CAPÍTULO X


~ Athenodora ~


Caius levou-me até ao Palácio dos Volturi. Perdi a noção do dia, somente a noite sabia quando era. Estávamos proibidos de nos alimentar da população. Depois do incidente com Eloisa, as medidas de segurança para manter em segredo a existência de vampiros em Volterra foram redobradas. Fui apresentada formalmente numa reunião aos irmãos de Caius, Marcus e Aro. Pareceram-me agradados comigo. Especialmente Aro. Ao conhecê-lo pensei de imediato em Suplicia, a minha prima que tanto me avisou que seria o maior erro da minha vida fugir de Bologna; mas revelou-se ter sido a decisão mais correcta que tomei na minha vida humana. Chamá-la para um palácio de vampiros talvez não fosse a melhor opção, mas não retiro a ideia.

Quando Caius me tornou esposa dele, nunca pensei que se iria celebrar um ritual para isso. Mas vai e agora estou no meu novo quarto. Todo em mármore branco, com colunas gregas em redor. Circundado com espelhos que me mostravam. Vestida com rendas brancas, quase que parecia um fantasma. Minha pele pálida reluzia, assim como o branco o vestido que caia a direito até ao chão. Meus cabelos estavam soltos e nunca na minha vida humana meus caracóis estiveram tão perfeitos e louros. Meus olhos escarlates brilhavam em meu rosto pálido e agora tão belo que achei que podia apaixonar-me por mim própria. A porta do quarto abriu-se e percebi que estava na hora que eu ir.

Caminhei pelos corredores e desci escadas, até a uma nova sala. Era escura e se fosse humana teria sentido na pele o frio dela. Havia uma multidão de vampiros presentes á cerimónia, alias os Volturi eram a realeza dos vampiros e o primeiro casamento de um dos seus membros superiores não podia ser deixado em vão. Os olhos escarlates olhavam-me, curiosos. Ouvia os comentários que faziam a meu respeito. Sorri para mim própria com os elogios á minha beleza.

Caius estava no fundo da sala, vestido em veludos brancos. Nunca o tinha visto de branco e agora sim, parecia um anjo. Seus olhos olhavam-me com ternura. Sorri-lhe e caminhei até ele. Á nossa frente, como em qualquer casamento, estava não um padre, mas sim Aro, o mestre supremo que nos ia unir. Estava radiante por me ir unir a Caius para toda a eternidade, mas por outro lado não sabia como era um casamento entre vampiros.

- As vossas mãos. – pediu Aro.

Caius estendeu sua palma para mim e eu fiz o mesmo. Aro aproximou uma lâmina de prata á mão de Caius e fez-me um corte recto na palma, ao longo da linha do coração. Meus olhos abriram-se em terror, mas no rosto de meu amado não havia qualquer expressão de dor. Aro olhou-me e fez a lâmina cortar a carne pálida da minha mão. Não senti qualquer corte ou sensação de dor. Era como se a dor tivesse sido retirada de meu corpo. Sangue libertava-se dos cortes.

- Bebam um do outro, e serão marido e mulher para toda a eternidade.

Caius pegou minha mão com cuidado e levou minha palma aos lábios. Mas a sensação de seus lábios de pedra contra a minha pele eu sentia. A língua dele percorreu a ferida, sorvendo o sangue. Devolveu-me um olhar de amor e estendeu sua mão para mim. Meus lábios tocaram-lhe a mão, senti o corpo dele estremecer. Beijei-lhe a ferida, seu sangue em meus lábios, tinha sabor doce, ainda mais doce que o sabor do sangue humano. Os vampiros nunca devem beber do sangue uns dos outros, somente em caso de ritual de união Volturi. A minha boca abandonou a mão de Caius e olhamo-nos.

- De agora em adiante, serás conhecida como Athenodora Volturi, esposa de Caius Volturi e Rainha Suprema do norte de Volterra, assim como Caius Volturi é o seu Rei. – declarou Aro, olhando-me.

- Longo reinado a Athenodora Volturi! – gritou a multidão.

Sorri á multidão e a Caius, meu esposo para toda a eternidade. Aro desceu as escadas que o separavam de nós e sobre meu pescoço colocou um colar com um medalhão, igual ao de Caius. Era oficialmente Athenodora Volturi, esposa de Caius Volturi.

*

Houve banquete de sangue humano no final do ritual de casamento. Os servos trouxeram escravos do Novo Mundo que serviram como refeição aos nossos convidados. Entre os escravos vinham dois gémeos ingleses, que Aro achou bastante interessantes. Seus nomes eram Jane e Alec. Em consenso com os irmãos, Aro transformou-os em vampiros.

