Leon chegou em casa desnorteado, mais do que na hora em que fora agredido, mais do que na hora que sentiu o beijo de Cléo em seus lábios. Ele ascendeu às luzes da sala que estava deserta, a tarde caia vermelha pela janela, em duas semanas seria o F.I.C. e ele se sentia atormentado por sua mente. Começou a despir-se, largou cada parte de roupa em um local, ficou apenas com a parte de baixo de sua roupa de treinos, o negro short que marcava fortemente os músculos de suas pernas, o corpo ardia em dores e cortes, via a marca dos golpes de Ken por todo o seu corpo, e as varias vezes em que se arranhou ao cair por sobre plantas, no chão e nos carros, batera a cabeça uma seqüência inimaginável de vezes, e talvez aquele fosse um dos motivos pelo qual se sentia tão desnorteado. Ele recorreu ao kit de emergência que sempre usava toda vez que acabava os treinos a fim de tentar amenizar as dores, foi a cozinha abriu o armário, derrubou uma serie de frascos no chão ou por sobre o balcão, andou em direção a sala, e viu uma bela figura sentada no sofá, era loira, linda e tinha uma vibração única e raivosa em sua alma, ele chegou a esfregar os olhos, a fim de melhorar a imagem da tal pessoa que estava no recinto, e a viu, Layla. Como estava linda, vestida com um belo hobbie branco que ia até o chão, e lhe dava o ar de uma pessoa muito nobre e bela, que vontade deu de tirar-lhe para tocar o corpo dela, sentir aquele fogo por sobre sua pele, mas ela estava estranha. Porquê?
- Divertiu-se hoje? – ela o interrogou – pois treinamos quase nada se não sabe.
- Eu fui ver Sora, mas Ken resolveu me usar para descontar a sua raiva – ele disse atordoado, destapara o vidro de anti-séptico, e recostou-se na mesinha de abajur que ficava ao lado do sofá e começou a tentar curar os ferimentos para que pudesse voltar a treinar no outro dia.
- E, não se encontrou com mais ninguém? – Layla estava inquieta, ela vira ele com Cléo, ele sequer fez esforço para impedi-la, talvez ele a amasse ainda, talvez a queria ao seu lado, ou queria aquele beijo.
- Não, não me encontrei com ninguém – ele mentira, viu Cléo, ou pensou que vira, mas ele disse que não a amava, se afirmasse que a tinha visto seria como entregar os pontos, apesar de estar desnorteado o suficiente na hora para tentar pará-la, ela o beijou, e ele aceitou - Layla poderia me aju...
- Não, não posso, você mentiu Leon! Mentiu a respeito de seus sentimentos, a quem você quer enganar! – Layla estourou, ela tinha discutido com Cléo, com afinco, afirmou cegamente que ele disse que não a amava mais, e ela o encontrou e o beijou, Cléo nem sequer ligou para o fato de que ela iria se casar com Julian, nem com as conseqüências daquilo, e Leon aceitou, ele a beijou com o calor que Layla sonhava toda noite, de senti-lo, de provar daquela paixão, ela estava com raiva, com ódio de não ser ela, de não ser Cléo - você acha que ela te ama? Ela está te usando, ela vai se casar com Julian e você se arrasta para ela!
- Layla, por que você esta gritando assim? – Leon estava atordoado demais, será que ela vira? – de quem você esta falando?
- De quem você acha? De Cléo é lógico! – Layla se levantou majestosamente do sofá, o hobbie caíra de seus ombros, e estava apenas amarrado pela cintura e apoiado nos cotovelos, e ele um pouco mais são, pôde ser homem o suficiente para reparar nas elevações de seus lindos e virginais seios, brancos, puros, lindamente protegidos por o que ele pensava ser aquela camisola vermelha, que desenhava seu corpo como uma deusa, enraivecida, mas deusa – eu...Eu, eu quero que você se explique.
- Eu não lhe devo explicação nenhuma, nós não temos nada, somos meros parceiros de palco, a vida pessoal de cada um é de responsabilidade do mesmo – Leon achava-a mais e mais linda a cada instante que aquele hobbie se sacudia no ar, e a cada vez que ela vinha à frente dele e gritava em seus ouvidos, mas ele estava se irritando com ela, por tentar controla-lo, ele queria ser a pessoa pela qual ela se preocupava, mas eles não tinham nada, ainda - ou você quer que eu pergunte o porque você estava com Yuri no dia que Sora sofreu o acidente?
