Remmy,
Eu preciso falar com você o mais rápido possível, no máximo amanhã de manhã. É muito urgente!
Eu e a Mary tivemos uma idéia genial pra te ajudar.
Não esquece, viu?! Amanhã de manhã!
Lily.
Ótimo! Agora eu estou realmente encrencado! Eu já disse que a vida não é justa?
A Lily descobriu. E o pior, eu nem precisei falar nada. Quem falou foi a Mary, e eu nem imagino como ela fiou sabendo, e não vou perguntar. O que eu sei é que ela sempre me perguntava se eu gostava de homem, que ela achava que eu tinha um lado meio gay. Isso quer dizer que ela já suspeitava, e a Lily disse que na (maldita) festa ela teve certeza. Bom, vamos do começo.
Um quarto da escola acha que a Mary é lésbica, e os outros três quartos não se importam nem um pouco com isso. Mas só a Lily e eu realmente sabemos dela. Nossas rondas noturnas sempre foram meio reveladoras.
Foi mais ou menos na metade do ano passado, e nós dois já estávamos voltando para a torre da Grifinória. Fomos por um atalho que só eu (e os outros marotos) conhecia, e quando eu afastei a tapeçaria pra gente passar, vimos a Mary e uma aluna da Corvinal em uma situação meio... delicada.
As duas estavam praticamente sem roupa. A garota da Corvinal, Simone, tinha uma das mãos por baixo da saia de Mary (que aliás só usava a saia) e a outra mão na cintura dela. Mary tinha as duas mãos dentro da camisa (aberta) de Simone, segurando "carinhosamente" os seios da garota.
Lily ficou da cor do próprio cabelo e soltou um gritinho que fez as duas se separarem. Eu virei as costas muito envergonhado, e pedi pra elas me avisarem quando terminassem de se vestir. Demos um bom sermão nas duas, mas não demos detenção. Ia dar muita polêmica, então deixamos daquele jeito mesmo, mas também deixamos bem claro que não ficaríamos encobrindo os encontros noturnos delas. Foi aí que a Lily sugeriu o banheiro das monitoras, e nunca mais Mary e Simone foram pegas (embora ainda se encontrem às escondidas, a Mary às vezes fala dela comigo).
Eu contei tudo isso pra explicar por que a Mary me assusta tanto: ela também tem um radar em plenas condições de funcionamento. No caso, um radar de identificação de gays, lésbicas, bissexuais e outras variações. Nós dois sentimos cheiro, e passamos muito tempo tentando identificar o que as pessoas eram, e rindo muito. Lógico que isso gerou todas aquelas perguntas embaraçosas, tipo "nem uma leve atração pelo Potter? E o Black?", mas não é isso que vem ao caso! (às vezes eu me desvio muito do assunto...)
O caso é que eu estava na biblioteca ontem de manhã, terminando meu trabalho de Poções, quando a Lily chegou com uma cara estranha de quem não sabe se ri ou fica com dó ou os dois, e não escolhe nenhuma das anteriores.
- Oi Remmy. Como é que você ta?
Ela parecia que estava fazendo um esforço enorme pra não rir, então eu dei um sorriso forçado, fingindo estar pior do que estava.
- Olha bem pra mim, Lily. Como você acha que eu estou?
- Hmm... de ressaca?
- Muito bem, srta. Evans. Dez pontos para a Grifinória.
Nós dois começamos a rir e eu falei que estava quase bom. Ela se sentou do meu lado enquanto eu terminava o dever e o guardava. Fomos saindo da biblioteca e indo para o salão comunal.
- E a moral, Remmy? Já recuperou?
- Ah, Lily. Tudo bem que a minha imagem de monitor cdf e certinho já era, mas não é tão grave assim...
- Não, não é isso. Eu tô falando do banho...
Parei no meio do corredor. A Lily tinha ficado com as bochechas meio vermelhas, mas tinha aquele olhar de quem sabe o que está fazendo. Isso me deu um pouco de medo, e eu realmente não queria saber. Mas eu precisava...
- Ok, o que aconteceu ontem?
- Hmm, você bebeu e passou mal.
