-"As temperaturas desceram na última semana cerca de 0,2 ºC em todo o mundo. Apesar da pouca diminuição, este fenómeno estranho aconteceu uniformemente por todas as regiões do globo, razão pela qual é um acontecimento tão peculiar. Será este um sinal da regressão do tão falado Efeito Estufa? Tudo indica que sim, apesar de a camada de ozono ainda não se regenerar à velocidade da sua destruição. Caso este fenómeno continue, poderemos ter temperaturas anormalmente baixas à medida que o verão se aproxima. De volta ao estúdio…" – dizia a meteorologista na TV.

- Dexde que num fique frio nu Berãum tudo bem pra mim! – comentou Shingo refastelado no sofá, com a boca empanturrada de bolachas de chocolate. Subitamente a televisão desligou-se, e Shingo virou-se para trás em protesto.

- A tua irmã? – perguntou Sra. Ikuko ensonada, com o comando na não.

- Saíu logo de manhãzinha, muito cedo. – respondeu, roubando-lhe o telecomando num gesto rápido. - Estava a ver TV e deu uma noticia qualquer, ficou esquisita e saiu de casa.

- Que estranho, num sábado? Ai… O que estará ela a tramar? – suspirou Ikuko roubando o pacote de bolachas e sentando-se ao lado de Shingo. Roubou-lhe novamente o comando e mudou para o canal de moda.

*

Usagi caminhava com Luna na rua sob um sol tímido. Estava determinada a tirar tudo a limpo. Porque tivera Beruche aquela reacção quando Usagi lhe disse que tinha sido atacada por Esmeralda?1

Luna caminhava apressadamente para acompanhar o passo de Usagi.

- Chegamos Luna. – anunciou,parando em frente a um luxuoso prédio. Tocou no botão da moderna campainha que dizia "Irmãs Ayakashi".

- Deixem-nos em paz! – gritou uma voz adoentada pela campainha.

- Kooan? É a Usagi. Preciso muito de falar convosco… - pediu, surpreedida por aquele comprimento.

- Usagi? – ouviu-se Kooan a perguntar. - Desculpa mas hoje… não é um bom dia, adeus.

- Kooan! – exaltou-se aproximando a boca da campaínha. - Sabes que se não me deixares entrar eu arranjo maneira de falar com vocês na mesma!

Após uns momentos de silêncio a porta abriu-se. Usagi apanhou o elevador transparente até ao último piso, onde as irmãs tinham um luxuoso duplex.

O edifício tinha uma forma circular, sendo que no seu centro se encontrava um belo jardim com uma cascata artificial, que culminava numa grande piscina. Saiu do elevador e dirigiu-se para a porta do apartamento das irmãs.

- Miau! – chamou Luna, alertando Usagi.

- Também sentes? Este ambiente pesado… - observou, parando em frente à porta de mogno. - Mas tenho que entrar, sabes que sim.

Bateu à porta, mas reparou que esta já estava aberta. Entrou no apartamento escuro, devido às persianas que estavam completamente fechadas, bloqueando a luz do sol.

- Aqui. – chamou Beruche, pregando um susto a Usagi.

Kooan, com os seus exuberantes cabelos roxos e Beruche encontravam-se sentadas no divã da sala com ligaduras na testa. Usagi cumprimentou-as e sentou-se. Luna tinha o pêlo arrepiado e rondava o apartamento.

- Mas.. o que se passa com vocês? – perguntou, olhando para as ligaduras brancas.

As Irmãs entreolharam-se com um olher triste e cansado.

- São tantas coisas juntas… Nem sei por onde começar… - suspirou Kooan encostando-se para trás.

- Eu…. Vi a notícia à pouco na televisão. – disse Usagi com receio, lembrando-se das palavras que o pivô pronunciou no jornal matinal:

"Os cosméticos Ayakashi Sisters foram retirados do mercado devido à concentração absurda de químicos cancerígenos, que levaram à formação de melanomas e carcinomas em diversas pessoas por todo o Japão."

- Eles não são cancerígenos. – fungou Beruche chorosa. - Foi tudo obra da… da Esmeralda.

- A Esmeralda?! – perguntou Usagi interessada. - Ela também vos atacou? Por favor expliquem-me bem essa história toda!

- É uma longa história… - começou Kooan passando a mão pelo cabelo. - Tudo começou há cerca de um ano. Começamos a ter pesadelos que nos acordavam a meio da noite, dia após dia. Tudo começou gradualmente, mas foi aumentando ao longo das semanas. Tudo isto devia fazer com que ficássemos cada vez mais cansadas, mas… bem, não foi isso que aconteceu. Estávamos cada vez mais fortes e vigorosas.

- Até aí tudo bem, fora isso, não tinha acontecido mais nada de especial. – continuou Beruche limpando as lágrimas. - Até há alguns meses. Começamos a reparar que os nossos poderes estavam a voltar. –anunciou, fazendo aparecer uma bolha de água negra quando abriu a mão, ao que Usagi soltou um guincho de espanto.

- E foi quando apareceu a Esmeralda. – completou Kooan. - Apareceu de repente aqui na sala, completamente vinda do nada. Ficamos atónitas e assustadas, ela não deveria estar viva, muito menos passado tanto tempo. Disse que havia sido revivida, e que precisava de nós, apesar de termos traído a nossa família.

- Claro que dissemos que não. – continuou Beruche ansiosa por exclarecer. -Então foi aí que ela nos ameaçou. Disse que tinha o Safira como refém, e se não aceitássemos, era ele que ia sofrer as consequências. Como sabes a Petz nunca esqueceu o Safira… Por isso aceitou passar para o lado deles. – explicou, relembrando Usagi da atracção entre a irmã da caça mais velha, Petz, com o irmão do seu antigo inimigo, o chefe da família da Lua Negra.

Usagi icou estupefacta, mas não pôde deixar de compreender o lado de Petz. Sempre amara Safira secretamente.

- A Esmeralda disse que mais cedo ou mais tarde todas nós iríamos acabar por aceitar passar para o lado dela. Nem que fosse contra a nossa vontade.

