CAPÍTULO IX
Caius ~
O corpo de meu amor estremecia. Não suportava mais vê-la naquele sofrimento. Seus olhos avelãs começavam a escurecer para vermelho vivo. Seus cabelos começaram a formar caracóis perfeitos e adquiriam um tom louro perfeito. Sua pele empalideceu e suas feições belíssimas tornaram-se perfeitas. Seus lábios tornaram-se mais escarlates e seus dentes caninos afiaram-se. A ferida que tinha em seu pescoço reconstruiu-se, deixando apenas uma cicatriz quase invisível. Athenodora renascera da sua morte como minha esposa para a eternidade.
~ Athenodora ~
Uma sensação de agonia percorria-me as veias. Uma dor fervente que me paralisava os músculos. Os meus tímpanos pareciam ter explodido e todos os sons ampliavam-se; conseguia ouvir os ratos a caminhar pelo chão, a cama de Fioralba a ranger quando o seu marido se virou, o vento na rua a mover a folhas do chão. E na minha garganta uma ânsia por alimento, por sangue. Queimava-me as paredes do esófago. Estava faminta. Abri os meus olhos. Tudo parecia mais nítido. A face de Caius olhava-me. Conseguia examinar todos os pormenores do seu rosto de mármore, sua pele nunca me tinha sido tão translúcida.
- Meu amor, - disse – Estou sedenta. Necessito de sangue.
Caius ergueu-se da cama e estendeu-me a mão com um sorriso. Levantei-me da cama sem esforço e com graça tal que parecia que dançava no ar.
- Caminha comigo, minha esposa. – pediu-me – Eu irei-vos levar ao vosso alimento.
Sorri-lhe. Aceitei sua mão e caminhamos para fora do quarto. Naquele momento não pensava em nada senão saciar a minha sede, que me queimou a garganta quando o aroma a sangue humano me inundou o olfacto. Paramos á porta do quarto de Fioralba. Ouvias, a ela e ao seu marido, adormecidos na cama. As minhas narinas dilataram-se com o prazer do sangue fresco dele nas veias. Tinha de o beber! Caius beijou-me a testa.
- Alimenta-te, meu amor. – apontou-me para a porta – Eu irei alimentar-me no quarto do rapaz.
- Não. – neguei-lhe – Deixai-me ser eu a alimentar-me de Giovanni.
- Porquê? – no rosto dele surgiu uma expressão séria.
- Não tenhais ciúmes, meu amor. - sorri-lhe, beijando-lhe os lábios – Ele magoou meu coração ao mentir-me que vós estais morto. É a minha vez de magoar o dele.
Caius sorriu e acenou positivamente. Meus pés dançaram até ao quarto de Giovanni, abri a porta. Agora eu era mortífera. Senti a arrogância do poder tomar conta de meu corpo. Era imortal. Ele dormia calmante na sua cama. Desci por entre os lençóis dele com uma velocidade incrível. Rastejei pelo meio das pernas dele. Senti-o mover-se e soltar um gemido de acordar. Deixei de ser a tímida Athenodora. Agora tinha o poder de seduzir quem eu quisesse e estava sedenta de sangue. E todo o musculoso corpo de Giovanni me dava o sangue que necessito. Despi a minha camisa de dormir, exibindo meu corpo nu. Puxei-lhe os lençóis para cima de mim e ele despertou, confuso. Seus olhos olharam-se, estupefactos, enquanto meu corpo nu surgia por entre os lençóis, entre as suas pernas.
- A-Athenodora?
Sorri-lhe com confiança. No rosto dele havia uma expressão confusa e incrédula. Seus olhos poisaram em meus seios.
- Diz-me, Giovanni, desejas-me?
Um rubor formou-se no rosto dele. Depois olhou-me os olhos e ficou confuso.
- Que aconteceu aos teus olhos?
As minhas mãos agarraram-lhe os ombros e despi-lhe a camisa. Ele parecia não acreditar no que lhe estava acontecer. Mas, nem sabia o que lhe ia acontecer.
- Eu sei que desejas. – suspirei-lhe ao ouvido, enquanto o aroma do seu sangue me queimava a garganta – Eu também guardo desejos secretos por ti.
Ele beijou-me o pescoço com desespero. Sorri. Estava a ser mais fácil do que eu pensei. As mãos dele apertaram-me o corpo magro.
- Estás tão gelada. – observou ele.
As minhas mãos agarraram-lhe a cabeça, paralisando-o. Uma expressão de choque surgiu no rosto dele.
- Também me vais cortar a cabeça e espetar uma estaca no coração, como mentiram que tinham feito com os Volturi?
- Ah? – estava aterrorizado, agora.
Abri a boca e as minhas presas afiaram-se. Os olhos de Giovanni olharam-se com terror. Desci até ao pescoço dele e cravei meus caninos. O seu sangue desceu por minha garganta. Era viciante. Não podia parar. O corpo parecia ter recuperado de tudo. O sangue dele espalhou-se por mim, devolvendo-me as forças e curando-me a sede fervente. Deixei o cadáver dele tombar na cama. Meu peito descia e subia, mesmo sem ter de respirar. Puxei a minha camisa de noite para cima, vestindo-me. Sai do quarto com uma velocidade de uma graciosidade impressionante.
Caius esperava-me no lado de fora da porta. Sangue fresco em seus lábios e seus olhos estavam escarlates como nunca os vira. Caminhei para ele e beijei-lhe os lábios sangrentos. O sabor a sangue deliciou-me.
- Vem, minha esposa, regressa comigo ao meu palácio que agora também és dele Rainha.
CONTINUA...
