O cavalo, providenciado pelos Teleri, que receberam os dois famosos viajantes com grandes honrarias nos Portos Cinzentos, corria leve e rapidamente. O Elfo e o Hobbit mal podiam conter a emoção de estar de volta àquela terra, a terra onde nasceram, onde quase morreram, e onde construíram laços que jamais serão quebrados ou esquecidos.

Atravessaram os condados do norte, em direção ao sul, e ao percorrerem uma pequena plantação, Frodo pediu para que Legolas parasse. O Hobbit desceu do cavalo, amparado pelo amigo, ele de prostrou solenemente, com as mãos para trás. Seus olhos não escondiam a saudade e a tristeza de jamais poder voltar à sua querida Vila. Num breve momento esperançoso, o pequeno lançou um olhar para cima, procurando os olhos do príncipe élfico que, por sua vez, meneou negativamente a cabeça, embora seu coração clamasse por compaixão para com o jovem sofredor.

- Talvez um "alô" para o velho, Samwise? Coisa rápida. – tentou o pequeno, mais uma vez.

- Ele já deve estar a caminho de Gondor, Frodo. Iremos encontrar nossos amigos em breve – sorriu o elfo, seus longos cabelos reluziam feito prata sob o alto Sol vespertino – mas para isso, precisamos voltar a cavalgar.

- E quanto ao desjejum?

- Só na próxima hora, seu pequenino esfomeado! – riu-se o elfo.

A noite estava próxima, quando os dois finalmente chegaram na orla da Floresta Velha. Frodo quase pediu para que Legolas desviasse da região, mas a esperança de reencontrar o velho Tom Bombadil fê-lo calar-se.

Fizeram o caminho por entre as árvores, e o cavalo pisava cuidadosamente, evitando as raízes torcidas e emaranhadas. Não havia vegetação rasteira. O solo descrevia uma subida, e, conforme avançavam, as árvores se tornavam mais altas e mais escuras, e a Floresta mais fechada. Não se ouvia qualquer ruído, a não ser o gotejar da umidade caindo das folhas paradas, ocasionalmente.

Ainda não havia nenhum sinal da trilha, e essa situação pareceu desconfortavelmente familiar a Frodo. Quase conseguiam ouvir os sussurros maléficos das árvores transbordando ira e ressentimentos. Legolas estava levemente angustiado, o que era extraordinário demais para um elfo das florestas. Não, a Floresta Velha não mudara, e nem iria mudar.

- As árvores... Estão mudando de lugar! – murmurou Legolas apertando os olhos para enxergar melhor através das folhagens espessas – posso ver a Clareira da Fogueira daqui, mas a trilha... A trilha parece ter saído do lugar!

A partir daí, a cada passo que davam, a floresta começava a clarear, até que saíram do meio das árvores e pararam em um amplo espaço circular. Na borda da clareira, as folhas eram mais densas e verdes, formando uma parede ao redor deles. Apesar da má aparência da floresta, aquele lugar iluminado, debaixo de um lindo céu azul, encoraja os dois viajantes. Do outro lado da Clareira havia uma falha entre as árvores, de onde surgia uma trilha bem desenhada, pela qual retomaram a cavalgada.

Depois de mais alguns minutos de caminhada eles chegariam ao fim da floresta, e o coração de Frodo se apertava por não ter visto seu bom guia, Tom Bombadil, mas por outro lado se aliviava por ter atravessado essa etapa sem problemas, e tinha a certeza de que o velho Tom estava bem e feliz, cantarolando alguma bela canção com a linda Fruta D'ouro, a Filha do Rio.

- Vamos, precisamos construir uma balsa para adiantar a nossa viagem até o Vau Sarn. – Disse Legolas, como se precisasse da ajuda do hobbit, mas antes que Frodo respondesse, o elfo já havia se aventurado em busca de juncos e voltado com um belo acervo para iniciar o trabalho.

- Precisa de ajuda, Legolas? – perguntou Frodo.

- Na verdade não, mas pode me ajudar a amarrar os troncos, se quiser.


"Tiro! Êl eria e môr".

I 'lir en êl luitha 'uren.

Ai! Aníron..."

Ouro e Ébano dançado dentro d'água. Dedos entrelaçados. Dois grandes orbes amarronzados. Gotículas de diamante pendendo de longos cílios curvos. Um mover de lábios. Um coração pulsava acelerado. Quem...? "Leve-me daqui". Água. Azul profundo. Ouro e Ébano. Dedos entrelaçados. Uma mão apertava. Salgado. O mar. Água, muita água. Favos de mel arredondados. O ar faltava. O coração acelerado. "Leve-me daqui". Desespero. Não havia ar. Gritos. "Leve-me daqui!".


Taquipinéia. Ele arfava e piscava os olhos, atordoado.

- Graças a Elbereth! Finalmente acordou!

- O que houve?

- Estávamos aqui, amarrando a balsa, quando você simplesmente caiu desacordado – disse o hobbit.

- Quanto tempo estive...

- Muito, já terminei a balsa, podemos partir imediatamente. A não ser que você queira descansar.

- Não se preocupe, Frodo. Estou ótimo. Não entendo porque isso aconteceu, mas podemos ir agora. Gondor nos espera.


# Olhe! A estrela nasce fora da escuridão

A musica da estrela encanta meu coração

Ah! Eu desejo...