Às vezes sonhamos com algo que está tão perto que mesmo que desejemos, ele não vem, ou temos algo e sem querer apagamos o fato que ele um dia pode simplesmente acabar, ou então cavamos nossas próprias covas para alcançar um algo, mas não percebemos, ou não premeditamos que sem querer podemos simplesmente desejar que aquilo nunca tocasse o fundo. Mas toca, e quando percebemos que não podemos fugir, que não há meios de sobreviver, apenas sobrevivemos, aguardando nossa hora consumimos nosso ar, nossas lagrimas, nossos medos, sendo aguardados em algum outro lado, esperando que um alguém nos salve, ou levando conosco um algo tão forte que nos sufoca.
Quando queremos que algo aconteça, não medimos esforços para alcança-lo, mesmo que para isso nos matemos, apenas estamos lutando por um motivo, motivo esse que traga nosso ar, seca nossas lagrimas, consome nossos medos, mas mesmo assim, vivemos, amamos e sofremos por que somos humanos, erramos, mas ainda assim, acordamos em outro lugar, talvez um novo dia, a fim de batalhar mais um pouco em outro buraco, e, bem, viver esse curto período de vida, essa breve felicidade, esse eterno pedaço de vida eterno...
- Leon feche mais as pernas, isso conta – Alan se esgoelava abaixo do casal, que trocava de trapézios durante os treinos da acrobacia – Layla! Endureça o corpo, parece que você está se jogando! Leon, Layla, agora é verticalmente e não transversalmente. Isso perfeito, agora se encontrem... E...Se agarrem, que seja... – disse então Alan bem baixo olhado para o chão.
Essa era a tal hora que Leon, e de certa forma Layla, aguardavam para se encontrar. Eles tinham em mente criar a técnica perfeita, o giro perfeito, a perfeita harmonia, mas ainda assim queriam tocar seus corpos naquela hora e se beijarem. Um beijo de amor, simples porem completo.
E era isso que eles treinaram por toda a manhã no ginásio vizinho ao teatro que seria apresentado o F.I.C., a técnica estava mais complexa, mais ágil, e mais fervorosa do que de costume. Após a primeira troca vertical, onde ambos apenas tocam suas mãos como se a relação entre esses anjos fosse proibida, Layla deveria impulsionar com seus pés a base do aro que pendia no meio do ginásio, assim, Leon que já se afastava do aro, podia executar uma seqüência de técnicas, tocar, o trapézio a frente, dar um giro, e voltar para o aro.
Neste percurso, Layla teria apenas tempo para voltar ao seu, executar uma manobra de dança e então voar em direção a Leon a fim de executarem o "beijo". Beijo este que havia sido esquecido há tempos agora era buscado com fervor.
Esse beijo porem era a única parte que realmente poderia matar alguém há tantos metros de distancia do solo. Leon deveria interceptar o trapézio, em movimento, e estabiliza-lo ao máximo para que Layla entrasse em segurança, mas, como há um elemento dentro do aro, que poderia se dizer que era também um trapézio só que redondo, ela deveria passar quase que reto, apenas como se estivesse deitada, para que Leon a puxasse e eles se beijassem, em segurança. Concentração naquela hora era fatídica para que nada desse errado, muita velocidade na chegada ao trapézio poderia balança-lo ainda mais, muita força ao puxa-la poderia machucar seu braço lesionado, muita força poderia desestabiliza-los e faze-los cair e sem redes a morte seria iminente.
Treinar, treinar e treinar era a chave, a cada encontro bem sucedido mais belo e longo era o beijo, não era segredo para Alan que aquela relação seria uma das mais belas mas uma das mais avassaladoras para Leon e também para Layla. Ele iria de qualquer maneira tomar posse de Leon e leva-lo ao Cirque mesmo que Layla implorasse a ele, e ela iria, ele sentia, também era grande a raiva dele quando eles se beijavam, era algo belo, intenso, real, mas quase que eterno para Alan que queria ação e não romance:
- Separem-se ou eu vou separa-los – ele gritava, mas era audaciosamente irritado por Leon que lhe "dava o troco" por tê-los atrapalhado em tão bela hora.
