04/07/2008
Bella Lili – Cap.3
Sofia abriu os olhos e observou o teto do dormitório. Olhou para o lado e viu Lílian dormindo, com os cabelos ruivos caindo pelas costas, despenteados. Concluiu que não podia ser tão cedo assim, pois as outras garotas já haviam descido.
Como sempre, se levantou e foi até o banheiro tomar um banho. Ao sair, acordou Lílian. A garota se levantou após alguns minutos resmungando. Sofia ainda ouviu alguns resmungos vindos do banheiro enquanto acabava de se trocar.
-Para de resmungar Lili, são oito da manhã, por Merlin!
Lílian saiu do banheiro, com os olhos assustados. Estava com o uniforme, mas os cabelos continuavam molhados.
-É melhor você secar esse cabelo antes que pareça um hipogrifo...
-Sofia, onde você estava ontem á noite?
-Eu?
-É, você, criança!
-Por que você está assustada? Aconteceu alguma coisa?
Lílian não respondeu de primeiro momento, correu para a penteadeira e procurava por alguma coisa. Sofia observava tudo incrédula.
-Lili...
-Merlin!
Lílian ergueu um espelho, não muito grande, possível de se guardar e levar no bolso sem que ninguém percebesse. Ela fitou o objeto, parecendo esperar que alguém saísse do outro lado. Sofia ergueu a sobrancelha, imaginando se Lílian não tinha batido a cabeça no banheiro.
-O espelho –finalmente a garota ruiva falou. Sofia continuou quieta, esperando que ela terminasse a frase ou começasse algum assunto, mas nada aconteceu: Lílian apenas encarava o espelho.
-Lílian, o que está acontecendo?
-Você já vai saber!
Esperaram mais alguns minutos, Sofia já estava impaciente e com receio do olhar maníaco que Lílian lançava ao espelho em suas mãos.
-É só um espelho, Lílian. Onde você arranjou isso?
-Eu... AH, viu? Viu só?! Olha aqui!
Sofia se adiantou, encarando o espelho. Ergueu a sobrancelha e esbugalhou os olhos ao ver a imagem que estava sendo refletida.
-Merlin! –falou- Olha só, que coisa...
-Não é?
-Realmente Lili...
-Consegue ver?
-Consigo.
-O que acha?
-Eu acho que estou com umas olheiras enormes!
Lílian a encarou, séria. Sofia riu, sem ligar.
-Lílian, eu estou vendo a minha imagem refletida nesse espelho. Nada mais! O que você está vendo?
Lílian olhou o espelho de novo, mas apenas viu seu cabelo molhado e os olhos verdes refletidos. Será que havia imaginado? Sonhado? Olhou para o tornozelo e notou alguns arranhões recentes. Lembrou que na noite anterior havia escorregado nos jardins, pouco antes de Tiago salvar Snape. Não havia sonhado, definitivamente.
Tinha certeza que havia visto os olhos de Tiago refletindo á poucos minutos. Ouvira vozes, mas não conseguira identificar de quem eram.
Mas por que Sofia não vira?
Ela demorou em olhar, por isso não conseguiu ver á tempo.
-Lili, a gente pode descer para tomar café ou você vai continuar aí sentada com essa cara de...
-O Lupin é um lobisomem.
Sofia engasgou no meio da frase e demorou mais ou menos uns cinco minutos para conseguir voltar a respirar normalmente. Quando conseguiu manter a calma, começou a rir, mas logo parou ao ver o rosto sério da amiga.
-Como... Como você descobriu?
-Sente-se, nós vamos perder a primeira aula.
Sofia se sentou ao lado da amiga e Lílian começou a contar o que havia acontecido na noite anterior.
O que havia acontecido na noite anterior, na realidade, havia sido algo bem simples. Perigoso, inconseqüente da parte de Sirius Black, mas apesar de tudo, rápido. Lílian acreditava que a confusão toda não durara mais do que quinze minutos.
