Destinos que se cruzam

Por Arthemisys

Revisado por Alana


Quinto Capítulo


Florestas de Ida, Asgard.

Os diversos sons vindos de todos os cantos da floresta tingida de branco, somado ao trote compassado do cavalo, parecia marcar o ritmo de uma dança primitiva. De vez em quando, Hilda levantava os olhos em direção dos céus que nunca foram azuis, mas que ainda assim, mostrava através das espessas camadas de nuvens brancas, a esfera solar.

"O sol marca o fim da tarde." – pensou, voltando a olhar para frente que não revelava nada mais que um caminho íngreme e cercado de troncos negros e desprovidos de folhas.

A trilha por onde percorriam não teria como destino, a ponte Bifrost, mas sim, a um lugar que serviria de esconderijo, pelo menos até o anoitecer, para que Shura e Hilda pudessem novamente retomar o trajeto para Midgard.

"Deixar Asgard..." – a jovem rainha pensou e inevitavelmente um suspiro esbranquiçado ergueu-se no ar. A cada instante, a cada vez que se sentia mais distante do Castelo Valhala, a sarcedotisa sentia que havia traído à sua terra e os seus súditos. Era como se estivesse fugindo do seu destino, que era o de ficar e lutar.

Hilda começava a se ver como a legítima carrasca daqueles que mais amou, e que agora estava deixando para trás. - "Por Odin! Tudo está recomeçando!" – a constatação mental fez com que fios de lágrimas corressem livres por toda a extensão de seu rosto.

Shura não a viu chorar, mas percebeu que o cosmo harmonioso da princesa oscilou repentinamente e deduziu isto a algum pensamento conturbado. Com vigor, cerrou com mais força suas mãos, dando ordens através das rédeas, para que o alazão corresse o mais rápido que poderia. Os olhos amendoados e acastanhados do cavaleiro pareciam enxergar além de cada movimento brusco de algum animal silvestre, cada pio de coruja ou bater de asas de andorinha era para ele, sinônimo de perigo à vista. A única coisa que parecia tirar a atenção do guerreiro espanhol de vez em quando, acontecia quando o vento trazia para o seu olfato, o agradável odor adocicado dos cabelos de Hilda.

- Vire à direita. – a voz de Hilda fez com que Shura saísse do seu silêncio.

- Para aonde estamos indo? – indagou, pois a princesa ainda não lhe havia revelado qual seria o destino que aquela corrida os levaria.

- Para a casa de um amigo.

A resposta fez com que Shura novamente se calasse e tomasse o rumo sugerido por Hilda. O que antes era trilha, agora havia se tornado uma clareira com um solo repleto de pedregulhos. Não demorou muito para que o casal avistasse uma cabana de madeira tosca. A presença de fumaça na chaminé demonstrava que havia também, a presença de vida naquele refúgio.

Shura foi o primeiro a descer do animal, logo em seguida auxiliando a princesa que parecia conhecer bem àquelas paragens. Talvez aquela idéia de se esconderem por algumas horas para despistar os guerreiros de Frey não seria uma má idéia.

Não demorou muito para que a porta de madeira corroída se abrisse, dando passagem a um homem de idade avançada e olhar cansado que ao avistar o casal, deu um suspiro que conotava surpresa.

- Alteza...? – murmurou, enquanto uma lufada de ar gelado saia de sua boca.

- Friedrich! – Hilda exclamou, enquanto se aninhava nos braços do velho. – Meu bom amigo...

- Oh, minha jovem rainha... O que aconteceu? O que faz nessas paragens e... Quem é este homem?

- Costumam me chamar de Shura. Sou um cavaleiro da ordem de Athena.

- Um santo? – Friedrich indagou espantado. – Por Odin, nunca imaginei que teria a oportunidade de ver um cavaleiro de Athena.

- Meu amigo, precisamos de seus préstimos mais do que nunca. O Castelo Valhala... Asgard... – Hilda parou ao sentir um incomodo nó se formar.

- Não precisa falar... Venham, é perigoso ficarem fora da cabana.

Shura seguiu os dois para dentro da humilde casa. Sua mente, enquanto isso se perguntava por que dos olhos do velho lenhador lembrava tanto os de Hilda.

...x...x...x...

