Era uma jovem alta, quase do mesmo tamanho de Makoto. Tinha a pele bronzeada, uma cara simétrica com lábios rosa carnudos. Os seus olhos eram azuis-escuros, muito brilhantes. Envergava um vestido leve e claro, com uma saia larga pelos joelhos que mexia ao sabor da brisa; um vestido próprio para os dias de Verão.
Mas a sua característica mais chamativa era o seu longo e ondulado cabelo verde-escuro que bruxuleava acompanhando o vento.
Todas ficaram a olhar para aquela rapariga estranhamente misteriosa, mas muito bela.
- Não deve ser do Japão… Talvez da Europa ou da América… - pensou Minako, dando grandes dentadas no seu cachorro quente.
- Hum… Estou a ver que o meu chapéu ficou… erh… apetitoso. -observou a rapariga divertida olhando para o chapéu coberto de molhos.
- Ora bolas! Desculpe! – exclamou Usagi muito corada, pegando no chapéu peganhento.
- Não faz mal! Ficou bastante original…! – sorriu, aceitando o chapéu. - O tempo estranho provoca situações destas, os ventos… são muito misteriosos, ninguém os consegue controlar.
Usagi devolveu-lhe o sorriso. O vento? Que quereria ela dizer? Começou a sentir-se estranha, como se estivesse a ser engolida por um fundo poço.
Não se conseguia abstrair dos olhos daquela estranha, sentia-se presa, angustiada, queria chorar. Ela sempre fora contra, naquela mesma noite de desgraça haviam-se zangado fortemente, fora ela que despoletara aquela noite fatal... Queria falar mas não conseguia dizer nada.
- MIAUUUU! – um batalhão de gatos esfomeados dirigia-se para Usagi e Rei, atraídos pelo seu cheiro a comida.
- Boa Usagi, por tua causa vou ser assediada por gatos esfomeados.
- Se quiserem… - disse a estranha quebrando o contacto visual com Buny. - Eu posso ajudar-vos. Vivo aqui perto e tenho roupas limpas que vos posso dar.
- É muito simpático da sua parte, mas n… - começou Rei, preparando-se para negar.
- … mas claro que aceitamos! – interrompeu Usagi esboçando um sorriso amarelo.
- Com licença! – exclamou Rei sorrindo falsamente, puxando o braço de Usagi e virando-se de costas. - Estás doida? O molho afectou-te o cérebro? Ir a casa de uma estranha numa altura como esta?
- Eu sei o que faço. – disse Usagi muito séria olhando para Rei. - Confia em mim…! – pediu, colocando um ponto final à discussão, virando-se novamente para a estranha. - Se não se importa aceitamos.
- Oh por favor! – exclamou a mulher, fazendo um gesto snob com a mão. - Eu tenho mais ou menos a mesma idade que vocês, tratem-me por tu, sim? – pediu franzindo a testa. Todas abanaram a cabeça em sinal de concordância. - Assim sim! Queiram ter a gentileza de me seguir então. – disse, dirigindo-se para o estacionamento do parque.
Quando lá chegaram, depararam-se com o carro mais aparatoso do lugar. Um Pherrarri 599 GTB que, segundo a matrícula, fora comprado há um mês atrás. Era descapotável, preto metalizado e tinha cinco lugares.
- Podem entrar! – anunciou simpaticamente a rapariga, descendo a capota.
Rei, Makoto e Minako sentaram-se atrás, enquanto que Usagi sentou-se no banco da frente.
- Uau…! Se a Haruka visse este carro! – murmurou Makoto baixinho.
- Ela deve ser podre de rica! - replicou Minako passando a mão pelos estofos novos.
- Eu acho que a conheço de qualquer lado… - disse-lhes Rei, esforçando-se para se lembrar.
A rapariga colocou a chave na ignição e ligou o carro. Dirigiu-se para a estrada principal de Juuban, que ligava a cidade aos subúrbios.
- Demoramos cinco minutos a chegar. – anunciou-lhes pondo o pé no acelerador. O carro começou a andar rapidamente, empurrando todas para trás.
Enquanto o carro andava, o cabelo de Usagi bruxuleava ao sabor do vento, batendo na cara de Rei incessantemente.
- Não te importas de prender esse cabelo de Rapunzel se faz favor?! – gritou, devido ao vento que lhe abafava a voz.
- Não oiço! – mentiu, passando a mão nos seus cabelos loiros que brilhavam ao sol.
Rei resmungou qualquer coisa e encostou-se ao banco de trás.
- Acho que ainda não me disseram os vossos nomes. – disse a rapariga com os olhos fixos na estrada. - Mas já sei que tu te chamas Usagi e a tua amiga aí atrás Rei.
- Sim sim! – confirmou. - Ela chama-se Rei Hino, e a que tem rabo-de-cavalo é a Makoto Kino e a loirinha é a Aino Minako e…
- Cof cof… - tossiu Minako interrompendo.
