Disclaimer: Kaleido Star não me pertence mas os OC's sim.
Para facilitar, os pensamentos em sublinhado são os da Layla e os em itálico são os do Leon.
Enjoy the very end!
Cap XIII - Adeus
Homens em uniformes pretos e armas pesadas invadiam correndo os andares do palacete onde seria então o Festival, sorrateiramente cobriam com sua presença corredores, entradas passagens e mantinham tudo no seu estado mas agora vigiando o local, talvez algo pudesse realmente acontecer...
- Rápido, dois em cima do palco, quatro nos corredores inferiores, monitorem o circuito interno de câmeras e as gravações, quero dois no estacionamento e nas saídas – Gerald gritava para seus subordinados, todo de uniforme preto, arma na cintura e espírito de guerreiro via que a missão de hoje não era muito arriscada mas carregava com ela o desejo de justiça de um homem apaixonado, era no mínimo prazerosa, se fosse possível pegar a tal pessoa a qual fora feita a denuncia seria de grande valia – breve o Festival vai começar, preparem-se!
- Layla Hamilton e Leon Oswald – um dos organizadores disse – logo após Yuri Killian e May Wong.
Foi o suficiente para que os dois guerreiros saíssem em direção ao aquecimento e dar os últimos retoques nas roupas e maquiagens. Por mais que não parecesse eles estavam ansiosos com aquilo, e foi esse sentimento e um misto de muitos outros que sentiram momentos antes de cruzar o salão logo após descerem de seus quartos.
Desceram do elevador calados e refletindo sobre tudo o que havia-lhes levado aquele mundo, caminhando pelo saguão do hotel rumo ao anexo do prédio que era realmente novo, pois tinha sido reformado de forma que o hotel e o prédio do festival ficassem juntos, a vista de olhos perigosos e sensações estranhas, agora era a hora de provar do fruto que alimentava suas almas. O palco. Que fosse ao menos real aquela mentira, sim já se tornou mentira, dessas mentes perturbadas, Leon e Layla agora perderam-se no mundo normal, deixaram o canto de fadas, são agora atores vitimas de seus atos.
Rapidamente, perto do local, eles já sentiam a ansiedade de subir naquela imensidão chamada palco, ver os rostos e sorrisos, sentir as sensações deles, enfim ouvir as palmas do publico, aquilo era a única coisa capaz de satisfazer seus desejos em meio ao turbilhão de fatos que os rondava.
Logo entraram na sala de espera. Rostos novos e velhos haviam lá, tanto Layla quanto Leon reconheciam que não eram bem vindos. Murmúrios eram ouvidos, olhares os perseguiam, saudades dos palcos calmos agora vinham à tona.
Trocaram olhares, ela estava linda, ele também, mas por que eram incapazes de dizer o que sentiam?
Mas tudo o que nos pede desafios tem os seus rivais.
Julian e Cléo apareceram ao fundo da sala, eles estavam majestosamente lindos, a técnica deles era um mistério, mas nas roupas negras com detalhes de labaredas já tinham em mentes que era algo grande e perigoso. May e Yuri entraram logo em seguida. A trívia estava formada. Yuri e May trajavam roupas roxas.
Que a batalha começasse agora.
Ninguém falava ou ameaçava, como profissionais apenas analisavam, se comparavam, logo um a um saíram e foram para o aquecimento.
Layla na trave e Leon na corda se perdiam em suas mentes temerosas, às vezes revisavam alguns movimentos, ora se encaravam.
Quando perdemos ou sabemos que uma hora a corda arrebenta para o lado mais fraco, sabemos como reagir à perda? Ele já havia se isolado em seu mundo cativo novamente, perdido na sua mais nova derrota para o jovem que logo após ele iria subir ao palco, Leon entendia e sabia o quanto perder era duro, mas sabia se fortalecer mais a isso. Já ela, forte como deusa ainda sentia que tinha algo a fazer. E o fez.
- Tenho que falar com uma pessoa – Layla disse fugindo das mãos de Leon, ela agora tomaria uma decisão de reagir, a uma corda que se arrebenta aos poucos. Saiu em disparada deixando Leon sozinho.