O interior da cabana era sem dúvida mais confortável que a região hostil que a circundava. Os tons escuros dos poucos móveis pareciam harmonizar com a cor fria das paredes feitas de rocha e madeira. A lareira que se localizava em uma das paredes não crepitava, mas as toras que restaram da noite anterior ainda estavam em brasa, o que contribuía para aquecer o recinto.

Friedrich tirou do fogão a lenha um recipiente com água e folhas, coou e despejou o conteúdo em duas xícaras de porcelana tosca.

- Dizem que as folhas secas de amora servem como calmante. Acredito que este chá não poderia vir em momento mais apropriado. – o homem falou, enquanto Shura e Hilda bebericavam o líquido de gosto adocicado.

Sentindo-se mais calma, Hilda voltou a falar.

- Amigo, o Castelo sofreu nessa manhã, um golpe de estado. Um homem que jamais ousei pensar, se levantou como traidor do país e de Odin.

- E quem poderia ser?

- ...Frey.

- O general Frey? Isso é impossível.

- Acredite meu bom amigo, Frey levantou sua espada contra mim. – nesse momento, os olhos da princesa encararam os de Shura. – Mas Odin enviou um santo em minha defesa.

O velho sorriu, tomando uma mão da jovem e afagando com carinho. – Deus sempre atende às súplicas de seus filhos... Sejam eles reis, ou lenhadores, como eu.

- Oh, Friedrich... Gunter...

- Suponho que meu filho escolheu ficar em Valhala. – ele completou enquanto um sorriso moldava os lábios finos e cobertos por uma generosa camada de barba.

Nesse exato instante, o cavaleiro endireitou o corpo no banco. - "...meu filho..." – Agora tudo se esclarecia. Hilda conhecia Friedrich pelo fato deste ser o pai de dois guerreiros: Siegfried e Gunter.

- Sim, ele ficou. – Hilda baixou o olhar. – Para proteger minha irmã Fler e Freiya que nada tem haver com as sujas ambições de seu irmão.

- Sim, sim... E acredito que vossa alteza não partiu do palácio por vontade própria.

- Eu a convenci que sair de lá era no momento, o melhor a ser feito. – Shura respondeu, saindo da condição de expectador.

- Então, tenho que agradecer sua presteza, meu senhor... Afinal, se Hilda fosse um homem, tenho certeza de que nesse momento, ela estaria a brandir sua espada contra um exército... E sozinha!

- Os deuses não quiseram me dar essa graça. – a sarcedotisa respondeu com desgosto.

- Talvez os deuses quisessem presentear a todos que a rodeiam. – Friedrich retorquiu enquanto se levantava. – Venham, pois eu preparei meu quarto para que possam descansar um pouco antes de partirem para o fim da viagem.

- Como sairemos de Asgard sem sermos vistos? – Shura questionou também se levantando.

O velho respondeu após um sorriso de desdém. – Há mais segredos nessas terras do que as rochas que formam as montanhas, cavaleiro.

...x...x...x...

A noite finalmente havia se instalado e apenas os pios das corujas poderiam ser escutados. Ainda naquela madrugada, Shura e Hilda prosseguiriam a viagem rumo ao mundo conhecido. De acordo com as informações que obteve junto a Hilda e Friedrich, a cerca de dois quilômetros do casebre, floresta adentro, havia uma caverna cujo final não passava de uma estreita passagem para apenas um homem caminhar com o corpo encurvado, mas que levaria para uma outra caverna que por sua vez, os levaria para Midgard.

Com o corpo tenso pelos últimos fatos que se seguiram, o cavaleiro levantou-se de sua cama improvisada e indo até a sala, encontrou Friedrich sentado próximo à lareira, olhos fixos nas brasas que ainda queimavam. O velho homem parecia preocupado. Shura deu meia-volta, a fim de deixar o asgardiano com seus pensamentos, mas Friederick o impediu.

- Também não conseguiu dormir?

- Não... – o cavaleiro respondeu, se aproximando do homem. – Não consigo dormir... Não posso dormir.

- Seu senso de dever o impede, não é mesmo? – o velho indagou a meio-sorriso.

- Se é assim que prefere chamar...

- Meu filho mais velho... Siegfried também era assim.

- Desculpe, não queria fazê-lo lembrar...

- Mas é necessário. As lembranças são a única coisa que eu tenho do meu filho. Não posso me desfazer delas a essa altura do campeonato, concorda?

Shura pressentiu que aquela conversa não seria tão trivial assim. Por isso, sentou-se em um banco e posicionando o queixo entre as mãos cruzadas, pensou um pouco.

