CCNE - You're too proud to say that you've made a mistake
You're a coward to the end.
Mansão dos Li - Tomoeda
Shaoran Li sentou-se nos seus lençóis de seda enquanto a mulher lascívia transferia o peso das suas pernas para o colchão ao seu lado. Completamente nua, Li conseguia apreciar as suas belas curvas femininas que para si eram apenas mais um brinquedo usado. Sabia que ela tinha a esperança de tirar algo mais do que ser apenas outra das suas milhentas conquistas mas isso não aconteceria. Odiava essas pequenas ingénuas mesmo que isso lhe fosse favorável. Evitou o seu toque como se de uma praga se tratasse e completamente nu levantou-se para servir-se da sua bebida favorita, Uísque.
Shaoran - Podes pegar nas tuas coisas e sair.
Aproximou-se da porta antiga de vidro que dava acesso à varanda do quarto e observou a noite estrelada enquanto a mulher resmungava e vestia-se com raiva. Sentiu a noite fria quando a porta abriu e o incómodo finalmente deixou-o a sós com os seus pensamentos. Voltou aos acontecimentos dessa tarde no parque da sua infância. Soube que Eric e Hiroshi ampararam a sua queda mas as raparigas que Sakura escolheu não tiveram a mesma sorte. Foi ele que as impediu de serem esmagadas numa morte certa e rápida e teve a certeza que as deixaria cumprir o seu destino. Mas salvou-as. Esta cidade tinha conseguido despontar em si o que a vida de luxúria e negócios tinha mudado.
Wei - Senhor Li, os rapazes chegaram.
Cessou assim a sua reflexão e vestiu umas calças de pijama dirigindo-se então para a sala de estar. Atravessou o longo corredor e as escadas em círculo até estar frente a frente com os dois jovem adultos que tinha treinado todos estes anos. Sabia que esperavam a punição por terem falhado na sua missão.
Hiroshi - Pedimos desculpa, fomos apanhados de surpresa.
Shaoran ignorou o punk e olhou directamente para Eric num claro desafio. Tinha-os avisado de que não seria simples mas ambos preferiram fechar os ouvidos e assumir que capturar cartas seria o mesmo que jogar uma cartada de póker. E o loiro de olhos glaciais tinha sido o principal incitador da linha de pensamento.
Shaoran - Parece-vos simples agora?
Ambos negaram com a cabeça e fizeram uma vénia.
Shaoran - Treinem pelo menos duas horas, intensivamente até o limite. Pode ser que assim aprendam a valorizar os meus conselhos. Não tenho mais nada a dizer-vos.
Os dois fizeram uma vénia respeitosa e dirigiram-se para o dojo. Shaoran imediatamente pensou que Sakura tomaria aquela atitude sua como demasiado fria. Infelizmente, ela continuava a assombrá-lo como uma maldição. Sabia muito bem porque tinha salvo duas adolescentes incógnitas, por ela. Tudo o que fazia era por ela mesmo que nunca isso nunca fosse reconhecido. Sentiu irritação ao lembrar-se que tinha dispensado a prostituta naquela noite. Achou por bem meditar.
Dojo - Mansão Li
Eric e Hiroshi degladiavam-se com os punhos num combate frenético. Contavam os minutos para que Wei desse por terminada aquela sessão de treino. Já nenhum dos dois tinha cabeça para continuar a luta que terminaria sempre num empate. Finalmente, o gongo soou.
Wei - A sessão de treino está terminada. Vou começar a preparar o jantar, com licença.
O mordomo velhote, de óculos redondos e com um amável sorriso retirou-se. Quando a porta fechou Eric e Hiroshi deitaram-se no chão estafados. Eric controlava a respiração enquanto rebobinava todos os momentos da disputa pela carta. Pensava em todos os modos como poderia ter evitado a derrota. Hiroshi apenas pensava em Yoko.
Hiroshi - Achas que consigo comer a Yoko?
Eric - 'Sério? - mostrou-se curioso e sentou-se no tapete - É preciso mesmo perguntares?
Hiroshi deu uma gargalhada.
Hiroshi - Não.
Desta vez riram os dois. Hiroshi gostava destes breves momentos em que podiam ter uma conversa honesta entre si. De início eram muito raros mas hoje em dia agiam como irmãos mas Eric continuava a ser uma pessoa muito fechada e solitária. Hiroshi bebia um gole de água enquanto Eric encarava o vazio de forma pensativa.
Hiroshi - Vais partilhar? Sabes que nunca é bom aspirar a ser Li.
O momento em que o discípulo supera o mestre, daí a afirmação do punk. Nenhum deles queria seguir as pisadas de Li, queriam alcançar a grandeza à sua maneira. Por isso debateram-se imenso com esta mudança de eventos. Nada disto os ia ajudar no seu futuro, era apenas um desvio desnecessário. No momento em que ambos pisaram Tomoeda fizeram a promessa que seriam em nada parecidos ao seu mestre.