- Como assim? E porque não nos avisaram antes? – perguntou, num tom um pouco seco, devivo à falta de confiança delas. – Poderíamos ter-nos preparado para o ataque dela sabem?

- Calma, ouve-nos até ao fim. – pediu Kooan suspirando.

- Depois da Petz ter aceite, a Esmeralda ameaçou-nos novamente. Caso disséssemos alguma coisa, ela também sofreria as consequências. Não podíamos arriscar, ela é… ela é a nossa irmã. – confessou Beruche voltando a chorar.

- Ela lançou-nos uma espécie de maldição. – continuou Kooan. - Já nos destruiu financeiramente e socialmente. A nossa empresa faliu e temos centenas de processos em tribunal contra nós. Mas isso nem é o pior… Vem cá. – pediu Kooan, pegando no braço de Usagi.

Foram até a um quarto escuro, também com as janelas todas tapadas. Kooan ligou uma luz fraca.

Na cama encontrava-se Calaveras, a segunda mais velha, a dormir, suada e despenteada. Estava a ter um sono inquieto, mexendo-se constantemente. Na sua testa encontrava-se um símbolo já conhecido, uma lua negra invertida com uma estrela de quatro pontas no meio.

- Não! – exclamou Usagi tapando a boca com a mão. – Aquele é o mesmo símbolo que a Esmeralda tinha na testa!

- Ela está a sofrer uma transformação. – disse Kooan encostada na soleira da porta, de braços cruzados, com o olhar triste fixo na irmã. - Uma por uma, a Esmeralda está a forçar-nos a voltar. E da maneira mais baixa. Ela está a sofrer…

- Então vocês…? – perguntou Usagi chocada.

Beruche e Kooan retiraram as suas ligaduras. Nas suas testas, como uma ligeira queimadura, encontrava-se o mesmo símbolo quase imperceptível, embora o de Beruche estivesse mais carregado.

- Começaram a ficar mais fortes depois de a Esmeralda ter roubado o teu Ginzuishou. Nós pensávamos que conseguirias guardar o Cristal como sempre fizeste, por isso quando me contaste na universidade o que se passou, eu saí da aula e vim contar às minhas irmãs imediatamente. Fiquei alterada.

- Vai embora Usagi. – pediu Kooan num tom sério, apanhando-a de surpresa. - Vai embora daqui e não voltes mais. Da próxima vez que nos vires… podemos já não ser nós.

- Eu não vos posso deixar… Tenho que vos ajudar, são minhas amigas e os amigos não se deixam assim… - disse atabalhoadamente, enquanto sentia uma incrível vontade de chorar e de impotência.

- A única coisa que podes fazer, é destruir o inimigo. Assim as nossas vidas talvez possam voltar ao normal. - disse Beruche com uma réstia de esperança.

- Mas cuidado. Pelo que percebi a Esmeralda não passa de uma simples subordinada. Este inimigo tem uma força estranha. São capazes de tudo. De TUDO! Até de matar sem dó nem piedade se for preciso. – falou Kooan mais uma vez, com um ar assustado. - Agora vai. Tem cuidado…

- Adeus Usagi… - despediu-se Beruche com um ar triste, aproximando-a da saída.

- Não desistam, nós vamos conseguir. Aguentem até lá…! – prometeu Usagi chorando, saindo do apartamento com Luna.

- Usagi? – chamou Beruche.

Esta parou e olhou para trás.

- Perdoa-me caso te faça alguma coisa, mas lembra-te. Não sou eu, lembra-te... – suspirou esboçando um pequeno sorriso, com uma lágrima varrendo-lhe o rosto.

Usagi deu-lhe as mãos e no silêncio reconfortou-a. Ao mesmo tempo disse o seu adeus mudo. Estava certa de que iria conseguir derrotar aquele inimigo que já lhe roubara Mamoru, destruíra a sua casa, o templo de Rei, o Ginzuishou, e que agora lhe roubava lentamente a sua amiga da forma mais cobarde.

Saida do prédio, caminhava pelas ruas da cidade, em direcção ao templo. Como Célia a tinha levado a casa, o seu carro ainda lá estava estacionado devido ao treino surpresa do dia anterior.

- Usagi! Luna! Por aqui? – ouviu-se uma voz vinda do chão.

- Artemis! – Usagi retirou-se para um beco com Artemis e Luna. Lá, contou tudo o que ouvira.

- Incrível…! - exclamou Artemis preocupado.

- Miau… - pareceu concordar Luna.

- Coitadinha, a Luna ainda não consegue falar… E não sei porquê. Se fosse do Ginzuishou tu também não devias poder falar e no entanto… - suspirou Usagi abaixando-se para fazer festas à sua gata.

- É verdade… E logo ela que nunca foi de estar calada. - brincou Artemis olhando para Luna.

De repente uma luz iluminou a mente de Usagi. Esta levantou-se repentinamente, o que fez com que Luna caísse em cima de Artemis.

- Há anos atrás eu purifiquei as Irmãs Ayakashi com o poder do Ginzuishou. – disse olhando fixamente para o ar à sua frente.

- Usagi tu… - interrompeu Artemis.

- Não me interrompas enquanto estou a raciocinar! – repreendeu-o, fazendo uma cara assustadora. – A Esmerlda e o resto dos inimigos ainda não conseguem trabalhar bem com Cristal e reverter o processo, caso contrário elasjá estariam todas do lado negro. Mas… eu vi aquela guerreira misteriosa com o meu Ginzuishou. Como é possível se é a Esmeralda que o tem? Isso quer dizer…

- Mas Usagi… - falou novamente Artemis tentando chamar a atenção.

- Cala-te! Isso quer dizer… - respirou fundo. - … que a guerreira trabalha para o lado negro! Não… não pode ser! Se ela já nos salvou mais do que uma vez… Talvez seja só para aborrecer a sua possível rival, a Esmeralda. É isso… Não podemos confiar nela! – exclamou orgulhosa do seu raciocínio. - O que querias Artemis?

