[Fora]
Vlad: Pare! Pare! Eu não quero ver isso!
CW: "Seu desejo é uma ordem". Claro. Já mostrei o que devia mostrar. Agora vou te mostrar o momento mais importante que aconteceu em seguida.
Vlad: Não! Eu sei o que houve: fiquei com ecto-acne. Fui parar no hospital. Jack e Maddie se casaram. Blá, blá, blá! Tiveram Jasmine e Daniel. Mas aí eles não sabiam que eu ganhei poderes. Planejei minha vingança e estava tudo dando certo para mim, até que eu não sabia que aquele meteoro tinha ecto-urânio…!
CW: Na verdade, não era nada disso. Foi então a notícia de seu pai ter morrido. Mas você estava tão mergulhado em seu ódio por outras coisas que nem ligou. E seus antigos amigos de infância vieram te visitar no hospital:
Agora a cena mudava para um hospital. Vlad estava com o rosto enfaixado e não poderia sair da cama. Do lado de fora, estava uma tela por onde ele via Harry, o menino loiro, já crescido, com o cabelo escurecido e os mesmos olhos verdes, e Sergio, que ficara alto com cabelo curto e crespo.
[Tela]
Harry: Amigão! Há quanto tempo! Você não mudou quase nada! Cara! Por onde cê andou! A gente procurou você por toda a parte, cara! – Vlad ouvia pelo autofanalnte de dentro do quarto.
Vlad: Vocês dois são quem?
Sergio: Somos nós. Eu sou o Sergio, lembra? E ele é o Harry. Seus amigos de infância. Soubemos o que houve com vocês e sentimos muito. Queremos fazer de tudo para ajudá-lo.
Vlad: Vocês não podem fazer nada. Vão embora! Em não sem mais quem vocês são. Se eu já tive amizade com vocês, foi com certeza há muito tempo! Eu não preciso mais de amigos!
Harry: Que nada, meu chapa. Não lembra que você prometeu que a gente ia ser sempre "amigo" né? A gente ia ser sempre "irmão" né? Vamos ajudar você!
Sergio: Ele está certo. O "juramento dos três irmãos". Você por acaso já esqueceu. Estamos aqui para…
Vlad: Eu não preciso de vocês! Vocês já não são mais meus amigos! Eu nunca mais vou precisar de amigos! Não depois que o Jack… E ele levou a Maddie… Saiam daqui agora!
Sergio: Tudo bem, "V-man". Vamos Harry. Vamos embora daqui.
Harry: Mas e o nosso amigo? O nosso camarada? Não podemos deixá-lo aqui sozinho. Sergio, não. Vamos fazer o possível.
Sergio: Oferecemos a nossa ajuda e ele a recusou. Se ele quer se dá mal. Que ele afunde sozinho. Vamos, Harry. Vamos deixá-lo como ele quer.
Harry: Não se preocupe não, "amigão". Nós vamos te tirar dessa. Eu garanto. Assim que eu puder, é claro. Eu vou para a Inglaterra. Espero poder te ajudar.
Vlad: Tá! Vão embora. Eu não preciso de vocês mesmo!
[Fora]
Vlad: Eu fiz mesmo isso? Meus amigos quiseram me ajudar e eu fui tão…
CW: Sim, Vlad. Isso realmente aconteceu.
Vlad: Mas eu dei a "volta por cima". Descobri que ganhei poderes extraordinários e eu soube muito bem como usá-los! E assim que saí do hospital, planejei golpes e furtos que me tornaram milionário. Fiquei rico e poderoso em pouco tempo e sem a ajuda de ninguém!
CW: Será verdade? Então vou te mostrar o que você realmente fez ao sair do hospital.
Outra vez Clockwork fez mudar a cena. Vlad devia estar já com 30 e poucos anos, acabara de sair do hospital, fisicamente cansado. Chegou um médico:
[Tela]
Doutor: Senhor Masters, quer que eu informe a sua família. Eles esperam por você…
Vlad: Não, doutor. Avise à minha família que eu passar um tempo na casa de um amigo com a família dele e que vou ficar bem até arranjar um emprego e tudo mais.
