2. Capítulo 2
Quando Peter chegou na Penitenciária no dia seguinte, Chris estava com cara de poucos amigos, uma carranca profunda no rosto. Ele sorriu, apreciando a infelicidade de seu parceiro de trabalho. Felizmente, o beta não queria reclamar e Peter estava completamente abordo com isso, já bastava a sua noite cansativa. Ele vestiu seu uniforme e o capacete e foi fazer a sua ronda, passeando pelas 64 celas no mesmo ritmo de todos os dias, até que ele parou no meio do caminho do segundo andar. De onde ele estava ele podia ver que o prisioneiro bem, já que o garoto estava perto das celas.
Ele não era magro, na verdade ele tinha uma musculatura forte, ombros largos, queixo quadrado, era mais alto que Peter e teve o cabelo cortado antes de vir, uma vez que a foto em sua ficha ele tinha cachos loiros bonitos. Mas Peter ignorou o que estava pensando e desceu para o primeiro andar, era hora do banho e almoço dele. Assim que ele chegou em frente a cela, o ômega levantou os olhos, olhando assustado para o guarda e mais uma vez, Peter quase sorriu. Mais uma vez ignorando seus impulsos, ele destravou a cela e entrou, vendo o menino recuar dois passos.
Mais perto agora, ele podia ver que o menino ostentava um roxo nos olhos, hematoma que não estava ali quando Peter deixou ontem. Ele deveria ter verificado a ficha antes de vir, ele não sabia como o menino tinha se machucado, se foi Chris ou ele mesmo que tinha se machucado. Peter mordeu a mandíbula e puxou o ar pelo nariz, lembrando-se ele não podia cheirar nada com o capacete.
— O que aconteceu com o seu rosto? — Peter perguntou pegando as algemas atrás das costas.
— E – Eu, hun... — o menino se remexeu e recuou de novo.
— Eu não vou me repetir. — Peter disse mais autoritário.
— E – Eu fiz isso em mim... Pa – Para eu conseguir dormir... — o menino respondeu sem olhar nos olhos de Peter.
— Certo. — Peter balançou a cabeça em realização — Vire-se.
O menino se virou e Peter colocou as algemas nos pulsos dele, logo depois desfazendo as algemas que o mantinham na cela. Abaixando-se para destravar as pernas, ele se preparou para um ataque, isso era bem comum, que os prisioneiros aproveitassem para tentar correr ou agredir, mas Isaac permaneceu no lugar em que estava. Depois de preso, Peter agarrou-o pelo braço e começou a puxar Isaac pelo corredor. Peter conhecia bem o caminho, olhando de lado para o adolescente, ele parecia aéreo, olhando entre as celas e outros andares. Eles passaram por uma porta e finalmente chegaram a área de banho.
Assim que Peter desfez as algemas do garoto o menino esticou os braços para cima, fazendo Peter entrar em guarda. O menino deu dois passos para frente e começou a desfazer de suas roupas, ironicamente dobrando-as e entregando a Peter. O oficial não deixou de perceber as cicatrizes profundas nas costas da criança, um corte especial de três linhas na cintura ainda estava com pontos. Olhando para ele, Peter viu também que ele tinha alguns hematomas verdes nos braços, provavelmente da luta com o alfa. Ele se lembrava de todas essas cicatrizes na ficha e pensando agora ele tinha que ver para quando era a visita médica.
O menino ligou o chuveiro e entrou em baixo da agua fria, Peter se virou e saiu da sala por alguns minutos, pegando as novas roupas do prisioneiro. Ele voltou para a sala de banho para encontrar o menino ajoelhado no chão de costas, a cabeça escorada na parede. Peter se aproximou e puxou o menino pelo braço com força, fazendo ele chiar e se debater. Sem pensar duas vezes ele torceu o braço do menino nas costas, empurrando-o contra a parede e colocando a outra mão no pescoço do ômega fazendo ele se submeter. O adolescente não disse nada, nenhum murmúrio, mas ele tremia com todo o corpo; depois de alguns segundos segurando o menino contra a parede ele percebeu que a criança estava chorando e, pensando que ele já deve ter se acalmado, Peter se afastou, vendo-o cair no chão ajoelhado.
