Cap. X – Horas

Leon e Layla se afastaram do grupo e iam em direção a porta de saída, permaneceram abraços todo o trajeto, parecia que não iriam se soltar mas, ambos estavam ficando constrangidos demais para permanecer assim, eles desviaram o caminho em direção a um ponto de táxi a fim de não serem pegos por fotógrafos, ambos se sentiam estranhamente culpados pelo que ocorrera, Sora ferida, era algo mias assustador do que pensavam, e o que ela dissera ainda remexia a alma tanto de Leon, que desconhecia esse amor, tanto para Layla que tinha medo do que seria seu amor por Leon e o efeito por sobre Sora.

Leon se sentia melhor por Sora, ao menos seu anjo não iria morrer mas ainda devia-lhe explicações, ele iria aguardar mais um pouco, já Layla começou a conversar com ele:

- Sora – ela disse - como ela está?

- Os médicos disseram que ela esta bem, e em breve sairá da UTI, mas não se sabe se ela terá seqüelas, ou quando poderá voltar aos palcos – Leon falou um pouco incomodado com a situação – a previsão de saída dela se tudo der certo, é ... no dia do F.I.C.

- O que? – Layla agora realmente se sentiu mal – não pode...

- Vamos ver, quanto a nós, vamos ter que lutar e muito, naquela conversa, se podemos dizer que foi uma conversa, eu, Yuri e Julian acabamos por brigar por qual técnica iríamos apresentar, ninguém se pronunciou, mas se conheço bem eles, não será fácil, o incrível é que eles disseram que sem Sora, aquele palco irá ser pior do que em todos os outros eventos – Leon estava com medo do que os aguardava, na conversa eles confrontaram idéias,Yuri e Julian se sentiram felizes pelo acidente de Sora, ela tinha a fama de disseminar a idéia de que o circo era um local para encantar, coisa que eles não acreditavam – para Julian e Yuri o palco é para você encantar e amedrontar e não para que os outros se sintam num mundo de magia que nós tanto treinamos para mostrar.

- Leon, temos um mês para reagir – "e um mês para que nós possamos decidir nosso destino" pensou Layla.

Voltaram calmos para casa onde dormiram com a sensação de que agora era real a vontade de vencer, e tão real era o sentimento que guardavam em si, e a contagem para o fim estava começando.


Um novo período se iniciava agora na França, com apenas duas semanas para o F.I.C., já se via vários circos presentes, cada qual com sua delegação, e cada um com um sentimento, a cidade se cercava de cores e pessoas novas, o calor dos palcos e da época se disseminava fácil por entre todos, e nomes e favoritos já estavam na cotação de vários membros dos grandes circos. O F.I.C. trazia a tona não só o talento, mas a possibilidade de novos caminhos para todos os artistas, "olheiros" tinham em mente novos artistas e grandes circos a procura de estrelas, e melhor do que ninguém era Alan nesse ramo.

Vários circos o procuraram, e se assustavam quando quem abria a porta era Layla ou Leon. Alan recusava todo tipo de proposta que vinha para ele, e todos do mundo por trás da imagem do circo sabiam suas intenções para com Leon, e eles queriam Leon. Aquele jovem, viril, forte, ameaçador, tinha o dom de arrastar multidões com meros movimentos, interpretava como deus e era ambicioso. Leon era a típica estrela que brilha só, mas os circos sabiam de suas atitudes em palco, a sua ultima vitima fora May, e os circos sabiam que precisariam de alguém tão forte como ele, Layla, era uma opção, mas ela nem sempre era fácil de se coagir, amava o Kaleido Star e não iria sair fácil, sobrava então, Cléo, a dama mais desejada, que havia sumido um período mas estava de volta. Ela era linda e forte, tão forte quanto Leon, tinha talento de sobra e pulso e fibra a fim de suporta-lo, mas tira-la de Julian iria levar tempo, só o fim do Festival iria mostrar o que iriam fazer, todos estavam prontos para tudo, até aqueles que nada tinham haver com os duelos, afinal negócios são negócios.

Mas, naquele ginásio alugado, naquele dia ensolarado, típico de primavera, Leon acabara de descer do trapézio e foi interrompido por Alan:

- Leon os movimentos estão bons só sugiro que na hora que se soltar do trapézio tente ser mais leve, afinal você e ela serão anjos. – Alan terminou de falar quando Layla desceu majestosamente do trapézio como uma deusa e foi interceptada por Leon que a pegou pela cintura e a pôs no chão. – breve seremos chamados para os treinos no ginásio do F.I.C., estejam prontos.

