Parecia para Leon que ele assinara um contrato de morte. Conforme andava pelas ruas com Layla nos braços, passou a reparar nele e na vida dele, certo de que ela não era totalmente pura, mas o que ela tinha, por que ele era perseguido, o que o fazia especial?
Chegou em casa e nem sequer reparou que passara muito tempo depois do momento em que eles saíram. A casa estava escura, como a mente dele, revolta em pensamentos sobre ele, Cléo, Julian e Layla.
Layla. Era ela em seus braços novamente mas dessa vez acordada, vivendo acordada o pesadelo de saber que o seu amado na verdade tinha as mãos manchadas de sangue.
Ele sentou-se no sofá branco, ainda com Layla em seus braços e a apoiou em seu colo. Ela ainda tinha os olhos perdidos, mas estava com eletricidade correndo em suas veias. Ela não se importou em ficar no colo de Leon, afinal quem era ela para nessa hora achar que tinha algo a piorar? Respirar para ela era difícil, encará-lo era difícil.
Eles permaneceram quietos. Ele com a cabeça pendente no encosto do sofá e ela encolhida em seu corpo forte, roçando seu rosto no peito do forte francês, que nem sequer tinha prestado atenção no que fazia. Layla por outro, questionava-se, ansiava por respostas que só ele tinha, mas tinha receio de falar, apenas permaneceu quieta sob o colo dele. Passou a reparar na virilidade dele, na respiração leve, no encher dos pulmões fortes a inflar o robusto e incrivelmente atraente busto, coberto por um sobretudo negro, e abaixo dele uma camisa preta de ceda cara, aberta excitantemente sobre o peito e pendendo sobre aquela fissura uma medalhão do qual não sabia o porque ele gostava tanto. Os olhos acinzentados refletiam a lua e conseqüentemente seus pensamentos. Apoiada sobre as pernas fortes dele levemente abertas para acomoda-la, ela sentia que queria fazer uma loucura. Queria beija-lo, sentir os dedos fortes a contornar seu corpo, sentir ele despindo as suas roupas, como Yuri fazia, sentir o gosto da boca que todas as garotas do Kaleido Star tanto desejavam e falavam pelos corredores quando o viam passar, ela por esse breve instante o desejou, desejou aquele homem, mas agiu como a Layla de sempre e disse:
- Acho que você ainda tem muito a resolver aqui – ela disse nervosa.
- Eu tenho mais inimigos do que pensa, e mais marcas do que os outros conseguem ver – ele disse ainda olhado para a lua, absorto na sua mente – mas sou fiel ao que sinto.
- Eu sei - Layla concordou.
- E você como está? – ele indagou a loira.
- O que levou eles a tomar essas atitudes? Ainda não sei... Mas...Posso dizer, Leon, que você é de certa fora, a vitima, mas não totalmente inocente de seus atos – Layla foi um tanto dura com Leon, e o obrigou a encara-la.
Leon foi se dar conta que Layla estava em seu colo somente naquela hora, baixou seus olhos por sobre os da moça e disse.
- Eu sei que não sou, sei o que fiz e me arrependo disso, mas não me arrependo do fato de que vivi esses momentos intensamente, e não posso deixar as chances escaparem – Leon falou com virilidade, e deixou Layla numa situação incomoda, em seu colo ela estava aberta a essa oportunidade, mas o que ela queria?
Pela primeira vez ela desejou outro homem, ou escolheu ele para tentar resolver e acalentar a sua dor, mas o que ela ainda sentia?
Amor? Ódio talvez? Ela não conseguia distinguir aquele sentimento, talvez nunca saberia o que era e era pressionada pelos olhos de Leon.
- Acho que eu vou dormir se me permite...- ela ameaçou levantar mas foi impedida por Leon.
- Um momento...- Leon a segurou em seus braços – ainda não terminei.
Layla se sentiu apreensiva, mas aceitou e esperou recostada nele, e querendo fugir da verdade.