- Eu não... Encontrei-me com ele porque queria, mas você foi cínico o bastante para admitir que você não a beijara, não? Cléo, você a beijou, eu vi! – Layla então se aproximou tanto dele que ela sentiu a vibração de seu corpo fraco porem vivo e começando a se irritar, mas ela não se intimidou, Leon estava com o olhar frio e de quem estava com raiva, tinha olheiras e a deixava cada vez mais apreensiva, ela reagiu aquilo como se ela batalhasse por aquele momento a vida toda era agora ou nunca – eu...Eu discuti com ela instantes antes de ela te encontrar, eu disse que você não a amava mais, e que você tinha seguido em frente, mas ela disse que ia provar que ninguém iria separa-la de você, e ela o fez, e te beijou. Eu quero que você Leon, diga agora que a ama, ou...Ou eu nunca mais vou te defender, nunca, nunca, nunca, nunca...mais...
Layla então, deixou algumas lagrimas de ódio caírem, ela se sentia mal, por brigar com ele por algo que ela tinha certeza que não era justo, eles não tinham nada, e ela insistiu em algo, ela brigou com Cléo e então percebera que ela amava Leon, e Cléo arriscou tudo por ele, e ela? Bem ela esperou, e naquela altura a Fênix Dourada percebeu que perdera. Enquanto Cléo foi franca e fez o que ela achava justo, Layla assistiu, somente assistiu.
Layla deu as costas para Leon que remoia o beijo, e o fato de Cléo estar com Julian, de vê-la defende-lo com coragem, mesmo que não fosse correspondida, ela lutou por ele. Layla ameaçou fugir, mas Leon a agarrou. Um movimento rápido, ela foi obrigada a se virar com relutância e violência, Layla temia o pior, e se ele fosse igual a Julian? E se ele a agredisse?
Layla foi puxada contra o corpo de Leon, ela fez de tudo para se afastar, e começou a estalpelá-lo, derrubou o anti-séptico no chão, e fez força a fim de se soltar, mas ela não conseguia, agarrava forte seus ombros mas Leon avançou a sua investida, agora ela não poderia fugir, ele cansou de se esconder na penumbra da noite só para vê-la dormir no quarto de Sophie, ou de alcançar as alturas e vê-la majestosamente linda quebrado o ar para se encontrar com ele e ele não poder beija-la, ele a segurou com força, e ela se debatia com força e coragem, mas ele tinha certeza do medo que dormia nele naquela hora. Ela então se acalmou, começou a respirar, e deixou que Leon a envolvesse em um abraço.
Que abraço quente, forte, envolvente! A penumbra da sala cobria os dois amantes com calma, o calor os envolvia, o sol os batizava.
- Eu não a amo, se eu a beijei foi por que queria que fosse você. Eu te amo Layla, nada nem ninguém pode te tocar que não seja eu, eu rezo todas as noites para que você esqueça Yuri – Leon recostou seu rosto no ombro de Layla, ele quieto ainda sentia a vibração de seu coração agitado, e sua respiração agonizante, mas nada pagava aquele curto momento de amor, ela agora podia bater nele de verdade, apesar de àquela hora em que ela batia nele para que ele a soltasse realmente doeram, mas ele ainda assim poderia dizer que morreria feliz, como um homem que declarou seu amor. O medo nem a dor não reinavam mais naquele ser que ele era, parecia que algo se acendia nele, e o revivia, algo que deixara de sentir a muito tempo, ele estreitava seus braços pela cintura dela, e mais e mais trazia seu corpo quente em contato com seu peito nu, sentia ela vibrar – Layla, Layla, não sabe o quanto esperei para te abraçar como te abraço agora.
Layla estava imóvel, e atônita, ele disse aquilo mesmo? Disse "eu te amo"?
- Me desculpe – ela começou.
Pronto. Agora vinha a parte que Leon tanto temia, ela iria se afastar e dizer que amava outro, Yuri talvez, e ele iria se sentir a pessoa mais azarada de toda a face do planeta, ou pior ela iria dizer que amava outro e iria chamá-lo de depravado, tarado, e iria embora ou se não, iria dizer que amava outro, que ele era um tarado depravado, e iria embora e não apresentaria a técnica com ele ou...