Por mais que Layla quisesse se afastar, ele a prendia, e enquanto Alan não soltava um palavrão e ameaçava mata-lo com um tiro ele não a soltava.
A manhã fora cercada de ótimas atuações, o sol subia e tocava o topo do céu quando eles deram uma pausa.
- Vamos respirar, e voltamos em breve – Alan terminou de dizer aquilo, se virou e foi embora, deixando os jovens na sala sozinhos.
Leon delicadamente estralou o pescoço, as mãos, e se alongou. Layla assistia a virilidade do jovem francês ao longe, cada músculo que se contraia, cada fio de cabelo que balançava, o abdômen molhado, as costas fortes. Ele encostou-se em uma mesa que se encontrava no ginásio, e olhou a janela. Fazia calor, a primavera estava para abandonar a França, provavelmente em breve veriam neve, mas ela tinha que dar seu adeus com uma calorosa despedida. Ele ainda tinha dores de cabeça, puxou os longos cabelos para frente e vagarosamente corria os dedos por eles, ora tirando os nós, ora apenas divagando.
Layla via aquilo com se parecesse que ele a desafiava. Ela por outro lado ainda não tinha coragem de tocar no assusto da noite passada apesar de ele estarem... namorando?
Era um namoro aquilo? O que era aquilo? Ela secava os cabelos suados, depois que desfizera o rabo, a roupa branca marcava seu corpo úmido, a calça justa estava úmida e para ela o ambiente pesava.
- ...yla...Layla...Layla? – uma voz ao longe a chamava, ela demorou a reagir e viu que era Leon.
- Sim? – Ela disse dura pois estava nervosa.
- Imagino que esteja pensando o que diabos está acontecendo não? – Leon parecia calmo, mas estava tão assustado quanto ela, ele a encetou aquilo, cabia a ele ao menos ajudar – venha aqui.
Layla se sentia assustada, apesar de toda aquela sinfonia que gritava para ela ira até ele, seu raciocínio dizia não, e ela não tinha capacidade de responder. Andava como se um algo a empurrasse, tremia, suas mãos suavam, docemente se aproximou dele e logo foi invadida por seu perfume cítrico, o mesmo que estava impregnado em seu corpo.
Ele gritava por dentro para não fazer uma loucura, ela o encarava, olhava a janela, seus olhos ficavam de um azul tão intenso que ele queria arrasta-la até ele e novamente possui-la, mas permaneceu sério e tocou seu rosto cálido afim de traze-la com seus olhos para dentro dele. Para ela, ele podia embebeda-la que ela sequer se sentiria tão embriagada em seus olhos, em sua alma como ele fazia.
- Eu...Eu quero que isso seja mais que um caso, e para que isso ocorra, tanto você quanto eu devemos esquecer que existe tempo e que existem pessoas ao nosso redor, se é que você tem alguma objeção – Leon fora tão corajoso que até se sentia estranho, falar aquilo com tanta seriedade a quem ele ama tanto era o mesmo que se apunhalar uma faca e gira-la em seguida em seu peito. Estava ansioso, seu estomago revirava com medo de uma resposta negativa por parte dela.
- Por que faz isso? – Layla disse fria, quase tocando seu nariz no dele. Ele arregalou os olhos azuis perplexos – por que me embriaga em seus olhos, o que eles têm? – Layla tocou a pele suada dele e respondeu – concordo.
Ambos se beijaram, um novo e secreto e acima de tudo, beijo de namorados.
A porta se abrira, mas estavam absortos demais para perceber que um moreno, alto, que usava meias trocadas, com um óculos de lentes amarelas, entrara, parou e os observava, em completo e absoluto silencio.
Leon nem sequer sentira a presença de Kalos no ginásio, quem diria Layla. Ele descia perigosamente as mãos em direção às coxas dela, ela vestia uma blusa simples branca e uma calça que batia na altura da canela justa ao corpo exuberante de uma grande artista de circo, Kalos franzia a testa, e ela por outro lado subia suas belas e delicadas mãos por sobre seu peito forte sentindo sua respiração, Kalos cruzava os braços, Leon então desviou seus beijos da boca dela e delicadamente correu sua boca para seu queixo, beijando-o delicadamente, e então passou para seus ombros, Layla estava absorta naquilo, ela e ele eram namorados por quanto tempo o tempo lhes desse.
