N/A: Olá! Voltei com mais um capítulo! Muito obrigada por todas as reviews e pela paciência de ler essa fic! Um agradecimento especial à minha amiga Samchuva que tem me ajudado muito na revisão dos capítulos! E outro agradecimento à Bia Pointer, leitora nova no pedaço. ;D

Espero que gostem!


Encontros Secretos

No salão comunal da Grifinória, após o jantar, estavam reunidos Sirius Black, Remus Lupin, Peter Petigrew, Alice McKellen, Marlene McKinnon e Emmeline Vance. Todos perguntavam-se a mesma coisa:

- Mas afinal, cadê o Pontas? – perguntou o maroto gorducho – Ele nunca mais ficou com a gente...

- A Lily também anda muito estranha. Não nos conta mais nada! – declarou Marlene, cruzando os braços e recostando-se no sofá ao lado de Sirius – Tem alguma coisa acontecendo com esses dois...

- Mas isso é elementar, minha cara McKinnon! – disse Almofadinhas – Não tenho dúvidas de que o James ta mandando ver com a sua amiga.

Ele recebeu um tapa da morena.

- Ai! Falei alguma coisa errada?

- Ah, Black, me poupe das suas bobagens! – disse Alice no lugar da amiga – Em primeiro lugar, a minha amiga não fica "mandando ver" com ninguém. E em segundo, ela odeia o Potter.

- Hum, mas é aí que você se engana, dona Alice! Ela diz que odeia o meu amigo. Mas bem lá no fundo, acho que ela se derrete por ele!

Alice abriu a boca para manifestar-se, mas Emmeline falou primeiro. Ficara longo tempo quieta junto a Remus, trocando olhares enigmáticos e conversando em segredo.

- Eu acho que não vale a pena gastarmos nosso tempo especulando. Nós conhecemos a Lily, ela detestaria saber que ficamos falando dela pelas costas! E depois... Seja lá o que estiver acontecendo com esses dois, ficaremos sabendo. Eles não podem se esconder pra sempre. Acreditem em mim.

Remus reforçou:

- Concordo, Emme. Por que não vamos cuidar de nossas vidas? Fazer os deveres, ir pra cama... Vamos deixá-los de lado um pouco. O que acham?

Sirius, Marlene e Alice se entreolharam enquanto Peter distraía-se com uma barra de chocolate que tirara do bolso e comia secretamente para não ter que dividir com ninguém.

- Vocês sabem de alguma coisa!!! – exclamaram os três ao mesmo tempo.

Remus e Emmeline foram atacados de perguntas e trataram de fugir dali o mais rápido possível, indo cada um para o seu quarto e sendo seguidos pelos amigos. A sala comunal ficou vazia.

xXxXxXx

No salão dos monitores-chefes, Lily e James estavam novamente deitados no sofá, os beijos ficando cada vez mais ardentes, quando a garota lembrou-se novamente de puxar o freio.

- Ok, era pra ser só um beijo de boa noite! – disse por debaixo do rapaz.

James parou de beijar seu pescoço muito a contragosto e levantou-se do sofá, puxando-a para ficar de pé também. Dessa vez alguns botões da blusa de Lily estavam abertos e ele ainda vestia a camisa, embora estivesse toda desabotoada.

- Sabe, dessa vez eu não vou nem me desculpar por ter ido mais longe... – disse o rapaz, com um sorriso malicioso, deixando a garota levemente constrangida.

- Pervertido. Vou dormir, boa noite.

E deu as costas, encaminhando-se para as escadas que levavam ao seu dormitório. Mas James segurou-a pelo braço, no seu jeito de dizer que não queria que ela fosse embora ainda. Ele a abraçou bem apertado e ela ficou inebriada pelo perfume que exalava do pescoço dele, embora sua cabeça só alcançasse a altura do queixo dele.

- Lily... Você não sabe o quanto me faz feliz... Queria ficar com você assim, pra sempre...

