O seu olhar era fixo no gêmeo. Em sinal de nervosismo enquanto estava sentado, a sua perna balançava. As mãos, juntas, enquanto apoiava os cotovelos em seus joelhos. Acorda, Saga. Acorda. O rosto estava vermelho de choro.

Toda a sua postura foi desfeita, quando o médico do irmão adentrou o quarto. Chegou a se erguer da cadeira. -Doutor, ele ainda não acordou!

Sorriu, antes de responder. -Paciência, a cirurgia correu bem, e ele em pouco tempo acordará, é apenas o restante da anestesia que o deixou dormindo. Ele se recuperando, como está e amanhã recebe alta.

A notícia tornou a empolgar Kanon, mas só precisava ter contato visual com os olhos do amado. Tornou a se sentar e a ver o médico reler o prontuário, chamar uma auxiliar e dar algumas instruções. Tudo no irmão parecia gradual em melhora, e parecia bem.

-Hum... – Tentou se ajeitar na cama, enquanto acordava. Olhou em volta, um pouco assustado pelo ambiente. -Kan? – O chamou, sem saber se ele estava ali, mas logo obteve a sua resposta.

-Sa! – Houve uma lágrima de felicidade.

-Viu só? – Ele já acordou. – Complementou o médico. -E como se sente?

-Dói um pouco...

-Doutor!

-Isso é normal. – Saga olhou do médico, para a auxiliar, e então, para Kanon. Estendeu a sua mão para o amado. -Acabou de sair de uma cirurgia.

-Acho que estou com fome. – Murmurou.

-Logo, irá comer. – A garota sorriu, incomodando Kanon. -Com licença. – Ela pediu, enquanto mesurava sinais vitais do mais velho. Saga ergueu uma sobrancelha, não gostava de hospital e nem estranhos lhe bolinando.

O mais novo cruzou os braços e ficou perto do leito, aguardando ansioso deixarem os gêmeos a sós e enquanto isso, assistia, atencioso, a auxiliar terminar o que fazia. A viu conversar como médico, e logo, ambos se despediram.

-Saga! – Kanon avançou no irmão, enchendo o seu rosto de beijos. -Estou muito, muito puto com você. Quando formos para casa, você vai ouvir meus sermões. – Saga riu, divertindo-se com o que ouvia. Ergueu uma mão, para tocá-lo em seu rosto. Sorria, apaixonado.

Momentos depois, ambos ouviram batidas na porta. O mais novo, mostrou-se sério.

-Kanon, mande-a embora. – Olhou o irmão, bravo.

-Estimo melhoras, Saga. – Claire disse, ao entrar. -Pelo visto você nada disse, Kanon.

-Quero ele se recuperando primeiro, depois falaria.

-Falar o quê? Da traição dela?

-Sa, ela estava infiltrada.

-Não foi o que ele disse.

-Saga... – Ela se aproximou do leito. -Falarei para você, o que eu disse ao seu irmão. Isso ia bem mais do que apenas vingança de família. Collins e o herdeiro são procurados, como vocês sabem muito bem, em muitos países. E vocês dois nos deram a sorte de captura-los.

-Eu vi você pegando o dinheiro!

-Sim. E entreguei ao Kanon. Ele me viu com a mala. Ele e mais da metade do esquadrão da SWAT.

Olhou para o irmão, ainda confuso. -Eu não lembro o que aconteceu na sala, quando vi o Kan.

-Quando você tinha o cano na sua cabeça de novo, eu atirei do lado de fora. Tive essa brecha, já que ele esperava até mesmo o Kanon atirar. – Saga olhou para o irmão, reprovando o fato da arma, que não sabia. -Edward não fazia ideia que eu estava ali. Então, antes dele atirar em você, o fiz nele. E ele chegou a atirar em você, mas não foi sério, tanto que ele errou a mira.

-Nós deveríamos ter tido a glória de mata-lo.

-Sim, deveriam, mas se fosse para ser assim, um de vocês dois estava morto. Portanto, de nada. – Deu um sorriso, irônico.

-O filho foi preso, não?

-Sim. Ewan está, e com o pai morto e alguns capangas também mortos, ainda estão revirando a casa atrás de informações e provas. – Suspirou e se aproximou mais, tocando o ombro ferido de Saga. -Sinto muito. Eu não podia dizer que eu participava disso, do contrário você me caçaria.

Por um momento, Kanon fuzilou a mão da mulher no gêmeo. Depois, respirou fundo. -Queria tentar sentir que esse pesadelo para a minha família, acabou, Claire. – Confessou, aos poucos se aliviando.

-Teremos muito trabalho, mas o assassino da família de vocês está morto. – Ela sorriu, genuinamente. -Recupere-se logo, semana que vem você vai voltar ao trabalho.

-Claire. – Saga a chamou. -Só peço que da próxima, avise que participa da trama.

-Só você não me atrapalhar. – Ela saiu do quarto rindo, enquanto respondia.

Ambos os geminianos esperaram alguns poucos instantes, antes de se entreolharem. -Kan... Acabou mesmo?

O mais novo se inclinou e pousou o queixo na barriga do irmão. -Sim, Sa. O pesadelo acabou e quase virou outro. Quando me ligaram falando que você tinha sido descoberto... Eu me desesperei tanto.

-Que troço de arma é esse? – O mais novo mordiscou o lábio inferior pela descoberta dele.

-Essa arma que eu guardo... Era do pai, Sa. Eu roubei.

-Kanon! Mas eu e ele proibimos você...

-Quando éramos mais novos, eu não queria ficar para trás. Ser incapaz de proteger você. Quando cresci, eu fiz aulas de tiro. Jamais deixei que você soubesse ou percebesse. Ficaria furioso... Mas eu não queria ser covarde quando você precisasse de mim.

-Covarde? Você é tão corajoso, Kan, não fale isso. – A mão tornou ao rosto dele, em carinhos com as pontas dos dedos. -Estar com você é o lugar mais seguro no mundo todo.

Por um momento, os lábios se encontraram um carinhoso beijo.

-Que alívio. – Confessou o mais novo. -Alívio, Sa.

-Os nossos pais iam ter muito orgulho de você, Kanon.

-De nós, meu amor.

-Preciso ir para casa. – Fechou os olhos, enquanto o rosto dele lhe acariciava.

-Nós vamos. Para a nossa casa. Para a nossa vida.


Notas:
Por fim, o fim de Titanium. Manterei esse nome mesmo, por conta mesmo da letra da música da Sia. Acho que combina bem com esse universo.
É, talvez – se me lembro – uma rara experiência de um universo policial.

Geminha, espero que goste desse policial que montei para você. Peguei alguns elementos de histórias que conheço e principalmente inspirado de Battlefield Hardline. Gostei muito da trama do jogo e pus uns elementos aqui. A Claire foi um forte referencial, por exemplo. Aí dei aquela processada nas ideias e os gêmeos foram a cereja do bolo. S2