- Erh… Minako Lima, uma conhecida actriz da série Pêssegos com Sal… - acrescentou Usagi, ao que Minako riu imensamente. – E eu sou a Usagi, muito prazer!
- Muito prazer! – disse-lhe piscando o olho. - A Rei Hino e a Minako eu já conhecia de vista.
- Ai sim? – perguntou Rei desconfiada. - Desculpa mas não me lembro. E eu costumo recordar-me bem da cara das pessoas.
- No festival do outro dia. Fui cantar ao palco. Fiz um dueto com a Minako não foi? – disse olhando para trás.
- Eras tu?! – exclamou Minako, praticamente gritando. – Que coincidência! Muito obrigada! Safaste-me! – admirou-se.
- A "rapariga dos véus" eras tu? – perguntou Rei recordando-se. - Porque estavas vestido assim, se não é indiscrição?
- Hum… Digamos que gosto de manter um low profile.
- Ah bem! – exclamou Usagi fingindo perceber. - Quando chegar a casa tenho de consultar o dicionário de inglês… - pensou olhando para o céu. Olhou para o lado e reparou que estava a passar pelos prédios "Maison", onde estava o apartamento de Mamoru. Sentiu um aperto no coração novamente.
Onde andaria Mamoru? Esmeralda havia-lhe dito que estava vivo, mas não tivera notícias desde então. Qual era o objectivo de manter Mamoru prisioneiro? Faltaria muito tempo para ela o rever?
- Já não falta muito tempo. – disse a rapariga abrandando a marcha.
- Quê?! – perguntou Usagi arrepiada. Será que lhe tinha ligo os pensamentos?
- Para chegarmos a minha casa. Está quase… - explicou a rapariga, não entendendo a reacção da passageira.
Encontravam-se na rua mais chique dos subúrbios de Juuban. Elegantes candeeiros e limpos passeios delimitavam a estrada e as belas casas, todas com um relvado extremamente verde e canteiros arranjados. À sua frente encontrava-se um casarão no topo de uma colina, a última casa da rua sem saída. O casarão estaca rodeado por um muro ladeado de altos cedros, o que impedia que alguém conseguisse olhar para dentro do grande jardim.
Os portões automáticos abriram-se e entraram com o carro.
Já lá dentro, conseguiram vislumbrar que o enorme jardim estava cheio de relevo. Tinha uma pequena queda de água decorativa e muitos canteiros com flores.
O jardim estava coberto de belas árvores, salgueiros, cerejeiras em flor, palmeiras e mais umas espécies exóticas. Haviam bebedouros para pássaros e fontes espalhados um pouco por todo o lado. No centro do jardim encontrava-se um lago artificial com nenúfares e alguns peixes. O jardim estava todo coberto com macia relva verde impecavelmente aparada.
Da garagem á porta principal do casarão existiam caminhos feitos de pedrinhas, ladeados com pequenas luzes de carregamento solar.
O casarão que não era exageradamente grande, tinha dois pisos, uma marquise de vidro e um estilo moderno. Era toda feita em pedra acastanhada.
Usagi, Rei, Minako e Makoto não conseguiram esconder a sua admiração.
- É lindo… - suspirou Makoto. - Tantas plantas…
- É… enorme… - embasbacou-se Minako.
- Parece um palácio, mas ao mesmo tempo é tão acolhedor… - sonhou Rei.
Usagi não disse nada, limitando-se a esperar pelo fim dos comentários.
- Ainda bem que gostaram da minha casa! Quis tirar um tempo livre e decidi vir aqui para o Japão. Quando vi esta casinha achei fenomenal e não resisti em comprar! – exclamou entusiasmada, como se estivesse a falar de algo banal.
- Oh! – exclamou levando a mão à boca. - Que indelicadeza! Nem acredito que me esqueci de apresentar! Não liguem, às vezes sou um bocado despistada. Célia Windsor muito prazer!
Nesse momento todas tiveram a sensação de que uma espécie de manto de protecção que envolvia a estranha havia sido retirado quando esta pronunciou o seu nome.
Minako cambaleou para trás e todas olharam para Célia com um misto de admiração e choque na cara. Foi amparada pelas amigas e ficou com os olhos muito brilhantes, olhando Célia fixamente.
- Célia! Como é possível não a ter reconhecido antes?! – pensou Usagi começando a sentir o seu coração a bater rápido.
- Célia, a estrela de música e do cinema?! ESSA Célia?! – perguntou Rei com os olhos arregalados fazendo muita força no braço de Minako.
- Sim, sou eu! - respondeu Célia um pouco envergonhada, mas já habituada a situações semelhantes.
- CÉLIA EU ADORO-TE! Sou a tua maior fã! – gritou Minako abraçando-lhe tornozelo, fazendo com que esta quase caísse para trás.