Ela suspirou e envolveu o pescoço dele com os braços, ficando bem na ponta dos pés.

- Você também me faz feliz... Mas combinamos de ter o nosso encontro, lembra? – ele fez que sim com a cabeça – Então. Espere alguns dias até sábado e aí...

- Aí... – ele continuou, começando a beijá-la novamente, mas ela desviou e voltou a falar.

- Aí a gente decide o que fazer. Concretamente. Mas até lá, somos apenas amigos. Ninguém pode saber disso, ouviu? Se as meninas soubessem de um décimo dessa história, iam me enlouquecer pra sempre...

- Hum, certo, certo. Mas eu ainda posso te beijar? – ela fez que sim – Mas só às escondidas? – novamente ela concordou. – Então eu posso te beijar agora?

Ela riu e fez novamente que sim com a cabeça. E beijaram-se mais uma vez.

- Ok, agora chega. Esse foi o 'boa noite' mais longo de todos! – disse ela.

- Mas o mais gostoso também... – replicou o maroto.

- Boa noite, James. – disse ela, sorrindo e subindo as escadas.

- Boa noite, Lily.

Ele esperou até que ela sumisse por trás da porta e até um pouco mais, pra ver se ela não ressurgiria e lhe mandaria um beijinho no ar. Mas ela não apareceu mais. Então James encaminhou-se para o próprio quarto, onde teve dificuldade para dormir, depois daquela noite tão intensa e apaixonada.

xXxXxXx

Na manhã seguinte, Lily acordou radiante de felicidade. Tomou um banho relaxante, vestiu-se e desceu para tomar café. Decidiu não esperar por James, ou eles ficariam naquele sofá até a hora do almoço. Sorriu ao lembrar-se da noite anterior. Não podia acreditar que tudo aquilo estava acontecendo! Ela e James amavam-se perdidamente! Bem, ainda não tinham dito a palavra amor exatamente, mas sabiam que era isso o que sentiam um pelo outro. E tinham um encontro marcado no próximo sábado! Mal podia esperar!

No Salão Principal, sentou-se junto à suas amigas, que estranharam seu sumiço na noite passada e sua alegria matinal.

- Não vimos você depois do jantar... Aliás, não lembro-me de ter visto você saindo da mesa ontem. – disse Alice, curiosa.

- Isso é porque você estava muito ocupada trocando beijinhos com o Frank. – a amiga corou.

- Bom... Mas porque você não foi dormir na Torre? Aliás, você nunca mais dormiu no nosso quarto. Não gosta mais da gente? – Alice fez drama. Marlene replicou.

- Nada disso, Lice. Acho que ela gosta mais da companhia do colega monitor, não é, Lily? Aposto que vocês conversam muito naquela sala...

A ruiva corou, mas disfarçou servindo-se de algumas torradas.

- Sim, Potter e eu conversamos. Sobre os assuntos da monitoria. Nada mais. E ontem a gente teve que preencher um monte de relatórios pra McGonagall. Por isso saí sem me despedir.

- E é por isso que você ta assim tão feliz? – alfinetou Marlene novamente.

- Não... Estou feliz porque eu sou feliz, oras.

Ficaram caladas por um tempo, até Amus Diggory passar por elas a caminho da mesa da Lufa-Lufa com uma garota sob o braço.

- Ei Lily, aquele ali não é o seu namorado? – perguntou Alice, confusa. – Está beijando outra na frente da escola inteira! Lily, você está vendo isso?

A garota ficou nervosa. Tinha esquecido de contar isso pra elas.

- Ah! É. Cachorro! Vou terminar com ele hoje mesmo, pode deixar.

As três a olharam muito desconfiadas. Lily não estava nem aí para o fato de o namorado a estar traindo na frente de todos? Ainda mais Amus, que sempre fora um garoto exemplar, do tipo que nunca faria esse tipo de coisa. O que estava acontecendo de fato? Elas queriam saber. Mas antes que pudessem perguntar, James apareceu e sentou-se junto aos marotos. Lily nunca notara antes, mas ele estava tão bonito! Ele lhe lançou um olhar e um sorriso discretos e então sentou-se junto aos rapazes e começou a conversar e comer. Lily voltou a comer e ignorou as perguntas de suas amigas.

