Destinos Que Se Cruzam

Capítulo 3

- Pare! Em nome dos deuses, parem com essa cerimônia agora mesmo!!!

Todos se voltaram em direção à voz que gritava de forma desesperada. Hilda e seus familiares olhavam atônitos para a jovem que ofegante, parecia ter surgido de um cenário de guerra: os cabelos longos e loiros caiam desgrenhados pela face pálida e suja de pó. O que antes parecia ser um elegante vestido, agora era apenas um conjunto de trapos que mal cobriam o corpo alto e magro, resultado de dias de fome e sede.

- Quem é ela? – Miro indagou-se, curioso com a cena incomum.

- Nana... Não, não pode ser... – Freya que estava mais próxima a jovem, balbuciou, num misto de surpresa e alegria desenfreada. – Está viva!

E correndo até a loira que soluçando, se deixa ser abraçada pela irmã de Frey.

- Hilda...! – Fler por sua vez, exclamava à irmã que também assustada, parecia ter esquecido da cerimônia momentaneamente.

- Hilda! – a decadente mulher dirigiu sua voz a sarcedotisa de Odin. – Em nome dos deuses, não realize essa cerimônia...

- Alteza...! – Gunther parecia desnorteado com a presença daquela mulher.

- Eu não posso Nana. Você sabe que não.

- Então irá contra a palavra dos deuses? – a sua voz soou irônica. Entretanto, a ligeira arrogância deu lugar a uma aura de imensa tristeza. Sua voz então ficou trêmula e lágrimas surgiram em seus orbes. – Hilda, minha amada princesa... Se soubesses... Se pudesses imaginar o terrível inverno que varrerá Asgard...

Sentiu-se então amparada por Freya e por Shura que sentiu uma grande piedade daquela mulher. Sem obter mais forças para protestar, Nana deixou-se ser guiada pelos dois para dentro do castelo. O restante dos convidados se virou em direção à Hilda que mantendo a serenidade em seu olhar, empunhou o cetro novamente, dando continuidade à cerimônia.

"Independente do destino que os deuses deixam à Asgard, eu lutarei com todas as minhas forças... Jamais permitirei que sangue inocente banhe as terras sagradas de Odin. Jamais permitirei perder aqueles a quem eu amo novamente." – Pensou a jovem sacerdotisa enquanto ministrava a unção para o mais jovem guerreiro-deus de Asgard.

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Na noite daquele mesmo dia, um jantar de gala foi realizado para comemorar o ingresso de Gunther às forças asgardianas, bem como para apresentar aos cavaleiros de Athena, alguns costumes típicos daquele povo. Dentre as atividades que foram apresentadas aos convivas, uma peça shekaspeariana conhecida como "Sonho de uma noite de verão" foi a apresentação mais esperada por todos que se dirigiram até os jardins palacianos, onde um pequeno palco havia sido montado para a apresentação.

Alheio a encenação feita, Shura voltou seu olhar para o Palácio Valhala, pensando nos acontecimentos daquela manhã. Como estaria Nana? Então, fazendo um leve sinal para Miro, Capricórnio caminhou para dentro do castelo.

Pensava apenas em perguntar sobre o estado de saúde da jovem para algum empregado palaciano, mas não teve tempo de avistar nenhum. Logo que pisara no salão comunal do palácio, avistou a loira deitada num divã, com os olhos azuis perdidos no teto decorado. Agora, Nana realmente parecia ser de uma linhagem real. O vestido vermelho com apliques dourados lhe caia bem, assim como as escassas jóias que usava. Como tudo naquele país remetia à memória do espanhol os belos contos vikings, naquele momento, associou a imagem da loira à da bela Frigga, esposa do onipotente Odin.

Temendo tirá-la de seus pensamentos, Shura nada disse, dando apenas uma meia volta para o portão principal.

- Não tive a oportunidade de lhe agradecer, cavaleiro de Athena.

Ao voltar seu olhar, viu Nana já de pé, o encarando com candura no olhar azulado. O cavaleiro sorriu e em resposta, disse:

- Não vejo nada para que possa me agradecer.

- Suas palavras mentem os seus atos. – ela retrucou, enquanto se adiantava para Capricórnio. – Quero agradecer por ter em tão pouco tempo, prestado serviços tão dignos a este povo.

O ar de mistério contido em sua voz, era de certa forma, incômoda ao cavaleiro. Sentiu vontade de pedir licença e sair daquela sala, já que era bem visto que Nana havia se recuperado rapidamente.

