KAMEN RIDER ARILUS

Capítulo 2 – Destruidor de Mundos

—Ugh...meu corpo...dói até os fios de cabelo!—Jinchu tentava se levantar daquela cama que nada tinha de familiar. O teto também lhe era estranho e a decoração daquele quarto também. O rapaz consegue sentar-se, quando vê o senhor Tachibana entrando ao quarto, acompanhado de outro senhor, de jaleco.

—Finalmente acordou, huh? Kotaro deixou você aqui, você estava resmungando sobre o teste de aptidão para o colégio Jounan, parece que você não compareceu a tempo, hein?

—Senhor Tachibana...—O rapaz baixa a cabeça, constrangido e envergonhado, não sabia que desculpa poderia inventar. Nem mesmo conseguia se forçar a mentir para o homem que vinha lhe ajudando nos últimos dias sem pedir nada em troca.—Eu...

—Então por isso, eu chamei um amigo para que pudesse fazer a entrevista aqui mesmo, já que ele faz parte da banca de admissão do colégio!—Um homem entra no quarto, surpreendendo Jinchu. Ele tinha cabelos negros e olhos de mesma cor, penetrantes.

—Bom dia, Jinchu...eu sou Takeshi Hongo e talvez, se você se sair bem nessa entrevista, eu possa ser um dos seus professores.—Ele possuía um sorriso gentil, como o de um irmão mais velho no qual Jinchu pudesse confiar. Talvez justamente por isso, o rapaz tenha desconfiado de algo. Tachibana Tobei deixa o quarto, para que os dois pudessem conversar:

—Então, Jinchu. Tachibana me falou que você veio dos Estados Unidos para o Japão. O que pode me dizer sobre essa mudança? Algum motivo específico?

—Eu queria aprender uma língua estrangeira, achei que pudesse ser uma boa forma.

—É mesmo? Devo lhe parabenizar, seu japonês é fluente.

—Minha pronuncia pode ser boa, mas de vez em quando eu confundo as palavras quando as ouço ou leio.

—Certo, e o que você pode me dizer de sua vida nos Estados Unidos?

—Hongo-sensei?

—Sim?

—O que é um Kamen Rider?

—E por que me pergunta isso?

—Você é um deles, não é? Assim como Kotaro Minami, e assim como eu, você teve o corpo modificado por algum motivo, e se tornou o que eles chamam de Kamen Rider, não foi?—Takeshi ri, sentando-se numa cadeira ao lado da cama.

—Kotaro me falou que você era diferente...mas não o quanto você era perspicaz, garoto. Não há alguém igual a mim, ou a Kotaro, há pelo menos 15 anos. Eu estava esperando ansioso por esse dia: O dia em que voltaria a existir alguém que pudesse ser chamado de Kamen Rider. Você me perguntou o que um Kamen Rider é, pois eu lhe direi: Um Kamen Rider é alguém disposto a lutar pela vida e pela justiça, alguém que já perdeu tudo, mas que não abaixa a cabeça para ninguém, pois sabe que é uma das únicas esperanças que esse mundo ainda possui.

—E quem disse que eu quero isso?—O rapaz diz, irritado. Em fúria, ele se levanta, encarando Hongo.—Quem disse que eu acredito em justiça? Eu acredito apenas na vingança, por aqueles que roubaram minha vida, que roubaram minha humanidade e mataram meus amigos!

—Você fala como se tivesse uma escolha...—Hongo se levanta, caminhando em direção à janela, como se ignorasse o rompante de fúria do rapaz.

—E vocês vão me obrigar?

—Não foi isso que eu quis dizer.—O homem sorri, abrindo a janela, deixando uma brisa fria entrar. –Se justiça não fizesse parte da sua vida, nunca pensaria em vingança.

—Essa é uma forma estranha de se pensar...

