N/A: Oi... Tem alguém aí?

Ta, eu sei que dessa vez demorei muuuuuito, mas muuuuuuito mesmo. Peço mil desculpas! Mas como avisei antes, em época de aula fica difícil arranjar tempo e inspiração pra escrever. Mas eu consegui. O capítulo nove está aqui. E ainda não é o fim (embora ele esteja próximo).

Bem, eu gostaria de agradecer por todas as reviews que recebi. Muito obrigada!

E tenho um agradecimento especial a fazer à minha queria amiga Samchuva, que me ajudou a escrever algumas cenas cruciais deste capítulo. Muito obrigada, Sam!!!!

Bem, agora, sem mais delongas... aqui está!


Amor?

James atendeu a todas as aulas naquela manhã, ao contrário do que era de seu feitio. Lily, por sua vez, não compareceu à de Poções nem à de Feitiços. Passou boa parte do tempo sentada sobre uma árvore no jardim, tentando entender sua vida. Pensou sobre seus objetivos profissionais, suas amizades, seu namoro mal-sucedido, sua estranha relação com James Potter. E acabou fantasiando sobre um futuro não muito distante, eles dois casados, morando numa casinha em um vilarejo tranqüilo, criando um filhinho... Respirou fundo. Talvez estivesse pensando longe demais.

Uma fina chuva começou a cair e a garota voltou para o abrigo do castelo, refugiando-se dessa vez na biblioteca. Acomodou-se em seu lugar preferido, bem afastada de onde a maioria dos alunos ficavam, pegou o livro que já lera mais de mil vezes – Hogwarts, Uma História – e começou a folheá-lo, sem nenhuma pretensão de apreender algo novo. Continuava pensando no que seria de sua vida no momento.

Agora nada a impedia de afirmar para si mesma que sentia sim algo muito forte por James; não era apenas atração, era algo mais intenso, mais verdadeiro, mais duradouro – ela não ousava nomear esse sentimento. E agora que estava descomprometida, nada impedia também que ela saísse com o maroto se ele a convidasse. Mas será que ele a convidaria? Ora, que bobagem!, pensou. Se vivia convidando-a antes, quando o desprezava, por que não agora, que estavam mais próximos? Mas Lily não estava muito certa dessa resposta.

Sim, ele dissera que gostava dela. Algumas vezes. Ok, várias. E algo bem lá no fundo da sua mente lhe dizia que era pra valer. Que ela não era apenas mais uma. Que ele a queria de verdade, assim como ela o queria também. Mas por que toda essa insegurança agora? Talvez porque agora que sabia que gostava de James, tinha medo de perdê-lo...

Como tudo isso era engraçado! Até poucas semanas atrás ela o odiava com todas as suas forças! Até aquele dia em que ele a beijou a força no salão comunal... É claro que na hora ela detestou, achou tudo um ato de extrema infantilidade, arrogância e brutalidade. Mas não podia negar que foi naquele instante que percebeu que sentia atração por James Potter. E que depois com a convivência forçada se transformou em algo muito mais importante.

Tudo isso era tão paradoxal! Por toda sua vida odiara uma pessoa e de repente, passava a sentir por ela justamente o contrário...

Lily teve um estalo. Parou de folhear as páginas do livro e olhou em volta, automaticamente. E então voltou para suas reflexões. Afinal, por que a professora de Adivinhação inventara aquele castigo todo para os dois? E por que sempre havia tarefas proibidas que os obrigavam a passar muito tempo juntos – e até mesmo a compartilhar o mesmo ínfimo espaço? Será que era mesmo uma punição ou seria algo premeditado? Qual o interesse da professora em que eles se conhecessem melhor e acabassem ficando juntos? Será que ela vira o futuro deles? Lily lembrava de Trebell ter comentado algo do gênero. Que mistério!

A garota deixou de lado o grande livro à sua frente e apanhou na bolsa o livro de filosofia que fora a primeira tarefa dela e de James, e que por algum motivo ela não tirara mais da bolsa. Abriu bem na parte marcada onde lia-se "Paradoxos" e releu:

Paradoxos podem ser definidos como uma relação de interdependência entre contrários, que se harmonizam naturalmente. Um não existe sem o outro. Existem vários paradoxos. Fome e saciedade. Vida e morte. Guerra e paz. Amor e ódio.