Aos sussurros, as três meninas confabulavam:

- Tem alguma coisa muito estranha acontecendo com a Lily. Ela não é assim! – disse Alice.

- Eu realmente acho que vocês deviam deixá-la em paz um pouco. Não deve ser nada.

- Pra você é fácil falar, né, Emme! – retorquiu Marlene – Sabe de tudo o que ta acontecendo e não quer nos dizer! O que a Lily te disse?

- Tanto quanto disse a vocês. É sério, não sei de nada. Mas tenho uma intuição. – e sorriu misteriosamente - Vai ficar tudo bem.

Enquanto isso, do outro lado da mesa...

- E então Pontas, vai contar o que é que ta rolando entre você e a ruiva? – perguntou Almofadinhas no segundo em que o amigo sentou-se à mesa.

James apenas serviu-se de cereal e disse solenemente:

- Não.

- Então você afirma que tem alguma coisa acontecendo entre vocês?

- Não.

- É não de "não afirmo" ou de "não tem nada acontecendo?"

O maroto de óculos encheu a boca de cereal e começou a mastigar, olhando para o amigo com um olhar inocente e levantando as mãos abertas no ar, como quem diz que não sabe de nada.

- Ah, seu chato! Fica escondendo os segredos do seu melhor amigo... Tudo bem, também não te conto mais nada...

James apenas comeu seu café-da-manhã em silêncio, sorrindo consigo mesmo e às vezes lançando olhares para Lily do outro lado da mesa. Aquela semana antes do sábado seria longa. A menos que ele fizesse algo a respeito.

xXxXxXx

- Preciso passar na biblioteca, encontro vocês no Salão em um minuto! – disse Lily para as amigas logo depois da aula antes do almoço.

Seguiu caminhando distraída pelos corredores, quando sentiu que era puxada por alguém para um beco estreito e vazio. Mas não tinha ninguém ali!

- James Potter, apresente-se agora!

O rapaz livrou-se da capa e antes de dizer qualquer coisa, pousou seus lábios nos de Lily, fazendo faíscas correrem por todo o corpo dela. Ela ia afastá-lo e dar-lhe uma bronca, imagine, beijá-la assim, de surpresa, em pleno castelo, com pessoas passando pra lá e pra cá pelos corredores! Mas era tarde demais, ela já estava completamente entregue ao beijo, e seria mesmo impossível empurrá-lo para longe, já que o corpo de James estava completamente colado ao seu, que por sua vez estava imprensado na parede.

Por fim eles separaram-se, Lily dando uma mordida no lábio do rapaz.

- Ai! Doeu...

- James, no que você estava pensando? Podemos ser vistos! E se alguém tivesse passado aqui, um professor? Ai, que vergonha... – e começou a corar só de pensar.

- Puxa, Lily... Você teria vergonha de mim?

Ele então fez uma cara muito sofrida, de partir o coração. Que tratante! Brincando com a sensibilidade dela com chantagens emocionais! Mas ele era tão doce, como ficar brava?

- Não é isso... Mas se nos pegassem nos beijando desse jeito, eu teria muita vergonha!

O rapaz sorriu maliciosamente.

- Que jeito? Assim... – e inclinou-se para beijá-la novamente, mas a garota passou por debaixo do braço dele e escapou de volta para o corredor, andando em direção a biblioteca. Ele a seguiu.

- Ah, Lil... Não faz isso comigo... – disse ele, entrando na biblioteca atrás dela, calando-se logo que recebeu um olhar severo de Madame Pince.

Quando olhou novamente, a garota havia sumido por entre as estantes e resolveu procurá-la. Achou-a num corredor vazio e afastado das mesas de estudo, folheando um livro completamente alheia a tudo ao seu redor. Ele aproximou-se calmamente por trás dela, e estava pronto para abraçá-la, quando...