Eric - Estava a pensar na Ami.
Hiroshi bateu palmas, exagerando a surpresa. Não que o seu amigo evitasse as mulheres mas geralmente nunca pensava nelas.
Hiroshi - Meus parabéns, decidiste escolher a mais difícil. Agradeço, estava a pensar em atirar-me à Miyu, depois de engatar a Yoko, coisa pouca.
Eric pareceu divertido mas mantinha uma expressão séria.
Eric - Não é isso. Ela estava genuinamente a ignorar-nos. Não era apenas um truque ou uma máscara, ela não queria saber. Muito estranho.
Hiroshi - Ah... Então isto é porque ela não te achou bonito...
Eric largou um murro no braço de Hiroshi que o evitou levantando-se, ficando intrigado com o assunto. O loiro aproveitou a deixa e também levantou-se. A conversa seguiu enquanto caminhavam pelos corredores em direcção aos quartos.
Hiroshi (sério) - Sim, ela topou-nos logo. Elas toparam-nos logo. Acho que têm algum poder.
Eric - Sim, sem dúvida.
Evitando transparecer sentimentos, Eric continuava a pensar na rapariga com a trança mal feita enquanto Hiroshi falava de como planeava conquistar Miyu e Yoko em simultâneo. Algo não batia certo, não era uma obsessão ou atracção, recusava pensar nisso nesta fase. Voltou à conversa de Hiroshi enquanto ele tentava considerar a hipótese de talvez avançar sobre Rika.
Eric - És doente.
Hiroshi - O que posso dizer? Tenho muito amor para partilhar!
Seguiram caminhos separados enquanto se preparavam para jantar com o seu mestre. Na sala de jantaram partilharam os seus pensamentos sobre a actualidade política e as finanças do Grupo Li preparando-se para uma posição activa nos negócios da empresa. Cordialmente, despediram-se e foram para os seus quartos.
Casa de Sakura
Sakura (jantando) - E então Kero, já estás mais convencido?
Kero comia a sua sobremesa favorita, pudim flan, enquanto via com Sakura um anime slice of life, algo que os entretia aos dois. Kero colocou uma colher enorme na boca e olhou com cara de caso para Sakura.
Kero (de boca cheia) - Nnnhão.
Sakura riu-se divertida. Depois de terem capturado a carta Kero e as meninas tinham formado um esquadrão de organização do Rei Pinguim. Kero ditava as ordens e as duas controlavam os objectos de forma a pô-los no sítio. Tinham-se divertido bastante, principalmente o guardião, que não queria dar o braço a torcer.
Sakura - Tens de admitir que te divertiste.
Kero engoliu a seco.
Kero - Está bem... - levou o prato à boca e comeu o resto do pudim.
Sakura riu e pensou como Kero não tinha mudado nada em todos estes anos. Tinha inveja da pequena bola de pelo que podia afastar-se do mundo sem se preocupar com tudo o resto. Bastava-lhe apenas a sua consola de jogos e o seu amado pudim. Voltou os olhos para a televisão antes que tivesse de responder a um questionário e apreciou a sua série de eleição.
Casa Okinawa
Acordava para o novo dia mas teimava em abrir os olhos, Ami apenas queria mais cinco minutos de descanso. Ami cobria a cara de forma a tapar os raios de sol que se infiltravam pelas persianas e pensou em como dez horas de sono não lhe tinham valido de nada. Ouviu o trinco da porta pensando tratar-se da sua mãe a verificar se ainda dormia mas quando o som se seguiu de passos leves e um tilintar de frascos Ami rompeu dos lençóis e lançou-se para a sua escrivaninha arrancando das mãos da sua irmã mais nova o frasco que lhe tinha sido oferecido por Kero.
Ami (aflita) - Akane! Quantas vezes já te disse para não mexeres nas minhas coisas?
Com os seus seis anos, Akane tinha uma cara redonda e infantil, os olhos azuis eram rasgados como os do seu pai e tinha o cabelo loiro em cachos, herança da sua mãe. Tinha uma beleza infantil que lhe dava um aspecto adorável complementada com a sua boneca favorita nos braços.
Akane (curiosa) - Mas é tão bonito... O que é?
Ami - Nada do teu interesse. Não devias estar a preparar-te para a escola?
Akane mostrou que tinha vestido o uniforme escolar como um feito heróico. Em seguida, saltou tentando agarrar o frasco novamente mas Ami esquivou-se rapidamente. A menina desistiu e amuada saiu com a sua boneca favorita nos braços e logo que pisou o corredor, Ami fechou a porta. Detestava que Akane mexesse nas suas coisas, nunca conseguia encontrar nada com tantas voltas que dava às suas coisas, mas era perigoso manter o frasco à vista. Tinha ao lado da porta um quadro grotesco que mostrava imagens do purgatório graficamente explícitas. Embora duvidassem da sua escolha, era por detrás daquele quadro que guardava as coisas que não queria que a benjamim tocasse num cofre secreto.