- Hãn… Será que podias largar-me… só… um bocadinho…? - tentou falar, perante a atitude exagerada de Minako.
- NUNCA te vou deixar! A minha ídolo a minha referência, a minha… - gritava, com lágrimas de emoção.
- Olha-me esta! Ainda no outro dia tinha dito que não gostava dela! – sussurrou Makoto de braços cruzados, mas também ela excitada.
- Como… como é que nós não te conhecemos? – perguntou Rei sem querer, não querendo acreditar que as quatro não tinham reconhecido uma pessoa tão famosa.
- Bem… - começou Célia, tentando libertar-se de Minako. O facto e eu estar no Japão a falar japonês e estar vestida casualmente, pode ter contribuído. – opinou, fazendo força contra a cabeça de Minako, que ainda não lhe tinha largado o pé.
- Usagi estás bem? Ainda não disseste nada, não é normal… - perguntou Rei vendo Usagi estática ao seu lado, olhando fixamente para Célia.
- CÉLIAAAAAAAAAAAAAA! – berrou a chorar, mexendo-se finalmente e juntando-se a Minako nos abraços exagerados. - Adoro as tuas músicas! – disse histérica.
- E eu os teus filmes! – ouviu-se Minako lá em baixo. – Quer dizer, acho que nunca vi nenhum até ao fim mas…
- Obrigada, mas por favor larg… - tentou dizer Célia sem fôlego. Devido ao peso das pessoas que tinha a si agarradas, tropeçou e caíram as três na grande fonte que se encontrava atrás.
Makoto e Rei foram rapidamente socorrê-las. Usagi estava encharcada e despenteada, tentando tirar o seu cabelo que tinha ficado preso na seta do cupido, a escultura da fonte. O longo cabelo de Célia, agora completamente molhado, tapava-lhe a cara. Minako caiu por de baixo do repuxo, fazendo com que um fio de água lhe jorrasse na cabeça. Rei e Makoto ajudaram-nas a sair, enquanto Célia ficou lá sentada com os olhos arregalados.
Ficaram com receio, visto que a rapariga estava com uma expressão séria na cara.
Makoto dirigiu-se a ela.
- Hã… - lamentou coçando a cabeça. - Sabe, elas não fazem por mal, mas não conseguem evitar. Há uns tempos tivemos três amigos famosos que faziam parte de uma banda e nem sabe a confusão que foi...
Célia abaixou a cara e não se mexeu. O que acabaram de fazer poderia resultar num processo em tribunal, atentado contra a integridade física. E ainda por cima a uma celebridade. Usagi já se estava a imaginar diante de um juiz velho com a cara enrugada, que a condenaria a prisão perpétua. Teria que partilhar a sua sela com Minako, que certamente nunca se calaria com os lamentos e a levaria à loucura.
Nesse momento ouviram-se gargalhadas contidas. Célia havia saído da fonte com um salto e estava a torcer o cabelo.
- Ai… Estava mesmo a precisar de me divertir! E trata-me por tu Makoto! – disse, começando a caminhar em direcção a casa. - Venham, entrem entrem!
Todas suspiraram de alívio e riram-se dos seus próprios pensamentos, enquanto se dirigiam encharcadas para a entrada do casarão.
A entrada dava para um vestíbulo, que por sua vez dava para uma ampla sala, que estava decorada de uma maneira moderna e acolhedora ao mesmo tempo.
- Venham até ao meu quarto, tenho lá roupas. Secas! – anunciou ainda divertida.
- Estamos a ir ao quarto da Célia! – cochicharam Usagi e Minako, muito excitadas como pequenas crianças.
Subiram a escadaria curva. O quarto tinha uma grande janela de vidro voltada para o outro lado do jardim, que continha uma grande piscina. A tapar a janela encontravam-se cortinas beges semi-transparentes. No meio da habitação, estava uma grande cama com um edredão branco com luas e estrelas douradas.
- Estão aqui. – disse Célia abrindo a porta do guarda-roupa embutido. Lá dentro encontrava-se uma pequena divisão cheia de roupa. – Escolham o que quiserem, não façam cerimónia.
Minako e Usagi, que tinham a roupa molhada e Rei, que tinha a roupa suja de molho, atacaram a colecção de Célia sem hesitação.
- Se soubesse também tinha caído na fonte… - pensou Makoto alto, tapando a boca de seguida, não querendo acreditar que tinha deixado escapar aquele comentário.
Célia riu-se.
- Mas é claro que a oferta se estende a todas!
- Oh mas… não podemos aceitar. – disse Rei pensando melhor. - Tens aqui roupas caríssimas! – exclamou escandalizada segurando um Xanele.
- Ah, não há problema. A maior parte das coisas que aí estão são-me dadas pelas empresas. Quanto mais eu usar a marca deles, mais prestígio tem. – explicou, mostrando vestidos ainda por estrear.
