CCNE - I see people and cars covered in gold, And I'm happy to be on my own
Ami - Acho que tinhas ra..
A porta abriu-se cortando a oportunidade que teria para desabafar e um homem alto de óculos e aspecto jovem apareceu para os receber.
Eriol - Bem vindos. Estávamos à vossa espera.
Um sorriso apareceu no rosto do adulto e enquanto Miyu ficou encantada pelas boas maneiras e o ligeiro sotaque, a Ami apenas agravou o seu mau pressentimento, como se aquele sorriso guardasse mais do que apenas uma leve cortesia.
Observou Miyu a entrar com um sorriso deslumbrada pelo conteúdo luxuoso do apartamento passando vagarosamente pela porta causando a Ami calafrios enquanto entrava num espaço a que não pertencia de todo.
Eriol - Por favor, sentem-se onde vos aprouver. – afirmou fechando a porta delicadamente.
Observou cuidadosamente a interacção entre todos os intervenientes jovens do que parecia uma peça planeada à perfeição. Todos belos, todos bem enquadrados nos móveis simples, mas brilhantes contrastando num padrão que alternava entre um branco brilhante e um preto tão escuro que mostrava a Ami o seu reflexo. Assustou-se com a comoção vinda dos sofás de pele que marcavam o centro da sala aberta.
Tomoyo (gritou) - Oh meu deus! Como é que nunca fomos apresentadas antes?
Meiling (entusiasmada) - É a Miyu que te tinha falado! Não te tinha dito que era perfeita para os teus modelos?
Tomoyo (chocada) - Nem acredito que a Sakura te escondeu de mim. És perfeita!
Observou como Miyu se sobressaltou um pouco com a energia da jovem que Ami desconhecia mas em breve começaram a trocar impressões sobre moda. O seu olhar focou-se em Sakura que ignorou o comentário da mulher e retomou o diálogo que mantinha com um homem alto e moreno que ela desconhecia. Eric e Hiroshi comparavam garrafas de vinho e trocavam impressões com o homem que lhe tinha aberto a porta. Hesitou não sabendo o que fazer em seguida. Olhou para Miyu na esperança que ela ajudasse mas para seu azar ela estava demasiado concentrada na sua conversa.
Miyu (alto)- Mas não sabe o melhor!
Completamente inerte no corredor e fora das dinâmicas sociais ia aproveitar a oportunidade para se sentar um pouco quando o seu telemóvel tocou e foi obrigada a se esconder na casa de banho para atender a chamada.
Srª Okinawa- Ami, porque recebi uma mensagem da Miyu a dizer que não vinhas jantar a casa? – notava um tom zangado – Tenho de saber pelas tuas amigas agora o que vais fazer?
Suspirou exasperada observando o espelho que reflectia o seu ar cansado.
Srª Okinawa- Não me venhas com essa atitude! Agora se já estás aí, fica para jantar. Para a próxima liga a avisar.
A chamada tinha sido terminada sem ter podido dizer uma única palavra. Jogou o aparelho na superfície de mármore polido e com frustração rasgou os fios da trança até restar apenas uma confusão de mechas. Com o estômago revoltoso e as mãos geladas optou por vestir a camisola larga no fundo da bolsa que tapava as manchas de farinha do uniforme. Mais ou menos apresentável e aquecida optou por avançar com precaução até a sala achando estranho não ouvir quase ninguém.
Tomoyo (entre risos) - Miyu, és fantástica!
Reconhecia a voz da mulher que tinha ficado deslumbrada com Miyu assim que ela tinha chegado ao apartamento. Avançou pelo corredor e percebeu que tinham avançado para um espaço envidraçado e jantavam animados conversando com leveza e fluidez. Com a mente toldada pelo cansaço pensou em coisas não tão alegres. Pensou em como nunca se encaixaria nesta história. Pensou em como a fantasia de Miyu para encontrar alguém que a guiasse na magia e que tudo encaixaria no fim, segundo a profecia da própria, era o suficiente para ela não prestar atenção a mais nada.
Sakura - Lembro-me dessas angariações de fundos. Não mudaram nada. – observou timidamente.
E uma ideia passou-lhe pela mente. Talvez ela fosse o motivo pelo qual acabavam sempre por falhar. Observando uma sala que não a reconhecia, fechou a porta a um jantar que tinha sido forçada a frequentar e acabou por conseguir voltar no ultimo autocarro para Tomoeda. Observou como a luz artificial berrante acabou subitamente nos limites da máquina que era Tóquio e foi acompanhada pela escuridão da noite até chegar a casa na calada da noite.