"Uma relação de interdependência entre contrários que se harmonizam naturalmente". Interessante. Lily nunca parara para pensar no significado disso. Amor e ódio eram um paradoxo, o que significa que não podia existir amor sem ódio ou vice-versa. Ao mesmo tempo que um pode sentir ódio por outro, esse sentimento pode ser revertido em amor sem o menor esforço. E assim explicava-se porque de repente Lily passara a ter sentimentos tão ternos por James. Mais cedo ou mais tarde acabaria acontecendo. Tanto ódio assim não permanece por muito tempo. Acaba virando outra coisa. Com a convivência, o conhecimento um do outro, acabou virando... amor?

A garota corou ao pensar naquela palavrinha de quatro letras. Como uma simples palavra podia causar tantos arrepios numa pessoa? Ela agora era obrigada a reconhecer: estava apaixonada por James Potter. E isso a estava angustiando por não saber se ele sentia exatamente o mesmo que ela; ou melhor, se ainda sentia. Porque ela tentara afastá-lo de tantas maneiras... Confundira-o tanto nos últimos dias. Ele poderia muito bem ter desistido de uma garota tão complicada como ela e procurado outra menos confusa. Oh, Merlin, ela esperava que não!

Bem, parte de suas preocupações estavam resolvidas. Ela agora sabia exatamente o que sentia por James. Estava apaixonada. Mas o que fazer? Nunca sentira-se assim antes! Não sabia como agir! Como iria falar com ele daqui pra frente, olhar pra ele? Seria torturante! Suas bochechas queimariam, a garganta secaria e as palavras ficariam travadas na língua. Céus, ficar apaixonada era terrivelmente angustiante, Lily acabava de perceber!

A sineta do almoço tocou e a garota então deu-se conta de que havia faltado a duas aulas. Quanta irresponsabilidade! Bom, na certa os professores a perdoariam, já que era uma aluna assídua. Mas resolveu que não podia mais deixar suas inquietações interiores atrapalharem seus estudos. Depois do almoço se esforçaria e assistiria a todas as aulas, sem falta, e ainda faria os deveres das aulas perdidas. Isso. Enfiar a cabeça nos estudos era uma boa maneira de sufocar suas angústias do coração.

xXxXxXx

Sentados à mesa da Grifinória no Salão Principal, três dos quatro marotos conversavam entre si. O mais gorducho e pequenino já deliciava-se com uma cocha de frango e não ligava para a conversa dos outros amigos.

- E aí Pontas, por onde anda sua ruivinha? – perguntou Almofadinhas com um sorriso enviesado. Sabia que o amigo andara angustiado a manhã inteira por não tê-la visto nas aulas e aproveitava para fazer pouco do maroto de óculos.

- Ora, Almofadinhas, não me deixe mais agoniado do que já estou! - e virando-se para o outro amigo, o mais calmo - Ela sumiu, Aluado! Não foi à duas aulas! Será que está bem? As garotas também não sabem dela. Não agüento mais isso, eu preciso falar com ela!

- Calma, Pontas, relaxa. Ela deve estar confusa, provavelmente tirou um tempo pra pensar. Ela deve aparecer logo, a Lily não é de matar um dia inteiro de aulas. E você não pode esquecer de deixar que ela o procure, ouviu? Se não ela pode sentir-se acuada e aí já viu, vai tudo por água abaixo...

- É, eu sei, eu sei... Ah, ela chegou!

Lily adentrou o salão e ruborizou assim que viu o rosto de James, olhando para ela com esperança. Imediatamente a garota baixou os olhos, escondendo o rosto sob a cortina de cabelos avermelhados. James interpretou aquilo como um sinal de que ela não queria falar com ele tão cedo. Mas se ele tivesse olhado atentamente, teria visto que ela sorria. Na verdade, ela é que não agüentava olhar para ele, tão tímida estava com a descoberta desse novo sentimento que tanto a atormentava!

Sentou-se junto às amigas que não demoraram a encher-lhe de perguntas:

- Lily! Por onde andou? – disse Alice

- Não te vemos desde ontem! O James contou que vocês estudaram juntos... Foi isso mesmo? – perguntou Marlene, desconfiada.