- Já que insistes…! – atacou novamente Minako, começando a mexer freneticamente nas roupas.
- E entretanto vou preparar-vos um lanchinho, visto que não chegaram a comer os cachorros! – disse-lhes, saindo do quarto.
- Muito obrigada! – exclamou Usagi já imaginando o lanche das celebridades.
Uma hora depois Célia bateu à porta do quarto.
- Então, tudo bem? Já escolhe… - calou-se surpreendida, ao ver o seu quarto cheio de roupas espalhadas por todo o lado.
Rei, Makoto e Usagi envergavam umas roupas floridas de Verão que lhes assentava muito bem.
- Já sim! Menos a Minako… - suspirou Makoto que apontava para amiga, que ainda vestia roupa e olhava-se ao espelho.
- Estas calças fazem-me ficar com o rabo muito grande… - disse sem se dar conta. Todas se desmancharam a rir, ao que ela lhes dirigiu um olhar maldoso.
- Por acaso o objectivo das calças é esse… Usei-as videoclip da canção "Viutiful Liar".
- Eu ADORO essa música! – exclamou Rei com os olhos a brilhar, não fazendo a mínima ideia do que ela estava a falar.
- O lanche já está pronto, vamos comer meninas?
Dirigiram-se à sala, passando novamente pelo corredor e descendo as escadas que davam para o lindo salão. Na mesa central encontravam-se bolos, tostas mistas, salgadinhos, rissóis, leite, cereais, fruta, sumo natural, chá, bolachas, pão, fiambre, queijo, salpicão, mortadela, batatas fritas, bombons e chocolates.
- Uau! – exclamou Usagi contendo a emoção. Comeram alegremente e foram conversando, querendo saber mais sobre esta celebridade. - Mas então, o que fazes aqui no Japão? E a falar japonês tão bem? – perguntou. comendo ao mesmo tempo uma barra de chocolate com amêndoas.
- Bem, como devem saber o Japão é o sítio onde eu vou dar o último concerto da minha digressão mundial "Visual Crystal Fixaxion". – esclareceu, com as pernas cruzadas bebendo uma chávena de chá.
- Ah sim! Já vimos os posters por aí. Mas ainda falta imenso tempo não é verdade? – perguntou Minako tentando imitar desajeitadamente a pose elegante.
- Sim é verdade, mas tenho trabalhado tanto ultimamente que precisava de um descanso. E que melhor descanso senão nos subúrbios da capital do país do sol nascente não é verdade? – perguntou sorrindo retoricamente. - Quanto ao falar japonês… - assumiu um tom mais sério, colocando a chávena na mesa. - Quando era pequena, numa das visitas reais, vim ao Japão e gostei muito da língua. E como princesa ensinaram-me várias línguas, entre elas o latim, francês, espanhol, italiano, português, japonês e claro, a minha língua materna, o inglês. Houve três das quais eu gostei muito, o italiano, japonês e latim. Então apliquei-me ao máximo nessas.
No centro da parede da sala encontrava-se um enorme quadro com uma pintura de uma família. O homem, de aspecto austero, envergava uma coroa. Ao seu lado estava uma mulher morena de cabelo apanhado, com pequenos olhos azuis de aspecto simpático. No meio dos dois encontrava-se uma menina com os seus oito anos, com o cabelo verde preso num dos cantos do ombro, de aspecto traquinas. Os seus olhos tinham um aspecto triste. A moldura do quadro era trabalhada e adornada com motivos dourados.
- Tu és a… Aquela princesa de que a televisão falava há um tempo atrás?– perguntou Usagi embasbacada enquanto pegava agora numa caixa inteirade bombons.
- A ex-princesa herdeira do trono britânico. – corrigiu Célia muito naturalmente.
- Ex? – perguntou Makoto não entendendo.
- Sim, renunciei ao cargo. – explicou, dando um suspirou enquanto se virava para trás para olhar para o quadro. O meu pai e a família do lado dele não gostavam do facto de uma princesa ter uma carreira, invés de ficar no palácio sem fazer nada, sabem. Nunca tive paciência para eventos sociais ou missões de caridade só para manter aparências. – disse com uma certa mágoa na voz. - Claro que eu não me importei com o que eles diziam, aliás como nunca me importo com que os outros dizem de mim, mas à medida que fui subindo na carreira as coisas ficaram piores. Então o meu pai fez-me um ultimato. Ou deixava a minha carreira ou o meu título real. Já podem adivinhar o que eu escolhi! – disse-lhes piscando o olho.
- Que horror… - suspirou Usagi engolindo mais um bombom.
- Ele foi pressionado pelos políticos e pela classe social alta. Mas mesmo assim… - suspirou triste.
- E a tua mãe…? – perguntou Usagi começando a sentir um pouco de pena.