Breve sentiriam, veriam o mundo que o amavam e depois iriam embora, fugiriam de desejos e sonhos, de seus sentimentos. Para um futuro tão indefinido e inseguro que suas almas agora seriam como estrelas que sobem ao céu mas tinham sequer força para tocar uma a outra com seus brilhos.
- Preparado para perder Oswald? – furtivamente interrompido em seu pensamento, eis que surge o real "vencedor", Yuri sussurrara em seu ouvido – podemos não vencer o Festival, mas você não vai ganhar – seus olhos assumiram a mesma personalidade da batalha que tiveram a um tempo atrás por sob os ares do Kaleido Star, olhos de ânsia e desejo, olhos de terror.
- Mas ao menos roubei um breve espaço que era seu Yuri – ele o encarou nos olhos – ela vai se lembrar de mim nem que seja por um festim de memória mas estarei lá – Mentira. Ele sabia que ela era bem capaz de apagar tudo, mas precisava de uma marca, precisava deixar algo com ela, algo real, inocente e puro, algo novo que ela percebesse ser necessário para voar e renascer, se ele era capaz de dar isso não sabia e talvez agora o máximo que tinha certeza era de que viraria ...Memória.
Layla se distanciara, Leon fugiu e então outros olhos interceptaram os do desolado russo, que então se cruzaram, azuis com azuis, perigo e sagacidade, o jogo começava agora.
- Alan! – ela gritou ao fundo, sua roupa deslizava no ar, seu perfume era carregado com a brisa, e ele se virou para encarar o seu mais novo triunfo, Layla – Alan!
- Está muito bela Layla, mas não será o suficiente.
- Então...Estava me esperando? – ela o interrogou.
- Sim, você e eu somos tão iguais quanto você pensa, mas sinto te avisar que ele já assinou, ele me pertence e agora ao Cirque também – Alan os moveu para um canto mais reservado do prédio, um local inseguro diria, que cheirava a medo. Ela estava .lindamente ofegante, seu busto se inflava, ofegante, mas ainda não era o suficiente.
- Não o tire de mim! – Layla o agarrou fortemente pelos braços – deixa que ele viva!
- Ela está vivendo, o Kaleido Star não é lugar para ele, Layla, ele nunca pertenceu aquele lugar e muito menos a você – Alan tomava a personalidade que Leon temia as vezes, tal pai tal filho – Layla essa tanto você quanto ele perderam, achavam que o mundo que viveram aqui é cor-de-rosa? Paris é o lar de anjos mas de demônios também e estes ceifam os destinos, Salut Layla se não ir irá se atrasar, agora vá, vocês ainda tem alguns minutos antes do "Adeus". – ele se retirou e a deixou mergulhar em suas palavras, dirigindo-se ao seu lugar para o espetáculo.
Adeus, como algo que sempre nos soa como um "até logo" pode ser tão pesado assim? Ninguém nunca diz de verdade, ninguém nunca imagina que isso realmente ocorre, mas sempre sabemos a hora em que não tem mais volta.
Layla correu de volta para os bastidores, queimava como uma folha de papel antes de consumir em cinzas. Ela renasceu tantas vezes quanto podia lutar...
"Eu procuro algo que me leve a um novo eu", uma nova era, uma nova Layla, uma nova fênix era o que queria, ela refletia, deslizava no ar como uma borboleta ...
Mas fora duramente repreendida por um obstáculo no caminho, uma mão forte a agarrou e a empurrou ferozmente contra a parede, sentiu tonturas com o choque, uma mão tapou sua boca e seu nariz, algo tinha nela, um cheiro forte, atordoante, escorregou levemente ao chão, seus olhos revirados, queria lutar, queria que ele parasse, essas mãos frias, fortes e negras, ele parecia queria apenas inebriá-la, impossibilitá-la de lutar, ela iria assistir a ele se vingando, a foice de estripador, de Julian, finalmente tocaram seu pescoço, agora chegara a sua hora...