- Você está bem? Parece um pouco nervosa... – notou Emmeline.

A ruiva engoliu em seco tentando responder às perguntas das amigas.

- Desculpem, acho que devo muitas explicações a vocês mesmo. Sim, ontem à noite eu estudei com o James aí não deu pra jantar. Hoje de manhã acordei meio indisposta, por isso não fui às aulas. Mas agora estou bem. Juro.

As três garotas se entreolharam. Não estavam convencidas. Emmeline olhou furtivamente para o outro lado da mesa onde estavam os marotos, e encontrou um James levemente deprimido. Procurou os olhos de Remus e sem trocar palavras, compreendeu que seus amigos estavam com problemas do coração.

- Você pensa que nos engana, não é? – falou Marlene em seu tom de sabe-tudo. – Mas, tudo bem. Mais cedo ou mais tarde a gente vai ficar sabendo mesmo. Eu não tenho pressa.

O almoço seguiu sem mais conversas. O misterioso sumiço de Lily foi deixado de lado pelas amigas e a melancolia de James por não falar com sua amada só aumentou naquela tarde, pois eles tinham aulas separadas. Quanto tempo mais ele teria que esperar para ficar com sua ruivinha? James não sabia dizer. Só esperava que não demorasse muito mais.

xXxXxXx

O dia foi longo para James Potter. Ele não agüentava mais esperar tanto. Tinha urgência em amar Lily e ser correspondido. Precisava falar com ela, olhar nos olhos dela, abraçá-la, tê-la para sempre ao seu lado... Mas aquela aula não acabava nunca!

E agora ele andava ainda mais inquieto porque ouvira Amus Diggory combinar um encontro com uma garota loira quando passava num corredor. James parou, encarou os dois, não querendo crer que sua ruivinha estivesse sendo traída (mesmo que ele desejasse vê-la longe do lufa-lufa o mais rápido possível), e esperou alguma reação. Mas o rapaz loiro apenas olhou, sorriu e disse: "Ei, Potter. Tudo bem?". James piscou, fez que sim com a cabeça e saiu andando, a tempo de ver o outro lançar um beijo no ar para a garota, que se derreteu em risinhos.

Então Lily tinha terminado o namoro. Era a única explicação. Não podia haver outra. Amus Diggory sempre foi um rapaz sério, comprometido e muito leal. Não trairia Lily assim. E agora o maroto estava ainda mais inquieto para saber como fora a conversa dos dois, quem terminou com quem, se brigaram, se ela ficou magoada, se estava sofrendo... Maldita hora do jantar que não chegava!

xXxXxXx

Lily, por sua vez, andara muito quieta toda a tarde, muito atenta à todas as aulas e evitando conversar com as amigas. Sabia que estava sendo cruel; afinal, ela devia explicações a elas, que a amavam tanto e só desejavam o seu bem. Mas ela ainda não estava pronta para contar tudo o que vinha acontecendo. Precisava de um tempo. Mas sabia que não ia demorar muito para tudo se resolver. Ela já não agüentava mais tanta indefinição. Ia resolver tudo naquela mesma noite. Estava decidida a falar com James logo após o jantar, quando tinham tarefas de monitor-chefe para cumprir. Ou pelo menos era o que inventaria para atraí-lo. Não iria mais fugir dele. Tinha que resolver essa situação toda o mais rápido possível – ela não sabia lidar com as palpitações apaixonadas de seu coração e nem queria aprender. Seria ótimo se essa história tivesse um final feliz... Mas se não fosse desse jeito, paciência. Lily nunca foi muito romântica mesmo. Saberia fechar essa porta e seguir sua vida como se nada disso nunca tivesse acontecido. Era sua especialidade esconder sentimentos.

