O casal retorna para sua cidade. Regina entrega alguns dobrões de ouro para Killian e ele aceita sem pudores ou falsa vergonha.

- Apenas tome cuidado com o que fará com isso, Majestade. Deixe o passado onde ele deve estar: no passado.

- Foi o passado quem nos trouxe aqui, Capitão. Não pode ser esquecido. Ele nos fez quem somos hoje.

- Certo! Sua cabeça é sua sentença! – ele sorri e afasta-se sem olhar para trás.

Sozinha em sua casa, Regina perde-se em pensamentos. Sorri para si mesma com a felicidade dos que sabem que farão algo divertido, mas errado.

Arruma-se e consegue ficar ainda mais bonita. Perfuma-se e acentua sua beleza com maquiagem cuidadosamente feita. Apanha um casaco de peles em seu armário e o deposita em um dos sofás. Sabia que quando trouxesse o quadro e libertasse Marco, o jovem viria despido assim como estava na tela.

Usando suas habilidades, Regina transporta-se para a casa escura onde descansava a tela e por várias horas fica obervando aquela pintura viva. Aquele olhar magnífico preso naqueles traços inertes. Iria libertar Marco e fazê-lo respirar novamente. Ao contrário do que acontecera com Daniel, desta vez ela seria exitosa.

Estende os braços na direção do retrato e sorri, na esperança de que Marco sorria também. E ele realmente sorri.

Noutra cidade, longe dali, Killian brinda uma cerveja com Emma. Conversam animadamente sobre alguns assuntos aleatórios, até que Emma percebe que havia um vinco diferente na testa de Killian.

- Não pode mentir para mim, Killian. O que há com você? O que o incomoda?

- Humm...estou preocupado com a Regina. Algo nela me provocou um incomodo.

- E o que seria? Ela é esquisita e todos sabem disso.

- A rainha está de posse de um amuleto perigo demais e tenho medo de que não vá fazer bom uso dele.

Emma inclina-se para frente e encara seu belo pirata.

- Ela e eu fomos a uma viagem em busca de algo que ela ouviu falar. Algo que a ajudaria a realizar um desejo perigoso.

- E o que seria isso?

- A pata do macaco. Um amuleto amaldiçoado e que realiza três desejos acompanhados por três desgraças, caso o desejo não seja desfeito. Eu penso que Regina tentará acordar Cora.

Emma se sobressalta.

- Mas a jovem que possuía o amuleto informou-me que nesses casos, a pessoa retorna exatamente como está. Não será um retorno como ocorreu quando o autor reescreveu a nossa história. Será um retorno de onde e como Cora está agora!

Cobrindo a boca com a mão, Emma fica pensativa. Levanta-se e gesticula para seu pirata.

- Vamos atrás de Regina. Não poderemos permitir que ela se machuque ou traga outro problema para a cidade.

Enquanto isso, já de volta de seu momento de roubo, Regina deposita aquele quadro sobre um móvel e ainda o observa apaixonada. O jovem Marco era de fato a pessoa mais bonita que já havia visto em sua caminhada. Era um misto de masculinidade suavizada com traços femininos. Não havia como passar incólume aos olhos das pessoas!

Uma hora depois, a contemplação é interrompida pelo som de batidas na porta. Praguejando, Regina vai atender aos indesejáveis visitantes e encontra Emma e Killian parados na varanda da casa.

- O que querem? Estou ocupada!

- Viemos por causa da pata do macaco, Majestade. – Killian apressa-se em dizer.

- O que tem ela?

- Viemos dissuadir você da ideia de trazer Cora de volta! Será perigoso demais!

Regina sorri e nega com a cabeça.

- De onde tiraram essa ideia? – a rainha sorri para Killian e depois para Emma.

- Do seu sorriso quando me falou sobre o tal jovem aprisionado em 1956.

Emma encara a amiga.

- E que jovem é esse?

Regina gesticula para que os dois entrem na casa e fecha a porta, trancando-a. Caminha até um móvel e aponta a tela de Marco.

Tanto Emma quanto Killian ficam embasbacados com a pintura. Tamanha beleza e perfeição não passa incólume às suas almas. A cena provoca um sorriso irônico em Regina.

- Também reagi assim quando o vi pela primeira vez. Foi naquela noite depois do nosso acidente, quando buscarmos abrigo e invadimos aquela casa, Emma. – ela aponta para a tela. – Marco estava lá esperando por mim. Li o diário de quem pintou esta tela e decidi atender ao desejo de trazer Marco de volta.

- O cara está preso aí dentro? – Killian pergunta estupefato.

- O diário diz que quando a tela recebeu a pincelada final, roubou a alma de Marco. Ele murchou até perder o viço e veio morar aqui dentro. – Regina entrega o diário aberto para Killian a ponta o trecho que falava da morte do rapaz.

Killian lê o trecho e depois exibe uma careta de repugnância.

- E o cara não poderia ter morrido de tuberculose, inanição, porfiria ou qualquer outra doença? Por que tudo tem de possuir magia para existir?

- Eu li todos os diários de quem pintou o quadro. Ela diz que Marco está aprisionado aqui e que se manifestou várias vezes ao longo de décadas. – Regina mostra um sorriso insano. – Por muito tempo, eu convivi com Marco naquele quarto e posso afirmar que ele sorriu para mim!

Emma e Killian entreolham-se preocupados.

- Você retornou àquela casa apenas pelo quadro? Você o roubou de lá?

- Retornei todas as noites, Emma. Retornei para conversar e ler para Marco. Ele me entendia e correspondia com um sorriso. Tenho certeza disso!

- Eu tenho certeza de que você está em busca de chifre em cabeça de cavalo. E não falo de unicórnios! – Killian deposita o livro sobre uma mesa. – Regina, aquela jovem disse que a pessoa trazida de volta, virá como está exatamente. Já imaginou como está um cara que morreu em 1956? Você irá chamar pelo corpo dele e não por esta imagem que está no quadro!

Regina vira-se furiosa e gesticula tentando atirar Killian para longe, mas tudo o que consegue é um pequeno sobressalto do pirata. Ela olha para as mãos. Estava sem poder.

- O que houve? – pergunta Emma.

- Você já fez o pedido? – Killian mostra-se atemorizado.

- Fiz.

- E o que você pediu?

- Ora, Emma! Você tem seu lindo pirata! Eu quero alguém para mim e confesso que estou apaixonada por Marco.

- Ele não existe mais, Regina! – Killian altera o tom de voz. – Pensou que seus poderes fossem maiores do que os da pata do macaco? O pedido veio acompanhado por algo ruim e isso já aconteceu: seus poderes sumiram! E como evitará as más consequências do seu pedido?

O som estrondoso na porta mostra que alguém havia esmurrado a madeira. Os três são tomados de assalto quando outro estrondo é ouvido. Alguém com muita força queria entrar.

- A moça me disse que a pessoa viria com está exatamente, quando perguntei sobre trazer meu irmão Liam!

Novo estrondo e a porta enverga.

- Vamos sair daqui! – Killian indica outro ponto da casa.

Emma ordena a fuga dos dois e tenta usar seus poderes para retardar o visitante, mas nada acontece. Ela olha para os dois amigos.

- Estou sem minhas forças!

- Então significa que todos os poderosos da cidade estão zerados! As fadas, o crocodilo e o Merlin! – Killian aponta para as escadas. – O jeito é corrermos e ganharmos tempo...

A porta explode e assusta os três. Algo escuro e torto surge sob o batente. Uma silhueta iluminada pela luz da rua.

- Corram!