- Se me permite, vou voltar a assistir a peça. Tenha uma boa noite, senhorita...

- Espere cavaleiro. Antes que saia, peço-lhe mais um pequeno favor de sua parte.

- Em que posso ser útil?

Nana manteve-se calada. Ao se aproximar de Shura, ergueu suas mãos até tocarem de leve o rosto do cavaleiro que a olhava ressabiado.

- Os deuses me presentearam com o dom de desvendar os segredos do passado e do futuro dos homens que caminham sob esta terra... E desde o momento que o vi, confesso que me senti tentada a desvendar a história sob a qual sua vida foi moldada.

- Agradeço a intenção, mas a história de minha vida é algo que só diz respeito a mim.

- Mais uma vez, suas palavras negam as suas reais intenções, Shura de Capricórnio... Ou devo chamá-lo de "o prudente guardião"?

- Não sei do que possa estar falando.

- Mas sabe o que meu corpo quer dizer...

Os lábios da asgardiana tocaram sem hesitação alguma, os lábios de Shura, enquanto seus braços entrelaçavam o pescoço do espanhol que assistia a ação da mulher de olhos bem abertos. Durante o breve ato, o espanhol sentiu que a mão da mulher parecia empurrar para dentro do bolso de sua calça, alguma espécie de objeto minúsculo. Entretanto, não teve tempo de concatenar nenhuma outra reação, pois...

- Nana, os servos disseram que... – Hilda não chegou a completar a frase, pois viu com demasiada surpresa que o seu convidado estava aos beijos com a viúva de um parente seu.

Ao ouvir a voz da princesa, o primeiro instinto de Shura foi o de afastar Nana o mais longe possível de seu corpo. Ao olhar Hilda e perceber que esta mantinha sua face completamente ruborizada, o cavaleiro de Athena sentiu uma profunda vontade de se matar com o primeiro objeto cortante que estivesse à vista.

- Perdoe-me o incômodo. – Hilda disse com certo ar de resignação – Com licença...

- Espere!

A soberana não voltou seu olhar ante a voz de Shura. Ao contrário, apressou ainda mais o passo.

- Droga! O que você fez? – o espanhol protestou, enquanto seguia até o vão que daria acesso à porta de saída. Entretanto, as palavras de Nana o fizeram parar, abruptamente.

- O amor que sente pela princesa será a melhor arma para você e a melhor defesa que ela terá nos próximos tempos. Ame-a da melhor forma que um homem pode amar uma mulher, pois através do coração da amorosa Freiya(1), vi que você, cavaleiro de Athena é a alma renascida para acolher a alma errante da mulher do gelo.

Num primeiro momento, Shura pensou que a mulher havia enlouquecido de vez. Num segundo instante, pensou que ele é quem havia enlouquecido, diante de tanto absurdo que sua mente registrou.

- Que asneiras são estas que estás dizendo, mulher?

- Seu destino não é algo que possa ser considerado, como algo que cause asno. – respondeu séria.

- Destino? Não acredito num destino ditado por seja lá quem for!

O cavaleiro saiu por fim da sala, deixando uma pensativa Nana para trás. Seu único objetivo naquele momento era o de apenas, dizer para Hilda que tudo aquilo que ela presenciou não passava de um mal entendido armado por aquela louca mulher.

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Hilda sentia o rosto queimar a medida que avançava pelo jardim. Vez ou outra, era interpelada por algum convidado, mas este era logo gentilmente dispensado pela princesa que alegava precisar de um pouco de ar puro. Pensou em ir até o estábulo, tomar seu negro cavalo e cavalgar o mais longe que pudesse.

Mas isso era insano e definitivamente, ia contra seus princípios.

Sentiu então que seu braço era tocado e o gesto fez com que ela volvesse seu corpo para trás.

- Hilda...

- Aconteceu algo, cavaleiro?

Shura não gostou nem um pouco da forma de como ela o chamou, apesar da indagação feita por ela estar escondida sob um tom de voz aveludado.

- Gostaria de dizer à senhorita que o que houve naquela sala agora...

- Não há nada para ser justificado. – ela retrucou, sorrindo. O espanhol sabia que aquela era uma resposta forçada e insistiu mais uma vez.

- Aquela mulher... Nana...

- Ela é a mulher de um estimado guerreiro, provavelmente morto na Batalha dos Deuses(2). Nana estava desaparecida há muito tempo e todos nós achávamos que ela estava morta. Mas hoje, exatamente no dia da proclamação de Gunther, ela reapareceu... E isso é uma dádiva dos deuses.