Sra. Okinawa (alto) - Despacha-te Ami!
Ami (gritou) - Já vou!
Usou a combinação secreta e guardou o frasco com cuidado fechando em seguida. Aí estaria a salvo das mãos da terrível Akane.
Casa Shiwabara
Miyu dormia tranquilamente numa posição cómica, com os braços estendidos num ângulo recto e com as pernas encolhidas, quando foi subitamente acordada por o volume alto de guitarras e baterias a tocar no seu quarto. Virou-se repentinamente acabando por cair no chão e deu um pulo para conseguir agarrar o telemóvel na mesa de cabeceira. O seu toque de despertador era a música Schrei dos Tokio Hotel, gostava da dose de adrenalina que recebia ao acordar. Caminhou e seguiu a rotina habitual de banho - vestir-se - maquilhar-se e num instante estava pronta para enfrentar um novo dia na escola. Quando sentou-se à mesa do pequeno almoço o seu irmão ainda estava a dormir na mesa como era habitual.
Miyu (alegre) - Bom dia!
Tetsuya (sonolento) - Fala baixo, croma.
Sra. Shiwabara - Então meninos não discutam de manhã. Tentem ser civilizados.
Ambos - Desculpa, mãe.
Assim que a senhora Shiwabara colocou o pequeno almoço na mesa, sentou-se ao lado dos seus rebentos e tratou de colocar a conversa em dia. Era um ritual que tinham há já muitos anos, a manhã era a altura em que a sua mãe estava livre, Miyu sabia que o seu trabalho era muito exigente e trabalhava muitas noites até tarde, a redacção da revista de moda mais popular no Japão era assim. Moravam em Tomoeda porque Miyu ainda frequentava o ensino básico quando a sua mãe entrou para a revista e assim sendo ficariam lá até ela se formar do liceu. Tetsuya trabalhava numa loja de electrodomésticos e ficaria na pequena cidade. Miyu ansiava e temia o dia em que isso acontecesse, era complicado.
Sr. Shiwabara - E então? O que vão fazer hoje?
Tetsuya (tom monótono) - Trabalho. Cama. Comer.
Miyu revirou os olhos com a atitude melodramática do seu irmão exagerado. Tetsuya seria considerado um belo arranjo para qualquer sogra que se preze, tinha um ar simpático, era atraente de uma forma comum, inteligente e com um belo cabelo chocolate e olhos a condizer. Alto, atlético, vestido sempre a rigor com os toque da irmã e com dois trabalhos estáveis. Decidiu então virar-se para um assunto mais importante, a sua vida.
Miyu - Bem, hoje é sexta feira e vou jantar a casa da Ami depois de acabar a edição do jornal da escola.
Sra Shiwabara (impressionada) - Muito bem! Tenho a certeza que o teu trabalho vai compensar.
Miyu (feliz) - Sim, vai.
Sra Shiwabara - E os pais da Ami sabem que lá vais?
Miyu - Mãe, por favor! Vou lá todas as sextas, sou praticamente uma residente.
Tetsuya - E uma mulher nunca consegue ficar longe de mexericos durante muito tempo.
Tetsuya levantou-se da mesa e pegou no seu prato. Miyu odiava como ele podia ser condescendente quando era apenas um ano mais velho do que ela. Ele apenas tinha sorte por ter um cérebro de génio e conseguiu acabar o liceu dois anos mais cedo do que o esperado.
Miyu - A Ami não é de mexericos, idiota!
Tetsuya (muito baixo) - Pois não...
Miyu (confusa) - Disseste alguma coisa?
Tetsuya - Sim, fica longe das araras raras!
Miyu ia contestar a frase idiótica mas preferiu evitar uma discussão e por isso simplesmente calou-se enquanto o primogénito saia para dar a sua volta matinal. Deu um beijo na bochecha da mãe, com a mochila já ás costas, e correu para apanhar o autocarro para a bendita escola.
Escola Secundária de Tomoeda - Café
A instituição tinha algumas centenas de anos mas tinha sido submetida a obras de manutenção recentemente e o conselho directivo achou por bem aproveitar o antigo pavilhão para criar uma horta de subsistência e um café moderno onde os alunos pudessem interagir entre si e quem sabe criar algum rendimento extra. Numa das mesas exteriores, Yoko e Rika estavam sentadas em pontas opostas quando Miyu se juntou a elas.
Miyu (alegre) - Buenos dias! - sentou-se ao lado de Yoko - Conseguiram acabar o tpc de Japonês?
