Cap. II - Verdade

Layla estava linda, num vestido preto frente única, até mais ou menos a altura do joelho e um sapato de grife de ponta de agulha, um colar lindo cobria seu busto ofegante, mas algo nela estava diferente, seus olhos estavam muito vermelhos e sua maquiagem parecia ter passado na guerra. Encarou Leon do mesmo jeito de sempre exceto pelo de que apesar de tudo estava vulnerável como qualquer um que acabara de terminar um relacionamento.

- Vai me atender na porta ou tem algo ai dentro que eu não possa ver? – o seu jeito era tudo menos grosso, porém Leon se sentiu com uma raiva imensa.

Ele deu passagem a ela, e esta bateu forte o salto do chão e se sentou no sofá tentando arrumar um pouco sua imagem.

- Deseja algo pra beber? – disse num tom arrogante.

- Não obriga... da...- sua voz tremera muito e ela deixou uma lágrima cair sobre sua perna mas não cedeu.

Até Leon se assustou naquela cena, ela chorando! Não era possível, ele realmente não sabia como agir afinal ela não era nada dele, muito menos amigo e confidente. Porém, era Leon, o melhor artista de circo, e era profissional, agiu profissionalmente lhe dirigindo com seriedade a palavra:

- Sobre aquele assunto no ginásio, quero que me explique ele – pronto, falou, mas a reação não foi a esperada.

- Você vem me perguntar disso agora! Nesse estado em que me encontro! – ela se levantou violentamente e começou a gritar com ele.

- Você é frio assim ou é de nascença?! Não vê que eu estou mal, não percebe quando alguém está mal! Você é digno de pena...

- Mas eu não sou nada seu! Não pode vir aqui e gritar comigo só porque você teve um problema amoroso! - pronto. Estourou. Juntou seu rancor da notícia de sua queda, mais a cobrança do Kaleido Star e a presença de Layla e saiu rasgando sua dor sobre ela.

- Eu estou mal e você ainda vem falar a respeito de trabalho! Pelo amor de deus! – Idem ela, apesar de tudo ele era o único naquele momento e solitária, ela o enfrentou e apesar de sua dor que gritava, mais alto era o som da fênix em brasas derramando suas lágrimas que curam sobre si, na intenção de abrandar a dor de ter seu coração dilacerado pela perda:

- Não foi para isso que você veio!? Ou você esta aqui só para chorar no meu sofá! – ele perdera-se naquela cena, ela linda chorando, mexia com ele, mas seu ego ainda gritava, nada mudava sua atitude.

Eles se alteravam um com o outro, gritavam e diziam tudo o que o outro realmente não precisava escutar, o escorpião brigava com o leão e as patadas e picadas não se cessavam. Quando a briga ficou exaustiva demais, Layla chegou ao estremo, avançou contra Leon e deu-lhe um tapa na cara, ele virou com violência para ela e quando finalmente aceitou a sua dor, viu que ela chorava lágrimas de dor e pena, de ódio e rancor... Fraqueza.

Ela cedeu sobre seus ombros altos e deixando que seus dedos passassem sobre seus doces cabelos, começou a escorregar até que ficou pendente no corpo dele que cheirava a um perfume doce e acalentador, para que ela não caísse, ele a segurou e a levantou no colo, ela ainda chorava lágrimas de fúria e começou a segurar seus ombros com uma força que o fez sentir dor, levou-a a sua cama e a pôs levemente sobre os lençóis brancos, ela fechou os olhos cansados e ele a assistiu adormecer como um anjo apunhalado pelas costas.

Leon sentou-se no chão encostado na parede, pensando no que havia acontecido a ela, a luz do abajur iluminava o rosto dela, e começou a reparar mais em sua beleza, vendo os vestígios das lágrimas marcando o seu rosto claro, o lápis de olho que manchava seu travesseiro, e começou a se aproximar mais e mais, analisando seus cabelos loiros sedosos, suas mãos com calos sob o rosto, acompanhou desde seus pés naqueles sapatos caros amassando o lençol até suas pernas bem torneadas sob o vestido que se encontrava na linha do quadril excitantemente belo, podia já sentir sua respiração sobre seus cabelos prata, as batidas do seu peito, seus soluços agonizantes, que aos poucos se acalmavam, até que chegou perto demais dos seus lábios rubros manchados docemente de batom... Afastou com seus dedos os cabelos que escorregavam por sua face e a beijou...

Um beijo rápido e simples apenas para sentir o calor dela, e se afastou como se tivesse levado um choque, ela ainda dormia seu sono, e ele ainda assustado foi em direção a sala, pensando no que havia feito, era aquilo que ele buscava tanto, aquela seria a resposta? Recostou-se no sofá lembrando-se do que havia feito, ele, o irredutível Leon, estava apaixonado? Amando novamente? Sentou-se no sofá e deixou-se levar por pensamentos, sobre ele, sobre ela, sobre o Kaleido Star, sobre o que sentia, sobre seu passado, e dormiu.

