N/A: Recebi duas reviews! Eba!

Rose Anne Samartine: Eu lembro de você! Você já acompanha minhas fics há algum tempo... Que bom que resolveu dar um voto de confiança nesse meu novo desafio, a seu pedido, estou continuando! Beijos!

Flor Cordeiro: Obrigada por comentar! Sim, deve ser muito chato mesmo... mas nesse caso, é uma ótima desculpa para os acontecimentos a seguir... Beijos!

E agora mais um capítulo!


Quebrando as Regras

No final daquele dia, Lily já estava estressada. Nem todo o carinho e atenção das amigas e do namorado tinham conseguido relaxá-la. Ela ainda não conseguia acreditar no que ouvira na aula de Adivinhação. Ser obrigada pelo prof. Dumbledore a passar algumas horas por semana na presença do Potter devido ao cargo de monitores-chefes era aceitável; mas ter uma professora com fortes inclinações para a demência exigindo-lhe que passasse mais tempo com ele do que lhe era suportável, sem nenhum objetivo concreto, e ainda tendo que fazer tarefas secretas totalmente sem sentido? Isso era loucura!

Mas Lily não ousou contar nada disso a ninguém, principalmente a Amos. Ele era muito compreensivo, mas nesse caso era capaz de ficar com ciúmes - mesmo que não fosse a dado a fortes emoções - e desconfiar de algo. Ora, desconfiar de quê? Não existia nada... a não ser uns dois beijos trocados entre ela e o Potter. Não, era melhor ele não saber de nada disso. Muito menos suas amigas. Podiam dar com a língua nos dentes... ou atormentá-la para sempre.

James, por sua vez, tinha ficado bastante satisfeito, ainda sem entender muito bem por quê. A monitora-chefe podia ser muito chata na maioria das vezes, e ele detestava ouvir seus sermões quando fazia alguma coisa que ela considerava errada. Por outro lado, adorava observar o quanto ela ficava linda quando alterada. E precisava admitir, pelo menos para si mesmo, que ela beijava tão bem quanto ele. Estava à sua altura nesse quesito. Além de ser realmente linda e doce, quando ele estava longe.

Sim, James Potter costumava observá-la escondido; adorava o jeito como ela tratava os mais novos, como era atenciosa, paciente; em geral os primeiranistas eram praticamente devorados vivos pelos alunos do último ano. Também gostava do jeito que ela conseguia se desligar do mundo quando lia um livro. Uma vez ela estava nos jardins lendo, e nem percebeu que uma tempestade se aproximava. Só se deu conta quando as páginas do livro ficaram encharcadas, e teve que sair correndo para dentro do castelo quando já não tinha mais ninguém do lado de fora.

Também gostava da espontaneidade da garota. De como ela às vezes tirava os sapatos e andava descalça pelos jardins, molhando os pés no lago; ou quando parecia flutuar em vez de andar nos dias em que estava muito feliz. Até chegava a lhe sorrir de leve, mesmo fazendo isso inconscientemente. E James definitivamente morria de ciúmes do jeito que ela tratava o namorado, Amos Diggory. Queria ter uma garota que gostasse dele dessa forma, que acariciasse seus cabelos, que risse de suas piadas, que corasse quando ele a beijasse... Por mais que fosse o rapaz mais cobiçado de toda Hogwarts, o fato de poder sair com qualquer garota que quisesse não supria a necessidade de ter alguém que gostasse dele de verdade, e não pelo seu dinheiro ou razões frívolas. Além de que todas as garotas com quem já saíra eram burras demais para o seu Q.I avantajado. Outro quesito em que Lily estava à sua altura. Aliás, ela seria a garota perfeita para James. Se não fosse tão chata e briguenta.

Durante o jantar, James olhava para Lily incessantemente. Ela, nervosa, só olhava para o prato. Mal conseguiu comer.

- Lily, ta tudo bem com você? – perguntou Alice McKellen, uma de suas melhores amigas.

- Ta sim, só to um pouco cansada. – mentiu a ruiva. – Acho que vou indo. Tenho umas coisas pra fazer na sala dos monitores antes de dormir. Boa noite, meninas.

- Boa noite – respondeu a amiga.

Lily deixou a mesa da Grifinória, acenou o mais alegremente que conseguiu para o namorado na mesa da Lufa-Lufa, e seguiu pelas escadas em direção à sala dos monitores. Não levou muito tempo até que James levantasse da mesa também e fosse atrás da garota.

- Até a vista, marotos. – falou ele e sem esperar resposta, sumiu pela porta do Salão Principal.

- O que é que deu nele? – perguntou Sirius a Remus. Peter se deliciava com seu pudim de chocolate, sem prestar atenção à conversa.

