– Para onde está me levando? – Saria perguntou por instinto; não que questionasse as ações de Link, mas gostaria de saber o local para onde seguiria.
No entanto, não recebeu resposta. Não soube dizer se o garoto a estaria ignorando ou não ouvira sua voz cujo tom de tão educado timbre era praticamente inaudível. Correndo em ritmo moderado, o suficiente para que a garota o acompanhasse, não demorou para que atravessassem a ponte que conectava o Hyrule Field (Campo de Hyrule) por Lost Woods a Floresta Kokiri.
A luz do sol de tão brilhosa fizera Saria fechar os olhos e pôr o braço na direção dos raios a fim de evitar o incomodo. Link, por outro lado, parecia não se importar, ou estar acostumado. Correram mais adiante, o ritmo diminuindo sequencialmente, até, por fim, pararem.
– Está pronta? – O garoto perguntou.
– Pronta? Pronta para quê? – Ela sentiu as mãos desvencilharem para poder vislumbrar Link pegar do bolso sua Ocarina.
Não houve mais palavras. O jovem herói, excêntrico, como de praxe, executou uma belíssima melodia, enquanto o corpo teimava em ir para cá e acolá, quase dançando. Não tardou em aparecer, correndo pela vasta planície esverdeada, um vulto ruivo, quase intocável, trotando, pode-se dizer, brincalhão. Era como se atendesse e seguisse a melodia tocada por Link. Na verdade, era exatamente isso.
Saria fitou a égua com graça, apercebendo-se desnorteada segundos depois. Epona, em toda sua magnitude, esbanjava e emanava uma beleza fora do comum. Não sabia dizer ao certo se era a empatia que a equina transmitia ou se sua aparência era responsável por tal efeito. O que importava, naquele instante, era como o sol a iluminava e refletia sobre os pelos muitíssimos bem cuidados.
A garota, perdida nas nuances de Epona, não notou que, ao longe, aproximava-se deles um espécime rara de planta, curiosa principalmente pelo seu formato e meio de locomoção. Grandes hélices podiam ser vistas em um movimento rotatório contínuo. Não só a velocidade das lâminas na base daquele grande abacaxi parecia aumentar como também o barulho e o vento em consequência do voo conforme chegava mais perto.
– L-Link! Olha! – Ela apontou com o indicador, tremendo.
No entanto, o garoto já havia interrompido a canção e a atmosfera ao seu redor sofrera uma mudança drástica. Sem muita opção, já que a planta vinha com extrema violência para feri-los, Link saltou sobre Saria, impedindo que esta fosse cortada ao meio pelas enormes lâminas na base do inimigo, que logo retornava aos céus para mais um ataque. Com um assobio, além de quebrar o pânico instaurado na garota, Link chamara Epona para juntar-se a eles.
– Quero que se proteja. Suba na Epona e saia daqui o quanto antes.
– Não! Eu não posso… Não posso te deixar sozinho!
– Vai ser perigoso se ficar aqui!
Forçado a agir, já que, mais uma vez, a Peahat vinha para ceifá-los, ele segurou Saria pelo colo, pondo-a sobre Epona de maneira que ela mesma se acomodasse sobre a égua. Com um tapa suave, Link fizera a equina iniciar o trote, levando Saria para um local seguro.
– Isso mesmo. Agora é só você e eu, seu abacaxi chapéu de ervilha gigante!
Um sorriso destacou-se naquela pequena face agora enrubescida pela adrenalina. Era disso que ele gostava. Era para isso que tinha nascido. Sacou o escudo e a espada, pondo-se a defender do ataque. Desse modo, a planta sofrera um recuo que fora suficiente para atordoá-la por segundos, segundos preciosos em que Link aproveitou para deferir um ataque direto com a ponta de sua lâmina. Contudo, para sua surpresa, as hélices retomaram o movimento, repelindo a ofensiva e arremessando a espada para o alto.
De longe, Saria assistia tudo. Estava preocupada, como sempre, mesmo que soubesse os problemas maiores nos quais Link já havia se metido. Aquela planta não era páreo para ele. Mesmo assim, algo dentro dela clamava mais alto. Uma sensação difícil de se descrever. Algo acelerava seus batimentos, e um frio na barriga, de repente, tornava-se constante, assim como um nervosismo sincero que podia se perceber até no olhar. Apesar de se manter quieta, secretamente gritava pela vitória dele e mal podia esperar para recebê-lo de braços abertos.