Ele pensou em inúmeras possibilidades de ela agir, iria bater nele, chamar a policia, iria correr, fugir...Tudo o que um homem imagina quando diz a verdade, mas ela agiu estranhamente:
- Desculpe, não entendi – Layla disse com a mais pura inocência de sua alma, para ela, aquilo era um sonho, ela delicadamente pôs suas mãos nos ombros de Leon afastou-se a ponto de ver seu rosto e disse – repita.
- O que? O que devo repetir? – Leon se sentiu perdido, tinha a mulher perfeita em seus braços entrelaçados naquela linda cintura, perfeita, e ela pergunta algo que ele não tinha o dom de responder.
- Diga de novo, diga que me ama, diga aquelas palavras que disse, porque eu não acredito, repita a plenos pulmões que me ama – Layla se sentia estranha, nunca sentiu algo assim, com outro homem, por isso estava confusa, queria ouvir de novo com a clareza que precisava. Então esperou.
Leon então baixou sua cabeça no busto da loira e riu. Riu como uma criança com uma piada, como numa brincadeira de garoto levado, Layla ficou vermelha, por que ele ri? O que ela fez? Ela estava em duvida, mas feliz, feliz como nunca.
Leon levantou-se, secou as lagrimas de riso, e pôs as mãos no rosto de Layla, pela primeira vez pôde ver o tamanho de suas mãos no rosto delicado dela, de sentir aquele rosto se aquecer e tornar-se rubro. Layla se sentia estranha, ela se sentia vermelha por ver aqueles olhos azuis acinzentados a medir cada centímetro de seu rosto, mas ainda sim feliz.
- Eu te amo, mais do que eu amo os palcos, mais do que minha alma se inflama agora, você não sabe o quanto eu temi por esse momento de virar e dizer o que eu sinto e de ouvir que você amava Yuri, mas eu te amo – Leon então abriu um largo sorriso, e pode se sentir feliz por ver que Layla estava feliz, deixou a dor de lado e apenas deixou-se se levar por aquele momento - mas você ao menos podia ter sido mais calorosa e não fazer aquela pergunta não acha?
- Desculpe-me, é que eu realmente não tinha entendido – Layla estava maravilhada com aquele sorriso, se admirava por conseguir conversar apesar do nervosismo, estava serena.
Leon então tombou o rosto um pouco mais, e começou a arrastar delicadamente o rosto de Layla, não iria forçá-la a nada, mas não desistiria fácil, não naquela hora, ele chegava mais e mais perto, Layla sentia-se agitada mas queria aquilo e iria faze-lo. Ele começou a cerrar os olhos e a aproximar mais e mais o rosto dela do seu, ele a via cerrar os olhos também, e sentia suas delicadas mãos em seus ombros. Ele sentia-se em polvorosa, como esperou por àquela hora, achava que desde a noite em que ele a beijou em seu apartamento diria. Então tocou os rubros lábios da Fênix, primeiro só sentiu seu calor, encostou rápido como na noite no seu quarto no Kaleido Star, mas depois avançou, entreabriu a boca dela com seus lábios e penetrou naquele ser, puro, casto, virgem, Layla.
Ela nunca se sentira assim, ela já havia beijado Yuri e talvez outros, mas nunca como ele, ela teve coragem de desbravar aquele ser que era Leon, teve a coragem de correr suas mãos pôr entre o peito forte, sentir o quanto seu coração vibrava por aquele momento, a respiração verdadeira, desceu a mão até o abdômen e sentiu cada curva que ele fazia, aquela "escadinha", passou então para as costas largas, sentiu o quão rígida era e tocou os cabelos prateados, aveludados e lisos como fios de platina.
Ela sentia-o também, suas mãos fortes e calejadas passaram a percorrer seus cabelos loiros, ele suavemente contornou o ombro, mas não ousou ser mais corajoso, desviou o caminho para a cintura onde a abraçou com virilidade, ela estava no meio de suas pernas, doce como uma flor selvagem, beijando-o com amor, ele vagarosamente passou por sua barriga e desatou o laço do hobbie, que caiu delicadamente no chão, que sensação ele queria revelar? Ele já havia feito aquilo antes, mas algo mudou, algo disse que era hora. De ele parar de pensar só neles, de amar.
