O quinteto formado por Gaara, Matsuda, Enzan, Hikari e Deidara andava sorrateiramente pelos corredores daquele andar sombrio. Passaram pela frente de uma lanchonete luminosa, mas por precaução não entraram dentro. Continuaram rumando sem direção. Hikari tremia violentamente de frio e de medo, agarrada à cintura do garoto Enzan.
Enzan: Calma, Hikari, vai dar tudo bem...
Apesar de tentar consolá-la, sua voz também oscilava.
Deidara: Hey! Olhem! #aponta#
O loiro apontava para o chão, onde 3 garotas estavam desmaiadas.
Enzan: KAYUME! MANDYY! SHOUKO!
Os cinco se sentaram e começaram a tentar acordar as três.
Algum tempo depois, Kayume deu os primeiros sinais de vida.
Kayume: Ãhn... O que aconteceu? #levanta#
Hikari: Graças a Kami-sama! #abraça Kayume#
Kayume: Hã? o.o
Enzan: Você estava desacordada. O que aconteceu...?
Kayume: Nós estávamos dentro da sala de música... aí então Sasuke ficou preso lá dentro. Murata decidiu sair sozinho e então...-
Sua voz congelou nesse exato momento, quando lembrou da terrível visão daquele membro ensangüentado à sua frente.
Deidara: Então...?
A garota Katsura olhou para o lugar onde estava o pedaço de pessoa, como eles não haviam notado? pensou. Mas quando pôs os olhos naquele lugar, a coisa havia desaparecido completamente, deixando apenas o rastro de sangue seco para trás.
Kayume: Então... eu apaguei.
Houve um silêncio brutal naquele lugar, como se cada um quisesse colocar na cabeça exatamente o que havia acontecido até então, e decifrar qual seria a saída daquele pesadelo real.
Hikari: Gente... eu...
Sua voz parecia mais fraca que o normal. Levantou a mão até sua cabeça, como se uma dor a atormentasse incessantemente.
Enzan: Eu... não estou bem...
As coisas para os dois ficaram difusas, uma dor entorpecente castigava a mente dos dois. Então, tudo ficou escuro, e um baque surdo pôde ser ouvido. Desmaiaram.
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"Bando de garotas que babam por ele, humpt."
Murata andava sozinho pelos corredores do 3º andar. Subira as escadas e agora se encontrava só.
PÁ.
A raiva que sentia não deixava que ouvisse o ruído que vinha atrás dele.
PÁ.
Era como uma pessoa moribunda se arrastando atrás dele.
"Mas isso não vai ficar assim... Não mesmo."
PÁ. PÁ. PÁ.
Os passos se tornavam cada vez mais rápidos.
A luz da lua pousou sobre seu rosto. Olhou pela fresta de janela, situada a mais de 2 metros acima.
PÁ. PÁ. PÁ. PÁ.
"Mas que barulho é esse?!"
Seu coração deu um salto. O suor empapava sua camisa. Seus olhos estavam atentos e sua boca meio aberta. Tomou coragem e virou lentamente sua cabeça para trás.
Há menos de 2 centímetros dele, uma face totalmente rasgada, com olhos negros e sobrancelhas encurvadas, odiosas. Sua boca possuía dentes pretos e quebrados. Sua pele era azul-acinzentada. Tinha cabelos espessos e negros, caídos até a cintura.
- Shine.
E essa terrível visão foi a ultima de sua vida, pois com um único movimento de mão a cabeça de Murata rolou pelo chão de concreto, seu corpo cedeu lentamente. Primeiro os joelhos, depois o tronco. O sangue banhou as redondezas.
A coisa também ajoelhou-se, colocou as mãos lado a lado e começou a lamber o chão, degustando do sabor adocicado do sangue de Murata.
Pegou os membros dele e mordeu com aqueles dentes enojantes.
Uma lição. Nunca ande sozinho.
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Itachi olhou para a poça. Olhou de novo. Ficou encarando.
Não, o que era aquela pessoa? O que fazia ali?
Itachi: Te-temari... você...
Uma risada rouca saiu da boca da Sabaku.
Setsuna: Ta rindo do que, trouxa?