A Lily tem um problemas sério, quando ela conversa com alguém ela se repreende e controla bastante o que pode ou não falar, mas quando está conversado com um amigo ela esquece disso. Acaba falando o que não deve. Não que ela não saiba guardar um segredo ou coisa assim (porque ela é realmente confiável), mas a Lily sempre fala coisas que no fundo ela não quer falar. Tipo isso, agora. Não parecia que ela queria terminar o assunto que ela tinha começado. E eu também não ajudava muito, me sentia gelado, eu devia estar branco feito um pedaço de pergaminho.
- Isso eu sei, Lily. O que aconteceu depois disso?
Ela deu um suspiro como se estivesse se dando por vencida.
- Bom, Mary e eu te levamos pro banheiro e ficamos lá com você, enquanto você colocava até a alma pra fora. E aí o Sirius entrou correndo e sem fôlego, e falou que a gente podia ir embora e que ele ia cuidar de você. Eu não fui, mesmo com a Mary insistindo que era melhor deixar você com ele. Mas o Sirius estava bem bêbado, então eu fiquei com um pouco de medo de te deixar lá com ele e quis mesmo ficar. Enquanto a gente discutia se ia ou não, você tentou ficar em pé e apagou, achei até que era um coma alcoólico ou sei lá o quê. E o Sirius me mandou abrir o chuveiro e ir embora pra ele poder te dar um banho. Eu fiz o que ele mandou e saí do banheiro com a Mary, e ela tava com um sorrisinho meio estranho...
Bem, eu não estava mais tão gelado. Na verdade, meu rosto estava pegando fogo. Sirius Black, meu melhor amigo e amor platônico, me deu banho. E eu não estava consciente o suficiente pra aproveitar isso. É muita burrice pra uma pessoa só, fora a vergonha.
A Lily ainda estava tagarelando alguma coisa... Ah, sim. O James (bêbado) tinha tentado beija-la, e ela foi obrigada a bater nele... Ah, claro! Obrigada. Ela adora maltratar o Prongs. É o passatempo preferido dela desde o quarto ano. Não que isso desanime o James, ele é mais insistente impossível.
- ... E eu tive que parar de gritar e correr atrás dele, porque o Sirius voltou todo molhado escorando você, e o Potter foi correndo ajudar ele. Bem, isso foi meio bonitinho, porque ele não sabia o que tinha acontecido com você e foi correndo e xingando porque o Sirius não tinha avisado. Quer dizer, ele pode ser o cara mais galinha, ridículo e metido do planeta, mas é um bom amigo.
Isso foi bem estranho. Lílian Evans, a Lily, monitora, nervosa impulsiva. Não era possível que ela realmente estivesse elogiando o James. Eu preciso contar isso pra ele, ele vai ter gatinhos quando souber. Aliás, eu só percebi isso agora, porque na hora que a Lily falou eu parei na parte em que o Sirius molhado me carregava.
- Enfim, eles te levaram para o dormitório e te colocaram na cama, e o Sirius passou a noite toda lá, sentado do seu lado sem dormir. Ele ainda estava lá hoje de manhã quando eu fui te ver e buscar o sirius pra detenção. Aliás, ele ficou a detenção inteira me perguntando se ele não podia sair pra ver se você já tinha acordado, falando que estava preocupado com você...
- Ta, Lily. Pára um pouco e respira. Foi muita informação pra mim.
Continuamos andando em silencio por uns dez minutos. Eu queria muito encontrar com o Sirius pra poder agradecer, mas a minha cabeça ainda estava doendo pra caramba. Fora que estava pesada de tanta coisa pra processar. Tinha mesmo sido muita informação. Quando a gente estava passando pelo corredor de Feitiços, a Lily me segurou pelo braço.
- Remmy, eu tenho que te perguntar uma coisa. Entra comigo aqui nessa sala.
- Ah, Lily! A gente já ta quase na torre da Grifinória, não dá pra esperar não? Ou então fala no caminho...
- Não, Remus. Tem que ser em particular...
Entrei na sala. Ela sempre me convence a fazer qualquer coisa. Lily trancou a porta depois que entramos e olhou pra mim, séria.
- Senta, Remus.
Remus. Ela nunca me chama de Remus, é sempre Remmy. Devia ser sério mesmo, ela parecia a McGonagall.
- Eu vou ser bem direta, ok? Quem é ela?
