No domínio das sombras.
O grito dos agoniados e o cheiro de enxofre eram insuportáveis. Ele não andava por aqui há muito tempo. Já fazia alguns milênios desde que
viera até o antro, para libertar algumas almas que foram trazidas aqui apenas para provocá-lo. Este foi um dos motivos que ninguém conhece
para a vinda de seu filho para a Terra. Uma gigantesca cortina de fumaça para resgate das almas de seus servos fiéis, além de um ou outro
guerreiro viking para pagar uma partida de poker com Odin. Quem perdesse, teria que organizar uma missão de resgate para as almas. Embora
tivesse poder para não precisar de ajuda ou subterfúgios, ele achava mais divertido tirar as almas debaixo do nariz de Mefisto, ele mesmo. Isso
adiantou a vinda de seu filho uns séculos, o que acabou por lhe garantir uma crucificação e um mau humor que dura até hoje.
- Quem ousa profanar os domínios de Mefisto? – diz um demônio, pegando Stan pelo colarinho e retirando-o de suas divagações.
- Ah! Oi guri. Leve-me ao seu líder – diz o senhor com um sorriso jovial.
- Imediatamente – diz o demônio, com medo da aura que aquele homem exibe.
Mesmo assim, ele leva Stan pelo colarinho até o trono de seu senhor.
- Olá Satã, faz tempo que não nos vemos. Vejo que ainda não redecorou o lugar. Por que não chama o pessoal do "Minha casa, Sua casa".
Mefisto custa a crer em como um ser superior se deixou ser carregado daquele jeito.
- Porque não fez alguma coisa com ele? - pergunta o ser infernal ao seu guarda.
- Ele parecia estar interessado em conhecer o senhor, então eu pensei...
- Ponha-o no chão e jogue-se na chama mais próxima pela ousadia de pensar – grita seu comandante.
- Anda com problemas de disciplina? Devia chamar a Super Nanny. Ouvi falar que Loki e Thor são unha e carne depois da visita dela – graceja o
grisalho.
- O que quer de mim? Porque você sempre resolve aparecer aqui quando eu estou me divertindo?
- Eu vim aqui lhe pedir para escolher seu campeão. Aquele que veste o símbolo da aranha virá resgatar seu amigo que foi injustamente colocado
sob sua custódia.
- Aquele herói? Huahuhauhuahuahuahua. Ele vai tentar resgatar o amigo? Bwahahaha. Essa foi boa. Agora fala sério de uma vez.
- É sério. O homem que usa o totem da aranha vira buscar Harry Osborn. Escolha seu campeão. Eu lhe digo isso, em vista de que ele alegou que
a passagem de meu filho criou um precedente jurídico.
- Já que está tão animado com isso, o que acha de aumentarmos as apostas.
- O que quer? – pergunta novamente o grisalho.
- Mais dois milênios além do tempo em contrato – responde o regente infernal.
- De acordo. Quem é seu campeão?
- Este aqui.
- Tás brincando – disse surpreso o mais velho deles.
- Por que ele seria o escolhido – pergunta em conjunto Gwen à DeWolf.
- Podia ser pior, pelo menos não é o Galactus – responde Stan – isso sim seria difícil.
- Havia algumas escolhas melhores e uma ou outra pior do que esta. Por que ele não pegou o Duende Macabro, por exemplo? Ou o Rino? –
deseja Mary Parker.
- Então um inimigo é pior que outro? Todos tem poder suficiente para feri-lo. Portanto, só nos resta confiar e apoiar o garoto - observa o seu
marido.
- Como pode ficar calmo numa hora dessas? – diz Gwen ao tio Ben – e você Stan, não pode dar uma garantia ao Peter?
- Primeiro, eu solicitei o desafio, as regras davam à Mefisto o livre arbítrio de escolher seu representante. Em segundo, alguém tem que funcionar
como autoridade e zelar pelas regras. Se não for eu, quem será? Se eu emprestasse um poder extra a Peter, o que impediria Mefisto de ajudar
seu representante.
- Eu contarei a ele, a identidade de seu oponente – disse Mary Parker.
- Não posso deixá-la fazer isso – disse Stan – parte do trato.
Todos olhavam chocados para o velho, que sorrindo, lhes disse:
- Ele nunca soube o que o aguardava quando saia para fazer a ronda, da mesma forma que o seu oponente não saberá que está representando
Mefisto. Ele apenas terá um encontro em circunstâncias parecidas, das que ele já teve. Apenas ele saberá o que se passa, isso faz parte do trato.
- Não podemos dizer nada a ele? – pergunta Jean DeWolf.
- Só uma coisa – responde Stan – que são velhos conhecidos.