Doutor: sim senhor Masters. E eu sinto muito pelo que aconteceu ao seu pai. Ele ficaria feliz em vê-lo recuperado.
Vlad: Eu também sinto muito. É uma pena aquilo que houve com ele, mas eu vou ficar bem.
Doutor: E alguma "Anna" mandou uma carta. Ele pede que seu irmão melhore.
Vlad: Ela não é minha irmã de verdade. Mas agradeça a ela.
[Fora]
Vlad: O quê? Onde estão os planos maléficos? E meu dinheiro? Eu não me lembro de querer procurar um emprego! Eu descobri meus poderes ainda no hospital.
CW: Apenas observe.
[Tela]
Vlad chega a uma casa americana simples. Ele bate na porta que é atendida por uma mulher de feições portuguesas:
Vlad: É aqui a casa de "Zack" de Almeida ou alguma coisa?
Lidia: Eu sou Lidia, a esposa dele. Sim. Ele mora aqui comigo e com as filhas dele. "José"! José Carlos Zacarias!
Então uma menina de uns três anos corre para a porta. Ela tem a pele escura e cabelos curtos e encaracolados:
Lidia: Ah, esta é Maria Luisa. A minha mais velha.
Luisa: Quem é ele, mamãe?
Lidia: Não sei, espero que seu pai o conheça. Se não vou mandá-lo para fora.
Zack: Vlad! É você? Não se preocupe com ele, Lidia. Eu já o conheço. "Lu"! Este é seu "Tio Vlad". – dizia um homem negro alto, forte, bem diferente do menino pequeno e indefeso que Vlad conhecera na infância.
Luisa: Prazer em conhecê-lo tio Vlad.
Vlad: Que gracinha. Você parece ser uma menina muito boazinha.
Luisa: E eu tenho uma irmã chamada Alana! Quer vê-la? Ela tá lá em cima no berço dormindo.
Lidia: Não, Lu. Você não deve convidar estranhos para entrar e ver a sua irmã.
Luisa: Mas, mamãe, ele não é um estranho. É meu tio!
Zack: essa menina é tão pequena e já é tão esperta. Pode entrar, meu velho amigo.
E Vlad finalmente entrou.
[Fora]
CW: Está vendo, Vlad? Você não fez tudo de vez. Talvez você não se recorde daquilo por ter ficado lá por apenas dois meses e de ter se mudado e arranjado emprego. Foi depois disso que, com a mente mais organizada, você começou a colocar seus planos em ação.
Vlad: Mas depois eu coloquei meus planos pra valer, e deixei tudo para trás! Minha família, meus antigos amigos.
CW: Não foi bem assim.
Ele mudou a tela para alguns anos no futuro. Agora a pequena Luisa deveria ter uns oito ou nove anos. Ela brincava na praia com sua irmã, agora com uns cinco anos. Sua irmã tinha a pele mais clara e o cabelo mais liso. Também estavam, em volta das duas, dois meninos da idade de Luisa. Um era loiro e parecia muito com Harry na mesma idade. O outro lembrava Sergio, mas tinha a pele mais clara e o cabelo cacheado e curto.
Vlad: Aqueles são os filhos dos meus amigos, certo?
CW: Que bom que ainda se recorda. Sabe que Sergio e Zack são primos de ascendência africana e Sergio se casou com a prima da esposa de Harry. Sendo assim, aqueles dois meninos são primos também entre si. Mas os quatro se vêm muito raramente. Luisa e Alana eram irmãs, porém cada uma tinha sua própria vida e não eram muito chegadas. E Joey, filho de Harry, mora em Londres, bem distante do primo Marcos. Então esse momento deve ser especial.
Vlad: E o que tem haver comigo? Eu deixei meus amigos para trás.
CW: Tem certeza?
[Tela]
Luisa: É o tio Vlad!
[Fora]
Vlad: Como?
[Tela]
Vlad: Crianças. Não me esperaram para a festa?