Conforme o hobbie caia, seus lamentos por nunca ter amado novamente se esvaiam na sala escura, Layla não o impedira de nada, e ele pensou em parar, travou por certas horas, beijava-a, abria os olhos, parava seus beijos, aguardava. Determinado momento se perdeu na sua investida, seria certo?
Layla estava em polvorosa, era ele, Leon, o ser mais desejado do Kaleido Star só para ela, mas ele parou, ela imaginou o que era...Seria aquela a hora ideal? Ela pensou. Sim, é, conforme Leon parara ela o guiou, pegou suas pesadas mãos e as colocou em seus ombros, forçou-as de forma que elas tirassem as alças da camisola do lugar e revelassem seu corpo, puro, fértil, perfeito, nu.
Que momento incrível, de tamanha ardência e paz, uma sinfonia poderia tocar ao fundo a fim de completar a cena! Leon ergueu seu corpo branco no ar e o prostrou no sofá branco, percorria com seus lábios aquele corpo, seus cabelos longos tocavam sua pele, sentia aquelas delicadas mãos relaxando e apertando sua pele conforme contornava a curva dos quadris, ou quando ela sentia aquelas mãos fortes percorrerem suas longas e fortes pernas, os suspiros mais intensos, sentia cada curva, cada gota de suor, cada beijo forte, cada hora que ela tremia, sentia-o nela. Horas. Longas horas de puro amor, prazer, liberdade, coragem, verdades. Intensos momentos em que ela se erguia, ele observava seu rosto se contrair e relaxar, seu cabelo ficar úmido, suas mãos o machucarem, apertando fortemente os músculos de seus braços, que machucassem mais, ouvir os dentes titilarem, o corpo se enrijecer, e ela se apoiar no seu pescoço e agarra-lo com coragem, ele queria isso, ele queria ela para ele ao menos aquela noite só para ele, que ele morresse amanhã, que o beijo da morte tocasse seus lábios, que o cálice do pecado se derramasse por sua alma, que ele se tornasse um anjo negro, uma alma penada. Ele, Leon, queimaria novamente suas asas, aceitaria cair na penumbra de sua alma, mas que fosse por ela, por Layla, por quem ele realmente ama.
Ambos perdidos naquele vago espaço de tempo, sentindo sensações tão secretas e belas que palavras não descreveriam, horas não apagariam, o tempo não iria destruir, eles iriam construir. Cada som, movimento, toque, era algo muito mais desafiador às mentes dos jovens amantes do que em qualquer outra aventura passada, por que só isso eu sentia com ela? Por que só isso eu pude sentir com ele?
Layla tinha sensações perigosas, Leon era audacioso, corajoso, ambicioso. Ele a envolvia numa trama em que ela sentia-se cada vez mais absorta no relento de sua alma. O peso de seu corpo forte e viril, suado, molhado, peito com peito, os cabelos rebeldes invadiam sua face conforme a beijava, derramavam a prata no seu busto ofegante, as mãos calejadas a arrastarem-se por sua pele, o choque de calor, horas em que as mãos se encontravam no ar, e permaneciam unidas por minutos que pareciam eternos, e ambas as faces e imagens se encontravam, as mesmas sensações, as mesmas almas que se fundiam em uma só, os robustos corpos treinados para o palco e as alturas encaravam novos precedentes, momentos em que ele se recostava nela e a ouvia palpitar, e em que ele deixava singelas gotas em cada curva do seu peito macio, horas em que ela sobrepunha-se sobre ele e o ouviu respirar, soluçar a procura de ar, e mesmo assim abraça-la, como a abraçou na hora em que eles decidiram se entregar.