"Velhos Camaradas"
- Ainda não acredito que isto está acontecendo – suspira a jovem Stacy – Por tudo que é mais sagrado, prometa-me que vai tomar cuidado, Peter.
- Não se preocupe, o máximo que pode acontecer é tomar uma surra de alguém que me surrou no passado – graceja o herói e veste a máscara.
- Então que tal eu lhe dar um beijo de boa sorte – arrancando a máscara, beija longamente os lábios que lhe eram especiais - não...se
preocupe...eu não conto nada para MJ – disse ainda sem fôlego.
- Gwen, eu... – ele ia falar, mas ela colocou um dedo sob seus lábios calando-o.
- Cada um de nós tem o tempo que nos é necessário nesta vida. Eu estou aproveitando uma oportunidade que tenho de fazer algo que sempre
desejei fazer mais vezes do que realmente fiz. Ainda teremos muito tempo, um dia.
- Se os pombinhos já terminaram, vamos nessa – disse Stan.
- Vocês não irão esperar os outros? – perguntou a loura.
- Eu não sei se poderei sair daqui se ver todos, além do mais se isso não é um adeus, não há necessidade de esperá-los.
- Eu sabia que você pensaria assim – diz o capitão Stacy, seguido de tio Ben e Dewolf – por isso viemos. Para lhe desejar boa sorte. Não. Sorte é
algo que ocorre com incapazes. Você tem a competência necessária. Vença!
- Obrigado pessoal – olha para seu guia, põe novamente a máscara – Vamos.
Novamente, Stan pega uma caneta do bolso e desenha uma porta, maçaneta, a abre e se encaminha com o aracnídeo por um corredor branco,
fechando em seguida.
- Peter! – gritou Mary Parker.
Mas era tarde. Só puderam ver os últimos átomos do portal se diluindo no espaço da sala.
- Por que ele não esperou pela gente? – quis saber Richard.
- Porque essa despedida não pode ser feita de novo. Vocês sumiram quando ele era um bebê. Como acha que ele se sentiria reencontrando
vocês, para em seguida, despedirem-se de novo? – pergunta Jean DeWolf com ar de quem sabe tudo
- Por que diz isso, senhorita DeWolf? – Pergunta Mary.
- Porque eu passei por isso com meu pai. E Gwen passou com a mãe. Tenho certeza que ela concorda comigo – olhou de canto e recebendo uma
anuência da loura
Enquanto isso, Stan e um motivado Homem-Aranha, partilham de um momento único. A chegada dele no mesmo momento em que se
encontravam no começo da aventura, apenas a alguns metros do carrinho de cachorro-quente de Stan. Nesse momento, os quatros se olham
e...riem como crianças que foram pegas com as roupas dos pais.
- Isso acontece às vezes, eu nunca lembro exatamente onde e principalmente quando devo sair ou chegar. – diz o Stan do "passado", para o do
"futuro". Ambos sorriam.
Logo após isso, os dois do "passado" seguiram seu rumo para viver os acontecimentos que os trariam ali novamente.
Quando estes foram, o herói disse ao velhinho:
- Pode me adiantar alguma coisa, Stan?
- Apenas que seu oponente não saberá de nada, porém, embora possa parecer um "deja vu" não se tratará disso. O combate será no seu
campo, dada a diferença de poderes e que se você se lembrar da história do precedente, não terá o que temer – ao passo que ia falando,
também ia desaparecendo, ou melhor, transportando o aranha para a boa e velha Nova York, mais precisamente o bairro do Queens, acima de
um edifício de 4 andares, em que ficava uma pizzaria do bairro. Perdido em pensamentos, Peter ouve uma conversa singular.
- E agora? O forno está quente. Prepare-me uma iguaria que vocês, terráqueos, chamam de pizza – ordena uma voz.
- Mutuna maluco. Destruiu meu forno! Agora quem é que vai pagar meu prejuízo?
"Não, ele não. Pelo amor de Deus, ele não". Pensava Peter enquanto saltava para ver quem era o tal "mutuna".
Quando entra na pizzaria, o herói ouve uma voz ameaçadora:
- Você! Por que toda vez, eu tenho que passar por isso pra comer uma pizza!
- Senhor do fogo!
- Saia daqui, humano – diz o ex-arauto de Galctus, apontando ameaçadoramente um cajado incandescente – eu atravessei galáxias para comer
uma pizza e eu matarei por uma. Se bem que eu gostaria de matar você pela última vez.
- Podemos resolver isso como amigos? – Diz o aranha, enquanto o dono da pizzaria e de um monte de cinzas que há pouco eram um forno, puxa
uma espingarda e atira no Senhor do Fogo. Infelizmente, a bala derrete antes de tocar sua pele.