À hora em que chegara aos jardins, Snape já havia apertado o nó que paralisava o Salgueiro Lutador. Lílian, de primeiro momento, se assustou com aquilo, mas logo depois se esqueceu do assunto, por uma razão um pouco mais... Importante, digamos. Um lobisomem saía de dentro do Salgueiro e avançava em direção á Snape. Foi nesse momento, com o susto, que Lílian escorregara na grama e machucara o tornozelo. Ao cair, ouviu um grito de desespero, que reconheceu como sendo de Severo. Logo depois, se levantando, conseguiu ver Tiago trazendo Snape nos braços, os dois sangravam.
Tiago entregou Snape para Lílian e disse para levá-lo a enfermaria.
-Mas e você? –ela gritou, fazendo Snape flutuar com a ajuda da varinha- Tem um LOBISOMEM aqui Potter! Temos que chamar Dumble...
-NÃO! Não chama ninguém, leve Snape á Enfermaria que eu cuido do Aluado!
-Quem? –mas Tiago já estava longe, na escuridão que levava em direção á Floresta Proibida e para onde o lobisomem havia ido.
Lílian não conseguia pensar, sua cabeça estava á mil. Lobisomem? Tiago? Severo? BLACK?! Onde estaria Sirius? E como raios Severo conseguira imobilizar o Salgueiro Lutador?
Cacete.
Com todas as letras, Lílian.
O que eu faço?!
Chame Dumbledore, ele vai saber o que fazer.
Após deixar Snape na Enfermaria, saiu correndo em direção a sala do Diretor, não ligando para os gritos da enfermeira histérica.
-Mas o que aconteceu com esse garoto?!
-Lobisomem! –foi a única coisa que conseguiu dizer antes de sair correndo. Sabia que se Snape tivesse sido mordido, mesmo que parcialmente, seria uma tragédia. Estava rezando para que o amigo estivesse intacto, tentando esquecer-se do fato de que o garoto parecia jorrar sangue.
Chegando á estátua que guardava a sala do diretor, deu graças a Deus por ser monitora: sabia todas as senhas, tirando as das outras casas. Mas antes que pudesse abrir a boca, a estátua se mexeu, lhe dando passagem.
-Mas o que...
-Dumbledore a espera, Srta. Evans.
Como ele sabe que eu estava aqui?
Dumbledore sabe tudo, Lílian.
-Estávamos á sua espera, Srta. Evans. Por favor, sente-se!
Lílian ouviu o diretor a convidar, cordialmente. Piscou algumas vezes, tentando entender o que estava acontecendo. A Professora McGonagall estava de pé, ao lado do diretor, com um olhar severo, mas, no entanto... Amigável, seria a palavra?
Ao seu lado, sentados, estavam Sirius Black e Tiago Potter, imundos e machucados. Sirius olhava para o lado, evitando-a. Mas Tiago a encarava, fixamente. O Professor Slughorn estava mais afastado, comendo alguns bolinhos que estavam em cima da mesa do diretor, parecia até um pouco avoado, sem saber direito que estava acontecendo. Ao vê-la, abriu um grande sorriso e se aproximou.
-Srta. Evans, mas que surpresa agradável! O que a traz á sala do nosso ilustre diretor esse horário?
-Eu... –não soube o que responder, mas todos a olhavam, esperando pela resposta. Olhou para Dumbledore, esperando alguma ajuda, mas ele apenas lhe sorriu por baixo dos oclinhos meia-lua- Na verdade, eu... Não sei.
Dumbledore balançou a cabeça, parecendo afirmar.
Ele parece saber o que eu quero dizer.
Impossível Lílian, você não falou nada.
Respirou fundo e se sentou.
-Tá, e o que ele falou?
-Ah, as coisas que todo bom diretor falaria.
-O quê?
-Que era para eu manter aquilo em sigilo e blábláblá... –Lílian deu de ombros- Não que eu vá sair contando para todo mundo o que aconteceu, mas você me entendeu.
-Sei... E como você chegou a conclusão de que Lupin é o lobisomem?
-Porque ele era o único que não estava na sala.