Alan já não gritava mais com Leon e Layla, pelo contrario, dava-lhes dicas para aprimorarem a seqüência de subidas e decidas corretas. Leon e Layla se tornaram realmente íntimos, já discutiam a respeito de suas vidas e resolviam os problemas juntos, era de praxe que sempre eram vistos juntos e a mídia já havia se acostumado com isso, juntamente com eles Julian e Cléo que se especializaram mais e mais e assumiram o comportamento de estrelas, ela e ele eram o casal mais belo já visto no circo, apesar de eles mesmos ainda terem seus problemas.

Leon e Layla já sabiam que estavam próximos de se apresentar, e ambos agora estavam mais próximos do que qualquer período que conviveram.

- Vamos sair? – Leon disse a Layla quando estavam para fechar o ginásio.

- Adoraria - disse Layla quando terminava de secar o rosto.

Já havia passado meses desde que eles chegaram na França, estavam tão perfeitos quanto Cléo e Julian e já sabiam da pressão que os rondava, novamente o Kaleido Star registrou duas duplas no F.I.C. e novamente os tempos se tornaram tensos, Sora estava em recuperação, felizmente não ia ter seqüelas mas iria demorar a voltar aos palcos tamanha fora a pancada que levou, Layla e Leon estavam arrastando um publico nunca antes visto, já Yuri e May assustaram a mídia após afirmarem que competiriam juntos, e tudo começava a andar novamente.

Conforme andavam pelas ruas Leon e Layla eram seguidos por olhares, aquela cidade estava novamente calma, ambos queriam que fosse assim para sempre, mas nada dura para sempre. Eles ainda estavam atormentados por seus sentimentos que mais e mais queriam sair e se revelar, mas nada fazia com que cedessem, apesar de próximos eram Leon Oswald e Layla Hamilton e nada mais.

Sentaram em um café e acompanharam a movimentação, nada falaram apenas sentiram. A brisa, as horas, o tempo, algo era novo, eles estavam se sentido novos. A técnica era a mais perfeita já vista, gostavam do calor que ela gerava e de como era belo o fato de os anjos serem tão belos. Nem Notre-Dame era tal bela quanto aquilo, e eles tão em paz quanto agora.

- Você já viu as roupas que vestiremos? – Layla disse quando tomava sua água – eu tenho que fazer os últimos ajustes nelas, mas são lindas.

- Eu já as aprovei – Leon disse sentindo a brisa por sobre seus longos cabelos, revoltos no ar.

- Estranho...Quando começamos nos sentimos fracos e parecia que nunca iríamos gostar dessa técnica, mas agora podia dizer que sem ela me sinto incompleta – Layla se sentia livre, como nunca antes se sentira, Yuri já não a perturbava, e Julian era algo que ela iria enfrentar, mas Cléo ainda a assustava, aquela majestosa dama poderia acabar com tudo o que ela levou meses a alcançar, mas iria tentar, e queria ao máximo vence-la. Já a verdade ela ainda queria esconder até a hora que ela julgar certo, era errado sabia mas ainda tinha algum tempo – Leon? Posso te fazer uma pergunta?

Leon esta longe, ela via, sua mente corria por ai, tinha os olhos perdidos, ma ela ainda precisava perguntar, queria saber, então foi rápida:

- Pergunte, se eu puder responder... – ele disse aquilo olhado ao longe, mas fixo nela.

- QualasuarelaçãocomCléo? – Layla disse tão rápido que ela mesma se perdeu em sua pergunta.

- Desculpe não entendi – ele se virou delicadamente para ela, e sorriu um sorriso de encantamento que deixou-a embaraçada, ele tombou ligeiramente o rosto para o lado como se a tentasse decifrar, e ela vagarosamente se sentiu encabulada, ele novamente sorriu e falou – repita, por favor.

- Qual foi a sua relação com Cléo? O que ela significa para você? – Layla disse aquilo tentando ficar séria.