Por que emitia aqueles sons? Layla via seu corpo vibrar, sentia as horas em que ele mesmo não agüentava tamanho amor, prazer, horas essas em que ele parava, contraia a face bela, seus olhos eram iluminados pelo prazer, suas mãos cessavam movimentos, seu corpo parava de se movimentar por sobre ela, e ele puxava o ar com toda a sua força de guerreiro, horas aquelas em que ele ameaçava parar e ela o arrastava novamente por sobre suas chamas. Que o tempo se explodisse, que o passado se apagasse, se ele era um deus da morte que a matasse, que carregasse seu corpo a uma cripta distante a fim de possui-la só para ele, que suas penas se consumissem, se ela era um anjo, iria descer de todo e qualquer pedestal a fim de encontra-lo, que penalizassem sua alma, era iria atrás da dele, por eras e mais eras, ela o amava, e não importava quem ou o que, se este ousasse por um breve e simples momento se prostrar por sobre aquelas duas almas em ascensão ela lutaria, por ele, por ela, por eles.
Ao fim daquela jornada, eles só souberam parar em uma hora em que realmente não havia mais o que consumir, não havia como desejos se realizarem, seus corpos se explodiam de amor, mas agora, naquela hora, eles pararam, Leon deitou-se no sofá, suado e molhado, buscava ar, buscava algo para poder voltar à realidade por mais que ele desejasse estar mergulhado por mais instantes nela, mas pararam. Eles estavam no limite, seus corpos clamavam por piedade, mas suas almas pediam fogo, brasas, calor, amor. Layla deitou-se por sobre o corpo de Leon, ela queria mais mas soube entender que ele também estava exausto daquela maratona. Eles ficaram parados respirando e não diziam nada, apenas sorriam em determinadas horas, se encaravam, trocavam beijos e ficavam quietos novamente.
Como eu, Layla, a Fênix Dourada, que estava de volta, pronta para voltar ao topo desejo tão fortemente cair? Eu tinha tudo para lutar, voltar, me inflamar, mas agora quero voltar naquela noite, queria voltar no tempo, mais exatamente na hora do jantar, com Alan, e dizer "eu desisto disso".
Hoje agora, nesse sofá, com esse homem, nesse país eu tenho uma nova vida, uma nova perspectiva de nome Leon.
Sim, Leon. O tal homem dos cabelos prata, olhos de gelo, e posição de deus, ele deitado comigo. Maldita hora que eu o coagi a ser meu parceiro, hora essa que eu pensei ser forte, mas não sou. Aprendi com ele que dor não se esquece, se convive, que chorar não é pecado, é emoção, que momentos se criam e não escolhemos a hora em que queremos algo e se queremos com que força queremos?
Que decisões vêem, e vão, mas sempre há um algo por trás, que o destino não aparece e entra em nossas vidas, ele apenas cria uma oportunidade, cabe a nos seguir esse caminho...
Ah, quem dera eu pudesse esconder o que sinto? Quem me dera pudesse dizer para mim e para você "eu não te amo", mas não posso, fazendo isso deixarei de ser Layla, deixarei de ser fênix, para ser alguém por ai.
Agora amo, mais do que nunca essa pessoa que me possuiu, e mais do que nunca me odeio, por tramar e participar do destino que esse meu anjo está fadado a sofrer.
Mas fiz a escolha, vim para cá, treinei, sofri, chorei. Fui ameaçada e ameacei, mas eu, a dama de fogo, não fui capaz de me conter, não fui capaz de prever que eu enfim... Voltaria a amar...? Não previ que iria amar, simplesmente amei, e lutei por este amor, agora sofro, com esta verdade, com estas verdades que assolam minha alma, que clama por estar do seu lado, mas teme por sua ação quando lhe contar a trama que te transformou no que é hoje, e mudar toda essa pessoa que eu mudei, criei, revivi, ah, meu anjo negro, deus da morte, confinou-me em sua alma, eu quero mais do que nunca ser essa pessoa que te tira o sono, domina seus sonhos, e te possui a cada momento, te amo. Me odeio. Nos amamos. Nos corrompemos. Mas que seja só por hoje, dois amantes em segredo.
Layla, deitada no peito nu de Leon, divagava na penumbra de sua alma, ela, agora, mais do que nunca, sabia do destino deles, iriam vencer, mas seriam obrigados a se separar, afinal ela "vendera" Leon a Alan, para que ele os treinasse. Não estava em seus planos se apaixonar por ele, mas fez um acordo, o que ela faria agora?
O dia parecia começar a raiar na janela, os dois estavam nus, porem felizes. Agora que consumaram seu amor iriam lutar por ele.