- Eu sei o que sou mas o que sofri são frutos dos meus atos seja lá qual forem – Leon estava visivelmente irritado, os olhos tinham um brilho cintilante de raiva, e ele estava apertando fortemente os braços de Layla – Layla, não deixarei ninguém te ferir principalmente por minha causa.
Naquela hora ele mudou, para uma pessoa amável e dócil, com o olhar de um real humano, e Layla apenas observou naquele instante o quanto ela era importante para ele, e o abraçou. Seu comentário foi infeliz, pensou ela, todos têm problemas e nenhuma dor pode acalentar a outra dor e ela sabia o que era sentir dor, e não ter alguém em que se apoiar, afinal agora não tinha mais Yuri em suas noites, ou em seus braços, ele tinha marcas tão profundas a serem curadas e outras que nunca iriam curar, e ela podia ajuda-lo e ser ajudada também... e deu um abraço caloroso, que fez Leon se assustar. O que era aquele sentimento que ela passava? Ele havia se esquecido do que era ter alguém para se apoiar, porém retribuiu o abraço, e apenas deixou as lagrimas dormentes em sua alma jorrarem pelos ombros de Layla, e chorou até que o dia tomasse cor.
Quando foi de manhã, Alan acordou pronto para treina-los, e os encontrou no sofá, Leon estava deitado na braçadeira do sofá, e Layla estava com a cabeça apoiada em seu colo. Ambos dormiam como anjos exceto pelo fato de que Alan os assistia.
Ele previra isso, Leon podia voltar a amar, mas com quão força seria? Ela seria sua ascensão ou sua queda, ele ainda esperava mas tinha certeza de que barreiras não iriam faltar, disso sabia. Mas ainda havia muito a caminhar fora isso, a técnica exigia um certo ardor na alma dos jovens que somente o tempo iria revelar, as asas ainda iriam surgir e junto com esse poder um algo que tornaria aquele momento começou a preparar o café e deixou que dormissem mais, afinal ele ainda podia ser um pouco "humano" já que hoje seria dia de treino e ele ser tornaria o monstro que Leon tanto temia mais uma vez., ele iria consumi-lo e leva-lo ao topo.
No outro extremo de Paris, quem acordava era Julian. Ele se levantou da cama e se espreguiçou, olhou ao seu lado e viu a pessoa mais bela do mundo nua em sua cama, dormindo um sono quieto e doce e se sentiu o homem mais sortudo do mundo. Ele tomou banho e vestiu seu traje de treinos seguido de uma roupa leve, hoje eles iriam treinar até chorar, afinal ele votaria ao topo, ao lado dela, e iria confrontar a pessoa que mais odiava e queria vencer, iria vencer.
Ao descer recepcionou a tal pessoa que o ligara na noite anterior.
Aquele jovem alto, loiro, robusto e de aparência confiante estava inquieto na sala, andava de um lado para o outro e quando viu Julian abriu um grande sorriso, não um sorriso de saudades, mas um sorriso de cumplicidade, de parceiros, unidos por uma historia bizarra e cheia de segredos.
Yuri estava na sala, tinha o olhar apreensivo e a mente perturbada.
- Julian – disse Yuri cordial – como tem passado?
- Bem, bem – respondeu Julian, algo no ar cheirava mal – o que deseja aqui?
- Layla – Yuri o encarou com raiva – Ela está aqui com ele eu sei! Eu a quero de volta, onde estão, com quem, estão sozinhos? O que ela sabe? O que v...
- Relaxe Yuri, a pressa faz com que tudo perca seu gosto, eu a vi ontem, com ele, na ponte em frente à Torre Eiffel – Julian começou a tecer de novo a sua teia, e dessa vez sabia que Yuri poderia derruba-lo, ele não era mais seu aliado, e sabia o real motivo daquela visita – ela não vai voltar para você, ela tem sangue quente, diferente de nós, e só vai voltar se você provar que vale a pena, além do mais, não sei onde está, mas posso te ajudar se quiser, mas vai lhe custar caro.
- Julian... – Yuri o encarou e se aproximou tanto dele que Julian podia senti-lo respirar, Yuri aproximou-se da boca dele, desviou o caminho e sussurrou no ouvido de Julian – você não mudou nada.