Estava agora sentada na minha cama. Para quê? Era a questão que eu colocava a mim própria. Não necessito de dormir, sou imortal agora. Os imortais não necessitam de descansar quando há a eternidade á nossa frente. Prendi meus cabelos louros no topo da cabeça, deixando o decote, pescoço e ombros descobertos. Podia estar gelo na rua, que eu não iria sentir o seu frio. Ainda trajo o meu vestido de rendas brancas.

A porta do quarto abriu-se. Olhei-a e surgiu Caius, meu esposo, sorrindo para mim. Já havia despido seu pesado manto de veludo branco e apenas trajava agora um fato negro de veludo. E que elegante ficava! Caius era perfeito de qualquer modo. Sentou-se a meu lado. Seu peso era quase invisível ou a cama era nova, pois nenhum ranger soou. Aconchegou-se a meu lado, senti seu corpo de pedra, gelado, ao lado do meu, que era igual. Suas mãos tocaram-me os ombros nus e desceram até meus braços. Seus lábios beijaram-me os ombros, subindo para o pescoço. Afastei-me um pouco, endireitando as costas.

- Porque me transformaste? – questionei-o.

Mesmo sem o olhar, soube que seu olhar intrigado pousava sobre o meu rosto.

- Não estais satisfeita com vossa nova condição?

- Estou sim. – confirmei – Mas porquê? De todas as vampiras que podereis ter, porquê eu? Uma mera mortal. Tinhas toda a eternidade diante de ti…

- Preferia eu viver uma vida mortal convosco do que enfrentar todas as eras deste mundo sozinho.

Olhei-o. Seu rosto obscuro nada tinha de negro ou tenebroso naquele momento. Aquele era Caius, não o temível Caius Volturi. Era Caius, o "homem" que amarei para todo o sempre.

- Preferia eu poder renunciar a minha imortalidade, a minha maldição. Deixar de lado a minha realeza. – começou – E nunca vos ter transformado num monstro sedento por sangue dos que outrora foram vossos iguais.

Sua voz soava triste, enquanto sua mão acariciava-me o braço pálido e nu.

- Passei toda a minha existência exaltando a grandeza dos vampiros face a Humanidade, esquecendo-me de que outrora fora humano. – continuou – Vós recordastes-me do que é ser humano. A fragilidade da vida e a obscuridade da morte. Transformei-vos por egoísmo, pelo receio que pulsava pelo meu corpo morto em vos perder.

- Não vejo egoísmo algum. – neguei-lhe – Transformaste-me, mas eu implorei que o fizesses. Apenas, agora, a ideia da eternidade diante meus olhos… assusta-me!

- Não necessitais de sentir receio. – garantiu Caius – Estarei aqui, como vosso humilde servo e esposo, para toda a eternidade. Amo-vos. Mais do que minha lealdade para meus irmãos, está a minha lealdade para convosco.

Minhas mãos agarram-lhe o rosto de pedra e meus lábios uniram-se aos dele num beijo profundo e cheio de emoções e sentimentos condicionados á demasiado tempo.

- Amo-vos. – sussurrei – Voltai para mim.

As minhas mãos agarraram-se ao pescoço dele, enquanto meu corpo se ia deitando, lentamente, na cama. Caius não resistiu. Suas mãos abraçaram-me a cintura e nossos rostos olhavam-se com um brilho nos olhos negros.

- Voltai para mim.

O meu suspiro ficou suspenso no ar quando ele me tomou os lábios como dele. Foi quando minhas mãos lhe despiram o colete de veludo que trazia vestido. As mãos dele puxaram meu corpo de pedra para seus lábios, que me beijaram os ombros e os braços, subindo para a linha da clavícula. Meu vestido derreteu de meu corpo. Minhas mãos lhe arrancaram a camisa larga branca, mostrando seu tronco magro e pálido para mim. Beijei-lhe a pele do corpo nu, assim como ele fez com a minha. Abraçou-me junto ao peito dele, enquanto nossos lábios se uniam numa dança que nossos corpos dançavam. Tornamo-nos um e os nossos caninos afiaram-se e nossos olhos tornavam-se escarlates.

*

Os nossos corpos gelados caíram na cama. Deixei minha cabeça poisar sobre o peito de pedra de Caius. Ele beijou-me a testa e os lábios. Foi então que pensei e percebi. Isto é a eternidade.


FIM


Obrigado/a pela leitura! Espero, sinceramente, que tenham gostado da minha fanfiction.

Sempre adorei o Caius Volturi e desde que descobri que ele era casado com Athenodora, imediatamente quis saber mais sobre este casal. Então escrevi esta fanfiction.

Espero que tenha sido do vosso agrado.

Agradecimentos e um Bom Natal e Feliz 2010!

Igarashi-Chan!