- Humano insano! Ousa atentar contra a vida daquele que possui o poder de um sol? – o ser incandescente derrete a espingarda sem esforço e
prepara-se para fazer a mesma coisa com o pizzaiolo, quando o Aranha enche sua mão direita de teia, formando uma luva de boxe e acerta em
cheio o queixo do alienígena.
- Essa não foi uma das melhores idéias que eu tive na vida – diz o pizzaiolo
- Eu também tenho essa mesma sensação.
- Da última vez, eu lhe poupei em respeito aos seus amigos Vingadores. Não terá a mesma sorte – disse, enquanto soltava uma rajada térmica
para onde há pouco estava o aracnídeo, enquanto este procurava colocar alguma distância entre eles, saltando entre os prédios, dando início á
uma perseguição, no céu de Manhatan. Enquanto, desviava das rajadas incandescentes, o herói tentava se lembrar de como conseguira derrotá-
lo anteriormente.
"Certo. Foi naquela época que o Beyonder veio para a Terra, entender a incompletude. O Senhor do Fogo, veio atraído por seu poder e pelas
pizzas. Derreteu um forno quando o cara disse que precisava aquecê-lo, e antes que ele matasse o pizzaiolo, nos atravessamos a cidade como
estamos fazendo agora. Então vamos tentar o que deu certo daquela vez. Tsc, nunca se têm um surfista prateado por perto, quando se precisa
de um".
Escondendo-se em um telhado, o Aranha procura um lugar deserto, para executar seu plano. Perto dali, um pátio de obras. Rapidamente, procura
o mestre-de-obras e lhe pergunta:
- Me responde uma coisa, em que ano estamos?
- 2006 – responde o capataz, incredulamente.
- Ótimo. Manda a conta dos estragos que o alien fizer para o quarteto fantástico ou para Tony Stark.
- Que alien? Que estragos? – pergunta o empregado.
- Aquele ali, que está destruindo meia cidade me procurando – responde o aranha apontando para o céu – Ah! E cobra as horas de folga da
prefeitura, que eles assinaram um seguro contra super-heróis.
Enquanto todos os empregados, saiam da construção, o Senhor do Fogo, aproxima-se da armadilha montada pelo aranha. Com uma luva ao lado
de uma pilha de escombros, ele engana o viajante estelar, fazendo-o pensar que acidentalmente ficara preso em uma pilha de escombros.
Quando chegou perto para confirmar suas suspeitas, o Senhor do Fogo, recebeu um banho de concreto de secagem rápida, imobilizando-o. Neste
momento, o Aranha sai da cabine do guindaste, que levava o concreto para os andares mais altos. Isso provavelmente não o deteria por mais de
5 minutos, afinal apenas o Fanático é tão burro para cair neste truque.
Menos de dois minutos depois, o concreto começa a rachar e, aos poucos é gentilmente transformado em pó. Não que o Senhor do Fogo
precisasse de mais que 15 segundos para fazê-lo, mas ele decidira que o prazer de matara o Homem–Aranha seria maior se ele prolongasse um
pouco mais a caçada. Ele não sabia de onde vinha essa sede de matança contra o terráqueo, mas sabia que era algo específico, contra aquele
inseto. Quase como se fosse...compelido por uma força maior.
Ao sair do concreto, o ex-arauto é atacado por uma bola de demolição, que estava na mão do aracnídeo, arremessando-o rumo a uma pilha de
escombros.
"Isso me dará mais alguns segundos para pensar em outra coisa" pensou, enquanto sentia um familiar zumbido dentro de sua cabeça, lhe
indicando que o perigo não havia acabado. Isso lhe permitiu antecipar a rajada de plasma que fora disparada em sua direção.
Imediatamente um tilintar maior de seu sentido de aranha, fez com que ele buscasse abrigo. O Senhor do Fogo, sem o menor esforço, repetiu um
truque inventado por Jhonny Storm: a explosão nova, derretendo tudo o que estava em seu raio de alcance, inclusive as fundações do edifício, o
que fez com que sobrasse apenas uma cratera, cujo chão havia sido derretido e transformado em vidro.
Enquanto isso, o flamejante visitante já tinha perdido toda a paciência com aquele incômodo. Embora acreditasse que o tinha vaporizado, no
fundo, ele esperava que o terráqueo estivesse vivo para poder lhe destruir novamente. Ele jamais fora tão...humilhado. Essa é a verdade. Cada
planeta que temeu sua vinda, iria agora gargalhar às suas custas, por causa de um terráqueo, uma forma inferior de vida no universo. Isso não
pode se espalhar pela galáxia. A única forma de evitar isso é destruir todo o planeta! Começando pelo infame que havia quebrado seu...nariz!