Sofia pensou por alguns instantes, ainda sem acreditar.
-Lílian, isso é impossível. Ele podia não estar na sala do Dumbledore, mas isso não prova que ele é o lobisomem! Pense nas dificuldades que Dumbledore e todos os professores teriam para abrigar um lobisomem em Hogwarts? Aonde ele iria se transformar todas as noites de lua-cheia? Sem falar que, mesmo que conseguissem guardar esse segredo por algum tempo, convenhamos, sete anos são MUITOS anos!
-Tudo bem Sofia, é difícil, mas não é impossível. Pense, pense de verdade nessa questão, se você quisesse guardar um segredo como esse, onde mais seria confiável? Qual o lugar que possui mais segredos do que qualquer outro? Hogwarts, Sofia!
-Remo não pode ser um lobisomem, Lílian! Não é possível, ele é tão... -Lílian a olhou, esperando que ela terminasse a frase- Doce.
Lílian deu risada, jogando o travesseiro na amiga.
-Era só o que me faltava, você tem alguma queda pelo Lupin que eu não saiba?
-Lógico que não, eu só estou falando que ele é muito bonzinho para ser um lobisomem! E... –Sofia pareceu lembrar-se de algo- Quando você deixou o Snape na enfermaria, tinha mais alguém lá?
Lílian fez força para lembrar. Havia mais alguém?
Havia uma cama com as cortinas fechadas. Mas não parecia haver alguém lá.
-Acho que sim, havia uma cama com as cortinas fechadas, mas...
-Mas?
-Mas estava escuro e não deu para ver direito. Eu também estava tão desesperada com Severo que nem prestei atenção.
Sofia revirou os olhos. Lílian fingiu não perceber.
-Eu encontrei Lupin aquela tarde, ele estava com uma cara péssima! Ele falou que ia para a enfermaria.
Lílian se levantou e começou a caminhar pelo dormitório, pensando. Passou a mão pelos cabelos úmidos, tentando juntar as peças.
Lupin foi para a enfermaria. Eu encontrei Black e Pettingrew no Retrato, o que eles falaram mesmo? Algo sobre... Lua-cheia! Black mencionou algo sobre irem logo, por causa da lua-cheia. Ou seja, ele sabia sobre o lobisomem e ele sabia que Severo ia estar lá, por causa... Do que? Como ele podia ter certeza de que Severo iria estar lá?
-Lílian?
-Psiu! Só um minuto, estou pensando!
Então... Eu escorreguei e Potter estava lá, me escondeu debaixo da capa. Então, ele olhou pela janela... E viu a lua-cheia! E quando eu olhei para os jardins, o que eu vi? O que eu vi, de verdade?
Um cachorro, Lílian. Um cachorro enorme e preto, indo atrás de Severo, sem que o garoto percebesse.
Certo. E foi quando eu desci correndo e tudo aconteceu, mas...
Onde estava Remo Lupin, você quer saber?
É. Onde estaria Lupin? Na enfermaria?
Ou dentrodo Salgueiro.
-Sofia?
-Hum? –a garota estava deitada, encarando o teto. Parecia levemente entediada.
-Vou passar na enfermaria antes de ir para a aula, que vir junto?
A amiga a encarou, sem emoção.
-Não, obrigada, prefiro tomar chá com a Lula Gigante.
Lílian revirou os olhos.
Lílian chegou ao começo da terceira aula, Poções.
-Menos cinco pontos, Srta. Evans! –Slughorn falou animadamente- É a primeira vez que a senhorita chega atrasada na minha aula, aconteceu algo?
-Não Professor, me desculpe, eu apenas... –Lílian deu uma olhada pela sala e viu Potter sentado com Pettingrew, logo mais atrás estava Sofia acompanhada de Alice. Lá no fundo, quase sem conseguir enxergar por causa da escuridão das masmorras, viu Sirius Black e o único lugar vazio- Perdi a hora.
Sentiu uma raiva genuína crescer em seu estômago ao ver o rosto de despreocupado do colega. Andou até o fundo da sala, sentindo alguns olhares na sua nuca.