Então quando a sineta do jantar tocou, a garota calmamente arrumou suas coisas e se dirigiu para o Salão Principal.

xXxXxXx

Durante todo o jantar, Lily agiu normalmente com suas amigas. Conversou sobre os mais variados assuntos e agiu normalmente, mas não mencionou nada sobre James ou Amus. Deixaria isso pra depois. Quando terminou de comer, lançou um olhar para o outro lado da mesa, onde James mal tocara em sua comida. Esperava que ele captasse seu olhar e a seguisse para fora dali. Tinha urgência em colocar tudo em pratos limpos. Mas ele não olhava para além do prato. Ela tentou então chamar a atenção de Sirius, mas ele estava muito ocupado sorrindo maliciosamente para Marlene e pouco depois os dois deixaram a mesa quase discretamente. Tentou Remus, mas viu o amigo entretido numa conversa com Emmeline e não teve coragem de interromper.

Mas que coisa! Quando não queria James não largava do seu pé, mas agora que precisava chamar sua atenção mais do que qualquer coisa, ele nem sequer a olhava! Resolveu ser mais incisiva. Olhou para os lados; ninguém parecia estar muito atento a ela. Alice e Frank conversavam e trocavam carícias e, ao redor, a maior parte das pessoas ainda estava comendo a sobremesa ou já se retirava para os salões comunais. Fingiu derrubar o garfo no chão e mergulhou para debaixo da mesa de jantar.

Cuidadosamente esgueirou-se por baixo da mesa estreita, evitando esbarrar nas pernas dos estudantes para não causar alarde e finalmente chegou aos pés de James. Sabia que os pés eram dele pelos tênis, sempre com os cadarços sujos e mal-amarrados. Sorriu involuntariamente e deu um cutucão na perna dele, torcendo para que ele não se alarmasse. O rapaz soltou um "ai" pouco audível e abaixou a cabeça para baixo da mesa a fim de olhar o que poderia ter lhe atingido. Foi quando viu o sorriso de Lily surgir por trás da cabeleira ruiva dela. Ficou sem palavras, apenas sorriu em retribuição, meio abobalhado.

- James, precisamos conversar. Desça aqui. – falou a garota, decidida. Ele não conseguia parar de sorrir.

- Eu sei, eu sei. Mas... Por que você está debaixo da mesa? Não podia me chamar pra conversar em algum outro lugar, como todo mundo faz?

- Ora, deixe de bobagem e desça aqui!

O rapaz obedeceu, após conferir que ninguém notaria seu repentino desaparecimento. Em um instante estava abaixado sob a mesa com as mãos no chão, exatamente como Lily, olhando para ela. Estavam bem perto. Era estranho. Ela não parecia brava. Tinha algo de travesso em seus lábios. Muito estranho. E perigoso também.

Lily não saberia explicar o que estava fazendo. Estava agindo por impulso, como aprendera com o maroto. Estava sendo espontânea. E era bom, muito bom. Divertido e excitante! Imaginava quantas oportunidades como essa ela deixara passar antes em sua vida. Bem, talvez fosse melhor ela se concentrar naquele momento em particular.

- Então... O que você quer me falar, Lil?

- Hum... Você está com sua capa de invisibilidade aí?

É claro que ele estava. Ele sempre a carregava para todo lado. Tirou do bolso das vestes e estendeu para a ruiva.

- Aqui. Lily, se me permite perguntar... O que está fazendo?

Ela sorriu largamente, deixando-o ainda mais curioso, confuso, mas ainda assim feliz. Aquele sorriso era capaz de alegrá-lo em qualquer circunstância.

- Estou sendo espontânea. Agora, siga-me. Sem reclamar!

James obedeceu e com algum esforço, os dois rastejaram até o fim da mesa, de onde saíram agachados cobertos pela capa de invisibilidade. Deixaram o Salão e quando se viram nas escadas, ficaram de pé. James fez menção de descobri-los, mas Lily segurou sua mão sem falar nada. Ele então notou a proximidade de seus corpos, o brilho nos olhos verdes da garota, os rosados lábios dela entreabertos. Engoliu em seco. Aproximou o rosto do dela e observou seus movimentos. Ela parecia consentir; ao menos não estava recuando. Ele então fechou os olhos e quando ia beijá-la... Sentiu um farfalhar na capa e ela cair no chão aos seus pés. Abriu os olhos, espantado e observou sua ruiva fugir correndo.

