Cap. V – Déja vu

Sua chegada na França foi calma, após aquela decisão ele e Layla providenciaram malas, passaportes e embarcaram com Alan rumo a Paris, no avião os fragmentos do ocorrido ainda perturbavam a mente de Leon que remexia cada uma delas.

Após aquele maremoto Kalos tomou a frente das negociações e concluiu aquele martírio:

- Bom decidido então, Leon você defenderá o título em nome do Kaleido Star juntamente com Layla, assim terá tempo até o seu contrato espirar e poderá ir para onde Alan te levar, May você ira ficar por sua conta, e Sora...

Sora estava em choque aceitou ceder Leon a Layla mas não seria para sempre, seria por alguns meses, o que seria dela então?

- Sora – continuou Kalos – você será sozinha daqui para frente. E encerremos o isso agora, estão todos dispensados exceto Yuri, Layla e Leon.

Todos obedeceram a Kalos e saíram e os três permaneceram na sala:

- Agora vamos ao nosso incidente – Kalos queria deixar claro antes do embarque e finalizar a ânsia de Yuri – Não foi correto o que fizeram, Layla e Leon, poderiam ter acertado os detalhes aqui, tentem não causar mais embaraços sabem que aqui não é lugar de romance, e as suas atitudes terão efeitos sobre o Kaleido Star, Yuri satisfeito?

- Sim – na verdade aquele sim foi mais para dizer que venceu, provando para Layla que Leon era um grande cafajeste que só pensava nele, iria abandonar o Kaleido Star para seguir sua vida e assim o fez – Espero que se divirtam na França.

Ele saiu da sala e bateu a porta, aquilo pareceu estar na verdade estar batendo a porta do coração de Layla que estremeceu quando isso ocorreu, e uma leve sensação de vitória por parte de Leon, apesar de tudo.

- Vocês serão agora nosso chão e lá serão nossas esperanças, vocês embarcam hoje no final da tarde em companhia de Alan que irá hospedá-los em sua casa, tirem o dia de folga e se arrumem para ir, boa sorte – Disse Kalos calmo.

Eles se viraram, Leon abriu a porta e deu passagem a Layla, no corredor tomaram sentidos opostos, Leon iria ao seu camarim pegar suas coisa e Layla para casa arrumar as malas.

A partir daquela afirmação eles embarcaram rumo à França rumo à verdade e principalmente aos seus desejos, a contagem até aquele momento em que eles se apresentariam e possivelmente ganhariam havia começado, e a tenda ruiria sendo assim o fim do Deus da Morte e o inicio de uma possível nova vida, talvez.

Não houve conversa durante o vôo, apesar de Leon, Layla e Alan estarem lado a lado, desembarcaram tranqüilamente. Tomaram um táxi e a caminho da casa de Alan, cada um deles podia ver a cidade luz brilhar intensamente e para eles aquilo nada mais era do que o brilho da mudança. Encaminharam-se para o galpão acoplado a uma bela casa com três quartos onde Leon viveu grande parte de sua vida com Sophie, mas agora ao lado dele estava Layla, ela não se incomodou com as acomodações nem com o local que era belo e perto do centro de Paris:

- Layla – disse Alan ao abria a porta – Ao subir a escada o primeiro quarto é seu, seguinte ao seu ficará Leon e o meu fica no fundo do corredor, peço que durma aqui pois os treinos começarão cedo e sem hora para acabar.

Leon entrou após Alan e fechou a porta, aquela sala com um sofá branco simples, o cheiro dos tacos de madeira do chão, atrás do sofá a mesa onde eles comiam, a cozinha delicada à esquerda, o banheiro a direita, e no fundo do corredor o acesso ao galpão de treinos, e lindas janelas decoradas eram o ambiente mais lindo para quem quer que entrasse lá, mas para Leon aquilo seria o inicio de uma tortura sem fim.

Layla subiu as escadas e entrou em seu quarto e lá se deparou com uma sensação estranha, tinha um ar leve de criança no quarto e um cheiro de flores, logo presumiu que aquele seria o quarto de Sophie e se assustou ao encontrar Leon parado a porta.

