Sala do Grupo de Operações Especiais, França, 10:00 AM.
Mais um dia nesse local, o mesmo ar de sempre, mas sem as mesmas missões de nossa época não é? Meu caro Alexander?
- Capitão Gerard aquele arquivo que o senhor pediu está em cima da mesa como pediu – um subordinado disse a mim conforme eu entrava no salão, milhares de mesas iguais, o mesmo pessoal, alguns faltando, mas sempre todos lá.
- Sim, obrigado, vejamos, agora que recebi essa informação anônima sobre um possível membro dessa família, que talvez venha a causar problemas, tenho que voltar no caso "Jaccques", estou sob pressão de pessoas poderosas para ver o que ele pode fazer, talvez agora eu resolva de vez isso... – Gerard abriu uma caixa.
- Pierre, chefe, temos reunião as duas da tarde, assuntos do Festival, teremos que dobrar a segurança – outro subordinado meu gritou de uma mesa aos fundos, sim, verei você de novo Leon...
Sobre a mesa uma caixa grande escrita na lateral "Jaccques – Fechado", ele a abriu e viu as fichas de um presidiário quer morrera, e que levou com ele sua esposa e filho mais velho para o tumulo com ele, dois sobreviventes, uma mulher, sua filha, que estava para sair da cadeia e um jovenzinho que foi para um orfanato, uma foto apenas de cada um e nada mais.
Gerard Pierre, 47 anos, chefe do G.O.E. da França. Um homem austero, poderoso, moreno, alto dos olhos verdes esmeralda, vestido sempre de preto cabelo finalmente cortado. Ele chega sempre na hora, não é casado, talvez apenas com o seu trabalho, foi condecorado milhares de vezes ao lado de seu grande amigo Alexander Oswald, ele talvez fosse o único que chegou perto o suficiente da lenda que era Alexander. Sobre sua mesa muitos papeis, como sempre que custava a arrumar, e apenas um porta-retrato com a foto da mais linda família que ele conhecera, os Oswald, nela Alexander, loiro, dos olhos verdes quase azuis, alto, forte, musculoso, corajoso, imponente, belo, dividia espaço com a diva que era sua esposa Cecília, tão loira quanto ele, dos olhos azuis cor do céu em noite de lua, carregando um bebe lindo com os cabelos prateados e olhos iguais aos da mãe de nome Sophie, e no meio deles Leon, igual ao pai se não fosse menor e com os cabelos prateados como a irmã que era recém-nascida, todos sorriam felizes.
Gerard parava todo dia para contemplar aquela foto. Ele viveu grande parte de sua vida com Alexander, mais precisamente desde quando se formaram, entraram para o mesmo grupo e dividiam os mesmos medos, mas ele próprio sabia o que realmente sentia pelo grande amigo. À frente dele a mesma mesa, com a mesma marca que Alex fez quando chegou da sua primeira grande missão, gravou na mesa, as iniciais dele e de sua novíssima esposa "C" e "A", e depois acrescentou "L" em seguida o "S". Hoje apenas mudou a pessoa que se senta lá, às vezes parece que sente quando ele vai entrar pela porta, gritar o nome de duas dezenas de agentes dos quais conhecia suas vidas e dores para uma nova missão perigosa, mas que sempre dizia com louvor "a batalha começa agora, mas no fim é uma vitória" dizia isso a cada novato que chegava, a cada vez que saía e a cada momento que sentia que ia desistir.
Eu ainda me lembro de quando contava de sua bela esposa, de quando a conheceu e do brilho de seus olhos por ama-la tanto. Há... Eu me lembro... E de como dizia viver a favor do destino "eu vanglorio o meu destino, pois sem ele eu não teria conhecido a você, a minha esposa e a minha família, e dele faço minha historia..."
"Sabe Gerard" ele dizia para mim quando estávamos de naquela sala fria à noite no meio do plantão, umas poucas luzes iluminavam o grande salão, e apenas uma xícara de café, nosso revolveres e um a outro nos acompanhavam "Eu a conheci, e me apaixonei desde o momento que eu a vi", ele andava de um lado para o outro, seu cabelo solto balançava longamente até quase o fim das costas, e a calça de pregas bege, o colete onde ficava a arma, preso ao músculo do peito forte e robusto, a blusa social branca aberta com aquele medalhão que deu a Leon, os mesmos ombros largos dele, contava aquilo com virilidade, que prazer eu tinha em te ver andar, e você continuava com os mesmos brilhos nos olhos "você sabe que eu venho de família rica, mas de rico só meu amor, eu fui num recital de balé, e ela era a bailarina principal, ela parecia um anjo, enquanto dançava ela não era carregada, apenas lhe davam apoio, o chão não existia, ela levitava, corria, representava, para mim parecia que ela voava, mas na verdade seu amor era o circo, o brilho dos palcos no ar, por isso ela dizia que o circo era o único que lhe daria asas, mas ainda assim... nossa lembro do brilho dela, ela era linda, parecia que o destino me fez quere-la, me fez desejar respirar o ar dela, e eu fiz isso".