Mas subitamente Leon parou, suspendeu a cabeça vagarosamente, ele desejava que fosse Alan, que não fosse ele, por favor ele não. Sim era...
- Kalos?! – Leon disse atônito, após dizer aquilo sentiu as mãos de Layla apertarem tão fortemente suas costas que ele fez cara de dor, eles novamente estavam numa posição nada pudica, Layla estava praticamente sob Leon, e ele estava com suas mãos por sobre suas pernas, Layla então se afastou rápido dele – bojour...
- Continuem – Kalos disse calmamente como era típico dele – o meu assunto não é tão importante assim...
- Na...não Kalos, perdoe-nos – Layla tentava se arrumar, mas via nos olhos dele surpresa, ele foi o primeiro a saber que ela e Yuri estavam juntos, e agora era surpreendido por essa repentina relação – o que deseja?
- Vim aqui tratar dos contratos – Kalos era um homem, calmo, às vezes frio, mas sempre muito profissional, cuidava do Kaleido Star como ninguém e amava aquele lugar com sua vida, mas aos olhos de Leon, que tentava ao máximo traduzi-lo, não havia palavra melhor do que "estranho", ele apesar de ver a cena, se manteve realmente calmo, mas Leon via que ele estava inquieto, ao mesmo tempo que Leon via Alan como pai, provavelmente Kalos era um pai para Layla – como sabem, Alan me dissera a instantes atrás que você, Leon, iria para o Cirque, então seu contrato não será renovado, e ele acabará assim que o Festival se encerrar mas preciso que assine uma papelada, já você Layla...
- Eu desejo, sim, voltar ao Kaleido Star – Layla disse convicta, mas algo doía em seu peito, era essa fatídica separação.
- Bem então há uma longa batalha pela frente – Kalos disse serio a ela – seu pai está aqui na França, e ele me autuou dizendo que se eu renovasse seu contrato que estava em aberto como sabe, ele abriria um processo contra o Kaleido Star, e sejamos sinceros, não posso brigar com Kevin.
- Meu pai!? Aqui? – Layla disse atônita – mas ele não disse nada!
- Na verdade você não disse, ele veio ao Kaleido Star e perguntou por seu paradeiro, assim que soube que estava aqui ele veio atrás de você...E de mim conseqüentemente, vou lhe avisando ele não está nada feliz, muito menos com o seu rompimento, e quando souber que você está com ele – Kalos friamente apontou para Leon, e este teve vontade de bater nele – provavelmente se negará a aceitar seus desejos. Mas também lhes trago boas noticias, tanto vocês quanto Yuri e May entrarão como duplas do Kaleido Star, desejo-lhes sorte.
Kalos se virou e saiu em direção a porta. Sequer encarou Leon, abriu a porta mas Layla o interceptou, e ela delicadamente sussurrou em seus ouvidos:
- Não diga, não conte a ninguém de mim e Leon, por favor – ela disse calmamente a ele.
- Sua vida pessoal não é assunto meu, mas, Layla, Yuri tem direito de saber, apesar de não terem mais nada ele está aqui, e não é por causa do F.I.C. – Kalos saiu serio do ginásio.
Layla deixou que ele fechasse a porta, em seguida se virou para Leon, ele estava novamente a olhar a janela como se nada o atingisse, nem pelo fato de Kalos tê-los visto juntos, ela se sentia com raiva de ele sequer se importar de que tudo o que eles estavam fazendo era errado, e ele simplesmente não ligava, ela então falou:
- Meu pai está aqui, e eu terei de vê-lo em breve – Layla tentava manter a compostura, sabia que Leon era frio e egoísta e por mais que não quisesse pensar nele, ainda queria que fosse Yuri para que ele lhe desse a devida atenção.
- Você pretende ir vê-lo ao irá esperar que te procure? – Leon a interrogou delicadamente, tentando ao máximo parecer que se importava, por mais que aquilo fosse totalmente irrelevante para ele.
