N/A: Olá! Voltei da minha viagem à NY, e foi incrível! Mas é claro que não me esqueci da fic, portanto... aqui vai o capítulo seis!
Correndo Riscos
O restante do fim de semana passou sem maiores acontecimentos. James usou o domingo para treinar o time de quadribol e Lily se refugiou na biblioteca para estudar.
Naquela segunda-feira, os dois tiveram aula de Adivinhação. Ao final da aula, quando todos os alunos já tinham saído, a professora os chamou.
- Evans. Potter. Poderiam vir aqui, um instante?
Os dois se entreolharam e sentaram-se nos pufes de frente para a professora.
- E então... Onde está o livro que foram buscar?
- Aqui, professora. – disse Lily discretamente, estendendo-o para a professora. Trebell deu apenas uma olhada e fez um gesto afastando-o, como que dizendo para que a garota ficasse com ele.
- E o que aprenderam um com o outro?
- Bom... – começou James – Eu ensinei quadribol pra Evans. Foi divertido, eu acho. E ela me ensinou a ter compaixão.
- Hum... Bom, bom. Mas não é o suficiente. Você poderia ter ensinado algo mais interessante para a Srta. Evans, mas não se preocupe. Eu sei que esse momento ainda vai chegar. E quando aprender algo realmente valoroso com o Sr. Potter, Evans, trate de me comunicar.
O silêncio se instalou na sala por alguns segundos até que Lily se manifestasse.
- Hum, professora... Por quanto tempo mais nós vamos ter que... – Trebell lançou um olhar ferino para a garota, que se calou de imediato.
- Quanto tempo for necessário, Srta. Evans. E de agora em diante, vocês devem aprender novas coisas um com o outro quando passarem momentos juntos. Fiquem atentos ao que aprenderem. Agora, vão. Preciso relaxar...
Ao longo daquela semana, Lily e James receberam muitas tarefas da professora de Adivinhação, sempre através de mensagens entregues de forma peculiar, sempre que estavam juntos. Visitaram Hagrid numa tarde chuvosa, coincidentemente num momento que ele precisava sair e não tinha com quem deixar seus caranguejos de fogo bebês; invadiram a estufa de Herbologia fora do horário da aula para levar alguma planta para a professora Trebell; escreveram relatórios exaltando as qualidades um do outro – algo que exigiu muito de Lily e deu enorme prazer a James; e muitas outras tarefas peculiares, que mesmo com alguns protestos por parte da monitora, foram cumpridos com sucesso.
Apesar de não ser exatamente a pior coisa do mundo passar alguns momentos com o Potter, Lily já estava se cansando desse maldito castigo. Sua relação com o namorado só piorava, pois ela estava sempre arranjando desculpas para não ficar com ele, sem poder dizer a verdade. Amos Diggory, que não era um rapaz muito desconfiado, ciumento ou nervoso, começava a assumir algumas dessas características. Principalmente porque a maioria das vezes que a namorada não podia ficar com ele, tinha algo a ver com Potter. Fosse um serviço de monitores-chefes ou algum dever que precisavam fazer juntos, o Lufa-Lufa estava se cansando disso.
Certa tarde durante um horário vago, Lily e Amos desfrutavam de um tempo juntos no Salão Principal, estudando. Eles estavam sentados frente a frente, separados pela longa mesa e por muitos livros e anotações.
- Hum, anjinho, hoje à noite você vai estar muito ocupada? Você anda tão estressada ultimamente... – perguntou Amos. Antes que Lily pudesse responder, James sentou-se ao lado da garota, passando o braço por cima do ombro dela de modo displicente, como se fosse algo rotineiro para ele.
- Na verdade eu e a sua namorada – o rapaz pronunciou a última palavra com um pouco de desdém – temos um trabalho pra fazer hoje à noite. Juntos. Não é?
Lily quis abrir um buraco no chão e se afundar nele. Sem que Amos percebesse, o maroto lhe cutucou por baixo da mesa com um pedaço de papel, que ela supôs ser o mais recente bilhete da professora de Adivinhação.