- Calcaste cocó de cão quando te levantaste. – disse divertido. vendo o sapato de Usagi castanho.

Artemis e Luna foram passear juntos e Usagi continuou o seu caminho.

Ao caminhar olhou para o prédio "Maison" onde se encontrava o apartamento de Mamoru. Apesar de ter estado nos EUA a estudar, manteve sempre a sua residência em Tóquio. Usagi olhou pensativa para as janelas do apartamento, mas subitamene reparou em algo e deteve a sua marcha.

Sentiu um aperto no coração. Uma luz estava acesa. Teria Mamoru voltado?

Correu em direcção à entrada do edifício. O porteiro já a conhecia e deixou-a passar. À medida que se aproximava do apartamento, o seu coração batia mais rápido. Levou a mão à maçaneta da porta e abriu-a rapidamente.

Mamoru encontrava-se no sofá da sala completamente desarrumada. Objectos partidos, almofadas rasgadas, o LCD rachado no chão e as cortinas desfeitas. Mamoru estava deitado com um pano molhado sobre uma ligadura que tinha na testa.

- Mamoru! – exclamou a chorar, correndo para perto dele. Não queria acreditar que Mamoru estava finalmente à sua frente, era um sonho maravilhoso. - Oh, meu amor! Que te fizeram? – perguntou olhando para o seu estado.

- Usagi… – murmurou Mamoru numa voz rouca, levando a sua mão fria para a cabeça de Usagi. - Consegui libertar-me de Esmeralda. Foi horrível, mas nunca mais deixarei que nos separem. Foi o nosso amor que me deu forças para voltar. – sussurrou, com os olhos brilhantes, fazendo carícias no cabelo de Usagi.

- Mamoru…! - exclamou ainda chorando, comovida com a prova de amor. Tocou na sua mão e reparou que estava fria. - Vem, vou colocar-te na cama, estás gelado.

Colocou o seu braço nos ombros de Mamoru e levou-o até à cama. Este caiu nela pesadamente, e puxou Usagi para cima de si, beijando-a. Ela sorriu e abraçou-o, envolvendo nos seus braços a sua razão de viver. Mamoru beijou-lhe o pescoço ternamente, enquanto ela acariciava os seus cabelos pretos. Entre os toques, a ligadura moveu-se um pouco e Usagi vislumbrou algo na sua testa. Mamoru voltou a colocar a ligadura no sítio.

- Que ferida é ess…

Antes de acabar a frase, Mamoru impulsionou-a para baixo de si e deitou-se sobre ela. Tirou a sua camisa e abriu a blusa de Usagi, beijando o seu corpo, fingindo não a ouvir. As suas carícias estavam cada vez mais brutas, mas Usagi, envolvida em paixão e curiosidade não conseguia abstrair-se do ferimento de Mamoru. Num movimento súbito arrancou-lhe a ligadura.

O mundo desmoronou-se naquele momento. Tudo ficou negro à sua volta e ficou sem fôlego. Não era possível, não poderia ser verdade!

No centro da testa de Mamoru encontrava-se a marca negra do seu novo inimigo, a lua invertida com a estrela de quatro pontas.

A cara de Mamoru assumiu proporções sombrias.

- Tinhas que estragar tudo. - disse friamente.

Agarrou a cara de Usagi e beijou-a à força. Estava imobilizada pelos braços de Mamoru. Sentiu uma estranha energia vinda da boca dele, que entrava no seu corpo lentamente, deixando-a tonta. Lembrando-se de algumas técnicas de auto-defesa que Makoto lhe havia ensinado, dobrou o joelho e impulsionou-o contra a barriga de Mamoru. Este soltou um uivo de dor e Usagi conseguiu escapar.

- Não pode ser… não é verdade! – pensou, enquanto apertava a blusa e procurava desesperadamente o alfinete de transformação nos seus bolsos, mas este não estava lá.

Em cima da cama, Mamoru riu-se. Abriu a sua mão. No interior estava o alfinete que lhe havia roubado.

Não houve diálogo, Usagi simplesmente não conseguia enfrentar aquela realidade. Fugiu do quarto e correu para a saída. Abriu a porta. À sua frente encontrava-se Neflite, um dos quatro generais do Reino das Trevas, a bloquear a saída.

- Olá princesa, vemo-nos de novo. – sorriu maquiavelicamente, segurando Usagi.

- TU! – gritou surpresa, pois pensava que este tinha sido destruído na batalha ocorrida em sua casa.2

Mamoru veio de seguida, transformando-se em Endymion.

- Tão ingénua, tão parva… Vens aqui sozinha, sem saber o que te espera e cais direitinha na nossa cilada. Pena teres descoberto tudo tão cedo, podia… - disse sorrindo cruelmente dirigindo-se a Usagi e passando a mão pelos contornos dos seios- podia ter-me divertido um bocado. E acredita que te ias divertir também… - sussurrou-lhe aos ouvidos.

- Nojento! – gritou Usagi sentindo-se mais vulnerável que nunca. - O verdadeiro Mamoru nunca faria isto!

- Verdadeiro? Mas ainda não percebeste? É preciso ser muito tonta para dar o Ginzuishou e perder o alfinete de transformação, por isso não me admiro que ainda não tenhas entendido. Eu sou o verdadeiro Endymion.

- Não acredito! – gritou Usagi imobilizada nos braços de Neflite.

- Esse anel que tens… - disse apontando para o aro em forma de flor no dedo anelar de Usagi. - Fui eu que to dei há cinco anos no aeroporto quando parti para os Estados Unidos estudar, como símbolo do nosso amor e como promessa que voltaria um dia.

Usagi estava despedaçada. Era verdade, foi nesse dia que se despediu ternamente de Mamoru e viu as Starlights pela primeira vez no aeroporto, acabada de entrar no secundário.

- E pensar que esta coisinha te transforma… - disse pegando no alfinete dourado.

Tentou esmaga-lo, mas as suas mãos começaram a queimar. Ouviu-se um grito de dor e o alfinete caiu ao chão. As mãos de Endymion exibiam queimaduras circulares.