Ao olhar mais atentamente para a mesa à sua frente coberta com cadernos e livros percebeu imediatamente que a resposta para a sua pergunta era negativa. Yoko, com cabelo pintado de loiro preso num rabo de cavalo alto que descia numa cascata de caracóis loiros pelas suas costas, estava sentada na sua pose aristocrática de forma a mostrar que era superior a todos os outros. As suas feições eram um pouco mais carregadas e exageradas com olhos muito grandes e rasgados, uma boca pequena, maçãs do rosto salientes. Dava um ar de artificial a todo o conjunto.
Yoko - Olá querida! - Cumprimentou Miyu com um beijo aéreo - Isto é insuportável!
Rika (suspirou) - Estamos quase lá!
O estamos foi aplicado porque enquanto Rika fazia todo o trabalho, Yoko apenas tratava de copiar tudo literalmente, uma péssima decisão, o que não agradava a Miyu mas achou por bem não contestar. Da última vez que tentou ter uma discussão civilizada acabou por ser parte de uma drama de telenovela pública, as duas eram crescidas e sabiam o que faziam, por isso Miyu achou melhor ficar de parte. Observou Rika, amável com um rosto redondo com os traços nipónicos presentes, um cabelo liso negro cortado a direito pelos ombros com uma franja farta, que trabalhava dobrada sobre a mesa. Yoko olhou para o parque de estacionamento que ficava mesmo em frente ao café e lançou um comentário.
Yoko (murmurou) - Nem acredito que ela já chegou.
Miyu seguiu a linha de visão e perceber tratar-se de Ami. Não conseguia perceber porque ela teimava tanto com a sua melhor amiga mas era inútil tentar abordar o assunto, como sempre. Ami saiu do carro do seu pai e acenou despedindo-se. Quando se virou para entrar na escola tentava organizar os seus livros e ao passar por uma das motas estacionadas, levou um forte encontrão e os cadernos acabaram no chão. Ami agachou-se, tentando ignorar os olhares e gargalhadas, conseguindo apanhar todos menos o último. Levantou-se ao mesmo tempo que o seu ajudante que entregou o objecto, permitindo a Ami ver uma marca em forma de lua crescente na palma da mão. Olhou cautelosamente e viu que se tratava de Hiroshi.
Hiroshi (sorrindo) - Sinto muito, marmoiselle. O idiota do meu amigo não a viu.
Ami virou-se timidamente e observou Eric a retirar o capacete deixando o seu cabelo despenteado. Pensou que ficava melhor assim e arrependeu-se imediatamente dos seus pensamentos. Virou-se para Hiroshi novamente.
Ami (baixo) - Obrigado.
Apressou-se até a mesa onde Miyu lhe acenava com alegria e sentou-se condenando os seus pensamentos fúteis enquanto pousava os seus pertences. Assustou-se quando um capacete foi depositado à sua frente, despertando-a para a realidade.
Yoko (voz rouca) - Bom dia. Posso servir-lhes de ajuda?
Hiroshi - Muito mas acho que não era boa ideia com um público. - Hiroshi sorriu enquanto acendia um cigarro.
Miyu fez uma expressão de consternação e incredulidade misturada e tentou mudar o assunto da conversa com algo mais trivial como que aulas teriam e onde seriam. Sem se interessar muito por toda aquela banalidade, Eric tocou levemente no ombro de Ami que observava os livros, chamando a sua atenção.
Eric - O Hiroshi não é o meu assessor de imprensa e queria pedir-te desculpas pessoalmente mas saíste a correr. Não queria empurrar-te.
Ami - Tudo bem.
Eric estendeu a mão de forma a fazer as pazes e Ami hesitou, acabando por aceitar o gesto por questões tácticas. Quando se tocaram, foi como se Ami tivesse sido atingida por um raio, uma corrente passou por ela e sentiu algo estranho que fez observar o loiro com olhos gélidos com atenção, tinha um blusão de couro próprio para a mota e com o cabelo despenteado tinha um ar rebelde. Tinha de admitir que juntando a voz rouca e profunda... Afastou-se do toque com alguma reticência e desviou o olhar. Miyu e Hiroshi observaram de esguelha com interesse mas continuaram a sua conversa com Yoko que falava de algo sobre si.
Ami - Sabias que se escreveres ainda mais depressa a caneta continua sozinha? - disse com espanto.
Rika (desesperada) - Ainda tenho tanto para fazer e só tenho 10 minutos!
Ami fez um sorriso compreensivo e deu uma vista de olhos ao caderno da amiga. Puxou então o livro de japonês e alternou os olhos entre o texto escrito e o impresso. Por fim, sublinhou algumas frases, atribuindo-lhes um número relativo à questão, e em seguida entregou o caderno novamente a Rika.
Ami - Estás a elaborar demasiado. Isto é mais do que suficiente.
Rika (aliviada) - Obrigada, Ami. Salvas-me sempre.
Ami sorriu em agradecimento.
Ami - Para a próximo pensa duas vezes antes de te aventurares por mais um último episódio.
Rika - Mas o Travis Fimmel é tão bonito... não consigo parar!