Srª Okinawa- Acho que já era tempo para este comportamento acabar. – ouviu a sua mãe murmurar – Já está na altura de agir como uma adulta. A Akane é mais responsável que ela, por amor de Deus.
Ignorou. Estava habituada à forma rígida que a sua mãe a tratava e neste momento estava tão cansada que não se importava de dar nas vistas. Avançou para a casa de banho onde tirou a farinha do corpo. Trancou a porta do quarto e largou os seus pertences no chão. Vestiu o pijama e a contragosto tentou adormecer enquanto a mente fervilhava de pensamentos sobre o dia de hoje.
Apartamento de Eriol
Eric instintivamente virou a cara em direcção à porta onde viu Ami fechar a porta com um ar de pesar. Lutou contra a necessidade de a impedir de sair principalmente porque numa situação social não podia desapontar Li. Apesar de tudo o que sentia, as necessidades do seu mestre seriam sempre superiores às suas. Todos os outros estavam a partilhar experiências de vida com alegria e até Hiroshi parecia genuinamente interessado.
Sakura – Devo dizer que fico feliz por estarmos juntos novamente. Sei que as circunstâncias não são as melhores mas vale a pena brindarmos. O que acham?
Todos acederam ao pedido da anterior mestre das cartas e o som dos copos a baterem uns contra os outros foi interrompido pelo toque da campainha. Eriol pediu licença e abriu a porta para que um homem alto com um robe carmesim entrasse no espaço agora abafado de um calor sufocante. Meiling e Tomoyo ficaram no fundo da sala protegidas por Hiroshi que estava à frente delas. Li soltou um riso sarcástico notando que Sakura apertava o copo na mão com força. Eric aproveitou a oportunidade para circular por fora das atenções ficando no móvel mais perto da saída.
Eriol – Bem vindo, Cletho. – conduziu o homem até a mesa de jantar – Quero que seja bem vindo à nossa pequena reunião. Deseja alguma coisa?
Cletho – Oh, obrigado mas estou bem.
Sakura engoliu a presença nefasta e repugnante do membro do Conclave. Embora não tivesse as cartas o seu instinto nunca lhe falhava e esta era a prova que precisava. O homem de cara cheia e expressão desapontada olhava na sua direção. Sakura cruzou os braços e esperou pelo comentário inevitável ao seu falhanço enquanto a porta do apartamento se fechou levando Eric com ela.
Cletho – Sakura, mil perdões pela sua perda. Tenho a certeza de que se tivesse tido em conta os nossos conselhos poderia com certeza manter o seu nível de magia… - suspirou – Muito infeliz. Sem dúvida.
Sakura – Agradeço a simpatia.
Sakura mostrou um sorriso forçado e virou as costas ao convidado, acompanhada por Li que nesta altura já estava a caminho da varanda. Cletho suspirou novamente com a atitude habitual do chinês e avançou para Miyu avaliando-a com interesse mas o sorriso que mostrava morreu ao observá-la com mais atenção uma segunda vez.
Miyu – Será? – murmurou com interesse agarrando a mão dela – Está destinada a grandes coisas, grandes coisas!
Miyu sentiu algum desconforto pela atitude quase predatória do que parecia um abade que tinha um terrível senso de estética. O seu robe tinha entrado e saído de moda umas cinco vezes e não conseguia evitar retorcer o nariz com o cheiro acre que emitia. Tirou a mão com cuidado e sorriu, guardando os comentários para si. Cletho passou por Miyu e andou uns passos até estar em frente de Hiroshi que lhe lançou um manguito e desapareceu para a varanda.
Cletho – Como sempre, uma recepção delicada. – soltou uma risada – E o seu outros discípulo Li? O Eric decidiu ficar por casa desta vez?
Hiroshi – E se fosse enfiar um pau nesse cu descaído? – Hiroshi acedeu um cigarro com um estalar de dedos.
Eriol (escondendo o nervosismo) – Como pode entender, talvez esta não seja a melhor altura. E se voltar noutro dia?