Afastou-se dele deu meia volta e sentou-se na cadeira, lá apenas disse secamente:
- Faça seu preço.
Julian sorriu com satisfação, agora que soltara a mentira de que Leon estaria com Layla ele só teria que construir a teia e fazer Yuri cair nela, ele sabia que não seria fácil afinal duas aranhas tecem teias de formas diferentes e Yuri iria aplicar a sua pôr sobre Paris também.
- Quero dinheiro de você – Julian ia ser ambicioso, mas era essa sua estratégia, aparentar que perdera a malícia quando na verdade estava pronto para se armar.
Yuri por outro lado já havia traçado tudo, ele iria tê-la de volta, ele a amava demais para perdê-la para ele, e sabia que Julian também iria lutar para vencer Leon, mas agora era cada um por si. E ele iria entrar na competição com a pessoa da qual anseia por Leon e era agora sua aliada.
Ambos resolveram suas pendências e saíram, Yuri rumo a um ginásio de treinos onde era aguardado por uma pessoa e Julian indo ao quarto recepcionar Cléo que estava acabando de acordar pronta para os treinos daquele dia.
No mundo do circo, o que acontece nos bastidores nunca é revelado, o importante era o show, e eles sabiam, Leon – acabando de acordar com Layla em seu colo -, Julian – tomando café com Cléo- e Yuri - a caminho de um ginásio -, que o show iria começar nos bastidores e seria essa a batalha final.
Alan os esperava no ginásio, que tinha cheiro de poeira e tinha cara de que estava há muito tempo fechado:
- Não são as melhores acomodações mas para o treino básico já basta – Alan tinha nos olhos um brilhos estranho perceptível apenas a Leon – bom Leon e Layla, ambos vão ter que começar uma rotina de treinos, como corridas, musculação e alimentação balanceada. Leon desça aqui.
Leon desceu com calma, e em seguida foi atingido por uma seqüência de pesos de um a cinco quilos, nos quais deveria evoluir de estagio quando estivesse pronto para segurar Layla.
Já Layla, pelo contrario, deveria perder peso para se tornar leve mas deveria ter tanto quanto fosse necessário força no braço para se equilibrar no momento do encontro dos dois no ar.
A técnica dessa vez seria reduzida pelo simples fato de ter um tempo limite de apresentação, mas para eles só essa parte já iria significar que eles teriam de ser fortes e persistentes. Os treinos seriam incessantemente cansativos, e tinha um peso maior, eles precisavam voltar com força, pelo Kaleido Star, pela disputa entre as estrelas, como Julian, e para provar a sim mesmos suas capacidades, ainda havia dúvidas a respeito de vários dos fatos que ocorreram na noite anterior, e elas ainda arranhavam a mente de Layla sobre Yuri, e a de Leon, sobre Cléo.
Eles treinaram basicamente a força naquele dia, e arrasaram seus músculos, que ardiam, e latejavam, deram vários encontrões no ar, por não estarem acostumados um com o outro. Os pesos de Leon faziam com que ele freqüentemente perdesse o equilíbrio, já Layla, se perdia por ver o tamanho da figura de Leon sobre o ar, meio que a ofuscava na nuvem de pensamentos que ainda pairava sobre ela. Para completar Alan gritava com eles como se os adestrasse para uma apresentação no qual estariam encoleirados, ambos se sentiam nervosos e no final do dia, só souberam despencar do ar quando Alan mandou que parassem.
- O que esperam que eu diga? – Alan os questionou com a veia da têmpora saltando - espero que amanhã vocês melhores os choques no ar, assim ao menos divertirão ao publico, boa noite.
Aquilo foi um choque para Leon, como seria o melhor e venceria Julian se nem ao menos se encaixava nos eixos com Layla? O que ele estava errando? Já Layla se sentia diminuta na situação, ela parecia estar inferior a ele, e ela sabia que aquilo era quase que comum afinal ninguém atendia as suas expectativas a não ser Sophie e a tal moça da ponte, Cléo.