- Ela dormia aqui – ele disse com os olhos mais humanos do que de costume – E adorava olhar pela janela à noite.

Realmente havia lá uma janela que dava para a rua e podia-se ver de longe a torre Eiffel perto dali.

Layla não gostou daquela sensação, saiu do quarto, desceu as escadas e disse a Alan:

- Quando começaremos os treinos?

- Amanhã de manhã – ele estava fazendo uma sopa e o perfume dela fez Layla reparar que ele tinha cara de um pai que queria o bem dos filhos, mas o que naquela casa assustava ela?

- Eu vou sair um pouco, se não se importar voltarei antes do jantar prometo – pegou seu casaco e saiu.

- Então Leon – Alan finalmente dirigiu a ele a palavra – o que ela tem para você estar tão inquieto? Você não mudou nada – ele soltou uma risada simples.

- Você não me conhece, e ela será a minha ascensão ao topo, não é? – ele queria correr e fugir mas permaneceu ali quieto analisando a si mesmo, estava tão obvio assim o possível sentimento dele por ela?

- Ela será sim sua ascensão ou...- ele deu uma parada experimentou a sopa e disse – sua queda... você se esqueceu que pode amar também.

- Eu não amo mais nada a não ser eu mesmo – ele fez o mesmo que Layla, pegou seu casaco e saiu batendo a porta.

- Não se esqueça Leon essa cidade é a morada de seu passado apesar de tentar buscar nela seu futuro – disse Alan, desligando fogo e se dirigindo a janela.

No caminho que Layla fazia via as pessoas abraçadas, os casais apaixonados de Paris, e aquele ar de amor, continuou a andar pela avenida principal de Paris e se deparou com a Torre Eiffel que estava acesa devido ao horário, lá ela se sentiu só, refletiu sobre a decisão de Leon de abandonar o Kaleido Star apenas por sua técnica que ela pediu para ele executá-la, por quê?

De nada valia aquilo, largar o Kaleido Star por ela... Será que ele...? Não ele não poderia gostar dela, era prepotente demais para tanto mas e ela o que sentia?

Em sua divagação, não percebeu a aproximação de um rapaz.

- Linda essa vista não concorda? – Ele disse com um tom carinhoso e belo – Aqui é a morada de muitos anjos se você não sabe.

Layla ia ser rude com ele, mas parou e pensou que ele era apenas um morador de lá, de certo era, ele era um jovem lindo, de feições angelicais, olhos azuis calmos, um cabelo loiro preso a uma trança que atingia o meio das costas formando cachos na ponta, com mechas revoltas que se soltavam por causa do vento e batiam em seu rosto, isso dava a ele um jeito excitantemente belo, alto e robusto, tinha um corpo de um deus, rosto levemente arredondado, dava a ele um ar de anjo caído das nuvens. Estava lindamente vestido, um sobretudo preto cobria seu corpo, usava sapatos de grife, calça acinzentada e cachecol branco,o que provava que ele era alguém rico e importante, ele a lembrava alguém mas fosse quem fosse ele era maior, melhor e mais do que tudo, poderoso.

- Sim, porem precisa-se de alguém que possa observá-la com você. – ele disse docemente quase que sussurrando em seus ouvidos.

- Alguém como - Ela logo pensou que ele iria cantá-la mas preferiu apenas ouvi-lo e respondeu como que não procura grande coisa naquilo – como um namorado?

- Layla esqueceu-se de dizer que o nome dessa pessoa é Yuri – O jovem disse.

Ela virou-se para ele com violência e viu então seu rosto mais de perto, ela não tinha dito seu nome, mas ao reparar viu a personificação do seu anjo em puro mal. Seus olhos dilataram, seu corpo esfriou, queria fugir mas foi agarrada, ele tampou sua boca e disse olhando para ela com os olhos frios e cruéis:

- Lembrou-se de mim só agora? Prazer em conhecê-la sou Julian Jacques.

E ela começou a desejar que alguém a salvasse daquilo, mesmo sendo esse Leon. Onde ele estaria?

Instantes antes Leon vinha andando duro, aquela conversa o fez se sentir estranho, se ele gostava dela o que iria fazer? Ela ama Yuri, nada faria pra mudar isso, nada, viu naquela cidade tudo o que queria esquecer, mas o mais importante estaria com ela, Layla.