Na manhã seguinte o sol entrava pelas frestas da cortina da sacada, ele despertou tentando fazer do momento da noite anterior um sonho. Esquentou um pouco de leite, pôs água para um chá e usou pão integral e peito de peru para fazer um lanche, era aquilo que de costume tomava, e foi verificar como ela estava.

Tomou um susto ao entrar no quarto e não vê-la na cama, ela saiu do banheiro assustada, seu rosto estava limpo e o vestido um pouco amassado, estava sem o salto, ao vê-lo no quarto apenas disse:

- Desculpe-me pelo escândalo de ontem isso não irá se repetir...

- O que exatamente aconteceu ontem? – ele disse rapidamente, tentou remediar a sua ignorância da noite anterior, e resolveu conversar.

- Eu iria me casar com Yuri porém, quando disse que eu iria te procurar para que pudéssemos executar uma técnica juntos, ele se alterou e disse que não iria aceitar me ver com você, assim eu disse que eu queria trabalhar com você por um motivo particular, ele disse que estaria tudo acabado se eu fizesse isso e eu disse...- a pausa dela foi característica dela, parar pensar e levantar a cabeça pois o que está feito está feito – que terminaria se fosse necessário.

- E isso aconteceu quando você estava onde?

- Aqui na porta do seu dormitório. Antes nós tínhamos ido a um jantar sobre o F.I.C., e ele me deixou aqui para depois vir me buscar.

Tudo se encaixou. A briga, suas roupas exceto a parte da acrobacia, o que ela queria dizer como particular?

- Do que se trata essa acrobacia? – fugira do assunto antes que ela dissesse algo mais – o que tem de tão misterioso assim que a tenha feito agir assim?

- Você recebeu treinos com Alan, ele é realmente um artista famoso, porém é mais conhecido como treinador, eu descobri nesse jantar e através de contatos que ele tem uma técnica secreta, que executou somente uma vez com o que deveria ser sua parceira porém, na verdade era o amor de sua vida. Eu quero que você e eu recebamos o treino dele para essa técnica, da qual você não aprendeu devido ao fato de não ter concluído seu treino, após a morte de sua irmã... –Layla foi sucinta e franca, sabia que não iria ganhar fácil, porem deixou que ele se expressasse antes de agir.

- É tudo o que eu não quero fazer, primeiro a minha parceira é a Sora e eu não aceito mudar isso, depois voltar à França faria tudo aquilo que eu enterrei voltar à vida, eu quero mais é que Alan e essa sua amante morram, e você não tem o direito de tirar conclusões precipitadas sobre o porque eu saí de lá, isso não se deve a seu respeito.- Leon sabia o porque saíra, e Alan era um dos motivos mais fortes, Layla queria algo que ele não podia encarar, não ainda, não agora que tinha Sora.

- Eu entendo a sua raiva porém tem de ser você! Estas pessoas me disseram que só pode ser você pois você é o único que recebeu o treinamento adequado...

Leon se virou com raiva e fazendo seus cabelos prata brilharem sobre o quarto:

- Não aceito, se só pode ser eu então sugiro que você não a faça, peço que você vá embora, não é muito bom que nos vejam juntos, ou seja, minha resposta é não. – e se virou com raiva.

- Então serei obrigada a recorrer ao Julian Jacques, o outro pupilo do Alan então...- ela pegou no ponto fraco de Leon, dera sua última cartada.

Agora não havia como voltar atrás, ou ele iria mandá-la para fora, ou responderia mal, ou... aceitaria.

- Julian! Você recorreria ao Julian! Aquele infeliz! – ele estava roxo de raiva e ela feliz, sabia do problema dos dois, há muito tempo - ele é tão incapacitado quanto a Rosetta que ao menos recebe treinos periódicos da Sora, ele nem sabe o que é interpretação!

- Bom se não for você eu terei de falar com ele... – ela ganhara a briga, ele iria aceitar e ponto.

- Eu vou pensar mas você terá que falar com ele.

- Eu falarei com ele desde que você aceite.

- Eu não aceitei ainda porém seria meio caminho andado se você já arrumasse tudo – ele foi violento porém já articulara o suficiente:queria tê-la nas mãos e esfregar na cara de Julian o quanto bom estava.

- Eu irei ver no o que posso fazer e eu aceito qualquer treino seu ou dele mas, nós iremos executa-la juntos no F.I.C.

- Eu aceito desde que cuide de toda a parte burocrática.

- Certo!

Ela ganhou fácil, ele dissera praticamente que iria fazer isso por causa da briga, e com Alan era só mexer umas peças para ele aceitar, a tal técnica secreta seria um sucesso e ela e Leon voltariam ao topo como tanto ansiavam, fazer história sobre a história da fênix dourada e do deus da morte criando assim algo que nem o passado nem o futuro seriam capazes de parar, um deus e uma fênix, algo que renasce das cinzas porém com o poder de um deus!