Riram as duas com alegria e Rika olhou com atenção para o lado de Ami que ao perceber que estava a ser observada ficou séria. Eric retribuiu o aceno tímido de Rika e pegou no seu capacete. Tinha sem dúvida usado mais do que a quota respeitável de tempo.
Eric - Fui.
Saiu sem dizer mais uma palavra e durante alguns minutos Ami observou todos os outros a trocarem impressões entre si. Percebeu que Rika estava muito interessada em Hiroshi mas isso podia ser apenas pesquisa para uma das suas histórias. Miyu agarrou no braço de Ami e tentou iniciar conversa enquanto caminhavam para o balneário.
Miyu (baixo) - Admite! Tens um fraquinho pelo Eric.
Ami riu de forma estranha.
Ami (séria) - Não inventes, não tenho nada com ele. Apenas estou a ser cautelosa.
Yoko agarrou o braço de Miyu e meteu-se, sem ser convidada, para a conversa. Ami sabia que iria sair uma barbaridade qualquer e preparou-se para o ridículo que se seguia.
Yoko (baixo) - Pois, ela pode não ter mas eu vou!
Miyu (escandalizada) - Tu tens namorado!
Yoko - Uma coisa não impede a outra...
Ami revirou os olhos sem paciência para joguinhos mas assim que chegaram ao piso inferior do pavilhão perceberam que algo não estava bem. No corredor longo ouviam risos vindo do balneário dos rapazes e falavam tão alto que se percebia nitidamente o que diziam.
Voz1 - Pois Gaijin tens esse caparro todo mas deves ser um choninhas a rebentar de esteróides!
Não houve resposta à provocação. Conseguiram ver Eric sair da porta e avançar com calma e de forma estóica pelo corredor como se nada se passasse. Insatisfeito, alguém seguiu-o e Ami percebeu que se tratava de Yu, o namorado de Yoko. Isto só podia acabar em confusão e todos os que estavam no corredor pararam para observar a cena com curiosidade.
Yu - Não me ignores!
Yu avançou com força para atingir Eric pelas costas que apenas se desviou da rota com um passo enquanto Yu tropeçava e batia com a cara na parede com um estrondo. Todos se encolheram simpáticos com a dor do colega, menos Ami que tentou esconder um sorriso, facto que divertiu Eric. Yoko correu para socorrer o seu mais que tudo enquanto o professor corria para estar a par da ocorrência.
Prof. Cho - O que se passou aqui?
Miyu voluntariou-se para relatar a situação.
Miyu (tom jornalístico) - Bem, o novo colega Eric saiu do balneário dos rapazes com calma enquanto estava a ser ofendido pelo Yu. Em seguida, o Yu não satisfeito por o Eric não responder a nenhum das suas provocações, tentou atacá-lo pelas costas, foi claro mal sucedido e em vez disso acabou por tropeçar nos seus próprios pés e bateu com a cabeça directamente na parede mais próxima.
O professor Cho não soube o que dizer em seguida e Miyu retirou-se com uma vénia teatral.
Prof. Cho - Muito bem, primeiro: Tratem bem os vossos novos colegas. Por ser tão intolerante o senhor Yu receberá um castigo a determinar. Segundo: Para a minha aula. E alguém que leve o senhor Yu para a enfermaria por favor.
E assim seguiram todos para a aula. O resto das actividades lectivas seguiram-se sem muito espaço para conversas paralelas mas assim que a campainha tocou, Miyu saltou para a mesa de Ami, já com a mochila arrumada, deitando o livro de Japonês ao chão.
Miyu (eléctrica) - Vamos! Vamos! Vamos!
Ami revirou os olhos e levantou-se, arrumando a sua mochila aos poucos. Não tinha muita vontade de fazer a habitual volta pelo parque, estava exausta. A sala de aula ia ficando vazia relativamente depressa e Miyu pensou em como Ami tinha mostrado algum interesse em Eric, mesmo que negasse as evidências observadas no café a verdade acabaria por se revelar, sendo assim achou por bem mover as rodas mecânicas do destino e com um sorriso malicioso e virou-se para Eric e Hiroshi que ainda se preparavam para sair.
Miyu (curiosa) - Vão já para casa?
Hiroshi - Sim. Tens planos?
Miyu notou que Hiroshi lhe lançava um olhar perverso mas pela felicidade hipotética da sua melhor amiga, faria o sacrifício de passar tempo com o sujeito. Embora achasse-o bem parecido havia algo que não batia muito bem no grande esquema cósmico das coisas. Mostrou o seu melhor sorriso.
Miyu - Bem hoje vamos à gelataria e pensei que podiam vir.
Hiroshi considerou ser uma boa hipótese e mostrou-se agradado pela ideia. Eric manteve uma expressão neutra mas não negou o convite. Miyu aplaudiu levemente o sucesso do pedido e nesta altura Ami já estava pronta para seguir. Rika aproximou-se com cuidado e mostrou um sorriso nervoso.