- Os humanos nascem, crescem e se fazem por si sós. O que todos procuram nessa vida, cavaleiro?

- A felicidade, penso eu.

- E o que seria a felicidade...? O que é a felicidade para você, Shura?

O cavaleiro baixou a cabeça. Seus olhos não mais tinham a coragem de encarar o olhar do velho.

- A minha felicidade reside em proteger minha deusa e os meus... Amigos.

Friedrich sorriu.

- As lembranças às vezes, machucam.

- Eu não deveria estar vivo, Friedrich. Não, depois de tudo o que fiz.

- Mas está... Então, aproveite essa preciosa oportunidade para concretizar a felicidade dos outros que lhe são caros. A partir daí, busque a sua própria felicidade.

- Isso parece ser tão utópico. – retrucou, com um ar sarcástico.

- E do que é feito os sonhos? Friedrich respondeu com um meneio de cabeça.

Nesse instante, o zumbido do vento pareceu maior. Shura se levantou olhando em volta, como se todos seus sentidos estivessem atentos a algum possível ataque.

- Os deuses estão nos alertando do perigo... – sibilou Friedrich. – É hora de partirem.

Hilda então apareceu na soleira da porta, olhar ainda pesado do sono que não a havia dominado por dois dias.

- E quanto a você, amigo?

O velho seguiu em direção à jovem, tomando assim o rosto viçoso entre suas mãos enrugadas.

- Nada irá acontecer a um velho lenhador. Não se preocupe comigo. – e virando-se para Shura, sua voz saiu como um pedido de súplica. – Cavaleiro de Minerva, proteja minha filha.

...x...x...x...

O caminho cravado na rocha hora era íngreme, mas ora transformava-se em uma elevação que parecia terminar em algum cume de montanha. Seguindo a sugestão do velho lenhador, eles não se utilizavam da luz do fogo para não chamarem nenhuma atenção. Para compensar algum possível ataque de morcegos, ambos estavam munidos de mantos feitos em pesado couro negro, que servia também como camuflagem da noite.

Quando Shura viu o buraco em meio a um paredão de pedra pela primeira vez, pensou que aquilo se tratava de uma das famosas quatro entradas para o mundo de Hades. Entretanto, Hilda o advertiu que aquele era uma rota de fuga usada pelos antigos membros da família real em épocas de guerra. O final daquele túnel que mal cabia um adulto em pé, daria para o reino da Terra, mais precisamente para os Montes Pirineus na Espanha.

Montes Pirineus... O cavaleiro não deixou de sorrir ante a indiscreta coincidência do destino.

- Veja... – balbuciou Hilda. – O fim do túnel.

Um discreto raio solar entrava pela fresta deixada pelas pedras amontoadas.

- Por favor, princesa, se afaste. – Shura pediu gentilmente, enquanto se aproximava do que poderia ser chamado de porta.

Hilda não conseguiu ver que em questão de milésimos de segundos, as pedras cederam lugar ante a força do punho cortante do cavaleiro. Quando a poeira baixou, ela pode então ver que uma mão se estendia para ela.

- Seja bem vinda ao meu mundo, princesa Hilda.

...x...x...x...

Ida. Florestas de Asgard.

Dois potros de pelugem bege tentavam abrir caminho por entre a camada de neve que se formou na noite anterior. Cobertos por mantos, Gunther, Fler e Freiya já se encontravam a uma distancia bastante considerável do palácio.

"Vá à casa de seu pai e peça guarita." – a voz de Frey ainda ribombava na mente do jovem guerreiro deus que tinha a irmã mais nova de Hilda em seu cavalo. – "O que meu pai tem haver com tudo isso?" o rapaz ainda tentava entender, quando então ouviu o zumbido rápido de uma flecha cortar o ar.

O cavalo empinou as patas dianteiras, o que fez Fler se assustar.

- Heia! – bradou Gunther, tentando acalmar o animal.

- O que aconteceu? – Freiya indagou, retesando com as rédeas, os passos do animal que montava.

- Psiu... – sibilou Gunther. – Estamos sendo...

Não teve tempo de terminar, pois uma saraivada de flechas veio de encontro com o casal. Rapidamente, o irmão de Ziegfried abraçou Fler e ambos caíram no chão. Algumas setas conseguiram atingir Gunther que protegeu a princesa com seu corpo.