Esse idiota quase matou Severo!
É.
E está com essa cara de despreocupado, como se não tivesse feito nada!
É.
É só isso o que você vai falar?!
Sua consciência não respondeu. Lílian se sentou ao lado do garoto e começou a tirar os ingredientes da mochila, sem olhá-lo. Para falar a verdade, eram poucas as coisas que sabia sobre Sirius Black. Em primeiro lugar, era o único Black na Grifinória, isso era o mais surpreendente. Veio de uma família de puro-sangues e preconceituosos em relação a trouxas, o que fazia Lílian desacreditar um pouco na índole do garoto. Apesar de tudo, ele sempre fora educado com ela e nunca a ofendera, o que a fez acreditar que ele talvez fosse diferente do que o resto da família. Apesar de tudo, era um atentado. Por Merlin, nunca dera tantas detenções á uma só pessoa! Toda semana eram várias! Era um dos Marotos, o que já o tornava uma celebridade em Hogwarts e fazia Lílian empinar o nariz. Também era o melhor amigo de Potter, os dois estavam sempre juntos, e Lílian até estranhou o fato de os dois estarem separados aquele dia. Concluiu que a noite passada fizera algum efeito.
-Bom dia –Lílian cumprimentou, seca. O garoto apenas a olhou de lado, sem ao menos tirar o pé da mesa. Lílian o encarou, irritada- Quer fazer o favor de tirar essa lancha daí?
Aquilo pareceu fazer com que ele a percebesse, pois o garoto a fitou surpreso, logo colocando os pés no chão e endireitando a coluna na cadeira.
-Obrigada –Lílian colocou o caldeirão em cima da mesa e começou a pegar os ingredientes que estavam anotados na lousa. Vez ou outra ela pedia para que ele fizesse alguma coisa, mas o garoto apenas revirava os olhos e olhava para o outro lado, fingindo não escutar.
Após uma meia hora naquelas mesmas condições, Lílian se irritou de verdade.
-Black! –Sirius virou o rosto, a olhando- Quer fazer o favor de levantar essa bunda enorme da cadeira e pegar algumas salamandras no armário?
Lílian voltou a picar os ingredientes, sem esperar que ele realmente fizesse o que ela mandara. Após alguns segundos, ela ouviu o arrastar da cadeira e se surpreendeu ao ver Sirius indo até o armário e pegar algumas salamandras, logo as jogando na sua mesa.
-Satisfeita, pimentinha?
Lílian o encarava, com a boca semi-aberta.
Ele foi buscar o ingrediente ou é impressão minha?
Pois é, uma grosseria faz milagres...
-Obrigada.
Sirius se sentou, agora parecendo interessado no que Lílian fazia.
-O que é isso? –perguntou curioso.
-Poção da felicidade –respondeu a garota, percebendo pela primeira vez que o garoto era ainda mais bonito de perto. Os cabelos negros caiam em seu rosto, charmoso, fazendo com que ele tivesse que jogá-los para trás á cada cinco minutos- quer mexer?
Sirius puxou a varinha do bolso e começou a mexer a poção, enquanto Lílian ia até a mesa de Sofia, ver se ela tinha algumas pedras-lunares para emprestar.
Ao voltar, a poção estava amarelada, exatamente no tom que deveria estar.
-Você sempre foi bom em poções? –perguntou sorrindo. Sentiu até certa simpatia pelo garoto.
-Nunca tive dificuldades –ele respondeu, também sorrindo- Nunca fui tão "excelente aluno quanto a Srta. Evans" –disse, imitando a voz de Slughorn- mas sempre gostei.
Lílian deu risada.
-Você é péssimo imitando o Slughorn –disse.
-É porque você ainda não me viu imitando a McGonagall!
Sirius começou a imitar a professora, hilário. Lílian riu alto, fazendo alguns alunos se virarem para ver o que estava acontecendo.
-Realmente Black, você é péssimo em imitações.