Mole, sentiu-se sendo carregada, quando recobrou a razão, ou ao menos parte do senso de visão, pode distinguir aqueles belos olhos azuis cintilantes a dominar aquela situação, Layla não conseguia gritar, sua mente tortuosa queria fazer algo entretanto não conseguia, se apoiava com força na parede as suas costas, onde estava? Num quarto escuro, como a sua mente.
- Melhorou? – ele dizia enquanto revelava seu peito forte tirando a parte de cima de sua roupa, tinha um cigarro aceso que parecia ainda mais perturbá-la, todo cheiro, ou foco de luz a confundiam, os carros passando pela janela embaraçavam sua mente, e nas luzes dos faróis seus olhos cintilavam vibrantemente cruéis – não se preocupe o efeito é temporário, mas se eu fosse você gostaria de escolher as morte, me deu trabalho achar esse local, sabe, quando te acharem já será bem tarde.
- Não...Eu preciso...Do Leon, a técnica...- Layla então sentiu o rosto se esquentar violentamente, doía, fora surrada por Julian, um tapa seco na cara anestesiada a abateu e logo foi forçada a se levantar.
- Leon, Leon, Leon, vocês duas só falam dele, terão o mesmo tratamento - ele vagarosamente percorreu com suas mãos aquele belo corpo, cheirava a rosas, com as mãos contornava os seios brancos protegidos pela roupa, apertava docemente sua cintura, sentia prazer naquilo, ela submissa a ele, o abdômen definido, beijava com força o pescoço e a face deixando marcas que a faziam gemer de ódio, sabia o quanto aquilo era horrível, afinal ele sabia, Leon passara por aqueles lugares, e saber o quanto era nojento ter outro lá no mínimo a fazia querer gritar, pena que não conseguiria tão cedo – qual será a reação de Leon quando saber que eu possui mais uma de suas belas fênix?
Layla tentava se libertar, forçava, mas seus músculos não respondiam, ele violentamente rasgou o laço das costas e lentamente abria zíper lateral do colan que a cobria. Ela não queria! Sua mente custava a lutar, era fênix mas agora talvez não fosse capaz de fugir dele "Alguém ...socorro!
- Onde ela está? – Leon gritava no corredor da concentração, assustava a todos com a sua ira, com a ordem definida não poderiam se atrasar e logo subiriam ao palco – onde ela ..ESTÁ! – ele rugia selvagemente.
- Você procura alguém? – um homem o interceptou, vestido de preto, com uma arma na cintura, Gerard apareceu – sou o comandante Pierre, imagino que possa ajuda-lo.
Aquele homem altivo, poderoso, musculosos, da pele morena, olhos verdes, da mesma altura de Leon, dominante personalidade mas dócil como uma pessoa que conhecia, isso lhe trouxe uma sensação diferente e tocante a sua alma, anos se passaram até que finalmente pudesse recordar de seu pai porém naquela hora com aquele homem, ele o fez sentir a sensação de seu pai, Alexander.
- Ah...Sim, uma moça loira de nome Layla, Layla Hamilton, ela é minha parceira e desapareceu. – poderia naquela hora puxar uma descrição mais clara dela mas algo agora o impedia, navegava nos olhos claros, na sensação de poder que ele tinha, do corpo forte e treinado, e fora surpreendido por seus olhos.
- Leon, vou procura-lo, não se mova um centímetro, eu vou acha-la, prometo – ele virou-se e comunicou ao radio do desaparecimento – que comece a caçada.
Naquele momento porém alguém mais estava agitado, a busca da fênix,Yuri saiu em disparada vindo sabe-se lá de onde, ofegante, passou por Gerard que o interceptou, entendeu também que ele estava a procura da jovem, deixando Leon para trás, ambos começaram a revirar o local, eles precisavam acha-la.
- Yuri! Sabe onde ela está? – Leon gritava para ele enquanto este se afastava. Não o respondeu.
- Vou atrás dele – ele saiu atrás de Yuri, sacou a arma, e sumiu no longo corredor.