—Somos pessoas que no mínimo seriam consideradas estranhas, Kamen Rider...
—Já disse que eu não vou ser isso! Quem é você para decidir minha vida?—Jinchu avança contra Hongo com um soco, que é esquivado sem muitos problemas. Hongo deixa a perna no caminho de Jinchu, fanzendo com que ele tropeçasse e caísse sem muitas defesas pela janela. O rapaz cai cinco andares, nos fundos de um prédio. Ele olha para cima, apenas para ver Hongo Takeshi saltando pela janela, aterrissando ao seu lado sem a menor dificuldade:

—Desculpe pelo mal jeito, Jinchu.—Hongo estende a mão para o rapaz, com um sorriso gentil em face.—Acho que já não sou mais rápido como costumava ser.

—Eu vou arrebentar sua cara...velho ou não...

—Espero que guarde isso para outro dia.—A mão continua estendida para o rapaz, que finalmente a aceita.—Até lá, seja bem vindo ao Colégio do Distrito de Jounan, rapaz.

No dia seguinte, Jinchu já estava matriculado e pronto para começar a assistir aulas. Não vislumbrava ter que usar uniforme tão cedo, mas também não podia discutir, já que o senhor Tachibana que tinha lhe conseguido a vaga e não queria causar problemas para ele:

—Puxa vida, eu vou ter mesmo que estudar aqui?—Jinchu falava sozinho, carregando sua pasta com as duas mãos por detrás de sua cabeça, os cotovelos ao alto.—Eu achei que tinha escapado dessa sina quando me tornei um...—ele para ao sentir uma mão segurando sua pasta e vira-se rapidamente para trás.

—Quando se tornou um...?—Uma garota segurava sua pasta e ela não tinha o olhar dos mais amigáveis para Jinchu. Ainda assim, ela era bonita, tinha um rosto delicado, cabelos compridos presos num rabo de cavalo, e óculos que destacavam seus olhos, que eram de um curioso tom verde. Com um olhar mais atento, Jinchu percebe que o tom da cor dos olhos dela variavam com a incidência de luz, alternando entre verde e azul.

—Um...rebelde sem causa?—Jinchu abre um sorriso amarelo, meio constrangido com a situação.

—Como eu imaginei, um rapaz mais velho cursando o colegial—e chegando no meio do ano—só poderia ser um vândalo tentando arranjar encrenca!

—Como sabe que eu não estudo aqui desde o começo do ano?

—Eu conheço todo mundo desse colégio, e tenho memória fotográfica!

—Que legal!—O sorriso amarelo do rapaz logo se torna um de deboche. —Eu, por outro lado, bebo para esquecer! Talvez você possa servir de backup pro que eu quiser lembrar e não conseguir!

—Idiota!—A menina ofendida bate perna e logo vai embora, irritada.—Só fique sabendo que eu estou de olho!

—As mulheres me amam...—ele abre um sorrisinho, voltando a sua pose anterior e tornando a caminhar, procurando sua sala. O rapaz estranha como se sentia em um ambiente familiar nesse colégio: os alunos não mostravam um pingo de respeito pelas instalações; não mostravam respeito nenhum também pelos professores – o que era no mínimo estranho, sendo Hongo Takeshi um deles – e não pareciam também mostrar muito respeito um pelo outro. Delinqüentes pareciam espreitar por qualquer canto, e Jinchu se virava bem num ambiente desses. Ele continua caminhando pelo corredor, até que vê aquela garota de olhos verdes que tinha lhe chamado a atenção anteriormente. Ela parecia discutir energicamente com um grupo de alunos que estavam pichando a parede:

—Vândalos! Eu vou denunciar vocês!—Jinchu percebe pela reação dos garotos que a menina poderia precisar de ajuda em questão de instantes:

—Será que o discurso dela não muda?—Jinchu balbucia antes de se meter entre a garota e os alunos. Ele pára na frente deles, com as mãos no bolso da jaqueta, sorrindo tranqüilo:

—Olá, pessoal! Como é que estão? Essa garota tá perturbando vocês?