-Não se pode ser bom em tudo, afinal –concluiu. Lílian revirou os olhos, achando graça.
Ficaram em silêncio alguns instantes, apenas colocando as pedras na poção.
-Evans, sobre ontem... –ele começou, mas Lílian o interrompeu.
-Nem adianta se desculpar.
Sirius a encarou, surpreso. Lílian continuou falando.
-O que você fez foi irresponsável, Black. Eu sei que nenhum de vocês gosta do Snape, mas ele nunca fez nada para vocês o tratarem desse jeito –Lílian baixou o tom de voz- você quase o matou, por Deus, Black!
Sirius ainda a encarava.
-Não sei como um lobisomem apareceu nos terrenos do castelo, também não quero saber –mentiu- mas você quase tirou a vida de uma pessoa, Black, ninguém tem o direito de tirar a vida de alguém.
Lílian voltou a prestar atenção na poção, enquanto Sirius desviava a atenção para o outro lado.
Lílian se sentiu esmagada quando entrou no Três Vassouras com as amigas, tentando achar alguma mesa para se sentarem. O bar estava apinhado de alunos e podia-se ver Rosmerta, a dona do lugar, se divertindo com alguns alunos que faziam palhaçadas. Entre eles, viu Os Marotos, que com certeza eram os que mais chamavam a atenção das pessoas á sua volta, como sempre. Lílian e as amigas encontraram uma mesa relativamente próxima de onde eles estavam, sendo possível ouvirem as risadas exageradas de Pettingrew.
-Esse garoto qualquer dia vai enfartar rindo desse jeito –comentou Alice, observando os garotos. Lílian se sentara de costas, para evitar olhar Tiago, ou aquelas borboletas no estômago não a deixariam em paz.
-Parece um rato.
As duas olharam para Sofia, que ria maldosamente.
-Ah, vai dizer que não parece? A risada dele é um guincho!
As garotas riram juntas.
-A do Sirius parece a de um cachorro –complementou Sofia- Não é? Ouçam, parece um latido!
As três esperaram alguns segundos. Então, a risada que parecia um latido veio, fazendo com que as três rissem ainda mais alto que os próprios garotos, obrigando-as a tampar a boca.
-Sofia, você não presta... –disse Lílian.
-Sou realista, ué!
-Até demais –Alice procurava alguém pelo bar- Vocês viram o Frank?
Lílian e Sofia se entreolharam, revirando os olhos ao mesmo tempo.
-Apaixonada é fogo, viu! –brincou Lílian- Larga o garoto, mulher! Deixa ele com os amigos!
-Com esse bando de galinhas, loucas por um macho? Eu tenho é que ficar de olho, Lili. Não dá para deixar de bobeira não!
-Por isso é que eu não namoro –falou Sofia, chamando Rosmerta- Dá muito trabalho ficar cuidando.
-Nem me fala –Alice ainda passava os olhos pelo bar- Mas e o John Goodman, da Lufa-Lufa?
-Aquilo lá é passado, me meteu um chifre maior que os galhos do Salgueiro Lutador. Rosmerta, como vai? –Lílian riu ao ver o rosto de assustada de Alice.
-Olá garotas, o que vão querer?
-Três cervejas amanteigadas, por favor –Lílian pediu.
-Três cervejas, certo... Mais alguma coisa? Algo para comer?
-Não, estamos guardando lugar para a Dedosdemel –respondeu Sofia, Alice ainda a encarava desnorteada- O que foi Alice?!
-Ele te chifrou??
-É, ele me chifrou, fala mais alto! –Sofia revirou os olhos- E daí?
-E você está bem?
-Eu vou fazer o quê, Lice? A culpa não é minha, fiz tudo o que podia, se ele não gostou e quis outra...
-Sofia está certa –falou Lílian- Para quê se preocupar tanto? É melhor partir para outra.
-Mas com quem? –os olhos de Alice agora brilhavam- Que babaaaaaaaado, amiga!
As três começaram a rir, chamando a atenção dos garotos que estavam um pouco mais atrás. Sofia viu Sirius cutucar Tiago e apontar para Lílian.
