tuxedo Mask de certeza! – percebeu Minako enquanto descia o tronco.

- Rápido!! – gritou Makoto apercebendo-se da inimiga cada vez mais próxima.

- PODER NEGRO! – ouviu-se do céu, e outra vez raios negros se precipitaram a elas. A árvore estilhaçou-se em pedaços, projectando-as contra o chão.

- Ora ora. O que temos aqui? – ironizou Esmeralda, olhando para elas com superioridade. - Onde está a Serenity?

- Nunca te diremos! – exclamou Minako num gesto dramático.

- Tuxedo Maskkkkkkkkkk! – ouviu-se a voz de Usagi ao longe, em direcção ao pátio.

Esmeralda elevou-se no ar e dirigiu-se para o sítio de onde veio a voz.

- Mas que parva! – suspirou Rei batendo com a mão na testa. - Foge e grita para o inimigo descobrir onde está!

- Vamos, rápido. – disse Makoto preparando-se para correr.

- Temos que nos tentar transformar! – gritou Rei retirando do quimono uma caneta com uma esfera vermelha. - MARS CRYSTAL POWER, MAKE UP!

- JUPITER CRYSTAL POWER, MAKE UP!

- Não adianta! – bradou Minako, sem repetir o gesto das amigas. - Corram, temos que ajudar a Usagi!

- Finalmente encontrei-te! – exclamou Esmeralda aterrando em frente a Buny, barrando-lhe o caminho.

- Onde está o Tuxedo Mask? –gritou os olhos brilhantes, após aperceber-se da ausência do seu namorado.

- Ali estão elas! Afasta-te Esmeralda! – vociferou Makoto colocando-se entre Usagi e a inimiga. - Rei, foge com ela!

- Tenta transformar-te! –sussurou Rei enquanto puxava Usagi.

- Não posso! Deixei o medalhão no cofre de casa. –soluçou a tremer, enquanto era puxada de novo para dentro do mato.

- Ah não, nem pensem em fugir outra vez! – gritou Esmeralda, elevando-se de novo no ar. - DARK BARRIER!

Uma parede carregada de energia negra fez um círculo à volta delas, prendendo-as no pátio.

- Agora, entrega-me o teu fragmento! – exigiu, abrindo a mão.

- O meu quê? - perguntou confusa e desesperada.

- Não te faças de sonsa menina! Entrega-me o Ginzuishou.

- Eu… Não o tenho aqui.

- Mentira! Sei que o tinhas sempre guardado num medalhão! – exclamou a mulher já sem paciência.

- Não! É verdade! Não o tenho comigo! – gritou Usagi já a chorar.

- Então onde está? Responde!

- Digo-te se me disseres onde está o Mamoru! – chantageou, esperançosa.

- Tu o quê?! – gritou Esmeralda indignada. - Mas tu achas que estás em posição de negociar?

Esmeralda estalou os dedos, e nesse preciso momento brotaram do chão cilindros negros que envolveram Minako como cordas.

- Não… consigo… respirar… - bramiu com a voz sufocada, à medida que a sua garganta ia sendo apertada, apesar das tentativas das amigas em a soltar.

- PÁRA! – berrou Usagi desesperada. - Eu digo! Larga-a!

As cordas afrouxaram e largaram Minako, que caiu na terra inconsciente.

- Onde está? Fala!

- Usagi não…! – gritou Rei agarrando a camisola da amiga.

- Em minha casa, dentro do cofre. – revelou, mantendo a sua palavra.

- Então vens comigo princesa. - Esmeralda estalou novamente os dedos e Usagi voou brutamente até si. - Quanto a vocês guerreiras… morram! Ah ah ah ah ah ah ah ah ah! DARK BARRIER, CONVERGE!

- NÃÃÃOOOOOOOO!! – gritou Usagi ecoando pela noite, enquanto Esmeralda desaparecia no ar com ela.

O círculo delimitado pelas paredes de poder negro estava a ficar cada vez mais pequeno, fazendo com que o círculo fosse ficando cada vez mais pequeno.

- Talvez dê para saltar por cima! – disse Makoto esperançosa.

- Não! Está envolvido por poder negro estático. Seríamos electrocutadas. – exclamou Rei com o coração a bater de desespero, ao ver as faíscas. - É o fim.