- Isso é verdade, Lily? – perguntou Amos, as sobrancelhas unidas em desaprovação, não gostando nada do jeito de James para com sua garota, mas mantendo a voz calma ao se dirigir a ela.
A ruiva respirou fundo, tentando esconder o nervosismo e a vontade de esmagar Potter como uma barata.
- Sim, é verdade... O Potter é péssimo em Poções e como eu sou boa aluna, o Prof. Slughorn me pediu que eu fizesse o favor de ensinar a ele alguma coisa fora do horário das aulas. É isso.
Amos pareceu pensar um pouco, olhando de um para outro; Lily, por baixo do braço de Potter, olhava fixo para o livro à sua frente, escondendo o rosto em chamas em meio aos cabelos de fogo. James, por outro lado, parecia muito à vontade com a situação, sorrindo bobamente para o loiro desconfiado.
- Bem, se é assim... Ensine o máximo que puder ao Potter, pra ele parar de pegar no seu pé. – falou o rapaz rispidamente, levantando-se e sorrindo amarelo para o maroto, que retribuiu o sorriso e se aproximou mais ainda da ruiva.
- Ah, quanto a isso eu posso garantir que ainda vou ter que pegar a Lily emprestada muitas vezes! – respondeu James, para as costas do loiro, que saiu sem nem dizer tchau à namorada.
Assim que se viram sozinhos, Lily começou a estapear o rapaz.
- Epa, epa, por que ta tão nervosinha? – perguntou Potter inocentemente enquanto a garota continuava agredindo-o.
- Você ta tentando acabar com o meu namoro? Se eu pudesse, eu juro que te matava, ah se eu matava! Seu idiota, cretino, estúpido, seu...
- Opa, não precisa ficar tão brava, foi só uma brincadeirinha! Se bem que eu gosto quando você fica assim, bravinha...
Lily grunhiu e voltou a atacá-lo com tapas, mas teve que parar quando percebeu que eram alvo de olhares curiosos. Lily detestava chamar atenção dessa maneira. Recolheu suas coisas e arrastou o maroto para o saguão.
- Potter, você é um idiota! O que é que o Amos vai pensar agora? Como eu te odeio, odeio, odeio! Você é um babaca, um...
- Ei, ei, chega de xingamentos por hoje!
A garota se calou, arrumando o cabelo e as vestes enquanto caminhava para os jardins ensolarados.
- Olha, pense nisso como um teste de caráter que eu apliquei no Diggory. – disse o rapaz, seguindo a ruiva para debaixo de uma árvore frondosa.
- Como é? – perguntou a garota, estreitando os olhos para enxergá-lo melhor sob a luz ofuscante do sol da tarde.
- Olha, eu te fiz um favor. Essa cena toda provou que o seu namorado não é muito ciumento...
- ... O que é uma coisa boa. Detestaria ter um cão de guarda como namorado, querendo saber de todas as minhas ações o dia todo. – admitiu ela.
- Ou... – retorquiu James – Significa que ele não te dá tanta importância a ponto de sentir ciúmes. Pense nisso.
A garota rolou os olhos e fez um careta, mostrando a língua para ele.
- Ta, mas agora vamos ao que realmente interessa. Não vou ficar perdendo o meu precioso tempo com você. Cadê o bilhete da Trebell?
James sorriu como se tivesse acabado de aprontar alguma coisa e tivesse sido pego no ato. Parecia uma criança. Uma criança muito bonitinha, observou Lily sem querer. A luz do sol favorecia e muito a beleza dele. Ora, o que ela estava pensando? Ele não era bonito. Ele não era atraente. Não era nada pra ela. James também observava como os cabelos de Lily ficavam mais vivos à luz do sol, e como seus olhos verdes brilhavam mais do que nunca. Se ao menos ela não fosse tão implicante...
- Não tem bilhete nenhum.
Lily pensou não ter escutado direito.