- Eu...Irei aguardá-lo, se falar com ele agora vetará a minha participação, em breve eu falarei com ele – Layla diminuíra um pouco sua raiva, mas ainda sentia que ele não se importava – e tenho que falar com Yuri também – ela sabia que ele não precisava saber disso mas ainda assim precisava saber a sua reação pelo fato de ele ir procurá-lo.
- O que você quer com ele? – Leon disse com os olhos cheios de raiva, para ele, ela deveria ao máximo acabar com o seu passado com Yuri, apesar de ele saber que estavam fadados a acabar e que ele novamente perderia para Yuri. – pensei que não quisesse mais nada com ele.
- Diferente de você, eu ligo para o sentimento dos outros Leon...- como era estranho saltá-lo pelo nome, ela nunca fizera isso, e definitivamente soava estranho tudo o que ela imaginava no passado dele, onde ficara, com quem vivia, o que fazia, Leon era um mistério, talvez maior do que a própria vida de Yuri ou de Kalos, e ela iria descobri-lo – vou conversar com ele sobre nós e nada mais, se me dá licença.
Layla sequer olhou para trás, pegou o seu agasalho de treinos e o vestiu virou-se rapidamente do caminho para chegar a Leon e saiu. Fez questão de bater a porta e deixa-lo "apreciando a vista", Leon se encheu de uma raiva que transpirava por seus poros, sabia que se ela não voltasse até o tempo de Alan retornar, ele seria penalizado, ele ficou parado na mesa, ainda fantasiando com o fato de ter dormido com ela, e 8o-la beijado, e o ciúme de imagina-la com Yuri, sozinhos, talvez se ele fizesse alguma coisa, ou a tentasse a algo, ele iria se sentir como quem não fez nada para impedir isso, o ciúmes o corrompia, gritava, parecia que mãos invisíveis o seguravam pelo pescoço e o sufocavam. Sim ele era extremamente ciumento com relação a algo que era seu, e ele mais do que nunca sabia disso, desde sua irmã, até Sora, vê-la com Ken fazia com que ele remoesse suas entranhas secretamente, agora que tinha Layla então, sequer dormia, ele sabia que era algo que ele precisava ao máximo controlar, mas não conseguia, se saísse atrás dela saberia com certeza de que estaria se importando. Faltava-lhe ar, algo o puxava.
- Não vou – Leon dizia para si mesmo – eu não vou não vou atrás dela, ela sabe se cuidar, ela não iria fazer nada! – "mas e se ele fizesse, e se Yuri a forçasse a algo?", pensava.
Leon levantou-se com raiva, sacudia os volumosos cabelos enquanto andava de um lado para o outro inquieto, o tempo passava, fazia quase vinte minutos após sua saída, ele não queria ir, mas foi vencido. Pegou seu moletom preto, com detalhes cinzas, fechou o zíper e saiu em direção a Layla.
Layla saíra apressada, o ginásio dele era vizinho ao dela. Pensava no que iria dizer, e tentava ao máximo respirar a fim de não descontar tudo o que Leon não fez nele. Delicadamente bateu a porta, fechava os olhos azuis vagarosamente, deixava o ar entrar e aguardava. Repentinamente a porta abriu. E ela a viu, não Yuri mas sim, uma jovem exuberante a abraça-lo com fervor.
Quando passou a repara-la viu algo que a fez se encher de raiva e ciúmes, um ciúme infundado diria, mas um ciúme de ex-namorada, com aquela pessoa lá dentro.
Ela era uma mulher linda ela diria, talvez uma das únicas que conseguiria competir com Cléo, tinha os olhos amarelos como o mel mais doce, levemente temperado com verde, alta, tinha um corpo inferior ao de Cléo, mas ainda assim suntuosa e intimidante, os lábios carnudos, eram ressaltados por um batom vermelho rubro, tinha os cabelos tão brancos quanto os de Leon, cortados na altura do ombro formavam cachos volumosos, estava toda vestida de branco, tinha uma blusa com um excitante decote, protegendo os seios fartos, uma mini-saia colada ao corpo desenhavam as pernas de modelo, e uma bota de cano alto elegante a tornava perigosa, perigo esse que estava abraçado a Yuri.