"Eu queria vê-la na minha frente naquela noite, então eu saí do camarote e desci até os bastidores quando a peça acabou, lá eu me senti perdido, e logo eu a vi, ela estava apressada, agitada, mas ainda assim bela, ela não me viu mas foi suficientemente distraída para tropeçar em mim e cair, naquela hora eu senti o seu perfume, o suor por sobre a pele, o cheiro dos cabelos molhados, os delicados lábios, a linda pele, nossa eu me apaixonei como um inocente garoto de dezesseis anos, tocado pelo primeiro amor, ela era bem leve, quando percebeu que estava em cima de mim, ficou assustada mas demorou a se mover, mais tarde quando estávamos namorando ela me disse que naquela hora ela ficou surpresa com minha beleza e não teve coragem de se afastar de mim. Eu a levantei levemente e não deixei de ser cordial, disse, que adorei o espetáculo e que ela era a mais linda de todas e de tudo, e ela disse que faria mais algumas apresentações antes de acabar a temporada, apressada disse seu nome ao longe: Cecília Duvaloir e eu o meu, Alexander Oswald, bom, eu fui até o fim da temporada, a esperava na porta, íamos tomar chocolate quente e conversar, no ultimo dia eu lhe dei o maior buquê de rosas que eu pude pagar, ele era imenso, mas não a apagava, naquele dia eu a beijei, deflorei seus lábios e ela era tão nova quanto eu, tinha quinze anos, saíamos, nos amávamos, eu me pronunciei para sua família que adorou saber que eu ia faze-la feliz, já a minha teve certa relutância porque eu não iria me casar com uma pessoa de sangue nobre, mas disse que o tinha em minhas veias não era sangue e sim amor."
"Eu me casei com ela logo que ela fez dezoito anos, éramos o mais inocente casal, amávamos um ao outro como crianças, mas vivíamos como adultos, logo ela foi chamada para um circo e eu passei aqui, nos éramos feitos um para o outro, enfrentei a minha família, e vim para cá, pois meu sonho era lutar por esse ideal, proteger a vida, não demorou a vir Leon, ela disse que teria de ser um nome forte, Leon, nome de guerreiro, e ele era, forte e belo, como ela e como eu, herdou dela os olhos, de mim o rosto e o corpo e de nós os marcantes cabelos prateados. E ela o amou como um anjo caído do céu, e eu também. Em seguida Sophie nos deu o ar da graça, ela ficou um pouco hesitante porque teria de dar uma pausa no seu sucesso, mas quando ela viu o mais lindo anjinho se inflamou em chamas prata, como platina e brilhou como a Fênix Branca, seu apelido de palcos."
"Até o dia em que ela subiu nos palcos pela ultima vez, naquela técnica que ela mesma elaborou, a Técnica Angelical, eu fui na primeira fila vê-la e levei Leon e Sophie, mas algo deu errado, aquele foi o pior momento em toda a minha vida, ela estava estonteante, ela treinou tanto e algo saiu errado, eu a vi cair, bater nos trapézios que ela tanto amou, e despencar, ninguém podia detê-la, as redes estavam subindo devagar demais, mas sabe, ela ...Sorria, sorria Gerard, parecia que ela queria aquilo, morrer por aquilo que ama, ela caiu, ouvi o baque surdo no chão, passou pelas redes e as arrebentou, e eu vi o sangue, a roupa branca de tecido fino, caía devagar pelo ar, como asas que morriam, desciam até ela, como se a abraçassem, a cobriam conforme ela sangrava, manchava sua roupa, gastavam seu sangue, tiravam sua vida. Eu corri, apenas corri, logo os amigos dela tentaram me parar, e eu os agredi, larguei Leon e Sophie sozinhos, amigos dela os ampararam, eu precisava dizer-lhe "eu te amo" antes que fosse embora, quando cheguei a ela, ela sorria, somente sorria, eu me ajoelhei em frente a sua cabeça e a recostei-a por sobre meu colo, e afagava seus cabelos pingando a sangue, tingidos de vermelho, logo as luzes se apagaram e o silencio reinou em mim, havia gritos, as pessoas eram tiradas as pressas e somente um única luz azul foi acendida, na penumbra da minha alma, ela com suas mãos já geladas, e eu tocando seu rosto que estava quase sem cor e ela dizia "Eu te amo, está tudo bem, cuide deles são os meus presentes a você, Sophie e...Leon, vá me visitar quando você chegar, eu vou te esperar, para que eu possa te amar na outra vida também" e ela dormiu, e nunca mais acordou...".