- Ah... Estou cheia de saudades dela… Foi obrigada a aceitar a decisão do meu pai, ele é que é o rei. Foi totalmente contra isto, e sempre me apoiou muito. De vez em quando vem-me visitar às escondidas! – anunciou contente. - Mas por favor, isto é estritamente confidencial, só vos disse porque parecem ser de confiança. – olhou para todas, à espera de um sinal de concordância.
- Claro, confia em nós! – disse Minako emocionada com o voto de confiança, levando a mão ao peito.
- É tão estranho estar em frente a ti! Estrela internacional e princesa… Parece tão irreal.... – disse Makoto.
- Ex-princesa! – frisou Célia. - Eu tentava não dar importância ao meu título, caso contrário era famosa por ser a "princesa cantora" ou a "princesa actriz". Nos meus primeiros castings escondi a minha identidade. E quando comecei a ter uma exposição mais pública fiz questão de frisar que não queria tratamentos especiais. Mas claro, os tablóides gostam sempre dessa combinação princesa/estrela famosa. Aqui no Japão não gostam muito da realeza ocidental, talvez por causa da segunda grande guerra, por isso não enfatizam muito esse meu lado. Mas no estrangeiro é demais, é agoniante. Sempre detestei ser princesa, não é o conto de fadas que todos pensam que é. Existem regras, não posso ser eu mesma, estava presa, tudo o que eu fazia tinha que ser muito bem pensado. Cansei-me… - disse fazendo uma pausa para ganhar o fôlego. - Só para terem uma ideia o meu nome completo é Célia Catherine Christina Zoisitee Elizabeth Charles Leça of Windsor!
- Uau… E eu que pensava que o meu nome era grande! – riu-se Makoto coçando a cabeça.
- Bem, e que tal mudar de assunto? Uma piscinazinha ia bem agora, não? – disse entusiasmada.
- Depois de ter comido? E apesar de estar sol ainda, não está assim tanto calor… -disse Rei apreensiva.
- Quanto ao frio tenho piscina interior aquecida, mas… Suponho que tenhas razão, acabamos de comer por isso devemos esperar… – suspirou desapontada olhando para o relógio.
- Oh vamos lá! Se tiver uma congestão, o hospital é aqui perto! – brincou Usagi louca por experimentar a piscina.
Todas concordaram, apesar de Rei ter feito uma cara aborrecida.
Subiram ao quarto novamente e vestiram biquínis e fatos de banho. De seguida desceram novamente para um salão e entraram por uma porta à direita, que dava para uma divisão onde se encontrava uma grande piscina interior. Ligada a ela por um canal, encontrava-se a piscina exterior, que era separada por uma parede de vidro, que nos dias de maior calor podia ser içada e dar ligação ao exterior da casa.
Todas as paredes da divisão eram de cristal, com imensas plantas decorativas e som ambiente.
Todas suspiraram perante aquele cenário idílico e prepararam-se para mergulhar.
- Não tiras o colar? – reparou Usagi detendo a sua marcha, ao reparar no delicado adorno.
- Bem … - disse Célia levando a mão até á medalha do colar. – Isto é um objecto de grande valor sentimental para mim, não gosto de me separar dele.
O colar era constituído por minúsculas pedras brilhantes e translúcidas, que formavam o fio. A medalha era formada por uma meia-lua de cristal com uma estrela de quatro pontas na extremidade. Tanto a lua como a estrela eram constituídas por pedras preciosas amarelas e laranjas.
- É muito lindo... – comentou Usagi olhando para ele. - Posso ver melhor?
À medida que as mãos de Usagi se aproximavam da medalha, algo estranho aconteceu. O tempo ficou mais lento, Usagi sentia um calor imenso a invadir-lhe o corpo. Sentia a energia das Sailors, a energia da Terra, da Lua, do Ginzuishou. Estava quente por dentro, queria tocar naquela medalha, nada se iria meter no meio.
Célia ficou estática. Via sem reacção a mão daquela rapariga a aproximar-se mais e mais, cada vez mais perto.
O tempo estava quase parado, a mão de Usagi aproximava-se cada vez mais do colar com o intuito de lhe tocar. Sentia-se estranha por dentro. Sentia uma energia reconfortante que já não sentia há muito tempo, a energia de um reino longínquo.
Célia parecia paralisada, como que se não tivesse previsto que Usagi iria querer tocar no seu colar. Era impensável, não poderia… A medalha começou a vibrar levemente quando os dedos de Usagi começavam a fechar sobre si.
-NÃO! – gritou Célia em pânico, dando um passo atrás enquanto fechava a medalha com as mãos.
Todas ficaram a olhar para ela surpreendidas. Aquela rapariga tão racional e simpática acabara de fazer um escândalo por causa de algo tão simples.
- De… desculpem. – pediu Célia embaraçada, esfregando os olhos. - Este colar representa muito para mim, não gosto que ninguém lhe toque. É uma coisa minha…
- Peço desculpa... – disse Usagi num misto de surpresa e culpa, juntando-se às amigas.