Conforme Layla entrava ela delicadamente se afastou do corpo do russo e encarou Layla com aqueles belos olhos, olhos de criança levada diria, ela andava em direção a porta e segurava um pesado mas suntuoso casaco de pele branco, ela docemente beijou a face de Yuri que se apresentava assustado por ver Layla, e passou por ela com graça e beleza, Layla pôde sentir o perfume doce no ar, e sequer virou para vê-la ir embora, ela fechou delicadamente a porta.
Layla tremia por dentro, ela sabia que estava errada, ela dormira com Leon, mas ver tal moça lá perturbou o coração da jovem, seria possível ela ainda sentir algo por ele? Se naquela manha ela já havia dito "eu te amo" para Leon? Ela mentira a respeito disso? Não, ela não mentira, escolhera o que seu coração de guerreira sempre quis agora ela tinha que aceitar as conseqüências.
- Yuri...Eu vim falar com você – Layla começou, era torturante imaginar que o que ela diria agora seria o fim para Yuri, a quem ela amou tanto e sem precedentes que sequer olhava para trás quando ele a chamava, mas agora ela pertencia Leon, e ele a ela, o fim estava em suas próximas palavras e a reação quanto a elas era um mistério.
- Olá Layla – Yuri respondeu calmamente e a deixou desconfortável, ela sequer lhe perguntou se estava bem, ou como estavam os treinos, e isso era do feitio de Leon, algo que ela precisava mudar, mas mesmo assim ele não se intimidou, sabia que aquela podia ser a volta deles, Yuri torcia para que fosse aquilo – não ligue para ela, ela só veio aqui porque nos conhecemos a um certo tempo sabe, mas não entendo o que ela faz aqui...
- Eu não preciso de suas explicações, afinal não temos mais nada – verdade, nada, eles não tinham mais nada, mas ela também sabia que sua relação com Leon era tão repentina quanto o frio que estava atingindo docemente Paris naquela época, uma hora acabaria e ela teria de enfrentar novamente o mundo, mas dessa vez, sozinha.
- Eu tenho que te dizer algo – Layla era uma mulher de fibra, tinha garra para vencer a tudo e a todos, e seria um crime enganar o coração de Yuri, que tão fortemente a amou, e muito menos o de Leon que confia tão fortemente no dela que ele preferiria morrer a ter que abandona-la, ela era sincera e verdadeira, tinha coragem, e sempre enfrentou tudo com unhas e dentes, e ela seria a estrela que sempre foi e sempre brilhou, por mais que desejasse não fazer aquilo, mas era a hora e esta era agora – eu estou envolvida com Leon, eu e...Ele estamos juntos, e venho aqui dizer isso antes que qualquer jornal, ou tablóide diga, estou sendo sincera e verdadeira com você espero que entenda.
O chão sumira naquela hora para Yuri, ela disse Leon? Layla se envolvera com Leon? Aquele maldito francês fez aquilo? Seria o troco por ele ter perdido a apresentação do Festival no qual Sophie morrera? Yuri se perdia em pensamentos e ações, o que deveria dizer não sabia, perdia cada movimento de voz, não sabia como agir, como era doloroso imaginar que ele, sim, a veria com outro, outro esse de nome Leon Oswald, o ser mais decrépito que o mundo poderia imaginar, com a sua deusa, o motivo pelo qual ele lutou, chorou, e quase perdeu, agora ele perdia para ele Leon.
- O que quer que eu diga? O que quer que eu faça? Layla eu estou aqui por você, eu amo você! Eu preciso de você! Por que ele? – Yuri avançou com violência para cima de Layla, a empurrou tão fortemente contra a porta que ela sequer teve chance de reagir, a dor assolava seu peito branco, lagrimas brotavam de seus olhos que buscavam nos nela amor, mas ele apenas via que ela sofria aquela dor calada como sempre fazia, seria Leon capaz de sentir a dor dela e conforta-la? Seria ele capaz de ama-la incondicionalmente como ele amou? Não ele não era ele saberia, e ela também tinha consciência disso, mas mesmo assim ela o escolheu.
