3. Capítulo 3
Peter sentia sua cabeça rodando, o corpo estava em chamas e o único pensamento em sua cabeça naquele momento era correr para a cela do prisioneiro e toma-lo como seu ômega. Aquele cheiro doce e inebriante do garoto no cio estava deixando Peter louco, nem mesmo o chuveiro frio estava resolvendo seu problema entre as pernas ou no corpo todo. Depois de quarenta minutos em baixo do chuveiro ele se acalmou o suficiente para sair do banheiro e vestir parte dos eu uniforme, deixando a jaqueta de lado porque o cheiro de Isaac ainda era latente na camisa. Ele sabia o que tinha que fazer, agora que estava mais consciente, ele tinha sido treinado para isso e, portanto, pegou uma receita médico e escreveu os medicamentos que necessitava para essa situação.
Assim que ele entrou no corredor, ele já esperava encontrar o cheiro de Isaac, mas felizmente já tinha se dissipado. Ele caminhou pelo corredor indo até a ala médica e quando chegou na sala, xingou-se em pensamento. Ele tinha esquecido o capacete e a jaqueta no armário do vestiário e Melissa provavelmente iria brigar. Assim que ele entrou, foi dito e feito, a mulher olhou brava e apontou com uma careta para o corpo dele e Peter contou que teve uma briga com o prisioneiro e teve que trocar de roupa. Ela ainda olhou em retaliação, mas pediu a receita que estava nãos mãos de Peter e o oficial entregou, esperando pacientemente pela reação da beta com o que estava escrito.
— O prisioneiro está perto do cio? — ela ascendeu os olhos em surpresa.
— Sim. — Peter mentiu, na ficha do garoto dizia que demoraria ainda mais de um mês, mas o ômega já estava nele — Ele está agressivo, eu tive que bater nele.
— Por isso os analgésicos... — ela deduziu e ele concordou — Para que são os sedativos? — ela pergunta, se virando para o armário de remédios.
— Ele não consegue dormir. — disse Peter, mentindo novamente, ele precisava manter o garoto inconsciente até o cio acabar — Terrores noturnos, eu acho.
— Você acha? – ela diz, hesitando ao assinar a receita. — Eu não me lembro disso na ficha dele...
— Trauma, na verdade. — Peter disse observando a mulher colocar várias seringas em uma caixa médica e finalmente assinar a receita.
— Tudo bem, aqui está. — ela diz, entregando à ele. — Os analgésicos são de seis horas. O sedativo é imediato, dura seis horas cada seringa. Os supressores são de 10 horas.
— Entendi. — Peter respondeu e pegou a maleta, saindo da sala com um aceno.
Ele sabia que tinha que voltar para o vestiário e vestir o seu uniforme, mas ao mesmo tempo ele queria sentir de novo o cheiro do garoto, tocá-lo; por isso ao invés de dar meia volta ele foi para a cela do menino, parando na frente dela respirando devagar. Quando ele olhou bem para dentro Peter observou que o menino continuava inconsciente o que o deixou preocupado. Ele segurou a respiração e destravou a porta de vidro, finalmente entrando na cela do ômega. Peter esperou a cela de fechar antes de voltar a respirar e quando ele puxou o ar carregado, era como se seus sentidos amplificassem ao mesmo tempo em que sua mente zoneou, ele tinha que dar apenas quatro passos para chegar a cama de Isaac, mas ele não sabia se conseguiria.
Ele fechou os olhos para se acalmar e começou a caminhar inconscientemente para perto do ômega e quando abriu estava ao lado da cama. Ele sentou-se na cama, colocando a maleta em seu colo; ele sabia que tinha que se concentrar agora, ele não podia deixar os seus sentidos tomarem conta. Abrindo a maleta, ele retirou a seringa vermelha — dos supressores — e a deixou separa das outras; agarrando o elástico, ele prendeu o braço do ômega e bateu, esperando a veia aparecer. Dois segundos depois ele abriu a embalagem da seringa e colocou a agulha na direção da veia, perfurando com cuidado e injetando o remédio. Depois de pronto, desfez o elástico, guardando-o.
Ele colocou a seringa usada em um saco próprio e voltou a guardar dentro da caixa, que agora estava no chão. Quando Peter voltou a olhar para o garoto, percebeu como o menino estava suando na cama, o roxo em seu rosto muito mais profundo depois de dois golpes fortes. Peter tocou a marca, vendo o garoto fazer uma careta, mas ainda não abrir os olhos e sorriu, passando a mão pelo cabelo curto. Ele percebeu que o menino começou a tremer por causa do efeito do remédio e segurou sua cabeça, observando-o abrir os olhos mas ainda sem focá-los, o mesmo de antes.
Peter não pode deixar de admirar Isaac, os lábios rosados dele, a pele pálida e até o machucado no rosto contribuía para deixa-lo excitado. Passando a mão pela bochecha e pelo queixo quadrado dele, Peter viu como o menino se acalmou, agarrando-se com a mão direita ao braço de Peter. Sem pensar muito, Peter abaixou a mão, agarrando o pescoço do garoto com a mão direita fazendo-o abrir os olhos assustado. Mas ele não emitiu nenhum som, só abriu a boca e tentou respirar mais fácil; sorrindo, Peter apertou o pescoço do adolescente, vendo-o se contorcer, mas ainda não dizer uma palavra, apenas olhar nos olhos de Peter e o oficial estava gostando disso.