Leon saiu da posição de "deciframento" suspirou e virou-se para ver a rua, Layla logo cogitou que ele não iria responder e ameaçou fugir do assunto que ela gerou, mas foi surpreendida por ele:

- Eu...Eu amei cegamente Cléo, deixei me cegar e perdi fatos que hoje poderiam ter mudado minha vida, ela...Ela é a típica pessoa que joga alto quando ama alguém, e com essa técnica envolve pessoas em seus pensamentos, em suas atitudes, a ponto de por mais que você não a ame, ela ainda sim, vai visitar seus sonhos, e te perturbar quando a vê. Ela é linda realmente linda, doce e pura, mas apesar de eu tê-la amado, ela se perdeu em minha mente, em meus conceitos, se quer saber, hoje ela nada mais significa a não ser uma memória, bela, mas indesejável. – Leon foi sucinto e agradou Layla, ele então se virou para ela, e pôs sua mão por sobre a de Layla e disse – eu não a amo mais se quer saber, e eu...Segui em frente, se ela fez isso não sei, mas pode ter certeza, algo ela esconde só pelo fato de estar com Julian, ela grita, Layla, eu sei, eu vejo, ela grita por liberdade, ela é muito mais do que aquilo que eu conheci, ela está precisando de ajuda.

- Entendo...Eu tenho que visitar o ateliê para ver as nossas roupas, eu vou lá então, te vejo depois – Layla fugiu dele, sentir aquela mão por sobre a dela, quase a fez dizer "então eu digo que quero você, quero atormentar seus sonhos, quero o seu amor", mas escolheu fugir, mais uma vez.

Ela saiu em disparada, desceu a rua rápida e logo se perdeu de vista, Leon nem teve tempo de dizer adeus, mas ainda assim disse:

- Eu não a amo, mas amo você, será que você me ama? Layla...- Leon ficou mais um tempo sentado e então tomou uma decisão e resolveu aplica-la.

Layla andava apressada, ela queria poder dizer a verdade, mas nada fez. Sentia-se perdida naquela atitude dela, mas mesmo assim, pensava ela, agira certo. Ela chegou a uma casa simples, com flores na janela e uma vitrine convidativa, com belas roupas, já havia comprado lá e a dona era uma senhora muito simples com dedos afiados, e memória poderosa.

Ela entrou calma, na sala pequena, ao fundo, a senhora tirava as medidas de uma moça muito linda, jovem e de aparência nobre, Layla tratou então de ver as roupas expostas antes de ser atendida, mas acabou por ouvir algo que não a agradou:

- Cléo pode descer, realmente suas medidas estão intactas! Continua uma dama linda! Seu vestido vai ficar lindo! Também casando com Julian que é lindo serão um casal e tanto! – a senhora disse aquilo com um brilho lindo nos olhos, e ela então se retirou do recinto para ver os tecidos possíveis e abandonou ambas no cômodo sozinhas.

Cléo se vestiu delicadamente, ela estava tão linda como da ultima vez que a viu, ela vestiu um longo vestido branco que tocava o chão, por sobre a lingerie branca, finamente costurada, que salientava as curvas suntuosas de seu corpo, o vestido tinha uma bela faixa larga azul turquesa amarrada na cintura com um belo laço que também quase tocava o chão e um decote por sobre o lindo busto dela, o cabelo preto, liso como seda, estava preso a uma trança que chegava ao meio das costas e dava-lhe o ar da deusa que Layla sempre temeu, quando ela acabara de se vestir, virou-se para pegar sua bolsa e se deparou com Layla, Cléo ajeitou a trança e disse:

- O que faz aqui? – Cléo foi em direção ao sofá branco, se sentou e cruzou as pernas, e esperou uma resposta.

- Eu vim ver e roupa que usarei no Festival, não que isso te importe. – Layla respondeu num tom seco – e você irá se casar então?

Cléo a encarou sem piedade, ela não gostava de Layla, por vários motivos. Ela estava treinando com Leon, ele estava se envolvendo com ela, ambos eram seu maior obstáculo no F.I.C., ela não era suficientemente bela para que Leon a desejasse, e uma infinidade de outros motivos que ela remoia por dentro:

- Sim, vou, mas tudo pode mudar. Diga-me Layla, o que você fez para Leon participar do Festival com você? – Ela começou a alfinetar a Fênix Dourada com suas garras lindamente negras – porque, acredito eu, que ele não é facilmente coagido.

- Eu apenas fui sincera, diferente de você – Layla iria comprar aquela briga com todas as suas forças, fosse o que fosse Leon ainda era seu amor, e ela um obstáculo.

- Ele não te ama – Cléo começou a se inflamar em chamas, aquela briga prometia ter fortes emoções.

- Eu ...Eu quero ele para mim, eu estou disposta a tudo – Layla nunca imaginara que ela iria dizer aquilo, mas a encarou e olhou com seus olhos azuis, sua ira de fênix que quer algo e se posicionou a frente de Cléo – quem não te ama mais é ele, ele me disse, olhou em meus olhos e disse que não te quer, mas ele diz que você grita, algo em você quer liberdade.

