Subindo as escadas correndo, os três podem ver a silhueta escura entrar na sala principal. Cheirava a carne podre, terra e madeira molhadas. Era alguém alto e magro e parecia saber o que queria.
- Corram! – grita Killian empurrando suas amigas.
Dirigem-se para um dos quartos e imediatamente trancam a porta, apoiando um móvel para dificultar a entrada do visitante.
- Tentem encontrar algo para reforçar... – um baque violento contra a porta, empurra a madeira, móvel e Killian para longe. O pirata se estatela contra uma parede e cai zonzo.
Regina e Emma tentam unir suas forças, mas se encontram completamente desprovidas de poderes e precisam fugir da coisa que caminhava para elas.
- Quem é você e o que quer? – grita Regina percebendo que a coisa vinha em sua direção.
Emma avança e é atirada sobre a cama, com apenas um simples golpe. A loira bate sobre o colchão e vai voar ainda mais longe como se pulasse numa cama elástica.
- Eu vim... o som rouco e arrastado sai da boca do visitante. – Você me chamou...
O cheiro fétido invade o quarto e provoca náuseas em Regina. Ela cambaleia e apoia-se num móvel.
- Regina, faça outro pedido! – grita Killian tentando ficar em pé com dificuldade.
A rainha olha para o pirata e imediatamente sente seu rosto ser preso entre o que poderia ser as mãos daquele visitante horrendo.
- Você me chamou outra vez...porque me ama...eu voltei...
- Outra vez? – Emma pergunta sem esperar resposta e salta contra a criatura, mas é repudiada mais uma vez.
Killian aproveita a distração e avança, atrapalhando a intenção do visitante em prender Regina outra vez. É repudiado com facilidade.
- Faça um pedido, Regina! Mande-o embora!
O visitante aproxima-se seu rosto do rosto de Regina e emite um som que poderia ser identificado como sorriso.
- Você me chamou de novo...estou aqui...
Regina grita quando os braços imponentes do visitante fecham-se em torno de sua cintura. Ela se debate e percebe a confusão criada quando Killian e Emma saltam sobre o agressor.
- Faça o pedido!
- Volte para onde você estava, Marco! Não o quero aqui! Pata do macaco, atenda a este pedido! – Regina explode num grito rouco e tudo rodopia dentro daquele quarto.
Como se uma cena fosse rodada de volta ao início, a criatura some daquele quarto e deixa o rastro de sujeira e fedor.
Na manhã seguinte, Regina, Emma e Killian estão sentados e largados no chão da sala de estar. A lareira está acesa e eles olham o fogo como se estivessem hipnotizados.
- Já passei da idade e do peso para viver essas aventuras. Acha que a fumaça da queima da pata do macaco será perigosa?
As duas mulheres olham o perfil do pirata e permanecem em silêncio.
- Agora, precisamos devolver o quadro para o lugar dele, junto com o diário. – Killian levanta-se e ajuda as amigas a fazerem o mesmo. – E quando se apaixonar de novo, Regina, trate de encontrar um homem menos complicado.
- Precisamos fazer isso rápido, Regina. Temos uma casa imunda para limpar. – Emma toca o ombro da amiga.
- Vocês têm razão. Vamos devolver Marco para onde ele não deveria ter saído. – Regina apanha a tela embrulhada em lençol e gesticula para que os amigos aproximem-se. Ela estava mais tranquila, depois que seus poderes haviam retornado como consequência da destruição da pata do macaco.
Em poucos minutos, os três estão parados estáticos e incrédulos diante das ruínas de uma casa. Tinham sido trazidos em meio a uma nuvem roxa em um dos truques de Regina.
- O que aconteceu aqui? – Regina mostra-se incrédula e decepcionada.
- Pela quantidade de destroços era uma casa grande. – o pirata comenta em tom suave.
- Regina e eu nos abrigamos aqui depois do acidente.
- Pelo visto nem mesmo o dono ficará abrigado. – Killian aponta para uma pessoa caminhando próximo aos escombros. – Será que alguém morreu soterrado?
Os três aproximam-se das ruínas e são recebidos pelos olhos escuros de uma jovem de cabelos claros e cacheados.
- A casa era sua? – pergunta Regina demonstrando preocupação. – Alguém se feriu?
- Oh, não! Eu apenas cuidava dela. – a jovem dá de ombros. – Mais cedo ou mais tarde a casa iria sucumbir. Havia uma fenda que a iria abrir em duas partes a construção.
- A queda da casa de Usher? – resmunga Killian. – Já vimos o Retrato Oval e a Pata do Macaco...o que falta? Crepúsculo? Harry Porter?
Emma e Regina entreolham-se.
- Fui enviada por uma agência para cuidar desta casa e faço isso há anos, mas vejam o que encontrei hoje. Caiu durante a noite.
- Isso é horrível. – Killian apanha um castiçal amassado e observa a peça. Devolve-a aos escombros.
- Hum! A companhia de seguros virá avaliar os estragos.
- Tem para onde ir? – Emma sorri.
A jovem sorri ainda mais.
- Eu apenas visitava a casa e zelava para que não houvesse invasões. Limpava tudo, mas isso aconteceria em breve. A abertura era tão grande que podíamos ver o outro lado por ela. Eram quase duas casas.
Regina caminha até a jovem e entrega-lhe a tela embrulhada no lençol.
- Eu tirei essa tela da casa, ontem ao entardecer. Veja o que pode fazer com ela.
A menina apanha a tela e delicadamente começa a desembrulhar. Ao abri-la, faz uma careta de desentendimento e encara Regina.
- Por que você pegou isso daqui? Essa moldura é igual à...
- Eu fiquei embriagada pela pintura e decidi roubá-la. Mas meu roubo trouxe algumas consequências estranhas.
Killian envolve os ombros de Emma com seu braço e a conduz para junto de Regina e da jovem.
- E por que resolveu roubar isso?
- Eu me apaixonei pela pintura. – Regina sorri constrangida. Enrubesce. – É perfeita! Quase viva! Os olhos do modelo me apaixonaram...
A jovem levanta as sobrancelhas e acha graça nas palavras da desconhecida. Vira a moldura para o trio e faz uma pergunta muda: apaixonar-se por uma moldura com uma tela em branco?
Killian cobre o rosto com a mão e começa a rir.
- Bom, senhoras, creio que temos de retornar para nossos amigos em Storybrooke. Alguém entre nós, deixou alguém entre eles.
- E lá vamos nós! – caçoa Emma.
FIM.