- Compreendo. – Shura respondeu, entendendo o verdadeiro recado escondido nas palavras da asgardiana. – Com licença.

Enquanto voltava ao castelo, Capricórnio ponderou que todos aqueles últimos eventos não poderiam ter ocorrido em hora melhor. Pensou que o repentino encantamento que sentiu pela princesa de Asgard fosse apenas, fruto de toda aquela aura mística que aquele reino de gelo era revestido. Hilda também era como Asgard, feita de magia e mistério.

Suspirou, de certa forma, aliviado. Afinal, se veria livre desse sonho na manhã seguinte, quando ele e Miro retornariam ao Santuário.

Finalmente se veria livre do olhar da mulher de gelo... Hilda de Poláris.

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Há poucos minutos antes do dia amanhecer, dois homens olhavam atentamente para a entrada da caverna que estava encoberta pelas rochas. Esse lugar também era conhecido como a "Morada de Fafnir". O maior deles deu um passo a frente e com os braços levantados para o céu, começou a elevar seu cosmos.

Pode-se ouvir do interior da caverna, um som rouco que crescia aos poucos e que ao mesmo tempo fazia com que as estruturas cristalinas das rochas começassem a ceder.

O outro homem que observava a tudo de forma atenta, arregalou os olhos quando viu as rochas da entrada do fosso começaram a se partir e dos escombros, fortes rajadas de ar quente pareciam denunciar que o inferno exigia subir à superfície.

Com um gesto rápido, ambos os homens pularam para lados opostos, dando passagem a uma serpente de tamanho imensurável e cuja pele de um dourado acentuado se assemelhava a escamas de peixe.

- Fafnir! Criatura da libertação! – bradou o gigante, extasiado com a visão do animal mitológico.

A enorme serpente rastejou ligeira rumo ao litoral. Enquanto o animal seguia arrastando consigo árvores e pedras, os homens volveram sua atenção para o interior da caverna que ainda estava em névoas produzidas pelos vapores vulcânicos.

- Onde Ele está...? – o homem menor sussurrou, se aproximando do local. Sua dúvida não demorou a ser sanada, pois começou a escutar o som tétrico de correntes sendo arrastadas por sobre as rochas. Seu companheiro apurou a audição e constatou o mesmo som.

Imediatamente, eles se puseram de joelhos e nesse momento, as densas nuvens deram lugar à silhueta de um homem preso a pesadas correntes.

E seu olhar era extremamente enlouquecido.

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Pela manhã, antes do café, Miro já estava nos jardins, a espreita de Freiya que por sinal, ainda não havia aparecido para o seu habitual passeio.

- Nossa, como as mulheres gostam de pregar peças em nós, pobres e coitados homens... – Miro resmungava, escondido entre os arbustos bem podados do local.

Enquanto continuava a esperar – e resmungar – do lado oposto do jardim, um homem de feições grotescas e olhar desconfiado caminhava rápido, como se temesse ser visto por alguém. Dos portões que davam acesso ao Palácio, Frey saíra, indo ao encontro do primeiro homem. Não houve cumprimentos nem palavras. Apenas, o general dos exércitos asgardianos entregou para o submisso, uma espécie de pergaminho que Miro conseguiu apenas discernir alguma rota impressa.

O cavaleiro de Escorpião estreitou os olhos azuis. Frey lhe inspirava desconfiança e cada um de seus atos reforçava ainda mais esse fato.

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Palácio Valhala.

Em um dos vários aposentos do castelo, Nana chorava ao contemplar as pedras do oráculo das Runas(3) que estavam espalhadas pela mesa cuidadosamente ornada por um tecido vermelho.

As três pedras eleitas pelo Destino estavam com suas inscrições arcaicas viradas para cima, indicando o passado, o presente e o futuro de Asgard.

- Ó terrível futuro... As Runas declamam o fim prematuro da humanidade... Mas quem poderia ter adiantado tão funesto processo?

Pancadas fortes na porta tiraram a loira de seus pensamentos nefastos. Hesitou por um breve instante e resolveu não atender. Entretanto, pesada porta de madeira foi forçada, dando passagem a um personagem que ela jamais poderia imaginar.

- Por Frigga, então você... Você é um daqueles que as Runas indicaram como sendo os traidores?