- Gunther! – a irmã de Frey gritou, horrorizada com algum possível sinistro.

- Gunther...? – Fler também chamou pelo rapaz, que parecia sorrir.

- Senhoritas... Sou um guerreiro-deus. A armadura de Doube que está escondida pelo manto, me protegeu.

- Maldito infante impertinente...

A voz rouca fez com que os três voltassem seus olhares para as arvores.

- Surtur? – Gunther não parecia acreditar no que via. Seu antigo oponente estava trajando uma armadura de cor metálica que estava parcialmente coberta por pele de urso. – O que está acontecendo...? Que raios de armadura é esta?

- Hum, talvez seu falecido irmão já tenha lhe contado algo sobre os berserkers, não é mesmo?

- Um berserk...? Não... Isso só pode ser uma piada... Você fez votos de proteger Asgard e a rainha...

- Votos?! De que valem promessas de um derrotado?! – o olhar de Surtur parecia ensandecido. Suas mãos eram guarnecidas de pesados machados e sua boca se moveu em uma promessa louca. - Seu infeliz... Hoje terei a minha vingança e a cabeça das mulheres para oferecer ao meu senhor e deus.

Discretamente o guerreiro-deus olhou para trás e viu Fler e Freiya próximas uma da outra e de joelhos. Deveria protegê-las, isso era fato. Mas como fazer, uma vez que além de Surtur, provavelmente haveria mais homens os rodeando prontos a atacá-los? O rapaz mordeu os lábios inferiores. Havia caído numa armadilha covarde e agora não tinha muitas opções... Era atacar ou proteger. No final das contas, seu grupo estava em grande desvantagem.

- Talvez esteja pensando em como irá me derrotar, mas vejo que você ficou numa situação incômoda... Ou abandona as mulheres e me ataca, ou fica com elas e usa seu corpo como escudo para os arqueiros.

- Além de estúpido, é um covarde Surtur...

- Cale-se! – o homem gritou com uma fúria incontida. – Não ouse mais levantar sua voz contra mim, um guerreiro berserker!

Aquela situação de impotência fez o sangue de Gunther ferver.

- Então pare de se vangloriar e me ataque!

A resposta veio ao som de um machado que cortou o ar a uma velocidade impressionante. Mas, mais rápida foi a reação do asgardiano que ao correr de encontro a arma que girava no ar, conseguiu segurar o cabo desta e aproveitando-se da força vetorial que ainda possuía, reverteu sua direção, voltando então em direção de Surtur que se desviou.

- Argh...!

O gemido saiu da garganta de um arqueiro que se encontrava logo atrás do berserker e que foi atingido em cheio pelo machado.

- Se não quiser que mais algum companheiro seu morra, não lance seus brinquedinhos para mim outra vez. – desdenhou.

- Não será mais necessário... – a resposta veio acompanhada de uma sonora gargalhada.

Nesse momento, um calafrio percorreu a espinha de Gunther. Ao se mover para revidar o ataque, ele abriu uma distancia considerável entre Freya e Fler as deixando passíveis a qualquer tipo de ataque.

Sem pensar duas vezes, ele virou-se de costas para Surtur, mas já era tarde. Outra nuvem negra de flechas cortou o ar gelado rumo às mulheres que estáticas pelo terror, aguardavam seu fim.

Um grito.

Um som como se vários galhos secos estivessem sendo estraçalhados.

Uma nuvem de gelo e fogo.

E ao final do que poderia ter sido o fim, surgiram mais dois personagens ao lado de Fler e Freiya que pareciam ainda anestesiadas pela rápida sucessão dos acontecimentos. Um, estava envolto por uma pesada capa de couro puída, parecia mais um demônio. O outro, cuja armadura branca parecia se misturar com o tapete nevado começou a falar com uma calma amedrontadora.

- Se quer ver tanto presenciar a neve de Ida tingida pelo sangue, eu lhe darei esse inigualável prazer... Mas espero que ainda esteja vivo até ver a última gota de seu sangue manchar esse solo, seu maldito.

- Não... Não é possível... Você...!

- Deveria acreditar mais em fantasmas Surtur! – Gunther não deixou de escarnecer, indo ao encontro dos homens. – Não é mesmo, Bado de Arcor?

...x...x...x...