- Como assim, não tem bilhete, o que... Potter. – vociferou a garota, furiosa. – Você me tirou dos meus estudos, da companhia do meu namorado pra dizer que não tinha bilhete nenhum? Que era tudo mentira? Eu vou te matar!
James já tinha estendido os braços para segurar os da ruiva e, num desequilíbrio dela, imobilizou-a caindo por cima dela na grama. A garota estava furiosa, pronta pra despejar os mais dolorosos insultos em cima do rapaz, mas de repente ficou muda. O peso do corpo dele sobre o seu, a proximidade daqueles lábios cheios e a intensidade do olhar que ele lhe lançava paralisaram-na por completo. Ela estava perdida. Não tinha como escapar, ele era mais forte. E olhando em volta, já não tinha ninguém ali por perto. O sol se punha depressa e todos deveriam estar se dirigindo ao Salão Principal para o jantar. E ela estava ali, sozinha nos jardins sob o poder de James Potter. Maldição!
De repente adquirindo uma feição séria, James resolveu perguntar algo que aguçava sua curiosidade há muito tempo.
- Por que você namora o Diggory?
Lily, que estava com a cabeça virada para o lado, voltou-se lentamente para ele, encarando aqueles olhos sérios e cheios de... Angústia? Esperança? Ela não sabia bem o que era.
- Porque ele é gentil. Bem-educado, inteligente, responsável. Bonito, também, mas sem ser exibido. Tudo o que você não é.
- Hum. – o rapaz ignorou o último comentário - Só por isso?
- São bons motivos, na minha opinião. – insistiu a garota, esquecendo-se de que estava sobre o domínio do maroto.
- Sim, são. Mas você não disse nada sobre amor.
Lily corou e virou o rosto. Ela não dissera que amava Amos. Porque ela não sabia se o amava. Nunca tivera certeza. Ele também nunca lhe dissera a palavra. De fato, ela nunca pensara muito em amor. Algo tão complexo e abstrato. Como saber se existia mesmo, como identificar?
A garota virou o rosto de frente para James novamente a fim de dar uma explicação convincente, mas parou. Ele a olhava de um modo muito perigoso. Sorria de um modo muito perigoso. E se aproximava de um modo muito perigoso também. Porém, antes que o rapaz pudesse beijar aqueles lábios rosados que tanto desejara ultimamente, foi cutucado no ombro. Os dois monitores viraram-se para ver o que era. Um pequeno garotinho do primeiro ano segurava um envelope nas mãos. Tinha os olhos muito assustados, não sabia se falava alguma coisa, se estava certo em interromper, se levaria uma bronca, se devia correr...
- O que é? – perguntou James indelicadamente – Estamos no meio de um assunto aqui...
Lily e o garotinho coraram e ele se afastou alguns passos.
- Potter! Me desculpe, você tem algo a nos dizer? – indagou a garota ao menino, com toda a doçura que nunca usara para se referir a James. Ainda estava embaixo do garoto, mas parecera esquecer-se completamente desse fato.
- Só... Entregar isso aqui. – o garotinho da Corvinal entregou o envelope à mão esticada de Lily e saiu correndo para o castelo.
Lily olhou para o envelope e depois para James.
- Ora, saia de cima de mim, Potter!
O rapaz obedeceu, e após sacudirem um pouco da grama das vestes, o rapaz falou.
- Viu? Estou ficando realmente bom nesse negócio de adivinhação. Eu não tinha um bilhete antes, mas previ que teríamos um...
- Cretino... – bufou a garota, abrindo o envelope e lendo o bilhete com a letra da professora:
Vocês deverão entrar na Floresta Proibida ao cair do sol. Lá, busquem por um lago iluminado e recolham alguns cogumelos luminescentes que crescem por perto. Tragam-me os cogumelos na próxima aula como prova do cumprimento da tarefa.
T. Trebell
- Ih, Evans, você estava certa sobre o chá de cogumelo! – riu o maroto, ficando de pé. – Vamos, o que está esperando? O sol já caiu.
