02/07/2008

Bella Lili – Cap.2

Talvez ele tivesse algum problema mental, pensou Lílian ao ver os cabelos espetados passarem entre as prateleiras.

Ou talvez ele só tenha se interessado por você.

Dessa vez, não reclamou sobre a voz na sua cabeça. Pela primeira vez, pensava na hipótese de que Tiago realmente quisesse conhecê-la e ter uma conversa normal.

Se interessar por mim não faz dele uma pessoa muito normal, convenhamos...

Ele lia, entretido com uma pena que passava entre os dedos. Enrugava a testa vez ou outra quando parecia ler algo que o intrigava e arrumava os óculos a cada cinco minutos. Ele ainda não percebera que Lílian o observava.

Ele espirrou.

Bom, você já tem a sua prova, Lílian.

Prova do que?

De que ele é uma pessoa normal e não um bicho de sete cabeças. Pessoas normais espirram.

Pensou alguns instantes, considerando o que a sua consciência estava querendo lhe dizer. Mas, afinal, sua consciência era ela mesma ou outra pessoa dentro da sua cabeça?

Eu sou tudo isso.

Você não pode ser duas pessoas ao mesmo tempo, eu não tenho transtornos bipolares.

Não que você saiba.

Lílian bufou, desistindo. Prendeu o cabelo em um rabo de cavalo, ainda observando Tiago entretido com sua pena. Após alguns segundos ele olhou no relógio e se levantou. Lílian sentiu o rosto avermelhar e fingiu estar procurando algo nas prateleiras e por um segundo teve certeza absoluta que ele a viu, mas Tiago saiu tão logo se levantou, pela porta grande de madeira.

Uma mistura de remorso, vergonha e orgulho se apoderaram de seu estômago, dando-lhe uma sensação de incômodo. Aquilo a fez se sentar e pensar se deveria ter ido falar com ele.

Ele me viu.

Não creio, ele não veio falar com você.

E se ele não quisesse falar comigo?

Sua consciência não respondeu.


Sofia bufava de raiva. Seu rosto estava vermelho e os cabelos esvoaçavam, fazendo-a lembrar vagamente a Medusa.

-EU VOU TE MATAR! –ela gritou e Remo virou para a esquerda, esperando ver algum garoto ou até mesmo a irmã gêmea de Sofia, da Corvinal. Surpreendentemente, o que ele viu foi um retrato. Não um retrato qualquer, era o Retrato da Mulher Gorda, a entrada para a Sala Comunal da Grifinória.

-EU PRECISO ENTRAR!

-Sem senha, não entra. Por favor, não gri...

-Olha aqui, sua GORDA –Remo se assustou com a agressividade, Sofia agora apontava para o rosto pintado no retrato- Se eu não entrar aí nesse momento, eu juro que vou...

Remo esbugalhou os olhos e, imaginou que se a cena não fosse inusitada, seria hilária.

Sofia encarava o Retrato com puro ódio.

-Aé? –disse, se sentando no chão e cruzando os braços- Pois então eu vou te INFERNIZAR até você me deixar entrar!

-Custa ir perguntar a senha para algum monitor, Srta...

-UMA POÇÃO DE IRRITAÇÃO PARA VOCÊ! DUAS POÇÕES, DUAS POÇÕES PARA VOCÊ! TRÊS POÇÕES, TRÊS POÇÕES, TRÊS POÇÕES DE IRRITAÇÃO PARA VOCÊ! QUAAAAAAAAAAAAAATRO –Remo foi obrigado a tampar os ouvidos- POÇÕES...

-Pare de cantar, por Merlin! Vou ser obrigada a chamar Dumbledore, que ultraje...

-Vai me deixar entrar?

-Eu não posso!

-CINCOOOOOOOOOOO POÇÕES...

-Sorvete de Pistache.

-Oh, obrigado Sr. Lupin, por favor, leve essa menina daqui e a tranque numa torre!

-Me tranque numa torre e você vai conhecer a palavra "medo", Lupin!


Lílian saiu do Corujal limpando o uniforme no ombro.

-Malditas corujas...

-Se você fosse mais simpática, talvez elas não te bicassem...

-Elas me odeiam Alice! É um complô!

-Não seja paranóica, Lili. As corujas não odeiam nenhum bruxo.

Lílian olhou por sobre o ombro e viu os olhares homicidas que as corujas lançavam em sua direção.

-Eu não tenho tanta certeza disso –disse.

-Afinal, conseguiu ou não enviar a carta?

Lílian acentiu e atravessaram a ponte que ligava o Corujal á Entrada do Castelo. Estava um bom final de tarde de sábado, sem calor.

Observou a amiga que agora se sentava em um dos bancos no pátio e viu que ela vestia a blusa que Lílian lhe dera no Natal passado.

-Ficou boa em você –comentou- Demorei quase um ano para achar uma que fosse desse modelo e da cor laranja!

-Eu adorei –Alice se espreguiçava, olhando as pessoas que passavam pelo pátio- De verdade.

-Não há de que.

As duas ficaram em silêncio, Lílian viu Snape passar muito perto delas, mas não chamou a atenção do amigo.

-Não gosto dele, Lili.

Lílian não respondeu.

-Você sabe muito bem com quem ele anda, eles são cruéis. Você já viu as brincadeiras que fazem com os outros alunos? Aquilo é magia negra, Lili!

-Isso são boatos, Alice. Dumbledore nunca deixaria praticarem magia negra na Escola! Eles já teriam sido expulsos...

-Dumbledore não está sempre aqui, Lili. Ele não tem como saber!

-Severo não faz isso. Ele nunca faria uma coisa dessas!

Lílian se levantou, irritada.