- James, eu sei que é você.

O rapaz bufou e recostou-se na estante de frente para ela, visivelmente frustrado.

- Desculpe se você não gostou do beijo. Mas é que eu não consigo ficar longe de você!

Lily sorriu e corou um pouco.

- Não é que eu não tenha gostado... Só fui pega de surpresa. Não fique chateado!

James sorriu e aproximou-se dela, abraçando-a pela cintura.

- E como eu poderia ficar chateado com você?

Beijou-lhe a bochecha, a outra bochecha, a testa, a boca... A garota começou a rir, nervosa e afastou-se gentilmente.

- James, aqui não! A gente ainda vai ter muito tempo pra fazer essas coisas, ta? Eu prometo. Mas agora eu tenho que pegar esse livro e voltar pra almoçar, e seria bom se não estivéssemos juntos, ok?

O rapaz soltou um suspiro resignado. Fez uma reverência pomposa e cômica, pegou a mão da garota e depositou um beijo nela.

- Como queira, Srta. Evans.

Ela rolou os olhos e o observou partir, soprando-lhe um beijo no ar de maneira muito teatral. Riu e acenou, voltando-se para o livro que ia pegar e então deixou a biblioteca e foi almoçar.

xXxXxXx

Durante a aula de História da Magia, Lily não conseguiu concentrar-se nem um pouco. James sentara-se estrategicamente atrás dela, e alguns estranharam a presença do maroto ali, já que ele quase sempre matava essa aula. Mas como ela era mesmo muito chata, Marlene decidiu faltar e Sirius também (coincidência?). Emmeline e Remus estavam sentados próximos, conversando baixinho, Alice cochilava sobre seus livros e Peter roncava a sono solto no fundo da sala. Nessa situação, o maroto de óculos encontrou uma maneira muito melhor de matar o tempo: mandar bilhetinhos para a garota sentada à sua frente.

Como você consegue ficar tão concentrada nessa aula tão chata? – JP

Porque é importante. Aliás, como você consegue ser bom aluno faltando à tantas aulas? – LE

Simples. Eu sou um gênio. – JP

Poupe-me.

Lily jogou pra trás o último bilhetinho e voltou para suas anotações. Ela podia estar apaixonada, mas ainda pensava que James Potter era muito irresponsável e metido a engraçadinho.

James, preocupado com a secura do último bilhete, enfeitiçou o próximo para que ele levitasse até a mesa da garota, dobrado em forma de coração. Ela tentou ignorar, mas o coraçãozinho de papel ficou cutucando-a. Por sorte ninguém pareceu reparar, já que estavam muito ocupados cochilando ou fazendo qualquer outra coisa que não fosse assistir àquela aula. Por fim, Lily desdobrou o pergaminho, que dizia assim: JP + LE dentro de um coração. A garota ousou virar-se para trás e sorrir para o rapaz.

xXxXxXx

Nos dias que se seguiram, Lily teve um pequeno vislumbre de como seria se ela e James de fato começassem a namorar - porque não era isso o que vinham fazendo, apesar de agirem como tal quando estavam sozinhos, porque namorar implicava em todos ficarem sabendo e eles andarem de mãos dadas. Ela já não se surpreendia mais ao abrir a mochila e encontrar um bilhetinho carinhoso do maroto no meio de suas coisas e começava mesmo a ansiar pelos momentos em que ele simplesmente a puxava para um canto sem que ninguém notasse e a beijava de forma apaixonada. Mas a garota temia um pouco a hora de revelar o relacionamento dos dois. Era muito bobo de sua parte pensar esse tipo de coisa, mas ela temia exatamente a reação do fã-clube de James – era assim que chamava as garotas que viviam dando gritinhos e suspiros pelo rapaz e que em todo jogo de quadribol faziam faixas e cartazes para ele e sempre tinha uma que dava um jeito de invadir o campo antes da partida começar e agarrá-lo, atrasando todo o jogo. Eram muitas as garotas que praticamente rastejavam aos pés dele, e por mais que algumas fossem realmente inofensivas, havia uma em particular que podia ser muito perigosa, e que já era mais ou menos inimiga de Lily: Melissa Adams.