Temari: Trouxa?
Sua voz saiu sarcástica.
Várias vozes ecoaram pelo cômodo. Vozes frias.
- You will be the next... You will be the next... Shi-ne.
Setsuna: O-o que está acontecendo?
Temari: Vocês ainda não perceberam? #levanta#
Itachi: Temari? O que aconteceu com você??
Temari: Vocês serão os próximos. Os próximos a morrer.
Ela riu. Riu drásticamente, com uma voz que não era dela. Era fria, era tenebrosa.
Andou calmamente até a mesa próxima, abriu a gaveta e de lá tirou um canivete.
Abriu em uma serra, pequena, porém cortante.
Itachi: VOCÊ NÃO É A TEMARI.
Temari: Lógico que não. Ela logo, logo morrerá também, mas primeiro tenho que cuidar de vocês.
Itachi: "E agora? Eu não posso machucá-la, ela é minha amiga! Mas então eu posso morrer..."
Setsuna: ITACHI! CUIDADO!
Com o canivete em riste, a Temari, ou o que era ela, avançou para cima do Uchiha. Por pouco não acertou seu pescoço, caindo errantemente sobre a porta trancada.
Itachi: Temari! Temari! Temari acorda, por favor!
Temari: ELA NÃO IRÁ RESPONDER. Os espíritos que ocupam essa maldita escola possuem muita energia. Você não sabia? Espíritos que possuem muita energia são quase indestrutíveis.
Setsuna: E-eu não quero morrer... E-eu na-não quero...
Itachi: "Droga! Eu realmente não posso machucar a Temari-chan... e agora? E AGORA?"
Temari: Por que não me deixam lhes matar?
Itachi: NUNCA!
Setsuna estava escondida no canto da sala, tremendo loucamente, com o suor frio saltando de seus poros. Sabia que não devia ter ido pra lá, sabia. Cadê o Matsuda?
A possessa encarou a imagem simplória da garota. Um sorriso malicioso surgiu nos lábios rosados da garota.
Itachi percebeu as intenções da garota.
Itachi: NÃO!
Mas não foi a tempo.
A faca atravessou o pescoço de Setsuna lentamente, se aproveitando de cada artéria corrompida.
Os olhos da possessa brilhavam.
O sangue vermelho percorreu pelas lajotas já sujas.
O medo percorreu o moreno.
Itachi: N-não é possível, vo-você...
Temari: SIM, EU A MATEI, E AGORA É A SUA VEZ, BAKA.
As pernas dele tremiam, não queriam responder. O suor empapava sua camisa. Recuou alguns passos para trás, mas o sangue presente no chão fez com que ele escorregasse e fosse direto para o chão.
Ela chegava cada vez mais perto.
Dentro de sua cabeça, Temari sonhava um sonho irreal, junto de Hinata, Shouko, Mandyy, Hikari, Enzan, Naruto e Sakura.
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Neji: Você irá pagar por isso... Ou eu não me chamo Hyuuga Neji.
Com o corpo mole de Tenten, deixou-a na cadeira mais próxima e voltou a fixar seus olhos naquela coisa à sua frente.
Na história de Konoha e região, havia 5 famílias principais, que guardam templos. Elas tem uma história antiqüíssima dentro do ramo de feitiços e exorcismo por monges. Eram elas a família Hyuuga, Sabaku, Uchiha, Aburame e Haruno.
A família Hyuuga, a mais tradicional, obrigava que todos os seus descendentes aprendessem as técnicas de exorcismo. Eram apenas palavras e gestos que, diziam eles, conseguiam afugentar os maus agouros.
Neji era quase um monge, mas o fazia mais por obrigação. Sempre escondera este fato, pois temia ser alvo de piadinhas sem graça.
Essas famílias também eram conhecidas antigamente pelo seu alto grau de mediunidade. A família Haruno era conhecida pelas grandes médiuns que nasciam sob seu teto. Nunca se soube se Sakura era uma, pois suas habilidades nunca se mostraram.
Já a Uchiha, abalada por um antigo assassinato sem solução há 50 anos, largou um pouco seus alicerces e passou a praticar as artes marciais, como faz Sasuke e Itachi.