- Você chorava, eu via, como queria ir te abraçar, e dizer o quanto eu...Eu te amava, um amor de amigo e de amante, eu não era o suficiente para você, não era melhor do que ela, mas te amava. Eu te amava, eu te amo Alexander, se não, não ousaria tocar seu tumulo como toco agora, trazer flores como trago agora, chorar como choro agora. – Gerard estava prostrado a frente do tumulo de Alexander, no mausoléu da família Oswald, e Cecília a poucos metros dele, um belo anjo preso as correntes em bronze no topo marcava a família, e ele molhava a sepultura com lágrimas.
- Hoje é aniversario de sua morte, que ódio tenho de não ter me jogado no tiro que te matou, de não poder ter salvado seus filhos do orfanato, de não ter dito que te amava, Alex, graças aquele infeliz do Jaccques que fugiu da cadeia, você saiu às ruas atrás dele, e ele te matou, um tiro em seu peito e você ruiu ao chão, seus loiros cabelos, seus olhos refletindo o céu e suas ultimas palavras "Estou chegando Cecília querida..." e eu o matei, acho que foi o pior que eu fiz, você valorizava a vida, e eu também, somente a sua. No dia em que carreguei o seu caixão, eu vi seus filhos irem, vi sua família repudiar tais doces anjos, e eles foram abandonados em algum canto de Paris. Aquele garotinho que você salvou, para mim se ele não fosse achado lá diria que era seu filho, queria ele pra mim, seria como se eu lhe desse o que você era, Alex, proteja Leon, ele ainda vive, de o ar da graça do destino que me presenteou com você, e a você sua esposa e família, aquelas víboras da sua família não pegaram seus filhos pois eles não eram "puro-sangue", proteja-o, pois eu não sou capaz mas, te amo. – Gerard colocou os lírios e rosas sobre o tumulo dele e se virou, quando virou-se viu Alexander, mas se enganou:
- Alexander?! – Gerard disse atônito.
- Não, Julian Jacques – Julian disse, de cabeça baixa mais com certo orgulho nos olhos - Você o conhecia?
- Sim era meu amigo – Gerard disse meio triste ainda.
- Meu também, de certa forma – Julian colocou flores, em seu tumulo, fez o sinal da cruz e se virou – ele me salvou.
- A todos nós – Gerard chegou próximo dele – se você não fosse tão jovem e se ele não estivesse mais aqui diria que você é ele.
- Um dia... Serei – Julian saiu da frente dele e andou em direção a saída.
Gerard se ajoelhou mais uma vez e rezou baixo, mas, algo chamou sua atenção, Julian Jacques, o nome dele, era igual ao do menino que viu na ficha do caso dos Jaccques, e como ele disse de certa forma ele percebeu que era o tal rapaz! Mas era tarde, ele fora embora.
- "Sangue do seu sangue, destino do seu destino" – Gerard disse – Julian... algo me diz que nos veremos de novo. Como Alexander dizia "eu vanglorio o meu destino pois sem ele eu não teria conhecido a você, a minha esposa e a minha família, e dele faço minha historia", creio que você, Alexander, tem o poder de reger o destino, e pôs esse jovem no meu, use o seu destino para guiar Leon ele vai precisar.
Naquele dia de primavera, algo para Gerard iria mudar assim como a roda do tempo, faz na vida o que desejar, talvez a morte dele empeça a morte de outro...Talvez...
Nota da Autora:
Bom esse capitulo é um especial para a família do Leon, espero que gostem, é triste mas perfeito, eu apresentei hoje Gerard Pierre, que trabalhou com Alexander e o amou, sim, amor. Eu quis dar a ele um ar mais real, coisa de vida real, por isso ele era policial, como Alex (^^), e o quanto era importante esse homem era para Gerard. Gosto de tratar de assuntos polêmicos e esse não foge ao caso. Homossexualidade. Sim isso existe e há quem recuse isso. Eu sou uma autora que trata de assuntos fortes e provocativos, por isso cito isso aqui, Gerard ama um homem, e morreria por ele, assim isso é uma forma de amor, por mais cruel que a sociedade os trate, mas espero que gostem e entendam...
Mais um fragmento resolvido, mas temo dizer que veremos nosso Gerard de novo. Aguardem. Eu deixei em aberto umas coisinhas que gostaria que vocês pensassem e me dizerem ...
Talvez esse capítulos não agrade muito a todos, mas precisava dele para o final...