Melissa sempre fora muito cruel. Era da Grifinória, mas por causa de um ato desagradável envolvendo os cabelos da ruiva, a garota não habitava o mesmo dormitório que Lily e suas amigas. Mas isso tudo tinha sido há muito tempo e Melissa parecia ter se esquecido completamente da existência da monitora-chefe - o que era muito bom - e passara a dedicar-se à sua maior paixão: James Potter. Lily não sabia se eles já tinham saído juntos, nem ousaria perguntar ao rapaz, - não era de sua conta - mas sabia que a garota nutria uma forte paixão platônica por ele e estava sempre se insinuando - embora naquelas últimas semanas estivesse meio sumida porque tinha sido autorizada a voltar para casa uma vez que estava com problemas na família.

Mas agora que ela tinha voltado, Lily estava sempre insegura, pensando no que ela poderia fazer se descobrisse que ela e James estavam envolvidos. A outra já se roía de ciúmes pelo fato da ruiva passar mais tempo junto a James como monitora-chefe, e agora então, que estavam prestes a se tornar namorados publicamente... Lily estava com muito frio na barriga. Mas ainda não comentara nada disso com o rapaz, nem pretendia, pois sabia que ele iria lhe dizer que ela estava pensando bobagens. Ela preferia acreditar nisso.

xXxXxXx

Na quarta-feira ao final das aulas, James convocou um treino de quadribol e pediu a Lily que viesse. Pela primeira vez ela não discordou das amigas quando a chamaram para assistir, causando olhares de estranhamento entre Marlene e Alice. A ruiva estava tranqüila assistindo a amiga Emmeline junto a James, Sirius e os outros rapazes enquanto treinavam as jogadas, mas ficou completamente tensa quando viu Melissa aproximando-se com seu grupinho de garotas de cabelos loiro-tingidos e extremamente lisos. A garota lançou-lhe um olhar muito ameaçador sem motivo algum e Lily não mais conseguiu relaxar. A certa altura, Alice notou a agonia da amiga e se manifestou:

- Lily, o que houve? Você não parece bem... O que te preocupa?

A garota suspirou.

- A Melissa. Me olhou de um jeito muito, muito assustador.

- Ora, não me diga que ela voltou a te atormentar! – exclamou Marlene – Quer que eu dê uma surra nela? Porque eu sempre tive vontade de puxar aquele cabelo pra ver se é de verdade mesmo...

Marlene tinha uma aparência adorável para quem a olhasse de longe. Pele branca, cabelos negros, olhos azuis, sardas na ponta do nariz e um sorriso doce. Mas era dona de uma força tremenda e era realmente aterrorizante quando ficava muito irritada. Lily tinha medo dela nessas horas.

- Não, ela não me fez nada. Ainda. Não sei... Sinto que está tramando alguma coisa.

- Ora, Lily, você sabe que não precisa ter medo dessa idiota. – disse Alice – Ela não pode fazer nada contra você. Ela já fez uma vez e se ferrou muito, acredite, se ela fizer algo dessa vez, vai ser muito pior. Ela não vai arriscar. Fique tranqüila.

- É, relaxa. – falou Marlene – E depois... O que é que você poderia ter feito para irritá-la?

A ruiva engoliu em seco e desviou o olhar de Melissa, que estava lá embaixo nas arquibancadas e agora a fuzilava com o olhar.