As crianças correram para ele.
Joey: O senhor tá muito velho para brincar com a gente, tio Vlad.
Marcos: Joey! Respeite o tio Vlad. Ele não é tão velho quanto parece. Na realidade ele tem a mesma idade dos nossos pais. E por falar nisso, por que o senhor não tinge o cabelo, tio Vlad?
Vlad: É que eu quero parecer mais velho para uma "certa mulher" que é um pouco mais velha.
Joey: Não é aquela tal de "Maddie", tio?
Alana: È! Ela é casada! E por que o senhor tá com essa barba ridícula? E esse cabelo preso? O senhor tá parecendo…
Vlad: Mais velho?
Alana: Não! Muito "homossexual"!
Luisa: Alana!
Alana: Isso é verdade, irmãzinha. Ele não ta parecendo?
Luisa: Não liga para ela, tio Vlad. Mas é melhor o senhor mudar de visual.
Joey: Não estamos aqui para discutir o visual de ninguém. Mas, tio, eu posso pegar do seu dinheiro emprestado? É que o meu pai tá duro de novo.
Marcos: O pai do Joey perdeu o emprego outra vez. Ainda bem que o meu pai ajuda a família dele, caso contrario, sua família estaria falida, Joey.
Joey: Eu sei. E os meus não estão se dando muito bem. Temo que eles se separem e eu tenha que morar com ele. Eu não quero deixar a Grã-Bretanha por nada, só se for para visitar meus primos, claro.
Vlad: Seus pais não vão se divorciar, eu espero. Mas acho que devo ir. Tenho muitos compromissos.
Luisa: Meu pai também tem muitos compromissos. Ele vai viajar ao Egito para trabalhar nas escavações. Espero que fique tudo bem com ele e com o senhor também, meu tio.
Vlad: Claro, minha sobrinha favorita. Eu volto logo.
[Fora]
CW: Mas esse logo demorou quase cinco anos, Vlad.
Vlad: Eu os vi outra vez?
CW: Não é possível você ter se esquecido. Foi em seu último verão. Naquela época você já preocupava com Danny, a família dele, mas ainda não virou prefeito de Amity Parker. Os pais da Luisa viajaram ao Egito para comemorar o aniversário de casamento deles e ela e a irmã tiveram de passar o verão em sua mansão.
Vlad: Agora eu estou começando a me lembrar. Mas eu estava muito ocupado. Só as visitei algumas vezes antes de voltar aos meus planos com o Daniel. E eu me despedi delas duas. Só isso. Não houve nada de importante.
CW: Luisa te viu na forma de Plasmius.
Vlad: Tá brincando comigo.
CW: Eu não brinco. Falo a verdade. E a verdade é que ela sabia de seus poderes, e depois descobriu como você os usava, e até tentou te impedir de ter o mundo em suas mãos para depois não salvá-lo. Ela tentou salvar sua vida no lugar do pai dela, e ela continuará tentando. Ela tentará pagar a promessa dele no futuro.
Vlad: Espere! Mas como, se eu vou…
CW: Venha comigo que eu lhe mostrarei o que está acontecendo agora em seu planeta.
A tela voltou a ser um relógio. Clockwork flutuou até outro lugar. Dessa vez não era um relógio, e sim já uma tela arredondada onde uma imagem ondulava como se fosse vista através de uma bolha d'água. Nela estava escrito em baixo "presente". Outra vez, Clockwork mudou de forma em décimos de segundo, ficando velhos com uma longa barba.
CW: Veja que ainda há alguém que se importa com você.
Na tela estava Luisa, cabisbaixa sentada no sofá olhando para o noticiário.
[Lá na casa de Luisa, onde aquilo estava realmente acontecendo]
—Ainda bem que o mundo foi salvo. Mas ainda não acho que meu tio teve o que mereceu. Talvez ele precisasse de outra chance.