Layla tocou seus doces cabelos loiros, secou suas lagrimas e levantou seu rosto. Ela sentia que ele a amava tanto que seria capaz de nadar o Rio Sena de ponta a ponta por ela, mas ela agora jurou seu amor a outro, por mais que soubesse que trocou um amor de uma vida interia por um que acabaria em algumas semanas, um amor de chama curta, que se extinguiria como uma vela, mas marcaria como uma ferida doce, bela e devastadoramente triste como um ponto negro em seda branca, escolhera Leon.
- Sinto muito, não peço que me espere, mas aguarde o meu retorno, siga sua vida incondicionalmente Yuri – Layla queria mais do que nunca correr, correr para Leon, chorar no peito forte dele, até que não pudesse respirar mais, o que ela fazia com Yuri os céus nunca iriam perdoar, sua alma iria gritar e seu ser iria se despedaçar aos poucos, mas agora ela precisava ser apenas ela e Leon.
Yuri escorregou vagarosamente até o chão, e chorava um choro silencioso nos pés de sua amada, ele não iria permitir que aquilo ocorresse, não com Leon, parecia que agora o destino realmente o faria aceitar aquele acordo...
- Vá embora, eu...Tenho que treinar, May logo chegará aqui e ela não quer te ver, você acha que foi eu fui o único a ser ferido com essa historia, mas se engana, eu, Sora, May, Cléo e até Julian fomos vitimas, você e Leon se merecem, por sequer respeitar o fato de que amores vêem e vão, mas poucos são tão verdadeiros quanto o meu, mas vocês se amam e pisam nos outros sem precedentes, boa sorte Layla, mas amor igual ao meu você nunca terá – Yuri suspendeu o corpo pesado e dilacerado no ar, e ergueu a negra face a altura dos olhos de Layla – e lembre-se, Leon só tem olhos para Cléo, ele já fez isso com muitas outras, se você pensa que ele é o Deus da Morte apenas porque Sophie morrera se engana, você é mais uma na lista dele.
- Adeus Yuri – Layla saiu com violência do ginásio, bateu a porta, andava dura por entre o caminho cercado de floreiras que morriam e se tornavam marrons. Por que ele disse aquilo? Ela sabia que era mentira o amor dela, duraria apenas algumas semanas. Algumas semanas que ela deveria ao máximo se sentir feliz com Leon e mais ninguém.
Começou a correr, queria chegar ao ginásio e se abraçar a Leon e não 8olta-lo nunca mais, tinha um longo dia ainda, mas seria um longo dia ao lado de Leon...
Era ele que vinha ali adiante, os cabelos esvoaçantes corriam em sua direção, a encantava, aquele encanto de garota apaixona que era. Ele a interceptou, via que chorava muito, estava assustada e...Arrependida, talvez por causa dele, ou do romance deles, e sabia o quanto era imenso o amor de Yuri por ela, mas agora ele realmente sabia que ela se entregara para ele definitivamente e por mais que Yuri a amasse, ele, Leon era agora dono daquele corajoso e infamado coração de fênix.
- Eu...Yuri...Eu...- Layla tentava manter dialogo com Leon, as pesadas mãos dele seguravam seu rosto, mas seus doces dedos interceptaram seus lábios trêmulos. Layla sentia a respiração quente dele em direção aos seus lábios, mas por que ele não a beijava?
- Não quero saber, sei que estou errado mas quero só ficar com você, Layla eu te amo, mesmo que seja só por esse pouco tempo – Leon então correu seus lábios naquelas doces e rosadas maçãs do rosto, e recolhia cada lagrima dela que derramava, queria que o tempo fosse algo que ele controlasse, para poder amar algo que ele procurava a vida inteira.
Naquela noite, que antecederia o dia no qual o Festival começaria, Alan lhes fez o favor de sair para tomar um ar a fim de colocar as suas ideais no lugar. Leon e Layla iriam aproveitar o fato de que ele saíra, passaram a noite juntos, felizes como se fossem casados, se deliciaram por estar novamente corpo com corpo, e suas almas se tocavam freqüentemente. O fim estava tão próximo que os deixava tensos, a saudade daqueles breves mas românticos momentos era incessante e cruel. Foram as mais belas duas semanas de sua vida, e em seguida provavelmente as mais cruéis também, Layla havia vestido uma blusa preta cacharrel de lã de Leon enquanto este permanecia na cama coberto apenas com um pesado cobertor a fim de espantar o frio.