Cletho ignorou a proposta de Eriol sentando-se na cadeira mais próxima provando um copo de vinho abandonado. Abanou o líquido no copo alto procurando saborear em pleno aquele esplêndido manjar dos deuses a que raramente tinha acesso. Li optou por regressar para a mesa dando apoio, colocando a mão no ombro da mulher de estatura pequena.
Cletho – Temo que o tempo urge. Como o processo está em movimento gostaria de ver em primeira mão a nova feiticeira. Tão bela e promissora se bem que a sua energia parecia mais forte da primeira vez que li o edifício. A Sakura apenas escolheria a melhor, claramente. Precisamos de fortalecer o Conclave.
Miyu viu que estava a ser observada com interesse e procurou algum conforto perto de Meiling que lhe deu a mão e a puxou para perto de si. A sala estava agora suspensa no que Cletho iria proferir e ele adorou cada minuto de expectativa que criava.
Cletho – Querida menina, não credes no que vos contaram sobre o Conclave. Somos muito importantes e precisamos sempre de novos membros. Nada nos agradaria mais do que guiar uma nova feiticeira no rumo certo.
Cletho sorriu com alegria mas Miyu ficou perdida nas suas respostas. Toda esta contrapção era demasiado e não poderia arriscar numa opção que lhe custaria a sua boa imagem. Tinha um futuro brilhante e não seria este neandertal que lhe diria o que fazer. Preparava uma resposta acutilante mas Sakura avançou primeiro para o debate.
Sakura - Eu sou a sua tutora. E eu chego perfeitamente.
Cletho (suspirou) – Foi exactamente essa atitude que te fez perder as cartas, querida. – levantou-se – Vejo que hoje não é um bom dia para a minha mensagem. Continua a trabalhar a tua energia, menina. Vais ser muito importante no futuro.
Quando Sakura estava a ponto de atirar a garrafa à careca de Cletho ele desapareceu por detrás da porta. Todos suspiraram de alívio, lívidos com este incidente. O Conclave estava a par de tudo e Sakura não estava pronta para que contaminassem a sua vida com as suas patas imundas. Eram apenas um bando de sanguessugas pecaminosas que se vangloriavam com as conquistas dos outros.
Li – Até correu bem, tinha a certeza de que a Sakura o ia matar.
Todos soltaram uma gargalhada com excepção de Miyu que processava o que tinha acabado de viver. Talvez Ami tivesse razão e tudo isto tivesse sido uma péssima ideia. Lembrou-se como ele a avaliou com aqueles olhos de doninha fedorenta, o seu potencial enorme. A única… Mas ela não era a única que ajudava Sakura! Olhou para os olhos verdes da mulher que estava visivelmente abalada percebendo o que Miyu lhe queria dizer.
Sakura (consternada) – Miyu percebes?
Miyu abanou a cabeça positivamente. E de repente as peças encaixaram. A energia e o potencial que o homem falaram e a desilusão que teve ao se aproximar de si. A energia que ele tinha sentido era Ami que tinha tido a excelente pontaria de desaparecer deste encontro furtuito. Tinha de avisar a sua melhor amiga o mais cedo possível.
Miyu (chocada) – Como assim potencial? O que é que eles querem fazer à Ami?
Eriol (cabisbaixo) – Essa é a pergunta do século. – bebeu um gole de vinho – Tentei adiar este encontro o mais possível mais infelizmente devem ter tido conhecimento da minha vinda ao Japão. Mil perdões!
Tomoyo abraçou o seu marido, reconfortando-o. Sakura sentiu alguma mágoa e culpa ao ter duvidado da honestidade de Eriol e Li optou por enfrentar a situação com a mente táctica que lhe permitia se manter no topo numa economia tão competitiva como a chinesa.
Li (determinado) – Fizemos uma promessa, de que vos manteríamos a salvo do Conclave e é isso que vamos fazer. Até agora temos 17 cartas entre os dois, o meu conselho é apanharmos todas o mais depressa possível e acabarmos com isto antes que a informação dê a volta ao mundo.
Concordaram num silêncio pesado acabando o jantar com apenas o som dos talheres a baterem no prato.
Casa dos Okinawa
Ami dava a volta aos lençóis tentando ignorar as palavras dos pais que lhe remoíam o cérebro e acabou por desistir do sono quando recebeu uma mensagem misteriosa de Miyu.
Ami telefona-me! O mais depressa possível!
