-Ele sabe como dar uma bela festa. Hm.

-Segundo o relatório, na casa da piscina está o cofre com as informações que precisamos.

-Temos contagem? – Seu olhar passava por toda a extensão da casa, pensativo em como proceder.

-Relativamente, não. Mas o quanto mais cedo tivermos isso para fechar o perfil, poderemos pegar em flagra. – Viu o parceiro balançar a cabeça, concordando.

-Claire, terei cobertura se o pior acontecer?

-Está com medo?

-Não tenho medo de nada.

-Ótimo. Porque isso deve ser fácil para você. Já fizemos buscas piores. – Sorriu maliciosa ao canto dos lábios. Era ambiciosa, e quanto mais difícil a operação, melhor para si.

-Eu sei. – Não evitou sorrir da mesma forma. A última que se lembrava, havia deixado Kanon em pânico, e seu coração esquentou por recordar o dia do retorno: o gêmeo ficou deitado consigo um dia inteiro, enquanto conversavam.

-Algum recado para o seu irmão?

-Sim.

Ela virou o rosto para Saga, enquanto segurava com mais força as mãos no volante. Ainda sorria maliciosa, enquanto aguardava.

-Diz para ele que eu levarei o jantar. – Ouviu um riso discreto dela, nisso, o geminiano abriu a porta do carro dela e saía enquanto arrumava o terno.

-Se divirta nessa festa de pijama. – Saga deixou um riso alto sair de seus lábios. Antes de atravessar a rua, verificou convite, arma, o necessário para por fim, invadir a festa de Ewan Collins; filho playboy de Edward Collins.

De geração a geração, a arte do tráfico de drogas, mulheres e armas fazia fortuna à suja família Collins. Extremamente respeitados no meio e poderosos, mantinham o controle do crime em muitas regiões estado-unidenses, inglesas, russas e orientais, incluindo desde países como Síria e Palestina, como China e Coréia do Norte.

De fachada, Ewan tinha em sua posse alguns clubes e boates noturnas de luxo. Possuía coleções ilegais de carros de luxo. E naquela noite, dava uma festa a conhecidos do meio, para celebrar novas posses.

Saga sabia da boa parte das personalidades ali naquela noite e se infiltraria como um dono de terras grego com interesse nas atividades do criminoso. E com isso, adentraria a casa, tendo a tarefa de coletar de dentro do cofre, informações sigilosas sobre lavagem de dinheiro e outras ilegalidades da família.

Claire e ele foram incumbidos, junto com Kanon de caçar todo o clã, ainda mais sob acusação de financiarem parte da guerra do Oriente Médio e a ditadura em locais específicos na África.

O geminiano mais velho não fez muito esforço para se adequar a festa. Vestia-se à requisito da festa: black tie e mostrando o seu convite ao segurança, olhou em volta antes de agradecer e entrar.

O local estava bem cheio, de acordo com o dossiê organizado por seu irmão, reconhecia boa parte dos presentes.

-Boa noite. – Sua atenção se desviou ao anfitrião da festa, que para a sua surpresa foi bem cordial no gesto. E assim, respondeu da mesma forma, exibindo um sorriso tão cordial quanto os comprimentos.

-Prazer, Ewan...

-Sr. Collins. – Complementou, mostrando que sabia do terreno. Em resposta, o charmoso herdeiro sorriu.

-O senhor...?

-Dorian Kallas.

Mais uma vez, Ewan sorriu, enquanto colocava as mãos nos bolsos. Quem mais esperava na festa, havia acabado de se fazer presente.

-Bem-vindo, senhor Kallas. Aguardava a sua visita. Me atrevo a dizer que essa festa foi organizada para o senhor.


Zapeava de canais na televisão de forma extremamente impaciente. De minuto a minuto pegava o celular para verificar mensagens de Saga, mesmo sabendo que o celular dele não estava com ele ou sequer ligado enquanto o seu, estava em volume máximo.

Estava nervoso para aquele dia. Tinha consciência da festa, consciência do que o irmão iria fazer naquela noite. Consciência, do risco que ele corria.

Se culpou por não ter ido, mesmo ouvindo novamente os argumentos favoráveis do gêmeo.

-Kan, se por ventura houver algum infiltrado lá dentro que nos conheça, será uma ameaça nos ver juntos. E você sabe que eu posso portar armas, e tem mais: não colocaria a sua vida em risco.

Lembrou-se também da cara feia que fez quando ouviu aquelas palavras.

Passou a mão desocupada nos cabelos.

-Porra, Saga. – Acabou perdendo o olhar em algum ponto da sala de estar.