Uma grande sombra se aproximou, engolindo toda a luz que cobria a nobre que teve que erguer a cabeça para poder vislumbrar os olhos do homem à sua frente.

- Traidor dos deuses... Traidor de sua rainha e de seu país! – ela exclamava, entre o choro e a ira.

Não houve respostas verbais por parte da outra pessoa. O que se desenrolou logo após, foi o vulto prateado da navalha de uma espada que ao terminar o seu trajeto, estava banhada em sangue.

No chão, o rubro sangue de Nana escorria pelo seu cadáver e se misturava com o tom vermelho de seu vestido. No olhar, a última lágrima de alguém que jamais foi feliz em vida, começou a escorrer pela face branca.

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Perto das dez horas, Miro finalmente havia se encontrado com Shura a fim de partirem rumo ao Santuário. Os dois santos caminhavam por um dos corredores, rumo à saída do castelo.

- Finalmente vamos partir daqui.

- Fala de uma forma como se a estadia aqui tivesse sido tediosa. – Shura maliciou.

- Você sabe que eu adorei conhecer Asgard. – Miro falou de uma forma mais maliciosa ainda.

- Ah, certo... Gunther que o diga!

- Não estou me referindo àquele moleque Shura! – Escorpião protestou, continuando. – Sairei daqui levando no meu espírito a dor da saudade que uma beldade gravou em meu coração.

- Miro. Você anda lendo livros demais. – o espanhol retrucou, sorrindo com o tom poético na voz de Miro.

- Acho que ainda estou sob os efeitos da peça de ontem à noite. Mas e você? Asgard não lhe deixará saudades?

Shura se calou e o grego sorriu.

- Sabe qual é o seu problema? Você leva a vida a sério demais.

- Não é isso Miro! Somente você que poderia pensar que eu poderia me apaixonar por Hilda. Não percebe que isso é ilógico?

- Eu não estava me referindo a Hilda.

Capricórnio praguejou-se mentalmente. Miro conseguiu realmente jogar uma verde para ele que caiu como um bobo.

- É meu amigo, com certeza a princesa mexeu com você. Mas não te culpo. Hilda é uma mulher muito bonita e tem muitas qualidades. Uma verdadeira lady dos tempos modernos.

- Sim, eu admito. Ela mexeu comigo. Mas isso é algo passageiro. Tenho certeza disso.

- Façamos um trato: quando retornarmos ao Santuário, você irá cair na noitada comigo e iremos nos esquecer dessas belas mulheres que nos fazem tanto mal!

- Miro... Você é um devasso.

- Mas admita que gosta de meus conselhos! – ele disse sorrindo, passando o braço direito pelo pescoço de Shura que também sorria. – Veja só! E não é que a princesa irá se despedir da gente!

Shura avistou Hilda e sua irmã ao lado da carruagem que os levaria de volta ao Ocidente. Ao avistá-lo, a princesa discretamente mudou a direção do seu olhar e Shura fez o mesmo.

- Em nome de Asgard, queremos agradecê-los pela honrosa presença e engajar votos de feliz retorno. – a voz de Hilda era suave, mas formal.

- Em nome da sagrada deusa Athena, agradecemos ao convite por Asgard e teremos o prazer de comunicar à nossa deusa as boas novas desse bondoso povo. – Shura era ainda mais frio em suas palavras.

- Nossa, quanta formalidade... – Miro interveio. – Bom, de qualquer forma, quero dizer que se depender de mim, Athena terá agradáveis notícias de Asgard.

A princesa sorriu discretamente e um vassalo encarregado de guiar a carruagem, abriu a porta do transporte, dando acesso aos cavaleiros. Quando se acomodaram, Shura evitou olhar para Hilda, mas isso se tornava difícil, pois o cavaleiro percebeu que a sacerdotisa havia pousados seus olhos sob sua imagem. Evitando ceder a imensa vontade de mirá-la mais uma vez, o cavaleiro abriu a cortina da janela do carro.

Ao perceber a reação do espanhol, Hilda baixou o olhar. E dando meia volta, colheu uma rosa vermelha que despencava de um arbusto que subia em uma coluna de pedra.

- Irmã...? – Fler indagou curiosa com a repentina mudança de Hilda.

- Irei fazer uma visita à Siegfried.

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Já viajavam a cerca de três horas a velocidade média e o balançar da carruagem somado a demora não agradava Miro em absolutamente nada. Ao abrir a cortina da janela para poder averiguar se estavam perto de chegarem aos portões de Bifrost(4), Escorpião teve que fechar os olhos para não desmaiar ali mesmo.

