Frodo acordou ao som de vozes. Tinham-se passado mais alguns dias de viagem. Amanhecia: a aurora fria estava próxima outra vez, e névoas geladas e cinzentas os envolviam. O cavalo parou, molhado de suor, mas ainda com o pescoço altivo e sem demonstrar sinais de cansaço. Muitos homens altos e com capas pesadas estavam ao lado dele, e atrás, na névoa, assomava uma muralha de pedra esplêndida na sua brancura e altura, e à frente estendia-se um imenso jardim de grama bem aparada e muitos botões de flores. Uma grande extensão esverdeada que circundava um gigantesco palácio de pedra.
- Mae govannen, mestre Legolas. – Soou uma grave voz, levemente sonolenta – Os outros já chegaram, pedirei para que os levem aos seus aposentos. – o homem calou-se, fitava o elfo de maneira fraterna e saudosista. Seus olhos nobres mal conseguiam disfarçar a emoção de encontrar o seu velho amigo. Sorriu. E, como se tivesse os pensamentos lidos, foi repentinamente abraçado por Legolas.
- Aiya Aragorn, Aran Ancalima! – Saudou o elfo risonho – Há quanto tempo! Eis que Gondor abrilhanta-se ainda mais com a sua permanência.
- Aragorn! – berrou o hobbit, saltando atrapalhado do cavalo e correndo para abraçar-lhe os joelhos.
- Ha! Ha! Ha! Bom saber que a minha felicidade em vê-los é recíproca! – disse Aragorn – Mas anda, o dia ainda não surgiu, e vocês merecem descansar. Elwen irá mostrá-los o caminho para os quartos. Falaremos-nos mais tarde.
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Ela estava de pé à beira do lago. Seus longos cabelos negros escorriam-lhe dos ombros, a pele carente de cores emanava uma luz etérea sob o luar. Aquele olhar o entorpecia. Ele tentou falar, mas nenhum som foi emitido de seus lábios. Caminhou até aquele ser, que mais parecia uma estátua sem mover um músculo sequer. Tocou-a, era real, e estava fria. Ergueu a mão dela e plantou-lhe um beijo.
- Sabia que você viria. – murmurou ela.
- Quem é você?
- Eu não sei.
Podia observá-la melhor agora. Algo em seu semblante lembrava levemente a Telperion durante a noite – Ninquelóte – Ela sorriu.
- Elen síla lúmenn' omentielvo. – Disse-lhe Legolas, ainda segurando-lhe a mão.
- Auta i lóme. Logo não terá mais estrelas. – respondeu ela.
- Auta Entuluva... Irei vê-la novamente.
Ela libertou a mão, delicadamente, afastando-se dele. Sua expressão era de profunda tristeza e dor. Ele não podia segui-la.
- Tye meláne. – Ela disse.
- Namárië, Ninquelóte vanimelda.
E então, lá estava ela no lago e, segundos depois, ela não estava em lugar algum.
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Ele abriu os olhos, o canto dos lómelindi invadia o quarto. Sentou-se tentando se lembrar do rosto daquela com quem sonhara - se é que havia sido um sonho - mas foi em vão. Mal podia se recordar do ambiente, e a imagem daquela pessoa estava perdida, talvez, para sempre.
Passou a mão por entre os cabelos dourados, suspirando. Estava enlouquecendo.
#Bem vindo.
#Salve Aragorn, o mais brilhantes dos reis!
#uma estrela brilha sobre a hora do nosso encontro.
#A noite está passando.
#A noite voltará.
#Eu te amo.
#Adeus, bela Ninquelóte.
#Rouxinóis.