- Mestre! – gritou Neflite soltando Usagi por momentos.

Esta aproveitou para fugir do apartamento. Enquanto corria pelo corredor, tentava encontrar o intercomunicador atrapalhada pelas lágrimas que escorriam abundantemente pela cara. Não o encontrou, tinha-o deixado em casa. Tentou então encontrar o telemóvel. Sentiu uma dor forte na barriga e foi projectada com toda a força contra a parede.

Zoicite havia aparecido à sua frente e mandara-lhe um pontapé no estômago. Usagi não conseguia respirar com as dores na barriga e nas costelas.

- Encontrei! – gritou Zoicite enrolando os seus cabelos louros com o dedo.

Apareceram no corredor Neflite e Jedite, que agarraram Usagi pelos braços. Esta derramava sangue pelo nariz e estava arranhada um pouco por todo o corpo. Arrastada pelo chão, foi levada até ao apartamento novamente. As mãos de Endymion sangravam, mas este ria-se.

- Toma. – disse pontapeando o alfinete. - Vais morrer como uma guerreira.

- Pára Mamoru… - pediu, cheia de dores, olhando para o chão, pois não conseguia olhar nos olhos daquele que outrora fora o seu amado. – Eu sei que estás aí dentro, liberta-te… Lembra-te de nós, sou eu a Usagi, a Serenity…

Endymion olhou para ela estático. Aquela voz, aquelas palavras não o faziam ficar indiferente.

- Eu… - disse confuso, gaguejando. Sentia-se desorientado.

- Endymion…! - disse a sua própria voz, dentro da sua cabeça. - Essa rapariga não significa nada para ti, não deixes que a luz se misture com as trevas.

- Mas é a Usagi…! – respondeu no seu pensamento.

- Exactamente… - replicou a voz. - Essa rapariga só causa infortúnio, pensa que a sua vida é o centro do mundo, e acima de tudo não passa de uma rapariga mimada que depende dos outros para a sua salvação. É graças a ela que todas estas guerras aconteceram.

- Mamoru…? – perguntou Usagi quebrando o seu pensamento, com uma réstia de esperança.

- Tu… vais morrer…! – exclamou, com os olhos húmidos. - Transforma-te.

- Não! – gritou sufocada com as lágrimas. - Não luto contigo!

- Transforma-te! – ordenou Endymion irritado.

- NÃO! – gritou dramaticamente, com todas as suas forças.

Recebeu uma estalada.

- A tua voz aguda irrita-me! Mas muito bem então, seja feita a tua vontade. Kunsite! – chamou, visivelmente transtornados.

Um homem de cabelos brancos e de olhos azuis muito claros apareceu. O servo mais poderoso de Endymion trouxe-lhe uma espada.

- Aqui tem mestre. – disse Kunsite fazendo uma vénia e piscando o olho discretamente a Zoicite. Este por sua vez corou muito e enrolou o cabelo com o dedo mais freneticamente.

Endymion levantou a espada. A sua ponta brilhou e ele preparou-se para trespassar Usagi.

- PÁRAAAAA!!! – gritou, e na sua testa apareceu um quarto crescente, o símbolo do Reino da Lua, que libertou raios de energia.

Endymion foi projectado contra o espelho da sala. Todos os vidros das janelas do apartamento partiram-se. A energia libertada foi de tal ordem que destruiu a maior parte dos objectos da sala.

O silêncio reinou momentos depois. Zoicite, Neflite e Jedite transformaram-se em pedras3 que estavam caídas ao lado de Usagi. Endymion e Kunzite encontravam-se prostrados no meio dos vidros.

Com a cabeça a latejar, Usagi pegou no alfinete e dirigiu-se a Endymion. Não podia ser, ele ia mesmo matá-la, tal como acontecera quando ele estava possuído pela Rainha Beryl. Mas aí ele não se lembrava de nada, estava sob a influência de uma lavagem cerebral. Agora era diferente, ele lembrava-se de tudo, era Mamoru mas ao mesmo tempo não. Dirigiu-se a ele e olhou para a sua testa. Estava coberta de sangue devido aos cortes efectuados pelos vidros da janelas, mas mesmo assim vislumbrou o símbolo da lua invertida com uma estrela de quatro pontas. O símbolo estava fragmentado. Talvez o poder que estava a actuar sobre ele estivesse a ficar mais fraco?

Kunzite estava bastante cortado, estava inconsciente ao lado de Endymion. Usagi não sabia o que fazer. Deveria chamar a polícia? Uma ambulância? As amigas?

- Aiiiii!! – gritou surpresa quando a mão de Endymion agarrou o seu tornozelo. Abriu os olhos. Não eram os olhos de Mamoru que outrora conhecera, mas sim uns olhos vazios e gélidos. Caiu devido à força que este exercia no seu tornozelo. Endymion levantou-se num salto e pegou novamente na espada para matar Usagi.

- Não! – gritou ele próprio, levando a mão à testa. – Foge rápido!

Era Mamoru quem falava, Usagi sentiu o calor da sua voz. Kunzite despertou e também se levantara.

- Mestre? – perguntou esperando ordens.

Usagi não conseguia fugir agora que ouvira e sentira a voz de Mamoru. Endymion gritou e caiu de joelhos. Respirou fundo e tirou as mãos da testa.

- Mata-a.

Era novamente a voz cruel. Usagi estava disposta a lutar para recuperar o verdadeiro Mamoru que se escondia nas profundezas daquela alma. Não seria vencida sem dar luta.

- Eu sabia! – pensou enquanto levantava o alfinete. MOON PRISM POWER, MAKE…– gritou sentindo-se com ânimo para lutar. UP!

Diante dos olhos de Kunzite surgiu no meio de clarões a guerreira da justiça, que olhava para ele com os seus olhos ternos. Pegou na espada e correu para ela. Sailor Moon saltou e este cravou a espada na estante da parede.

O que iria fazer? Por muita convicção que tivesse, apenas com o seu ataque da tiara não iria vencer. Kunzite tirou a espada da estante e correu novamente para ela.