Ambos permaneceram na rede de sustentação, ainda inconformados, mas sempre há um novo dia, e esse próximo prometia ser ainda mais doloroso. Iniciariam a manhã correndo, e sentido dores, teriam o típico almoço de coelhos com folhas e frutas, a tarde seria lotada de treinos no ginásio, até que dominassem o básico para mudarem de ginásio, a noite mais comida de coelho, e mais exercícios e para pôr "a cereja no bolo" Alan iria gritar o quanto fosse até que a certassem. Mas persistiriam até conseguir, eram fortes e capazes e iriam lutar até o fim.
Julian e Cléo tinham em mente a mesma coragem de Leon e Layla, mas algo neles ainda não era o esperado, apesar de viverem juntos e treinarem todos os dias, tinham um domínio surpreendente da técnica da qual iriam apresentar, chamada "A Fênix Negra", alusão ao nome de palco de Cléo e um desafio a Layla.
Julian queria apenas derrotar Leon e Cléo queria Leon para ela, ambos treinavam com objetivos opostos, o que trazia a técnica toda a parte sóbria necessária, mas não tinha a vivacidade que os artistas tinham que ter no palco. Acertar, eles sempre acertavam, mas fazer com o amor que somente Leon e Layla tinham era outra coisa.
Já Yuri treinava com fé de que com aquilo teria Layla de volta, ele e sua secreta nova parceira. Ela que o esperava vestida num traje roxo, impaciente e ansiosa, tinha se aquecido e aguardava Yuri.
Ela, May, tinha vontades opostas, mas vencer era o auge da batalha:
- May o que vamos fazer? – indagou Yuri quando chegou ao ginásio alugado.
- Vamos melhorar a "Espiral Demônio", torna-la mais rápida e violenta, de forma que ela parecer estar em chamas Yuri e vamos conseguir, não era por isso que você me chamou? Usando o meu Convite Fênix, e minha técnica e sua força, teremos o que queremos – May dizia aquilo com convicção, ela finalmente aceitou o fato de que amava Leon e disse isso para Yuri, agora ele e ela iriam juntos conseguir as pessoas que amavam pelo caminho mais doloroso, mostrar-lhes que na derrota é que as coisas boas vêem a tona.
Durante dias Leon e Layla treinavam incessantemente, já se sincronizavam e mantinham o equilíbrio necessário a ponto de terem atingido a perfeição, e passado por todos os estágios.
Mudaram para um ginásio do tamanho do que seria usado no F.I.C., locado por Alan onde haviam mais quatro iguais, sendo estes um de Yuri, um de Julian e dois outros que ainda estavam vagos. Eles treinavam com pesos de cinco quilos, e já haviam decorado todos os trapézios do conjunto que era formado por dois aros gigantescos com cerca de dez metros de espaçamento entre eles, como em andares, o maior era o superior da extensão do picadeiro e o inferior com cerca de dois terços do tamanho do superior, onde em cada anel haviam quatro trapézios cada que formavam uma cruz, tinham uma diferença de altura entre eles de vinte metros, ambos que se intercalavam entre si como uma rosa dos ventos, que nomeava o conjunto. Pendente no centro do conjunto havia um único objeto, um grande aro de cinco metros de raio suficiente para que duas pessoas pudessem se cruzar ou se encontrar, e este se situava na altura do aro mais alto.
Essa formação tinha como foco deixar que Leon ficasse somente nos superiores e Layla nos inferiores, em determinado momento eles iriam intercalar-se no conjunto de forma que eles parecessem voar, para isso deviam se manter serenos e ter força afinal a distancia os forçaria a tomar mais altitude quando necessário e mais tomariam mais velocidade quando desciam de um "andar"para outro.
Para Leon e Layla o trabalho em grupo ia reger o enredo, a partir da que seria a segunda parte da peça onde se intercalavam, se Leon aplicasse uma força superior a de Layla ela não o atingiria e cairia o mesmo com ele poderia acontecer. Esse sincronismo foi o mais difícil de se alcançar e o que causava os principais choques e quedas, ambos tinham coragem de profissionais e ânsia de principiantes para alcançar a melhor colocação.