Miyu - E claro que podes vir, Rika! Ainda bem que falaste!
Rika foi envolvida pelo braço de Miyu no pescoço e seguiram caminho. Ao passar por um dos corredores, Ami teve de ser obrigada a assistir à cena triste em que Yu e Yoko se lambiam em público, mesmo com o conhecimento geral de que a traição era o prato do costume às terças, e teve a impressão de estar a ser observada. Virou-se para Eric mas ele estava a falar com Hiroshi, à distância de alguns passos atrás de si. Talvez a magia estivesse a torná-la paranóica.
Casa Kinomoto
Sakura falava alegremente com o seu irmão Touya e Yukito que planeavam as obras para sua casa de infância nunca poderia imaginar que o casalinho, agora com algumas rugas da idade, morasse com o seu pai. Não numa altura em que ele própria morria de amores por Yukito. Touya achava que deviam arranjá-la de forma a que o seu pai, Fujitaka, pudesse a continuar a morar lá de forma mais cómoda quando começasse a envelhecer.
Yukito - Por isso achamos melhor construir uma quarto no piso inferior. Mas o senhor Kinomoto não parece concordar muito.
Touya revirou os olhos e serviu-se novamente da garrafa de vinho que tinham aberto para a conversa. Sakura ficou feliz por Fujitaka ter aceite a relação dos dois sem nenhuma oposição embora não esperasse outra coisa do seu pai, ele era uma jóia rara neste mundo.
Sakura - E deixa-me adivinhar, não foram bem sucedido. - bebeu um gole do vinho.
Touya - Em cheio, monstrega.
Embora fosse já adulta, Touya ainda não tinha perdido o hábito de a tratar por aquele apelido. Sakura sorriu.
Sakura - Quem diria que o senhor Fujitaka se tornaria tão teimoso?
Riram os três e Sakura ouviu o seu telemóvel tocar na sala de estar. Desculpou-se apressou-se a apanhar o aparelho. Ficou muito feliz quando viu o nome de Tomoyo surgir no ecrã. Era raro as oportunidades que tinha para falar com a sua amiga, que morava agora em Inglaterra com Eriol, um casal improvável. Sakura sentou-se no cadeirão da sala e depois de pousar o copo, atendeu prontamente.
Tomoyo - Sinto muito, amiga. O Eriol contou-me há já alguns dias mas com os ensaios mal pude respirar. Estás bem?
Tomoyo era uma cantora lírica e tinha sempre concertos esgotados em todas as salas de espetáculo em que tocava. Sakura mostrou-se calma.
Sakura - Sim, era inevitável.
Tomoyo - Acabarei hoje mesmo o meu último concerto da temporada de Inverno. Afinal, sempre vão começar a produzir o outro espectáculo e assim terei férias durante alguns meses.
Sakura (radiante) - Isso é óptimo!
Tomoyo - Vou passar uma temporada aí e vou desenhar as roupas para as tuas caçadoras de cartas! O Eriol disse-me que eram duas meninas! Mal posso esperar, conjuntos a dobrar!
Mal podia acreditar que Tomoyo ainda encontrava inspiração para criar fatos mas a verdade é que geria a sua própria marca de roupa. Era sem dúvida um feito inédito.
Sakura - Tomoyo não tens de interromper a tua vida, eu estou bem. O Li não me vai afectar.
Ouviu um som de espanto do outro lado.
Tomoyo (chocada) - O Shaoran voltou a Tomoeda?
Sakura - Sim e trouxe companhia.
Tomoyo (entusiasmada) - Não posso! Vamos ter novamente uma competição?
Sakura - Sim mas está tudo bem.
Tomoyo - Não precisas de me continuar a vender. Eu vou já para aí! - Tomoyo falou para longe do auricular - O Eriol manda-te beijinhos e diz que estaremos aí muito em breve.
Sakura abanou a cabeça em derrota e sorriu.
Sakura - Aguardo ansiosamente a vossa chegada.
Tomoyo - Beijinhos querida!
Sakura - Beijos.
Sakura observou o vestido branco que usava. Pensou em como hoje em dia Tomoyo se oferecia para lhe fornecer um guarda roupa especial para si e em como Ami e Miyu penariam nas mãos da sua mais antiga amiga. Achou que seria melhor guardar esse facto para si, não queria que sofressem sem necessidade. Voltou para a cozinha com o seu irmão e companheiro retomando a conversa sobre o futuro da casinha amarela.
Gelataria Dulce Gusto - Tomoeda
Ami seguiu para a mesa onde habitualmente se sentavam e percebeu que os dois rapazes estavam desconfortáveis nas cadeiras demasiado baixas para eles, era algo cómico. O espaço de inspiração romântica era pintado em tons brancos e pastéis com mesas de aspecto vitoriano e com rendas a transbordar pelos cantos. Ami sentou-se perto da vitrine, Eric ficou à sua frente com Hiroshi ao seu lado. Miyu escolheu a cadeira da ponta e Rika acabou por ficar sentada ao pé de Ami que percebeu que as raparigas presentes, incluindo as empregadas, não conseguiam tirar o olhar dos rapazes que eram novidade por estas bandas.