- MOON TIARA ACTION! – gritou esperançada, atirando a sua tiara.

Com um simples golpe de espada a tiara foi atirada para fora janela do apartamento. Sailor Moon estava encurralada, não tinha como se defender.

Endymion levantou-se e disse a Kunzite para se afastar. Sailor Moon viu novamente a espada do seu amado a ser erguida para lhe deferir o golpe fatal.

De repente o seu cabelo começou a mexer-se freneticamente. Os restos dos bens materiais do apartamento começaram a levantar-se. Os vidros partidos das janelas foram arrancados. Sailor Moon sentiu um calor a percorrer-lhe o corpo. Sabia quem tinha vindo em seu auxílio. Kunzite, Endymion e Sailor Moon desprenderam-se do chão e começaram a rodopiar no ar. Um turbilhão de vento entrara violentamente no apartamento. As luzes tremeram e apagaram-se. Tudo ficou escuro. Apenas se ouvia o som ensurdecedor do vento a destruir tudo à sua passagem.

Gritou mas o vento abafara a sua voz. Sentiu medo, estava impotente, levada no meio daquela força bruta que a deixava sem saber o que fazer.

Era forte demais, o vento uivava tremendamente, as paredes ripostavam com o seu ranger ameaçando ceder. Os seus tímpanos davam sinais de alerta, sinal que se poderiam romper a qualquer momento. Tão subitamente como começara, o vento parou.

Foi atirada com força contra os restos do sofá partido, enquant Kunzite e Endymion foram arremessados contra o hall de entrada, partindo a porta do apartamento, fazendo soar o alarme geral que ecoou por todo o edifício. No meio do escuro, Sailor Moon vislumbrou uma sombra no parapeito da janela. Uns longos cabelos ondulados pairavam sobre a brisa, anunciando a autora de tamanha demonstração de poder.

- Como ousam enganar e atacar uma mulher indefesa?

As luzes voltaram.

- Atraída pelos ventos da mudança de uma nova era, a guerreira do Sistema Solar toma parte activa! Sou a guerreira da justiça, sou a guerreira que veste o branco dourado, sou Célimoon! E em nome da aliança luo-estelar vou punir-te! – disse uma mulher com uniforme dourado de marinheiro, com uma pose graciosa.

- Quem és tu afinal? – perguntou enquanto se levantava, com o coração a bater depressa.

- Ora, não ouviste a minha apresentação? – perguntou desapontada. – Sabes, é suposto prestares atenção a estas partes, não são só frases feitas.

- Sendo assim… - disse Sailor Moon picada, preparando o seu discurso. - Eu sou uma bela guerreira da justiça, Sailor Moon! E em nome da lua… vou castigar-te!

- A mim? – perguntou Célimoon surpreendida, com o dedo apontado ao seu peito.

- Sim, a ti! A não ser que me devolvas o Ginzuishou! Sei que o tens, vi-te com ele quando fui atacada pelo Olho de Tigre! – exclamou, ficando enervada.

- Ah sim, estou a ver… - disse sorrindo, percebendo o que Sailor Moon estava a dizer. - Infelizmente de momento não posso satisfazer o teu pedido!

- Estou FARTA que me tentem roubar o meu Ginzuishou! – berrou, ficando verdadeiramente furiosa. - Devol…

Célimoon juntou as mãos e mandou um fluxo de vento contra Sailor Moon, que a fez cair no chão dolorosamente.

- Que ideia é a tu… - gritou, parando quando se apercebeu que Célimoon lutava com Endymion. Caso ela não a tivesse feito cair, a espada de Endymion havia-a trespassado. Sentiu um arrepio pela espinha acima.

Célimoon defendia-se usando o cabo do seu ceptro, o primeiro ceptro de Sailor Moon, que agora era branco. Este havia aparecido do nada e exibia o Ginzuishou no centro da meia-lua.

- Poder negro! – uma série de raios negros envolveram Sailor Moon desprevenida, provocando-lhe uma dor intensa. Kunzite estava de pé com dois boomerangs afiados nas mãos. Ainda atordoada, Sailor Moon sentiu-se novamente desesperada. A sua tiara não resultava e o Tuxedo Mask não a vinha salvar desta vez. Kunzite correu na sua direcção com os boomerangs afiados como facas. Atirou-os. Esta gritou e colocou os braços à frente da cara.

Subitamente o Ginzuishou no ceptro de Célimoon resplendeceu, e a lua na sua testa apareceu novamente. Com uma explosão de luz, Kunzite foi repelido e caiu, transformando-se também numa pedra.

- Que… se… passa…? – perguntou ofegante, em estado de choque.

- É a protecção total do Ginzuishou! - explicou Célimoon enquanto se defendia dos ataques de Endymion, a transpirar, sendo quase trespassada pela espada.

Ouviam-se agora as pessoas a fugirem do prédio a correr, assustadas pelas explosões sucessivas.

- As pessoas próximas a mim… Quer dizer que o Mamoru pode mesmo…

- Sim, ele pode mesmo matar-te! A protecção do Ginzuishou não funciona contra ele! – gritou a guerreira, dando um soco no estômago de Endymion. - Ajuda-me! Ataca-o!

Sailor Moon ficou estática. Apesar daquela guerreira, que já a salvara várias vezes, estar em perigo não conseguia fazer mal ao seu amado.

- Eu… - disse tolhida.

- Esse amor cego que tens ainda vai-te custar a vida outra vez. – bradou enquanto recebia uma cotovelada de Endymion no peito. - CHEGA! – gritou Célimoon magoada, dando um pontapé na bacia de Endymion, fazendo com que este tombasse.

- Estás mais forte Selene, até já aprendeste uns truquezinhos de auto-defesa! – zombou Endymion limpando o sangue que tinha no canto da boca.

- É verdade Endymion, e adivinha o que aprendi mais? – disse Célimoon levantando o ceptro lunar. O seu cabo esticou e tocou no solo. Sailor Moon observou a pose épica de Célimoon, que segurava o longo ceptro enquanto o seu cabelo ondulado cintilava em contraste com a luz branca vinda da janela. LUNA CURATIO … - o Ginzuishou transformara-se numa bola de luz- ESCALATION!