- N-Nada.

xXxXxXx

Após o jantar, Lily subiu à Torre da Grifinória e foi direto ao dormitório; Melissa estava lá cochichando com a irmã mais nova. Ouviu um xingamento da garota e correu pelas escadas o mais depressa possível. Sabia que estava sendo covarde, mas também sabia que de nada adiantaria arranjar confusão com a garota. Era melhor ignorar e deixar passar. No quarto, tomou um bom banho, vestiu o pijama confortável e resolveu fazer seus deveres atrasados – porque, agora que James ocupava um grande espaço nos seus pensamentos, ela já não era só estudo.

James voltara do jantar junto dos rapazes do time e ficou um tempo conversando na sala comunal, onde Remus fazia seus deveres. Emmeline sentou-se junto a ele para estudarem e Sirius subiu ao dormitório porque estava morto e, literalmente, desmaiou na cama de roupa e tudo - Peter já estava lá há algum tempo comendo chocolates. Certo tempo depois os outros membros do time recolheram-se e Remus e Emmeline foram dormir. James ficou só no sofá em frente à lareira, esperando para ver se Lily surgiria. Mas ele não tinha notado que Melissa ainda estava ali.

Sorrateiramente a garota andou até as costas do sofá e pousou as mãos sobre os olhos de James, que sorriu de início, mas notou algo diferente ao tocar as mãos da garota, cheias de anéis – Lily praticamente não usava adereços, só um par de brincos de pérola.

- Ah... Quem é?

- Sou eu! – exclamou a garota, jogando-se no sofá e caindo bem no colo dele. O rapaz levou um susto.

- Ah! Que susto, Adams... Achei que estivesse sozinho aqui.

- Não, eu estava aqui o tempo todo, esperando pra ficar a sós com você... – disse ela de modo provocativo, de uma forma que o teria feito sorrir maliciosamente no passado e pensar em mil coisas diferentes que poderiam fazer; mas agora ele só pensava que não estava gostando nem um pouco das intenções da garota e que era melhor sair dali o quanto antes. E se Lily descesse as escadas e entendesse tudo errado?

James afastou um pouco a garota de si e se sentou mais na ponta do sofá, ela o seguiu, sentando-se mais perto e se inclinando sobre ele. O garoto por fim, resolveu se levantar, ao que foi imitado por ela, que estava sempre grudada, de forma arrepiante

- Ah, bem, se tiver algo pra me falar, fale logo, já estava mesmo subindo pra dormir, sabe como é, treinei muito hoje, fiquei cansado... – ele estava começando a ficar nervoso, afastando-se da garota cada vez mais, mas ela não parecia querer deixar de segui-lo.

- Ah, se está cansado eu poderia lhe fazer uma massagem. Sou ótima nisso, sabia? Ah, Jimmy, não fuja de mim... Desde que voltei que só tenho pensado em você, sabia? Naquele encontro que você me prometeu... Ainda estou esperando...

O rapaz xingou-se mentalmente por isso. Lembrava de ter tentado lhe dar um fora uma outra vez, mas – ao invés de ser categórico - resolveu fingir que a convidaria pra sair um dia, só pra que largasse do seu pé. Mas não pensou que ela realmente viria lhe cobrar isso, até porque já fazia um bom tempo. Mesmo antes de toda aquela história dos paradoxos, das tarefas da professora da Adivinhação, ele já tinha parado de sair com garotas em todos os finais de semana.

No dormitório feminino do sétimo anos, três - das quatro garotas - já dormiam. Lily, que permanecia acordada, resolvera por descer à sala comunal e beber um copo de água e, quem sabe, ver se James ainda se encontrava por lá. Faltavam poucos degraus quando ela ouviu a voz dele falando com outra pessoa. Voltou um degrau, ficando mais nas sombras e parou pra escutar.

- Puxa, me desculpe se te fiz entender mal as coisas... Mas eu não pretendo sair com você. Na verdade, não pretendo sair com mais ninguém. Só... Com uma pessoa especial, mas não é você.

- Ora, não fale bobagens, Jimmy! Quem poderia ser assim tão especial para fazer James Potter desistir de ser o maior garanhão de Hogwarts?