Já não tinha rumo, andava sem saber para onde ia.

"Ela veio para me ajudar, eu serei o melhor após a vitória e saberei a verdade" era isso, seria frio e calculista até o final. Em seguida começou a correr como se fugisse de alguém, na sua pressa já estava na praça da Torre Eiffel, e com tudo esbarrou em uma mulher da rua, com seus reflexos rápidos a agarrou e puxou contra si, a dama agradeceu:

- Merci – disse a jovem.

- ... De nad... – Leon reparou então, era ela, a mulher que amou, seu nome, Cléo, era ela seu anjo, ou demônio, que o puxou do buraco, mas o empurrou num precipício, ela lembrava uma princesa, tinha a pele clara e cabelos negros como a noite, seus olhos azuis como o mar em noite de lua, lábios rubros como rosas, pele macia de pêssego, olhar de virgem apaixonada, corpo de deusa do Olimpo, e pertencente ao homem que ele tanto odeia. – Cléo... –

Leon ! – sua interjeição foi doce, ela também não pensava que o veria ali, só soube abraçá-lo e dizer – que bom que voltou! Estou feliz que esteja aqui!

Ela o abraçou com vontade como se nunca quisesse tê-lo deixado ir.

Num turbilhão de pensamentos que passaram por sua cabeça Leon pode se recordar dela, ao menos o que não esquecera...Sim era ela, o mistério por traz da frieza de Leon, essa tal dama de nome Cléo, na verdade era um dos vários aprendizes de circo que haviam na época de Leon. Ela, Leon e Julian possuíam mestres, e ambos, ele e Julian, a conheceram num mesmo dia.

Era um dia chuvoso, disso ele se recordava, ele e Julian tinham ido ao centro para ganhar algum dinheiro com suas acrobacias, porem a chuva estragou seus planos, desciam as ruas com velocidade, pisando nas poças de água. Quando chegaram em casa, estavam encharcados, tremendo e com fome, ao entrarem tomaram cuidado para não deixar Alan vê-los molhados, mas de nada adiantou:

- O que vem a ser isso? – Alan gritou do corredor do térreo ao vê-los naquele estado – molhados, na minha sala? Querem ficar doentes e estragar todo o trabalho que tive para ensiná-los? Vão tomar banho agora e depois limpar essa bagunça.

Quando estavam para subir as escadas uma pessoa veio atrás de Alan, ela era o que os homens deveriam chamar de "perfeita", na época ela lembrava uma boneca de porcelana frágil, que Leon gostaria de proteger e manter ao seu lado e que Julian queria para expor e dizer que era propriedade dele, Leon na sua pura inocência da época, corou ao ver tanta beleza junta e nem um "olá" foi capaz de dar, já Julian, apesar de ter a mesma idade, foi tão cordial e simpático que deixou-a encabulada:

- Olá meu nome é Julian e acho que você é um anjo que caiu do céu de tão bela que é – Julian não sabia o que seria aquele calor no peito dele, e como Leon não se pronunciara entreviu – e esse aqui é Leon, Leon Oswald...

- Hã, o quê? – Leon estava absorto na dama, que estava com um vestido branco longo, chinelos simples e um casaco preto sobre os ombros, depois somente é que pensou em responder – haa... oi.

- em conhece-los, meu nome é Cléo Valentine – ela disse com um sorriso inesquecível para Leon.

- Leon ! Está molhado! Vem tomar banho! Anda! – Sophie encontrava-se no topo da escada, descera para ver o que tinha acontecido, e junto com ela trazia toalhas para os dois.

Ela delicadamente secou os cabelos de Leon e em seguida os de Julian, e então se apresentou:

- Olá! Sou Sophie Oswald, prazer em conhece-la! – disse cordialmente.

- Prazer. – disse ela.

Logo após uma seqüência de chamadas de atenção de Alan, eles foram tomar banho.