Peter não conseguia entender como um ômega que assassinou o próprio pai da forma que essa criança tinha feito — rasgando completamente o tórax e vísceras — não conseguia revidar um ataque. Talvez fosse por causa do cio, mas ômegas e alfas tornavam-se mais agressivos nessas épocas, por isso não era um fator. Peter estava curioso com o garoto, interessado no que tinha levado Isaac a matar o próprio pai. Quando Peter viu as lágrimas nos olhos de Isaac e que o menino estava completamente sufoca, ele largou o pescoço do garoto, sentindo-o soluçar na cama, mas novamente, sem se mover um centímetro para longe.
Peter sentiu-se um pouco culpado, ele não pretendia machucar o ômega dessa vez. Tinha sido um acidente. Ele puxou o menino para perto de si, colocando todo o peito do ômega contra o seu e acariciando a cabeça dele, tentando acalmá-lo do choro. O adolescente se encolheu, ficando ainda mais perto de Peter, sentindo as lagrimas desceram com força sobre o seu rosto. Peter abaixou a cabeça colocando um beijo no topo da cabeça do menino e embalou ele durante alguns minutos, mas isso não parecia fazê-lo acalmar. Depois de dez minutos assim, Peter perdeu a paciência.
— Pare de chorar. Agora! — Peter mandou e o menino congelou no lugar.
Dando mais um suspiro, Peter voltou a balançar o menino para trás e para frente, acalmando-o como se faziam com os bebês. Peter percebeu quando o menino se remexeu, olhando para cima finalmente. O rosto estava vermelho e inchado, completamente molhado de suor e lágrimas, mas para Peter o adolescente nunca pareceu mais bonito. Ele viu que o ômega estava lhe olhando confuso, a pupila de volta ao normal finalmente, até mesmo o cheiro do cio já tinha diminuído consideravelmente. Tanto era verdade que Peter pôde finalmente raciocinar direito, o que o levou a repensar o fato de que ele era um carcereiro segurando um prisioneiro violento com histórico homicida nos braços, mas olhando agora para ele, não era como se ele fosse muito agressivo.
Peter desvencilhou-se do ômega com rapidez e brutalidade, soltando os braços do corpo do garoto e se levantando da cama. Isaac gemeu em desconforto, agarrando o braço de Peter de volta, mas o homem puxou para longe bruscamente, quase fazendo o ômega cair no chão com o movimento. Peter suspirou e passou a mão no cabelo, olhando para o garoto em sua frente com uma cara ferida, mas ele não podia fazer nada.
— Como você está se sentindo, Isaac?
— Suado, pegajoso... — o garoto voltou a se esticar para frente e Peter recuou, fazendo o ômega chorar de novo — Dói... — ele disse, sentando-se na cama.
Peter percebeu que o menino estava se encolhendo na cama, o corpo voltando a tremer. Isaac voltou a puxar o ar pelo nariz com força, colocando um dedão na boca e mastigando, olhando para os lados e para o teto. Peter se lembrava disso, era quase a mesma cena do chuveiro, quando a cabeça do menino caiu nos joelhos ele viu as pupilas começarem a dilatar novamente. Peter se aproximou, percebendo que o garoto ainda tinha percepção suficiente para acompanhar os movimentos. Peter levantou a cabeça do menino, vendo-o apertar os olhos e se focar no rosto de seu carcereiro.
Aquela não era uma reação comum, nenhum ômega que ele ouviu falar ficava regredido ou tímido quando estava no cio, na verdade, era basicamente o contrário. Peter presumiu que aquilo fosse uma resposta automática, mas não natural do ômega. Ele voltou a deitar o ômega, que começou a olhar assustado de novo e de um lado para o outro.
— Você precisa deitar... — Peter disse e o menino começou a se debater em seus braços. — Isaac, pare. — ele mandou, mas isso só pareceu deixa-lo mais assustado e forte.
Peter estava se perguntando se teria que bater no menino de novo quando sentiu-se ser empurrado com uma força desumana para o chão da cela e logo depois um corpo estava sobre o seu, apertando o seu pescoço. Ele abriu os olhos depois do baque e viu que Isaac estava ali, começando a sufocá-lo. Ele tinha sido pego de surpresa, ele não esperava por um ataque, mas Isaac era um prisioneiro violento afinal. Se ser agressivo não era a primeira resposta dessa vez, Peter ia tentar outra abordagem.
— Você não vai me colocar lá de novo! — o menino disse, com os olhos vidrados.
— Isaac, está tudo bem... — ele diz, sentindo o ar vir mais dificilmente — Isaac, eu não vou colocá-lo em lugar nenhum...
— Eu não vou para lá! — o menino começou a chorar, apertando com mais força.
— I-Isaac... — Peter chamou colocando as mãos nas coxas do menino para movê-lo quando fosse necessário — Você não vai para lugar nenhum, Isaac. Para lugar nenhum...
Peter sentiu o menino parar de se mover inclinando a cabeça de leve, a expressão facial ficando mais suave e Peter resolveu aproveitar isso para puxar os braços do menino do seu pescoço que saíram com facilidade agora. Peter trocou os dois de lugar em um movimento rápido, ficando sobre o corpo do ômega que estava lhe olhando surpreso e confuso agora. Quando Peter olhou para aqueles olhos azuis assustados ele sorriu.
— Você se esqueceu? — Peter aumentou o sorriso, prendendo o menino no chão que parecia finalmente aterrorizado, as lagrimas dos olhos finalmente saindo — Você está preso aqui! E não há ninguém para você lá fora!
O menino começou a se debater e Peter sorriu, ajustando suas pernas e mãos para segurar firmemente o corpo do adolescente no chão, imobilizando-o da melhor maneira que conseguia. Peter só conseguia rir das tentativas patéticas do garoto de fugir.
