As últimas semanas haviam sido cansativas. Primeiro a bronca de Carole sobre eles não terem respeitado a regra dela de só fazer sexo depois de uma longa conversa sobre contraceptivos, depois uma bronca ainda maior por não terem usado camisinha, sem contar a conversa constrangedora entre o casal e Hiram Berry. A visita ao ginecologista, as pílulas, a espera da menstruação e a tranqüilidade depois que ela veio. Claro que nem tudo foi ruim, houveram também os momentos sozinhos na casa dele, na dela, no estacionamento do cinema, tudo muito bom, cansativo e emocionante. E sem que houvessem se dado conta já haviam passado dois meses desde o dia em que Carole os havia flagrado no quarto dele.

Estavam deitados na cama dela, Rachel brincava com cabelos dele, enquanto ele acariciava sua outra mão. Apreciavam o silêncio daqueles momentos, porque sentiam não precisar falar nada para demonstrar o que sentiam.

"-Shelby, ligou ontem." Ela disse, despertando a atenção do namorado. "-Convidando pra uma visita, mas não tenho certeza se quero ir ou se estou pronta pra brincar de casinha com ela depois de tudo que aconteceu."

"-Mas vocês duas não meio que fizeram as pazes?"

"-Nós erguemos bandeira branca, conversamos e decidimos tentar, mas passou tanto tempo sem notícias dela que acredito ter perdido a esperança de que isso vai dar certo." Ela se virou na cama, ficando de frente pra ele. "-Eu achei que ela ia me procurar no dia seguinte, ou talvez na semana seguinte da nossa conversa, mas ela continuou não ligando, não me procurando e eu percebi que nada vai fazer de nós duas uma família."

Ele passou a mão no rosto dela, admirando o quanto ela ficava linda com os cabelos soltos sobre a face. "-Pense em quanto isso deve ser difícil pra ela também. E famílias não se formam da noite pro dia. Vocês vão precisar de tempo e convivência, Rach, e essa visita pode ser o momento ideal pra começar a tentar."

Ela deitou a cabeça no peito dele, estava impressionada em como ele havia se tornado bom a ajudá-la a resolver problemas dela e tomar decisões. "-Você ao menos vai comigo?"

"-Claro que sim." Respondeu antes de beijar os cabelos dela.

Leroy e Hiram Berry estavam sentados na sala em silêncio, não gostavam da ideia de ter a filha passando um dia inteiro sozinha com Shelby, mas não queria impedi-la de tentar, principalmente depois de tudo que aconteceu da última vez que a tentaram impedir de falar com a mãe. E a ideia de Finn acompanhá-la só os deixava ainda menos felizes, afinal os pais de Rachel sabiam o que eles faziam sempre que tinham a oportunidade de estarem sozinhos.

"-Não se exponha de mais pra ela, não espere demonstrações de afeto e não se apegue a criança." Leroy disse assim que a imagem da filha surgiu na sala. "-Lembre-se que ela não é sua mãe é apenas a mulher que te gerou."

"-Ela AINDA não é sua mãe." Hiram corrigiu o marido. "-E seu pai esta certo, por mais que você ache que assim que cruzar a porta da casa dela vocês se tornarão mãe e filha, isso não vai acontecer. Mantenha os pés no chão, princesa. Rachel apenas sorriu para os pais.

"-E onde está o rapaz?" Leroy perguntou com desdém. Desde que descobrira que Finn e Rachel faziam algo mais que beijar não gostava tanto do rapaz quanto antes.

"-Na verdade, nós vamos no meu carro. Eu vou pegá-lo em casa e de lá vamos pra Shelby." Os pais não pareciam muito satisfeitos com a falta de cavalheirismo de Finn mas não reclamaram. Ela beijou os dois e saiu.

No caminho entra sua casa e a do namorado, Rachel se pegou fazendo planos de futuro envolvendo Shelby e a irmãzinha. Era inevitável sonhar com o futuro, a menina correndo em volta dela, as duas brincando com um kit de chá das 5 e cantando as trilhas de algum desenho animado. Ela estava perdida em seus pensamentos quando estacionou na porta da casa do namorado, ele já estava do lado de fora a esperando.

Um beijo rápido, ele assumiu a direção e o destino era a casa da Shelby.

Eles haviam tido um almoço divertido e agora Finn brincava no tapete da sala com Beth enquanto Shelby e Rachel lavavam a louça na cozinha. As risadas da pequena Beth ecoavam pela casa e isso fazia com quem Rachel e Shelby rissem junto.

"-Você parece feliz." Shelby disse enquanto secava os pratos. "-Com esse rapaz. Seus olhos brilham de um jeito diferente."

"-Eu estou mesmo. Ele é cheio de defeitos, não sabe se expressar, é desajeitado, dorme no meio dos filmes, morre de medo dos meus pais mas é perfeito." Rachel disse fazendo a mãe dar risadas. "-Nunca estive tão apaixonada na vida e acho que nunca mais vou conseguir amar alguém desse jeito."

Shelby achou lindo o jeito que a filha se derretia pelo namorado. Amores adolescentes e a sensação que eles causam no nosso corpo eram algo que ela ainda se lembrava.

"-Sente como se seu coração fosse parar só de imaginar ele não estando por perto? Lembro bem dessa sensação." Shelby riu. "-Eu aposto que ele sente o mesmo em relação a você, e aposto que ficaram juntos por muito tempo." A conversa entre mãe e filha continuou empolgada na cozinha, e continuou quando elas voltaram pra sala e se juntaram a Finn e Beth.

Quando Rachel anunciou que precisava ir embora, Shelby decidiu tirar algumas fotos para eternizar aquele momento. Primeiro Rachel e Beth, depois Finn e Beth, e depois o casal, primeiro com a menina e depois sem a menina, depois Finn assumiu a câmera e fotografou a namorada com a mãe e a irmã e depois só com a mãe, daí foi a vez de Rachel fotografar o namorado e a mãe, algumas piadas sobre sogra muitas risadas depois Shelby programou a câmera para que fotografasse sozinha. Um flash disparou na sala e a última imagem registrada na câmera era uma Rachel Berry sorridente com a irmã no colo, entre a mãe e o namorado.

As coisas estavam mudando, felizmente.

Ufa, acabou!

Gostaria de usar esse espaço para agradecer a Forbí e a Dani por terem me motivado a escrever essa fic, e por terem me dado força a continuar. Muito obrigada, meninas!