- Pare, por favor – parte de seu delicado corpo já estava exposto, sentia o ar a passar pela região do peito e por entre as pernas, com cuidado ele despia levemente o busto ofegante, que logo se mostrou branco e com demasiado ódio, sentia os dedos dele a tocá-la com raivosas mãos.
- Tão bela, tão jovem – corria os lábios, tocava com a ponta da língua aquele local que Leon um dia passou, e a envenenava com palavras – O que ele tem? Algum dom ou fetiche para atrair tão belas fênix aos seus pés?
Ela também não sabia, talvez essa fosse a única coisa que desconfiava a sua vida inteira, como alguém como ele podia atrair olhos sendo tão negro e vil? Um dia talvez descobrisse, mas agora ela queria ajuda, queria ele para carrega-la de lá e envolve-la em seus braços fortes e sumir com ela.
Revelar aquele corpo foi fácil, contornar o quadril tão desejado, liso, era tão pecaminoso que ele se sentia dominado pela mesma sensação de quando feriu a Cléo, ele não conseguia controlar a ânsia de possui-la, faltava pouco, tirou-a da parede e prostrou-a no chão frio, beijou os lábios com violência, para que ela não se libertasse tombou todo o peso de seu corpo sobre tão divino ser, ela não queria, firmemente a agarrou pela cintura, ela seria usada agora?
- Chegou a sua hora, o beijo da morte, terei a honra de possuir a mais bela fênix, ou melhor o mais novo "affair" do meu mais doce inimigo.
Num lapso de desejo e ansiedade Leon ameaçou sair mas foi puxado por uma delicada mão vestida de negro, a mão da jovem que o corrompera.
- Leon você precisa saber de algo – Cléo o interceptou a fim de não deixar ele seguir caminho.
- Não preciso te ouvir – seu mesquinho ego agora gemia, o que ela iria querer naquela hora?
- Eu tenho algo a lhe contar, foi sobre a noite em que tudo o correu. Nunca! Nunca quis ir para a cama com Julian, eu fui obrigada, ele me sedou, como era amiga dele, pediu que lhe falasse, eu fui e lá ele me drogou, e me...Bem você sabe, mas isso era só um pretexto para algo que Yuri e ele tinham em mente, quando isso ocorreu, Sophie fora a encontro de Yuri... que não apareceu e Sophie... morreu, Leon, Julian tramou aquilo, ele preferiu deixar de se apresentar para que pudesse nos destruir, entenda que eu te amei e te amo até o final, eu descobri isso anos afinco para te contar a verdade! Não o amo, só quero justiça! – a confusão em sua voz era tão real que Leon sequer a entendia, mas o final já foi o suficiente para que ele se enfurecesse.
- O que está dizendo? – Leon gritou – ACHA QUE VOU ACREDITAR EM VOCÊ NOVAMENTE!
- NÃO ACREDITE! – ela chorou, lagrimas de um ódio secreto por esconder algo que talvez fizesse diferença a alguns anos atrás, e ele se recordou da noite na ponte, do amor, deles, mas ela estava disposta a tomar o que era eu de volta - Julian e Yuri armaram tudo! Era isso que estava te dizendo! Eles tramaram o plano para que Sophie saísse atrás de Yuri e você iria perder porque ela nunca iria encontra-lo, ele venceria! Isso era parte do acordo, sem eu e Julian, Yuri e Layla venceriam, mas ela morreu no acidente! Já eu, fui violentava por Julian de forma que parecesse acidente, entendeu? VOCÊ FOI USADO LEON! Eu fui o pivô, você foi usado, agora entenda – ela agora daria o grã finale, muito faltava naquela historia, sabia que na realidade ela desejou a morte de Sophie, e que ele estaria novamente em outra trama, que nunca iria saber a verdade, mas mesmo assim faria, ela o amava e no amor e na guerra, vale-se tudo – eu te amo Leon!
"Eu te amo", era isso que faltava a boca dele, delas, Leon assustado então percebeu duas jovens no corredor, uma dona do demônio de roxo e a outra de branco, Sora e May, amores perdidos no ar. Algo em sua mente transpassou a barreira do imaginável, tudo agora fazia demasiado sentindo, a derrota, as vitórias, a técnica do Vôo do Anjos era vitória garantida, não havia porque desistir daquilo, e Cléo era... seu ex-grande amor.