- O que houve Miro? – Shura perguntou, com o olhar baixo.

- Shura... Se eu contar você promete que não vai contar para ninguém?

O cavaleiro da décima casa arqueou a sobrancelha.

- É que eu... Bem... É que eu nunca me deu muito bem com altura sabe...

- Você tem medo de altura?

- Não é medo! É apenas um certo... Desconforto, entende?

Ao abrir a cortina de sua janela, Shura avistou que a menos de um metro das rodas da carruagem, um enorme desfiladeiro despontava, rumo ao mar revolto.

- É... Estamos muito próximos do penhasco. – Shura analisou com calma.

- E você está calmo?! – Miro quase gritou.

- E o que quer que eu faça?

- Que você vá falar com o cocheiro e saber quanto falta para a gente sair dessa estrada!

- Você está mais próximo da janela de comunicação do cocheiro do que eu. Vá falar com ele então.

A resposta – involuntária – de Miro foi um ferrão vermelho em direção ao cavaleiro de Capricórnio que sorriu debochadamente. Após um profundo suspiro, o escorpiano baixou a guarda e se virou para a janela de comunicação, a fim de abri-la. Mas antes que ele escancarasse a pequena portinhola, uma flecha ensangüentada atravessou a janela e parou no chão da carruagem. Nesse exato momento, ambos sentiram que os cavalos relincharam e pareciam desgovernados.

- O que diabos é isso?! – Shura começou, se levantando do local em que estava.

- Ainda não adivinhou?! Alguém atirou uma flecha! – o outro retrucou, abrindo a janela de vez e dando de cara com o rosto inerte do condutor do transporte.

- Merda... Ele está morto!

Nesse momento, uma saraivada de flechas atingiu a carruagem e as armas fincaram-se na lateral do transporte.

- Vamos Ter que sair daqui! – Shura disse, olhando rapidamente para todos os lados, provavelmente imaginando qual seria a melhor saída.

- Isso é óbvio! – Miro interveio, indo em direção a porta que dava para o lado mais seguro da estrada de pedregulhos. Entretanto, ele foi detido por Shura.

- O que você pensa que está fazendo?! Se sairmos por ai, seremos alvejados pelas flechas!

- E o que o chef sugere para o menu de hoje?! – mesmo com toda a situação em que estavam envolvidos, Miro não deixou de fazer a piada infame.

Sem responder, o cavaleiro abriu a porta que dava para o desfiladeiro. Miro sentiu seu sangue gelar.

- Ah... Não...!

- Então tudo bem. Vire uma peneira então! – Shura retorquiu, enquanto se inclinava para a porta e analisava qual seria o melhor momento de saltar.

O grego ainda foi em direção à porta oposta, mas outra nuvem de flechas que dessa vez comprometeram as estruturas da carruagem, fizeram com que ele mudasse de planos radicalmente.

- Sabe, eu acho que estava precisando de um pouco mais de adrenalina para a minha vida tão sedentária!

Então, acompanhando Shura, Miro mergulhou no vazio gelado do penhasco.

Continua.

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Notas explicativas:

(1): Nana se referiu à deusa viking do amor, Freiya.

(2): Hilda fez uma alusão à Batalha dos Deuses, o segundo Ova de Saint Seiya, onde os cavaleiros lutaram contra os guerreiros-deuses comandados por Durval que no Ova, era o líder de Asgard.

(3): As Runas são um dos oráculos mais famosos dos povos antigos, sendo difundidos principalmente pelos vinkings. Segundo a lenda, as 24 pedras que continham o alfabeto FUTHARK, foram encontradas pelo deus Odin e por ele, difundidas entre seus súditos, a fim de lhes proporcionarem o conhecimento dos mistérios dos deuses e dos homens.

(4): Segundo as lendas nórdicas, Bifrost era uma ponte em forma de arco-íris que separava o reino de Odin (Asgard) do reino dos homens (a Terra ou simplesmente, Midgard).

Notas da autora:

Olá a todos! Gostaria de pedir desculpas pela demora na atualização de "Destinos que se cruzam", bem como agradecer de coração a todos os reviews e críticas que vocês estão fazendo em relação a essa fic.

Espero continuar recebendo o apoio de vocês, bem como as observações construtivas. Afinal, o crescimento das fanfics depende apenas do interesse dos leitores, concordam?

Um forte abraço a todos e até a próxima!

Arthemisys