- Você é muito inocente mesmo – ela se levantou majestosamente, e disse – eu só estou com Julian por um grande motivo... A verdade. Leon não acredita em mim, mas devido a uma situação passada, eu não posso ficar a mercê do mercado, e me aliei a ele, mas não se preocupe tudo irá se resolver.

- Traduzindo: você dormiu com Julian e Leon viu, mas como você está acostumada a essa pose sua de deusa, viver como humana seria demais, não? Ai em troca de casa, cama e roupas de marca, você vende seu corpo, me diz, quando foi a ultimas vez que ele te agrediu fisicamente, emocionalmente e sexualmente? – Layla se posicionou a frente de Cléo, e se preparou para tudo. Cléo cerrou os olhos, se levantou, arrumou novamente o cabelo e encarou Layla, ela era mais alta, mais bela e mais perigosa, mas mesmo assim Layla não se intimidou e continuou – não responda, já entendi o porque Leon disse que você perde seu brilho, Fênix Negra, você nunca teve luz, a não ser na hora em que estava ao lado dele, ele te iluminava e você o sugava, mas não se preocupe, a "era Cléo" acabou.

Layla sorriu maliciosamente enquanto via a cara de Cléo mudar sucessivamente de cor. Ela contraia os ossos das mãos como se fosse brigar com ela, mas Layla sabia que se ela a agredisse tão próximo do F.I.C. ela seria penalizada pela mídia por agredir uma concorrente e perderia a sua imagem de dama. Quando a senhora voltou, explicou os detalhes a Layla da roupa dela, a de Leon estava pronta mas Layla ia fazer surpresa com a sua, acertou algumas medidas enquanto Cléo a encarava.

Terminada a conversa a senhora se retirou novamente e Layla se virou para Cléo. Algo nela mudara, ela estava com um olhar maliciosamente superior ao que Layla emitira. Ela tramava algo, o que seria?

- Ele disse que não me ama não é? – Cléo, virou-se para Layla – pois bem, vou te provar que ele não me esqueceu e que você será mais uma das milhares distrações que ele teve, e te provar que ele sempre volta para mim, lógico que ele não me toca, mas quem disse que para se amar precisamos de consumação?

Algo estava estranho, como ela iria provar?

- Siga-me Layla, e assista a verdade sobre a Fênix Negra e o Deus da Morte! – Cléo adquiriu olhos doentes, olhos de quem sabe que tem o amor de uma pessoa, tão intensamente que Layla se sentiu fraca.

Leon descia as ruas calmo, sentia o calor do vento em seus cabelos, e o cheiro da noite se aproximando, ele se dirigia ao hospital onde Sora se encontrava. Ele decidiu que ele iria falar o que ele sentia para ela, ela merecia uma resposta mais convincente diferente do simples "eu amo Layla", iria se explicar e garantir que quando contasse a Layla a verdade ao menos não iria bater de frente com o obstáculo da dor que iria atingir Sora.

Quando se aproximou da entrada, avistou May na recepção, ele se sentiu estranho a vê-la, ela se virou para ele, mas desviou o olhar, todos do Kaleido Star estavam na recepção, menos Kalos. Mas alguém faltava e ele descobriu quando olhou para o lado e sentiu um soco vindo em sua direção.

- Você...Como você pôde machuca-la, jogar todo esse amor que ela tinha pela janela! Por que? – o soco o atingiu na lateral do abdômen, na hora, Leon se sentiu desnorteado, caíra sobre um arbusto, qual era o motivo de Ken para agredi-lo? – Eu...Sei que você é uma pessoa fria, sem escrúpulos, que machuca os outros sem remorso, mas era ela sua estrela, sua parceira, ela te amava mais...Mais do que eu a amava, Leon você não merece estar vivo!

- Ken, me desculpe mas isso é algo entre eu e ela e por mais que você ache que eu não tenho alma fique sabendo que Layla me deu uma, Sora me ama, mas ela tem que saber quem eu amo de verdade, e eu espero acalentar a sua dor – Leon novamente se levantou, cambaleava um pouco e pode ver o desespero do pessoal do Kaleido Star gritando para que parasse.

- Eu, eu não perdôo, se você ama Layla nunca mais voltasse aqui! - Ken ameaçou avançar de novo, mas Leon o impediu, ele o agarrou pelo braço, virou se corpo de costas para o seu, pressionou o cotovelo esquerdo nas costas de Ken e o empurrou, o jogou por cima de um carro.