Não tinha vontade de ouvir novamente como todos se divertiam sem a sua presença tóxica e optou por deixar o telemóvel de lado. Ouviu um barulho como se alguém remexesse a telha e depois a sua janela abriu-se sozinha. Em pânico, procurou o bastão com medo que pudesse ser alguma carta que procurasse vingar as suas congéneres e abafou um gritou quando Eric saltou para a sua carpete.
Ami (sussurrou) – Quem te deu permissão para invadires o meu quarto?
Eric fechou a janela com cuidado e caiu de forma casual no cadeirão gasto admirando o quarto em que estava. Até Ami o atingir com um livro pesado na cabeça mas foi rápido o suficiente para evitar um segundo ataque.
Ami (sussurrou) – Podes me dizer quem raios te deu permissão para entrar aqui?
Eric – Bem parece que a minha preocupação era infundada.
Ele encolheu os ombros agora com total controlo da arma de ataque, admirando o conteúdo das páginas. Ami cruzou os braços ligeiramente divertida pela posição bizarra em que ele se sentava mas manteve a sua emoção principal, revolta para invasão do seu espaço privado.
Ami (sussurrou) – Fala baixo! – deu-lhe um murro no braço – Nunca ouviste falar de telemóveis?
Eric lançou o livro para a escrivaninha que caiu num baque pesado e Ami quase teve um ataque de pânico. Ouviu passos vindos do corredor e Eric escorregou para debaixo da cama à procura de refúgio enquanto ela ainda tentava chegar à segurança dos cobertores. Escondeu a cara nos cobertores no minuto em que a porta do seu quarto foi aberta. A senhora Okinawa percebeu que o barulho era apenas do livro caído e voltou a fechar a porta com cuidado voltando para a sua cama quente. Ami tentava abafar o riso de pânico e quando procurou por Eric ele estava já de volta ao cadeirão.
Ami (sussurrou) – Estás a arruinar a minha vida! Some-te!
Ao observar a forma séria como Eric a observava ficou intrigada pelo que surgiria de seguida. Ele caminhou devagar até se sentar na beira da cama dela e lhe dar a mão. Os dedos dele estavam gelados pela noite fria mas Ami não se importou de os segurar durante alguns minutos. Conseguia sentir o perfume que usava sempre um pouco manchado pela poluição da cidade. Olhou para os olhos gélidos que mostravam alguma preocupação.
Eric – Eu sei que saíste do jantar por te sentires à parte. Quero que saibas que podes sempre contar comigo quando isso acontecer.
Ami tentou conter um sorriso envergonhado. A seriedade com que tinha confessado a sua disponibilidade aqueceu o seu peito com um coração que batia agora a mil. Engoliu a seco e avançou para o beijar no rosto mas Eric virou a cara e roubou-lhe um beijo apaixonado deixando os lábios de Ami tão vermelhos quando as suas bochechas. Eric sorriu confiante e levantou-se do colchão.
Eric – A minha missão está cumprida. – piscou-lhe o olho e desapareceu outra vez pela janela.
Ami deixou-se deslizar pelo colchão macio tendo a certeza de que agora seria mesmo impossível adormecer.
Centro Tokio
Miyu continuava agarrada ao ecrã do telemóvel na esperança que Ami lhe iria telefonar mas à medida que se aproximava da uma da manhã a mesma esperança começava já a desvanecer. Optou por se encontrar com a mãe na revista onde trabalhava mas com a condição de ser acompanhada por o detestável Hiroshi que nesta altura fumava o terceiro cigarro em vinte minutos. Quanto tempo mesmo alguém demorava a morrer de tabagismo?
Hiroshi (soltou uma nuvem de fumo) – Podíamos fazer um desvio, prometo que seria rápido e eficaz.
Miyu ignorou a boca nojenta que precisava de ser lavada a lixívia a este ponto. Como alguém poderia gostar de alguém tão insuportável era um mistério para si.
Miyu – Devias era retocar o teu eyeliner, querido. Esses olhos de texugo não são uma tendência, tá? – mostrou o seu melhor sorriso falso.
Hiroshi encolheu os ombros e consumiu outra golfada de fumo, sentindo finalmente uma calma merecida. A merda do Conclave era uma praga do pior até no fim do mundo tinha de lhes coçar o rabo. Sério. Coçou a cabeça ao olhar para a forma pirosa como Miyu se abanava para conseguir a atenção do sétimo idiota bêbado na rua. Porque é que tinha de estar num grupo que a queria ver viva!?