"Se ele estiver vivo, encontrarei o verme e ele conhecerá o meu verdadeiro poder" pensou, enquanto voava pelos céus de uma Manhatan que
ignorava essa nova realidade que pesava sobre suas cabeças.
Perto dali, um tostado Homem-Aranha, passa por uma crise de idéias para salvar o mundo.
"Algo me diz que eu piorei tudo. Invés de me matar e comer uma pizza, ele pretende me matar, matar o planeta e pedir ao último humano que lhe
prepare uma pizza", pensava o aracnídeo.
- Você piorou tudo. Ao invés de te matar, ele vai matar o planeta – disse uma voz soturna que estava no beco, abaixo do telhado onde estava o
herói.
- Ah! Obrigado pelo apoio, ô Spawn da periferia.
- Não há de que, Parker.
- O QUÊ? – gritou o escalador de paredes saltando para descobrir a identidade de seu interlocutor.
- Não se acanhe, não existe segredo entre "irmãos" – disse o outro, revelando um uniforme no mínimo...familiar.
- Ben! O que você faz aqui? – disse o herói abraçando seu "irmão" que, na realidade era sua cópia genética que assumira a identidade de
Homem-Aranha no passado e fora morto por Norman Osborn – como você sobreviveu, isto é, é você mesmo?
- Não se preocupe, não sou outro clone, quero dizer, sou o mesmo clone que eu era, quer dizer... você entendeu! E tecnicamente, eu não
sobrevivi, o que considerando quem você esteve conhecendo ultimamente, não é surpresa que eu esteja aqui para lhe dar uma mão.
- Porque você não estava junto conosco naquela reunião? Afinal você é tão filho deles quanto eu.
- Eu estava em uma missão especial a pedido do Stan. Não deu para aparecer e, além do mais, eu achei melhor que eles tivessem um momento a
sós com Peter Parker.
- Eu agradeço Ben, mas você também é parte da família. E é justamente por isso que não posso aceitar a sua ajuda. Essa é uma luta de um
contra um. E isso pode por em risco a alma de Harry.
- Não se preocupe com isso, o chefe falou que isso não ocorrerá. Ele disse que tinha alguma coisa a ver um tal de dogma – responde Ben Reily.
- Esse não é o filme que a Alanis Morrissete aparece pelada? – pergunta o aranha.
- Ele tava falando de outra coisa – responde um constrangido Ben Reily.
- Nesse caso a coisa muda de figura. Eu tenho uma idéia, que pode funcionar agora que estamos juntos.
- Qual é o plano?
- Vem comigo, antes de pormos nosso plano em prática, precisamos de roupas novas para você.
"Dobradinha"
A torre Stark estava vazia há algumas horas. Os parceiros de equipe do herói aracnídeo, tiveram que impedir uma fuga em massa na prisão da
Ilha Rikers, devido à aquisição de Frank Castle com prisioneiro e sua respectiva tentativa de "dar uma reciclada" no ambiente prisional da ilha.
Por isso, não chegaram a ver a estranha cena que ali ocorria. Não um, mas dois homens vestidos como homem-aranha entraram pela janela, a
princípio com uniformes diferentes e, após alguns minutos, com uniformes semelhantes. Quando se preparavam para sair, ouviram uma voz
familiar:
- Aonde os senhores pensam que vão à uma hora dessas?
- Tia May! – disseram os dois em sincronia – O que a senhora esta fazendo acordada uma hora dessas?
- Além de estar vendo dobrado? Vim pegar um copo de leite, quando vejo dois Homem-Aranha. Primeiro eu gostaria de saber quem de vocês é
Peter Parker.
Peter tira sua máscara, revelando um rosto cansado, devido ao esforço de lutar com um sol vivo furioso.
- E você, meu jovem, poderia retirar sua máscara?
Ben retira sua máscara, em choque por estar frente a May Parker. A mulher que, de certa forma, o criou e guiou os passos de um garoto tímido,
rumo ao futuro heróico. Termina de retirar a máscara, revelando os fios tingidos.
Após um momento de surpresa, Tia May sorriu para ele e disse:
- Você é tão lindo quanto Peter, agradeço por ter escolhido meu sobrenome de solteira... Ben Reily.
- Você sabe quem eu sou? – pergunta incrédulo.
- Eu ainda não sou senil. Quando soube do segredo de Peter, ele contou-me tudo sobre você, pois achava que você merecia ser lembrado como
membro da família. Mas ele me disse que você havia morrido em uma batalha contra o horrível Duende Verde.
- Isso é verdade, mas eu não deixaria algo tão pequeno me impedir de ajudar meu irmão.