—Quem é você?—O maior deles, careca, de olhos saltados como um louco se aproxima de Jinchu, já mostrando que paciência não era uma virtude que possuía.—Amigo da pentelha? Ou é namorado da delatora?

—Uau! Estou surpreso de que você saiba o significado de delatora! —O novato ri, tirando uma das mãos do bolso.—Na verdade, não tenho nenhuma relação com a garota, ela realmente intimida com esse olhar dela. Acontece que nós somos irmãos!

—É verdade?—Um dos rapazes pergunta, achando que os dois eram bastante diferentes.

—Vocês não parecem muito um com o outro!—Outro deles aponta, se achando muito perspicaz.

—É porque fomos separados na infância!

—Ah, faz sentido!

—Então você vai querer apanhar por ela?—O grandalhão, suposto líder, indaga.

—Na verdade, não!—Jinchu não parecia se afetar com o grupo de alunos o cercando, por outro lado a garota já tremia de medo com a possibilidade de se envolver numa briga. Mesmo assim ela não conseguia correr. —Mas eu se fosse vocês não me meteria com ela, o namorado dela é um dos caras mais fortes do colégio Suzuran, vocês não sabiam?

—Hm? Colégio Suzuran?

—Sim, lá só tem bandido! Todos os caras lá já foram preso por pequenos delitos! Mas dizem que o namorado dela está sendo procurado por assassinato; latrocínio; parricídio; regicídio e até deicídio!

—Meu deus!—Um outro rapaz do grupo parecia ter se impressionado com a história, já puxando a manga daquele maior que parecia o líder do grupo.—Hide, vamos embora, eu não quero provocar um cara desses!

–Mas...

—Eu também não, Hide!—Outro do grupo se manifesta, sendo seguido pelo restante. Confuso, o grandalhão Hide começa a se afastar junto de seu grupo. Com a partida do grupo, Jinchu volta-se para a menina:

—Se continuar com esse estresse todo, vai acabar com muitos inimigos por aqui, menininha!

—Não me diga algo que eu já sei!—Ela parecia irritada no começo, mas logo se acalma. —Olha, me desculpa por ter te perturbado na entrada, mas é que minha mãe dava aula nesse colégio. Eu vinha aqui sempre esperar por ela pra voltar pra casa, até o dia em que ela...bem...

—Sinto muito.— Jinchu diz

—Depois que ela morreu, esse lugar ficou tão decadente...sei que é apenas coincidência, mas eu não consigo deixar de relacionar uma coisa à outra...e...eu queria que esse lugar voltasse a ser aquele lugar de minhas memórias...por isso eu não posso tolerar esses vândalos e delinqüentes!

—Tadinha!—Jinchu abraça a garota e aperta o rosto dela contra seu peito.—Pode chorar, menina! Eu estou aqui para ajudá-la a realizar seu sonho!

—Seu...—A garota desfere um violento gancho no queixo de Jinchu, que a solta no ato, rindo levemente.—...idiota! Você acha legal ficar zombando dos sentimentos dos outros?

—Relaxa, menina!—Jinchu repousa sua mão no ombro dela, sorrindo de uma forma gentil, uma imagem que a garota não esperaria do rapaz.—Não estou brincando quando disse que quero te ajudar. Eu...bem...eu sei o que é perder alguém importante. Meus pais faleceram num acidente de avião quando era criança...se eu tivesse pelo menos a chance de restaurar algo que me trouxesse lembranças boas deles, eu não hesitaria um segundo sequer. Por isso, quando precisar de uma força, ou de um ombro para chorar, conte comigo!

—Seu bobo...—a menina nem percebe o sorriso que tinha em rosto depois desse discurso, e dá um soco no ombro dele, de leve.—...quem disse que eu vou chorar?