- Bom, é melhor nos arrumarmos antes que Alan apareça – Leon disse calmo, fazendo carinho nos cabelos de Layla.
Tarde demais.
- Acredito que essa era para ser uma casa de família – uma pessoa muito inconveniente interceptou Leon e Layla e os encarava com olhos de desprezo.
Alan se materializou na sala, e se encontrava atrás do sofá, Leon agiu rápido e pegou o hobby de Layla que estava no chão e os cobriu.
- O que faz aqui? – Leon disse impaciente e envergonhado, ele se sentou no sofá mas ainda assim tinha Layla no meio de suas pernas, ela se apoiou nele e se recostou em seu peito tentando se arrumar, e cobrir a ambos.
- Até onde eu sei essa é minha casa, um ambiente familiar, ai eu venho arrumar o café da manhã para os meus alunos, e me deparo com essa cena um tanto desagradável – Alan falava com ironia, conforme media Layla em cima de Leon – Bom temos aqui a típica cena de pouco ou quase sem nenhum pudor, não Srta. Layla? E eu achando que você era uma moça de família e respeito, pobre do professor inocente, as mais quietinhas são sempre as que fazem mais estrago. E você "jovem" Leon? Concordo que você não tem pudor algum, mas ao menos se desejasse tanto dormir com Layla pagasse um motel não?
- Perdoe-nos, não era a intenção nossa que nos encontrasse aqui – Layla disse vermelha – já iremos sair.
- Não! Fiquem! Estão tão confortáveis, por favor, continuem, e quando acabarem me dêem um sofá novo, por Deus! Eu nunca mais irei sentar nesse sofá corrompido e pecaminoso – Alan dizia cada palavra com virilidade de um padre tradicionalista, e irritava Leon que o imaginava deitado com milhares de mulheres na época em que ele era um artista famoso, "como se ele nunca tivesse feito isso", repetia em sua mente.
- Já entendemos, não precisa continuar a nos destruir – Leon levantou-se do sofá nu e ajudou Layla a se vestir de forma que Alan não pudesse vê-la.
- Nossa que selvageria Srta. Layla, ele está todo arranhado! Não sabia que ele gostava de tortura, e nem que você gostava de torturar por sinal. – Alan continuava provocando – Eu prefiro mulheres Leon, porque você não se vestiu e deixou ela se levantar nua?
- Porque eu sou o ser sem pudor nenhum que protege aqueles que tem o mínimo de pudor de pessoas sadomasoquistas como você – Leon foi agressivo, mas ajudou Layla que já estava vestida – e ela não me arranhou eu me machuquei numa briga.
- Ok, ok, entendi, vou preparar o café, enquanto isso perpetuem o seu amor em outro lugar – Alan começou a sair da sala e então terminou por alfinetar Leon – é para isso que existem quartos até onde eu sei, mas vocês preferem lugares estranhos e "diferentes", essa geração está perdida...
Leon e Layla permaneceram na sala enquanto Alan ia a cozinha preparar o café. Conforme eles esquentava o leite e separava os ovos, via seus dois alunos conversando. Falavam bem de perto, nariz com nariz, aos olhos de Alan a conversa parecia seria, Layla estava segurando os braços de Leon e ele curvava seu rosto a fim de ouvi-la, captou uma palavra no ar "técnica", Leon estava com os olhos de uma criança com um brinquedo novo, ele a encarava com virilidade, tinha os olhos dóceis, e afagava docemente os cabelos loiros de Layla, e ela não mentia, algo atormentava o ser belo que era, varias vezes olhava para o chão.
Alan não via o que fazia apenas encarava a cena, aquilo não era um simples amor de colegiais, eles queimavam, isso era uma faca de dois gumes para ele. Ele era seguidamente surpreendido pelos olhos de Leon e para disfarçar fingia fazer algo.
No meio daquela cena queimou a mão na leiteira quente, fez cara de dor, mas não gritou, analisava os fatos. Layla então disse que iria tomar banho, Leon então segurou seus rosto e conforme falava tocava com as pontas dos dedões os lábios rubros de Layla, ela parecia embriagada nos olhos dele, no seu cheiro de homem, no seu toque de anjo, "mais uma que cai na conversa dele", Alan pensava, então Leon a beijou e ela saiu da sala, subira para o quarto pensava ele, já Leon, vestiu calmamente o seu shorts negro e andou em direção de Alan que tentava não xingar o mundo por ser tão bisbilhoteiro.
