Capítulo 1.
"A humildade é o reconhecimento da renúncia de si mesmo."
São Padre Pio de Pietrelcina
Ginny acordou pela manhã de um pesadelo. Era mais um daqueles em que um dos bruxos do povoado era perseguido e morto. Na verdade, a situação era bem real. Geralmente quando isso acontecia, eles mudavam de lugar, mas por sorte, há bom tempo não acontecia nada.
Olhou para o lado, e viu que seus irmãos estavam dormindo. Olhou sorrindo para eles, até Fred e George que eram umas pestes pareciam ser bons meninos dormindo.
A vida deles não era fácil de jeito nenhum, muito trabalho, pouco dinheiro. Ginny chegou a presenciar a mãe chorando algumas vezes, e isso a motivava a querer trabalhar mais.
Todos os irmãos, até mesmo Percy, tinha a consciência, de que eles jamais ficariam ricos, o que não os impossibilitava de ter nenhum dia de esperança.
Narcissa passou a noite toda a pensar no que o médico lhe dissera. Para ela, não interessava mais nada, qualquer pessoa que estivesse disposta a ajudar seu filho, teria sua eterna gratidão. Seu marido era completamente ignorante e preconceituoso com relaçao à isso, mas ela passara a ignorar as tradições.
Era um fato, que a cada dez famílias das mais tradicionais, onze tinham segredos. Eles não seriam nem os primeiros e nem os ultimos. E até quem sabe, não existia uma família das mais tradicionais com poderes mágicos?
Pela manhã, depois do marido sair para observar como andavam os negócios, ela foi atrás de uma de suas criadas. Sem sombra de dúvidas, alguma delas poderia saber de algum bruxo que pudesse ajudá-la com o filho.
Chamou Martha, uma que estava com ela desde que Draco nascera, sua falecida mãe a enviara justamente para ajudar Narcissa com o garoto.
Martha prontamente atendeu o chamado de sua senhora, bateu à porta da sala de visitas, com cuidado.
- Vim o mais rápido que pude, senhora - disse a criada.
- Preciso de um grandissíssimo favor seu, Martha - falou num tom seco - Talvez um favor que eu lhe deva minha eterna gratidão, mas você precisa me prometer o seu profundo silêncio.
- Sim, claro - falou Martha, num tom preocupado.
- Obviamente você viu o Doutor Malcon aqui ontem, eu quem lhe pedi para que o trouxesse até aqui… - ela fez uma pausa, suspirando - e com toda certeza, você viu e percebeu as - manchas no corpo de meu filho…
- Senhora - disse a moça, interrompendo-a - eu jamais contaria um assunto desta gravidade à quem quer que fosse. Sei como as pessoas tratam os que…
- Eu. Sei. - disse a loira, fechando os olhos, calma - Vou ser mais objetiva. Como você anda pela cidade, e conhece a maioria das pessoas que não são da alta sociedade, sei que mora no Vilarejo… Preciso que encontre um bruxo para mim. Assim que a encontrar, traga-o até aqui para que eu converse com ela.
- Senhora - disse, arregalando seus olhos verdes vibrando, a criada - e se a pessoa se recusar?
- Diga que… - falou a loira, improvisando - que lhe darei dinheiro o suficiente para ir embora e nunca mais precisar se esconder!
- Direi isso, sim, senhora. - falou, num sorriso amarelo.
- Obrigada! Pode se retirar. - falou Narcissa, finalizando.
Três batidas na porta. Ginny foi rapidamente atender, não passava das 10 da manhã, era raro alguém do pequeno vilarejo estar ainda por ali de manhã, àquela hora quase todos estavam trabalhando tanto em casa, quanto na cidade.
Ginny abriu a porta e deu de cara com Marta. Já havia lhe visto algumas vezes acompanhada de sua senhora.
- Olá, o que desejas? - falou Ginny, desconfiada.
- B-bom dia - disse a moça, num sorriso amarelado - vim a pedido da Senhora Malfoy.
- E o que aquela gente quer comigo? Pagar-me para ver a mim e a minha família longe daqui? - disse a ruiva, num tom seco.
- Não, não… A senhora deseja um favor grandiosíssimo. Ela vai oferecer a senhorita dinheiro e o que eu sei que vocês que vivem aqui mais desejam: nunca mais se esconder. Liberdade.
Lucius caminhava pelo mercado da cidade, observando todos aqueles pobres coitados, trabalhadores, que ganhavam uma miséria. A maioria estava ali única e exclusivamente pela comida que seus senhores ofereciam em troca. Claro que ocorriam muitos maus tratos, empregadas com filhos bastardos, que muitas vezes optavam por matar a mãe e a criança, enfim… era um ambiente cheio de perversidades.
A família Malfoy fazia parte de muitas dessas artimanhas, estavam no mundo dos negócios, basicamente no setor agrícola e com muitos territórios.
Avistou de longe o Duque Lucas Winick, um homem muito influente, que até andava a negociar o casamento de sua filha com Draco. Fariam um ótimo negócio e aumentariam ambas suas fortunas. Lucius andou para cumprimentá-lo e o Conde apertou-lhe a mão em cordialidade.
- Conde Winick, pensou bastante naquela proposta que lhe fiz? - disse Malfoy.
- Sim, sem dúvidas - respondeu o Conde, ajeitando os bigodes grisalhos - Será um casamento e um negócio fabuloso, Senhor Malfoy. Só preciso acertar os detalhes com seu filho, certamente, e claro, com minha filha. Acho que ambos concordarão em fazer negócio…
- Com certeza; Vai beneficiar a ambas famílias, eles não precisam se gostar, somente manter as aparências nas festas da sociedade e procriar ao menos um filho. - disse Lucius, num sorriso malicioso.
O Conde gargalhou, dando uma "tapinha" nas costas de Lucius Malfoy.
- Concordo. Até já discutimos com minha filha, Veronica, sobre esse aspecto. Graças a Deus ela é bastante ambiciosa, disse que casar por amor é para moças que sonham em viver às - minguas. - falou o Conde, rindo.
- É uma moça de visão - concordou Lucius, pegando um charuto dos bolsos, e acendendo-o.
- O que preciso saber, meu caro, é se seu filho é um rapaz de visão. - disse Winick, desafiando-o - Tenho o visto pouco, está sumido.
- N-não, claro que não, - disse Malfoy, sentindo um calafrio - ele só anda indisposto esses dias, uma constipação.
- Constipação, sei. - respondeu o Conde, duvidando - De qualquer forma, quero marcar uma reunião em sua casa na presença de seu filho e minha filha. Assim que seu filho melhorar, me dê um retorno.
- Ah, claro. Será um prazer fechar acordo com o senhor - disse o loiro, com a voz fraca.
Os dois despediram-se, e Lucius observando o Conde de costas, rezando para que ninguém tivesse atrevido a soltar que Draco estava extremamente doente.
N/A: Não sei dizer há quantos meses não atualizo. Eu tenho problemas seríssimos de bloqueio e peço desculpas. Não prometo capítulo semana que vem, talvez no mês de março haja um ou dois. Aos que estão lendo, muito obrigado, me mandem reviews pra eu saber o que estão achando.
Beijos.