Endymion ficou envolvido pelo poder do cristal. A luz branca envolveu também Célimoon, que estava a ficar enfraquecida.

- Ginzuishou por favor…! – suplicou, envolvida por uma onda de luz branca, enquanto segurava no ceptro que vibrava com o poder.

- Ela não vai conseguir… - pensou Sailor Moon. - Está a ficar demasiado fraca, e o poder negro no corpo do Mamoru parece muito forte…

Sailor Moon concentrou-se e aproximou-se de Célimoon. Esticou as mãos na direcção do ceptro.

- MOON HEALING, ESCALATION! – gritou.

O brilhou aumento, uma nova vaga de luz envolveu Endymion e Sailor Moon. Esta começou a sentir-se fraca, o Ginzuishou estava a roubar-lhe a energia. Subitamente algo aconteceu, estavam unidos os três. Célimoon segurava o ceptro, e a sua luz formou um triângulo entre eles. Sentia o coração deles, o calor da união perfeita. Um clarão de encheu o ambiente.

*

Estava num grande salão, muitas pessoas dançavam alegremente.

- Receio que há de haver uma série de guerras entre a Terra e a Lua. – dizia um homem Tuxedo Mask enquanto dançava. Permite-me que use esta máscara… Porque creio que te sentirás melhor, se não vires o teu futuro inimigo.

- Vais ser meu inimigo? – inquiriu o par do homem, um rapariga vestida de branco, enquanto dançava com um rosto preocupado.

- A Metállia é um monstro horrível, é uma energia maligna. – disse o homem seguro de si. A rainha Beryl anda a tentar manter a Terra e a Lua sob o seu poder, através dessa energia.

Um novo clarão ocorreu.

Encontravam-se agora na varanda de um lindo e imponente palácio. A Terra pairava como uma safira sobre o negro do espaço.

- Gostava muito… que pudesses confiar em mim. – disse o homem já sem a máscara.

- Confio…

- Serenity…

- Querido Endymion… - disse a rapariga enquanto o beijava. Uma lágrima correu sobre o seu rosto.

- Temos sarilhos grandes sarilhos! – gritou Luna correndo pelo salão de baile.

- Os terrestres estão a atacar! – bramou Artemis seguindo-lhe o passo.

Uma enorme explosão derrubou o castelo do Milénio de Prata.

- SHABON SPRAY! – bramiu Mercúrio, lançando uma coluna de água de sabão.

- FIRE SOUL! – gritou Marte lançando um feixe de chamas.

- SUPREME THUNDER! – raios urgiram da tiara de Júpiter.

- CRESCENT BEAM! - um raio de luz juntou-se aos poderes, em direcção ao monstro.

Os ataques das Sailors guardiãs, Espuma de Sabão, Alma de Fogo, Supremo Trovão e Raio Crescente juntaram-se num só, que foi absorvido pelo monstro, e arremessado contra as guerreiras, fazendo-as cair na morte.

Em outro local do palácio, a Princesa Serenity via uma figura a materializar-se do nada.

- Então és tu a linda Princesa Serenity?

A princesa recuou assustada.

- Ah, eu não suporto a tua linda cara! – gritou a Rainha Beryl cheia de odeio nos olhos dirigindo-se a ela com as unhas afiadas. Uma rosa atirada no momento do impacto evitou o pior.

- Rainha Beryl não te atrevas a tocar na princesa senão vais arrepender-te!

- Endymion! Porque estás a tentar ajudar a princesa da lua? Sendo príncipe da Terra, se ficares comigo poderemos governar juntos a Lua e a Terra, entendes! – disse Beryl triunfante.

- Rainha Beryl não percebes que estás a ser manipulada pela energia maligna da Metállia? Acorda! – bramou o príncipe. Vê a realidade!

- Cala-te, cala-te! Vou-te matar! – berrou de fúria.

Um raio verde separou Endymion e Sernidade. Este foi atirado pela varanda fora, mas permanecia suspenso no ar.

-Endymion, Endymion! – gritava Serenity desesperada.

- Serenity! – gritou ele tantando alcança-la.

A princesa olhou para o espaço. Conseguia ver uma figura longínqua de cabelos verdes ondulados a voar vertiginosamente em direcção ao Milénio de Prata.

- Endymion, querido Endymion!

- Não venhas! – gritou desesperado.

Mas era tarde demais, a princesa havia-se lançado na sua direcção. Assim que as suas mãos se tocaram, um raio veio dirigido a eles.

*

- NÃO! –gritou Sailor Moon abrindo os olhos, de onde escorriam abundantes lágrimas. Estava novamente no apartamento de Mamoru. Encontrava-se prostrada no chão, assim como Endymion e Célimoon. O símbolo negro que enfeitava a testa de Endymion havia desaparecido. Sailor Moon correu para o seu lado e segurou-lhe a mão.

- Usagi… - falou Endymion fracamente, também ele com os olhos cheios de lágrimas.

- Mamoru…! – gritou de alegria, abraçando-o. Finalmente tinha o seu amor de volta.

- Abrigo Dourado! – ouviu atrás de si. Um brilho dourado envolveu Endymion.

Sailor Moon voltou-se e viu Célimoon, com o Cristal de Ouro nas mãos. Este soltava faíscas e argolas douradas.

- O… o Cristal de Ouro?! – exclamou sentindo a fúria nas suas veias. - Tu também tens o… hã? – exclamou surpresa voltando-se para trás.

O corpo de Endymion estava a desaparecer, estava a ser transformado em argolas de luz, que entravam no Cristal de Ouro. Acabara por desaparecer totalmente.

Sailor Moon ficou sem reacção. Descobrira Mamoru e libertara-o do poder maligno, acabara de reviver o amor do passado, só para de seguida vê-lo desaparecer diante dos seus olhos. Afinal quem era aquela navegante que além de lhe roubar os cristais ainda lhe tirava Mamoru. Uma luz iluminou a sua mente.

