A cabeça dela doía e seus olhos se recusavam a abrir, ela se esticou na cama e esbarrou em alguma coisa. "Ai." Não, não era alguma coisa, era alguém, era Finn. Ela havia dormido na casa dele. Seu coração acelerou quando lembrou o que a havia motivado a ir a casa dele durante a madrugada. A briga, os gritos, seus pais se transformando em monstros sem alma. Os olhos dela se encheram de lágrimas e ela estava prestes a desabar em lágrimas mais uma vez quando sentiu um beijo em sua bochecha. "Boa tarde." Ele sussurrou em seu ouvido. Ela virou-se pra ele e não pode evitar um sorriso.
"-Minha mãe pediu que assim que você acordasse fosse lá embaixo conversar com ela mas, queria que você conversasse comigo antes." O olhar dele era algo próximo a uma criança pedindo permissão para ir brincar ou de um gatinho com fome. " –Eu sei que não sou muito bom com palavras mas vou ser bom em te ouvir."
"-Shelby Corcoran é minha mãe! Ou melhor, Shelby vendeu o útero dela aos meus pais, ela me gerou para ganhar um papel em um musical. Meus pais acham que isso não faz dela minha mãe, mas eu discordo plenamente. E ela assinou um contrato que a proibia de falar comigo antes dos 18, por isso ela fez o Jesse se aproximar de mim para que eu fosse até ela mas ela desistiu de mim mas eu preciso dela, eu preciso de uma mãe então decidi ir atrás dela e contei aos meus pais sobre essa minha Ideia pois não queria fazer algo não grande pelas costas deles mas eles não gostaram e gritaram comigo." As palavras saíram dos lábios de Rachel de forma rápida e desordenadas, algo como uma explosão.
Finn estava parado, boca aberta e olhos fixos nela. Ele nem ao menos piscava. Sua cabeça estava um misto de confusão e orgulho. Ele havia prestado atenção em tudo, em cada palavra que ela havia dito e havia entendido a maior parte.
"-Então você fugiu de casa no meio da noite porque quer que a Srta Corcoran faça parte da sua vida?"
Ela apenas balançou a cabeça, tinha nos lábios um sorriso quase infantil.
"Melhor não contar essa parte pra minha mãe ou ela te fará voltar direto pra casa." Ele se levantou, foi até a porta do quarto e olhou para os lados como se procurasse por alguém. "Melhor não contar nada pra minha mãe ainda. Vou lá embaixo, digo que você ainda está dormindo e a convenço a ir pro Burt sem mim, assim que ela sair NÓS vamos visitar sua mãe."
Ele saiu e ela se sentou em sua cama. O jeito que ele disse "NÓS", a maneira que ele acompanhou cada coisa que ela havia dito, o pensamento rápido em arrumar um jeito de ajudá-la, sem contar no respeito que ele teve com ela durante a noite, ele estava sendo perfeito. E com esse pensamento ela deu um longo suspiro e se jogou na cama com um sorriso no rosto, havia quase esquecido o que havia acontecido na noite anterior. Ela rolou na cama por alguns instantes imaginando como seria o encontro dela com a mãe, e como Finn se sairia com a sogra mas foi desperta de seus devaneios com o celular tocando.
A palavra Pai estava escrita no visor e isso fez com que toda sua angústia voltasse à tona.
"-Alô?" Sua voz saiu baixa e fina, quase um gemido de dor.
"-RACHEL BARBARA BERRY, ONDE EM NOME DE DEUS VOCÊ SE ENFIOU?" A voz de Leroy Berry era alta e ele parecia bravo. "EU ESPERO QUE VOCÊ NÃO ESTEJA ATRÁS DAQUELA MULHER. VOLTA PARA CASA IMEDIATAMENTE"
"-Não posso, preciso seguir meu coração, papai." Ela estava a ponto de chorar novamente.
"-Então siga o Rachel." Agora a voz dele parecia calma. "-Vire as costas para as duas pessoas que mais te amam no mundo e vá atrás da Corcoran. Mas não volte."
Quando Finn voltou para o quarto Rachel ainda segurava o telefone próximo a orelha como se falasse com alguém, mas seu rosto estava sem cor alguma e lágrimas escorriam incessantemente de seus olhos. Ao notar a presença do namorado ela secou o rosto e sorriu. Um sorriso que emanava dor mas sorriu.
"-E aí?"
"-Rach? Você está bem?" Ele não podia fingir que estava tudo bem, algo havia acontecido enquanto ele não estava ali.
Ela o abraçou apertado e suspirou.
"-Não, não estou. Mas enquanto você estiver do meu lado, eu vou me recuperar."
Ele sorriu, se sentiu orgulhoso de si mesmo naquele momento.
"-Minha mãe acha que quero ficar sozinho com você para fazer sexo." A última palavra saiu quase inaudível.
"-E isso significa que?"
"-Que ela me deu isso." Ele tirou uma camisinha do bolso, mas não ousou direto para Rach. Se o fizesse a veria corada dos pés a cabeça. "-E me mandou ter juízo."
Rachel tomou banho, prendeu os cabelos em um rabo de cavalo e vestiu um vestido branco de flores lilás. Finn ficara o tempo todo sentado na beirada da cama. A ideia de sua mãe achar que eles estariam fazendo sexo era constrangedora de mais.