Sora...que ser lindo ali a frente daquela cena, ela logo percebeu que nunca iria vencer de tal beleza, se conformara com a derrota, mas não com a perda, era dali a instantes que perderia Leon, que seria obrigada a ser "livre" novamente...estava ela pronta?
May no entanto queimava um ódio perdido nas trevas, um prelúdio de derrota profissional, não que o amasse, para ele seu amor era o que menos importava, ela queria vencer, e com Yuri fora de seu caminho, até mesmo um demônio pode reparar que ele novamente seria o melhor... sendo deus ou sendo homem, mais uma vez perdera.
- Se isso é verdade - ele a interrogou hesitante e disse – onde está a Layla agora? Novamente cai na trama de Julian?
- Sim...ela ...
Talvez, às vezes, somos violentados por nós mesmos, desejamos ser responsáveis ou exigimos algo que não teremos, sacrificamos nossas almas, subjugamos desejos com medo de nos ferirmos. Layla queria ser pura. Porem mesmo as mais belas fênix tem feridas impagáveis e atos irrefutáveis, imutáveis que permanecerão como borrões em fotos antigas, corroídas pelo tempo, mas que ainda estão lá. Leon ainda vive um passado de mentiras e Julian ainda precisa entender que nada que se faça no futuro mudará o passado.
- É chegada a sua hora – sobre o corpo nu de Layla, a centímetros de sua vingança Julian se encontrava pronto.
Que tudo parasse agora, que houvesse algo que a salvasse, um ser, alguém....
A porta violentamente se abriu com um forte chute e se espatifou a metros deles, ele virou para ver o que era, mas foi atingindo mais rapidamente por uma pancada que o atordoou totalmente, esfacelou ao lado do corpo nu dela, um casaco a cobriu, juntou o que sobrava de sua roupa, a personalidade não era revelada, a luz do corredor cegara seus olhos claros tão violentamente atordoados com sua mente. Braços. Braços fortes a sustentaram e a carregaram do tal lugar, recobrava a consciência mais e mais ao inspirar o ar do local a sua volta, quase fora violada por ele. Vingança. Já percebera então que não poderia competir nem se aproximar de Leon, tantos inimigos, tantas ciladas, e ela era apenas uma jovem de nome Layla, fênix em ascensão, mas ainda havia como brilhar.
- Vai ficar tudo bem Layla – aquela voz, o perfume reconhecido e a face...
- Yuri!?
- Sim – seus olhos brilhantes a encantaram, um encanto há muito esquecido – vamos tente se firmar estamos quase lá – ele a deixou a porta do vestiário e aguardou a ferocidade de Leon chegar.
- Ela está bem? – ele gritava, Cléo a tira-colo parecendo vulnerável fazia cara de duvida, a apresentação se aproximava, Yuri porem perdera a sua, a grade fora remanejada após a Comissão ter descoberto o escândalo de Julian que fora logo abafado, mas a ira de mais alguém agora estava igualmente ferida, a de May. Minutos separavam o palco de Leon e Layla e a técnica do Vôo dos Anjos.
Lá dentro, porem, alguém ainda tentava entender um algo maior, " por que não o Leon? Por que o Yuri?" Layla se ajeitava como podia, arrumava a delicada roupa, o produto ainda entorpecia sua mente e tremia um pouco alguém da cota de nervosismo e por saber que quase fora estuprada por Julian.
Ela delicadamente saiu, Leon a aguardava ansioso, visivelmente abalada olhava muito para o chão e tinha a roupa danificada superficialmente no laço. Leon hesitava se devia ou não se aproximar dela. Ela mudara, talvez só ele tinha reparado na sutileza que agora sua alma refletia, não estava mais apaixonada, não se sentia aquele amor, o calor. Ele ameaçou estender a mão a fim de ajuda-la, mas parou. Um clima se criou no local.