—Haha...desculpe. —O clima animoso entre os dois parecia ter se dissipado por completo, e Jinchu não conseguia evitar o sentimento de satisfação ao fazer algum amigo. —Eu sou Jinchu Ukematsu, e você?

—Meu nome é Naoko Midorikawa. Agora, posso perguntar uma coisa?

—O que é?

—Deicídio? Sério mesmo?

—Bem, funcionou né?

—E o que você espera que eles façam quando entenderem que foram enganados?

—Cair na gargalhada? —Jinchu responde, com uma expressão besta em face, mostrando que esperava o completo oposto.

—Então você arriscou ter a fúria deles contra você só para dar umas risadas? Você é mais louco do que eu pensava!

—Pelo menos assim eles se desligam de você. Além do mais, eu vim de um lugar em que esse tipo de coisa era rotina. Não tenho medo desses caras não.

—Eu que não vou ficar levando você pro hospital...

Jinchu não sabia que estava sendo observado, mas Chris, acompanhado por Sagra e Mantis, espreitava o motoqueiro do alto da fachada do colégio Jounan:

—Sagra...—Chris diz, com sua voz fria e sem vida.

—Sim, senhor?

—Fique de olho em Arilus, acompanhe seus movimentos.

—Ele mudou muito desde a transformação, vocês não acham?—Sagra diz, se agachando para observar melhor.

—Talvez ele não saiba o que está para lhe acontecer. —Mantis se manifesta— Mas tenho certeza de que seu espírito não está deixando isso passar.

—Nada disso nos interessa.—Chris interrompe os dois, mesmo a sua voz sem emoção poderia mostrar uma leve preocupação em momentos como aquele, em que pensava no que poderia acontecer se Jinchu se tornasse consciente do que havia acontecido antes do tempo.—Apenas fique de olho nele. Use sua forma humana, se achar necessário! Mas aconteça o que acontecer, Arilus não pode despertar antes do tempo!

Jinchu já tinha terminado suas aulas do dia, e estava esperando Hongo Takeshi para que pudessem conversar mais a respeito do que estava lhe acontecendo, mas quem surge primeiro é Naoko:

—Jinchu, o que está fazendo?

—Ah, Naoko!—Ele sorri ao ver a menina, sua primeira amizade além do senhor Tachibana. Sua única amizade que tinha uma idade próxima a dele.—Estou esperando o professor Hongo.

—O que você aprontou agora?

—Nada!—Ele percebe que ela não parecia acreditar, eis que ele se exalta.—Eu juro!—Ao perceber a menina rindo, Jinchu percebe também que havia sido manipulado. Tinha conhecido a garota há poucas horas e ela já lhe provocava.—Ora, sua...

—Mas o professor Hongo provavelmente vai demorar, hoje tem reunião.

—Então não resta muito o que fazer...—Jinchu suspira, apoiando as mãos na nuca.—...quer companhia para voltar pra casa?

—Não vou lhe atrapalhar?

—De forma alguma, eu insisto.

Os dois caminham para a saída do pátio do colégio, um provocando o outro. Jinchu se detém por um instante ao sair do colégio: do outro lado da rua, ele vê um rapaz de cabelos castanhos, usando um blazer preto abotoado. Os dois trocam olhares, mas Jinchu não consegue entender o motivo do sorriso que o outro rapaz mostrava:

"—Boiola..."—Jinchu pensa, não dando mais atenção. O outro rapaz vira-se e caminha na direção de um muro que cercava aquela esquina onde se encontrava. Jinchu não consegue ver, mas ele atravessaria a parede do muro como se fosse uma mera serventia à rua principal. Dessa parede, algumas criaturas monstruosas —kaijin— brotariam. Pareciam enormes insetos negros, assemelhando-se levemente à baratas. Uma voz autoritária surge da parede do muro, que oscilava uma luz estranha, numa cor que não parecia pertencer ao espectro de cores que humanos normalmente poderiam ver:

—DarkRoaches...um pequeno teste. Encontrem Arilus!