Lily ouvia a tudo com muita atenção. Tinha mudado de lugar discretamente e agora estava nos degraus da escada do dormitório masculino, porque assim tinha uma visão melhor do que estava acontecendo e caso Melissa resolvesse subir para o quarto assim de chofre, ela não seria descoberta. James voltou a falar, tirando as mãos da garota que estavam em volta do seu pescoço de modo muito brusco.

- Desculpe, mas não é da sua conta. E por favor, não me chame de Jimmy. Agora me dê licença, eu realmente estou cansado e preciso ir dormir...

- Mas, James...

A garota o seguiu, batendo os pés, começando a ficar irritada.

- James Potter, me diga agora quem é a vadiazinha que está te roubando de mim!

O rapaz voltou-se para ela, muito irritado.

- Em primeiro lugar, olhe como fala dela! Ela é muito superior a você em muitos sentidos. Em segundo, eu nunca fui seu, nem de ninguém. Nunca quis sair com você e não é agora que vou querer. Realmente sinto muito se estou sendo um babaca agora, mas se é isso o que preciso fazer pra você realmente entender que não quero nada com você, então é o que vou fazer!

Lily vibrou por dentro, tanto de susto pelo tom de voz e pelas palavras duras que saíram da boca do rapaz que lhe dizia coisas tão doces, tanto de orgulho por ouvi-lo defendendo sua imagem e colocando aquela garota mau caráter em seu devido lugar.

Melissa abriu a boca, muito chocada.

- Eu te odeio, James Potter! Odeio, odeio, odeio! – exclamou, atacando-o com socos sem efeito em seu peitoral definido.

O rapaz simplesmente deu as costas, ignorando-a completamente enquanto ela continuava a atacá-lo tentando infligir-lhe alguma dor. Quando chegou ao pé da escada que levava ao dormitório masculino, viu Lily ali nas sombras, que levou o dedo aos lábios num sinal de silêncio e subiu mais alguns degraus, para que a garota não a visse ali.

- Adams, pare de me bater se não eu vou falar tudo pra McGonagall e ela vai te dar uma bela de uma detenção, ou até mesmo uma suspensão. O que acha? – a garota parou e o olhou, bestificada – Agora suba e vá dormir, já passa da hora de ficar zanzando aqui na sala comunal. – a garota recuou uns passos, mas permaneceu ali. – Suma! – por fim ela saiu correndo pelas escadas, chorando e soluçando alto.

James revirou os olhos e subiu as escadas do dormitório, quase esquecendo-se que Lily estava ali. Ficou surpreso quando ela lhe recebeu com um beijo selado, bem na porta do quarto dele.

- Lily, você estava aí há quanto tempo?

- O suficiente. Desci pra beber água e ver se você estava lá embaixo, e... Acabei ouvindo a discussão toda.

- Olha, me desculpe por isso, espero que não tenha entendido mal... – ele tinha medo que ela tivesse ficado chateada, embora o beijo tivesse dito justamente o contrário. Mas com Lily Evans nunca se podia ter certeza.

- Eu entendi do jeito que era pra entender. Não se preocupe, eu sei que você não fez nada errado. Essa garota é maluca! Acredite, eu sei do que estou falando. – o rapaz suspirou aliviado – E, sabe... Fiquei feliz de ter ouvido as coisas que você falou de mim...

- Ah, é? – ele disse sorrindo, se aproximando lentamente da garota.

- É... Disse que eu sou especial.

O rapaz soltou um risinho.

- E você ainda tinha dúvidas?

A garota corou. Ele afagou sua bochecha e beijou-lhe os lábios, lentamente no início e aumentando o ritmo aos poucos. Encostou-a na parede ao lado da porta e continuaram se beijando assim, até que teve uma ideia.

- Acabo de pensar numa coisa. Venha comigo.

Puxou-a pela mão e abriu cuidadosamente a porta do quarto, constatando - pelos roncos e ressonos - que todos já estavam dormindo.