Hiroshi - Falta muito para o escritório imaginário?
Miyu – Deixa de resmungar e entra aí. – Miyu saltitou até o guarda – Olá querido! Hoje vim cá ter. E deixe o rapaz entrar, veio comigo.
Guarda (sorriu) – Sim, senhora Miyu.
Hiroshi assobiou impressionado pelo sistema de segurança do edifício e atirou-se para a cadeira mais próxima enquanto Miyu optou por uma abordagem mais delicada. Suspirou ao ver que Ami ainda não tinha respondido e guardou o telemóvel na bolsinha rosa.
Miyu – Sabes podes te ir embora! – anunciou animada – Aqui não é preciso seres o meu cão de guarda.
Hiroshi revirou os olhos com a tentativa idiota que ela fazia de o rebaixar. Por vezes gostava que ela fosse um pouco mais feia, podia ser que assim aprendesse a ser uma mulher de jeito. Afastou esta observação, começar uma guerra com Miyu não seria nada bom. Uma mordidela daqueles dentes cheios de veneno seria letal, se bem que se fosse acompanhado por outras coisas ele arriscava o traseiro.
Hiroshi – E que tal te calares? Que eu saiba só recebo ordens dos Li. – aproximou-se dela até ficar perto do ouvido – Mas se quiseres..
Foi interrompido com a estalada que Miyu lhe deu no ouvido. Ela estava quase a despejar o frasco de gel anti-bacteriano na cabeça dele só para se sentir mais limpa. Que insuportável! Virou as costas para a cara artificial e olhou para o outro lado do corredor à espera que a mãe saltasse do elevador.
Hiroshi (riu-se) – Podes apostar que só me bates uma vez…
Miyu ia comentar sobre aquela frase quando percebeu que ele estava a mostrar o seu melhor sorriso.
Miyu – Tens a certeza que ainda estás na garantia? Acho que estás um pouco avariado.
Hiroshi – Magníficas palavras de sabedoria!
Miyu suspirou exasperada. Esta noite era infindável!
Hiroshi – Tem calma, ainda mal começou a semana e já queres que acabe?
A pergunta foi atirada de forma confusa e Miyu demorou um segundo a perceber de onde ele tinha tirado aquela ideia.
Miyu (chocada) – Leste a minha mente? – levantou-se da cadeira – Qual é o teu problema? – fez uma pausa – Como consegues fazer isso?
Hiroshi riu com a curiosidade honesta que ela demonstrava.
Hiroshi – É um dom, bebé. – fez uma pose sensual – Mas infelizmente essa informação é secreta, como podes entender.
Miyu (suspirou) – Obviamente que toda a gente é super-poderosa. Menos eu. – bateu com os pés no chão e levantou a cabeça – Afinal, quais são as intenções do teu amigo?
Hiroshi mostrou um sorriso sincero quando ela tentou esconder a sua frustração. Coçou a cabeça enquanto manuseava com habilidade o isqueiro entre os dedos.
Hiroshi – A questão milionária. – recostou-se na cadeira – Na minha experiência o Eric é muito fechado e infelizmente a cabeça dele é mais difícil de ler que a tua. – tocou de leve na cabeça de Miyu – Acho que ele gosta mesmo dela.
Miyu (impressionada) – Uau, isso foi inesperado.
Hiroshi (sorrindo) – Ou só lhe quer comer toda. Escolhe uma.
Miyu – Pois, isso era mais o que esperava.
Riram os dois um pouco mais à vontade um com o outro. O elevador apitou e a Srª Shiwabara saiu carregada de pastas até chegar ao pé dos dois adolescentes. Deixou com cuidado em cima da cadeira e abraçou Miyu.
Srª Shiwabara – Oh, como se chama este rapaz simpático?
Miyu – Hiroshi.
Optou por ser sucinta mas a sua mãe parecia impressionada pela simpatia dele. Foi forçada a ouvi-los a confraternizarem sobre os media e a falta de transparência como se Hiroshi fosse uma grande entendido depois de ter sofrido uma lobotomia nos segundos que se passaram. A boa impressão deu-lhe direito a uma viagem até Tomoeda de graça. Miyu acabou por adormecer no carro enquanto se dirigiam para casa na esperança deste dia amaldiçoado acabar.
~*~AnGe Lille ~*~