Lily correu, correu muito, até chegar ao salão dos monitores-chefes e foi seguida por James, que gritava o seu nome pelos corredores sem obter resposta. A garota não saberia explicar porque fizera isso, mas ria por dentro. Assim que entrou em seu refúgio privado, atirou-se no sofá, deitando-se de barriga para cima, cabelos para todo lado. Ria gostosamente enquanto tentava recuperar o fôlego. O rapaz chegou pouco depois dela, não tão cansado, já que tinha melhor preparo físico, e sentou-se na ponta do sofá, aos pés dela, olhando-a muito confuso, a testa vincada. Tinha a camisa meio aberta e largara a capa num canto. Ela sorria.

- Por que... Por que você fugiu daquele jeito? Por que me trouxe aqui? Eu juro que não estou te entendo, Lily...

A garota soltou uma gostosa gargalhada em que outros tempos teria feito James rir também, mas agora ele estava agoniado. Estaria ela zombando dele o tempo todo? Iria dispensá-lo como das outras vezes mas de forma mais cruel agora? Ela parou de rir e assumiu um ar de quem admite a culpa.

- Desculpe. Não pretendi rir de você. – ele ficou quieto, ouvindo – Então... Eu não estou mais namorando.

- Eu soube. – respondeu ele, calmo. – Você ficou triste?

- Não. Não era pra ser. Nunca foi. Estou bem.

Os dois ficaram se olhando por um instante, ela de repente receosa. Ele a observava, meio encantado com a naturalidade com que ela dizia aquelas coisas, deitada naquele sofá daquele jeito que o fazia querer pular em cima dela. Mas conteve-se.

- Então... Era só isso o que você tinha pra me falar? – disse ele, com um sorriso curioso. Ela também sorriu.

- Na verdade... Não. Tem mais coisas. – fez uma pausa, abraçando uma almofada sobre o peito – Sabe... Antes desse castigo todo da Trebell, eu realmente te odiava. Com todas as fibras do meu ser.

James riu gostosamente com o comentário da ruiva. Ela riu também, e ele falou:

- É, eu sei. Senti as fibras do seu ser enfurecido na pele do meu rosto várias vezes... – riram mais uma vez - Mas... E agora? O que você sente?

Lily suspirou e mordeu o lábio. Girou os olhos algumas vezes em várias direções buscando pelas palavras certas, mas não conseguiu reunir nenhuma. Voltou o olhar para James, que a observava esperançoso. Por mais que ela tivesse tido dúvidas ao longo daquele dia, o modo como ele a olhava não mentia: estava claro que ele gostava dela. Então ela não precisava temer. Porque também gostava dele. E, quando as palavras escapam à boca, os gestos falam mais alto. Lily sorriu amavelmente.

James sentiu como se um furacão tivesse invadido seu peito. Suas emoções chegaram a um nível em que ele não podia mais contê-las. Moveu-se no sofá de modo a ficar mais de frente para a garota, com um joelho apoiado no assento e uma mão sobre o encosto. A mão direita ele pousou sobre o joelho de Lily, que fitava cada um de seus movimentos, sem saber ao certo o que esperar. Por sua cabeça disparavam mil pensamentos por segundo e seu coração martelava dentro do peito como se quisesse abrir caminho para fora dela.

- Você é... Encantadora. – ele conseguiu dizer, inclinando-se para ela lentamente.

A garota não agüentou mais esperar. Puxou-o pela ponta da gravata e beijou-o arrebatadoramente. James avançou pelos lábios abertos de Lily ao mesmo tempo em que ela se livrava dos óculos dele e desatava o nó de sua gravata, num ritmo frenético e desesperado, surpreendendo o maroto. Ele fez o mesmo com ela. Precisavam tanto um do outro que não eram capazes de explicar em palavras; só em gestos. Ele forçou o peso de seu corpo delicadamente para cima de Lily e continuaram a beijar-se deitados no sofá, comprimindo cada vez mais o espaço entre os dois até ficarem completamente colados.

Ele não conseguia acreditar no que estava vivendo. Estava, enfim, beijando Lily Evans! E o melhor, com o total consentimento dela! Isso só podia significar que ela também o amava...

Quanto mais beijavam-se, mais tinham necessidade um do outro. James sentiu os delicados dedos de Lily alisando a lateral de seu abdome e puxando a camisa para cima; ajudou-a livrando-se da roupa num único movimento.