Ken deu uma cambalhota por cima do capô do carro e caiu no chão, sentiu estava desnorteado, Leon apenas o empurrou, mas parecia que ele havia lhe batido com uma marreta, ele não cessou, se levantou e partiu de novo para cima de Leon. Leon por sua vez sentia a cabeça latejando como nunca, não viu que Ken se levantara e esse vendo que ele estava distraído acertou-lhe socos, na cara, no abdômen, na lateral do pescoço, mas por mais que Leon sangrasse, e surgissem vermelhões que mais tarde seriam roxos, ele ainda era forte como um guerreiro, todo soco que Ken dava, sentia que sua mão iria cair, seus ossos iriam se pulverizar tamanha era a rigidez do corpo de Leon, treinado para sobreviver a tensões de palco. Leon se chocava diversas vezes com carros, com a parede de entrada do hospital e se arranhava em arbustos que ficavam com pedaços de sua roupa, conforme Ken o agredia, ele sequer sentia dor, mas sua cabeça parecia que ia explodir, tinha certeza que a primeira pancada que o derrubou no chão e fez com que batesse a cabeça em algo, talvez a guia da calçada, mas ainda sim, parecia que ela iria se abrir. Ken por outro lado, batia em Leon mas imaginava que um soco que Leon o acertasse na cara iria pô-lo em coma. Então Leon reagiu, sua cabeça rangia, e para não ter que bater nele e desfigurar o rapaz com sua força, o empurrou forte contra a parede, pressionou o pescoço dele com seu braço, e começou a ergue-lo no ar, Ken estava suspenso, sentia a falta de ar, seu cérebro a se inchar, suas narinas se dilatarem a procura de ar e então Leon disse:

- EU AMO A LAYLA! E NEM VOCÊ E NEM NINGUÉM VAI MUDAR ISSO ENTENDEU! – Leon estava pronto para mata-lo, sufoca-lo, mas uma jovem apareceu em suas costas.

- Não o machuque! Eu...Entendi, eu sei que o senhor Jovem Leon veio aqui para se explicar, mas amor não tem explicação – Sora tocou os ombros de Leon e os puxou delicadamente, ele cedeu, Ken caiu no chão, pôs a mão fortemente no pescoço e tossia sem parar – eu...Vou aprender a viver com isso, prometo.

Sora ainda estava bastante machucada, tinha vários curativos e marcas de agulha pelo corpo, um de seus braços estava completamente imobilizado, mas mesmo assim desceu para vê-lo, Mia e Ana faziam cara de desdém, ela estava ferida e mesmo assim foi encarar a verdade, juntou as mãos dele carinhosamente e disse:

- Eu estou bem, boa sorte, ela e você são grandes pessoas, e quero que sejam muito felizes – Sora abriu aquele lindo sorriso, e fez com que Leon sorrisse também, apesar das escoriações, da roupa rasgada, ele beijou as costas da mão de Sora e em seguida deu-lhe um beijo em seu rosto e sussurrou em seus ouvidos:

- Obrigada – ele se virou e saiu mancando.

Enfermeiros saíram para socorrer Ken, já Sora observou Leon se distanciar, seus revoltos cabelos prata estavam mais belos do que nunca, bem como sua alma se rejuvenescera, ela admitiu que o transformara, mas Layla lhe devolveu o prazer de amar.

Sora sorria e chorava, deixava lagrimas assolarem sua dor, e cedeu ao chão, logo foi amparada por médicos. Sabia que ele não iria amá-la, mas estaria feliz.

Leon estava fortemente desnorteado, os socos de Ken eram ridículos diria, ele não iria agredi-lo de verdade com medo do que seus punhos poderiam fazer a cara dele, mas ainda assim chocou-se diversas vezes com paredes, carros, plantas e o chão. Ardia em abrasões, por todo o corpo, sua roupa era só trapos por cima da roupa de treinos, mas ainda assim sua cabeça gritava. Ele tinha certeza que já havia sofrido mais em sua vida, mas algo nele estava diferente. Subia ruas se apoiando em paredes, parando varias vezes a fim de tentar respiram, a dor era imensa. Queria somente chegar em casa, a visão sumia, às vezes perdia a audição, sentia-se nauseado, queria pedir ajuda.

