-Pai! – Foi desperto de imediato daquele pesadelo tão real, que teve a impressão sonora de sua própria voz. Sentou-se ao leito, flexionando uma das pernas e apoiando um de seus cotovelos no momento em que passava as mãos no rosto para tentar esquecer – novamente – aquelas cenas. O lençol escorregou por suas pernas nuas.
O outro sentiu certa movimentação na cama, e como estava de costas ao irmão, virou o rosto, e abriu de forma sonolenta os olhos. -Kan... – Murmurou. -Tudo bem?
-Não. – Respondeu no mesmo tom. -Aquele maldito pesadelo... Aquele dia... – Respondeu em um tom frustrado. -Quero me livrar dessa porra de lembrança, Saga.
O tom da conversa dos dois chegava a ser um sussurro. O mais velho então se movimento na cama e sentou também, passando um dos braços em volta aos ombros do irmão. -Não se torture. Desde sempre pensa que tem alguma culpa. – O viu esfregar o rosto mais uma vez. -E você mão tem, sabe disso.
-Não pudemos fazer nada.
-Kan, ele protegeu a gente. Com a vida. O que aconteceu foi injusto... Mas você mesmo lembra a promessa que nós dois fizemos, não lembra?
-Preciso me vingar, isso não é justo! – Perdeu os próprios dedos nos fios loiros, revoltado. Sua mente estava perdida em tentativas próprias de respostar. -Ele era um homem justo! Não merecia isso! NÃO!
-Kan, não chora mais. – O coração já estava partido por uma perda e ver a pessoa mais importante naquele pranto, destruía ainda mais o seu interior. Mas, avançou ao gêmeo e pegou em suas mãos. -Vamos vinga-lo juntos. Olha para mim. – Em meio as correntes de lágrimas que escorriam aos olhos do mais novo, o fitou, como foi pedido enquanto seu rosto era segurado pelas duas mãos quentes de Saga.
-Hum...? – Aguardava as palavras dele, ansioso.
-Lembra quando falamos da nossa faculdade? Que faríamos a mesma? O que seríamos quando crescêssemos? – O viu balançar a cabeça, concordando. -Vamos nos formar em profissões que poderemos vinga-lo. Entender de tudo e quem sabe, caçarmos quem fez isso com ele!
Viu um sorriso fino surgir nos lábios de Kanon. -Isso. Resolveremos o que ele não pôde terminar. – Saga lia a esperança clara naqueles olhos tão belos e nisso, também sorriu.
-Jamais esquecerei daquele dia, também. – Acabou cedendo ao carinho do mais velho de encostar a cabeça uma a outra. -Mas tenho medo. Você está na mesma profissão dele, Saga – Complementou, sério.
O outro afastou o rosto e o olhou, preocupado. -Kan. Eu sei que... É instável. Mas enquanto eu viver, protegerei você.
-Odeio quando fala assim.
-Mas é verdade, maninho. Ei... Olha para mim. – Enquanto pedia, trazia com as mãos ao rosto dele, bem próximo e a fitar um a outro. O moreno tocou ao peito dele, nu, a mão em cima de seu coração. -Kanon, protegerei você. Sim. Sendo palavras cruéis ou não. Eu te amo. Mas isso você sabe que não é de hoje, sempre lhe jurei proteger.
Saga deu um sorriso carinhoso e aberto, assim, poderia convencer o outro a não se entregar às lágrimas.
-E eu sempre jurei amar você, Saga.