Quando Naoko e Jinchu decidem atravessar uma rua, eles logo se vêm cercados por Hide e seu grupo. Com face nada amigáveis, eles exibiam alguns pedaços de madeira e canos nas mãos, e Jinchu já sabia o motivo da aparição do grupo, além de saber exatamente como lidaria com eles:

—Posso ajudá-los?

—Você se acha muito esperto, né? —Hide, com seu tamanho se destacava do resto do grupo. —Eu lembrei o que regicídio significava! E ninguém ficaria livre depois de um crime desses! Por isso sua história é falsa!

—E deicídio?—Jinchu sorria, sua voz estava embargada com escárnio.

—Bem...isso eu não descobri o que é isso ainda, mas não importa! Eu vou amassar sua cara!

—Você pode tentar...mas eu posso pedir pra deixar a garota ir? Não tem sentido ela correr esse risco a toa.

Hide pondera por alguns instantes, abrindo caminho para que ela passasse. Jinchu praticamente força a garota, que relutava:

—Jinchu, vamos embora!—Ela tinha um leve tom de desespero na voz.—Eles simplesmente não valem a pena!

—Não...—Jinchu encaminha ela para fora do cerco, sem demonstrar qualquer preocupação.—Mas depois de hoje, nenhum deles vai causar mais problemas na sua escola!

—...

—Não me olhe assim!—Ele entrelaça os dedos das mãos e os estrala, de forma ruidosa. O som tinha um sutil aspecto metálico, mas ninguém poderia perceber tão facilmente.—Eu não disse que ia te ajudar a dar um jeito nesses vândalos? Eu peço desculpa, mas a única forma que eu conheço para lidar com eles é essa!

O grupo fecha o cerco sobre Jinchu uma vez mais, mas o rapaz apenas boceja, sem parecer incomodado. Quando uma dupla parte pra cima do Rider, ele apenas faz um movimento como se pedisse para os dois se afastarem, estendendo os braços para o lado, que é suficiente para arremessar os dois em direções opostas com violência:

—Vamos lá...venham enfrentar o Monstro!—Jinchu agora sorria de forma sádica, esperando o ataque. Sua demonstração de força havia intimidado o grupo, mas o líder, Hide, não se assustaria tão fácil.

Ele avança contra Jinchu num soco direto, que é agilmente esquivado com um passo para o lado. Jinchu aproveita a brecha e desfere um chute após um elegante giro, que atinge certeiramente o rosto de Hide, que vai ao chão, nocauteado. Em menos de cinco movimentos, Jinchu havia terminado aquele combate: ninguém mais tinha brio para enfrentá-lo.
O grupo foge, abandonando seu líder. Jinchu abre um sorriso melancólico: Nem mesmo as lutas ele poderia aproveitar, agora que seu corpo havia sido transformado. Mesmo se contendo, não haviam nas ruas rivais para ele. Naoko havia observado a luta abismada: quem realmente era aquele garoto? Como ele lutava com tanta facilidade?

—Jinchu...—Ela se aproximava, ainda um pouco assustada. O seu temor é totalmente repelido por um sorriso gentil que o rapaz exibia.

—E não é que eu ganhei?—Ele dizia com um falso espanto, como se aquela situação fosse completamente inesperada.

—Eu não esperava que você fosse forte de verdade, seu vândalo!—Os dois riem, até ouvirem um som estranho e perturbador. O sinistro farfalhar vinha de diversas direções e antes que pudessem perceber, os três já estavam cercados pelos Darkroaches. O espanto e o medo atingem igualmente tanto Naoko quanto Jinchu. Ele se coloca na frente da amiga para protegê-la, tentando prestar atenção em todos os lados para não serem atacados de surpresa.
Um deles tenta se aproveitar da situação para atacar Jinchu pelas costas, mas não esperava pelos sentidos aguçados do Rider, que previne o ataque com um chute para trás, quase como um coice, que joga a criatura para trás, caindo de costas no chão:

—Jinchu!—Naoko estava apavorada, ouvir o desespero em sua voz era o suficiente para Jinchu se concentrar e manter seu foco.—O que são essas coisas? O que nós vamos fazer?