"-Vamos?"
Ela estava linda, os olhos ainda estavam inchados e rosto vermelho mas mesmo assim, estava linda. O nome dele brilhando no pescoço dela, o vestido, o cabelo, ela estava linda. E ele não foi capaz de dizer nada, apenas segurou as mãos dela e seguiu para o carro.
Ela foi a viagem inteira cantando uma música de uma show qualquer da Broadway, "There is no future, There is no past I live this moment as my last" Era a parte em que ela cantava mais alto e sempre com os olhos fechados. Quando ele estacionou o carro ela passou a repetir essa frase enquanto encarava a pequena casa de 2 andares. Ele desceu do carro, e abriu a porta pra ela. Ela segurou na mão dele com força, sentia que ele a protegeria de tudo que poderia acontecer ali. Acharam melhor deixar a mochila com a roupas no carro, não queria assustar Shelby.
Caminharam de mãos dadas até a porta, e ele pensou que se Rachel fosse um pouco maior acabaria quebrando os dedos dele de tão forte que ela o segurava.
Rachel tremia dos pés a cabeça, e no caminho entre o carro e a porta de Shelby ela pensou em desistir uma s milhares de vezes, mas não podia.
Ela tocou a campainha e minutos depois Shelby abria a porta. Mas havia algo de errado naquela cena. Ela tinha uma criança, um bebê na verdade, no colo. Shelby estava completamente sem reação, Rachel era a última pessoa que ela imaginava encontrar a sua porta.
"-Rachel? Jinn? O que fazem aqui." O nervosismo de Shelby era nítido.
"-Finn" Foi tudo que ele conseguiu dizer. Seus olhos se mantinham firmes em Rachel, que por sua vez mantinha os olhos no bebê.
"-Vocês não querem entrar?" Shelby tentava parecer calma a qualquer custo.
Os olhos de Rachel percorriam aquela criança, os cabelos loiros, os olhos, o nariz, a boca. Aquela era, aquela só podia ser.
"-Você é a mulher que adotou a filha da Quinn! Você me dispensou da sua vida e no minuto seguinte adotou um bebê?"
Ela ainda segurava a mão de Finn, e ele estava impressionado em como ela podia ser forte. Shelby apenas a olhava tinha uma expressão de tristeza e nervosismo nos olhos.
"Eu briguei com meus pais, fugi de casa e logo depois fui expulsa porque queria que você fizesse parte da minha vida e queria fazer parte da sua! E o que eu ganho com isso? Me deparo com você brincando de casinha com a filha da ex namorada do meu namorado! Você me desprezou porque achou que uma filha de 16 anos não era o suficiente, não é? Eu não era o suficiente!"
Em momento nenhum ela gritou, as palavras de Rachel saíram baixas e estranhamente calmas. Se não fossem pelos seus dedos sendo esmagados, Finn acharia que ela estava numa boa com aquilo.
"Rachel, querida. Entre nós precisamos conversar." Os olhos de Shelby estavam cheios de lágrimas e sua voz estava embargada.
"Desculpe, senhorita Corcoran, mas não tenho nada para conversar com você. Parabéns pela linda filha." Rachel arqueou a sobrancelha e sorriu para a mãe. "Vamos, Finn?"
Finn procurou algo para dizer a Shelby mas foi a força que Rachel fazia contra seus dedos o incapacitou de qualquer pensamento e ele apenas balançou a cabeça para Shelby!
Os dois voltaram caminhando para o carro e Rachel apesar de não parar de apertar os dedos de Finn não disse uma palavra. Shelby permanecia parada na porta de casa com a pequena Beth no colo, sem saber o que dizer ou fazer.
Ao entrarem no carro ainda acenou um tchauzinho irônico para a mãe.
"-E aquela história de ser expulsa de casa?" Ele perguntou enquanto saia com o carro.
"-Meu pai me disse que se eu fosse atrás da Shelby, eu não podia voltar." Ela não olhou pra ele enquanto falava, seus olhos estavam perdidos na janela. "-E mesmo assim eu vim atrás dela, para chegar aqui e encontrá-la com um bebê, uma menina. A filha da Quinn. No dia em que ela me disse que não podia ser minha mãe, ela decidiu poder ser mãe de outra pessoa."
"-Eu, eu não sei o que dizer. Desculpe, Rach." Ele se sentiu um lixo, deveria ter algo de bom pra dizer pra ela naquele momento mas simplesmente não tinha. "-Você fica morando comigo e com a minha mãe até essa história se resolver."
Ela olhou pra ele e sorriu. "-E sua mãe não deixar?"
"-Então nós dois vamos ter que arrumar um lugar pra morar, porque eu não vou deixar você sem teto e ficar bem com isso."
Ela abriu ainda mais o sorriso, mas logo voltou a encarar o nada na janela do carro. Ele ficou esperando a explosão de lágrimas, mas a mesma não veio e ele não entendeu o porquê.
Rachel por outro lado tinha plena consciência do porque, ela havia chorado todas as suas lágrimas pelos seus pais, e Shelby não merecia suas lágrimas. Shelby merecia sofrer aquilo que ela estava sofrendo, Shelby merecia vingança!