- Ele foi atrás da Lily. Isso não pode ser bom...

xXxXxXx

- Boa noite, Evans! – saudou James, prudentemente chamando-a pelo sobrenome de modo divertido quando alcançou a garota no segundo andar. Ela andava rápido.

- Por algum motivo eu sabia que você ia me seguir. – respondeu ela, sem se dar ao trabalho de encarar o garoto, só mantendo-se no caminho para a sala dos monitores.

- Hum, pelo visto você está levando a sério esse negócio de Adivinhação. – riu James. A garota fez uma careta.

- Ah, não me fale nisso! Olha, eu não sei o que é que deu na profª Trebell hoje. Aquele castigo não pode ser verdade!

- Infelizmente para você Evans, é sim. Eu falei com a McGonaggal hoje e ela me disse que os professores podem passar tarefas para os alunos, trabalhos extras, pra eles crescerem no conceito deles e até melhorar as notas. E por mais que pareça estranho, vamos ter que cumprir. Ou corremos o risco de ficarmos com o nosso currículo escolar manchado...

- Não, isso não! – respondeu apressadamente, pensando em sua reputação de boa aluna - Mas ela disse que ia nos dar uma tarefa ainda hoje... Você sabe de alguma coisa?

- Ah...

Nesse exato instante, uma coruja entrou pela janela do corredor e passou na frente dos dois, deixando cair um envelope, e saindo pela outra janela do outro lado. Enquanto Lily amaldiçoava a coruja por tê-la coberto de plumas, James já apanhara e lera o conteúdo do envelope. Escrito em uma caligrafia fina e sinuosa, estava a primeira tarefa que os dois deveriam cumprir:

Vocês devem entrar na Sessão Reservada da Biblioteca assim que receberem este bilhete e procurar por um livro de filosofia grega cujo tema seja os paradoxos.

T. Trebell

- Ela está doida? – exclamou ao terminar de ler, antes do rapaz. - Não podemos entrar na Sessão Reservada sem autorização, muito menos depois do toque de recolher!

James sorriu. Adorava uma aventura. Principalmente se envolvesse corromper alguém como Lily.

- Vai ser moleza. Vem comigo!

James agarrou Lily pelo braço e a guiou por um corredor estreito que ela não lembrava de ter entrado antes. O rapaz conhecia todos os caminhos de Hogwarts, principalmente os menos frequentados. A essa hora os estudantes já estavam voltando para seus dormitórios e eles não podiam ser pegos indo contra o fluxo de gente.

Já estavam perto da biblioteca quando Lily precisou parar de correr para respirar. Era péssima com exercícios físicos.

- Potter, isso é loucura! Nós devíamos estar fazendo a ronda, nos certificando de que ninguém fique fora da cama, e olhe que exemplo estamos dando! Se alguém nos pega?

- Ora Evans, os outros monitores podem fazer a ronda em nosso lugar. E depois, se nos pegarem, sempre podemos inventar uma desculpa.

- Ah, é? Tipo o quê?

- Tipo...

Ouviram o miado da gata de Filch se aproximando. O zelador devia estar por perto. James puxou Lily para trás de uma estátua grande e alta e comprimiu-a contra a parede, ficando de frente para ela, jogando por cima deles uma espécie de tecido transparente. A garota ameaçou gritar quando percebeu que estava tão próxima a ele, mas o rapaz foi mais rápido e pôs a mão em sua boca. Por alguns segundos ficaram em silêncio, olhando nos olhos um do outro.

- Fique... quieta...

Lily não sabia que estava sob a proteção da capa de invisibilidade, mas suspeitou quando a gata passou por eles e não os viu. Não estavam tão protegidos atrás daquela estátua. E apesar de nunca ter visto uma, sabia reconhecer a capa pelas descrições que lera nos livros. Ficou mais tranqüila, observando a gata ir embora. James esteve o tempo todo hipnotizado pelos olhos verdes dela, aflitos e brilhantes.

Quando achavam que estavam salvos, Filch passou bem perto deles, farejando o ar como um cachorro. Lily ficou tão nervosa que mordeu a mão de James.

- Ai, ta louca? – retrucou ele, baixinho.

- Cala a boca, Po...!

Mas antes que a garota pudesse terminar de falar, os lábios de James já estavam colados aos dela. A primeira reação de Lily foi gritar, mas o som foi abafado num pequeno gemido dentro da boca do maroto. Ela sabia que não podia fazer nada naquele momento. Filch estava passando muito perto, e quanto mais próximos estivessem um do outro – e o rapaz se encostara nela mais ainda com o beijo – menos chances o zelador tinha de esbarrar neles. Muitos pensamentos voavam pela mente da garota, e ela emitia fortes sinais do seus cérebro para os lábios, ordenando-os que parasse de corresponder a outro beijo roubado do imbecil do Potter; mas sua boca já parecia ter declarado-se independente de sua cabeça racional quando o assunto era o maroto, e recusou-se a obedecer os comandos

Quando os passos de Filch deixaram de ser ouvidos ela abriu os olhos e antes que pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, como empurrar o idiota do Potter pra longe, o próprio abandonou seus lábios de surpresa, tirou a capa e entrou na biblioteca, destrancando a porta com um feitiço. Lily não tinha opção a não ser segui-lo, furiosa.