—Fica calma!—O tom imperativo e determinado na voz de Jinchu era o suficiente para que Naoko se sentisse mais segura, suas mãos estavam firmes nos ombros de Jinchu, tendo ele como único apoio naquela situação.

Jinchu analisava suas alternativas, estudando as possibilidades de fuga: abrir caminho direto com socos e chutes não era a melhor alternativa. O rapaz não conseguia pensar em outras possibilidades, até que ele vê que um dos caminhos bloqueados tinha o acesso para uma escada de incêndio.

—Naoko!—Jinchu olha para ela uma última vez, com um sorriso desdenhoso em face.—Pega o Hide, que nós vamos sair daqui

O rapaz cerra os punhos, avançando sem piedade, desferindo poderosos socos e chutes para abrir caminho. Naoko tem pouco tempo para se preparar, puxando Hide e seguindo o caminho que Jinchu abria. Naoko havia reparado que o som dos golpes de Jinchu ao encontrarem os Darkroaches era o de metal encontrando metal, mas não tivera tempo para processar aquela informação.
Ao chegar próximo da parede em que a escada estava anexada, o rapaz pega a garota e seu adversário anterior e salta escadaria acima. Ele deixa Hide sob cuidados da garota novamente, que começa a subir as escadarias. Ela olha para trás, espantando-se com Jinchu saltando sem medo novamente para a confusão que se instaurava na rua:

—Jinchu! O que você está fazendo?

—Eu estou garantindo sua fuga! Não desperdice!

—Mas...

—Vá agora!

A garota corre, desesperada novamente. Jinchu imaginava que aquelas criaturas estavam atrás exclusivamente dele, e por isso ele se sentia mais confortável para lutar do que para fugir:

—Venham...—ele sorri, satisfeito.—...venham enfrentar o Monstro!—O rapaz gira o corpo e salta com o punho estendido num soco, já derrubando um Darkroach. No fundo, Jinchu também queria se livrar daquele sentimento que tivera na luta contra a gangue de Hide, aquela sensação de que nenhuma luta poderia lhe satisfazer.

Para impedir o avanço de dois monstros, Jinchu salta para trás, usando as pernas para arremessá-los por cima de seu corpo. Ele rola com a queda, tentando ficar de pé o mais rápido possível. Sabia muito bem que numa luta contra muitos adversários, era importante não perder muito tempo e ficar de pé para se defender. O rapaz mantém o ritmo por tanto tempo quanto possível, mostrando-se um adversário difícil para aquelas criaturas, mas sem estar transformado, sabia que não ia agüentar por muito mais tempo. Ele salta para frente, com uma voadora, abrindo caminho e subindo num carro para conseguir pelo menos um tempo para realizar sua transformação.

O rapaz ainda tinha algum receio: era a primeira vez que se transformaria utilizando-se do cinto. Como se seu pensamento se materializasse, o seu cinto aparece, brotando de sua pele, atravessando a roupa e ficando em posição. Com um dos braços apontando para cima e o outro estendido para o lado, o movimento dos dois se cruzam, formando uma cruz frente ao rosto de Jinchu, que exclama, com vigor o cântico de transformação, a exemplo de Kotaro Minami:

HENSHIN!—Uma luz azulada é emitida do cinto, que envolve o rapaz por completo, dando lugar a Arilus. As criaturas pareciam ofuscadas pelo brilho da transformação, e Jinchu aproveita para atacar.