Cada dia era uma vitória, uma troca correta era motivo de sorriso, e uma queda era motivo de atenção um para com o outro, a relação entre eles ia se fechando mais e mais, a mídia já os cercava dizendo haver uma relação mas apesar de tudo, isso passou a ser algo do cotidiano dos paparazzi ver os dois juntos.
Layla apoiava sempre que podia Leon, conversavam muitos e adoravam sair pela noite para tomar um ar apesar de a cada passo sentirem uma dor descomunal. Leon voltava sua atenção carregando-a quando necessário, ajudava-a a relaxar fazendo massagem em seus ombros ou apenas conversando ou estando ao lado dela, e cada vez mais se envolvia com a fênix dourada. Mais e mais esquecia de Cléo, que acompanhava tudo calada em sua casa por notícias de tablóides ou de amigos.
Leon e Layla estavam se tornando inseparáveis e esse circulo se fechava para o mundo sem que eles percebessem que outros círculos haviam se formado. Eles não haviam reparado na presença de Yuri e de May que treinavam no ginásio ao lado deles, e como eles invejavam e tramavam para derruba-los.
Em um dia de primavera, havia acabado de se fazer três meses de permanência deles na França. Ambos acordaram felizes, embalados pelo perfume dos ovos mexidos com bacon de Alan, Leon descera na frente e Layla terminava de prender o cabelo para que não atrapalhasse os treinos quando bateram a porta.
Era um mensageiro que entregou a Leon o Convite Fênix para que pudesse participar esse ano do F.I.C. Leon o recebeu bem, assinou um papel e abriu o envelope.
O belo envelope era vermelho e era decorado com uma fênix dourada, dentro havia a seguinte mensagem:
Ao Excelentíssimo Senhor Leon Oswald,
A Comissão Julgadora do Festival Internacional de Circo orgulhosamente lhe concede a honra de participar novamente do Festival Internacional de Circo, a ser realizado no dia sete do mês de dezembro, em virtude de sua eventual vitória no Festival Internacional de Circo do ano anterior.
Esse convite pode ser direcionado a um artista de sua preferência, desde que esse acate as regras vigentes do Festival, como lhe permite a participação com outro parceiro a escolha do Ex.mo.
Agradecemos desde já,
Comissão do Festival Internacional de CircoLeon leu aquilo e logo em seguida mostrou-lhe a carta, Layla leu o conteúdo e apenas levantou a cabeça e disse:
- Bem agora é para valer - ela agitou os louros cabelos e olhou fixamente para Leon – vamos nos inscrever Leon, e nos prepararmos para a verdade.
Eles ficaram um momento calados, refletiram sobre as sua responsabilidades naquele momento, não só o fato de terem de trazer o titulo de volta para o Kaleido Star como poriam a prova o que sentiam, eles já sabiam quem os aguardava.
Por descuido Leon deixou que uma folha caísse no chão, quando percebeu, abaixou-se e pegou-a, nela estava contido o nome dos participantes daquele ano que tinham a permissão de participar, nele os nomes de Julian e Cléo estavam presentes, bem como o nome de May que receberia o outro Convite Fênix, agora cabia a ela decidir se ia participar ou não.
Naquele dia os treinos foram conturbados, Leon sabia que teria de falar com May a respeito do convite e Layla ainda digeria a conversa dela com Julian, se ela se colocasse em seu caminho o que iria acontecer a ela?
Ambos erravam facilmente mas Alan de nada fez, agora restava apenas poucos meses para ele tirar Leon da "pocilga" e atingir o foco da técnica e parecia que esse "foco" se revelaria nos dias que antecederiam o Festival. Quando acabaram os treinos, Leon saiu apressado e se dirigiu ao seu quarto onde pegou o telefone e ligou para Kaleido Star.
- May Wong, por favor – ele disse a atendente.
- Aguarde um momento. – a moça disse.
A ligação foi transferida e na ansiedade Leon disse:
- May!? É o Leon, preciso falar com vo... – uma voz conhecida o interrompeu.