-Lili, acho que o Potter está vindo para cá.
Lílian quase cuspiu a cerveja amanteigada, as amigas riram.
-Uau, não sabia que você ficava tão nervosa perto do "cabeça-de-titica-Potter"! –Alice zombou.
-Não estou nervosa! –as borboletas no estômago quase saíram pela boca.
-Então vê se não faz besteira, ele está quase aqui!
As amigas riam, o que tranqüilizou um pouco Lílian.
Não comece a gaguejar, pelo amor de Deus.
-Olá garotas! –Sirius sorria de orelha a orelha- Pimentinha! Como vai?
Lílian encarou o garoto e ergueu a sobrancelha.
-Pimentinha? –perguntou.
-Ruiva e esquentada. No ponto!
-Que falta de cavalheirismo, Almofadinhas –Lílian ouviu a voz de Pettingrew falar atrás dela.
-Realmente, Sirius nunca foi muito bom com as palavras –Tiago comentou, se sentando ao lado da garota- Oi Lílian! Posso me sentar?
Já está sentado, né criatura.
Lílian revirou os olhos, Tiago riu.
-Eu sou melhor na ação, se é que você me entende –Sirius respondeu, fazendo Alice e Sofia rirem.
-Onde está Remo? –Sofia perguntou, tomando mais um gole de cerveja- Faz quase uma semana que ele não aparece!
-Ah, o Remo –Sirius falou, parecendo só perceber agora que o amigo não estava lá- Onde estará Remo, Pedrinho?
-Não faço a mínima –respondeu o garoto, puxando uma cadeira- Pontas?
Lílian notou certo olhar de receio antes de Tiago responder.
-Enfermaria, pegou uma virose.
-Coitado! E ele está lá desde o começo da semana? –Alice disse em um tom preocupado.
-Aham –Sirius abriu um sorriso bonito- Mas vamos falar de coisas mais agradáveis! O que três lindas garotas fazem desacompanhadas em um dia como esse?
-Estou esperando o meu namorado.
-Fui chifrada, estou em abstinência de homem.
Os três garotos encararam Sofia, surpresos.
-O que foi? Não posso ser sincera? –falou, tomando outro gole.
Eles deram de ombros, virando-se para Lílian.
-E você Lílian, por que está sozinha?
Quem perguntou dessa vez foi Tiago.
PORQUE VOCÊ É UM IDIOTA E NÃO ME CHAMA PARA SAIR!
-Porque eu quero –disse sorrindo.
Todos riram, menos Tiago, que a encarava sem expressão.
-Eu não acredito –disse ajeitando os óculos.
Todos pararam de rir no exato instante. Até Sirius calou a boca para ouvir.
-Pois devia –Lílian falou, ouvindo o soar de alarme na sua consciência- Nem todas precisam de alguém, Tiago.
Um silêncio constrangedor se instalou na mesa. Alice e Sofia se entreolharam, Pedro olhou para o outro lado e Sirius coçou a cabeça, sem jeito. Lílian ergueu a sobrancelha, imaginando o que ele queria dizer com aquela atitude.
De repente, todos começaram a se levantar, arranjando desculpas para saírem, Alice disse que avistara Longbottom, Sirius e Pedro resolveram ir buscar mais cerveja amanteigada e Sofia decidiu ir à Dedosdemel comprar alguns chocolates.
Tiago sorria, mas era um sorriso sarcástico.
E agora, José?
Cala a boca.
Sem jeito, Lílian desviou o olhar para o bar, que estava um pouco mais vazio, apesar de ainda estar cheio. Avistou Sirius e Pedro no balcão, conversando entre eles.
-Para com isso –ela disse.
-Isso o que?
-De me olhar desse jeito! –ele riu, revirando os olhos. Igualzinho a ela.
-Não posso te olhar, então?
-Pode –Lílian sentiu as faces corarem.
Ela sentiu a mão de Tiago começar a acariciar a sua.
-Que bom, porque você é linda.