- Ai Lils... de novo essa história?
- Ta, eu mudo. Quem é ele?
Meu queixo caiu. Eu parei de respirar. Lily sorriu triunfante. Ela sabia que estava certa, tinha aquele brilho estranho nos olhos, de quando vai responder uma questão difícil na aula. E, pela cara dela, ela sabia mais coisa...
- É o Sirius?
Comecei a rir. Essa era a Lily: esperta demais para o seu próprio bem.
- Não ri, Remus. Eu estou falando sério.
Mas eu não conseguia parar de rir. Era nervoso, e eu sabia que não ia durar muito. Ela estava com aquela cara de se-prepara-que-a-monitora-vai-dar-um-mega-sermão, e eu queria acabar logo com aquilo e ir encontrar os marotos. Segurei o riso e entrei no jogo.
- O que exatamente você quer que eu fale, Lílian?
- Só me responda, Remus. Sim ou não?
A pergunta não era bem se eu gostava ou não do Sirius, isso ela já sabia. A pergunta era para saber se eu confiava nela e aceitava sua ajuda. Eu pensei por um tempo, não queria ajuda nenhuma. Eu estava ali e não tinha nada a perder...
- Sim.
- AAAAHHHH!!!! QUE LINDO!!!!
A Lily é realmente muito estranha. Às vezes eu não sei o que fazer com ela, tipo agora. Em um segundo ela muda de cópia-da-McGonagall para amiguinha-saltitante. Fora que ela achou lindo. Quem no mundo descobre que o amigo gosta de outro cara e acha isso lindo?
- Ai Remmy, que coisa fofa! Bem que a Mary falava que era só perguntar com jeito que você assumia.
- O que a Mary tem a ver com isso?
- Ah, foi ela que me falou de você, e depois do Sirius. Sabe todas aquelas perguntas sobre gostar de homem e tals? Então, ela sempre soube que você era meio... hmm...
- Meio gay?
- Ai Remmy, eu odeio falar assim, é tão seco! Tão... sei lá!
- Não, Lils. Tudo bem.
Eu sorri e ela sorriu de volta. Eu sempre gostei disso na Lily, mesmo sabendo disso era como se nada tivesse mudado. Foi assim quando vimos a Mary e a Simone, e foi assim também quando ela descobriu sobre eu ser um lobisomem.
- Mas o que você pretende fazer, Remmy?
- Talvez descer pra almoçar. Eu to com fome...
- Não seu bobo! Sobre o Sirius!
- Ah, sei lá. Acho que nada. Eu vivi a vida inteira só olhando pra ele, mesmo que eu só tenha percebido isso agora...
- Como assim agora?
- Ué, não tem tanto tempo assim que eu gosto do Sirius...
- Como não, Remmy? A Mary diz que essa tensão sexual entre vocês é gritante, e tem pelo menos um ano que ela acha isso...
- Nossa, então é pior do que eu pensava...
E pensando nisso, a Mary tem razão. Eu sempre fui muito ligado ao Sirius, de um jeito muito intenso. Eu só não entendia isso.
- Mas e aí? O que vai fazer?
- Continuar olhando o Sirius por trás de um livro. Funcionou até agora...
- Eu quero te ajudar, Remmy. Posso falar com a Mary? Ela sempre tem idéias ótimas.
- Lily, eu não quero ajuda. Um dia isso vai passar que eu sei.
- Ah, Remmy... Deixa, vai?
Bom, a Lily sempre consegue o que quer. Comigo então, é até mais fácil.
Nós dois descemos juntos para o almoço, e eu fui me sentar com os marotos. O Sirius foi o primeiro a perguntar como eu estava me sentindo, mas eu nem tive tempo de responder porque o James fez isso antes.
- É claro que ele está bem, Padfoot! Já foi até fazer o dever de Poções!
- Acho que o Moony só passou mal por falta da biblioteca...
Nós quatro rimos. Mesmo assim, o Sirius ainda me olhava como se eu fosse morrer a qualquer momento. Fomos para o salão comunal depois de almoçar e passamos a tarde toda lá, o James se alternando entre brincar com o pomo roubado e perturbar a Lily, o Peter assistindo isso com o maior interesse do mundo, e Sirius e eu jogando xadrez. Eu já tinha ganhado duas partidas e ia para a terceira quando ele parou o jogo e me encarou.
