Dean Winchester fechou os olhos mas ainda pôde ouvir a porta do quarto que dividia com Sam ser batida com força. Apesar de conhecer e apoiar os motivos do pai, eles tinham que se mudar logo agora que seu irmãozinho tinha finalmente conseguido reunir coragem pra convidar a garota pra sair? É, isso é que é sorte.

Respirando fundo, ele levantou-se do sofá e deu de cara com o pai, que estava resmungando de punhos cerrados.

- Quê? - Jonh perguntou entre os dentes.

Bom, pai, talvez, só talvez, você pudesse deixar o Sammy ficar aqui por mais um dia se essa caçada for inevitável. Sei que você não gosta de deixá-lo sozinho mas eu fico com ele e depois vamos nos encontrar com você de ônibus.Não seria de todo ruim, né? Você ficaria feliz, ele ficaria feliz e eu não ficaria preso no meio dessas malditas brigas!

- O QUÊ? - Jonh perguntou irritado com o silêncio do filho.

- Nada. - Dean engoliu em seco e subiu as escadas para o quarto. - Sam? Sammy?

- Vá embora!

Dean precisou respirar fundo outra vez. Sam tinha essa mania de garota de se contradizer, de falar uma coisa quando queria dizer outra... Esse "vá embora", por exemplo, era como uma deixa para receber carinho incondicional.

- Papai não quis dizer aquelas coisas. - Ele sentou-se na cama do irmão e começou a fazer cafuné em seus cabelos. Sam não reclamou nem se mexeu, o que era um péssimo sinal, ou ele estava muito doente ou muito deprimido. Deus, essa noite ia ser longa.

- Mas ele disse.

- Ele estava zangado.

- Ele SEMPRE está zangado. Comigo pelo menos.

- Sam...eu sei como se sente. Afinal você já se sentiu assim outras vezes. Mas essa pista sobre o demônio é importante.

O mais novo bem que tentou mas não conseguiu impedir que uma risada lhe escapasse e Dean advinhou o que ele pensara: Importante como todas as outras que nos levaram a nada?

- E eu, Dean? E as coisas que eu gosto? Elas importam?

- Claro que sim.

- Quando foi a última vez que ele te parabenizou por um feito?

Oh, não. De novo não!

Sam não esperou uma resposta.

- Há duas semanas atrás, no caso daquele lobismomem. Quando foi que ele me disse que estava orgulhoso de mim?

- Sam...

- Responda.

Dean mordeu os lábios e desviou o olhar.

- Eu não sei.

- Bom, eu sei: nunca! Quando foi a última vez que papai te disse que você era um mimado egoísta, um desperdício de espaço e dinheiro, que não sabe fazer nada certo? - Sam começou a sentir as lágrimas rolarem por suas bochechas.

- Ele não disse tudo isso, Sammy.

- Não hoje.

- Olhe, ele estava zangado. Ele não quis dizer nada disso... é só... o jeito dele. Mas ele nos ama. Você sabe disso, não sabe?

O irmão não respondeu, estava ocupado demais tentando secar as lágrimas.

- Sam?

- Ele nunca disse nada.

- Ele não precisa dizer! Como você pode questioná-lo desse jeito?

- Como você pode não questioná-lo? - Sam retrucou, deixando-se dominar pela

raiva.

- Bom, isso se chama ser um bom filho. - Dean respondeu rispidamente, arrependendo-se no minuto em que as palavras sairam de sua boca.

Sam enterrou a cabeça nas mãos, sentindo-se ainda mais patético pelo demonstração de fraqueza. A visão a sua frente partiu o coração do mais velho. Ele queria sacudir o irmão, forçá-lo a olhá-lo nos olhos e dizer... dizer o quê? Droga!

- Me desculpa. - Sam murmurou, sem levantar a cabeça e Dean balançou a dele. Pelo que o garoto estaria se desculpando?

- Olhe, Sammy, eu sei que nossa família não é perfeita, pelo contrário. Mas... nós somos uma família. Mesmo assim. E tudo que papai faz, nossa, pareceria maldade para qualquer pessoa de fora, mas é para o nosso bem, para que saibamos nos defender, para nos tornarmos excelentes caçadores...

- E se eu não quiser ser um caçador?