Lily olhou para James, em seguida para o céu já escurecido, e por fim para o bilhete.
- Não! Não, não e não! Isso é loucura!!
- Ah, é só uma aventurazinha. Nos demos bem das outras vezes, não foi? E depois, valerá a pena não ficarmos reprovados em Adivinhação...
Lily estava ficando realmente alterada.
- Potter. Não podemos. Não podemos. Isso é absurdo! Entrar na Floresta Proibida? Ela tem esse nome por um motivo, sabia? É proibida! Não podemos entrar lá sem permissão! E depois... Seria suicídio entrarmos lá sozinhos!
Vendo que a garota não cederia com tanta facilidade, James revirou os olhos levemente ajoelhou-se ao seu lado, com o rosto muito próximo do dela e um sorriso confiante.
- Lily...
- É Evans... – murmurou a garota, quase sem fala pela proximidade do rapaz e do olhar incisivo dele sobre ela. Ele ignorou.
- ... Vai ser uma aventura. Você precisa disso. Precisa aprender a correr alguns riscos. Vai ser bom pra você.
- Bom? Como pode ser bom? Eu...
- Sh. – interrompeu-a o rapaz, e ela logo fechou a cara, mas continuou ouvindo – Eu conheço bem a floresta. Não vai acontecer nada com você.
- Como é? Você... Eu não acredito nisso! Você deveria ser expulso, sabia?
- Sh! Me ouve, pô! – James estava ficando realmente irritado com a garota dessa vez. – Nós somos monitores-chefes...
- Ah, como se isso fosse garantia de que somos imortais! Ou que temos permissão pra fazer coisas proibidas! Potter...
- Cala a boca e me deixa terminar! – agora ele tinha chegado ao seu limite. Não agüentava mais a ruiva reclamando de tudo o tempo todo. Será que ela não podia confiar nele nem um pouquinho? Se ela não fosse tão... Encantadora... Já teria desistido há muito tempo. – Nós temos autorização da professora Trebell, por escrito, para entrar na floresta. E ela quer que entreguemos os cogumelos pra ela na próxima aula, que é amanhã de manhã, então, a não ser que você queira pegar detenções piores ou sei lá o quê que ela possa inventar pra nos punir, é melhor parar de me encher a paciência e irmos logo procurar esses tais cogumelos!
Lily ficou calada, olhando para a grama. Estava envergonhada. Repassando as palavras que proferira, percebeu que estava realmente sendo muito chata e implicante. E até tão arrogante quanto culpava o rapaz de ser. Ela não gostava de ser criticada; e quando acontecia, sentia-se pequenininha de vergonha, principalmente quando ela mesma constatava que tinha errado. E era assim que se sentia agora. Tudo bem que aquilo tudo era mesmo loucura; mas não era culpa do pobre rapaz. Ela não precisava ficar interrompendo-o toda hora e criticando tudo o que ele lhe dizia. Acabara fazendo com ele o que detestava que fizessem com ela. E isso não era bom. Estavam em silêncio e qualquer rastro de sol que ainda tivesse restado no céu, já tinha sumido completamente.
- Tudo bem. Vamos.
James ainda a olhou por um segundo, esperando mais algumas palavras duras, mas ela se calara. Ergueu o rosto, firme, mas ele notou que os olhos pareciam úmidos. Ia dizer alguma coisa, mas ela se levantou com rapidez e rumou para a floresta. Ele foi ao seu encalço.
Do alto de sua torre, a professora de Adivinhação observava pela janela os dois alunos entrarem na floresta, sorrindo com o sucesso do seu plano.
N/A: E então, o que acharam?
Agradecendo à: zix black, Luu Delacour, Rose Anne Samartinne, carol mamoru, tahh halliwell, Flor Cordeiro. Obrigada pelas reviews! É bom saber que estão gostando, assim continuo a fic com mais prazer!
Beijos e deixem reviews!
Lulu Star ;D