No relance de sua perda, em que via a espada rodopiar pelos ares, Link rapidamente observou a situação. Olhos estreitos, pés firmes. Não correria. Protegeria Saria e Epona. Era agora ou nunca. Com a nova investida do vegetal foi com um rolamento que o garoto passou por debaixo das lâminas. Agora estava em vantagem. A parte vulnerável estava à sua mercê. Quase riu. Quase porque em lutas não é admissível a distração, por menor que seja ou que possa parecer. Sacou do bolso seu estilingue mais uma Deku Seed (Semente Deku). Foi preciso e certeiro. Não o suficiente para derrotá-la, mas para ganhar tempo.
"Minha chance!" – Pensou.
Partiu em direção à espada fincada ali pelo gramado. Enquanto isso, a Peahat, recuperada, vinha para mais um ataque. Link conseguiu chegar a tempo de reaver seu precioso item. Ainda assim, ao virar-se, não mais que alguns metros de distância, a planta vinha a toda velocidade. Se tentasse novamente perfurá-la com sua espada, poderia falhar e, naquela circunstância, talvez não saísse dali inteiro para uma revanche. Do bolso, mais uma vez, retirou outro objeto. Desta vez, seu estimado bumerangue. Daquele ângulo será que conseguiria acertá-la no ponto fraco? Não podia contar com suposições. Arremessou, com força e, mais uma vez, certeiro.
– Isso! – Saria comemorou ao longe.
– É agora!
Aproveitando-se da queda livre momentânea do vegetal, Link correu para arrematá-la com sua espada. Antes que, de fato, a criatura encontrasse o solo, o garoto deslizou por debaixo dela. Teve tempo suficiente de fincar-lhe a lâmina e sair ileso. A grande planta jazia agora inerte e sem vida.
– Ufa… – Comemorou como uma espécie de alívio.
Mal teve tempo, contudo, de respirar. Epona já trazia a garota sã e salva. Agora muito menos preocupada.
– Você conseguiu! – Ela comemorou agora, quase abraçando-o mesmo sobre a égua.
– Você tinha dúvidas quanto a isso? – Brincou, em um tom debochado.
– Claro que não! – E então os dois riram.
Andaram um pouco para se distrair. Link acompanhava-as a pé, enquanto Saria cavalgava em Epona. Não tinha muito o que se mostrar, no fim das contas. Podiam ver, em grande destaque, a entrada aberta para o Hyrule Castle Town, os caminhos que levavam para Lake Hylia e Gerudo Valley mais a oeste e, a leste, para Zora's Domain e Kakariko Village. Localizado, tecnicamente, em frente a entrada da cidade do castelo de Hyrule havia também o Lon Lon Ranch; local, por sinal, em que Link conhecera Epona e aprendera sua canção com uma amiga.
– Há algum lugar que queira conhecer? – Ele perguntou.
– Em especial... Não sei. Mas, nossa... Você conhece isso tudo?
– Tudinho.
– Impressionante. Não teve medo?
– Não sei bem. Quer dizer, algo dentro de mim sempre me impulsionou, uma coragem que só depois descobri estar relacionada à Triforce. E, bem, eu nunca estive sozinho. Sempre tive a Epona comigo – E, com isso, lhe acariciou a testa – e a Navi, também.
– Entendi... – Ela parecia pensativa. Dificilmente saberia-se dizer o que estava se passando em seus pensamentos – Bem... Podemos ir ao Lon Lon Ranch? Gostaria... de ver outros animais. Sabe, eu gosto muito deles e na Floresta não tem muitos.
– Claro! Vamos agora mesmo! Há alguém lá que tenho que te apresentar!
"Alguém?" – Ela nem imaginava quem podia ser e isso despertou algo além de curiosidade. Por um momento, até relutou e pensou em mudar de curso, mas já era tarde.
Link, agora, andava a frente, guiando as companheiras. Dali alguns minutinhos estariam adentrando os domínios do rancho de Malon.
Bom, aqui está! E nem imaginava, na verdade, como proceder aqui. Sabe quando se começa a história apenas com o início em mente? Então. Hahaha. Quanta irresponsabilidade! No entanto, já estou a bolar o fim! E o meio Link e Saria me mostraram por onde quiserem prosseguir.
Espero que estejam gostando. Gostaria de fazer algumas considerações, antes que haja aqui uma clara revolta: Nos jogos de OoT Link não consegue chamar Epona quando pequeno. Ainda assim, como considero, pretendo e de fato é uma história de transição para Majora's Mask e, lá em Termina, Link consegue chamar a égua criança, fiz com que conseguisse fazê-lo aqui também.
Bem, acho que é isso. Digam se gostaram. Prometo não demorar mais tanto. Mandem suas sugestões. São os leitores, na verdade, me que fizeram prosseguir. Muito obrigado a todos! (mesmo que não tenha ninguém) Haha.