- Bem, vamos para a piscina? – perguntou Makoto quebrando o silêncio constrangedor.
- Nem era preciso dizeres! – exclamou Minako subindo para a prancha e fazendo a posição de "bomba". Atirou-se para a piscina e fez com que muita da água transbordasse.
- Minako… - suspirou Rei fora da piscina com os punhos cerrados, toda encharcada. Vais-te arrepender! – desafiou-a sorrindo, atirando-se também. - Mergulho profundo!
- Toma uma ilusão de água brilhante! – gritou Minako aparecendo debaixo de Rei fazendo-a cair de cabeça na água.
- As vossas amigas têm uma maneira engraçada de se divertirem. – reparou Célia.
- É..! – disse Makoto embaraçada. - Televisão a mais!
Todas se regozijaram na piscina durante horas a fio, excepto Usagi que não parava de pensar no sucedido.
Quando começou a anoitecer, as luzes do jardim foram-se ligando automaticamente, dando-lhe um ar romântico e jovial. Era o jardim mais belo que tinham visto.
- E viva o luxo! – observou Minako divertida.
- Ops! Olhem as horas! – exclamou Usagi pegando no seu relógio. - Os meus pais já devem estar preocupados.
- É, é melhor voltarmos. O avô está sozinho, sabe-se lá o que andará a fazer. – disse Rei preocupada.
- Mas vamos como? O carro da Usagi ficou no templo. – lembrou Minako olhando para Célia com cara de inocente.
- Eu dou-vos boleia, claro. – ofereceu-se Célia percebendo perfeitamente a intenção de Minako.
- A sério?! Obrigada! – exclamou Minako fingindo-se surpreendida, já esperando aquela resposta.
- Podem ir vestir-se lá em cima no meu quarto, a vossa roupa está lá. – lembrou, saindo da sala. – Vou tratar de umas coisas e já venho sim?
Fechou a porta e encostou-se nela do lado oposto. Esboçou um sorriso no escuro. Finalmente, após tanto tempo, estavam todas reunidas de novo. Subiu a escadaria de mármore. Caminhou pelo longo corredor alcatifado até chegar ao fim. Encontrava-se diante de um quadro com a imagem da galáxia, que enfeitava a parede. Retirou-o e pôs a descoberto um marcador electrónico com uma porta de metal ao lado. Marcou o código 22061989 e colocou a medalha do seu colar numa ranhura e a porta abriu-se pesadamente.
- O que foi isto? – arrepiou-se Usagi na sala da piscina, no piso de baixo.
- O quê? – perguntou Makoto curiosa.
- Esta sensação… esquisita. – disse confusa.
- Estás estranha hoje Usagi… Não sinto nada. – enxergou Minako.
- Ela… - disse Rei fechando os olhos. – Ela tem razão, sinto uma aura estranha.
Saíram todas da sala da piscina, seguindo Usagi e Rei.
Célia entrou pela porta que abrira. A sala não tinha janelas nem lâmpadas. No centro encontrava-se um pedestal vazio. Célia desapertou o fecho do seu colar e retirou a medalha. Fechou-a na sua mão e esta cresceu instantaneamente até atingir o tamanho de um medalhão. Tal como a medalha que lhe dera origem, tinha a forma de uma meia-lua com uma estrela na ponta. Imediatamente a sala se iluminou de uma luz dourada intensa. Célia atirou o medalhão para o ar e cruzou as mãos sobre o seu corpo. O seu cabelo começou a esvoaçar violentamente enquanto uma luz branca envolvera a sua silhueta.
- SEPARAÇÃO! – gritou desfazendo o cruzamento entre as mãos. Um clarão forte anunciou a separação de dois cristais que estavam dentro medalha. Célia apanhou-os com a mão direita e a medalha com a esquerda.
A sala ficou iluminada de um amarelo alaranjado e de um branco intenso. Aproximou-se do pedestal, cujo topo se abriu, revelando outro dispositivo electrónico com dois baixos relevos. Colocou neles o Ginzuishou e o Cristal de Ouro. Nesse momento uma onda de energia envolveu a casa e o jardim.
- O que se passa?! – gritou Usagi sentido a onda de poder que passara por elas a uma velocidade alucinante.
- Veio do piso de cima! – exclamou Rei correndo a escadaria.
- Eu continuo a não sentir nada! – disse Minako correndo juntamente.
- Será que lhe aconteceu alguma coisa?! – preocupou-se Makoto seguindo-as também.
O pedestal fechou-se, ocultando os cristais. Célia pegou rapidamente no medalhão e fechou-o. Este diminuiu de tamanho novamente e foi colocado no fio do colar. Levou a mão à medalha.