Esse fragmento da memória de Leon era talvez o fato mais marcante nela. Após aquele encontro, e após o banho, Alan explicara a eles que ela iria ficar junto deles por um tempo, tomaria lições de circo pois ela iria fazer um teste para trabalhar num circo da região, tinha sido enviada por sua mestra da Sicília para ter aulas com Alan e permaneceria até o dado teste, se passasse ficaria na França, senão voltaria para casa, ela passou e ele, Leon, acabou por se apaixonar pela boneca que depois virou seu anjo e mais tarde seu demônio, e agora uma lembrança indesejada.

Leon estava inquieto, após esse lapso que durou segundos, quando estava começando a ficar calmo e aceitara que não iria se envolver com Layla, ela aparece, linda, e solitária. Ele via nela seu brilho, era maior que todas as estrelas, sua aura era mais forte do que qualquer anjo, era ela que Sophie amava mais no mundo, era ela solitária, perdera grande parte de seu brilho, algo nela gritava.

- Não gostou de me ver? – disse clama

- Não. Aliás, nem sei o porque te encontrei – Leon disse frio, tentando voltar ao seu estado são, e afastou- a de seu corpo.

- Estou procurando por Ju...- não completou – bem, nada.

- Ainda está com ele! Não acredito que ele conseguiu te prender por tanto tempo – ele saiu andando procurando por Layla.

- Eu... Sim, estou – ela disse aquilo triste, abaixando a cabeça – nós vamos nos casar, em breve.

- Meus parabéns – foi um cumprimento, sarcástico na verdade, e ela sabia o porque – se me dá licença.

- Não, não dou – ela começou a segui-lo – você não falou comigo após aquele...

- Acidente? – completou Leon, queria achar Layla, agarrar-se a ela e tentar esquecer aquilo.

- Bem... É. – ela estava constrangida, sabia daquela historia, encará-la era doloroso demais, mas precisava contar-lhe o ocorrido.

E ela continuou a segui-lo, e ele a buscar Layla.

Layla estava em perigo, Julian a alertou de que qualquer grito, pedido de ajuda ou tentativa de fuga acarretaria num grave problema para ela, mas ela já sabia que ele não brincava com isso. Apesar de Leon levar o titulo de Deus da Morte, Julian era conhecido como Estripador, ele não machucava ninguém, dentro dos palcos, mas quando pessoas iriam enfrenta-lo ou se confrontavam com ele, estas se acidentavam, se machucavam, ou de alguma forma não poderiam comparecer as suas apresentações, ás vezes até problemas com familiares ocorriam, sempre que alguém o encontrava no caminho, mas ninguém fazia nada, era tudo "parte do show", mas Layla não entendia o que aquilo tinha haver com ela. Ele a agarrou pelo braço e começou a arrasta-la, por lugares que ela não conhecia, e para piorar ele começou a contar uma historia, de uma forma que a fez temer:

- Bem Layla, eu vi nos jornais seu envolvimento repentino com Leon, interessante, posso te contar uma história - ele olhou para ela, e ela claro não queria ouvir, mas continuou – Posso? Que bom então vamos lá.

"Era uma vez, dois garotos que perderam seus pais juntamente com uma linda garotinha, bom os nomes deles eram: Leon e Sophie Oswald e Julian Jacques. Eles viviam num orfanato após a morte de seus pais, e eles viraram amigos e brincavam muito, mas o que eles mais gostavam era das artes circenses, eram admiradores, mas não podiam assistir a shows porque não tinham dinheiro ou ter aulas por causa que era muito caro, assim eles começaram por si próprios treinar circo, desde malabares com bolas, até diabolos e acrobacias. Num belo dia um homem foi ao orfanato com uma mulher, eles ficaram a olhar as crianças, e os garotos sabiam que eles não seriam adotados, afinal eram grandes, tinham quase 12 anos de idade, nunca seriam escolhidos, e assim continuaram seus treinos, nada muito excepcional mas chamava a atenção de como manipulavam objetos, e faziam acrobacia entre si, quando já estava quase escurecendo, e os jovens estavam exaustos, tinham desenvolvido umas duas técnicas novas e iriam entrar para comer e dormir, quando de repente o jovem e a moça se aproximaram deles, eles receberam o convite para serem aprendizes de circo! Eles ficaram muito felizes, mas... O homem só queria os rapazes e a pequena garotinha iria ficar, logo seu irmão mais velho se pronunciou e disse que não iria sem sua irmã, o outro gostava da companhia deles, mas ele queria ser grande, e não se importava muito com eles, mas pensou "e se ele fizer algo comigo? E se quiser me matar?"Ele pensou, então achou mais sensato apoiá-los, o homem queria os rapazes, mas vira que não iria ter nenhum, acabou cedendo.