- Eu não sei se entendi isso direito, mas, de qualquer forma, quero que saiba que me orgulho de você, tanto quanto me orgulho de Peter – disse
Tia May abraçando-o e beijando sua face – agora vão salvar o mundo. Eu estarei aqui e me sentirei segura enquanto souber que vocês estão lá
fora, ajudando quem precisa.
Um clarão vindo de alguns quarteirões acaba com a cena emocionante que se desenrolava naquele salão. Como se tivessem combinado, eles
colocam a máscara e saem pela janela rumo ao perigo flamejante.
- Qual é o plano, Peter – pergunta Reily.
- O de sempre: Porrada nele! Separados atacando de várias direções até que um de nós consiga tonteá-lo. Daí vamos os dois pra cima dele
batendo com tudo o que nós temos.
- Chama isto de plano? Tá mais com cara de suicídio.
Enquanto isso, um Senhor do Fogo, entupido de pizza, praguejava contra a humanidade, após destruir o sétimo forno elétrico do dia, após o
vendedor lhe negar mais uma pizza sem ver a cor da grana.
- Raça imunda! Escória do Universo! Quando eu estava quase desistindo de destruir seu planetóide, vocês me lembram o motivo pelo qual vocês
não verão o amanhecer!
- Ei! Essa magoou! Eu achei que tinha algo a ver com isso – disse o aranha, disparando sua teia direto nos olhos do ex-arauto, cegando-o
temporariamente.
- Quanto tempo acha que isso vai me atrasar? Disse o irritado Senhor do Fogo, derretendo a teia de seu rosto a tempo de ver seu oponente
rumar para um prédio semi demolido do outro lado da rua.
- Você pode ter vivido um pouco mais, mas, dessa vez, eu garantirei sua morte – gritava, enquanto destruía algumas pilhas de escombros ao
redor de onde estaria o escalador de paredes.
De repente, algo o acerta vindo por trás, quando ele se vira para ver a face do oponente, vê apenas alguém que jurava que vira na sua frente.
Embora confuso isso não impediu o revide. Desferiu um golpe, que lançou o Homem-Aranha em direção da parede e este aproveitou o impulso
lançado para prender sua teia em uma parede que estava próxima do oponente e derrubou-a em cima do agressor.
Do outro lado, Peter esperava para entrar em ação novamente, enquanto via um sinal de consciência de seu irmão. Logo fez sinal para que este
escondesse sua presença e percebera que este saia mancando. Logo após Ben se esconder, uma explosão ocorreu aonde outrora se encontrava
o orgulhoso ex-arauto de Galactus.
- Isso! Torne a sua morte mais divertida! Pense que pode me parar novamente – gritava enquanto voava para onde jogara o herói.
Nisso, Peter lançou-se em direção ao oponente pelas costas deste, com a idéia provavelmente mais absurda que tivera desde que o dia
começara. Com sua mão livre, lançou uma teia precisa e arrancou o cajado da mão do Senhor do Fogo, puxou-o para si e ainda aproveitando-se
da surpresa do oponente, usou como um taco de baseball. Embora soubesse que o cajado era apenas um condutor de poder, ele também sabia
que ele fatalmente agüentaria o tranco e não quebraria.
Ele estava tonto. Fora golpeado fortemente, como poucas vezes e sua vida. Por Norrin Rad, o Surfista Prateado sim, por Thanos talvez, mas
nunca uma forma inferior de vida, havia batido nele com tamanha força. E fez isso duas vezes. Na primeira, anos antes, ele não fora atrás dele em
respeito a seu amigo Hércules e os demais Vingadores. Ele devia sentir-se grato por isso. Mas ele aprendeu alguma coisa com isso? Não. Ele tinha
que cruzar seu caminho novamente e atrapalhá-lo novamente. Esse era um dos pensamentos mais bonitos que passou pela mente do Senhor do
Fogo, enquanto ele se dobrava diante da dor de ter suas costelas partidas. No final, mais do que golpeá-lo, o aracnídeo lembrou-lhe de uma
dolorosa lição: por mais poderoso que pareça, você ainda é mortal. Galactus teve um inicio e terá um final. Você não será diferente.
Ignorando a dor, ele se levanta e acerta o herói em suas costelas, aproveitando um momento que sua guarda estava abaixada.
Peter sentiu suas costelas se partindo e se alojando na carne. "Vamos Parker – pensava – ignore a dor, o plano só dará certo se você conseguir
mais um pouco". Então resolve puxar o tapete do Senhor do Fogo literalmente, aproveitando que ele não tinha muitas condições para esperar
algo assim. Com o efeito, ele novamente dispara sua teia no rosto do oponente. Vendo o ocorrido, Ben resolve ajudar disparando suas teias de
impacto, um composto concentrado da fórmula original que envolvia o oponente assim que entrasse em contato com ele.
