- Amigos, não posso esconder a minha incomensurável alegria por tê-los aqui novamente. Mas não é tempo de felicidade. Não mesmo. – Disse o rei, erguendo-se do trono – O Mal espreita novamente, e precisamos detê-lo. – O silêncio no grande salão era absoluto, cada presente tinha os olhos bem abertos e fixos no nobre ao centro do círculo – E hoje, tenho a honra, maior do que todas as honras da minha vida, de estar vivo para receber tal visita ao meu palácio. Companheiros, jamais esqueceis do que seus olhos estão para ver...
Dois feixes de luz iluminaram o salão. Por segundos não pareciam mais do que simples e rápidas reflexões de luz, mas instantes depois eles puderam notar a presença de duas figuras masculinas, de aproximadamente dois metros de altura, ambos com fisionomias idênticas, mas um refletia o dia com suas cabeleiras douradas e olhos azuis, e o outro emanava a áurea da noite dos seus cabelos negros e olhos castanhos. As oito criaturas que ali se encontravam, prostraram-se imediatamente em honra dos dois visitantes. Não sabiam exatamente quem eram – apenas o Rei e um Mago – mas sabiam que mereciam todo o respeito e louvor.
- Sentem-se – soou a profunda voz da noite, diferente do acompanhante esse possuía a expressão dura e severa. Sem necessitarem de outra ordem, os oito sentaram-se rapidamente, quatro pequenas criaturas assombradas quase desabaram sobre os joelhos ao mesmo tempo.
- Prazer em vê-los. Olórin, como tens passado? – A voz do dia era mais aguda e se propagava suavemente como a brisa matinal.
- Bem, meu Senhor. – respondeu o Mago, curvando brevemente a cabeça branca. Alguns olhares curiosos foram lançados para ele.
- Gandal... – começou Pippin, que se calou abruptamente ao receber uma cotovelada de Merry.
- Eis que vos falam Námo Mandos e Irmo Lórien, os Valar. Os Poderes de Arda. – Disse Mandos, não era possível dizer se sua expressão era de desagrado, serenidade, ou simplesmente apatia – Viemos para designa-lhes uma missão.
- Como já devem saber, Morgoth está tentando retornar, ou seja – continuou Lórien – A Segunda Profecia de Mandos, o meu irmão aqui ao lado – falou enquanto olhava sorridente para o irmão -, está para se concretizar. Mas o que é essa tal profecia, vocês me perguntam, bem... Há muito tempo atrás, quando o mundo era jovem e os Eldar estavam migrando de volta para a Terra Média e blá, blá, blá, o meu irmão concebeu alguns anúncios proféticos. O segundo deles é o que nos trouxe aqui. Irmão?
- Quando o mundo estiver velho e os Poderes cansarem-se, então Morgoth deverá retornar através da Porta para fora da Noite Eterna; e ele deverá destruir o Sol e a Lua, mas Earendel virá até ele como uma chama branca e o derrubará dos ares. Então deverá ser travada a última batalha sobre os campos de Valinor. Naquele dia Tulkas lutará com Melkor, e à sua direita estará Fionwe e à sua esquerda estará Turin Turambar, filho de Hurin, Conquistador do Destino; e será a espada negra de Turin que trará a Melkor sua morte e fim definitivo; e então as Crianças de Hurin e todos os homens estarão vingados. Então as Silmarilli serão recuperadas do mar, da terra e do céu; pois Eärendil descerá e dará aquela chama a qual mantinha posse. Então Feanor utilizará as Três e com seu fogo reacenderá as Duas árvores, e uma grande luz surgirá; a as Montanhas de Valinor serão rebaixadas, para que a luz possa atingir todo o mundo. Naquela luz os Deuses novamente se sentirão jovens, e os Elfos despertão e todos os mortos levantarão, e o propósito de Ilúvatar estará completo em relação a eles. – Falou Mandos pausadamente, de modo que todos que ouviram suas palavras, jamais a esqueceram.
- Bom, e onde que vocês se encaixam nisso? – Perguntou Lórien alegremente, mas não esperou resposta – Acontece que duas das Silmarilli estão perdidas. Acredita-se que estejam em Númenor, que só poderá emergir novamente quando o herdeiro do trono da ilha se apossar do Cetro Numenoriano e entoar o cântico sagrado do Livro de Anor. Acontece também que – ele deu uma risadinha – o Cetro está nas ruínas Dúnedain dos Ermos, e só o herdeiro saberá onde encontrá-la exatamente. E o Livro... Bom, acho melhor vocês se prepararem para uma longa procura!
O silêncio que se seguiu foi razoavelmente longo. Cada um tentava absorver tais revelações da maneira que melhor lhe convinha. Então Pippin pronunciou-se novamente, e dessa vez ninguém o impediu.
- E esse herdeiro, Senhor Lórien, seria o Aragorn?
- Não, pequenino, é uma herdeira. A primeira na linha de sucessão do trono, a filha da rainha Tar-Míriel. A Tar-Niphredil o Mar-nu-Falmar.
- E quando ela virá? – perguntou novamente.
- Ela não virá, vocês irão até ela. A água salgada a trouxe, e ela os espera, adormecida nas cavernas de Anfalas, mas apenas um poderá acordá-la. – Respondeu Mandos – Tomem, vocês precisarão disto.
Então, assim como vieram, eles se foram. Deixando apenas uma gema azulada, que parecia conter dentro de si todos os brilhos das estrelas de Varda. Uma Silmaril.
# Tar-Niphredil da Terra Sob As Ondas
