-O senhor tem um belo lugar. – Disse, em tom de flerte, porém muito discreto, sem deixar de ser cordial. Levava aos lábios a fina taça de cristal com champanhe que um garçom da festa havia oferecido a si e à Ewan.

-Digamos que meus pais me emprestaram nesse fim de semana. – Deu um sorriso ao canto dos lábios, passava o seu olhar, orgulhoso durante à caminhada. Vez e outra, os convidados pausavam a ambos para brincadeiras ao anfitrião. Saga apenas observava, ora era simpático quando se dirigiam a si ou era apresentado aos demais. Fazia o seu papel muito bem, sentindo que manipulava por completo o alvo da perseguição. -Dorian. – Parou no caminho e olhou para ele. O mais novo já estava um grau de alteração de sua percepção por conta das bebidas e drogas daquela noite, mas ainda tentava manter e muito bem, a sua postura. -Espero não ser indelicado ao lhe chamar assim. – Recebeu um sorriso educado e um manear de cabeça. -Precisamos, urgentemente falar de negócios!

-Está coberto de razão. E quando podemos fazer isso? – Colocou uma mão no bolso, em charme e bebericou outro gole.

-Enquanto esta festa ocorre! É claro! Como mencionei, fiz porque sabia que viria, e eu precisava deixar claro o quanto aprecio este futuro contrato nosso. – Ele estendeu a taça dele de champanhe para um brinde, e o geminiano ao notar, complementou o gesto, para ouvirem o tilintar das taças. -Peço que me encontre na casa da piscina. Logo mais adiante. -Tenho um amigo que também quer fazer parte disso e vou chama-lo. – Mostrava-se bem animado, e em seguida, gesticulou que pedia e dava licença ao outro para deixa-lo por si e se afastou.

Discreto, o geminiano deixou o seu copo quase finalizado em uma mesa vazia ao jardim. Olhava de um lado para o outro. Muitos seguranças. Sentiu uma preocupação dentro de si, talvez aquela operação seja um tanto quanto complicada. Muita gente, embora isso não fosse problema para ser furtivo.

Respirou fundo e acertando a sua postura, continuou só, ao caminho. Não foi difícil reconhecer a casa da piscina. Era tão suntuosa quanto a casa principal, lote em design totalmente moderno. Porém, diferentemente das partes que visitou com o anfitrião, este local era bem mais reservado. Esperava casais transando naquele lugar, mas ao mesmo tempo, tão guardado por seguranças quanto o resto da casa.

-Onde pensa que vai? – Foi barrado, por um deles.

-O senhor Ew... – Começava a responder, gentil, quando o segurança em seu ouvido deveria ter recebido as ordens do patrão, pois silenciosamente, permitiu a sua entrada.

Passou pela porta, e encantou-se com aquele lugar. Amava o apartamento que dividia com Kanon, mas sabia que o gêmeo ficaria completamente apaixonado por aquela casa. Da extensa janela na sala de estar, a vista era para a praia. Aquela imensidão pacífica, lhe fez por um momento, esquecer de onde estava e o que veio fazer, tendo apenas Kanon em seus pensamentos.

Não sabia quanto tempo Ewan demoraria, então começou a sua própria operação. Claro que um dos cômodos seria o escritório, apenas precisava descobrir qual.

O corredor era bem longo, espaçoso. Quadros de época, que pareciam caros, mas sabia que dentre as réplicas, os donos da casa adquiriam bem roubados.

De todas as portas que viu à sua frente, apenas uma estava trancada e que estava adiante de si. Colocou a mão um pouco acima de seu quadril – onde estava a sua arma – e devagar, abria e adentrava.

Sim, o escritório. Tão perto que facilitaria o seu trabalho. Aproximou-se da mesa, sem tirar a mão de seu apoio. Olhava para o local, visualizando como era por completo antes de começar o que realmente veio fazer.

Um baque veio a seguir, da porta sendo fechada com violência, e nisso, empunhou a sua pistola ao se direcionar por onde entrou.

-Anos depois e você seguiu o caminho de seu pai. – Como nada vinha da porta, se virou rapidamente e apontou a arma na direção da voz. Seu peito congelou.

Anos mais velho, mas o sadismo, o mesmo.

-Pena que é tolo demais, Saga. – O geminiano fechou em raiva o semblante e o fitou.

-Desgraçado. – Murmurou, notando a seguir que ele tirava de uma gaveta, uma pistola com ouro entalhado e apontava para si. Rememorou aquela cena de quando era mais novo.

-Vamos ser realistas. Nós dois temos muita coisa a perder. Embora, você... Para mim seria fácil caçar o seu irmão gêmeo.

-Eu vim caçar você.

-Que sangue forte. Veio vingar o seu pai. Ele teria orgulho. – Debochou.

-Não ouse proferir nada sobre ele.

-Saga, antes de mais nada, abaixe essa arma.

-Como se eu fosse fazer isso.

-Achava que prezava o seu irmão. – O sangue de Saga ferveu.

Em seguida, ouviu novamente um barulho na porta e atrás de si, percebeu um segurança entrar e impedir a sua saída.

"Merda! Como vou sair daqui? " – Naquele momento, tentou compreender como sabiam de sua presença ali. Quem podia ter delatado.

-Sabe… - Atrás da mesa, o mais velho permaneceu empunhando a arma. -A vantagem de ser quem sou, me dá o direito de saber cada passo dos meus inimigos. De dentro. – A face de Saga foi se fechando cada vez mais. Engatilhou a arma, a mão rija de vontade de atirar, cuja reação ficou tão clara que sentiu em sua nuca o cano frio da arma do segurança.

Atrás do inimigo, viu Ewan se aproximar com alguém. O escritório dava para a área extensa da piscina, embora uma cortina estivesse elegantemente caída com seu tecido, o que lhe impedia de ver com quem o outro trazia consigo. A silhueta nada falava.

E nessa distração, sentiu algo frio ir contra a sua cabeça, e o que veio a seguir, não conseguia distinguir. Caiu ao chão, zonzo e com a vista embaçada. Não sentia a arma em sua mão, e pousava a outra em sua cabeça. Sentiu que sangrava.

Ouviu passos.

-Confesso que foi engraçado. Ele todo confiante. – Viu uma sombra se ajoelhar diante de si. Não distinguia formas. -Saga, acha mesmo que seria assim tão fácil? – Sentiu um deboche no que ouvia, e piscou algumas vezes. Virou o rosto, tateou ao chão buscando a sua arma. Assim, conseguiu notar a pessoa tão perto. Chocou-se com quem viu. -Você? Mas...? – Porém, pouco tempo depois, havia cedido ao desmaio, em uma nova coronhada.