- O que foi, Padfoot? Algum problema?
- Não Moony. Eu só to achando que você não ta legal...
Eu olhei bem pra ele. Eu podia ver a preocupação naqueles olhos cinza-chumbo. E essa é uma coisa que eu adoro no Sirius: ele pode ser meio insensível na maior parte do tempo, mas sempre está lá quando você precisa. É como nas luas cheias, ele sempre fica lá enquanto eu me transformo, e de manhã ele ainda está lá, olhando, esperando que eu acorde pra ele conseguir dormir. Ele é um bom amigo.
- Ih, Sirius, relaxa. Eu to bem, é só uma leve ressaca.
- Tem certeza, Moony? Porque a gente não sabe a influência do álcool nos lobisomens, e eu não queria fazer experiências com você... Ainda mais que a lua cheia está chegando... Você não pode adoecer ou se cansar agora, Moony.
- Eu já falei, Sirius, eu to bem. Relaxa, você ta se preocupando á toa.
- É que eu não sabia que uísque de fogo com cerveja amanteigada era tão forte, se não eu tinha te avisado pra não beber. Minha consciência pesou muito por sua causa ontem. Quando você desmaiou, no banheiro, eu achei que você ia precisar ir para o St. Mungus. Ainda bem que foi só te dar um banho que você acordou.
- Ah, Padfoot. Obrigado por cuidar de mim. Eu sei que você também não estava cem por cento, foi muito legal da sua parte. Fora que deve ter sido um esforço enorme largar a menina do quinto ano, ela era bem bonitinha...
E eu sou ciumento e rancoroso.
- É, ela é bonita mesmo. Mas não foi sacrifício nenhum, amigos e Remmys vêm em primeiro lugar!
Eu sorri pra ele, e Sirius devolveu com o sorriso mais lindo que eu já vi na minha vida. O mesmo sorriso que ele dava quando eu acordava depois da lua cheia. Terminamos o nosso jogo de xadrez (e o nosso sábado) sem maiores acontecimentos, exceto o James que bateu o próprio recorde e conseguiu levar dezessete foras da Lily em uma tarde só, o que resultou numa frustração tão grande que ele saiu da sala só pra poder ver o Snape (por "ver" entenda "mostrar a cueca encardida dele pra todo mundo que estivesse perto do salão principal na hora do jantar").
Quando voltamos do jantar eu vim direto para o dormitório, a minha cabeça ainda estava doendo, e eu simplesmente apaguei. Acordei agora há pouco e vi aquele bilhete assustador da Lily. Eu não quero nem saber o que é essa idéia, quando a Mary e a Lily estão juntas não sai coisa boa... Eu pensei em ir lá na hora que eu acordei (e, levando em conta que eu acordo com o sol, isso era bem cedo), mas achei melhor esperar o café da manhã. Quase seis anos convivendo com Sirius, James e Peter me ensinaram que as pessoas são mais produtivas depois de comer.
Já está quase na hora de acordar os três, eu vou tomar um banho antes que eles acordem e James e sua vaidade monopolizem o banheiro.
Adivinha qual é a idéia genial da Lily?
Eu estou namorando.
E o mais estranho: com a Mary.
E pra quê? Pra fazer ciúmes no Sirius, coisa que as duas acham uma idéia genial.
Fala que não é de quere matar aquela ruiva? Ela é louca! Como ela me mete numa dessas?
A história funcionou mais ou menos assim: acordei os três e descemos pro café. A Lily e a Mary já estavam lá, mas eu fiquei sentado com os marotos (é, eu estava com medo delas). Tomamos o café calmamente como todos os dias, e quando a gente estava saído do Salão Principal a Mary veio atrás de mim e disse pra gente esperar a Lily. O James e o Peter foram para o lago não fazer nada, e o Sirius (não me pergunte por quê) quis ficar ali com a gente, até que a (eca!) Holmes apareceu e saiu arrastando ele. Bem nessa hora a Lily chegou e nós três fomos pra uma sala vazia lá perto. As duas estavam com o mesmo sorriso estranho (e idêntico) desde a hora em que o Sirius foi embora, mas só começaram a falar quando a porta já estava trancada.