- Macara a minha identidade, Make Up! – o medalhão libertou raios de energia que a envolveram. A sua aparência manteve-se igual, mas agora sabia que apenas a reconheceriam como Princesa Célia se ela própria revelasse a sua identidade. Fora desta forma que ela não havia sido reconhecida pela Usagi e as outras. Pretendia passar infiltrada pelo Japão, não poderia dar-se ao luxo de ser reconhecida pelos media.
Célia fechou a porta da sala rapidamente e recolocou o quadro na parede.
- AHHHHHHHHHHHHHHHHHH! – ouviu Usagi a gritar ao longe.
Correu rapidamente até ao corredor principal e viu uma figura negra que cercava as quatro amigas.
- Luna Marie! Quieta! – ordenou rispidamente. A cadela de imediato colocou a língua de fora e atirou-se a Célia, lambendo-a. - Estão bem?
- Luna?! Esse cão chama-se Luna? – perguntou Usagi ofegante, caída no chão.
- Sim sim! É uma cadela. Reparem aqui na testa, tem uns pelinhos brancos que fazem lembrar a lua, por isso dei-lhe o nome da lua em Latim. – explicou Célia mostrando com orgulho a sua preta cadela labrador. - Desculpem se ela vos assustou, o ponto forte dela não é a inteligência... Está treinada para me avisar de intrusos.
- Ah, sim… Nós perdemo-nos. – desculpou-se Rei rapidamente. - Onde é que era o quarto mesmo?
- Duas portas atrás... Mesmo no fim da escadaria. – disse Célia com uma expressão desconfiada. - Eu tenho a minha roupa noutro quarto. Até já. – despediu-se, entrando na porta ao seu lado.
- Que rapariga esquisita, já saiu da piscina há tanto tempo e ainda não mudou de roupa? – observou Usagi num tom zangado.
- Usagi! Ela acabou de nos proporcionar uma tarde super divertida e tu dizes isso? Nem parece teu! – ralhou Minako.
- A menina está zangada porque não pôde tocar no colar não é Usagizinha? – gozou Rei, ao mesmo tempo que tentava encontrar uma explicação para aquela aura estranha.
Dirigiram-se ao quarto de Célia para se vestirem.
- Foi bastante esquisito. Tanto alarido por causa de um colar. – observou Makoto.
- Mas tu sabes como são os famosos, bastante excêntricos. – defendeu-a Minako espreitando o guarda-roupa uma vez mais..
- O que me interessa agora é descobrir de onde veio aquela onda de energia. – murmurou Rei pensativa enquanto se vestia.
- Eu não senti na… - começou Minako.
- Já sei que não sentiste nada! – interrompeu-a sem paciência. - Eu senti porque tenho uma pré-disposição psíquica e já é normal estar alerta para este tipo de coisas. Agora, não sei como é que a Usagi também o sentiu.
- Por falar nisso, onde está ela? – perguntou Makoto ao notar a ausência da amiga.
- Estou aqui! – disse ofegante, entrando rapidamente no quarto.
- Onde estiveste? – perguntou Minako desconfiada.
- Fui até ao fim do corredor. Tinhas dito que a onda de energia veio de lá, não foi Rei?
- Sim… E o que descobriste? – perguntou Rei curiosa.
- Nada de nada. Apenas tem lá um quadro.
- Estranho… Talvez tenha sido outra coisa qualquer. – suspirou, rendendo-se às evidências. - Veste-te Usagi! É indelicado deixar os outros à espera.
Cinco minutos depois Célia bateu á porta.
- Estou pronta, desculpem a demora. Vamos para o carro?
- E que carro! – pensou Minako deliciada em andar outra vez no automóvel de luxo.
Desceram a escadaria e saíram da mansão. A noite estava agradável e ouviam-se os grilos e as fontes no jardim. Entraram no carro e os portões abriram-se.
- Espero que não se tenham assustado com o meu sistema de segurança. Ele tranca as janelas e as portas, além de activar os raios infravermelhos em caso de assalto. Activei-o quando saí da piscina. – explicou enquanto conduzia.
- Ah, então … acho que foi isso… - pensou Rei.
- Claro que não nos assustamos com isso. Já aquela cadela podia-nos ter magoado muito. – comentou Usagi rispidamente.
Minako mandou-lhe uma joelhada no banco de trás.
- Bem, quem fica em casa primeiro? – perguntou Célia num tom já mais desagradado, ignorando o comentário indelicado de Usagi.
- Eu posso ficar já, não é muito longe daqui. – disse Minako.
Dez minutos depois chegaram a sua casa.
- Estás entregue! – exclamou Célia sorrindo, parando o carro.
- Muito obrigado por tudo! Adorei esta tarde. – agradeceu Minako excitada saindo do carro e abraçando Célia. – E não te esqueças, sou a tua fã número um! – gritou já à porta de casa.
- Tchau! – disseram todas.
A próxima foi Rei. Chegaram ao templo, que como sempre estava rodeado de jornalistas.