- Potter, seu cretino! Aonde você está? – sussurrou Lily irritada procurando pelo rapaz dentro da enorme e sombria biblioteca. Acendeu a varinha com um feitiço e se assustou com o rosto sorridente do monitor bem próximo ao dela.

- Oi! Ai! Por que fez isso? – reclamou o rapaz após o doloroso tapa que a garota lhe deu no rosto. – Até parece que não gostou...

- Pra sua informação, eu odiei! Quase fomos pegos pelo Filch e você ainda me contamina com essa sua boca que já beijou meia Hogwarts!

James riu. Como podia não rir? Ela era tão encantadora, tão adorável...

- Ora, Lily, acho que noto um pouco de ciúme nessa sua fala...

- Não me chame assim! Rá, ciúme de você? Faz-me rir, Potter! E será que dá pra você parar de me atacar desse jeito? Eu tenho namorado!

O rapaz sorriu, malicioso.

- Eu só te beijei agora pra calar essa sua boquinha linda antes que você nos delatasse pro Filch com toda essa sua falação. Agora vamos deixar de papo furado e ir direto ao que interessa?

Lily bufou e rumou para a Sessão Reservada, a passos duros e rápidos. A biblioteca estava vazia como era de se esperar, bem do jeito que ela gostava: num silêncio total. Não deveriam encontrar nenhum obstáculo agora, provavelmente Filch já vasculhara por ali e não voltaria tão cedo. James observava enquanto Lily procurava pelo livro que a professora de Adivinhação pedira.

- Que livro é esse que ela pediu? Fisolofia? – perguntou James, esforçando-se para ler o bilhete da professora à pouca luz de sua varinha.

- Filosofia. – corrigiu Lily, esticando-se para alcançar uma prateleira mais alta. Tentava manter a calma para não dar gosto ao colega, que aparentava se deliciar com suas demonstrações de irritação. – É a maneira que os gregos antigos encontraram para investigar os mistérios da vida humana, do universo... enfim, tudo. Mas eu acho que eles não contavam com a existência da magia...

- Hum. Acho que já ouvi minha mãe falando sobre isso. Ela gosta dessas coisas não-mágicas. – Lily já tinha observado que James nunca usava a palavra "trouxa" para designar o mundo de onde ela vinha; seria por respeito a ela? – Mas deve ser meio frustrante ler essas coisas que nem consideram a existência da magia quando você mesma sabe que existe. Sabe... se eles tivessem esses conhecimentos, poderiam explicar outras coisas, não?

Lily ponderou, em silêncio. James, notando que ela não estava conseguindo alcançar a prateleira de jeito nenhum, usou um feitiço para erguê-la no ar.

- Bom... aí você já está querendo filosofar. Que coisa, não consigo encontrar o livro que Trebell pediu. Está tudo bagunçado! E ela nem pôs o título, não é?

- Não, aqui só está escrito algo sobre paradoxos... que é isso?

- Hum... vou te responder melhor quando achar esse maldito livro.

James não estava reparando no que Lily estava fazendo antes. Só então voltou os olhos para a garota e percebeu que ela estava flutuando muito acima. Um pensamento malicioso passou por sua cabeça. Ela estava de saia. Moveu-se sorrateiramente até ter uma vista privilegiada, mas antes que pudesse ver qualquer coisa, ela disse algo "Achei! Pega aí" e um livro caiu em sua cabeça. "Ai!" James largou a varinha acidentalmente e Lily despencou lá do alto caindo em cima dele. Os dois ficaram deitados um sobre o outro, se encarando, no chão da biblioteca. Estavam tão próximos quanto há alguns minutos atrás no corredor, e a garota pôde sentir o calor do corpo do rapaz, o perfume de seu pescoço, o hálito quente... Aquela era uma posição muito perigosa. Ficaram em silêncio por meio segundo, até que Lily, controlando seus hormônios adolescentes, conseguiu falar, os olhos fechados de raiva.

- Potter, você estava tentando ver por debaixo da minha saia? Porque da última vez que eu olhei você estava do outro lado do corredor!

O rapaz sorriu meio abobado e fechou os olhos ao receber os tapas da ruiva nervosa. Estava apreciando aquele contato com o corpo pequeno da ruiva, mais do que quando estavam acuados no corredor, beijando-se; até ela abrir a boca e quebrar o encanto.