Eles foram com o homem, que se chamava Alan, e descobriram que ele era uma grande artista de circo que agora era treinador, e a moça também só que ela era da Itália, na região da Sicília, e ela fora embora para o seu país de origem. Quando os treinos começaram, eles quase desistiram, era muito mais difícil do que pensavam, mas lutaram e passaram todo o tempo lutando para serem os melhores.

Até um dia em que tomaram uma grande chuva quando foram ao centro tentar ganhar algum dinheiro, chegaram molhados e sem nada nos bolsos, tomaram uma bronca daquelas, quando iriam se retirar, apareceu uma linda jovem, da idade deles e aprendiz da tal moça que conheceram no orfanato, ela iria aprender uma técnica com eles, mas o que ninguém sabia era que essa técnica na verdade foi criada única e exclusivamente para aquele casal de treinadores, o "Vôo dos Anjos", seria ela e um deles para executá-la.

Os treinos foram maçantes e mais e mais os garotos se aproximavam da tal moça, Cléo Valentine, ela era linda, de beleza inigualável, porem inocente e pura, Leon acabou por se apaixonar por ela e Julian de certa forma também. A técnica era difícil seria algo como a técnica angelical, mas envolvia mais uma dança pelos ares, trocas de trapézios insanas e no final o fechamento seria uma acrobacia na qual os dois se encontravam no centro do picadeiro e davam um giro, não na horizontal, mas sim na vertical, e no final o rapaz traria a moça para o trapézio e lá, bem lá teria um beijo.

O que ninguém sabia, novamente, é que só um dos dois rapazes seria esse tal moço.

Naquela altura eles já tinham 15 anos e a moça 16, o amor já corria por suas veias e o desejo por ela também, a amizade dos rapazes estava tornando-se uma batalha por ela, e a tal irmãzinha assistia tudo aquilo com coragem, e em segredo Alan ensinava a ela a Técnica Angelical e ela devorava tudo o que ele passava a ela, mas Leon era burro o suficiente para não perceber o quanto sua irmã estava acabada por causa daquilo, ele só queria ela, Cléo, e o outro também.

O que ninguém sabia era do amor que existia entre Leon e Cléo, na verdade Cléo foi a primeira em tudo para Leon, tudo mesmo! E Julian, bem Julian não queria aquilo, então tramou algo.

No dia da escolha do parceiro da tal dama, bem lógico que Julian ganhou, e Leon... Bem Leon não foi a favor, ai veio a surpresa, Alan dispensou Julian afinal a partir daquela técnica ele o considerava forte o suficiente para seguir seu caminho sozinho, mas Cléo queria Leon, assim decidiram continuar seu secreto romance.

Ai veio o "grã finale", o F.I.C., lógico que eles iriam participar, e Leon iria com Sophie, Julian já sabia da tal técnica angelical, e estava disposto a derrubar aquilo que poderia dificultar a sua ascensão. Então ligou para um parente distante dele, Yuri Killian, lindo jovem russo que confabulou com ele um plano. Era simples, sabendo por Julian da paixão de Sophie por ele, ele ligaria para ela e diria que queria ansiosamente conhece-la, ela não iria resistir ai, bem ele iria ceda-la e impedi-la de ir deixando Leon a ver navios, e enquanto isso, Julian tomaria para si aquilo que almejava tanto, e acabaria deixando de participar também como parte do acordo. Para que isso ocorresse, ele disse que queria resolver um ultimo detalhe com Cléo, e a chamou em seu quarto, lá a sedou com um comprimido para dormir, e bem digamos que tomou para si a dama de Leon, e esperou.