-Aonde você vai? –ouviu Alice perguntar, mas sua cabeça já estava em outro lugar.

Severo não faria uma coisa dessas, nunca!

Você não sabe disso.

Cala a boca!

Subiu as escadas que levavam á Sala Comunal, esbarrando em alguns alunos que passavam.

Ele não é igual á eles.

Eles quem?

Aos Comensais!

Concordo.

Subia mais rápido, o cabelo balançava conforme ela tropeçava nos degraus. Chegando ao sétimo andar, virou á direita e seguiu em frente.

O corredor estava vazio e Lili agradeceu por assim ser. Enquanto andava em direção ao retrato, ouviu alguns passos atrás de si e se virou. Não havia ninguém.

Continuou andando, imaginando que tivesse ouvido os passos vindos das escadas. Estava encarando o Retrato quando escutou vozes e o Retrato se abriu. Por instinto, Lílian se jogou atrás de uma estátua que ficava a alguns metros e agradeceu por não terem percebido a barra da sua Capa que ficara para fora.

-Têm certeza que isso vai dar certo, Almofadinhas? E se ele não aparecer?

Almofadinhas?

Lílian ergueu a sobrancelha, tentando lembrar onde já havia escutado esse nome antes. Fechou os olhos e tentou escutar um pouco mais da conversa. Eram duas pessoas, Pettingrew e...

-Não seja um rato, Rabicho! O Ranhoso não é burro, apesar de ser um...

Black!

Lílian escorregou, fazendo com que o seu sapato fizesse um barulho estranho no piso do Castelo. Os dois garotos se viraram.

Sirius puxou a varinha.

-Quem está aí?

Ninguém respondeu. Sirius andou em direção á estátua que ficava ao lado do Retrato. Deu uma olhada em volta e atrás, parecia não estar totalmente convencido.

-Tem alguma coisa aí? –perguntou Pettingrew.

-Não sei... –ficou encarando um pedaço de pano rasgado no piso por alguns segundos- Acho que era um rato.

-Sei. Vamos logo, antes que a lua cheia apareça!

Sirius deu uma última olhada em volta, desconfiado. Parecia estar farejando algo no ar.

-Almofadinhas, o Ranhoso...

Aquilo pareceu despertar o garoto, que abrira um sorriso cruel e voltou a andar junto com o amigo em direção as escadas.

Lílian tentava respirar o mais devagar possível, sem fazer barulho. Tiago ainda a segurava pelas axilas, a capa da invisibilidade jogada sobre os dois.

O que raios está acontecendo?

-Evans? –Tiago sussurrou- Eu acho que não vou agüentar...

Tiago escorregou, fazendo os dois caírem. Lílian se levantou depressa e encarou o garoto estatelado. Tiago se sentou no chão.

-Você está bem?

Lílian não respondeu.

-Por que você estava me seguindo?

-Eu não estava te seguindo –o garoto se levantou e olhou ao redor, parecendo procurar por alguma coisa- Você tropeçou no meu pé quando estava subindo as escadas.

-Você não estava nas... –Lílian olhou para a capa jogada no chão- Ah.

Você bem que queria que ele estivesse te seguindo...

AGORA NÃO! Some daqui!

Lílian, eu sei que esse é um momento muito bom para você, mas concentre-se!

Concentrar no quê?

No que realmente importa!

-Severo...

-Hãn? –Tiago pegou a varinha que havia rolado para o meio do corredor na queda- Disse alguma coisa, Evans?

-O que você e os seus amiguinhos vão aprontar dessa vez?!

Lílian se aproximou de Tiago, com os olhos franzidos. O garoto a encarava desnorteado.

-Do que você está falando?

-Seus amigos estavam falando sobre algo que iriam fazer com o Snape! Não finja que não sabe, Potter!

-Merlin! –Tiago esbugalhou os olhos, correu para a janela e olhou para o céu, assustado.

-Sirius, seu filho de uma elfa caolha...

-Quê?

Mas Tiago já havia desaparecido.

Lílian olhou em volta, confusa.

-Potter, eu sei que você está aí!

Ninguém respondeu.

-Potter?

Lílian andou em direção á janela, observando o céu, tentando encontrar alguma pista do que raios Tiago havia visto. Não viu nada, além da bela lua cheia que pairava no céu escuro e estrelado.

Por um segundo, imaginou que Tiago estivesse louco e que sua teoria de que ele tivesse algum problema mental acabava de ser comprovada. Apenas por um segundo, pois logo após observar a lua, Lílian olhou para os jardins. E foi quando começou a correr em direção ao Salgueiro Lutador.


N/a: Uaaaau, fiquei tão feliz com os comentários! Hahahaha... Espero que tenham gostado desse capítulo! Sabe, com os comentários que eu recebi, percebi algo em comum com vocês: também estou cansada de fics em que a Lílian acaba sendo uma louca-neurótica-maníaca-egocêntrica e o Tiago um bobo-apaixonado-idiota. Acredito que o Tiago era uma pessoa forte, que nunca deixaria ser comandado ou até mesmo xingado das formas que eu vejo em algumas fics. Enfim, juro para vocês que faz muito tempo que eu não leio uma fic por completo, mas pelo o que eu percebi, continuam parecidas com as da época em que eu passava o dia inteiro lendo. Hahaha, saudades disso.

Beijos e continuem comentando!

Biele BlackMoon: Meu primeiro comentário, uaaaaau! Muito obrigada mesmo pelo elogio, fiquei hiper feliz!

Amanda: Eu sou fã da Lili avoada, meldels, existem algumas fics em que ela é hilááááária. :P

Thaty: Obrigadaaa Thaty! Continue comentando. ;D

Lêê: Hahah, obrigada pela dica! E aqui está a continuação, espero que tenha gostado!