Não muito longe dali Cléo incitava Layla:

- Então? Quer ver? Ou esta com medo de se arrepender? – Cléo a encarava impiedosamente – Fênix Dourada...Sempre que conversava com amigos meus, eles me diziam que você era a mais "durona" de todas as artistas de circo e que ninguém a derrubava, será?

- Se você assim deseja – Layla comentou calma, Leon não a amava, mas mesmo assim ela iria querer ver a cara dela ao saber.

Cléo então se virou rápido, abriu a porta e saiu andando, Layla foi em seu encalç descia as ruas majestosamente, seu vestido branco se revolvia no vento, e todo e qualquer homem da rua, casado ou solteiro virava para vê-la passar, ouviam-se comentários e cantadas mas ela sequer ligava, parecia que farejava onde Leon estava, cruzou certas ruas e então o avistou. Ele parecia desnorteado e fraco, estava apoiado a uma parede, mas não ligou, apenas se aproximou dele. Layla se assustou com o fato de Cléo tê-lo achado tão facilmente na imensidão de Paris, mas nada fez para conte-la, não chegou nem um milímetro a mais ao ver que Cléo o encontrara, ficou parada para ver o espetáculo. Ele pressionava fortemente as mãos contra a cabeça e fazia cara de dor, Cléo colocou docemente as mãos por sobre seus ombros e sussurrou em seus ouvidos:

- Leon? Está tudo bem? - Cléo disse tais palavras doces como mel. E então recostou a cabeça dele em seu ombro, e começou a passar as mãos por sobre seus cabelos, ela discretamente virou-se e avistou Layla ao longe "é agora" pensou – sou eu, Cléo...

- Preferia um demônio a...Ter que...Pedir a sua ajuda...- para Leon foram as dez palavras mais difíceis de dizer em sua vida, sua boca se contorcia involuntariamente e tornava qualquer frase uma tortura, via com olhos embaçados a beleza de Cléo, parecia um anjo naqueles trajes, mas mesmo assim deixara de sentir aquele calor por ela.

- Eu não vim pedir sua piedade, quero só uma coisa sua...- Cléo suavemente levantou o rosto de Leon e aproveitando que ele era incapaz de impedi-la, ela o beijou. Para ela aquilo era mais do que a prova que ele a "amava" mas a realização do seu mais profundo desejo, de sentir sua boca novamente.

O que era aquele calor em sua boca? O que ela estava fazendo? Leon demorou a entender o que ocorria, ela apenas estava com seus lábios por sobre o dele, mas ele ainda sentia que era ela, Cléo. Há, Cléo, seu primeiro e mais cruel amor, tinha ainda aquele perfume de amante, os cabelos sedosos pretos, e o vestido branco, como no dia em que deu o seu primeiro beijo, era aquilo uma miragem? Fosse o que fosse era ela, linda como no dia em que ele a beijou.

Leon ainda estava bem atordoado, a ponto de não conseguir distinguir se o que ele fazia era algo do presente ou do passado, mas mesmo assim a beijou. Ele não acreditava no fato de estar tocando seus lábios com tanta intensidade. Parecia que se movimentava involuntariamente, seus braços contornavam seu corpo suntuoso sem nem sequer desejar, se sentia quente, que vontade deu-lhe de arrancar aquele vestido!

Ela por outro lado se fartava por beija-lo e por ter certeza que Layla estava se roendo metros atrás. Corria suas mãos por sobre seu peito, tocava seus cabelos, lembrava de seus beijos mais intensos com ele no passado, inconformava-se que o perdera. Mas repentinamente ele parou. Leon a afastou de seu corpo com violência, ele tremia, seus olhos agora expressavam dor e raiva, ele transpassou sua mão direita por entre o cabelo de Cléo acima de suas tranças, puxou-os com tanta violência que ela soltou um gemido de dor, ele aproximou sua face de sua orelha e sussurrou:

- Aproxime-se de mim de novo, sua vadia inescrupulosa, e eu vou fazer que você nunca mais sinta prazer em sua vida de tanto que vou lhe machucar – Leon tinha a voz rígida e assustadora, Cléo nunca o vira tão nervoso em sua vida, ela se soltou dele, seus olhos tinham lagrimas de dor e correu.

Layla estava atônita com a cena, e mais ainda depois que viu a reação de Leon, quando Cléo passou por ela fez menção em ajuda-la, mas ela esbarrou nela e fugiu da cena. Ela estava inconformada e com raiva. A fênix tremia. Ela se virou e foi para casa, deixando-o com sua possível dor.

[CONTINUA...]