Layla encarava as belas prateleiras de livros de Leon, grandes autores repousavam nelas, e grandes duvidas que estava disposta a esclarecer.
- Você comprou tudo isso sozinho? – ela disse docemente enquanto corria os dedos pelos livros.
- Não, alguns eu furtava da biblioteca no caminho da escola, até mais ou menos meus 16 anos quando comecei a trabalhar de verdade com um emprego que não fosse circense ai eu os pagava. Era a biblioteca nacional eles colocavam somente livros novos, e geralmente depois que eu afanava um já havia outro no lugar...
- Então você não é inocente de seus atos? – ela respondia com um tom alegre na voz.
- Não, nem um pouco, mas não tinha como paga-los e só comecei a rouba-los porque comecei a estudar literatura e eles me chamaram a atenção, principalmente os renascentistas e os romancistas como Goethe, o qual eu mais gosto – Leon na cama via o quão excitante suas curvas eram ressaltadas na larga blusa, o perfume dela se impregnava na blusa, que ele mesmo jurou que não lavaria.
- Onde você ficou todo esse tempo? – Layla começou a buscar respostas no mais belo e provocante Deus da Morte que conhecia, apesar de ele estar muito mais dócil que o normal.
- Você diz da época que Sophie morreu até a hora em que apareci no Kaleido Star? – ela afirmou com a cabaça, e ele então prosseguiu – eu me escondi um período numa casa de campo na Itália, eu tinha dinheiro por causa de meus pais que eram abastados, e me abriguei lá, não precisava trabalhar pois me mantinha com o dinheiro deles, ficava muito tempo sozinho assim adquiri essa personalidade hostil, mais tarde vi que o Kaleido Star tinha perdido sua estrela, você, e ai decidi tocar a minha vida logo que soube que Cléo realmente ficara com Julian...
- Entendo, todos esses livros, você não tem revistas de pornografia nem nada? – Leon soltou uma doce e envergonhada risada – imagino que você sendo adolescente não pensa nisso? – adolescente era a palavra mais duvidosa que ele possivelmente diria que era, tanto para ela quanto para ele, mais eram como crianças, jovens que aprendiam a amar, viver, sonhar e sofrer, num mundo que não tem piedade de ninguém, isso era algo que ele tinha certeza que era.
- Existem romances eróticos para isso, e sim depois que eu passei a andar com Julian, ele me fez o favor de contaminar a minha mente, estenda os braços – Leon disse docemente, se levantou da cama e delicadamente repousou suas mãos na cintura dela, que era acobertada por sua blusa, porem deixava aquelas belas pernas virginais aparecerem, ela tocava só a beirada da mais alta estante com a ponta dos dedos, afinal não era muito alta quanto ele, esta quase tocava o teto – a partir dessa altura encontram-se os livros menos pudicos – ele estendeu o braço e pegou um livro somente, Layla podia sentir a doce respiração dele em seus cabelos – este é do Marques de Sade, acho que o mais perigoso que tenho.
- Posso ver? – Layla disse com olhos inocentes.
- Isso não é apropriado para tal dama – então Leon o colocou no lugar e puxou um de uma prateleira mais abaixo, Layla fez cara de brava, mas deixou que ele prosseguisse – esse é mais apropriado – e entregou um livro do autor Goethe, de nome "Os Sofrimentos do Jovem Werther" - é um bom romance, trabalhoso, típico de autores românticos, leia pode me devolver quando quiser.
- Werther, gostei do nome... – ela disse revirando o livro, ele cheirava a pó mas estava em ótimo estado.
- "O que eu sei, todos podem saber; meu coração, porém, só a mim pertence", a frase mais bonita do livro em minha opinião – Leon então arrastou Layla para a cama e a fez se sentar.
Ela já imaginava o resultado daquela pausa, porem sabia mais do que nunca que era necessário uma atitude, mesmo sendo essa a mais cruel possível...