Queimando a coisa asquerosa com um pouco mais de dificuldade agora, devido ao esforço em respirar, o Outrora imponente alienígena pensou se
estava começando a passar pelo estado que os humanos conheciam como loucura. Ele estaria vendo dobrado. Na sua frente, havia a visão
de ...dois escaladores de paredes?
O plano dependia da capacidade de moverem-se de maneira uniforme por alguns segundos e isso não foi problema para eles. Começou-se uma
intensa luta corpo-a-corpo com o Senhor do Fogo, até que este percebera o engodo tarde demais, ele estava exausto, para lutar não com um,
mas com dois heróis e seu ferimento avançava cravando sua carne a cada movimento e, conforme a luta se desenrolasse, seu pulmão poderia ser
perfurado e ele afogar-se no próprio sangue.
- Que droga...você... venceu de novo...nos encontraremos...um dia – disse o arauto, antes de desmaiar.
- Ufa! Essa foi difícil. E como você venceu ele da primeira vez, Peter? – perguntou Ben Reily.
- Mais ou menos assim. Depois de tentar tudo isso, eu pirei e fui pra cima com tudo. Ele não esperava um confronto direto. Ele sempre foi
acostumado a ser temido por servir um devorador de mundos. E aí, qual o saldo?
- Ombro deslocado, costela quebrada e alguns ossos aqui e ali, além de uma torção de joelho. E você?
- Concussão, três costelas e, pelo menos dois dedos quebrados, além do pulmão perfurado. Vamos precisar passar um tempo no estaleiro.
- Não acho que isto será necessário – disse Reily – veja onde já estamos.
Olhando ao redor, Peter viu que estava de volta ao "universo em branco". E não estavam sós.
RESGATE
Stan vem até eles e lhes oferece uma garrafa dágua para cada um e sorri. Seu sorriso parecia o de alguém que sabe tudo e, que droga, ele sabia
tudo mesmo. Imediatamente ele disse:
- Vamos dar uma volta.
Esperou os dois se porem de pé – a algum custo – e desenhou uma porta no ar, fazendo o que fizera outras vezes.
- Preparem-se. O lugar aonde vamos não foi arrumado e cheira um pouco forte. Vamos!
Quando entrarão no portal, imediatamente apareceram na "sala do trono" de Mefisto, que esperava com um pequeno cristal nas mãos.
- Vim conforme o combinado. Requisito o prêmio – disse Stan com uma inusitada falta de entusiasmo, que não passou despercebida pelos heróis.
- Você tem a audácia de exigir o prêmio? Que eu me lembre nós combinamos que seria uma luta de um contra um. Logo, não só essa alma é
minha, quanto o resto dos temos do acordo.
Nesse momento, Stan puxa do bolso de sua camisa um gravador digital e põe uma gravação para que os outros ouçam:
"- O que quer de mim? Porque você sempre resolve aparecer aqui quando eu estou me divertindo?".
- eu vim aqui lhe pedir para escolher seu campeão. Aquele que veste o símbolo da aranha virá resgatar seu amigo que foi injustamente colocado sob sua
custódia.
- Aquele herói? Huahuhauhuahuahuahua. Ele vai tentar resgatar o amigo? Bwahahaha. Essa foi boa. Agora fala sério de uma vez.
- É sério. O homem que usa o totem da aranha virá buscar Harry Osborn. Escolha seu campeão. Eu lhe digo isso, em vista de que ele alegou que a
passagem de meu filho criou um precedente jurídico..."
- Como você ouviu, não disse que ele lutaria sozinho contra o seu campeão. Você presumiu isso. Eu disse que o herói que usa a aranha como
totem, viria resgatar seu amigo. Que azar os dois usarem o mesmo símbolo e serem heróis. E não pense que sua pequena transgressão passou
despercebida – disse com ironia.
- O que você está falando – disse Mefisto visivelmente contrariado por estar entrando naquele assunto.
- Você usou sua habilidade para influenciar o Senhor do Fogo, aumentando sua ira e tirando-lhe o discernimento! Logo o transformou em sua
marionete e, quando ela saiu do controle, pretendia destruir o planeta, se sua gula por pizzas não fosse maior! – Stan pela primeira vez merecia
o temor que os antigos lhe reverenciavam. Segundo soube por Ben depois, Peter era uma das poucas testemunhas de um acesso de raiva divina,
no último milênio.
- Ao fazê-lo, você tirou a chance de Peter vencer. Então eu dei um jeito de equilibrar as coisas, enviando Ben Reily para ajudar.
- Você pensou em tudo isso – desacreditava Mefisto – só pode estar brincando?
- Eu não brinco quando há almas em jogo, por menor que seja! – disse Stan com firmeza no olhar.