Há horas em que perdemos a razão, ou esquecemos a emoção. Memórias. Foi aquilo que se transformou tudo o que tiveram. O amor, os momentos, o romance...a derrota. Perder, única coisa que pôde ser entendida na hora em que a sua face se ergueu no ar e interceptou o olhar de Leon. Olhos azuis a confrontar um mar negro. A força daquilo se perdendo. Adeus...
- Oswald e Hamilton, última chamada!
Layla tomou forma de fênix, desatou o cabelo, revelou seu fogo, sua alma, e Leon mergulhou na sua alma negra.
Caminharam juntos. Do corredor próximo já se ouvia o som dos palcos, as milhares de pequenas vozes, os sussurros, os palpites, as luzes se apagavam, os trapézios se movimentavam mecanicamente e se recolheram as mãos do francês e da americana. O aro suspenso agora pendia, e logo parou, aplausos de encantamento e logo o silencio...
O sentimento.
Julian agora era arrastado para um carro de policia qualquer onde seria fichado e entregue a algum canto da cidade com a acusação de tentativa de estupro, cinco anos ou mais ou menos talvez, era apenas tempo agora, da janela sua noiva o assistia andar de cabeça baixa e o ultimo olhar dele em direção ao palco que mais uma vez não veria.
Sua amada a contemplar a derrota, apesar de contar, ele sequer reagiu a seu favor, acabou. Junto a figura loira que parara a seu lado e a cobrira com um casaco, avisara, era hora do encontro a calada da noite, ele esta a espera delas. Uma figura conhecida que o fez chorar, uma lagrima de saudade.
- Venha me ver irmã! – foi o que disse dentro do carro. Agora ele estava novamente só.
Sora, acompanhada de Rosetta e as meninas aguardavam agora o céu do picadeiro se cobrir de encantamento, de um adeus premeditado, não só ela como May que abatida com a derrota convivia agora com a perda, duas opostas, vitimas do mesmo homem e do mesmo sentimento que o russo loiro era arrebatado pelo sentimento do seu igual, mas dotado de um futuro tão certo quanto o seu.
Do treinador um brilho, uma razão, certeza. Era para aquilo que ele nascera, e para tanto seria o melhor.
E do guardião. No topo assistindo, seu filho, amigo, o que ele era? Não precisava saber, cumprira com o desejo de seu amado, e de sua família, com o terço nas mãos rezava baixo pedindo que o guardasse naquela hora.
A lágrima.
A última, doce e verdadeira lagrima, lagrima de derrota, de amor, de adeus.
A campainha soou seca.
Um adeus coagido, forçado, traçado, vindo de duas almas de adolescentes com mentalidades de adultos, que perderam a magia da infância nos palcos mas se tornaram donos de almas em fúria. Ter um amor e não poder amar, olhar, olhos nos olhos a se perderem no vago momento, do silencio, dos segredos. Adeus.
As bocas sussurraram no silencio, as mesmas que se tocaram, agora repetiam a mesma palavra...
"Adeus"
Feche os olhos e imagine que agora o tempo não existe, se lance no ar, sinta o vento a te cortar e carregar, lembre-se de que somente o pedaço de ferro a sua frente preso a duas cordas é o seu mundo e...voe.
Voar, se lançaram no ar, primeiro a dança, um momento de descontração, onde os anjos se conheciam, trocas agitadas pelos quatro trapézios, mas sempre afastados do aro, libélulas encantadas pela luz, agora era só Leon nos aros superiores a erguer o corpo e dançar no ar, e Layla a levitar, encantar as sombras abaixo dela, de repende num foco dos olhares, começara as trocas, de ponta a ponta, de impulso a impulso, tão próximos, cada vez mais apaixonados. Numa determinada hora eles emparelharam no mesmo conjunto, no aro superior, uma seqüência de movimentos e ela cruzou e apoiou-se no aro numa pirueta clássica de sua técnica pessoal deu passagem a Leon que se jogou para o aro e o estabilizou, tempo suficiente para que ela voltasse desse giro de trezentos e sessenta graus no trapézio e finalmente se atirar a ele. A mão forte dele em sua cintura, um único e ...duvidoso olhar, e um único foco de luz, com os flocos de poeira como neve sobre os guerreiros, os rostos próximos, a agitação do publico, mas entre eles silencio.