A Aburame era melhor em selos e encantamentos, usados mais para a proteção do que a exterminação. Shino era um ótimo aprendiz, apesar de ter começado os ensinamentos já tarde.
E por fim a família Sabaku, com uma história milenar, cuidava de um gigantesco templo budista no alto de uma montanha, com diversas árvores de Sakura crescendo. Kankurou nunca se mostrou interessado, já a jovem Temari mostrava grandes habilidades e autocontrole. Gaara, o irmão mais novo, aprendia por obrigação e tentava ser bom naquilo, para deixar sua mãe, abatida com a morte do marido, feliz.
E nessa hora de desespero e fúria que o Hyuuga se lembrou de todos os ensinamentos que havia aprendido em todos esses anos.
Um sorriso tosco pairava na face cortada da mulher. Ela segurava sua faca mais forte e o que deveriam ser seus olhos brilhavam intensamente.
Neji pegou suas duas mãos e colocou-as em uma posição. Fechou os olhos e começou a entoar palavras estranhas.
- O-o que vo-cê es-está fazendo-o?
O garoto com olhos de pérolas aumentou seu tom de voz.
- Na-não...
O barulho do metal caindo fez com que o Nara parasse de tentar reanimar Hinata e olhar para a cena.
- IIEEEEEEE!! #põe mãos na cabeça#
Sua boca se contorcia. Seus joelhos cederam e sua imagem horrenda foi desaparecendo no ar.
A porta foi se abrindo lentamente, rangendo.
Neji abriu seus olhos e percebeu que a imagem da mulher desaparecera completamente. Correu para o corpo de Tenten. Uma leve respiração fazia seu peito subir e descer lentamente. Encarou Shikamaru, que tentava futilmente reanimar a outra Hyuuga, porém sem sucesso.
Neji: Este lugar agora está mais seguro do que lá fora. Melhor não sairmos.
Shikamaru: Concordo. Deite Tenten em uma cadeira também. Vou pegar água e alguma coisa lá na cozinha #levanta e vai até a cozinha#
Começou a mexer nas gavetas, procurando panos ou alguma coisa assim. Pegou um pano e foi até a pia. Abriu a torneira.
Da torneira saía um líquido espesso e brilhante. Vermelho.
Dois segundos depois ele desapareceu e água começou a sair.
Shika: "Que estranho..."
Pegou dois pano na gaveta e molhou-os com água.
Shika: Pega #entrega panos a Neji#
Neji: Obrigado.
Este pegou os panos e colocou-os na testa de cada uma. Olhou demoradamente para o rosto pálido de Tenten.
Neji: Shikamaru, pode procurar alguma curativo para colocarmos na ferida de Tenten?
Shika: Claro.
E mais uma vez o Nara encaminhou até a cozinha, com as mãos nos bolsos.
Os olhos perolados não saiam do rosto da morena de cabelos chocolate. Em suas mãos o sangue dela estava ressecando. Poderia ser ele ali, deitado naquela cadeira, morrendo. Mas não, ela quis salva-lo, e agora sua vida se esvaía dentre os dedos de Neji, que tentava agarrar como gotas de água.
Incontrolavelmente, seu rosto foi chegando perto do rosto desta. Quando se dera conta, os olhos de Tenten já se encontravam a menos de três centímetros dos dele. Estavam fechados, e ela parecia descansar em paz.
Elevou sua mão até a maçã dela. Era lisa e macia. Seus lábios clamavam por aqueles lábios rosados. Fechou os olhos pérolas e foi se aproximando lentamente.
A boca dela estava fria, mas ele queria passar todo o calor do corpo dele para ela. Passar tudo, até a vida.
Colou e ficou sentindo a leve respiração dela, lenta e descompassada.
Shikamaru parou na portinhola, observando a cena. Um pequeno sorriso se fez.
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Minna-san!
Desculpe pela demora n.n'
É que meus dias estão realmente corridos, e um bloqueio do tamanho da vala em Miranda (alguma lua de Urano, qualquer dúvida consulte o Google u.u) estava me perseguindo incessantemente.
Ja ne (;