A ruiva estava num estado de frenesi intenso que jamais experimentara; e era tão bom estar ali com James, sabendo que ele a amava também! Mas de repente algo lhe fez sair do estado de transe em que estivera; as mãos grandes do rapaz subindo pelas suas costas por dentro da blusa, alcançando seu sutiã, fizeram-na despertar, como se levasse um choque elétrico. Ficou tensa e sem reação no mesmo momento, e ele percebeu isso.

- Lily... Tudo bem? – perguntou James, receoso, levantando-se de imediato e ficando novamente sentado no sofá. A garota sentou-se também, corada pela visão do peitoral nu do rapaz, ajeitando timidamente a blusa amarrotada e os cabelos bagunçados.

- Desculpe. Acho que... Fomos um pouco longe...

O rapaz, ajoelhado, aproximou-se da garota e acariciou seu rosto gentilmente, fazendo-a olhar para ele, mas ela ainda estava muito envergonhada.

- Eu é que peço desculpas... Acho que me empolguei... – soltou um risinho tímido.

- É, eu... Também me empolguei um pouquinho.

- Mas ta tudo bem? – perguntou ele amavelmente, com preocupação – Eu não quero fazer nada pra te magoar... Justo agora que a gente se entendeu, eu... Não quero perder isso. Não quero te perder.

Lily sorriu, as bochechas quentes, o coração batendo rápido, emocionado. Como ele era doce, delicado, gentil, atencioso... Será que ele já era assim antes e nunca percebera? Lutando contra sua timidez, a garota estendeu uma mão e acariciou os cabelos do rapaz, notando como ele fechava os olhos, deleitando-se com o carinho dela.

- Está tudo bem sim, fique tranqüilo... – e levou a mão que o afagava de encontro a mão dele, entrelaçando seus dedos. – Sabe, eu queria te perguntar uma coisa...

- Pergunte. – ele disse sorrindo.

- Na verdade seria mais fácil se você vestisse a camisa de novo. - o rapaz sorriu e obedeceu. ela então voltou a falar - É... Eu ainda to um pouco confusa com tudo isso... – James fez cara de preocupado – Não é que eu esteja confusa em relação ao que eu sinto por você. Porque eu sinto, algo muito forte, que eu não sei explicar direito. – o rapaz suspirou aliviado e beijou a mão dela – Mas tenho medo de ir rápido demais. Preciso de um tempo pra assimilar tudo isso. Entende?

- Mais ou menos. É que eu já esperei muito tempo por você. Queria que a gente ficasse juntos de uma vez. – agora era Lily quem parecia desolada – Mas isso o que você disse faz sentido. Por mais que a gente já se conheça e se goste, partir para algo sério logo de início pode ser complicado. Quero dizer, você acabou de sair de um namoro, e eu nunca namorei sério. Então, se for pra esperar, eu espero. Porque por você, acho que eu esperaria até uma eternidade...

A garota ficou comovida com as palavras do rapaz e o abraçou, ainda um pouco tímida. Ele retribuiu apertando-a forte entre os braços, como se ela fosse desaparecer. Ficaram um tempo assim, em silêncio, até que ele se pronunciou.

- Sabe Lily, eu tive uma ideia. – soltaram-se do abraço e a garota o encarou, curiosa.

- Que ideia?

- Bem... Já que é pra ir devagar... Que tal começarmos do começo? – ela o olhou desconfiada. Ele segurou suas mãos, parecendo subitamente nervoso, mas risonho – Você... Quer sair comigo no próximo fim de semana em Hogsmeade?

Lily sorriu. Perdera a conta de quantas vezes ele a convidara para sair, e de quantas vezes dissera não. Mas dessa vez era diferente. Porque era a primeira vez que ela queria, de coração, dizer sim. E sabia que o pedido era sincero. Portanto, deu a única resposta possível:

- Sim.

James não podia ter ficado mais feliz. É claro que os beijos e palavras doces que haviam trocado antes eram de extrema importância, mas nada era tão sublime quanto ouvir um "sim" de sua amada pela primeira vez.

Ela também estava exultante. E por isso deixou que ele a beijasse mais algumas vezes antes de dizer boa noite e subir para o quarto.


N/A: E então, o que acharam?? Mereço reviews?

Beijos,

Lulu Star