- Eu juro que qualquer dia… - suspirou furiosa fechando o punho e exibindo perigosamente uma veia na sua testa.
- Isto é ainda por causa da confusão no festival? – perguntou Célia interessada.
- Infelizmente é. – respondeu, cansada da situação.
- Com licença então. – disse Célia saindo do veículo. - Revela-me. – sussurrou, tocando na medalha. Dirigiu-se ao portão do templo. - Oh não! O meu templo favorito fechado! – gritou fingindo-se surpreendida.
Após reconhecerem Célia, uma montanha de flashes iluminou a noite.
- Célia, Célia! Conhece o templo Hikawa?
- O que tem a declarar quanto à sua alegada saída da linha sucessória ao trono?
- Célia, o que faz em Juuban?
- Está a par dos recentes eventos que envolvem este templo? – perguntaram euforicamente os jornalistas quase que atropelando Célia.
- Mas é claro que conheço o templo Hikawa! Sempre que venho ao Japão tenho que arranjar um tempinho para vir cá. Os extraordinários amuletos que aqui são vendidos são o último grito na alta sociedade! – explicou Célia fingindo-se eufórica. E aquele golpe publicitário durante o festival? D-I-V-I-N-O! – disse alto, enfatizando cada palavra.
- Golpe publicitário? – perguntaram os jornalistas interessados.
- Mas é claro! Graças àqueles espectaculares… hã… efeitos visuais, a gerência do templo revelou uma inteligência sem par, visto que agora este acontecimento é falado um pouco por todo o país… e até no estrangeiro, o que torna o templo ainda mais conhecido!
Os jornalistas ficando satisfeitos pela explicação fotografaram Célia em frente ao portão do templo. Após a confusão, Rei abraçou Célia demoradamente em tom de agradecimento, e entrou feliz na sua casa após muito tempo.
- Tens que fazer isso com o meu restaurante qualquer dia! – exclamou Makoto impressionada com a táctica de Célia.
- Quem sabe…! – exclamou Célia deitando a língua de fora e apertando o cinto. Vamos para onde agora?
- Para o apartamento da Ma…- começou Usagi.
- Para o meu restaurante! – interrompeu Makoto levantando a mão. - Desculpa, é que deixei o Motoki sozinho a tomar conta do negócio o dia todo, tenho que fechar as contas do dia antes de rir para casa.
- Ah… Tudo bem... – suspirou desagradada. Estava cansada e apenas queria dormir.
- Eu deixo a Makoto no restaurante e levo-te a casa. Não me custa nada.
Apesar de não querer deixar Makoto sozinha, decidiu aceitar a oferta. Após deixar Makoto no restaurante, Célia encontrava-se agora sozinha no carro com Usagi. Após uns minutos de silêncio em que só se ouvia o motor do carro, Célia falou.
- Olha… - começou, pensando bem nas palavras. - Eu sei que exagerei há bocado, e é por isso… - disse desapertando o colar. … que te vou deixar tocar na medalha. E peço desde já desculpa pela minha reacção exagerada.
- Tens a certeza? – perguntou Usagi já mais animada.
- Força. – disse entregando o colar. Esta pegou nele, mas já não sentia a sensação esquisita que sentira antes.
- É muito lindo… E estas pedras na lua e na estrela? – questionou, olhando para aquele estranho brilho.
- As da lua são acho que são pequenos diamantes alaranjados. As da estrela são pedras um pouco mais especiais.
- Especiais? – perguntou, não se lembrando de nada mais precioso do que um diamante.
- São pedras preciosas cósmicas.
- Cósmicas?! – exclamou ainda mais confusa.
- Um meteoro caiu em Inglaterra à um par de séculos. Por dentro feito dessas pedras, que foram mantidas no cofre real durante anos. Então peguei nelas e mandei fazer essa medalhinha. – explicou sorrindo-lhe. É aqui onde vives?
- Sim. -confirmou Usagi saindo do carro e devolvendo o colar. Encontravam-se em frente ao prédio de Makoto. - Obrigada por tudo! – agradeceu amavelmente.
- Até manhã! – respondeu Célia metendoa mudança.
- Adeus! – replicou Usagi sorrindo.
Usagi estava a entrar na porta do prédio, quando algo a interrompeu.
- Usagi? – chamou-a Célia, de dentro do carro.
- Sim? – respondeu, voltando-se para trás. Olharam-se durante uns segundos.
- Nada… Nada, esquece! Boa noite! – exclamou arrancando o carro e conduzindo pela estrada deserta. – Ela ainda não está pronta para saber a tua verdadeira origem não é? – pensou, voltando a por o colar no pescoço.
Usagi entrou no apartamento onde foi fortemente abraçada pelos pais. Caiu a noite profunda, a última das noites normais que se aproximavam. Pequenos flocos de sabão gelado caíram do céu escuro.