- Je vous souhaite la chance – ele lhe disse, mas agora ela era incapaz de dizer o mesmo, de lhe desejar sorte também, incapaz de chorar, de amar.
O beijo então ocorreu, um beijo de lastima, de dor, frio, perdido no tempo, na memória.
Um último movimento e terminaram, ela abraçada em seu pescoço e ele a envolve-la com um braço e o outro a firmar o trapézio, apenas os olhos, apenas adeus.
Logo após a vitória, logo após o incidente que revelou a eles o real mundo, houve o ultimo e mais profundo encontro do Deus da Morte e da Fênix Dourada.
Houvera a premiação, por supremacia era ele e ela ao topo, com o troféu, uma declaração rápida somente dela, ele fugira furtivamente, uma breve recepção montada no salão de festas do hotel, onde ele e ela estavam presentes. Para falar a verdade, não puderam se encontrar, ele se isolou, e ela saudou quem quer que fosse recebendo os parabéns.
Leon se distanciara, tomava um champanhe forçadamente que fazia sua cabeça revirar, Layla cumprimentava e autografava tudo o que lhe apresentavam. Nada parecia certo, apenas que ele iria embora e ela sabe-se lá aonde pararia.
Mas de uma certeza poderia dizer, dali a algumas horas iriam saudar os momentos juntos, secretamente revirando suas mentes.
Ele foi o primeiro a escapar, saiu sorrateiramente e andava pela Champs-Élysées calmamente com um belo pacotinho no bolso, a olhar casais felizes, poucas crianças firmemente vestidas aguardando o frio, as moças com as maças do rosto vermelhas a se protegerem do vento cortante, algumas a encara-lo e darem belos sorrisos, se perguntava até quando permaneceria lá. Virava em algumas ruas indo em direção a Torre Eiffel até ter a honra de avista-la ao longe, sobre a ponte que se encontraram primeiramente, frente a torre que foi palco de seu encontro com Julian, e agora fechava com chave ouro a noite, a ultima em Paris, o ultimo fragmento da memória, um momento ao leu.
Como estava bela, eu a via ao longe, coberta no vestido mais lindo que o dinheiro pode pagar, era Fênix, o vestido longo, dourado, justo ao corpo, nos joelhos se abria, como uma cauda de sereia, as costas nuas desenhavam o que um dia os meus lábios percorreram, a frente única sustentava o peito caloroso que um dia me recebeu, e no fim das costas o laço, das pontas...pendiam dois belos pingentes, sua cauda dourada, o encharpe vermelho cobria os braços que um dia eu abracei, os olhos que olhei eram a centelha dela se acendendo, os longos cabelos estavam agora tão compridos quanto os meus, soltos ao vento...
Deveria eu me aproximar, ou ficar aqui a te olhar? Deveria fugir? Não, já não posso mais....
Por que virei o rosto? Por que eu o vi? Como estava belo! Aquele terno justo, a gravata fina, a calça cara, o sobretudo revolto ao ar atiçava seus cabelos ao vento, totalmente negro, como o Deus da Morte que um dia eu conheci, sim, conheci, seu perfume ainda invade minhas narinas e cobre meu corpo, por que?
Vai embora, some daqui, devo eu ir a seu encontro? É esse nosso ultimo encontro?
Ainda sei que não sou boa o suficiente para você, sei que os meus medos e traumas ainda não foram totalmente superados a fim de eu encarar os seus, juntos, mas um dia serei, sei que somos jovens, vivemos nossas vidas intensamente, mas quando formos mais velhos eu acreditarei que talvez um dia poderemos ser apenas Leon e Layla...
Seus olhos se cruzaram, tão belos, tão tristes, seriam o amor, o destino, a sorte e o tempo conspiradores daquele momento?