– Ok Remmy. Vamos do começo. Você gosta mesmo do Sirius?
– Qual é, Lils! Ele não precisa responder isso! Você viu a cara dele quando aquela lufa metida apareceu e tirou o Black de lá...
– Sabe, às vezes eu não sei se você ajuda ou atrapalha, Mary. Mas a minha cara foi como?
– Ah, você sabe. Cara de "larga o meu homem, sua vaca!"
A gente riu. A Mary é ótima, às vezes. Ela tem umas tiradas realmente boas... O problema é que a gente nunca sabe se ela está falando sério ou não.
– Voltando ao assunto, qual é a idéia genial de vocês?
– A idéia é fazer o Black te notar.
– Hein?!
– É, tipo você começar a sair com alguém pra ele poder ver você.
– Fazer ele morrer de ciúmes e sentir muito a sua falta.
– Até ele perceber que não vive longe de você.
– É, e aí vocês vivem felizes para sempre. Pára de dar palpite errado, Lils. Deixa que eu falo que é melhor.
– Eu adoro esse sarcasmo, Mary. É animador... Bom, na teoria isso parece ótimo. Mas eu vou sair com quem? Eu sou um monitor tímido e introvertido, lembra? Ninguém ia querer... Ah não! Eu sei o que esses sorrisinhos malignos querem dizer, e eu não vou fazer isso!
– Mas Remmy, ia dar tão certo...
– Não mesmo! Se eu sair com a Lily o James vai me matar!
Esse foi o momento mais bizarro de todos: a Lily abriu a boca pra falar alguma coisa mas não falou; a Mary olhou pra mim com uma cara realmente incrédula; eu não entendi nada; a Lily fechou a boca e olhou pra Mary; a Mary devolveu o olhar muito decepcionada; eu continuei não entendendo. E olha que isso durou um bom tempo, até a Mary começar a rir.
– Remmy, eu nunca duvidei tanto da sua inteligência!
– Hein?!
– Pelo amor de deus, Remmy! Eu não!
– Não?!
– É claro que não! Ia ser tão... Óbvio!
– Como óbvio?
– Remmy, presta atenção. Se, de repente, você e eu... Enfim, ia dar muito na cara, sabe? Nós somos muito amigos, essas coisas.
– Fora que, como você mesmo já disse, o Potter ia querer te matar. Ia acabar que a situação ia ter efeito contrário e o Black ia acabar te odiando...
– Ta, ta, já entendi. Mas o que vocês sugerem então?
Silêncio, enquanto a Lily olhava da Mary pra mim. Alguns segundos, e então um tapa da Mary na minha cabeça.
– AI! Quê que foi agora, sua maluca?!
– Cara, você é burro ou o quê?!
– Ah, qual é! Até agora vocês não explicaram nada! Só ficaram me enrolando...
– Ta bom, pode deixar que eu vou ser bem clara agora. Você vai sair com a Mary. E nem vem com essa cara de "ai, eu tô chocado!"
– Mas eu tô chocado! Quer dizer, é a Mary!
– Nossa Remmy, eu sou tão ruim assim?
– Não! É que... Ah, sei lá! É que você é você!
– Han?!
– Como assim?!
– Ah, é você, Mary. A Mary.
– E...
– Você e a Simone, Mary! Esse é o problema!
– Ah! Entendi agora!
– Eu e a Si... por Mérlim, Remus! Você e o Black!
– Isso! Finalmente tem alguém entendendo!
– Calma que quem não ta entendendo sou eu...
– Lily, presta atenção. Eu souhomem. Ela gosta de mulher.
– E...?
– E que ele gosta de homem, Lils. Vai ser torturante fingir que está comigo.
– Mary, não é isso. É que... olha só, a lésbica e o gay juntos. Vai ser muito estranho! Não, Lily, não me interrompe! O que a Simone vai falar? E como é que sair com você vai me ajudar com o Sirius?
– Remus, me escuta só uma vez. Um: eu não sou lésbica. Eu sou... levemente bi.
– Como assim "levemente bi"?
– Lils, não interrompe. Segundo: Remus, abre seus olhinhos cor de mel, meu bem. O Black te ama e não percebe! E terceiro: da Simone cuido eu.