Eric - Imagino que não tenham escolhido o lugar pelas cadeiras. - direcionou a conversa para Ami observando-a com atenção.
A morena, que hoje tinha o cabelo solto, que lhe dava pelos cotovelos, optou por ser formal.
Ami - Os gelados são muito bons. - cruzou os braços.
Não disse mais nada, ficando assim a conversa suspensa. Hiroshi achava toda a cena muita engraçada visto que Eric não parecia ter nenhum problema em conquistar qualquer rapariga com um simples olá, isto ia ser um combate renhido. Decidiu ser ele a quebrar o gelo enquanto a pobre rapariga focava-se no menu para evitar o seu amigo.
Hiroshi - Ok, qual é o truque para sobreviver aqui? - fez gestos abertos - Como é possível não morrer de tédio?
Rika riu alegremente.
Rika - Bem temos muitos festivais, existem muitas feiras durante o fim de semana e algumas provas desportivas. Acho que tens é de saber procurar bem. - Rika segurava no menu - O que faziam na China?
Hiroshi - Sair à noite, sexo, beber até cair... - Hiroshi mantinha a conversa enquanto consultava em simultâneo o menu.
Miyu (revirou os olhos) - Típico!
Hiroshi (chinês) - Como se soubesse o que fazer em Hong Kong...
Miyu (chinês) - Se tivesses os tomates para sair da baixa, talvez.
Miyu desafiou-o com um olhar de superioridade e pousou o seu menu delicadamente na mesa. Hiroshi sorriu e acabou por admitir a derrota, tendo já em mente o que pedir. A empregada aproximou-se da mesa, com um uniforme negro e com uma bata branca com bordas em croché rosa pronta para anotar o pedido.
Empregada - Ciao ragazzi! Bem vindos ao Dulce Gusto! O que vão pedir?
Hiroshi - Queria uma bola do de rum.
Miyu - Eu queria duas de shortcake de morango com chantilly.
Rika - Eu queria uma bola de chocolate com avelãs.
Eric - Café simples. Preto.
A empregada anotava todos os pedidos com rapidez enquanto tentava observar Eric com atenção.
Ami - Eu queria um sorvete de limão.
Percebeu que tinha sido ignorada pois a adolescente de cabelos aos papelotes não tinha mexido a caneta e continuava a observar o loiro que por sua vez a observava com atenção. Ami suspirou.
Ami - Eu queria um sorvete de limão... - disse a contra gosto.
A empregada acordou do transe e desculpou-se, afirmando que traria rapidamente o seu pedido. Não podia culpar a rapariga pelo seu mau humor mas o loiro começava a fritar a sua paciência, não só sentou-se à sua frente, forçando-a a olhar para si, como nem sequer fazia um esforço para a deixar em paz. Observava a janela enquanto Miyu e Hiroshi discutiam qual o melhor clube de Hong Kong até decidiu encarar o seu oponente.
Ami (sarcástica) - Sabias que as pessoas adoram ser observadas?
Eric - Temos uma sociedade muito egocêntrica, eu diria. - mostrou um sorriso de desafio.
Ami inclinou-se sobre a mesa ainda com os braços cruzados.
Ami - Sabes que isso só funciona em romances de treta, certo? Os instintos de sobrevivência acabam sempre por ripostar. - deu enfase à última palavra.
Eric também se inclinou ligeiramente sobre a mesa, divertido.
Eric - E porque ficaste com a ideia que te queria seduzir.
Ami foi apanhada de surpresa e antes que pudesse pensar numa resposta a empregada chegou com o pedido, deixando a tensão presa por um fio. O trio da ponta observava com atenção a troca acessa de palavras e de forma coordenada tiraram uma colherada do seu gelado e levaram-na à boca. Ami observou o seu sorbet e em seguida o café de Eric e encontrou a forma perfeita de ripostar, largando um bocado enorme de gelado ácido no café negro do loiro. Miyu, Hiroshi e Rika apenas observavam com choque e Eric apenas pegou na chávena e tomou um gole do líquido cafeínado.
Eric - Ficou melhor ainda. - pousou a chávena em seguida.
Não foi o que esperava e ficou desarmada. Ficou curiosa se ele apenas estaria a fingir ou não mas a sua expressão fechada não o entregava. Engoliu a seco e observava com atenção a chávena que se aproximou de si com um toque de Eric.
Eric - Porque não experimentas?
Ami procedeu com cautela, levantando a chávena muito quente do pires, e levou aos lábios o objecto de porcelana. Assim que provou o conteúdo fez uma expressão de horror e nojo pousando com brusquidão a chávena. Tentou compôr-se durante alguns segundos mas o que tinha provado era simplesmente uma combinação monstruosa.
