- Por que simplesmente não fez um gesto e veio transportada para cá?
- Digamos que eu me sinta mais segura, tendo um pirata ao meu lado. Gosto do glamour de estar em seu navio. Sinto-me novamente rainha em sua companhia, sinto-me poderosa. Tenho os serviços do lendário Capitão Gancho!
- Aposto que sou sua moeda de troca. Já me empurrou para a morte, uma vez. Lembra-se?
- E você sobreviveu e devolveu-me o favor. Lembra-se? – Regina sorri. – Na verdade, sinto que fazemos uma boa dupla. Tenho certeza de sua discrição.
Killian confirma com um movimento de cabeça.
- Além disso, a chegada em um navio como o seu, é bem mais pomposo do que vir ao vilarejo em um carro.
Um som gutural é a risada do pirata.
O casal caminha pelas ruas estreitas e lotadas daquele vilarejo indiano. Regina mantém sua mão firmemente presa ao braço do pirata. Gostava muito de ser protegida e apreciava o instinto protetor dele. Era um cavalheiro, sem sombra de dúvida.
Mantinham os corpos juntos para passar a informarão de eram um casal e que não haveria abertura para qualquer tipo de aproximação.
- A informação que tenho é que há um vendedor de temperos que conhecem uma mulher que tem a localização exata de um estudioso. Este estudioso sabe sobre o tal amuleto. – Killian segura a cintura de Regina e a traz para junto de seu corpo.
Mais alguns empurrões depois, o casal consegue chegar a um beco onde muitos vendedores se atropelavam para conseguir convencer os turistas sobre a qualidade boa de seus produtos.
Killian aproxima-se de um homem de pele escura e traços típicos indianos. O homem tinha lindos olhos grandes e verdes, enfeitados por uma camada de kajal. Regina observa os dois homens conversando em algum dialeto desconhecido e percebe a troca de dobrões de ouro por um pequeno pergaminho.
O pirata e o vendedor ainda falam algo e riem amistosamente. O indiano entrega um pequeno embrulho ao visitante e ainda acena para Regina, que responde.
- Bom, Majestade, vamos para algum bar. Preciso de algo para limpar minha garganta.
- O que conseguiu?
Killian entrega o pergaminho para a mulher. Imediatamente, ela o abre e começa a ler.
- Reconheço esse idioma. Não é hindu. O gênio Sidney falou comigo neste idioma em várias ocasiões.
- E o que está escrito?
- É um endereço na cidade de Nova Déli. Vamos para lá?
Um sorriso largo surge na boca do pirata. Ele se assemelhava aos felinos quando sorria.
- O que ele lhe deu naquele embrulho?
- Nada. – ele dá de ombros.
- Eu o vi entregar algo em um embrulho. O que é, Killian?
- Nada.
- Killian!
Ele abre o pequeno embrulho e exibe o conteúdo. Era um lápis de kajal.O casal começa a rir.
Mesmo sorrindo, o pirata estava preocupado com a decisão de Regina em procurar aquele objeto maldito. Embora ela estivesse orientada quanto ao perigo daquela coisa, continuava decidida a tê-la sob seu poder.
Dois dias depois, o casal chega a uma casa afastada em um vilarejo. Uma casa em tijolos à vista e cercada por um jardim florido. São recebidos por uma jovem muito bonita, de olhos puxadinhos e cabelos negros.
- A senhora tem certeza de que sabe com que está lidando?
- É um amuleto, certo? Killian me explicou superficialmente sobre o poder dele. Apenas o quero para complementar os meus poderes.
- Eu percebi que a senhora é incomum. Mas seus poderes são fortes o suficiente para lidar com o que está contido neste amuleto?
Regina olha o perfil de Killian e o encontra com os olhos fixos na garota. Não a estava flertando ou admirando, mas demonstrava estudá-la.
- Eu já lidei com seres mais fortes e os venci ou controlei. Saberei lidar com isso. O que quer por ele?
- A regra é clara: o amuleto por algo que lhe pertença. – a jovem olha para o pirata.
- Desista, querida. Ele não me pertence. – Regina retira um colar que estava em seu pescoço e o entrega à jovem, que o apanha com ambas as mãos.
Ela olha o colar por alguns minutos e depois o devolve para Regina.
- Isso é apenas um adorno. Não tem sua energia nele. Quero algo que significa para você.
Regina fica pensativa e segura um anel de seu dedo. Com pesar, entrega-o à jovem e a vê sorrir.
Depois de um tempo, a jovem retorna à sala e traz um embrulho feio, marrom, feito em couro e o entrega para Regina, que imediatamente o abre, desamarrando o cordão.
De dentro do embrulho, surge uma pata de um macaco com três dedos eretos e dois encolhidos. Era velho e parecia empalhado. Fedia a pano sujo.
- Por que os três dedos estão eretos? – Killian não se contém.
- Porque são apenas três pedidos. Um pedido feito e um dedo irá encolher-se. Mas se lembrem de que para cada um dos pedidos, haverá uma desgraça iminente.
Killian dá risada. É debochado e irônico.
- Você ganha um sapatinho de cristal com salto alto e a cada passo, terá um tombo. Qual é a vantagem de ter uma "merda" como esta?
- O aprendizado. Todos que possuem a pata do macaco, aprendem com isso. – a jovem toca o braço de Regina. – Senhora, quando fizer todos os seus pedidos, livre-se da pata do macaco. Queime-a ou a venda com as mesmas orientações que eu lhe dei.
Killian não consegue conter a curiosidade.
- A quem você quer prejudicar desta vez, Majestade?
- Quero libertar um jovem aprisionado desde 1956.
Desta vez, o pirata gargalha.
- Então, ele não está tão jovem assim! Para que você quer um jovem com mais de 70 anos?
Regina sorri e maneia negativamente a cabeça. Não responde e Killian imediatamente percebe algo malicioso no ar. Ela estava mentindo. E algo terrível seria feito com a utilização daquele amuleto.
"É Cora que será trazida de volta". – ele pensa. Vira-se para a jovem e fala. – E se eu quiser reviver alguém que já morreu?
- Você consegue. – a jovem sorri encantada pelo pirata.
- Sério? Poderia reviver meu irmão? Ele viria para mim?
- Sim. Da forma como ele está, ele virá.
Os olhos de Killian arregalam-se e ele nega com a cabeça. Refuta a ideia. Trazer Liam depois de mais de 300 anos? Nem pensar! Ele se volta para Regina, mas a mulher já havia deixado a casa.