A pele branca recebia pela primeira vez, o toque amistoso dos raios solares de um final de tarde primaveril. O olhar claro da princesa parecia hipnotizado diante o majestoso astro solar que começava a fazer sua lenta descida através da linha do horizonte. Enlevada com uma visão há tanto imaginado e finalmente conhecida, Hilda elevou uma mão até a altura do coração, como se quisesse aquietá-lo.

- Não olhe diretamente para o Sol.

A voz do espanhol retirou a asgardiana de sua contemplação. Foi então que percebeu que sua mão ainda estava presa a dele. Mas naquele instante, ela não soltou sua mão.

- Não estou olhando, sei dos castigos que Apolo guarda para aqueles que ousam mirar diretamente a carruagem solar. Mas o por do sol é algo realmente... belo.

Shura esboçou um sorriso ao ouvir uma superstição tão antiga e sentiu uma pontinha de orgulho pelo fato de ter sido ele o responsável entre o encontro da princesa e do mundo que era dele.

- É porque você ainda não viu as flores dos jardins do caminho de Santiago de Compostela durante a primavera.

- Gostaria de ver... Algum dia. – ela respondeu com sinceridade, mirando os olhos enegrecidos do rapaz.

- Eu gostaria de estar ao seu lado nesse dia. – retrucou, já prevendo qual seria a reação dela.

Hilda sentiu que sua face corou e incomodada com a reação involuntária, mudou o rumo da conversa.

- E para onde iremos?

- Para o lar da minha família.

- Família?

- Princesa, eu nasci e vivi a maior parte da minha vida nessas terras. Quando Friederick me contou o destino que aquela rota de fuga dava, não deixei de sorrir intimamente com toda essa coincidência.

- Então podemos chegar à conclusão de que o Destino pregou uma peça com você, não é isso? – Hilda indagou, quando começou a seguir o cavaleiro.

- Não chamaria isso tudo que está acontecendo comigo de "brincadeira do Destino"... Mas agora acredito que de uma forma ou de outra, nossos destinos deveriam se cruzar. – ele respondeu com um tom ameno.

- Shura... – Hilda balbuciou. Ao ouvir seu nome dos lábios da nobre, ele instintivamente se virou para ela que em meio a um olhar triste, tentava esboçar um sorriso de gratidão.

E ele chegou imediatamente a concluir que aquele era o sorriso mais belo que ele já havia visto em toda sua vida.

- Obrigada... Por tudo que fez e que ainda está fazendo, obrigada.

Shura não conseguiu pensar. Com rapidez, ele volveu-se para ela e tomou o corpo aparentemente frágil contra o seu, em um abraço acalentador. Sabia que toda a força que Hilda parecia ter era apenas uma muralha de proteção que pelo visto, estava prestes a desabar por completo.

Ao sentir-se atraída por aquele gesto tão apaziguador, a princesa não conseguiu mais resistir. O ar nobre e decidido que faziam parte de sua mascara estavam arruinadas, isso era fato. Então, fios cristalinos de lágrimas começaram a rolar por seu rosto que logo procurou abrigo naquele abraço que lhe trazia tantas saudades.

Saudades.

Do seu herói.

De Siegfried.

Que poderia está ali, no lugar de Shura.

Mas que não estava mais presente.

Jamais imaginou que um dia pediria abrigo a alguém que não fosse seu herói.

Como o Destino gostava de pregar peças.

Continua...


Notas da autora:

Olá gente! Como puderam constatar, não desisti de Destinos que se cruzam, apenas estava muito atarefada nesses últimos tempos. u.u

Já comecei a escrever o sexto capítulo, mas não posso prever quando irei publicá-lo. Agora a faculdade está sendo mais prioritária, mas sempre que eu tiver uma folga, vou escrever... Afinal, vício é vício! P

É impressão minha ou a Hilda está começando a ver o Shura com outros olhos? O.o É, acho que ela está começando a se sentir mais confortável ao lado do rapaz. P E ele está sendo cauteloso, isso é bom. u.u' E olha só o detalhe, o Bado apareceu! D E trouxe um amiguinho com ele! XD Mas quem será? O.o O quê? Esquece, eu não vou contar! P

Ah, sim... Agradecimentos! Saory-San II, Dani Polaris, Fabi Washu, Flor de Gelo, Harpia, Juliane e Margarida, obrigada pelos comentários. E claro, quero agradecer a Alana pela revisão e ao ZiegfriedAensled pelas dicas na cena do Gunther. D

É, acho que é só.

Até a próxima! o/

Arthemisys