- Então – Leon se encostou ao batente da porta que ficava ao lado da cozinha – diga-me o que realmente quis dizer na hora que você me viu com ela.
Leon o encarava com os olhos frios, parecia que chovia agulhas por sobre Alan, o qual não cedeu.
- Vocês formam um casal perigoso, imaginei se poderia ser padrinho do filho de vocês – Alan, começou novamente a irritar Leon, que se dobrava ao máximo para conter a ira.
- Não minta! – Leon alterou um pouco a voz e fez o lustre acima deles tremer – e vi os seus olhos, olhos de quem trama algo, diga!
- Sabe Leon...Lembra quando eu disse que essa técnica? "O Vôo dos Anjos não é só uma técnica, é também uma "revelação", quem ganhar hoje irá lutar para alcançar o céu mas só alcançará se suas "asas" forem nobres, brancas e verdadeiras"?
- Sim me recordo - foi no dia em que ele perdeu a técnica do Vôo dos Anjos para Julian e Cléo – mas o que isso tem haver com o que você viu?
- Simples, agora a técnica esta completa, essa chama de amor que vocês criaram hoje, NO MEU SOFÁ BRANCO, fará com que vocês vençam. – Alan caminhava da mesa para a cozinha, colocando o café na mesa branca – ninguém alcança o êxtase dos palcos sem ter chamas, e a de vocês irão superar isso.
- Esta dizendo que essa técnica no uniu? – Leon disse analisando – não acredito.
- Eu não disse que ela os uniu, vocês foram unidos, essa técnica apenas adoçou o néctar que um dia vocês iriam vir a beber, eu te conheço Leon, no dia em que eu fui ao Kaleido Star, você iria recusar, eu sabia, mas Layla foi te ver não foi? Ora, vamos, imagino que na hora em que ela disse Vôo dos Anjos, você se recordou do beijo, algo queria aquilo – Alan então parou, encostou-se na mesa e viu Leon refletir, ele ainda lembrava aquela criança tão bela que ele amava tanto.
- O que eu sentia por Layla se provou real e só, não acredito em destino. –Leon forçava sua mente a achar que aquilo era mentira.
- Ela "revelou" essa relação, quem "irá executa-la irá lutar para alcançar o céu", fique sabendo que Julian e Cléo encenarão outra peça, eles não se amam, tem uma relação de simbiose, eles podem chegar até lá, mas pertencer a ele nunca. "Asas nobres, brancas e verdadeiras", reflita Leon, nobres, você deixou de amar, Layla deixou um parceiro por amor aos palcos, vocês são nobres, verdadeiras. Vamos nos recordar da faculdade, um beijo cênico, é para parecer de verdade, e um beijo de amor? É verdade! Não precisa acreditar Leon, apenas veja e sinta, diga-me você a ama não? – Alan tocou o rosto de Leon, e o ergueu a altura de seus olhos, os olhos deles estavam perdidos naquela afirmação, ele então encarou Alan, e viu aqueles olhos de pai, feliz com o sucesso do filho, com a nova namorada, e acima de tudo feliz consigo mesmo – sim você a ama. Pronto. Agora faça acontecer.
Layla descera e escada apressada, pronta para tudo que viria nos treinos, e encontrou Leon recostado no sofá, de pernas cruzadas encarando o chão e Alan na cozinha, terminando o café. Ela então se aproximou de Leon, pôs as finas mãos em seu rosto e disse:
- O que ele te fez? – ela forçou a rosto dele a se erguer, e ela pode ver duvida em seus olhos – me conte.
Ele abaixou novamente a cabeça e encarou o chão.
- Eu te amo, sabia? – Layla encarou a verdade, e disse com amor.
Leon se assustou, levantou a cabeça e a encarou surpreso. E sorriu. Esqueça a técnica, esqueça as duvidas, eu a tenho aqui comigo, e nada mais. Eles sentaram a mesa e comeram calmos.