Foi como se o tempo tivesse parado naquele exato momento. e o silêncio que se estabeleceu foi tamanho que Dean pôde ouvir com clareza as batidas de seu coração aumentarem de intensidade. Foi preciso todo o seu auto-controle para quebrá-lo.

- O QUÊ?

- E-eu... eu quero ir pra faculdade. Eu falei com os irmãos de amigos meus que já são universitários e eles me falaram várias coisas e...

- Então é isso? Você vai nos abandonar para virar um maldito médico? Você vai ME abandonar?

- Não um médico, advogado. - A voz de Sam ia ficando cada vez mais baixa e mais uma vez os irmãos se encontraram sem saber o que dizer.

- Por quê? - Mais uma vez fora Dean quem quebrara o silêncio.

- Eu quero ser normal, Dean.

- Normal? Sam! Aquele maldito demônio que matou nossa mãe acabou com qualquer chance de sermos normais!

- Você acha que ela ia querer isso pra nós?

- Olha, eu sei que caçar não é o melhor emprego do mundo, nem o mais seguro mas nós salvamos vidas! As pessoas vivem por nossa causa!

- Pessoas estranhas, desconhecidas...

- Eu sei, eu sei que é frustante! Toda essa conversa era frustante! Mas o demônio matou nossa mãe! Nós precisamos caçá-lo!

- Dean, mamãe pra mim é tão estranha como qualquer uma dessas pessoas cujas vidas salvamos.

- Como? - Dean nunca havia sido apunhalado no peito mas desconfiou que a sensação, a dor, deveria ser bem parecido com a que estava sentindo nesse momento. - Como pode falar isso?

- Eu tinha seis meses, seis meses! - Sam explodiu. - Não me lembro de nada! Se eu não tivesse procurado por fotos, nem saberia de coisas simples como a cor de seus cabelos e dos olhos! Você e papai nunca a mencionam...

- É doloroso pra mim falar dela.

- É doloroso pra mim não falar dela.

- Então é minha culpa? Então toda essa maldita rebeldia, suas brigas com o papai, tudo isso é minha culpa? - O rosto do mais velho estava vermelho de raiva.

- NÃO!

- Merda, Sam! Por que você sempre faz isso? Eu vim aqui te confortar, te ajudar e olha no que deu! Você acha que é fácil pra mim estar no meio de suas brigas com o papai? Acha que é o único que sofre? Merda! Você nunca...

- Dean...

- ...nunca pensa em ninguém além de si mesmo! É a SUA escola, as SUAS provas, os SEUS livros e a SUA maldita namorada! E agora esse papo de faculdade? Vai jogar fora tudo que lhe foi ensinado? Vai nos...

- Pare, por favor...

- ...abandonar em busca de normalidade? Merda, merda! Mamãe morreu pra te proteger, Sam. Ela morreu no SEU quarto, perto do SEU berço, pra salvar a SUA vida! Vai esquecer disso? Fingir que nunca aconteceu? Talvez papai tenha razão e você seja...

- CALE A BOCA! - Sam gritou, tampando os ouvidos. - Eu não quero ouvir não de novo, não pela sua boca... não... quero... - Ele começou a soluçar, dessa vez não fazendo nenhum esforço para se conter.

Dean sentiu os próprios olhos se enchendo de lágrimas ao sentir os primeiros indícios de culpa corroer-lhe o espírito.

- Sam, Sammy, eu sinto muito, oh deus, eu sinto muito... eu....

- Vá embora, Dean.

Dessa vez o loiro obedeceu, batendo a porta ao sair do quarto.

Continua...

XXX

N/A: YEY! Finalmente digitei essa joça!

Please não me matem, eu só os faço sofrer pq os amo de paixão. u.u

(não tente entender.)

Referências:

1- "Esse "vá embora", por exemplo, era como uma deixa para receber carinho incondicional." - Isso eu tirei de uma tirinha de Calvin ( nem sou viciada) em que o Calvin xinga todo mundo, reclama de tudo e quando ninguém vem ajudar, ele fala: "As pessoas não entendem que essa é a minha deixa para receber carinho incondicional."

Agradecimentos a :

minha beta lucy_gaunt, que apesar de shippar dean/bela, eu amo de paixão!

CamilaSá, Livs e as meninas do meu colégio

Kero755, que apesar de gostar de slash leu e gostou dessa fic. Thanks, hon !

E cris, minha fiel leitora !

Milhões de beijos!