Ami - Mentiroso.. - falou levemente - Isso é muito mau!
Eric - Pois é. - sorriu maliciosamente.
Ami afastou a chávena e aproximou o seu pedido do centro da mesa. Em seguida pegou na pequena colher de café e entregou-a a Eric. Tinha de confessar que tinha sido uma boa partida.
Ami - Para me redimir. Aceitas o gelado do horror como um pedido de desculpas?
Eric - Quanto mais horrendo, melhor. - aceitou a colher minúscula.
Ami mostrou um sorriso genuíno e provou um pouco do sorvete de limão. Ainda era muito mau mas comparado com o café envenenado era uma benção. Eric gostou bastante do gelado e a empregada foi simpática o suficiente para trazer outra colher. Miyu parecia estar quase a explodir de felicidade contida e Hiroshi riu silenciosamente. Ami acabou por desistir do seu pedido e pousou a colher em derrota. Eric lançou-lhe um olhar curioso.
Eric - Porque pediste algo que não gostas?
Ami - Porque perdi a aposta da semana passada. Todas as sextas eu e a Miyu apostamos alguma coisa e a perdedora tem de pedir o que odeia.
Eric - Parece-me justo.
Ami riu com o disparate e observou Miyu que parecia estar a meio de um ataque epiléptico. Acabaram por conversar todos entre si sobre assuntos banais e quando se levantaram para pagar a conta, Eric ofereceu-se. Ami ia refutar mas ele insistiu.
Eric - Para a próxima, pagam vocês. - disse enquanto guardava a carteira.
Saíram da loja e assim que chegaram ao parque do Rei Pinguim, estranhamente vazio, Rika teve de seguir noutra direcção e acabaram por ficar os quatro sobre a luz do sol que se dissipava cada vez mais depressa. As nuvens ficaram cada vez mais escuras e do nada uma chuva fraca caiu e foi ficando cada vez mais forte até se tornar numa tempestade. Miyu tirou a chave do pescoço e invocou o seu bastão.
Miyu - Ó chave que guardas o poder do Leão sagrado revela a natureza do teu verdadeiro poder, eu Miyu, pelo poder que me foi concedido liberta-o agora.
Quase instantâneamente, Miyu apontou o seu bastão e concentrando-se conseguiu materializar uma bola de fogo que forçou a carta a aparecer. Ami espantada com o feito, viu com cuidado o aspecto de um joker infantil, com um grande chapéu com duas pontas compridas e um fato que lembrava um bobo da corte a pairar a meio do espaço na sua nuvem particular e parecia estar furiosa. Miyu correu para a ponta oposta à medida que tentava acertar na carta mas apenas fez com que ela viesse na direcção de Ami que não estava preparada para lidar com um forte jacto de água na cara. Tinha a certeza que seria atingida.
Eric - Deus do fogo, vinde a mim.
Segurando um amuleto de papel com caracteres chineses, lançou-o uma forte chama que esturricou a pobre carta e a magoou no braço. Foi o suficiente para a distrair e para Miyu a capturar.
Miyu - Volta à tua forma original, Carta de Sakura!
Sem tendo maneira de retalhar, a carta acabou por ser capturada e voou até as mãos de Eric que sentia-se aborrecido pelo feito simples. Miyu voltou a tranformar o seu bastão em chave a avançou com determinação para perto de Eric, parando a centímetros do rapaz com uma pose furiosa.
Miyu (revoltada) - Não posso crer! Devolve isso, já!
Hiroshi juntou-se à comoção, afastando Miyu com um toque leve.
Hiroshi - Não sejas má perdedora loirinha. Foi justo. A carta junta-se a quem a derrotou e foi o meu amigo que fez isso. A tua supervisora não te tinha avisado?
Miyu bufou de raiva e acabou por arrastar Ami que preferia manter-se em silêncio. Caminharam para a sua casa pelas estradas ladeadas de árvores sendo bombardeadas de perguntas sobre a estranha chuva que se tinha abatido sobre Tomoeda naquela tarde. Miyu tratou de responder a todas as perguntas que a sua mãe colocava enquanto Ami tentava esquecer o incidente desta tarde, velhos hábitos custavam a morrer.
Mansão dos Li - Tomoeda
Eric e Hiroshi acabavam de entrar pela porta da mansão principal dos Li recebidos por Wei que lhes entregava duas toalhas. Estavam satisfeitos por terem conseguido uma carta desta vez e quando caminhavam pelo grande salão de mogno para contarem as novidades ao seu mestre ouviram uma voz feminina. Espreitaram com curiosidade e viram Shaoran Li a receber uma cara familiar.
Meiling - Tiveram saudades minhas?
Continua no próximo capítulo.
~*~ AnGe Lille ~*~