- Humpf! – resmunga Mefisto, olhando atentamente o cristal em sua mão – tudo isto por essa alma. Pegue-a se puder.
Dito isto, o senhor das trevas joga o cristal em um fosso de lava próximo.
- Não! – Disseram Peter e Ben ao mesmo tempo, lançando-se em direção ao fosso de lava.
De repente, o tempo para nos domínios de Mefisto, como se algo houvesse...congelado o inferno. Apenas Stan e Mefisto podem se movimentar.
Stan o olha e caminha até o fosso de lava. Para, localiza aonde esta o cristal, perigosamente próximo ao magma. Desce até a superfície do fosso,
como se andasse em uma escada invisível, anda pelo magma, recolhe o cristal, sobe a escada imaginária novamente, trata de desenhar e abrir o
portal enviando Peter e Ben quando o tempo descongelar, volta onde estava e encarando o príncipe das trevas diz as palavras:
- Deixe-o em paz. Ele não terá retaliações por isso. Caso contrário, eu voltarei aqui com os pesos pesados.
- Acha realmente que eu tenho medo de Gabriel e os outros? – graceja Mefisto.
- Não estava falando deles. Referia-me a trazer uma micareta para cá. Fazer uma espécie de InfernoFolia, com 18 trios elétricos, open bar a noite
toda, e gente vomitando em você a toda hora.
Com toda a calma do mundo abriu um portal para ele e quando ia entrar, ouviu a voz de Mefisto:
- Stan.
- O que quer?
- Da próxima vez...venha com Gabriel – disse, esboçando um meio-sorriso.
- Vou pensar, filho. Eu prometo que vou pensar – disse com alegria na voz.
Epílogo
Stan apareceu novamente no espaço branco, exatamente um segundo antes de Peter e Ben aparecerem e se esborracharem no chão.
Obviamente, eles haviam esperado algo parecido com um fosso de lava, mas ao rodearem o ambiente viram apenas um sorridente velhinho, com
um cristal na palma da mão, estendido para eles.
- Missão cumprida, senhores. Agora é só alegria.
- Como você conseguiu pensar em todo tipo de contingência? – perguntou Ben Reily.
- Como diria um amigo meu "todos os meus movimentos são friamente calculados" - brincou Stan.
Enquanto isso, Peter tossiu sangue e, pela primeira vez, a brancura do universo conheceu a cor vermelha sangue.
- Humm – o velhinho olhou para eles e, após um momento, disse costelas quebradas... perfuração no pulmão...dedos quebrados... vou ter
trabalho com vocês.
- Você pode nos curar instantaneamente – disse Peter, entre outro acesso de tosse.
- É verdade, mas eu tenho uma idéia melhor - disse isso enquanto transportava os dois para uma enfermaria celeste – quero só ver a cara deles,
se bem que nem preciso de onisciência.
Olhou para o sangue emplastado no "chão" do universo e disse:
- O ingrediente que estava faltando, para a criação do universo. O sangue da redenção e do sacrifício pessoal. Vou espalhá-lo por todo universo,
deste modo, em todo quadrante do universo haverá seres dispostos a fazer o bem, não importa a que custo pessoal.
Neste instante, a superfície branca começa a transparecer novamente a escuridão do universo.
Enquanto isso, Peter e Ben aparecem em leitos hospitalares, com camisolas de pacientes, olhando para o teto do quarto. Eles se olham e Peter
pergunta:
- O que ele quis dizer com isso?
- Espere qualquer coisa. Eu conheço aquele sorriso.
Passado alguns minutos, a porta da enfermaria abre e Gwen Stacy, seguida de Jean DeWolf entram...vestidas de enfermeiras, em um traje dos
sonhos de qualquer paciente e direito a chapeuzinho e tudo.
- Viemos cuidar dos nossos dodoízinhos – disse Jean, olhando sedutoramente para Ben Reily.
- Por isso, enquanto estiverem aqui sob nossos cuidados, peçam qualquer coisa – sussurrou Gwen no ouvido de Peter.
Em uma das cenas mais inacreditáveis da história do paraíso, dois heróis que foram ao inferno e voltaram ilesos, mas que com toda essa
bagagem, coraram furiosamente ao verem duas mulheres bonitas, se insinuando para eles.
Dois dias se passaram e os ferimentos já eram história. Era hora de Peter voltar para seu mundo e época. Todos os seus entes queridos foram
ate lá exceto Harry – que Stan explicou-lhe que devido ao lugar que estivera – deveria ficar de quarentena algum tempo, mas que mandou uma
carta agradecendo o esforço e dizendo que queria encontrar uma maneira para pagar seus pecados.