Por obra do destino a confabulação saiu melhor que a encomenda! E Sophie sofrera um acidente, Leon desesperado foi procurar Cléo e, bem, a encontrou na cama com outro! Tadinho do Leon! Lógico que Julian apanhou um pouco, e Cléo, bom ela acordou e, apesar de chorar e dizer que não sabia o que tinha acontecido, ele a deixou sozinha, e ela comigo, oh! Logo após isso ele descobriu que Sophie morrera, Yuri ganhou o F.I.C. com Layla e perdeu o seu amor para o seu rival, ou seja, moral da historia, Leon é um fracassado".

- Gostou da historia? – ele perguntou para ela, friamente.

Naquela altura ela estava num beco sujo, com a boca tapada pelas mãos de Julian e ela via ele como um contador de historias de terror, e seus olhos estavam com um brilho assustadoramente calmo, a outra mão contornava o rosto de Layla, passando pelo queixo, descendo até o pescoço, contornando os seios belos, passando pela cintura, descendo as pernas e por fim voltando ao rosto.

- Só não te machuco de verdade porque quero que Leon se apaixone por você para mim roubar mais uma dele – ai os olhos dele encararam ela – e você o que me diz? Seu namorado, ou noivo ou ex, ou sei lá o que, viu como ele é igual a mim, Srta. Layla?

Destapou a boca dela, mas ela estava traumatizada o suficiente para gritar e responder, aquela historia seria real, ele faria isso por aquele titulo? Ela merecia aquele titulo? Ela ficou a pensar, e deixou uma lágrima escorrer, a garota que morrera era Sophie, o quão boa ela era para eles tramarem aquilo? Seria ela capaz de vencer a irmã de Leon?

- Eu sei o que está pensando, será que você a venceria? Eu acho que sim, mas o ponto não é esse, eu quero te alarmar de uma coisa, esse ano Cléo e eu venceremos, não se meta ou você será mais uma na minha lista entendeu? – ele se afastou e penetrou com os olhos sobre ela, e deu-lhe um beijo frio sobre os lábios assustados dela – agora vá, e corra para Leon ele deve estar te procurando, esta avisada.

Layla saiu desnorteada, assustada e com medo, Julian permaneceu no beco onde acendeu um cigarro, e lá recebeu um telefonema:

- Jacques, o que? Ele aqui? Certeza? Estou a caminho deixe-me só achar Cléo deve estar a gastar meu dinheiro, sim estarei lá, amanhã? Melhor ainda, OK, Salut.

Ela, assustada com a história que passava por sua cabeça a cada instante, esbarrava em todos, que xingavam em diversas línguas, num desses encontrões esbarrou em Leon e ao lado dele Cléo que tentava desesperadamente manter um dialogo. Ele surpreso viu-a assustada, segurou-a com força e disse:

- Layla o que houve! Layla! Fale comigo! – ela estava branca como a neve que começava a cair, ela levantou a cabeça e apenas começou a falar palavras soltas.

- Frio...Medo...Sophie...Julian...Leon... Desculpa...- ela desmaiara sobre ele, sobre seus braços, Leon se assustou, o que seria aquilo?

Da multidão viu seu anjo aparecer, Julian vinha andando, calmo, com um cigarro aceso em direção á Leon e disse:

- Leon que saudade! Layla! Tadinha! Acho que não agüentou a historia da sua vida – Dissera aquilo para irritá-lo, e conseguira – Não se preocupe Leon ela sabe tudo, espero que agüente, aqui é uma morada de anjos, mas também de demônios! Há-há-há-há-há!

Leon virou-se violentamente para Cléo e disse:

- Afaste-se de mim, afastem-se de nós! – exclamou com coragem, e saiu a andar, passando por Julian, correu para sua casa, assustado e definitivamente arrependido de ter vindo para a França.

- Que pena nem pudemos tomar um chocolate quente – Julian se virou em direção a Cléo que agora chorava, abraçou-a com violência e sussurrou em seu ouvido – não se preocupe nada vai nos atrapalhar.

- Suas palavras tem veneno – Cléo afirmou com medo.

- Eu sei – ele então a beijou com raiva – mas você é minha, seus desejos são meus e nada que você faça ira liberta-la de mim.

Cléo sentia o beijo como uma morte instantânea, um beijo envenenado que a matava aos poucos e tragava dela um pedaço de sua vida.