—Que nada, maninha! – disse Alana – Espero que ele tenha o que mereça. Eu nunca fui muito com a cara dele. Nem com o penteado ou com a barba. E ele naquela outra forma, ninguém merece. Eca! Ainda bem que acabou. E por falar nisso, cadê o papai?
—Eu acho que ele tá lá fora. Vou procurá-lo.
No lado de fora da casa, Zack estava olhando para o céu, pensado:
"Onde será que está o Vlad? O meu primo? Prometi que nunca mais o chamaria assim, mas ainda o considero meu primo. Eu prometi que um dia salvaria a vida dele. Eu bem que tentei, mas ele recusou todos os pedidos de agendamentos que não fosse da família Fenton. Espero que ele esteja bem onde quer esteja agora. Eu só queria uma chance de pagar a promessa que eu fiz a ele…"
—Vlad? Onde você estará agora? Que Deus o proteja. Ai, como queria tanto ter a chance de salvá-lo. De evitar que aconteça a ele o que quase aconteceu a mim. O que ele evitou que me ocorresse. Eu disse a mim mesmo que pagaria salvando a vida dele. E mesmo não estando lá fisicamente, vou fazer o que posso: ficar aqui e rezar por ele. Torcer para que fique tudo bem.
—Papai?
—Luisa?
—Eu entendo. Mas agora não podemos fazer mais nada. Vamos voltar para casa.
E eles voltam.
[De volta a dimensão de Clockwork]
Vlad: Não! Clockwork! Não pode fazer nada por mim? Eu quero voltar! Eu quero ver a Luisa outra vez. Mesmo se for só para me despedir.
CW: Mas vocês se verão de novo e ficaram juntos por muito tempo.
Vlad: Mas eu não quero esperar ela morrer. Eu quero estar vivo! Eu quero…
CW: Saberá quando chegar a hora. E seu tempo aqui acabou.
Vlad: Não! Deixe-me viver, por favor! Clockwork! Eu farei de tudo. Nunca mais usarei meus poderes para o "mal". Eu vou melhorar, eu juro! Eu quero só ver minha sobrinha outra vez! – Vlad começou a chorar, mas Clockwork permaneceu sério.
Ele flutuou e se aproximou de Vlad. Removeu o medalhão e disse:
"Que siga o tempo"
Uma nave espacial tripulada estava em missão pelo espaço. Um dos astronautas olha pela janela:
—Meu Deus do céu! O que é aquilo?
—Parece uma roupa de astronauta. Vamos capturá-la.
No jornal
Apresentador: Foi encontrada a roupa que deveria pertencer a Vladimir Masters. Ela estava vazia e seu corpo não fora encontrado. Porém, acredita-se que ela não esteja mais vivo e que seu corpo teria atravessado a roupa ao colidir com um meteoro de ecto-urânio. O destino final do corpo é incerto. Mas acredita-se que ele se desintegrou no vácuo.
—Que terrível notícia, José! Pena que você não pode fazer nada pelo seu amigo.
—Primo, Lidia. E eu não sei. Algo me diz que ele não morreu. Algo me diz que ele está vivo em algum lugar…
--
[Em algum lugar muito distante.]
—Ai! Onde estou… eu só lembro-me de um meteoro e minha vida toda passando "diante dos meus olhos"… Luisa… por que estou pensando nesse nome.
Ele abriu os olhos. Estava em sua forma fantasma, flutuando em um lugar escuro. Quase sem luz. Não era a zona fantasma, quando ele ouviu uma voz:
—"Finalmente ele chegou." – disse uma voz profunda e cavernosa
—Eu previ que ele viria. – dizia uma voz que lembrava a de uma bruxa
—"Seja bem vindo, 'Plasmius'". – disse outra, igualmente medonha.
—"Plasmius"? – ele se perguntou. – Isso significa que eu… eu morri e vim parar no… Não pode ser… Estou no…
—"Não exatamente" – explicou outra voz. – "Você ainda não morreu. Um portal se abriu quando o meteoro te atingiu, trazendo você direto para cá!"
—Onde estou então?
As vozes falaram em couro:
"Na 'Zona Negativa'!"