Lílian revirou os olhos, sem jeito.
-Não seja idiota –disse.
-Por que toda vez que você fica sem graça com alguma coisa que eu falo, você me xinga? –ele perguntou rindo.
Ela deu de ombros, jogando os cabelos longos e ruivos para trás, mostrando um pedaço do pescoço alvo.
-É o meu jeito, odeio ficar sem graça –respondeu, sem perceber que aquele simples gesto deixara Tiago quase hipnotizado- Por que você gosta de me deixar sem graça?
Tiago ainda acariciava sua mão e aquilo era bom. O toque dele era macio, acolhedor. Sentiu o rosto corar ao tentar imaginar como seria o toque dele em seu rosto.
-Porque... –ele não terminou. Aproximou o rosto, e Lílian conseguiu ver a íris esverdeada atrás dos óculos. Riu ao perceber aquilo- O que foi?
-Seus olhos –respondeu- Não são totalmente castanhos, sabia disso?
-É? –perguntou.
-Você possui a íris esverdeada. Aposto que seu olho na água fica de um tom verde escuro, não é?
Ele ergueu as sobrancelhas, surpreso. Começou a fazer carinho na palma de sua mão, Lílian sorriu, sem graça.
-Você sabe das coisas, afinal de contas –zombou.
Ela deu de ombros.
-De tudo um pouco –respondeu, agora retribuindo o carinho.
Ficaram ali, Lílian não saberia dizer se foram horas, minutos ou segundos, apenas que foi bom. Olhavam-se e desviavam o olhar, envergonhados, rindo.
-Acho que é melhor eu ir –disse- Preciso encontrar Sofia e ver se ela já não se entupiu de chocolates.
Tiago deu risada.
-É sincera, essa Sofia... Dizer que foi chifrada em voz alta é coragem para poucos.
-Ou tolice.
-É, talvez –ele disse.
-Ela é maluca, mas depois de um tempo você se acostuma.
Tiago dessa vez não disse nada, apenas se aproximou um pouco mais. Lílian sentiu sua mão descendo até sua cintura.
-Posso te pedir uma coisa?
Lílian sorriu, sentindo as borboletas em seu estômago. O calor em suas bochechas aumentava e ela tinha certeza de que ele podia notar suas bochechas corando.
-Depende –ela respondeu.
-Do quê?
-Do que você quer de mim.
Dessa vez ele não riu, a olhou sério.
-Eu quero você, Lílian Evans.
Lílian fechou os olhos e sentiu o primeiro contato dos lábios de Tiago antes mesmo que pudesse perceber que ele a puxava para mais perto.
N/a.: Noooossa, fiquei felicíssima com os comentários! Até escrevi um cap. um pouquinho maior, gostaram? :D
Para quem achava que a Lílian já sabia que o Lupin era um lobisomem, nããããão, ela não sabia. Mas aos poucos a gente vê o que acontece, não é mesmo? Hahaha...
Continuem comentando, pessooooooas especiais. :D
Beijos!
Maria Lua: "um quê de diferente"? Mulé, me senti hiper feliz! Espero que tenha sido no bom sentido! Hahahaha. Beijos linda!
Biele BlackMoon: Olha, para a Lílian parar de falar com o Snape vai demorar um pooouco, saca? É, eu sou estranha: AMO o Snape de paixão. HAHAHAHAHA. : ) Apesar de tudo, era um homem apaixonado, coitado. Nos próximos caps. ele irá aparecer mais, vcs vão querer me matar! Hahaha, beeeeeijos, continue comentando!
Mari Maga Black:Aqui está o cap. linda! E um poquinho maior ;D
Mel.Bel.louca: Obrigada pelos elogios ;D Espero que goste desse cap.! :D
Ana Clara: Que bom que vc está gostando, fico hiiiper feliz! Faz tanto tempo que eu não escrevo uma fic, fico até impressionada que as pessoas não estejam achando uma porcaria. Falta de prática dá um meeeeedo. Hahahaha, beeeeijos. ;D
