"-Eu posso explicar Rach."

"-Não, não pode. Você pode dizer que nós não estávamos juntos, mas e daí? Eu não transei com o Jessie porque estava esperando você. Pra mim você tinha que ser o primeiro, queria que esse fosse o nosso momento especial e quando soube que você pensava igual tive certeza que você era perfeito pra ser o primeiro homem da minha vida, e talvez o único."

As palavras o devastaram. E depois de ouvi-las ele realmente não poderia explicar. Ela, mesmo namorando, esperou por ele e de repente um estalo em sua mente.

"-Você e o St Jackass não fizeram sexo?"

"-Não!Eu menti! Não queria que você percebesse que mesmo depois de ter me magoado tanto ainda era o homem que eu queria pra mim."

Ele não pode evitar um sorriso. Mesmo com toda aquela arrogância o engomadinho do Carmel tinha vivido um relacionamento a sua sombra. O tempo todo com o Jessie e ela só queria a ele.

"-Você me fez acreditar que transaria com ele, e eu me senti um lixo. Depois da Quinn e o Puck, imaginar você e St. Jackass juntos...foi de mais pra mim. Então a Santana estava ali e pensei que aquilo talvez me ajudasse." Ele a olhava nos olhos, queria que ela visse através dos seus olhos que ele falava a verdade. "-Mas só me fez mal, Rach. Eu me senti sujo e me pareceu tão errado. E sabe por quê? Porque ela não era você."

Rachel sentiu vontade de beijá-lo, mas lembrou que eles estavam no meio de uma discussão.

"-E essa também não é você. Eu entendo que a Srta Corcoran tenha te magoado, Rach. Mas isso não te dá o direito de magoá-la ou de tirar a Beth da mãe. Rach, essa não é você!"

"-Você não tem ideia de como eu me senti vendo-a com aquele bebê no colo. Ela não me quis, mas pode ser mãe da menininha! Ela me rejeitou, me fez sofrer, me magoou. Minhas lágrimas secaram por conta dela."

Ele se aproximou e a abraçou. Ela não podia empurrá-lo pra longe, apesar de ainda estar magoada pela mentira, ele havia justificado e fazia sentido. Sem contar que ela precisava daquele abraço.

"-Você não deixou ela se explicar. Assim como você não ia deixar eu me explicar em relação a Santana." Ele ainda a tinha presa num abraço como se tivesse medo de deixá-la ir. "-As pessoas comentem erros Rach. E precisam ter a chance de explicá-los."

Ela levantou o rosto, buscando pelo dele. Ela precisava daquele beijo. Era um jeito de pedir desculpas e mostrar que havia entendido ele, um jeito de agradecer a paciência e declarar o amor. Aquele beijo era tudo que ela precisava dizer, e tudo que ele precisava ouvir.

A conversa com Leroy e Hiram havia sido longa, mas dessa vez não houveram gritos e nem lágrimas. Ela sabia que eles não estavam satisfeitos com aquilo, mas se sentiu orgulhosa dos pais por eles ao menos aceitarem.

Dessa vez ela foi sozinha, ter o namorado por perto a ajudava muito, mas ela precisava fazer aquilo sozinha. Dessa vez o caminho que separava a porta da entrada do carro não pareceu longo ou curto, na verdade ela mal lembrava como chegou da sua garagem até a porta de Shelby. Respirou fundo, tomou coragem e tocou a campainha. Alguns minutos de silêncio e tocou de novo, seu coração já batia acelerado, era impossível não pensar em milhões de hipóteses. Talvez para não perder a guarda da filha Shelby houvesse fugido do país ou coisa do tipo. Ela se sentia culpada, arrependida e a porta se abriu.

"-Rachel Berry."

"-Shelby. Olha eu sei que não fui muito simpática na minha última visita mas vim aqui avisar que meus pais tiraram a queixa, o processo não existe mais. Eu fui egoísta e infantil, pensei só em mim e na dor que você havia me causado. E não pensei na dor que eu causaria para sua filha." Os olhos de Rachel estavam cheios de lágrimas e algumas teimavam em correr pelo seu rosto. "-Você me rejeitou e no minuto seguinte a adotou. Por quê? Eu não era boa o suficiente pra você? Eu te desapontei como cantora, como artista? Por que você largou seu trabalho pra ser a mãe da Beth, mas não pode ser a minha mãe?"

"-Rachel, claro que não. Eu não desapontei em nada com você, muito pelo contrário. Conhecer você me fez perceber o quanto eu precisava de uma família e o quanto eu perdi não estando lá pra te ver crescer. Você não tem ideia do quanto eu queria fazer parte da sua vida, quanto eu sonhei com você, com seu rostinho, com a sua voz. E quando te vi a primeira vez, tive certeza que você era a minha filha, mas, não estava ali a menininha que eu imaginava e sim uma jovem confiante talentosa e eu não tinha absolutamente nada pra oferecer pra essa moça. Você estava pronta e não precisava de mim pra nada." As lágrimas de Rachel continuavam a cair e Shelby secou o rosto da filha. "-E aí tive a estúpida ideia de mandar o Jessie atrás de você, achei que se você viesse até mim seria mais fácil, mas não foi e deu tudo errado. Mas ele havia me falado da Quinn, da gravidez e eu vi naquele bebê a chance de tentar acertar. Ela não é uma substituta pra você. Ela é uma segunda chance pra mim."

"-Eu fiz uma coisa muito ruim." Agora ela chorava compulsivamente enquanto tentava falar. "-Eu contei a Quinn que foi você quem adotou a Beth."

Shelby sorriu entre lágrimas ao ouvir as palavras da filha.

"-Eles sabem que fui eu. A adoção é aberta." Ao notar que Rachel parecia não entender do que ela estava falando, Shelby explicou. "-Todo ano no aniversário dela eles recebem notícias, ela vai saber que é adotada e se quiser entrar em contato com eles vai ter todo direito. Não quero que a Quinn passe o que eu passei com você, Rach. Ver alguém que esteve no seu ventre por 9 meses ser um completo estranho pra você é triste, doloroso." As duas choravam copiosamente paradas a porta de Shelby. "-Pelo amor de Deus, menina entre. Isso nem era conversa pra se ter do lado de fora."

As duas entraram e começaram uma longa e sincera conversa no sofá de Shelby. Falaram sobre Beth, Finn, St James. Tentaram imaginar como seria a relação delas dali em diante e como Rachel se sairia no papel de irmã mais velha. Shelby riu ao se imaginar sendo sogra de alguém e as duas riram em pensar como seria difícil para Finn se relacionar com mais um adulto responsável por Rachel. A situação ainda não era perfeita, as duas sabiam que seria difícil dali em diante. E no peito de Rachel uma coisa ainda pesava: Quinn. Ela ainda deveria pedir desculpas pelo que fez e arrumar um jeito de convencer Sue de que a culpa não havia sido dela.