Mesmo que estivesse chorando, Peter não conseguia ouvir nenhuma palavra dele, ajoelhado no chão, inclinado para frente, o menino ficou por alguns segundos, respirando o mais silencioso que podia. Peter não tinha que esperar que o ômega voltasse aos seus sentidos, na verdade, como Peter tinha forçado ele a se submeter, era mais fácil trabalhar. Mais uma vez ele puxou o menino para cima, fazendo-o ficar nas próprias pernas, mas então o ômega se apoiou em seu braço e começou a respirar muito rápido para o seu bom gosto, apertando o braço e tremendo. Os olhos não conseguiam se focar em Peter, fazendo o ômega olhar assustado para todos os lados. Com a mão que estava livre Peter agarrou a cabeça do menino para que encontrasse os olhos, mas o menino começou a olhar para o teto chorando e se remexendo.
Era como se o menino tivesse drogado, os olhos estavam quase completamente negros e ele não conseguia se manter em pé tanto que Peter teve que segurá-lo contra a parede. O menino ainda estava mexendo a cabeça para um lado e para o outro, murmurando alguma coisa. Peter não tinha sido treinado para isso, ele não sabia como proceder. O menino não estava atacando, mas ele não estava em sua própria consciência também. Sem pensar muito bem no que fazer, ele puxou o capacete fora de seu rosto e segurou o rosto do menino de volta, sem se preocupar com o chuveiro ainda ligado, eles sempre disseram que ômegas gostavam de contato. Ele tirou as luvas e deu alguns tapas no rosto do menino, mas também não ajudou ele a se focar. Peter decidiu apagar a criança colocando uma mão no pescoço dela e preparando um punho. O menino parou no mesmo momento, olhando fixamente para Peter.
Quando Peter puxou o ar para seus pulmões com força ele percebeu o cheiro doce e inebriante do garoto. Ele estava tão preocupado que não percebeu que o menino tinha entrado no cio e olhando para o corpo do ômega agora ele viu uma ereção ali. O ômega começou a choramingar de novo e Peter teve que tapar o nariz, sentindo o cheiro ficar cada vez mais forte e excitando-o. Ele nunca esteve com um ômega desde que perdeu sua esposa há 25 anos, nenhum cheiro já tinha chamado sua atenção desde então, mas esse garoto... Olhando para o chão, ele procurou o capacete, mas estava longe já que ele tinha jogado fora para acalmar o garoto. Peter estava tão preocupado em achar uma solução que nem percebeu quando o ômega esticou o braço para a sua cabeça e selou seus lábios, beijando-o.
Peter não se controlou, enfiando a língua na boca do ômega e beijando-o com fúria, mordendo os lábios. Ele o segurou puxou a cabeça do ômega, movendo a cabeça dele para o lado e beijando-o como se dependesse disso. Peter sentiu o menino se agarrando a sua roupa e esfregando sua ereção na perna do alfa, que sorriu e direcionou a mão para a bunda do ômega, esfregando o dedo no buraco liso do adolescente. Contudo, assim que ele fez isso, Peter voltou a si, empurrando o garoto com força para a parede. Isaac chorou e caiu no chão de joelhos, Peter voltou a tapar o nariz, tentando abafar o cheiro tentador do ômega. Agora ele sabia o porquê da exigência ser alfas acoplados a ômegas, se todos eles eram assim quando estavam no cio, Peter não sabia como suportar. Peter se afastou, agarrando o capacete e colocando-o na cabeça, sentindo o ar que respirava não ter cheiro de nada. Dando um suspiro quase aliviado ele viu o ômega no chão, escorado em sua perna e esfregando o rosto nela.
Pegando o menino pelo pescoço de novo, ele sorriu quando o garoto olhou para ele com os olhos semicerrados e a boca vermelha aberta. Ele fez um carinho na nuca do ômega, fazendo o menino relaxar e soltar um gemido. Peter puxou o ar de novo, mas dessa vez estava limpo por causa do capacete e, fazendo a mão direita formar um punho, ele bateu na cabeça do ômega com força, fazendo-o desmaiar na mesma hora. Agarrando o corpo do menino, ele vestiu-o com a nova roupa e pegou-o nos braços, levando-o de volta para a cela. Ele colou o menino deitado no colchão e começou a prendê-lo de volta na cela. Ele saiu correndo dali, indo para o seu vestiário. Era como se todo o seu corpo queimasse. Ele desfez o seu uniforme e entrou na ducha quente, esfregando com força a pele, mas a verdade era que ele não conseguia tirar o cheiro do menino do nariz.