- Leon? Aqui é a Sara, a atendente transferiu você para cá pois May não se encontra mais aqui, ela foi para ai, França, participar do F.I.C.
- O Que? –Leon indagou alto – Quando? Como? Com quem?
- Ora vai dizer que você não sabe? – Sara disse com aquela voz brincalhona – ela foi logo em seguida que vocês, obviamente de avião e vai participar com o Yuri! Não é legal? Teremos duas duplas esse ano! E vocês como estão? Alô, Leon?
Leon bateu o telefone na cara de Sara e desceu as escadas correndo atrás de Layla, porem Alan disse que ela saíra para tomar um ar.
Ele trocou-se de roupa rápido, pôs o seu típico traje preto e saiu atrás de Layla, precisava lhe contar que Yuri estava na cidade, e pressentia que algo estava para acontecer.
Layla saiu quieta e começou a dar voltas pela cidade sem perceber para onde ia, ela remexia pensamentos e analisava fatos. Estava lá há três meses, tinha aperfeiçoado uma técnica que foi apresentada apenas uma vez em toda a historia do circo, ao lado do melhor e mais conturbado artista de circo dos últimos tempos e sendo perseguida por outro de grande renome, havia também a víbora escarlate que queria roubar-lhe seu mais precioso bem, Leon. Não tinha mais noivo algum e nem sabia seu paradeiro, e iria se apresentar no palco maldito que faz uma estrela brilhar e destruir algumas centenas em prol de sua outra paixão o Kaleido Star.
Mas de uma coisa tinha certeza, o homem que a protegia, seu escudo, era Leon, sua alma vibrava por ele, preferia parar de respirar a ter de parar de vê-lo ou trabalhar com ele, gostava de sentir seu calor quando próximo dele nos encerramento da acrobacia e começava a desejar sentir o calor de seus lábios, ou sentir a virilidade de seu corpo por sobre o seu. Ela estava se decidindo, aceitando o fato que ela o amava, quando uma cena a perturbou.
No local por onde passava, viu a cena que mais lhe doeu em todo aquele tempo, viu Yuri. Ela tomou um choque com aquilo, estava prestes a fugir quando Yuri a viu:
- Layla, enfim nos encontramos – Yuri esta suado e visivelmente cansando mas...Feliz.
- Ahh, oi Yuri – disse Layla constrangida – O que faz aqui na França? Está organizando o Festival?
Ela se xingava de burra naquela hora, como podia ter perguntado aquilo? Para ele? Puxando assunto? Queria fugir mas não conseguia, queria os braços de Leon, se esconder neles tamanha idiotice fizera, sua cabeça estava trabalhando involuntariamente apesar de seu espírito gritar, ela estava fisicamente normal, mas por dentro estava gritando.
- Na verdade não – ele respondeu – eu...Vou participar do festival...Com....
Algo o interrompeu e apareceu ao lado de Yuri aquela pessoa fez Layla ruir, perder o chão tamanha foi a surpresa. E algo mais remexeu em sua cabeça, e ela mais uma vez foi posta a frente da porta das duvidas, e essa era gritante para ela, decidiu o que sentia por Leon, Amor, mas será que lhe revelar a verdade era o correto? Contar sobre a noite em que Sophie morreu e Cléo foi estuprada, que peso teria sobre ele? Valia a pena arriscar perder a pessoa que amava para uma verdade escondida há tento tempo? O que ela iria fazer? E aquela pessoa qual seria o peso dela nos ombros de Leon? No meio deste turbilhão à "figura" disse:
- Srta. Layla?
Enquanto isso Leon corria desesperado para dar a noticia mas algo também o parou, algo nele o fez parar e mais ainda queria naquela hora o seu anjo, Layla, agora que tinha acertado tudo e decidira o que lhe era mais importante ela vem e aparece.
Algo haveria de mudar aquele caminho, parecia que o destino conspirava para que Leon e Layla e todos ao seu redor interferissem naquela decisão, amar e serem amados, ou serem amados e não amar?
A roda gira, gira e gira e mais e mais faces aparecem na roda, o tempo da mudança está para começar, e dessa hora nada poderá parar...