- Não se preocupe com ele. Nós cuidaremos dele agora – disse Jean, abraçada a um sorridente Ben Reily.
- Bom. É isso. Mande lembranças à Mary Jane, Peter - disse Gwen, beijando-o com paixão e depois sussurrando em seu ouvido – Quando voltar
aqui terminaremos o que começamos.
Ao ouvir isso, Peter corou ainda mais, embora não acreditasse que isso fosse possível.
- Chegou a hora – disse Stan – vamos dar um pequeno passeio Peter.
Os dois se encaminharam por um lindo jardim, quando subitamente:
- Peter – tio Ben chamou-lhe.
- Nos orgulhamos de você – disseram todos, quando ele virou para os que ficavam fora do jardim. Para Peter, ouvir isso foi melhor do que ganhar
na loteria.
- Feliz? – perguntou Stan.
- Não tem como dizer o quanto estou grato por você me dar esta oportunidade – responde o jovem.
- Não foi por bondade. Tudo tem que acontecer por um motivo. Você salvou milhões de vidas, sozinho ou junto com outros heróis. Não era justo
você se auto flagelar pelas poucas vidas que não salvou. Portanto, os poderes que equilibram o universo deram um jeito de que você pudesse
fazer as pazes com seus demônios internos.
- Eu pensei que você era a força que equilibra o universo.
- E eu sou. Não posso falar de mim na terceira pessoa? – gracejou Stan.
- Posso fazer uma pergunta? – Peter esperou por uma anuência de seu companheiro – O que você quis dizer com o lance do dogma?
- "Assim na terra, quanto no céu". Lembra-se disto? Essa frase consta da oração do Pai-Nosso. Nela o dito é que o feito na terra vale também no
céu. Dessa forma, a solução feita aqui por você, no caso o uso de legislação jurídica, passa a valer também na terra.
- Isso quer dizer que você se apegou a isso para fazer o duelo com Mefisto? E se ele percebesse?
- Ele não acredita que um cão velho pode aprender truques novos – disse Stan.
- Tudo isso fazia parte do seu plano, digo a máquina que Reed construiu, a data escolhida, o aprisionamento de Harry... você pensou em tudo
isso?
- Como eu disse antes: "todos os meus movimentos são friamente calculados". Vocês têm o livre arbítrio, eu só ajusto as coisas um pouquinho.
- E você acha que eu devo contar para os outros sobre tudo isso? Eles vão pensar que não passa de uma alucinação.
- Peter, Peter. Você vai voltar um segundo depois que você partiu. Isso fará com que tudo esteja como você saiu, sem fornos derretidos e prédios
destruídos. Apenas um bom e velho apagão, causado por dois funcionários que encontraram um problema na rede elétrica – disse o velho,
enquanto desenhava um portal.
- Compreendo – disse o jovem – de qualquer modo, eu lhe sou grato.
Peter entrou no portal, e apareceu no laboratório do edifício Baxter, no mesmo tempo em que desapareceu. Com a escuridão causada pelo
blecaute, os heróis demoraram a percebê-lo.
- Hã... Reed? – isso não devia funcionar de algum modo – disse o Fera.
- Sim. O que você quer dizer com isso? – responde o Senhor Fantástico.
- Então por que estamos olhando para um magrelo vestido com pijama de aranha quando ele não deveria estar aqui – completa Banner, entrando
na discussão.
- Então Aranha sentiu como se estivesse em outro lugar? – perguntou Stark, depois que a discussão acabou – viu alguma coisa?
- Humm... nada, a não ser uma vontade louca de comer um cachorro quente – disse Peter, sorrindo debaixo da máscara.
- Tudo bem. Eu pago então – disse Tony, colocando o capacete da armadura.
Enquanto isso, nos arredores de Urano, o Senhor do Fogo vê uma figura prateada surfando pelo espaço, em sua direção.
- Olá Norrin. Que engraçado nos encontrarmos nesta parte do universo.
- Na realidade eu vim lhe encontrar aqui. Recebi uma encomenda direcionada para você.
- Para mim? – o viajante estava curioso quando abriu o pacote – Isso é... inesperado.
- Concordo – disse o Surfista.
Dentro do pacote, havia um punhado de dólares, uma lista das melhores pizzarias espalhadas pelo mundo, e um recado: "da próxima vez que for a
Terra, use o dinheiro para pagar as pizzas".
- De quem você acha que veio isso? – perguntou Norrin Rad.
- Não sei, mas me deu uma ótima idéia. Vamos comer alguma coisa na Terra. Eu pago.
FIM
E assim acabou a primeira fic que criei. Embora não tenha feito mais do aracnídeo, recomendo minhas histórias pelo fator diversão das mesmas.
Nos lemos,
Fan Surfer