- Ai, já chega, desculpa, desculpa! Mas, em minha defesa... eu não consegui ver nada, juro!

Lily terminou de se erguer e apanhou o livro no chão, dando com ele no braço do rapaz assim que ficou de pé, que soltou mais um "Ai" e a olhou, receoso.

- Nem poderia; eu sempre uso short debaixo da saia, pra me prevenir de abusados como você! – a garota fez uma pausa – Já pegamos o livro, é melhor irmos. Não quero mais encrenca por hoje.

- Certo. Vamos pra sala comunal ou pro salão dos monitores?

A garota precisou pensar um pouco. Na sala dos monitores estariam sozinhos, Potter poderia atacá-la novamente; por outro lado, na sala comunal corriam o risco de serem vistos juntos e isso seria péssimo, sem contar que ele poderia atacá-la de qualquer maneira, e ainda serem vistos. Escolheu a primeira opção.

Seguiram em silêncio pelos andares, se escondendo debaixo da capa quando necessário. Chegaram ao salão dos monitores a salvo.

A primeira coisa que Lily fez ao ver-se segura foi atirar-se no sofá que havia junto a uma janela. A sala não era muito grande; tinha uma mesa redonda com duas poltronas vermelhas confortáveis além do sofá, uma lareira e só. Do lado esquerdo havia uma pequena escadaria que levava ao quarto da monitora-chefe e do lado direito uma escada que levava ao quarto do monitor-chefe. Lily e James nunca usavam seus segundos quartos, mas esta noite seria diferente devido às circunstâncias extraordinárias.

James sentou-se numa das poltronas, próximo ao sofá e observou o cabelo ruivo da garota caindo em cascata pela almofada do sofá enquanto ela folheava o livro razoavelmente pequeno.

- E então, vai me ensinar filosofia? – perguntou James, curioso mas não tão animado.

- Hum, eu não. – respondeu Lily. – Esse livro é tão... pobre. Tem poucas coisas. É mais um glossário com os termos usados na filosofia.

- Será que você pegou o livro certo?

- Peguei sim. Na primeira página tem a assinatura da profª. Trebell. Só pode ser esse livro, provavelmente foi dela.

- Hum... E o que diz aí sobre os tais paradoxos?

- Vejamos... – a garota ergueu-se graciosamente, ficando sentada no sofá, limpou a garganta e leu o trecho assinalado com um asterisco pouco discreto:

Paradoxos podem ser definidos como uma relação de interdependência entre contrários, que se harmonizam naturalmente. Um não existe sem o outro. Existem vários paradoxos. Fome e saciedade. Vida e morte. Guerra e paz. Amor e ódio.

- Só isso? – questionou a garota, indignada. – Eu me arrisquei essa noite por isso? Eu mesma podia ter chegado a essa conclusão sozinha sem precisar desse livro idiota.

- Eu achei muito interessante. – declarou James, pensando longamente sobre as palavras 'amor' e 'ódio'.

- Pois eu achei bobagem. Bem, já que terminamos por hoje, vou dormir. Boa noite.

- Ei, Lily, espere.

James puxou a garota pela mão, que cambaleou até ficar parada de frente para ele.

- Eu já falei pra você não me chamar assim.

James afastou uma mecha de cabelo para longe dos olhos verdes dela.

- Eu sei. Mas eu não aprendo nunca.

A garota estava ficando nervosa. Pensara que tinha se salvado de cair nas garras do maroto. Mas agora estava hipnotizada pelo olhar penetrante de James. Ela não sabia dizer o que sentia, eram muitas sensações ao mesmo tempo. Detestava estar perto do Potter, mas ao mesmo tempo tinha uma ânsia de ficar mais perto dele do que seria fisicamente possível. Era loucura. Era... um paradoxo? Por mais que quisesse vê-lo longe, não podia suportar a ideia de não tê-lo em sua vida. Não, definitivamente era loucura.

Antes que perdesse completamente o controle de suas ações, Lily murmurou outro "boa noite" e correu para as escadas que a levavam ao seu quarto, encostando-se à porta assim que a trancou.

- Boa noite... – murmurou o rapaz, para a porta dela. James sorriu, mordeu os lábios e se dirigiu ao próprio quarto.

Sem ar, envergonhada e finalmente lembrando-se que mais uma vez que traíra seu namorado ao beijar o idiota do Potter, Lily deitou-se na cama e tentou dormir logo, pedindo aos deuses que lhe dessem mais juízo e auto-controle. Do jeito que as coisas iam, não poderiam acabar nada bem.


N/A: Reviews? ;D

Beijos,

Lulu Star