Tempo, vento, amores, dores. O que a vida nos leva a fazer? Imaginamos às vezes quem faz isso conosco e se ri ao nos ver chorar, amar sem ser amado, sofrer por algo banal, viver uma vida sem escrúpulos e piedades.
Julian agredindo Cléo quando Leon e Layla se amavam, Yuri e May treinando ao longo da noite, Sora acordada arremessando um vaso de flores na parede, Kalos a caminho do hotel ao lado de Sara após um lindo jantar, Ken tratando os ferimentos e se sentindo ferido por agredir seu rival e dono do coração de sua amada, Rosetta olhando o sol a subir calmo na janela sentenciando-a a mais um dia a ver Sora triste...Mia e Ana a tramar contra o mais novo casal. Alan acordando e desejando que o tal destino da técnica se realizasse logo. O pai de Layla desembarcando de um avião na França...
Pessoas, em distintos momentos, na mesma hora. Varias diferentes horas. A mesma teia, a mesma roda...
Nota da Autora:
Bem, como podem ver eu elaborei um capitulo mais "apaixonante" por assim dizer. Tudo bem que terei de mudar a faixa etária para quem ler, mas está valendo. Eu me surpreendi quando escrevia esse capítulo, nunca imaginei que criaria uma cena assim, tão bela e ao mesmo tempo sensual, com real amor. Estou muito feliz com o resultado. Isso também prova que eu não sou só uma autora que cria "desastres", apesar de eu ter feito o meu Leonzinho apanhar e ser beijado pelo cobra da Cléo e fazer minha Laylazinha assistir, eu não vou para o céu...
Mais uma vez fiz o pobre do Leon sofrer, ele apanhou e foi vitima da bela (lê-se vaca) da Cléo, mas eu ainda reservei algo para ela. E tive a pachorra de colocar o Alan para atrapalhar a doce consumação do amor de Leon e Layla.
Achei engraçado deixar meu belo príncipe embaraçado, numa seção de sarcasmo impagável, a melhor parte da minha opinião é o sofá pecaminoso, quando escrevi isso eram 5 da manha de uma terça feira fria e eu não me agüentava na cadeira de tanto rir. E o jeito com que ele se dirige a eles eu amei! Eu, quando acabei esse capitulo, no outro dia de manhã (lê-se tarde, afinal acordei as 16:35) corri a contar a minha irmã, escritora de fics também para dizer que eu me superei.
Sei que esse capítulo perde no quesito tragédia, mas ganha no quesito humor e romance.
E esse capitulo, tenho que dizer, minou toda a minha energia, por três coisas:
Siga a ordem, inicio: onde Layla conversa com Leon e sai para o atelier, depois, a cena do romance dele, a parte engraçada, a discussão sobre o porque da técnica, esse post que escrevo agora, e mais alguns dias lendo os "enxertos" a fim de unir esse capitulo, ou seja, um total remendo que me levava a ter idéias fora de ordem o que leva demasiado tempo para unir, ou seja, desgaste total;
Ele é de longe um dos mais extensos que eu já escrevi, superando "momentos" e "deja vu", com mais de 10 pg., e haja paciência quando eu posto, pois eu tenho que aguardar 6 minutos! 6 minutos para postar algo que levo dias a escrever, o que é maçante;
E o fato que esse capitulo inteiro eu escrevi de madrugada em meio a MSN, vídeos do Youtube e sentindo que meus dedos iriam cair ou a minha mãe ia acordar e me crucificar na parede pois ela diz que não gosta de PC a noite.
Podem me xingar também, sei que quando vocês abrem esse tópicos imaginam que eu vá postar pouca mas a louca da escritora postou tanto que vou ficar horas e tentar achar o fim (que na verdade é inicio) e ler tudo isso, e podem ser sinceros se vocês esperavam mais, mas a creditem por essa cena tão linda eu mereço um desconto. O final já está escrito (na minha caxola), por isso esses espasmos de mente de escritora recaem sobre suas almas de leitores.
Mas algo já assola minha doce e penosa vida de escritora, O FIM, sim ele está próximo, tão breve que sinto o Mico (macaquinho pequeno, não azar) sentado no meu ombro, e me torturando com esse momento, que eu não quero que ocorra mas tem que acontecer.
Mas fiquem felizes, terão outras prometo, de Kaleido Star com certeza.