- Espera, eu não posso entrar aí. Aliás, no que é que você está pensando? – sussurrou Lily, subitamente nervosa.

- Calma, não estou pensando nada demais. Só quero ficar a sós com você num lugar mais confortável do que essa parede... Venha, ninguém vai saber que você entrou aqui.

Amaldiçoando os deuses e os magos por ter um dia caído de amores por James Potter e perdido completamente o juízo, Lily entrou no quarto acompanhado do maroto. Não era muito diferente do seu, mas era sem dúvida mais bagunçado, cheio de coisas espalhadas pelo chão. Notou que todos os cortinados das camas de dossel estavam fechados e ficou mais tranqüila.

James abriu o cortinado da própria cama muito silenciosamente e fez um gesto muito teatral indicando que ela "entrasse". Ainda cautelosa, Lily subiu na cama e sentou-se no meio com as pernas cruzadas, e esperou James juntar-se a ela. Demorou um pouco, mas quando voltou não estava mais usando o uniforme, e sim uma calça de moletom e nenhuma camisa. A garota corou, mas tentou disfarçar. Ele fechou as cortinas e murmurou um feitiço pra que elas não pudessem ser abertas por outra pessoa. Por fim, pousou os olhos em Lily, que usava uma calça de pijama branca com algumas florzinhas e uma regata verde clara.

- Você fica uma gracinha de pijama.

Ela sorriu, ainda corada pela visão do peitoral nu do rapaz. Era algo realmente... Estarrecedor.

- Obrigada. Você sempre dorme assim? Não sente frio?

- Você se refere ao fato de eu não estar usando camisa? – ela confirmou – Sim, não vejo necessidade de uma. Mas pelo menos eu ainda uso calças. O Sirius dorme só de cueca.

Lily fez uma careta involuntária e James riu de sua expressão.

- Isso era algo que eu preferia não ter sabido...

- Tem razão.

Ficaram um tempo em silêncio, Lily muito tímida pelo fato de estar no quarto dele, com mais outros três rapazes, ainda por cima numa cama. De casal. James ajoelhou-se e aproximou o rosto do dela, calmamente, observando o estado de nervosismo da garota.

- Oi.

- Oi...

- Você está com medo de mim?

Lily suspirou fundo e sorriu.

- Não.

- Que bom.

James então capturou seus lábios subitamente, ao mesmo tempo em que ela enroscava os dedos nos cabelos rebeldes dele e o trazia mais para perto. Não demorou muito até estarem completamente deitados ao longo da cama, beijando-se tão apaixonadamente como se nada mais nem ninguém existisse no mundo, apenas os dois. Poderiam ter ficado nisso a noite inteira, mas um ronco muito alto de Peter assustou a garota, que parou o beijo de chofre.

- Acho que é melhor eu ir embora...

- Não, por favor, fique mais um pouco... – James insistiu.

- Já está bem tarde, eu preciso ir. E se as meninas acordarem e derem pela minha falta? E se os meninos acordarem e nos virem aqui? Acho que já curtimos o bastante, agora é hora de irmos dormir.

- Queria que você ficasse e dormisse aqui comigo...

A garota lançou-lhe um olhar doce, mas sentiu algo dentro de si queimando ao pensar em todos os empregos da palavra "dormir". Não era algo que eles tivessem discutido ainda, muito menos com a situação indefinida do jeito que estava, mas de repente ficou nervosa. Não deixou transparecer.

- Outro dia. Agora eu preciso mesmo ir. Me leva até a porta?

James levantou-se e os dois saíram do quarto. Ele guiou Lily até o pé das escadas que levavam ao dormitório feminino e despediu-se com um beijo longo e carinhoso.

- Boa noite, flor.

- Boa noite, James.

Ela subiu as escadas e desapareceu nas sombras, deixando para trás um rapaz com o coração aos pulos. Subiu para o quarto desanimado e dormiu pensando na sua amada. Teve um sonho bom.


N/A: Reviews?

Beijos,

Lulu Star ;D