Com as cargas de seu avanço, Jinchu destruía diversas daquelas criaturas, com socos e chutes, mas elas pareciam infindáveis. O cansaço logo se tornava inevitável, mas Jinchu não dava sinais de que iria fugir. Depois de alguns minutos, já se encontrava cercado por um grande número de criaturas. O rapaz, ofegante, mais uma vez se coloca em guarda, mas para seu espanto, as criaturas não atacam. A imagem deles se distorce por alguns instantes, como se uma parede de vidro vibrasse à sua frente. Com a movimentação dessa parede na direção dos Darkroaches, as criaturas finalmente somem, deixando o exausto rapaz realmente confuso. Ele se recosta na parede, deixando o corpo deslizar pela mesma até repousar sentado no chão. Pensava em reverter para sua forma humana, mas uma voz o impede, lhe assustando:

—Kamen Rider Arilus...—A voz atrai Jinchu para o acesso da rua ao beco em que havia lutado. Ele não conseguia vislumbrar a face da pessoa que lhe chamara pelo mesmo nome que aqueles envolvidos com Chris e a misteriosa organização responsável pela cirurgia que remodelara seu corpo, mas puramente este fato já era tudo que Jinchu precisava para ficar desconfiado. O rapaz se posta de pé, novamente cerrando os punhos, antevendo uma luta com aquela pessoa:

—Eu não vim para lutar, Jinchu Ukematsu. Mas sua existência é um perigo para todos os Riders!

—Hã?

—Eu vou pedir que me perdoe pelo que tenho que fazer, mas é imperativo que você seja completamente eliminado!

—Ei! Você acabou de dizer que não veio lutar!

—Não se preocupe, não vai ser uma luta!—Um brilho vermelho é emitido de sua cintura, e Jinchu já conseguia sentir-se assustado com a energia que aquele homem emanava de seu corpo.—Luta é quando quem é atacado tem chance de reagir ou contra-atacar!

A transformação que estava para acontecer é interrompida pelo impacto poderoso de algo no chão. Alguém tinha mirado um chute naquela pessoa que confrontava Jinchu, e por pouco não tivera sucesso. Logo essa pessoa se revela como Sagra, que se praguejava por ter errado:

—Você?—Jinchu cada vez ficava mais confuso.

—Você morto pouco nos interessa, Arilus!

—Você é um daqueles caras que eu enfrentei antes, né? O Papillon, ou Butterfly...

—Sagra, seu cretino! Meu codinome é Sagra! Caramba, mas você não muda mesmo, hein? Agora sai daqui que eu cuido desse cara!

—Cuidar...de mim?—O misterioso homem que atacara Jinchu mostrava um sorriso em face, e proferia suas palavras com um riso suave porém carregado em escárnio.—Para fugir, terão que passar por mim, e eu não vou permitir isso!—Jinchu conseguia agora ver o cinto que aquele homem portava, com uma entrada estranha na parte superior, ele percebe que seu adversário havia deslizado um curioso cartão para dentro do dispositivo no cinto, e uma voz é emitida pelo mesmo:

KAMEN RIDE!—O homem usava das mãos para fechar o dispositivo do cinto, mas Jinchu não consegue ver sua transformação. Uma mão subitamente sai da parede, de forma similar a que os Darkroaches haviam sumido, e Jinchu é arrastado para dentro da mesma, sem conseguir impor resistência. Ele ouve protestos por parte de Sagra e de seu misterioso oponente, mas logo aquela viagem que estava a fazer se provaria traumática o suficiente para que o rapaz perdesse a consciência por alguns instantes.

Quando Jinchu desperta, já não estava mais transformado. Ele se espanta pelo cenário inexistente, como se estivesse sobre uma grande tela branca. Ouvindo passos, ele percebe aquele rapaz com quem tinha trocado olhares quando saía do colégio com Naoko:

—Jinchu Ukematsu, meu nome é Kadoya Tsukasa. Sou aquele que chamam de Destruidor de Mundos: Kamen Rider Decade!

—Decade...?

Continua...