"Trouxe-lhe um presente" ele me disse, era uma caixinha daquelas de jóias, bela, como aquele olhar dele, de jovem apaixonado, perdido em ilusões, mas que se encontrava no caminho certo, "Pegue!", a caixinha comprida trazia dentro o mais belo presente que eu jamais imaginei existir, era uma fênix, dourada, um pingente que trazia uma fênix adormecida, finamente aninhada num sono, pronta para seu primeiro vôo após o seu renascer, de cada uma de suas sete caudas tinham sete rubis nas pontas, e em sua crista três safiras, lembrava uma estrela, a estrela que sobe ao céu que eu sou, mas que agora reluz com demasiada delicadamente a tirou de minha mão e pediu para que eu colocasse o colar...
Ela virou os doces cabelos para frente e deixou o belo corte que o vestido fazia em suas costas aparecer. Para mim, tudo o que se passou lá dentro era passado, não voltaria mais lá se não fosse para vê-la, eu nunca mais volto para cá, se não for você que me arraste ou um novo motivo tão forte que minha alma seja acorrentada e me traga de volta a Paris.
Ele o abotoou devagar e deixou que ela se virasse, seus finos dedos com longas unhas vermelhas percorreram o pingente.
Tive coragem de encará-lo pela primeira grande vez em minha vida.
Ela me olhava pela bela ultima vez....
Faltavam palavras para dizer o quão belos estavam, faltavam palavras para ao menos dizer o quanto se amaram, faltavam palavras para dizer que aquilo podia não ser o fim!
Bastava que ele ou ela dissesse "não vá!"
O carro dela encostou, de dentro dele saiu um chofer que chamou seu nome ao longe...
- Srta. Layla!
Deveria ela ir, avançou devagar em direção ao carro, e nenhuma palavra sou capaz de dizer.
Que coragem de ainda ter forças para tentar me seduzir, mãos juntas, seus olhos nos meus, mas, não me embriagavam mais, me diziam para chorar. Onde foram minhas lagrimas? Voltei a ser Fênix Dourada que não chora? Quero chorar por você...
Sou eu capaz de um último beijo?
Mãos gélidas mas carinhosas me ergueram o rosto, tombaram-no para o lado, já não há mais nada, nem amor, nem prazer, apenas dor que nossas almas precocemente maduras desenvolveram para se afastar do perigo, os lábios entreabertos vinham em minha direção...
Mas o tempo parou.
Ele se afastou.
Não pode me beijar, então que se vá, vá embora e leve isso com você. Essa minha... Dor? Não, já não mais dor, nem amor, nem ódio, não há sentimentos...Acabou.
Nossas mãos atadas como um laço agora se esvaiam, primeiro seu corpo virou, logo só a minha mão esquerda segurava somente a sua direita, ela avançava cabisbaixa e eu desejava puxar, mas não tinha forças para dizer "eu te amo" porque amo você mas agora somente no fundo vazio da minha alma negra de Deus e a sua de Fênix.
O branco então caía do céu...
Neve...Talvez a melhor manifestação da natureza que me descreva. Ela é fria, porem um dia foi quente, foi vapor, que viveu em algum canto da Terra, depois se condensou e transformou-se em lágrima pois o peso em suas costas talvez fosse demais, e enfim ruiu, porém novamente atingida por um frio intenso se congelou, se transformou em gelo...
Sim, esse sou eu, uma pedra de gelo que luta contra tudo e tenta se soltar dos cristais que me prendem a esse fardo. Adeus.
Cada dedo que se solta é um fragmento que vai indo, da noite em meu quarto...O beijo, da noite em Paris... A verdade, da nossa noite juntos... O amor, da nossa técnica... O adeus, de nós... Agora... Apenas memória.
A porta do carro se fechou, ela tinha os olhos vagos mas belos, sentia seu calor, ela iria voltar, aos poucos estaria de volta, o carro sumia, sumindo secava minhas lagrimas. O Vento agora já não podia me tocar, sou Deus da Morte, nada mais.
- Chegou a hora Leon – Alan me sussurrou enquanto a neve caía, inverno em Paris, estação eterna na minha vida...