– Mary, o que exatamente quer dizer "o Black te ama e não percebe"?
– E o que é "levemente bi"?
– Lils, eu to te ignorando, ta? Remmy, você é muito inteligente e tals, mas parece que anda por aí de olhos fechados! Só você não vê as caras que o Black faz quando você está conversando com a Lily, ou comigo, ou com o Snape, ou com aquele monitor sexy da Lufa-lufa, ou com qualquer outra pessoa que não seja o próprio Black. O cara tem ciúme até da Madame Prince! Vai ver até dos livros!
– Han?
– Fora que até eu percebi o que jeito que ele estava te olhando na festa sexta-feira. Ele beijou aquela garota pra te provocar...
– Ta vendo? Se até a Lily Lerda Evans percebeu, você é cego mesmo...
– Ok, supondo sempre que isso seja verdade, será que vai dar certo?
– Claro que dá! Eu já resolvi muita coisa desse jeito...
– Ok Mary, não precisa entrar em detalhes. O que nós temos que fazer?
– Bom, acho que a gente não precisa passar das mãos dadas e dos abraços, certo?
– Talvez vocês devam dar um beijo ou outro, mas nada muito sério.
– E esse é um assunto a ser tratado com a Simone. Ela é meio ciumenta...
– Isso é perigoso pra mim?
– Não, só pra mim.
– Mas é claro que não vai rolar nada, a menos que seja estritamente necessário.
– Nada que você nunca tenha feito, meu bem. E não vai ser tanto sacrifício assim, mesmo que monitor-nerdzinho-e-fofo não seja o meu tipo.
Eu corei, obviamente. A Mary tem um talento bizarro pra dizer a verdade da forma mais chutada possível, e nem percebe que às vezes isso pode ser meio incômodo. Isso ainda vai me dar muita dor de cabeça...
– Não vai ser sofrimento nenhum pra ninguém. É só você ser mais... Remmy. Não faz essa cara, você sabe o que eu quero dizer. Fofinho e educado, essas coisas. Vai abraça a Mary aí pra gente ir pro salão comunal. Vocês vão ter que desfilar por aí como o casal mais meigo do mundo. Ah, olha só! Vocês dois são tão bonitinhos juntos...
– Cala a boca, Lils. Eu não preciso ficar aqui ouvindo você dar a sua opinião sobre o nosso "namoro". Vambora, Remmyzinho.
– Sem apelidos, Maryzinha.
Voltamos para a torre e as duas subiram para o dormitório delas. Eu vim buscar uns livros aqui no quarto porque prometi ao Wormtail que ia ajudá-lo com o dever de Poções depois do almoço. Eu só espero que as duas mentes criminosas (e eu nem estou falando do James e do Sirius) não tenham planejado nada "genial" pro almoço, eu quero contar para os outros do meu jeito (leia-se calmo, tímido e contido). Agora eu vou descer porque as duas estão me esperando.
n/a: depois de um leve bloqueio, aqui estou novamente.
capítulo dedicado a:
- Mary: porque você palpitou errado de novo, piorou meu bloqueio, não me deixou tirar a cena com a Simone, não me deixou dormir, e ainda veio me xingar que eu não atualizei. ninguém te merece, garota, e é por isso que eu te amo!
- Paula: eu atrapalho o seu rendimento escolar mesmo, e me orgulho muito disso! fala que a sua vida num é bem mais devertida assim?
agradecimentos do dia:
- Moony-Sensei, Princess Moony, Chris, Firewhisker7, Raw Potter, Bruna, Lô, Luh Black: obrigado!!!! vocês contribuiram imensamente pra deixar uma pseudo-autora feliz!!!! às vezes eu nem acredito que tem tanta gente assim lendo essa coisa... é tão... mágico! (dando pulinhos) e o melhor, aparentemente vocês estão gostando! ah, é mais do que gratificante isso... (olhinhos brilhando) muito obrigado mesmo!!!!
- você que lê essa coisa e não fala: obrigado. eu agradeceria mais se você opinasse, mas fazer o quê, não é? tem gente que gosta de ler e permanecer na surdina...
enfim, acho que é isso.
bejos a quem passar aqui!