- TU! – espumou de raiva voltando-se para Célimoon. - Tu estavas lá! Tu viste tudo! Estavas no Milénio de Prata quando tudo aconteceu!

O desespero transformara-se em fúria. Juntou as mãos e as palavras saíram-lhe da boa.

- LUNA… - um brilho surgiu na junção das mãos. FULGEO!!!

Um raio branco cheio de energia surgiu das suas mãos. Célimoon, que guardava distraidamente os cristais de volta no seu medalhão, foi atingida na barriga e impulsionada para a janela, caindo fora do apartamento.

Um silêncio de horror abateu-se sob o apartamento em ruínas.

- O que fiz eu…? – disse numa voz rouca olhando para as suas mãos.

- Sailor Moon. – chamou uma voz atrás de si. Voltou-se. Encontrou uma mulher de vestes pretas com um leque vermelho- Ah ah ah ah ah! – um riso irritante encheu o ar. - Com que então conseguiste livrar-te do príncipe e dos generais, mas não penses que me derrotaste!

Esmeralda abanou o leque e instantaneamente todo o edifício ficou envolto em chamas, excepto no sítio onde Sailor Moon se encontrava.

- PÁRA! – gritou pensando nas pessoas que se encontravam nos seus apartamentos.

- Os humanozinhos fugiram quando o alarme do prédio se activou… O que é realmente uma pena! – exclamou, sorrindo malevolamente. - A mestre vai ficar felicíssima quando souber que eu aniquilei a princesa da lua! E contigo morta, Cristal Tóquio nunca existirá no futuro. Finalmente vou cumprir o desejo do Príncipe Diamante, após tantos anos. – suspirou com nostalgia, lembrando-se do seu antigo amado, enquanto o calor aumentava. - Não te posso matar directamente por causa da maldita protecção do Ginzuishou, mas o meu lindo fogo dá conta do recado! Ah ah ah ah!

O fogo estava em todo o lado, o calor era abrasador e o ar irrespirável, Sailor Moon tentou fazer o seu novo ataque.

- Luna… Fuleo… - gritou inutilmente, pois caíra já sem forças. Não conseguia respirar, o calor era intenso e o fumo turvava-lhe a visão. Tudo estava a escurecer, o seu sopro de vida estava a desaparecer, o riso de Esmeralda estava longe, era o fim. - Mamoru, Chibi-Usa… - suspirou com as suas últimas forças.

- DEEP – ouviu o barulho de águas turbulentas e um grande clarão. SUBMERGE! – o globo azul percorreu o apartamento apagando a chamas.

Sailor Moon sentiu as suas forças voltarem, finalmente após tanto tempo ouvira aquela voz. Olhou para o parapeito da janela.

Envoltas num furacão encontravam-se três guerreiras, que de seguida entraram no apartamento.

- Atraída por uma nova era, a guerreira dos mares profundos, Sailor Neptuno, toma parte activa!

- Também atraída por uma nova era, a guerreira dos céus, Sailor Úrano, toma parte activa!

Olhou para as duas guerreiras que conhecia tão bem. Agora com cerca de vinte e quatro anos, Neptuno e Úrano pareciam mais belas que nunca.

- Atraída pelos ventos de mudança, a guerreira dos ventos e intempéries volta a tomar parte activa! – anunciou Célimoon saindo do furacão, com a mão na barriga.

As três juntaram-se e anunciaram.

- Somos as Guerreiras do Espaço Exterior!- proclamaram jubilantemente.

- Atirar-me pela janela fora não resolve os teus problemas. – avisou, com ar superior.

Ao contemplar as três guerreiras, Sailor Moon não pôde deixar de reparar na semelhança que unia Neptuno e Célimoon, e então compreendeu porque as confundiram quando avistaram Célimoon pela primeira vez no festival do templo. Célimoon era mais alta e tinha os cabelos mais longos e ondulados, de uma tonalidade mais verde e escura. Os seus olhos eram maiores e de um tom azul-escuro. Enquanto que Neptuno envergava um uniforme escuro, Célimoon vestia um uniforme claro e com adornos dourados. Ambos tinham a mesma pose graciosa.

- Úrano! Neptuno! – exclamou feliz.

- Olá cara de lua! – saudou Úrano.

- Foi por pouco. – disse Neptuno ao contemplar o estado de destruição.

- Chega de conversa! Morram, morram! – gritou Esmeralda furiosa, que novamente abanou o seu leque e dezenas de bolas de energia vermelhas saíram de lá.

Num gesto rápido Úrano saltou para a frente de Sailor Moon e envocou a sua espada.

- SPACE WORLD BLASTER! – gritou, lançando poder que destruiu as esferas. Um raio de energia raspou a face de Esmeralda.

- Mas o que… - disse lívida levando a mão à face. - S-sangue?! Tu… atreves-te a estragar a minha cara?! – gritou num surto de fúria. O seu leque transformou-se numa longa corda vermelha que envolveu Úrano com uma força imensa.

- Úrano! – gritou Neptuno instantaneamente ao ver a sua companheira sendo apertada brutamente pela corda.

- Pára! – gritou Sailor Moon pondo-se à frente de Úrano na tentativa de romper a corda.

- NÃO! – berrou Célimoon ao ver a corda largar Úrano apenas para envolver Sailor Moon, arrastando-a até Esmeralda. Esta pegou Sailor Moon pelo pescoço. O seu leque largara-a e transformara-se num punhal, que esta encostou à garganta de Sailor Moon.

- Sailor Moon! – gritaram as três ao vê-la à mercê de Esmeralda.

- Agora o jogo mudou! – sorriu Esmeralda. - Dêem-me o fragmento imediatamente!

- Fragmento? – pensou Sailor Moon rapidamente. Já não era a primeira vez que Esmeralda parecia desesperada para obter esse objecto.

- Rápido… - gritou Esmeralda fazendo mais força na sua garganta. A lâmina no punhal feriu a pele e esta começou a sangrar. Sentiu medo ao mesmo tempo que o sangue corria pelo seu corpo.