- Eu sei que nem você nem eu queremos isso mas...- Leon se ajoelhou a frente dela e recostou suas mãos sobre as dele – entenda, o que fizemos acaba aqui, nesse exato dia, amanha entraremos por aquela porta, e ai tudo se acabará, saiba Layla que eu ...Te amo, por mais que saiba que vou perder, mas saiba também que eu sou incapaz de te arrastar ao meu mundo, e que não posso prender a mais bela e corajosa fênix nele, quando esse dia raiar isso ...Será passado, seremos artistas de circo, profissionais como você é, e seremos então...Vencedores...
- Eu queria não vencer, queria fazer isso eterno, eu te entendo, talvez apesar de minhas chamas, talvez ainda não seja forte o suficiente para iluminar seu caminho por muito tempo...- Layla se sentia fraca mas sabia que ele estava sendo sincero com ela, e realmente nem mesmo o tempo poderia combater aquele sentimento.
- Quero que você ilumine somente o seu, eu fiz isso comigo, agora tenho que aceitar a verdade.- Leon também se sentia diminuto com aquela atitude dele, queria lutar, queria mais uma vez fugir, mas aceitou que perdera, beijou as costas de suas mãos e recostou sua cabeça no colo dela.
Como ele mudara, Layla via, ele era adestrado para ser rude com outros, mas com ela tinha encanto, olhos de Deus, era controlador, sabia como domina-la com seus olhos sentia que ele era mais do que Leon, era um Deus e visivelmente era talvez por isso que suas parceiras se rendiam a tais atrocidades, queriam apenas estar com ele, o Jovem Leon, difícil de se penetrar, mas uma vez dentro você não iria querer sair, e era justamente por isso que era aquela hora em que ela devia docemente se afastar dele, aquela era a hora. Layla então e ajoelhou a altura dele, e a sua frente disse:
- Irei me afastar, iremos quando o sol raiar sermos Layla Hamilton e Leon Oswald, mas até lá, essa noite ainda somos amantes, somos apenas amantes...- Layla terminou por beija-lo com louvor, com lagrimas que escorriam dos olhos, queria esquecer que nem seu pai nem seu ex-namorado eram capazes de existir, era agora apenas ela e ele e quatro paredes, seu mundo...
Layla e Leon dormiram abraçados a restante da noite deles, mas alguém naquela cama não dormira e era ela, a bela flor selvagem. Deitada ao lado dele, ambos nus, corpo com corpo, ele apoiado com sua cabeça na nuca dela, repousava sua mão em sua cintura, ela permaneceu acordada, olhando a janela, pedindo aos céus que ele não subisse ao céu, não tocasse os céus, nem mostrasse o quanto claro era o dia, ela queria a penumbra, a noite, que guarda as verdades e mistérios, que apaga as duvidas e lamentos com suas trevas. Que ele não viesse que se esquecesse da humanidade. Mas sabemos que um novo dia sempre vem, sempre nos dá o ar da graça, da vida e de uma nova chance.
Ele raiava silenciosamente, aos poucos dominava o quarto com seu calor, e ela apenas quieta, chorava, "era ontem só meu, e hoje eu o perderei para o mundo no qual pertenço" ela pensava. Ele logo tocou sua face e demorou a sentir o seu calor, deixou uma lagrima cair, e essa logo se secou em sua face, naquele caminho apenas aquela sensação de que um sentimento passou ali:
- Isso, roube o que eu conquistei, você me batizou e agora o tira de mim, mas não seque minhas lagrimas elas são as únicas que restarão no final – Layla sussurrou quieta enquanto ele tomava o quarto.
Ela docemente puxou a mão esquerda de Leon que repousava em sua cintura e a arrastou até seus lábios, e a beijou, deixou uma leve marca, enquanto ele dormia. Em seguida se levantou, juntou suas roupas e foi para o seu quarto, o dia raiou, e agora não haveria mais volta, Layla Hamilton então voltou das cinzas para brilhar como fênix.
Esperando ela delicadamente fechar a porta de seu quarto, Leon abriu os olhos, e viu a marca que ela deixara em sua mão, em seguida ele beijou-a, aguardou mais um pouco e também se levantou era o dia e ele deveria acontecer...
Como nos livros, alguém sempre perde, mas na vida todos perdem algo para conquistar um destino novo, então que fosse aquele ao menos um premio de consolação a ambos derrotados...