- Então mas ela não está protegida pelo cristal? – perguntou Úrano em surdina, com a mão ainda no pescoço magoado.

- O cristal já foi utilizado demasiadas vezes hoje, acho que ela pode mesmo ficar magoada desta vez. – respondeu Célimoon suando.

- Temos que fazer algo, ela não sai dali sozinha. – replicou Neptuno.

- Sozinha? – disse Célimoon mudando a sua expressão, lembrando-se de uma tática. – Sailor Moon! – exclamou alto. - Procura o poder dentro de ti mesma, só tu te podes salvar. Há pessoas que dependem de ti, não podes fraquejar agora!

- CALA-TE! – berrou Esmeralda descontrolada apertando o punhal cada vez mais no pescoço ensanguentado.

Sailor Moon olhou os olhos azuis de Célimoon. Pensou no mundo que conhecia, nos amigos que protegeu até agora, na sua filha, no Mamoru, na sua mãe que há milénios deu a vida para que ela pudesse viver. Sentia aquela força de viver concentrada nela. Fechou os olhos ao mesmo tempo que uma lágrima escorria pela sua face. Via a Rainha Serenity, via o Milénio de Prata. Um poder dentro de si desabrochava.

- Evolui agora! – exclamou, levantando o seu medalhão que brilhou intensamente.

- MOON CRISIS… - gritou, libertando uma aura que expeliu Esmeralda contra as cinzas do chão. - MAKE UUUUP!

Um clarão de luz revelou a evolução da Super Sailor Moon, uma guerreira com algum poder novamente.

- Bravo! – sorriu Neptuno.

- Mas como…? – perguntou surpreendida olhando para a sua nova transformação.

- Sempre tiveste e tens o poder dentro de ti, apenas tens que o saber controlar e usar. – explicou Célimoon, encaixando novamente o seu alfinete. - Já podes utilizar o teu novo ataque sem restrições. Desde que não o dirijas a mim…!

- COMO SE ATREVEM?! – berrou Esmeralda frustrada por mais um plano furado. - Odeio-te com todas as minhas forças Serenity, odeio-vos guerreiras da lua branca, vocês devem morrer! - as paredes começaram a rachar. - Cristal Tóquio, o Milénio de Prata NÃO vão existir no futuro, o sistema solar cairá nas nossas mãos eu serei a rainha da Terra e governarei finalmente! PODER… - O prédio começou a tremer fortemente. Uma névoa negra envolveu Esmeralda.

- Um… - disse Neptuno.

- Dois… - cooperou Úrano.

- TRÊS! STAR HURRICANE! – gritou Célimoon formando o seu poderoso furacão.

- WORLD… SHAKING! – anunciou Úrano, fazendo o chão tremer ao lançar o seu globo de luz.

- SUBMARINE REFLECTION! – disse lançando a energia do seu espelho.

Os três ataques combinaram-se num só dirigido a Esmeralda. Esta contra-atacou lançando o seu leque, que agora estava envolto de uma luz verde com raios negros.

- Saltem! – gritou, empurrando Sailor Moon pela janela abaixo.

Quando os poderes das Sailors e de Esmeralda colidiram, um som ensurdecedor tomou conta do ambiente. Com um barulho de terror o prédio estava a desmoronar-se.

- SOCOROOOOO! – gritava Sailor Moon enquanto caía em direcção ao chão.

Célimoon levantou a mão em direcção ao céu. O ar ficou mais leve, a queda afrouxou, até que aterraram em segurança dezenas de metros abaixo.

- As pessoas no prédio! – gritou, vendo uma nuvem de pó cobrindo o céu por cima de uma montanha colossal de destroços.

- Não estava lá ninguém, fugiram todos antes. – anunciou Célimoon pálida e cansada.

- Tu! – exclamou Sailor Moon virando-se para ela. - Sei que o tens aí dá-mo! – gritou agarrando-lhe o medalhão.

Úrano interveio e agarrou nela.

- Estás louca?!

- Larga-me Úrano! Ela tem o Mamoru! – gritou com os olhos forrados a lágrimas.

- Acredita, se alguém tem o direito de ficar com o Endymion essa pessoa sou eu. - replicou Célimoon recompondo-se.

- Como te atreves a dizer isso? – indignou-se com as afirmações da estranha. - Tu não fazes a mínima ideia da nossa história juntos, não nos conheces! Afinal quem és tu?!

Célimoon olhou para o chão e respirou profundamente.

- Digas o que disseres, faças o que fizeres o Endymion fica comigo. – disse friamente.

- Úrano, Neptuno! – gritou a chorar, olhando nos olhos das amigas em busca de apoio.

- Desculpa, mas… sabemos o que fazemos. – declarou segura, recusando o pedido de ajuda.

- Mantenham-se unidas. Já viste o que o inimigo pode fazer, treinem, protejam-se. Não vos podemos pedir para ficarem fora da luta desta vez, é muito maior que isso. – disse Neptuno olhando para os destroços do prédio.

Ouviram-se sirenes da polícia e viam-se pessoas ao longe, atraídas pelo estrondo.

- Não é seguro estar aqui.

- Desta vez, disse Célimoon dando as mãos a Úrano e a Neptuno, os alvos são vocês.

Prevendo o que ia acontecer, Sailor Moon saltou para as tentar agarrar.

- SAILOR TELEPORT! – gritaram as três, desaparecendo no ar enevoado.

Caiu no chão, no sítio onde Célimoon estivera instantes antes.

Não tinha forças para se levantar. Só agora de dera conta no estado em que o seu corpo se encontrava. A adrenalina da batalha desaparecia deixando lugar à dor física. A sua transformação quebrou-se. Perdeu lentamente a consciência enquanto ouvia as sirenes das ambulâncias cada vez mais próximas sob um denso manto de fumo que enegreceu o céu.

1 Referência ao Capítulo 4

2 Referência ao Capítulo 3

3 Referência aos acontecimentos que envolveram os quatro generais no primeiro arco do manga